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Trata-se de organizar o discurso antes de o produzir: os elementos da narrativa e o arco dramático em três atos, as formas linear, não-linear, ramificada e interativa e a agência que cada uma dá ao utilizador, o percurso de escrita da ideia ao guião técnico, e a passagem ao storyboard. É o domínio que decide o que o espetador sente e por que ordem o sente — e onde cada escolha se paga, muito concretamente, em tempo de produção. Domínio das Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B, disciplina de opção do 12.º ano sem Exame Final Nacional, avaliada internamente pelo projeto e pelo processo documentado.
4 secções~29 min de leitura5 competênciasNível Base 1 · Padrão 3
nível básico
Reconhecer os elementos da narrativa e o arco em três atos, e distinguir narrativa linear de ramificada.
nível avançado
Dimensionar uma estrutura ramificada contando percursos e segmentos, e levar a mesma história da logline ao storyboard anotado.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Curva de tensão dramática
Repartição clássica dos três atos numa duração D
A proporção clássica é 1:2:1. Numa peça de duração D, o Ato I e o Ato III ocupam um quarto cada e o Ato II ocupa metade — para D = 90 s, 22,5 s, 45 s e 22,5 s.
Um spot de 90 s para uma campanha da escola. Distribui os três atos na proporção clássica 1:2:1, situa no tempo o incidente desencadeador e o segundo ponto de viragem, coloca o clímax aos 88 % da duração (como na Fig. 1) e diz quanto tempo sobra para o desenlace.
A proporção 1:2:1 divide a peça em quatro partes iguais: 90 s ÷ 4 = 22,5 s. Ato I = 1 parte = 22,5 s; Ato II = 2 partes = 45 s; Ato III = 1 parte = 22,5 s. Conferência: 22,5 + 45 + 22,5 = 90 s.
Fecha o Ato I, logo cai aos 22,5 s — a 25 % da duração. Até lá há vinte e dois segundos e meio para mostrar a personagem, o seu mundo e o que está em jogo.
Fecha o Ato II: 22,5 + 45 = 67,5 s, isto é, a 75 % da duração. É aqui que a personagem muda de estratégia.
Aos 88 % da duração, como na curva da Fig. 1: 0,88 × 90 = 79,2 s, ou seja, cerca de 79 s.
O que resta depois do clímax: 90 − 79,2 = 10,8 s, cerca de 11 s — pouco mais de um plano longo ou três planos curtos.
Resultado: Ato I até aos 22,5 s (incidente desencadeador), Ato II até aos 67,5 s (segundo ponto de viragem), clímax por volta dos 79 s e um desenlace de cerca de 11 s. O cálculo mostra logo a consequência de produção: o desenlace cabe em três planos, pelo que a mensagem final não pode depender de explicação — tem de estar na imagem.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma curta-metragem ou um anúncio que conheças bem e desenha, num eixo de 0 a 100 % da duração, a sua curva de tensão. Marca o incidente desencadeador, os dois pontos de viragem e o clímax, e justifica por que colocaste o clímax naquele ponto e não noutro.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Narrativa ramificada com reconvergência
Estruturas narrativas
Percursos completos de uma narrativa ramificada
o = número de opções em cada momento de escolha; m = número de momentos de escolha. Com 2 opções em 3 momentos, P = 2³ = 8 percursos distintos.
Segmentos a produzir, com e sem reconvergência
Numa árvore pura produzem-se todos os nós de todos os níveis: com o = 2 e m = 3, N = (2⁴ − 1)/(2 − 1) = 15 segmentos. Reconvergendo depois de cada escolha bastam 1 + 2 × 3 = 7 segmentos — e os percursos continuam a ser 8.
Uma peça interativa de 60 s tem 3 momentos de escolha, com 2 opções em cada um, e nenhum ramo reconverge. Cada segmento dura 15 s. Quantos percursos completos existem, quantos segmentos é preciso produzir e quanto material é isso ao todo? Compara depois com a mesma peça reconvergida a seguir a cada escolha.
Em cada um dos 3 momentos há 2 opções, e as escolhas são independentes: 2 × 2 × 2 = 2³ = 8 percursos distintos.
Um percurso atravessa a abertura mais um segmento por cada escolha: 1 + 3 = 4 segmentos. Como cada segmento dura 15 s, 4 × 15 = 60 s — a duração anunciada.
Sem reconvergência há de produzir-se todos os nós de todos os níveis: 1 (abertura) + 2 + 4 + 8 = 15 segmentos.
15 segmentos × 15 s = 225 s, ou seja 3 min 45 s de material acabado para uma experiência de 60 s: 225 ÷ 60 = 3,75 vezes mais do que qualquer utilizador chega a ver.
Juntando os ramos num nó comum a seguir a cada escolha, produzem-se a abertura mais 2 variantes por cada um dos 3 momentos: 1 + 2 × 3 = 7 segmentos, isto é 7 × 15 = 105 s (1 min 45 s).
Os percursos continuam a ser 8, porque as escolhas não desapareceram; o material cai de 225 s para 105 s, uma poupança de 120 s — (225 − 105) ÷ 225 = 0,533, cerca de 53 % menos.
Resultado: 8 percursos, 15 segmentos e 225 s de material na árvore pura; os mesmos 8 percursos com 7 segmentos e 105 s se os ramos reconvergirem — menos 53 % de produção. A conclusão de atelier é direta: o que custa não é dar escolhas, é deixá-las abertas para sempre.
Erros frequentes
Revisão ativa
Desenha o grafo de uma peça interativa com 2 momentos de escolha e 3 opções em cada um, sem reconvergência: quantos percursos completos existem e quantos segmentos terias de produzir? Reformula depois a mesma peça com reconvergência a seguir a cada escolha e compara os dois números de segmentos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Documentos de escrita, da logline ao guião técnico
Da ideia à produção
Sinopse de uma curta de 5 minutos (300 s): « Marta, aluna do 12.º ano, prepara a exposição final do curso de Artes. Na véspera da montagem, um cano rebentado inunda a sala e destrói metade dos trabalhos. Marta decide refazer tudo em vinte e quatro horas, sozinha, e acaba por pedir ajuda à turma que sempre evitou. A exposição abre no dia marcado, com as obras molhadas expostas tal como ficaram. » Escreve a logline e situa no tempo o incidente desencadeador e o segundo ponto de viragem.
Personagem: Marta. Objetivo: abrir a exposição no dia marcado. Conflito: a inundação destrói metade dos trabalhos, e ela insiste em resolver sozinha. Contexto: a escola, na véspera da montagem. Ponto de vista: o de Marta.
A fórmula tem três partes — quem, o que quer, o que se lhe opõe: « Na véspera da exposição final do curso, uma aluna de Artes vê metade dos seus trabalhos destruídos por uma inundação e tem vinte e quatro horas para reconstruir a mostra — sozinha, ou pedindo ajuda a quem sempre evitou. » São 38 palavras, dentro das cerca de 25 a 40 indicadas na Fig. 4.
5 minutos são 300 s; a proporção 1:2:1 dá 300 ÷ 4 = 75 s por parte: Ato I = 75 s, Ato II = 150 s, Ato III = 75 s. Conferência: 75 + 150 + 75 = 300 s.
É a inundação, que quebra o equilíbrio e lança a ação: fecha o Ato I, por volta dos 75 s — 1 min 15 s de peça.
É o momento em que Marta pede ajuda à turma, porque é aí que muda de estratégia: fecha o Ato II, aos 75 + 150 = 225 s, ou seja 3 min 45 s.
O Ato III é a reconstrução em cima da hora e a abertura da exposição; o clímax é o momento em que a porta se abre com as obras molhadas à vista, e o desenlace ocupa apenas os últimos segundos.
Resultado: Logline de 38 palavras com personagem, objetivo e oposição; incidente desencadeador (a inundação) por volta de 1 min 15 s, segundo ponto de viragem (o pedido de ajuda) aos 3 min 45 s e um Ato III de 1 min 15 s. Com estes três instantes fixados, o tratamento pode ser escrito cena a cena sabendo já o tempo de que dispõe.
Erros frequentes
Revisão ativa
Parte de uma ideia tua para uma curta de 3 minutos e escreve, por esta ordem, a logline (uma frase), a sinopse (cerca de meia página, com o final revelado) e o tratamento das três primeiras cenas. No fim, verifica se a logline contém quem quer o quê e o que o impede, e se a sinopse não é uma enumeração.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Grelha de storyboard
Número de planos a partir da duração
D = duração da sequência e t̄ = duração média de um plano. Para D = 40 s e t̄ = 2,5 s, saem 16 planos — e cada plano dá pelo menos uma vinheta de storyboard.
O genérico de abertura da tua curta dura 40 s e o guião técnico prevê uma duração média de 2,5 s por plano. Quantos planos tem? Quantas vinhetas vais desenhar se três desses planos tiverem movimento de câmara e exigirem uma segunda vinheta cada (início e fim do movimento)? E quantas folhas de storyboard, se cada folha levar 6 vinhetas?
Divide-se a duração pela duração média de um plano: 40 ÷ 2,5 = 16 planos.
Uma vinheta por plano: 16 vinhetas.
Três planos com movimento de câmara levam uma vinheta adicional cada, para marcar o fim do movimento: 3 vinhetas extra. Total: 16 + 3 = 19 vinhetas.
A 6 vinhetas por folha, 19 ÷ 6 = 3,17: três folhas cheias levam 18 vinhetas e sobra 1, pelo que são precisas 4 folhas (a última com uma só vinheta usada).
As durações têm de fechar: 16 planos × 2,5 s = 40 s. Se o animatic montado com estas vinhetas der mais do que 40 s, há planos a mais ou durações demasiado generosas.
Resultado: 16 planos, 19 vinhetas e 4 folhas de storyboard; o animatic tem de durar exatamente 40 s. Note-se que o cálculo é uma média de trabalho: um genérico com planos muito curtos de 1 s exigiria perto de 40 planos e quase o dobro das folhas — a decisão de ritmo é, também, uma decisão de quanto se desenha.
Erros frequentes
Revisão ativa
Faz o storyboard dos primeiros 20 s do teu projeto. Para cada vinheta anota o número do plano, o enquadramento, o movimento de câmara, a duração, o som e a transição; no fim, soma as durações e confirma que dão exatamente 20 s.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes