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Este tema mostra a Matemática ao serviço das decisões coletivas e pessoais: como se transformam votos em vencedores e em mandatos, e como o dinheiro cresce (ou a dívida) ao longo do tempo. É um tema de literacia cívica e financeira, com métodos rigorosos e resultados por vezes surpreendentes. Integra o Exame Nacional de Matemática B.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Padrão 4
nível básico
Compreender os principais sistemas de votação, aplicar o método de Hondt e distinguir juro simples de juro composto.
nível avançado
Analisar criticamente as limitações dos sistemas de votação e comparar produtos financeiros pela taxa efetiva (TAEG).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Três métodos, três leituras do mesmo escrutínio
Contagem de Borda
Com n candidatos, o 1.º lugar vale n − 1 pontos, o 2.º vale n − 2, …, o último vale 0. Vence quem somar mais pontos.
90 eleitores ordenam os candidatos A, B, C assim: 40 votam A>B>C, 22 votam B>C>A e 28 votam C>B>A. Determina o vencedor segundo cada método.
Contam-se as primeiras preferências: A tem 40, C tem 28, B tem 22. O mais votado em 1.º lugar é A.
Com 3 candidatos o 1.º lugar vale 2, o 2.º vale 1 e o 3.º vale 0. A = 40·2 + 22·0 + 28·0 = 80. B = 40·1 + 22·2 + 28·1 = 40 + 44 + 28 = 112. C = 40·0 + 22·1 + 28·2 = 22 + 56 = 78. Vence B.
A vs B: A é preferido por 40; B por 22 + 28 = 50 → vence B. A vs C: A por 40; C por 50 → vence C. B vs C: B por 40 + 22 = 62; C por 28 → vence B. Logo B derrota A e C.
A vence por pluralidade, mas B é o vencedor de Borda e o vencedor de Condorcet. O método escolhido altera o resultado.
Resultado: Pluralidade → A; Borda → B; Condorcet → B. O mesmo escrutínio dá vencedores diferentes consoante o método.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num escrutínio com 90 eleitores, as preferências são: 40 eleitores A>B>C, 22 eleitores B>C>A e 28 eleitores C>B>A. Determina o vencedor por pluralidade, por Borda e por Condorcet.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática B — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Método de Hondt — tabela de quocientes
Num círculo eleitoral com 4 mandatos, três listas obtiveram: P = 24 000 votos, Q = 14 000 e R = 9 000. Determina o número de mandatos de cada lista.
Dividem-se os votos de cada lista por 1, 2, 3, 4. P: 24 000; 12 000; 8 000; 6 000. Q: 14 000; 7 000; 4 667; 3 500. R: 9 000; 4 500; 3 000; 2 250.
Por ordem decrescente: 24 000 (P), 14 000 (Q), 12 000 (P), 9 000 (R), 8 000 (P), …
Os 4 maiores quocientes pertencem a P (24 000 e 12 000 → 2 mandatos), a Q (14 000 → 1 mandato) e a R (9 000 → 1 mandato).
O 5.º quociente, 8 000, seria de P — mas já não há mandatos para atribuir.
Resultado: P elege 2 mandatos, Q elege 1 e R elege 1. Total: 4 mandatos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num círculo com 5 mandatos, as listas obtiveram: X = 60 000 votos, Y = 32 000 e Z = 18 000. Aplica o método de Hondt e indica quantos mandatos elege cada lista.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática B — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Juro simples (reta) vs juro composto (curva)
Juro simples
O juro de cada período incide sempre sobre o capital inicial C; o montante cresce linearmente.
Juro composto
Os juros somam-se ao capital e passam a render juros; o montante cresce exponencialmente.
Aplicam-se 1000 € à taxa anual de 5 %. Calcula o montante ao fim de 20 anos em juro simples e em juro composto.
M = 1000·(1 + 0,05·20) = 1000·(1 + 1) = 1000·2 = 2000 €. O juro total foi 1000 €.
M = 1000·(1,05)²⁰. Como (1,05)²⁰ ≈ 2,6533, vem M ≈ 1000·2,6533 = 2653,30 €.
A diferença é 2653,30 − 2000 = 653,30 €, devida ao efeito de capitalização (juro sobre juro).
Resultado: Juro simples: 2000 €. Juro composto: ≈2653,30 €. O juro composto rende mais ≈653,30 € ao fim de 20 anos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Um capital de 2 000 € é aplicado à taxa anual de 4 %. Calcula o montante ao fim de 10 anos em juro simples e em juro composto e compara os resultados.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática B — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Descontos sucessivos não se somam
Descontos sucessivos
Encadear variações percentuais é multiplicar fatores; dois descontos de p1 e p2 por cento não equivalem a um desconto de p1 + p2 por cento.
IVA à taxa t
Para retirar o IVA divide-se por (1 + t); com a taxa normal t = 0,23, divide-se por 1,23.
Uma peça custa 250 € sem IVA. Calcula o preço com IVA a 23 % e, sobre esse valor, aplica um desconto de 15 % seguido de outro de 10 %. Indica o preço a pagar e o desconto efetivo.
P = 250·(1 + 0,23) = 250·1,23 = 307,50 €.
Fator total = 0,85·0,90 = 0,765. Preço a pagar = 307,50·0,765 = 235,2375 ≈ 235,24 €.
1 − 0,765 = 0,235, ou seja 23,5 % — e não 15 % + 10 % = 25 %.
Resultado: Preço com IVA: 307,50 €. Preço final após os descontos: ≈235,24 €. Desconto efetivo: 23,5 %.
Erros frequentes
Revisão ativa
Uma peça custa 250 € sem IVA. Calcula o preço final com IVA a 23 %. Em seguida, sobre esse preço final aplica um desconto de 15 % e depois outro de 10 % e determina o preço a pagar e o desconto efetivo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática B — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)