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Materiais cerâmicos

Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos, não metálicos, consolidados por cozedura a alta temperatura, cuja ligação iónica e covalente lhes confere, em simultâneo, dureza elevada e refratariedade, mas também fragilidade. Este resumo caracteriza a estrutura e as propriedades dos cerâmicos, distingue as cerâmicas tradicionais (barro, faiança, grés e porcelana), o vidro e as cerâmicas técnicas, e descreve o processo cerâmico — pasta, conformação, secagem, cozedura e vidragem — e as suas aplicações no design e na indústria. Sendo uma disciplina de opção da formação específica do 12.º ano, Materiais e Tecnologias é avaliada por avaliação interna (sem Exame Final Nacional), de forte componente experimental e de projeto.

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0777 / 17
Perfil de exame
Apropriação e Reflexão: relacionar a ligação química com a dureza e a fragilidade das cerâmicasInterpretação e Comunicação: selecionar cerâmicos e vidro em função das aplicaçõesCaracterizar materiais cerâmicos com linguagem técnica adequada
Operadores:descrevecaracterizadistingueidentificarelacionaselecionajustificacomparacalculaexplica

nível básico

Na formação geral, reconhecer o que é um material cerâmico, distinguir barro, faiança, grés e porcelana e descrever, pela ordem correta, as etapas do processo cerâmico.

nível avançado

No aprofundamento, relacionar a ligação iónica/covalente com a dureza e a fragilidade, distinguir o vidro e as cerâmicas técnicas das tradicionais e fundamentar a seleção de cerâmicos e vidro para uma dada aplicação, incluindo cálculos de massa volúmica e de retração.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Materiais cerâmicos
    • 01O que é um material cerâmico: estrutura e propriedades○
    • 02Cerâmicas tradicionais: do barro à porcelana◐
    • 03O vidro e as cerâmicas técnicas●
    • 04O processo cerâmico e as aplicações◐
§ 01

O que é um material cerâmico: estrutura e propriedades#

●○○BaseLPAE-materiais-e-tecnologias-ceramicos

Da ligação química às propriedades dos cerâmicos

Da ligação química às propriedades dos cerâmicosGrafo, Ligação iónica / covalente (forte, direcional, sem eletrões livres) → Dureza elevada, Ligação iónica / covalente (forte, direcional, sem eletrões livres) → Refratariedade (alto ponto de fusão), Ligação iónica / covalente (forte, direcional, sem eletrões livres) → Fragilidade (rotura sem deformação), Ligação iónica / covalente (forte, direcional, sem eletrões livres) → Isolamento térmico e elétrico, Ligação iónica / covalente (forte, direcional, sem eletrões livres) → Inércia química e resistência ao desgasteLigação iónica /covalente(forte, direcio…Dureza elevadaRefratariedade(alto ponto defusão)Fragilidade(rotura semdeformação)Isolamentotérmico eelétricoInércia químicae resistência aodesgaste
Fig. 1Fig. — A ligação iónica/covalente, forte, direcional e sem eletrões livres, explica em conjunto a dureza, a refratariedade, a fragilidade e o isolamento dos cerâmicos.

Pontos-chave

Um material cerâmico é um material inorgânico e não metálico, geralmente obtido e consolidado por cozedura a alta temperatura; a sua ligação química é iónica e/ou covalente, ao contrário da ligação metálica dos metais.
A ligação iónica/covalente é forte e direcional e não dispõe de eletrões livres: daí resultam, em conjunto, dureza elevada, elevado ponto de fusão (refratariedade) e comportamento isolador, térmico e elétrico.
Os cerâmicos são frágeis — rompem de forma brusca, sem deformação plástica apreciável — porque a ausência de mobilidade das ligações impede o deslizamento interno; por isso resistem muito melhor à compressão do que à tração.
Quanto à estrutura interna, os cerâmicos podem ser cristalinos (átomos ordenados, como na alumina ou nos silicatos cozidos) ou amorfos (sem ordem de longo alcance, como no vidro).
São quimicamente inertes e resistentes à corrosão e ao desgaste; a sua massa volúmica é intermédia — maior do que a dos polímeros e, em regra, menor do que a da maioria dos metais (p. ex. alumina ≈ 3,9 g/cm³ e porcelana ≈ 2,4 g/cm³, contra ≈ 7,85 g/cm³ do aço).
ρ=mV\rho = \dfrac{m}{V}ρ=Vm​

massa volúmica

A massa volúmica (densidade) é a razão entre a massa e o volume; exprime-se em g/cm³ ou kg/m³ (a água tem ρ = 1 g/cm³).

Exemplo resolvido

Massa volúmica de um isolador de alumina

Um pequeno isolador elétrico de alumina (Al₂O₃) tem uma massa de 79 g e ocupa um volume de 20 cm³. Calcula a sua massa volúmica e compara-a com a do aço (≈ 7,85 g/cm³) e a do polipropileno (≈ 0,9 g/cm³), comentando o resultado à luz da ligação química.

  1. 01Dados e fórmula

    m = 79 g e V = 20 cm³. A massa volúmica é ρ = m/V.

    ρ=mV\rho = \dfrac{m}{V}ρ=Vm​

    massa volúmica

    Razão entre a massa e o volume da peça.

  2. 02Cálculo

    ρ = 79 ÷ 20 = 3,95 g/cm³.

  3. 03Comparação e interpretação

    3,95 g/cm³ é cerca de metade da densidade do aço (7,85) e cerca de quatro vezes a do polipropileno (0,9). A alumina é densa e muito dura por causa da forte ligação iónica/covalente, mas continua a ser mais leve do que os metais ferrosos.

Resultado: ρ ≈ 3,95 g/cm³ — um valor intermédio, típico de um cerâmico: mais denso que os polímeros e mais leve que o aço.

Foco no Exame Nacional

  • Definir « material cerâmico » e identificar o tipo de ligação química (iónica/covalente) que o caracteriza, distinguindo-o dos materiais metálicos e poliméricos.
  • Relacionar a ligação química e a estrutura com as propriedades típicas dos cerâmicos — dureza, refratariedade, fragilidade e isolamento — usando linguagem técnica correta.

Erros frequentes

  • Confundir « duro » com « resistente/tenaz »: os cerâmicos são muito duros mas frágeis. Dureza (resistência ao risco) e tenacidade (resistência à fratura) são propriedades distintas — um material pode ser durríssimo e, ainda assim, partir-se com facilidade ao choque.
  • Afirmar que os cerâmicos conduzem bem o calor e a eletricidade « por serem minerais duros ». Pelo contrário, a ausência de eletrões livres torna-os, em regra, bons isoladores térmicos e elétricos.
  • Pensar que todos os cerâmicos são cristalinos: o vidro é um material cerâmico amorfo, sem estrutura cristalina ordenada.

Revisão ativa

Explica, a partir do tipo de ligação química, por que razão um cerâmico é simultaneamente muito duro e muito frágil. Indica ainda duas propriedades que o distingam de um metal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Cerâmicas tradicionais: do barro à porcelana#

●●○PadrãoLPAE-materiais-e-tecnologias-ceramicos

Cerâmicas tradicionais: temperatura de cozedura e características

Cerâmicas tradicionais: temperatura de cozedura e característicasTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Pasta cerâmica · Temperatura de cozedura · Porosidade / vitrificação · Características e exemplos; Barro / terracota · ≈ 950 °C · Porosa, não vitrificada · Avermelhada (óxidos de ferro), permeável, frágil; tijolo, telha, alguidar; Faiança · ≈ 1000 °C · Porosa · Pasta clara e opaca; só impermeável depois de vidrada; louça, azulejo; Grés · ≈ 1200 °C · Parcialmente vitrificada · Dura, impermeável mesmo sem vidrado, acinzentada; louça de forno, pavimentos; Porcelana · ≈ 1300 °C · Totalmente vitrificada · Branca, translúcida, impermeável, muito dura; louça fina, isoladores, célula destacada: Totalmente vitrificadaPASTA CERÂMICATEMPERATURA DECOZEDURAPOROSIDADE /VITRIFICAÇÃOCARACTERÍSTICAS EEXEMPLOSBARRO / TERRACOTA≈ 950 °CPorosa, não vitrificadaAvermelhada (óxidos deferro), permeável, frágil;tijolo, telha, alguidarFAIANÇA≈ 1000 °CPorosaPasta clara e opaca; sóimpermeável depois devidrada; louça, azulejoGRÉS≈ 1200 °CParcialmente vitrificadaDura, impermeável mesmo semvidrado, acinzentada; louçade forno, pavimentosPORCELANA≈ 1300 °CTotalmente vitrificadaBranca, translúcida,impermeável, muito dura;louça fina, isoladores
Fig. 2Fig. — Da terracota à porcelana, a temperatura de cozedura e a vitrificação aumentam e a porosidade diminui.

Pontos-chave

As cerâmicas tradicionais são silicatos obtidos a partir de matérias-primas naturais — sobretudo argila (que dá plasticidade), feldspato (fundente, que baixa a temperatura de vitrificação) e quartzo/sílica (desengordurante, que dá estrutura à pasta).
Consoante a composição e a temperatura de cozedura, distinguem-se, por ordem crescente de temperatura e de vitrificação: barro/terracota (≈ 950 °C), faiança (≈ 1000 °C), grés (≈ 1200 °C) e porcelana (≈ 1300 °C).
Quanto mais alta a temperatura de cozedura, maior a vitrificação (formação de fase vítrea que preenche os poros): o barro e a faiança ficam porosos e permeáveis e precisam de vidrado para reter líquidos; o grés fica impermeável mesmo sem vidrado; a porcelana fica totalmente vitrificada, branca e translúcida.
A cor depende sobretudo das impurezas: o barro é avermelhado/acastanhado por conter óxidos de ferro; a faiança e a porcelana partem de pastas brancas (caulino) e são claras.
As aplicações escalam com a qualidade da pasta: barro → tijolo, telha e alguidares; faiança → louça e azulejo; grés → louça de forno, talhas, pavimentos e revestimentos (grés porcelânico); porcelana → louça fina, sanitários e isoladores elétricos.

Temperaturas de cozedura das pastas cerâmicas tradicionais

Temperaturas de cozedura das pastas cerâmicas tradicionaisGráfico de barras: temperatura de cozedura (°C) por tipo de pasta, Dados: temperatura de cozedura (°C) · barro / terracota: 950; temperatura de cozedura (°C) · faiança: 1000; temperatura de cozedura (°C) · grés: 1200; temperatura de cozedura (°C) · porcelana: 1300020040060080010001200barro / terra…faiançagrésporcelana950100012001300temperatura de cozedura (°C)tipo de pasta
Fig. 3Fig. — Temperaturas de cozedura aproximadas: barro ≈ 950 °C, faiança ≈ 1000 °C, grés ≈ 1200 °C e porcelana ≈ 1300 °C.
Exemplo resolvido

Selecionar a pasta cerâmica para louça de mesa fina

Pretende-se produzir um serviço de chá branco, fino, translúcido à luz e impermeável sem depender de um vidrado espesso. Que pasta cerâmica se deve selecionar e a que temperatura aproximada se deve cozer? Justifica a escolha, excluindo as alternativas.

  1. 01Requisitos

    Branco + translúcido + impermeável sem vidrado espesso ⇒ é necessária uma pasta de cor branca e totalmente vitrificada.

  2. 02Exclusão de alternativas

    Barro (≈ 950 °C) e faiança (≈ 1000 °C) são porosos e opacos — precisam de vidrado para impermeabilizar. O grés (≈ 1200 °C) é impermeável, mas opaco e acinzentado — não é branco nem translúcido.

  3. 03Escolha

    A porcelana, cozida a ≈ 1300 °C, vitrifica totalmente: fica branca, translúcida em secções finas e impermeável mesmo sem vidrado espesso.

Resultado: Porcelana, cozida a ≈ 1300 °C.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir barro, faiança, grés e porcelana quanto à temperatura de cozedura, à porosidade/vitrificação, à cor e às aplicações típicas.
  • Relacionar a temperatura de cozedura com o grau de vitrificação e, por consequência, com a permeabilidade e a necessidade (ou não) de vidrado.

Erros frequentes

  • Trocar a ordem das temperaturas ou tratar grés e porcelana como « a mesma coisa »: a porcelana coze mais alto (≈ 1300 °C) e fica totalmente vitrificada e translúcida, enquanto o grés (≈ 1200 °C) é opaco e apenas parcialmente vitrificado.
  • Afirmar que a faiança é impermeável por si só. A faiança é porosa: só se torna estanque depois de vidrada — é o vidrado, e não a pasta, que a impermeabiliza.
  • Confundir « barro » (a pasta cerâmica de baixa temperatura, a terracota) com « argila » (a matéria-prima). A argila é o ingrediente; o barro cozido já é o material cerâmico.

Revisão ativa

Ordena barro, faiança, grés e porcelana por temperatura de cozedura crescente e associa a cada um: (a) o grau de vitrificação; (b) se precisa de vidrado para ser impermeável; (c) um exemplo de aplicação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O vidro e as cerâmicas técnicas#

●●●AprofundamentoLPAE-materiais-e-tecnologias-ceramicos

As famílias de materiais cerâmicos

As famílias de materiais cerâmicosDiagrama em árvore, 9 caminhos, Dados: Tradicionais (silicatos) → Barro / terracota; Tradicionais (silicatos) → Faiança; Tradicionais (silicatos) → Grés; Tradicionais (silicatos) → Porcelana; Vidros (amorfos) → Sodo-cálcico; Vidros (amorfos) → Borossilicato; Vidros (amorfos) → Cristal (com chumbo); Técnicas / avançadas → Óxidos (alumina, zircónia); Técnicas / avançadas → Não-óxidos (SiC, Si₃N₄)Tradicionais (silicatos)Vidros (amorfos)Técnicas / avançadasMateriais cerâmicosBarro / terracotaFaiançaGrésPorcelanaSodo-cálcicoBorossilicatoCristal (com chumbo)Óxidos (alumina, zircónia)Não-óxidos (SiC, Si₃N₄)
Fig. 4Fig. — Os cerâmicos abrangem as cerâmicas tradicionais (silicatos), os vidros (amorfos) e as cerâmicas técnicas (de engenharia).

Pontos-chave

O vidro é um material cerâmico amorfo: à base de sílica (SiO₂), solidifica sem formar uma estrutura cristalina ordenada. Não tem ponto de fusão definido — amolece progressivamente num intervalo de temperatura (transição vítrea).
O vidro corrente é sodo-cálcico: sílica (≈ 70 %) + óxido de sódio (soda, fundente que baixa a temperatura de fusão) + óxido de cálcio (cal, estabilizante). Variantes: borossilicato (resistente ao choque térmico, para laboratório e forno) e cristal (com óxido de chumbo, muito brilhante).
As cerâmicas técnicas (ou avançadas, de engenharia) são produzidas a partir de pós de elevada pureza e composição controlada, com desempenho muito superior ao das tradicionais; dividem-se em óxidos (alumina Al₂O₃, zircónia ZrO₂) e não-óxidos (carboneto de silício SiC, nitreto de silício Si₃N₄).
As cerâmicas técnicas distinguem-se pela dureza extrema, refratariedade, resistência ao desgaste e à corrosão e, nalguns casos, biocompatibilidade: a alumina serve para ferramentas de corte, isoladores e próteses; o SiC para abrasivos e elementos de aquecimento; a zircónia para próteses dentárias.
O vidro conforma-se sobretudo por sopro, moldação/prensagem e flutuação (processo float, sobre estanho fundido, para vidro plano); é transparente, inerte e reciclável, mas frágil.

Cerâmicas técnicas: propriedades e aplicações

Cerâmicas técnicas: propriedades e aplicaçõesTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Cerâmica técnica · Propriedade distintiva · Aplicações; Alumina (Al₂O₃) · Dureza muito elevada; isolador; biocompatível · Ferramentas de corte, isoladores, próteses; Zircónia (ZrO₂) · Maior tenacidade (menos frágil); estética · Próteses dentárias, lâminas de faca; Carboneto de silício (SiC) · Extrema dureza, refratário · Abrasivos, elementos de aquecimento, blindagem; Nitreto de silício (Si₃N₄) · Resistência ao choque térmico · Rolamentos, componentes de motoresCERÂMICA TÉCNICAPROPRIEDADE DISTINTIVAAPLICAÇÕESALUMINA (AL₂O₃)Dureza muito elevada;isolador; biocompatívelFerramentas de corte,isoladores, prótesesZIRCÓNIA (ZRO₂)Maior tenacidade (menosfrágil); estéticaPróteses dentárias, lâminasde facaCARBONETO DESILÍCIO (SIC)Extrema dureza, refratárioAbrasivos, elementos deaquecimento, blindagemNITRETO DE SILÍCIO(SI₃N₄)Resistência ao choquetérmicoRolamentos, componentes demotores
Fig. 5Fig. — As cerâmicas técnicas são materiais de engenharia de elevado desempenho.
Exemplo resolvido

Massa de uma placa de vidro

Uma placa de vidro sodo-cálcico para uma mesa mede 1,2 m × 0,8 m e tem 4 mm de espessura. Sabendo que a massa volúmica do vidro é ρ ≈ 2,5 g/cm³, calcula a massa da placa.

  1. 01Converter unidades

    1,2 m = 120 cm; 0,8 m = 80 cm; 4 mm = 0,4 cm.

  2. 02Volume

    V = 120 × 80 × 0,4 = 3840 cm³.

  3. 03Massa

    m = ρ · V = 2,5 × 3840 = 9600 g = 9,6 kg.

    m=ρ⋅Vm = \rho \cdot Vm=ρ⋅V

    massa a partir da densidade

    Reordenando ρ = m/V obtém-se m = ρ · V.

Resultado: m = 9,6 kg.

Foco no Exame Nacional

  • Justificar por que o vidro é considerado um material cerâmico amorfo e distinguir o vidro sodo-cálcico, o borossilicato e o cristal quanto à composição e à aplicação.
  • Distinguir cerâmicas tradicionais de cerâmicas técnicas quanto à pureza, ao desempenho e às aplicações, dando exemplos (alumina, zircónia, SiC, Si₃N₄).

Erros frequentes

  • Afirmar que o vidro é um « líquido que escorre lentamente ». O vidro é um sólido amorfo (vítreo); a ideia de que os vitrais antigos são mais espessos em baixo por escoamento é um mito — a diferença deve-se ao fabrico manual da época.
  • Não considerar o vidro um material cerâmico. Apesar de transparente e amorfo, o vidro é inorgânico, não metálico e à base de sílica — pertence à família dos cerâmicos.
  • Julgar que « cerâmica » é sempre louça ou barro. As cerâmicas técnicas (alumina, SiC, zircónia) são materiais de engenharia de alto desempenho, presentes em ferramentas de corte, próteses e eletrónica.

Revisão ativa

Explica por que o vidro é classificado como cerâmico amorfo e indica duas cerâmicas técnicas, associando a cada uma uma propriedade distintiva e uma aplicação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O processo cerâmico e as aplicações#

●●○PadrãoLPAE-materiais-e-tecnologias-ceramicos

O processo cerâmico, etapa a etapa

O processo cerâmico, etapa a etapaGrafo, Preparação da pasta (argila + feldspato + quartzo) → Conformação (dar forma), Conformação (dar forma) → Secagem (retração), Secagem (retração) → Cozedura (vitrificação), Cozedura (vitrificação) → Vidragem (impermeabiliza e decora)Preparação dapasta (argila +feldspato + qua…Conformação (darforma)Secagem(retração)Cozedura(vitrificação)Vidragem(impermeabilizae decora)
Fig. 6Fig. — Sequência do processo cerâmico. Na bicozedura, a vidragem é seguida de uma 2.ª cozedura (cozedura do vidrado).

Pontos-chave

O processo cerâmico tradicional segue a sequência: preparação da pasta → conformação → secagem → cozedura → vidragem. É um processo largamente irreversível: depois de cozida, a peça não volta ao estado plástico.
Preparação da pasta: mistura e homogeneização de argila, feldspato, quartzo e água até obter plasticidade. Conformação (dar forma): modelação manual, roda de oleiro, prensagem (azulejos), extrusão (tijolos) ou enchimento com barbotina em molde de gesso (peças ocas).
Secagem: perda lenta da água de plasticidade antes da cozedura; a peça contrai (retração) e uma secagem demasiado rápida provoca fendas. A cozedura (queima em forno) provoca a sinterização e a vitrificação — as partículas ligam-se e forma-se fase vítrea —, tornando a peça dura, rígida e definitiva.
Vidragem (esmaltagem): aplicação de uma camada vítrea (vidrado/esmalte) que, ao fundir na cozedura, impermeabiliza, higieniza e decora a superfície. Distingue-se a monocozedura (vidrado aplicado sobre a peça seca e uma única cozedura) da bicozedura (1.ª cozedura de chacota, vidragem e 2.ª cozedura do vidrado).
Aplicações dos cerâmicos e do vidro: construção (tijolo, telha, azulejo, pavimentos), louça utilitária e decorativa, sanitários, isoladores elétricos, abrasivos e ferramentas de corte, próteses e implantes, embalagem e vidro plano (janelas).
s=L0−LfL0s = \dfrac{L_0 - L_f}{L_0}s=L0​L0​−Lf​​

retração linear de cozedura

Fração de comprimento que a peça perde da modelação à peça cozida; L₀ é o comprimento inicial (em cru) e L_f o comprimento final (cozido).

Exemplo resolvido

Retração de cozedura de uma peça de grés

Uma peça de grés é modelada com 250 mm de comprimento. Após a secagem e a cozedura, mede 220 mm. (a) Calcula a retração total. (b) Que comprimento deve o oleiro modelar para obter uma peça final de 176 mm?

  1. 01Retração total

    s = (L₀ − L_f)/L₀ = (250 − 220)/250 = 30/250 = 0,12 = 12 %.

    s=L0−LfL0s = \dfrac{L_0 - L_f}{L_0}s=L0​L0​−Lf​​

    retração linear

    L₀ = 250 mm (em cru); L_f = 220 mm (cozida).

  2. 02Comprimento a modelar

    A peça final é (1 − 0,12) = 0,88 do comprimento inicial, logo L₀ = L_f ÷ 0,88 = 176 ÷ 0,88 = 200 mm.

  3. 03Verificação

    200 × 0,88 = 176 mm. ✓

Resultado: (a) retração ≈ 12 %; (b) modelar 200 mm.

Foco no Exame Nacional

  • Descrever, pela ordem correta, as etapas do processo cerâmico (pasta, conformação, secagem, cozedura, vidragem) e explicar o que acontece à peça em cada uma.
  • Explicar a função da cozedura (sinterização/vitrificação) e da vidragem, e reconhecer aplicações dos cerâmicos e do vidro no design e na indústria.

Erros frequentes

  • Inverter a ordem das etapas — por exemplo, secar depois de cozer, ou cozer antes de conformar. A conformação faz-se com a pasta ainda plástica e a secagem antecede sempre a cozedura.
  • Confundir secagem com cozedura. A secagem apenas remove a água física a baixa temperatura; é a cozedura, a alta temperatura, que transforma quimicamente a pasta e a torna cerâmica — dura e irreversível.
  • Pensar que a vidragem é só decoração. Além do valor estético, o vidrado impermeabiliza e facilita a higiene — é essencial nas pastas porosas, como a faiança.

Revisão ativa

Descreve, por palavras tuas e pela ordem correta, as cinco etapas do processo cerâmico, indicando em qual delas a peça (a) ganha forma, (b) contrai por perda de água e (c) se torna dura e impermeável.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O que é um material cerâmico: estrutura e propriedades○
    • 02Cerâmicas tradicionais: do barro à porcelana◐
    • 03O vidro e as cerâmicas técnicas●
    • 04O processo cerâmico e as aplicações◐

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Dos resumos à prática

Materiais cerâmicos

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano

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