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Área de desenvolvimento: Escultura

A escultura é a arte do volume no espaço. Este tópico define a escultura (vulto e relevo), distingue as suas técnicas — as aditivas (modelação) das subtrativas (talhe), a fundição e a construção/assemblage —, trata o volume e o espaço (cheio e vazio, exenta e integrada) e percorre a escultura moderna e contemporânea, de Rodin ao readymade e à instalação. É uma das áreas de desenvolvimento da disciplina. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional).

4 secções·~15 min de leitura·2 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·101010 / 16
Perfil de exame
Experimentação e criação: desenvolver projetos na área da esculturaApropriação e reflexão: distinguir as técnicas e as categorias da escultura
Operadores:modelatalhadistinguedescreveconstróirelaciona

nível básico

Distinguir vulto de relevo e técnicas aditivas de subtrativas.

nível avançado

Desenvolver projetos de escultura escolhendo material e técnica com intenção, e situar a escultura moderna.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Área de desenvolvimento: Escultura
    • 01A escultura como área: vulto e relevo○
    • 02Materiais e técnicas◐
    • 03O volume e o espaço◐
    • 04Escultura moderna e contemporânea●
§ 01

A escultura como área: vulto e relevo#

●○○BaseLPAE-oficina-artes-escultura

Pontos-chave

A escultura é a arte de organizar o volume no espaço — a arte tridimensional por excelência. Ao contrário da pintura e do desenho, que criam a ilusão do volume numa superfície plana, a escultura tem volume real: ocupa o espaço, tem peso, e vê-se de vários pontos. Esta tridimensionalidade traz consequências: a escultura relaciona-se com a luz real (que a modela conforme incide), com o espaço envolvente e com o corpo do observador, que se move em torno dela. A primeira distinção da área é entre a escultura de vulto e o relevo (ver Fig. 1).

Vulto e relevo

Vulto e relevoGrafo, Escultura → Vulto (exenta, de todos os lados), Escultura → Relevo (preso a um fundo), Relevo (preso a um fundo) → Baixo-relevo (pouco saliente), Relevo (preso a um fundo) → Alto-relevo (muito saliente)EsculturaVulto (exenta,de todos oslados)Relevo (preso aum fundo)Baixo-relevo(pouco saliente)Alto-relevo(muito saliente)
Fig. 1Fig. 1 — As categorias da escultura: de vulto (exenta) e relevo (baixo e alto), conforme a relação com o fundo.
A escultura de vulto (ou de bulto redondo, ou exenta) é totalmente tridimensional e isolada: pode contornar-se e ver-se de todos os lados, cada um oferecendo uma vista diferente. Uma estátua, um busto, um grupo escultórico são de vulto. Este tipo exige que a obra funcione em todos os ângulos — o escultor pensa a peça «em redor», não numa só face. É a forma mais plena da escultura, e a que melhor tira partido da sua natureza tridimensional.
O relevo é uma escultura que não se desprende por completo de um fundo (uma placa, uma parede): as figuras emergem de uma superfície, à qual permanecem ligadas, e vê-se sobretudo de frente. Conforme o grau de saliência, distingue-se o baixo-relevo (as figuras salientam-se pouco, quase desenho em pedra — as moedas, os frisos), o meio-relevo e o alto-relevo (as figuras salientam-se muito, quase se soltando do fundo). O relevo está a meio caminho entre a escultura e a superfície, e liga-se muitas vezes à arquitetura (frontões, portais, túmulos).
Esta distinção fundamental orienta a leitura e o projeto de qualquer escultura. Perante uma obra, pergunta-se primeiro: é de vulto (isolada, para ver em redor) ou é um relevo (preso a um fundo, para ver de frente)? E, se for relevo, qual o grau de saliência? A resposta condiciona tudo o resto — a técnica, a relação com o espaço, o modo de a expor. Compreender que a escultura é a arte do volume real, e distinguir o vulto do relevo, é a porta de entrada para esta área.
Exemplo resolvido

Distinguir vulto de relevo

Observas: (a) uma estátua de bronze isolada numa praça, que se pode contornar; (b) um friso num templo, em que as figuras se salientam pouco de uma faixa de pedra. Classifica cada uma.

  1. 01(a) A estátua da praça

    É de vulto (exenta): está isolada, pode ser contornada e vista de todos os lados — funciona em todos os ângulos.

  2. 02(b) O friso do templo

    É um relevo: as figuras estão ligadas a um fundo (a faixa de pedra) e veem-se de frente; salientando-se pouco, é um baixo-relevo.

  3. 03A consequência

    A estátua foi pensada «em redor»; o friso, «de frente» e integrado na arquitetura — a categoria condiciona a conceção e a exposição de cada obra.

Resultado: A estátua é escultura de vulto; o friso é baixo-relevo. A classificação — feita pela relação com o fundo e com o observador — é o primeiro passo da análise de qualquer escultura e orienta a sua conceção.

Foco no Exame Nacional

  • Definir escultura como arte do volume real no espaço e distingui-la das artes bidimensionais.
  • Distinguir escultura de vulto (exenta, vista de todos os lados) de relevo (preso a um fundo).
  • Distinguir os graus de relevo: baixo-relevo, meio-relevo e alto-relevo.

Erros frequentes

  • Chamar «estátua» (vulto) a um relevo, ou não distinguir os graus de relevo.
  • Analisar uma escultura de vulto por uma só face, esquecendo que se vê de todos os lados.
  • Ignorar a relação da escultura com a luz real, o espaço e o movimento do observador.

Revisão ativa

Classifica três obras à tua escolha como vulto ou relevo (e o grau, se relevo), justificando pela sua relação com o fundo e com o observador.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Escultura (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Materiais e técnicas#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-escultura

Pontos-chave

As técnicas da escultura classificam-se, antes de tudo, por uma distinção fundamental: acrescenta-se ou retira-se matéria? Daí resultam as duas grandes famílias — as técnicas aditivas e as subtrativas — a que se juntam a fundição e a construção (ver Fig. 2). Compreender esta oposição é a chave da área, e distingue radicalmente o gesto e o material de cada técnica.

Técnicas da escultura

Técnicas da esculturaGrafo, Técnicas escultóricas → Aditiva — modelação (acrescentar; barro, cera), Técnicas escultóricas → Subtrativa — talhe (retirar; pedra, madeira), Técnicas escultóricas → Fundição — vazar (bronze; cera perdida), Técnicas escultóricas → Construção / assemblage — montarTécnicasescultóricasAditiva —modelação(acrescentar; b…Subtrativa —talhe (retirar;pedra, madeira)Fundição — vazar(bronze; ceraperdida)Construção /assemblage —montar
Fig. 2Fig. 2 — As técnicas da escultura: acrescentar (modelação), retirar (talhe), vazar (fundição) ou montar (construção).
As técnicas aditivas constroem a forma acrescentando matéria mole e maleável: é a modelação. Modela-se o barro (argila), a cera, a plasticina, o gesso — materiais que se apertam, acrescentam e retiram com as mãos e as estecas. A modelação é reversível e tolerante: pode-se corrigir, voltar atrás, acrescentar o que faltou. É o gesto de «construir» a forma do interior para fora, e é a base do estudo escultórico (muitas esculturas em bronze começam por um modelo modelado em barro).
As técnicas subtrativas obtêm a forma retirando matéria de um bloco duro: é o talhe (ou escultura no sentido estrito, de sculpere, «cavar»). Talha-se a pedra (mármore, granito, calcário) com maço, ponteiros e escodas, e a madeira com formões e goivas. O talhe é irreversível: o que se retira não se repõe, pelo que se trabalha do geral para o pormenor, com previsão e cuidado. Miguel Ângelo dizia «libertar» a figura que já estava presa no bloco de mármore — uma imagem que capta bem a natureza do talhe: descobrir a forma retirando o que sobra.
Há ainda duas famílias essenciais. A fundição obtém a forma vazando um metal fundido (o bronze) num molde: a técnica clássica é a da cera perdida (cire perdue) — modela-se em cera, envolve-se num molde, derrete-se a cera (que «se perde») e verte-se o bronze no vazio deixado. Permite reproduzir e obter formas impossíveis de talhar. E a construção ou assemblage monta a obra a partir de peças e materiais (metal soldado, madeira, objetos) — uma técnica moderna (Picasso, Julio González), que rompeu com a ideia da escultura como bloco único. Modelar, talhar, fundir, construir: quatro gestos, quatro relações com a matéria.
Exemplo resolvido

Escolher a técnica escultórica

Queres criar uma pequena figura que possas modificar e corrigir à vontade enquanto trabalhas, e depois obter dela uma versão em bronze durável. Que técnicas usas, e por que ordem?

  1. 01A fase de conceção

    Para poder corrigir à vontade, usa-se uma técnica aditiva: modela-se a figura em barro ou cera, material mole que se acrescenta e retira livremente.

  2. 02Passar ao bronze

    Para obter a versão durável em bronze, usa-se a fundição por cera perdida: a partir do modelo, faz-se um molde, derrete-se a cera e verte-se o bronze.

  3. 03A lógica

    Modelação (aditiva, reversível) para conceber e afinar; fundição para materializar em metal — as duas técnicas encadeiam-se, cada uma com o seu papel.

Resultado: Modela-se primeiro em barro/cera (técnica aditiva, corrigível) e funde-se depois em bronze por cera perdida. O encadeamento modelação → fundição é o percurso clássico da escultura em bronze — a escolha das técnicas segue a intenção (corrigir, depois durar).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir técnicas aditivas (modelação, acrescentar, reversível) de subtrativas (talhe, retirar, irreversível).
  • Associar cada técnica ao material (modelação: barro/cera; talhe: pedra/madeira; fundição: bronze).
  • Explicar a fundição por cera perdida (cire perdue) e reconhecer a construção/assemblage como técnica moderna.

Erros frequentes

  • Confundir modelação (aditiva, acrescentar matéria mole) com talhe (subtrativa, retirar de bloco duro).
  • Julgar o talhe reversível, esquecendo que o que se retira não se repõe (daí trabalhar do geral ao pormenor).
  • Confundir a fundição (vazar metal num molde) com o talhe (esculpir diretamente).

Revisão ativa

Explica, para uma escultura em barro e para uma em mármore, se a técnica é aditiva ou subtrativa, e o cuidado próprio de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Escultura (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O volume e o espaço#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-escultura

Pontos-chave

O que a escultura trabalha, acima de tudo, é o volume e a sua relação com o espaço. Vários pares de conceitos ajudam a analisá-la (ver Fig. 3). O primeiro é o de cheio e vazio: a escultura não é só a massa (o cheio) — é também o vazio que ela contém ou envolve. A escultura moderna descobriu o vazio como elemento ativo: os «buracos» das figuras de Henry Moore, os espaços abertos das construções, fazem o ar e a luz atravessar a obra. Ler uma escultura é ver tanto a matéria como os vazios que ela desenha no espaço.

O volume e o espaço na escultura

Volume e espaçoTabela com 2 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Distinção; Cheio e vazio · A massa e os vazios que ela desenha no espaço; Relação com o espaço · Exenta (isolada) ou integrada (num conjunto); Escala · Monumental (domina) ou intimista (aproxima); Pose e movimento · Frontal/hierática ou dinâmica (contraposto); Base e luz · O pedestal que eleva; a luz que modela o volume, célula destacada: A massa e os vazios que ela desenha no espaçoASPETODISTINÇÃOCHEIO E VAZIOA massa e os vazios que eladesenha no espaçoRELAÇÃO COM OESPAÇOExenta (isolada) ouintegrada (num conjunto)ESCALAMonumental (domina) ouintimista (aproxima)POSE E MOVIMENTOFrontal/hierática oudinâmica (contraposto)BASE E LUZO pedestal que eleva; a luzque modela o volume
Fig. 3Fig. 3 — As chaves para ler o volume no espaço: cheio/vazio, exenta/integrada, escala, pose e base.
Outro par é o da relação com o espaço envolvente. A escultura exenta (isolada) afirma-se autonomamente no espaço; a escultura integrada faz parte de um conjunto maior (a arquitetura, um túmulo, um retábulo). Há ainda a escala e a relação com o observador: a escultura monumental (colossal) domina e impõe-se, ligada muitas vezes ao poder e à comemoração; a escultura intimista (de pequeno formato) convida à aproximação e ao detalhe. A escala não é neutra — comunica.
A pose e o movimento são decisivos na representação da figura. Uma figura pode ser rígida, frontal e hierática (as estátuas arcaicas e egípcias, imóveis e solenes) ou dinâmica e equilibrada, com o peso numa perna e o corpo em suave torção — o contraposto, conquista da escultura grega clássica (século V a.C.), que dá vida e naturalidade à figura. O grau de movimento e de naturalismo de uma escultura é uma das suas marcas mais reveladoras, e ajuda a situá-la no tempo.
Por fim, a base ou pedestal e a relação com a luz completam a análise. A base separa a obra do chão e eleva-a à condição de escultura (a arte moderna, com Brancusi, tornou a própria base parte da obra; a arte contemporânea muitas vezes aboliu-a, pousando a obra no chão). E a luz real modela o volume: uma superfície polida reflete e suaviza, uma superfície rugosa retém a sombra e vibra. O escultor pensa sempre como a luz vai «desenhar» a sua obra. Cheio e vazio, exenta e integrada, escala, pose, base e luz: eis as chaves para ler o volume no espaço.
Exemplo resolvido

Ler o volume de uma escultura

Uma escultura de bronze representa uma figura de pé com o peso na perna direita, a esquerda relaxada, os ombros e a bacia em ligeira contra-inclinação, com aberturas entre o braço e o tronco. Analisa o volume e a pose.

  1. 01A pose

    O peso numa perna e a contra-inclinação de ombros e bacia definem o contraposto — a figura não é rígida, mas equilibrada e viva (herança da escultura grega clássica).

  2. 02Cheio e vazio

    As aberturas entre o braço e o tronco introduzem vazios que fazem o espaço atravessar a obra e a tornam mais leve e dinâmica.

  3. 03O material e a luz

    Sendo bronze (obtido por fundição), a superfície pode ser polida ou texturada; a luz real modela o volume, acentuando a torção do corpo.

Resultado: A escultura joga com o contraposto (pose viva) e com o cheio e o vazio (as aberturas que arejam o volume), num bronze modelado pela luz. Analisar a pose e a relação cheio/vazio é ler o modo como a obra ocupa e desenha o espaço.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a relação entre cheio e vazio e o papel ativo do vazio na escultura moderna.
  • Distinguir escultura exenta de integrada, e monumental de intimista, e reconhecer o efeito da escala.
  • Reconhecer a pose (frontal/hierática vs contraposto) e o papel da base e da luz real.

Erros frequentes

  • Ver a escultura só como massa (cheio), ignorando o vazio como elemento ativo.
  • Ignorar a escala e o pedestal, que condicionam a leitura e o sentido da obra.
  • Não reconhecer o contraposto, ou confundir uma pose hierática com uma dinâmica.

Revisão ativa

Analisa uma escultura à tua escolha pelo cheio/vazio, pela escala, pela pose (frontal ou contraposto) e pela relação com a base e a luz.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Escultura (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Escultura moderna e contemporânea#

●●●AprofundamentoLPAE-oficina-artes-escultura

Pontos-chave

A escultura foi, durante séculos, sobretudo figurativa, comemorativa e assente no vulto talhado ou fundido. A partir do final do século XIX, transformou-se profundamente (ver Fig. 4). Auguste Rodin (por exemplo, «O Pensador», concebido por volta de 1880) modernizou-a: superfícies vibrantes que captam a luz, figuras expressivas e inacabadas, libertando a escultura da frieza académica. No início do século XX, Constantin Brancusi levou-a à essência, simplificando radicalmente as formas rumo à abstração (e integrando a base na obra).

A escultura moderna e contemporânea

Escultura moderna e contemporâneaLinha do tempo de 1850 a 2050, 1880: Rodin — «O Pensador», 1913: Readymade (Duchamp), 1931: Móbile (Calder), 1936: Objeto surrealista, 1965: Minimalismo (Judd), 1970: Land Art (Smithson), 1850–1900: Escultura moderna, 1900–1945: Vanguardas, 1945–1970: Após-guerra, 1970–2050: Contemporâneo1850ano (d.C.)Escultura modernaVanguardasApós-guerraContemporâneo1880Rodin — «OPensador»1913Readymade(Duchamp)1931Móbile (Calder)1936Objetosurrealista1965Minimalismo(Judd)1970Land Art(Smithson)
Fig. 4Fig. 4 — Marcos da escultura moderna e contemporânea, de Rodin ao readymade, ao Minimalismo e à Land Art.
As vanguardas revolucionaram a própria ideia de escultura. Com o Cubismo, Picasso e Julio González introduziram a construção e a soldadura — a escultura deixou de ser um bloco maciço para passar a ser montagem de peças e planos, aberta ao espaço. E Marcel Duchamp, com o readymade (a «Roda de Bicicleta», 1913; o urinol «Fonte», 1917), deu o passo mais radical: um objeto industrial comum, escolhido e apresentado como obra, sem qualquer trabalho manual — o que pôs em causa a definição de escultura (e de arte) pela mão e pela matéria.
Ao longo do século XX, a escultura multiplicou-se em direções inesperadas. Alexander Calder pôs a escultura em movimento com os móbiles (a partir de 1931), suspensos e animados pelo ar. Os surrealistas criaram o objeto escultórico onírico. O Minimalismo (anos 1960, Donald Judd, Carl Andre) reduziu-a a formas geométricas simples, industriais e repetidas, no espaço real do espectador. E a Land Art (anos 1970, Robert Smithson, «Spiral Jetty», 1970) levou a escultura para a paisagem, à escala do território.
A escultura contemporânea dissolveu quase todas as fronteiras. Confunde-se com a instalação (que ocupa e transforma um espaço inteiro, envolvendo o espectador), com a arte pública, com o objeto e com o corpo (a performance). O que era «escultura» — um objeto sólido, sobre um pedestal, para contemplar — tornou-se um campo expandido de práticas no espaço. Conhecer esta evolução, com autores e datas reais, é indispensável para compreender a arte tridimensional de hoje e para situar as próprias experiências num projeto de escultura contemporâneo.
Exemplo resolvido

Compreender uma rutura da escultura moderna

Explica por que a «Roda de Bicicleta» de Duchamp (1913) — uma roda montada sobre um banco — foi uma rutura na história da escultura.

  1. 01O que é

    É um readymade: um (ou dois) objeto industrial comum, escolhido pelo artista e apresentado como obra, sem trabalho de modelação, talhe ou fundição.

  2. 02A rutura

    Põe em causa a definição tradicional de escultura (e de arte) pela mão e pela matéria: o que faz a obra já não é o fabrico, mas a escolha, o contexto e a ideia do artista.

  3. 03As consequências

    Abre caminho à arte conceptual e a grande parte da arte contemporânea, em que a ideia e o gesto de designar valem mais do que a execução manual.

Resultado: A «Roda de Bicicleta» rompe com a escultura tradicional ao substituir o fabrico manual pela escolha de um objeto comum: o que a torna obra é a decisão e o contexto, não a mão. É uma das ruturas fundadoras da arte do século XX, que redefine o que pode ser escultura.

Foco no Exame Nacional

  • Situar a modernização da escultura: Rodin (c. 1880), Brancusi (abstração), a construção (Picasso/González).
  • Explicar o readymade de Duchamp (1913/1917) e o seu questionamento da definição de escultura.
  • Reconhecer o móbile (Calder), o Minimalismo (anos 1960) e a Land Art (anos 1970), e o campo expandido/instalação.

Erros frequentes

  • Julgar a escultura sempre figurativa e sobre pedestal, ignorando a sua transformação no século XX.
  • Confundir o readymade (objeto escolhido) com a escultura tradicional (objeto fabricado pelo artista).
  • Atribuir mal autores/movimentos (por exemplo, o móbile a Duchamp ou o readymade a Calder).

Revisão ativa

Escolhe três marcos da escultura moderna/contemporânea (por exemplo, Rodin, o readymade e a Land Art) e explica, com autor e data, o que cada um mudou.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Escultura (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A escultura como área: vulto e relevo○
    • 02Materiais e técnicas◐
    • 03O volume e o espaço◐
    • 04Escultura moderna e contemporânea●

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Dos resumos à prática

Área de desenvolvimento: Escultura

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Referências e fontes

Fontes

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  • Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Escultura

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