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Este tema, introduzido nas Aprendizagens Essenciais de 2023 no início do 10.º ano, mostra a Matemática ao serviço das decisões coletivas: como se transformam votos em vencedores e em mandatos, como se reparte de forma justa aquilo que não se divide de modo exato, e como o dinheiro cresce (ou a dívida) ao longo do tempo. É um tema de literacia cívica e financeira, com métodos rigorosos e resultados por vezes surpreendentes.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Comum a Ciências e Tecnologias e a Ciências Socioeconómicas: compreender os principais sistemas de votação, aplicar o método de Hondt e distinguir juro simples de composto.
nível avançado
Aprofundamento: analisar criticamente as propriedades e os paradoxos dos sistemas de votação (Condorcet, Arrow) e comparar produtos financeiros pela TAEG.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Três métodos, três leituras do mesmo escrutínio
100 eleitores ordenam os candidatos A, B, C assim: 42 votam A>B>C, 26 votam B>C>A e 32 votam C>B>A. Determina o vencedor segundo cada método.
Contam-se as primeiras preferências: A tem 42, C tem 32 e B tem 26. O mais votado em 1.º lugar é A.
Com 3 candidatos, o 1.º lugar vale 2, o 2.º vale 1 e o 3.º vale 0. A = 42·2 + 26·0 + 32·0 = 84. B = 42·1 + 26·2 + 32·1 = 42 + 52 + 32 = 126. C = 42·0 + 26·1 + 32·2 = 26 + 64 = 90. Vence B.
A vs B: A é preferido por 42; B por 26+32 = 58 → vence B. A vs C: A por 42; C por 58 → vence C. B vs C: B por 42+26 = 68; C por 32 → vence B. Logo B derrota A e C.
A vence por pluralidade, mas B é o vencedor de Borda e o vencedor de Condorcet. O método escolhido altera o resultado.
Resultado: Pluralidade → A; Borda → B; Condorcet → B. O mesmo escrutínio dá vencedores diferentes consoante o método.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num escrutínio com 100 eleitores e candidatos A, B, C, as preferências são: 45 eleitores A>C>B, 30 eleitores B>C>A, 25 eleitores C>B>A. Determina o vencedor por pluralidade, por Borda e por Condorcet.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Método de Hondt — tabela de quocientes
Num círculo eleitoral com 5 mandatos, quatro listas obtiveram: A = 100 000 votos, B = 80 000, C = 30 000 e D = 20 000. Determina o número de mandatos de cada lista.
Dividem-se os votos de cada lista por 1, 2, 3, …. A: 100 000; 50 000; 33 333; … B: 80 000; 40 000; 26 667; … C: 30 000; 15 000; … D: 20 000; 10 000; …
Por ordem decrescente: 100 000 (A), 80 000 (B), 50 000 (A), 40 000 (B), 33 333 (A), 30 000 (C), …
Os 5 maiores quocientes pertencem a A (100 000; 50 000; 33 333 → 3 mandatos) e a B (80 000; 40 000 → 2 mandatos).
O 6.º quociente, 30 000, seria da lista C — mas já não há mandatos para atribuir; C e D não elegem.
Resultado: A elege 3 mandatos, B elege 2, C e D não elegem. Total: 5 mandatos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num círculo com 4 mandatos, as listas obtiveram: P = 24 000 votos, Q = 14 000, R = 9 000. Aplica o método de Hondt e indica quantos mandatos elege cada lista.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Partilha proporcional pelos maiores restos
Distribui 10 tablets por três turmas em proporção dos alunos: A = 28, B = 17, C = 15 (total 60).
Quota = 10 · (alunos/60). A: 10·28/60 = 4,67. B: 10·17/60 = 2,83. C: 10·15/60 = 2,50.
Partes inteiras: 4 + 2 + 2 = 8 tablets. Faltam 10 − 8 = 2 tablets.
Restos: A = 0,67; B = 0,83; C = 0,50. Os 2 maiores restos são o de B (0,83) e o de A (0,67); cada um recebe +1.
A = 4+1 = 5; B = 2+1 = 3; C = 2. Verificação: 5 + 3 + 2 = 10.
Resultado: A turma A fica com 5 tablets, a B com 3 e a C com 2, num total de 10.
Erros frequentes
Revisão ativa
Uma escola tem de distribuir 10 tablets por três turmas em proporção do número de alunos: A = 28, B = 17, C = 15 (total 60). Calcula a quota de cada turma e distribui os tablets pelo método dos maiores restos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Juro simples vs juro composto
Juro simples
O juro é sempre calculado sobre o capital inicial C; o capital cresce linearmente com o tempo t (i em fração decimal).
Capital com juro composto
Cada período o juro junta-se ao capital e passa também a render juro; o capital cresce exponencialmente com o número de períodos n.
Aplicam-se 2000 € a 4 % ao ano durante 3 anos, em juro composto. Calcula o capital acumulado e compara-o com o juro simples.
i = 4 % = 0,04; C = 2000 €; n = 3 anos.
C_3 = 2000 · (1 + 0,04)^3 = 2000 · 1,04^3 = 2000 · 1,124864 = 2249,73 €.
J = 2000 · 0,04 · 3 = 240 €, logo o capital seria 2000 + 240 = 2240 €.
O juro composto rende 2249,73 − 2240 = 9,73 € a mais do que o simples em apenas 3 anos; a diferença cresce rapidamente com o prazo.
Resultado: Em juro composto o capital é 2249,73 € (juro de 249,73 €), contra 2240 € em juro simples — uma vantagem de 9,73 €.
Erros frequentes
Revisão ativa
Aplica-se 1500 € a 3 % ao ano, em juro composto, durante 5 anos. Calcula o capital acumulado e o juro obtido, e compara com o resultado em juro simples.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 10.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)