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Multimédia é a integração intencional de vários meios de expressão — texto, imagem, som, vídeo e animação — num discurso único, construído por via digital e muitas vezes interativo. Este primeiro domínio assenta o vocabulário que todos os outros vão mobilizar: as dimensões do conceito, os tipos de media e de multimédia, os suportes de publicação e a cadeia de digitalização (amostragem, quantização e código binário, com o número de níveis a valer 2^n). É o domínio inicial de Oficina de Multimédia B, disciplina de opção do 12.º ano sem Exame Final Nacional, avaliada internamente.
5 secções~29 min de leitura5 competênciasNível Base 2 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Fixar o vocabulário nuclear: as cinco dimensões do conceito, media estáticos e temporais, multimédia linear e interativa, e os suportes mais correntes.
nível avançado
Dominar a cadeia de digitalização e o cálculo de níveis e bits, usando-os para fundamentar decisões de suporte e de composição num projeto próprio.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Integração dos media num produto multimédia
Uma turma apresenta dois trabalhos. (a) Um vídeo de 60 s com imagem, música e cartões de texto, projetado em ciclo no átrio da escola. (b) Um sítio onde o visitante escolhe entre cinco percursos de leitura, cada um com fotografia, texto e som. Quais das cinco dimensões do conceito estão presentes em cada um?
Presente nos dois: (a) reúne imagem em movimento, som e texto; (b) reúne fotografia, texto e som.
Presente nos dois: ambos existem como ficheiros, editados e publicados por via digital.
Presente nos dois, desde que composta: em (a) os cartões entram sobre os tempos fortes da música; em (b) o som acompanha e comenta cada fotografia.
Só em (b): o visitante age e o produto responde-lhe. Em (a) a projeção corre sozinha, sem qualquer resposta ao espetador.
Só em (b): há cinco percursos possíveis. Em (a) a ordem é uma só e fixa.
Resultado: (a) tem três das cinco dimensões — é multimédia linear, e nem por isso menos exigente. (b) tem as cinco — é multimédia interativa, e obriga o autor a compor uma estrutura de percursos em vez de uma sequência.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um trabalho que conheças bem (um genérico de série, o sítio de um museu, uma instalação vista numa exposição) e identifica nele, uma a uma, as cinco dimensões do conceito de multimédia. Onde alguma não estiver presente, explica em duas linhas o que teria de mudar na peça para lá chegar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Media estáticos e media dinâmicos (temporais)
Fotogramas de um plano ou de uma peça
t é a duração em segundos e f a cadência em fotogramas por segundo. O mesmo produto dá o número do fotograma em que cai um acontecimento sonoro situado no instante t.
O genérico de uma curta-metragem tem 12 s e é montado a 25 fotogramas por segundo. A música tem um tempo forte aos 4,8 s, e é aí que o título deve entrar. Quantos fotogramas tem o genérico e em que fotograma cai o corte?
12 s × 25 fotogramas/s = 300 fotogramas.
4,8 s × 25 fotogramas/s = 120. O corte cai na fronteira do fotograma 120, isto é, exatamente a 4/5 dos primeiros 6 s.
Cada fotograma dura 1 ÷ 25 = 0,04 s. Errar por dois fotogramas são 0,08 s — pouco no relógio, mas já audível como um título que entra fora do tempo.
Resultado: O genérico tem 300 fotogramas e o título entra na fronteira do fotograma 120. Como o som e a imagem são ambos media temporais, o valor útil não é o segundo, é o fotograma: é nele que a linha de tempo permite ser exato.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica cada elemento de um teaser de exposição como medium estático ou temporal e indica quais exigem sincronização entre si: o cartão de título, a fotografia de uma das peças, a locução, o plano de vídeo da montagem da sala e a animação do logótipo. Depois diz se o teaser, no seu conjunto, é multimédia linear ou interativa, e porquê.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Suportes de multimédia e as suas restrições
Duração que cabe num suporte de capacidade fixa
C é a capacidade do suporte em bits (bytes multiplicados por 8), D o débito binário em bits por segundo e t a duração em segundos. Invertendo, D = C ÷ t dá o débito máximo admissível para uma duração já fixada.
Uma instalação vai correr em ciclo a partir de um cartão de 8 GB (8 × 10⁹ bytes) e o programa dura 45 minutos. O vídeo está exportado com um débito binário médio de 12 Mbit/s. Cabe? E qual seria o débito máximo admissível para esta mesma duração?
8 × 10⁹ bytes × 8 bits/byte = 64 × 10⁹ bits, ou seja 64 000 Mbit.
64 000 Mbit ÷ 12 Mbit/s ≈ 5 333 s, isto é, cerca de 88 min 53 s.
45 min = 2 700 s; 2 700 s × 12 Mbit/s = 32 400 Mbit; ÷ 8 = 4 050 Mbyte ≈ 4,05 GB.
64 000 Mbit ÷ 2 700 s ≈ 23,7 Mbit/s.
Resultado: Cabe com folga: o programa ocupa cerca de 4,05 GB dos 8 GB disponíveis. Como o cartão suportaria até cerca de 23,7 Mbit/s para os mesmos 45 minutos, vale a pena reexportar com débito mais alto e aproveitar a capacidade para ganhar qualidade de imagem na projeção.
Erros frequentes
Revisão ativa
O teaser de 45 s da exposição de fim de ano vai ser publicado em três sítios: no fluxo vertical de uma rede social, projetado em ciclo no átrio da escola e num quiosque com ecrã tátil à entrada da exposição. Para cada um, indica a restrição dominante e duas decisões concretas que mudarias (formato, duração, corpo de letra, som, navegação).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cadeia da digitalização de um sinal
Níveis representáveis por número de bits
Níveis representáveis com n bits
Cada bit acrescentado duplica o número de níveis disponíveis: 1 bit dá 2 níveis, 2 bits dão 4, 4 bits dão 16 e 8 bits dão 256.
Bits necessários para representar N valores distintos
Arredonda-se sempre para cima, porque não há bits fracionários: para 40 valores, log₂ 40 ≈ 5,32, logo são precisos 6 bits (64 níveis, dos quais 24 ficam por usar).
Uma animação é exportada com 4 bits por pixel, em paleta indexada. (a) Quantas cores tem essa paleta? (b) O autor conclui que precisa de 300 cores distintas para as gradações do fundo. Quantos bits por pixel são precisos, no mínimo?
O número de níveis é 2 elevado ao número de bits: 2⁴ = 16.
Procura-se o menor n com 2ⁿ ≥ 300. Ora 2⁸ = 256, que é menor do que 300, e 2⁹ = 512, que já chega.
log₂ 300 ≈ 8,23; arredondando para cima, n = 9 bits.
Com 512 níveis sobram 212 entradas na paleta. Como as aplicações trabalham em profundidades de 8, 16 ou 24 bits, na prática exporta-se a 16 bits e ganha-se margem para as gradações do fundo.
Resultado: (a) 4 bits por pixel dão 2⁴ = 16 cores. (b) Para 300 cores são precisos, no mínimo, 9 bits (2⁹ = 512 níveis), que na prática se arredondam para os 16 bits oferecidos pelas aplicações. Cada bit acrescentado duplica os níveis — e o peso do ficheiro cresce na mesma proporção.
Erros frequentes
Revisão ativa
Um autor quer uma paleta de exatamente 100 cores para uma série de cartazes gerados por computador. Quantos bits por pixel são necessários, no mínimo? E quantos níveis dessa profundidade ficariam por usar?
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os cinco elementos e a interface de um produto multimédia
Um museu escolar quer explicar, num quiosque à entrada da sala, como foi restaurado um quadro. Que tarefa fica a cargo de cada um dos cinco elementos, e porquê?
Fica com a informação exata que tem de ser lida sem margem de erro: título e data da obra, materiais, nomes dos intervenientes e duração do restauro. Nenhum outro elemento diz um pigmento ou uma data sem ambiguidade.
Fica com o antes e o depois, lado a lado e à mesma escala. A comparação é imediata e o visitante controla o tempo que lhe dedica — coisa que um vídeo não permite.
Fica com as camadas do quadro e a sua remoção sucessiva: verniz, repinturas, camada original. É um processo que não se pode filmar, e por isso é o elemento certo.
Fica com um plano curto do restaurador a trabalhar e a explicar uma decisão difícil. Traz o tempo real e a presença de quem fez, que a animação não substitui.
Fica com a locução breve e com o ambiente da oficina, que dá continuidade entre os blocos. Como é um quiosque em sala, vai com legendas obrigatórias e volume contido.
Resultado: Cada elemento recebe a tarefa que só ele faz bem, e nenhum repete o trabalho de outro. Falta apenas fechar o quadro legal: a fotografia de arquivo e a música de fundo têm de trazer licença verificada e crédito, registados na memória descritiva à medida que entram no projeto.
Erros frequentes
Revisão ativa
Para um teaser de 30 s da exposição de fim de ano, distribui as tarefas pelos cinco elementos: o que fica a cargo do texto, da imagem, do som, do vídeo e da animação? Justifica cada atribuição pelo que só esse elemento faz bem e indica, para cada um, a origem e a licença que usarias.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes