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Resumos/Matemática Aplicada às Ciências Sociais/Probabilidade e probabilidade condicionada
Resumos · Matemática Aplicada às Ciências SociaisPT · Secundário

Probabilidade e probabilidade condicionada

A Probabilidade mede a incerteza dos fenómenos aleatórios. Este tema constrói a noção de probabilidade (frequencista, de Laplace e axiomática), estuda a probabilidade condicionada com árvores e tabelas de contingência, a independência de acontecimentos, o teorema da probabilidade total e a regra de Bayes, e termina nos modelos de probabilidade em espaços finitos — a variável aleatória, a função massa de probabilidade e o valor médio. É a base para o modelo normal e para a inferência estatística.

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·0666 / 8
Perfil de exame
Modelar fenómenos aleatórios e calcular probabilidades (Laplace, frequencista, axiomática)Calcular probabilidades condicionadas com árvores e tabelas de contingênciaAplicar a independência, o teorema da probabilidade total e a regra de BayesConstruir a função massa de probabilidade de uma variável aleatória e calcular o valor médio
Operadores:identificacalcularepresentadeterminajustificainterpreta

nível básico

Calcular probabilidades pela regra de Laplace e organizar acontecimentos em árvores e tabelas.

nível avançado

Aplicar a probabilidade condicionada, o teorema da probabilidade total e a regra de Bayes e construir modelos de probabilidade com o valor médio.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Probabilidade e probabilidade condicionada
    • 01Fenómeno aleatório e acontecimentos○
    • 02Probabilidade: Laplace, frequencista e regras◐
    • 03Probabilidade condicionada, árvores, independência e Bayes●
    • 04Variável aleatória, função massa de probabilidade e valor médio●
§ 01

Fenómeno aleatório e acontecimentos#

●○○BaseLPAE-macs-probabilidade-fenomeno

Pontos-chave

Um fenómeno diz-se determinístico quando o resultado é previsível a partir das condições (uma pedra largada cai), e aleatório quando, mesmo repetido nas mesmas condições, o resultado é incerto (o lançamento de um dado, o número que sai na lotaria). A Probabilidade estuda os fenómenos aleatórios, construindo modelos matemáticos para a regularidade que emerge quando o fenómeno se repete muitas vezes — embora cada realização individual seja imprevisível.
A cada fenómeno aleatório associa-se uma experiência aleatória e o seu espaço de resultados (ou espaço amostral) «S», o conjunto de TODOS os resultados possíveis. No lançamento de um dado, «S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}». Um acontecimento é um subconjunto de «S» — um conjunto de resultados «favoráveis». Distinguem-se o acontecimento certo («S», que ocorre sempre), o impossível («∅», que nunca ocorre), os elementares (com um só resultado) e os compostos (com vários).
Como os acontecimentos são conjuntos, as operações entre eles são as dos conjuntos, bem visualizadas em diagramas de Venn (Fig. 1). A união «A∪B» ocorre quando ocorre «A» OU «B» (ou ambos); a interseção «A∩B» ocorre quando ocorrem «A» E «B» simultaneamente. O acontecimento contrário «Ā» ocorre exatamente quando «A» não ocorre. Dois acontecimentos dizem-se incompatíveis (ou disjuntos) quando não podem ocorrer juntos, isto é, «A∩B = ∅».

Acontecimentos num diagrama de Venn

A e B no lançamento de um dadoDiagrama de Venn com 2 conjuntos, A: par, B: maior que 3A: parB: maior que 3254, 6
Fig. 1Fig. 1 — Lançamento de um dado: A = par = {2,4,6}, B = maior que 3 = {4,5,6}. A∩B = {4,6}; A∪B = {2,4,5,6}.
A Fig. 1 ilustra, no lançamento de um dado, «A = sair par = {2, 4, 6}» e «B = sair maior que 3 = {4, 5, 6}». A interseção «A∩B = {4, 6}» (par E maior que 3); a união «A∪B = {2, 4, 5, 6}». Traduzir enunciados em linguagem natural para estas operações de conjuntos — «pelo menos um», «ambos», «nenhum», «só um deles» — é uma competência essencial, porque é o passo que transforma um problema de probabilidade num cálculo.
Exemplo resolvido

Operações com acontecimentos

No lançamento de um dado, «A = sair par» e «B = sair maior que 3». Escreve «A∩B», «A∪B» e «Ā» em extensão e classifica «A» e «B» quanto à compatibilidade.

  1. 01Conjuntos

    S = {1,2,3,4,5,6}; A = {2,4,6}; B = {4,5,6}.

  2. 02Interseção

    A∩B = {4,6} (pares maiores que 3) — não é vazia, logo A e B são compatíveis.

  3. 03União

    A∪B = {2,4,5,6} (par ou maior que 3).

  4. 04Contrário

    Ā = sair ímpar = {1,3,5}.

Resultado: A∩B = {4,6}; A∪B = {2,4,5,6}; Ā = {1,3,5}. A e B são compatíveis (A∩B ≠ ∅).

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o espaço de resultados e classificar acontecimentos (certo, impossível, elementar, composto, incompatíveis).
  • Traduzir enunciados para uniões, interseções e acontecimentos contrários e representá-los num diagrama de Venn.

Erros frequentes

  • Confundir união («A» ou «B», inclusive ambos) com interseção («A» e «B» em simultâneo).
  • Chamar incompatíveis a acontecimentos que apenas são diferentes — incompatíveis exige «A∩B = ∅».

Revisão ativa

No lançamento de um dado, sejam «A = sair múltiplo de 3» e «B = sair número ímpar». Escreve «S», «A», «B», «A∩B» e «A∪B» em extensão e representa-os num diagrama de Venn.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 11.º ano (Fenómeno aleatório; acontecimentos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Probabilidade: Laplace, frequencista e regras#

●●○PadrãoLPAE-macs-probabilidade-regras

Pontos-chave

Há duas formas complementares de atribuir probabilidades. A visão frequencista define «P(A)» como o valor para o qual estabiliza a frequência relativa «n_A / n» de «A» num grande número «n» de repetições da experiência — a probabilidade é a regularidade que emerge a longo prazo (Fig. 2). A visão de Laplace (clássica) aplica-se quando os resultados elementares são equiprováveis: «P(A) = número de casos favoráveis / número de casos possíveis». As duas coincidem, por exemplo, num dado equilibrado: «P(par) = 3/6», e a simulação confirma que a frequência de «par» estabiliza junto de 0,5.

Estabilização da frequência relativa

Convergência para 0,5 (simulação)Gráfico de linhas: frequência relativa por n.º de lançamentos, Dados: freq. relativa de cara · 10: 0.6; freq. relativa de cara · 50: 0.52; freq. relativa de cara · 100: 0.49; freq. relativa de cara · 500: 0.508; freq. relativa de cara · 1000: 0.50300.10.20.30.40.50.610501005001000frequência relativan.º de lançamentos
Fig. 2Fig. 2 — Numa simulação, a frequência relativa de «cara» estabiliza junto de 0,5 à medida que o número de lançamentos cresce — a visão frequencista da probabilidade.
A visão axiomática dá o enquadramento rigoroso: as probabilidades dos acontecimentos elementares são números entre 0 e 1 cuja soma é 1; a probabilidade de um acontecimento é a soma das probabilidades dos elementares que o compõem; e «0 ≤ P(A) ≤ 1», com «P(S) = 1» (certo) e «P(∅) = 0» (impossível). Destes axiomas deduzem-se todas as regras de cálculo, o que dá à Probabilidade a sua segurança matemática.
Duas regras são de uso constante. A regra da adição, «P(A∪B) = P(A) + P(B) − P(A∩B)», evita contar duas vezes os resultados comuns a «A» e «B»; quando «A» e «B» são incompatíveis («A∩B = ∅»), reduz-se a «P(A) + P(B)». A regra do acontecimento contrário, «P(Ā) = 1 − P(A)», é preciosa: muitas vezes é muito mais fácil calcular a probabilidade do contrário — sobretudo em enunciados com «pelo menos um», cujo contrário é «nenhum».
É crucial usar a regra de Laplace apenas quando há EQUIPROBABILIDADE. Muitos fenómenos sociais reais não são equiprováveis — o tipo sanguíneo de uma pessoa escolhida ao acaso, a eficácia de uma vacina, a resposta a um inquérito — e aí a probabilidade obtém-se pela via frequencista, a partir de dados observados, e não por contagem de casos. Aplicar a fórmula de Laplace a resultados que não são igualmente prováveis é um dos erros mais comuns e graves em Probabilidade.
P(A)=nuˊmero de casos favoraˊveisnuˊmero de casos possıˊveisP(A) = \dfrac{\text{número de casos favoráveis}}{\text{número de casos possíveis}}P(A)=nuˊmero de casos possıˊveisnuˊmero de casos favoraˊveis​

Regra de Laplace

Válida apenas quando os resultados elementares são equiprováveis.

P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B)P(A \cup B) = P(A) + P(B) - P(A \cap B)P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B)

Regra da adição

Evita contar duas vezes os resultados comuns; se A e B são incompatíveis (A∩B = ∅), reduz-se a P(A) + P(B).

P(Aˉ)=1−P(A)P(\bar{A}) = 1 - P(A)P(Aˉ)=1−P(A)

Acontecimento contrário

Muito útil quando é mais fácil calcular o contrário — por exemplo, «pelo menos um» tem por contrário «nenhum».

Exemplo resolvido

Regra da adição no lançamento de um dado

No lançamento de um dado equilibrado, «A = sair par» e «B = sair maior que 3». Calcula «P(A)», «P(B)», «P(A∩B)» e «P(A∪B)».

  1. 01P(A) e P(B)

    A = {2,4,6}: P(A) = 3/6 = 1/2. B = {4,5,6}: P(B) = 3/6 = 1/2.

  2. 02P(A∩B)

    A∩B = {4,6}: P(A∩B) = 2/6 = 1/3.

  3. 03Regra da adição

    P(A∪B) = 1/2 + 1/2 − 1/3 = 1 − 1/3 = 2/3.

  4. 04Confirmação

    A∪B = {2,4,5,6}: 4 casos em 6, isto é, 4/6 = 2/3 — coincide.

Resultado: P(A) = P(B) = 1/2; P(A∩B) = 1/3; P(A∪B) = 2/3.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular probabilidades pela regra de Laplace em situações de equiprobabilidade.
  • Aplicar a regra da adição «P(A∪B) = P(A) + P(B) − P(A∩B)» e a do contrário «P(Ā) = 1 − P(A)».

Erros frequentes

  • Aplicar a regra de Laplace a resultados que não são equiprováveis.
  • Somar «P(A) + P(B)» sem subtrair «P(A∩B)» quando os acontecimentos são compatíveis.

Revisão ativa

Num baralho de 40 cartas, calcula a probabilidade de sair uma figura (valete, dama ou rei) ou uma carta de copas, usando a regra da adição. Calcula também a probabilidade de «não sair um ás».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 11.º ano (Probabilidade; regra de Laplace) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Probabilidade condicionada, árvores, independência e Bayes#

●●●AprofundamentoLPAE-macs-probabilidade-condicionada

Pontos-chave

A probabilidade condicionada «P(A|B)» é a probabilidade de «A» ocorrer SABENDO que «B» ocorreu; calcula-se por «P(A|B) = P(A∩B)/P(B)», com «P(B) > 0». Saber que «B» aconteceu «reduz» o espaço de resultados a «B», e mede-se «A» dentro desse novo universo. Desta definição resulta a regra do produto, «P(A∩B) = P(B)·P(A|B)», que é o motor das árvores de probabilidade: a probabilidade de um percurso é o produto das probabilidades ao longo dos ramos.
As árvores de probabilidade (Fig. 3) e as tabelas de contingência (Fig. 4) são as duas ferramentas para organizar experiências em cadeia. Considere-se uma escola com 60 % de raparigas e 40 % de rapazes; 70 % das raparigas e 40 % dos rapazes vão a pé para a escola. A árvore da Fig. 3 mostra os quatro percursos e as suas probabilidades (o produto dos ramos): «rapariga e a pé» tem probabilidade «0,6 × 0,7 = 0,42»; «rapaz e a pé», «0,4 × 0,4 = 0,16». A tabela de contingência da Fig. 4 traduz o mesmo, em contagens por cada 100 alunos, e é ideal para ler probabilidades condicionadas diretamente.

Árvore de probabilidade (género e transporte)

Árvore de probabilidadeDiagrama em árvore, 4 caminhos, Dados: 0,6 → 0,7: 0.42; 0,6 → 0,3: 0.18; 0,4 → 0,4: 0.16; 0,4 → 0,6: 0.240.70,70.30,30.40,40.60,60.60,60.40,4P = 0.42P = 0.18P = 0.16P = 0.24RaparigaRapazAlunoA péOutroA péOutro
Fig. 3Fig. 3 — Árvore de probabilidade: género (0,6 / 0,4) e transporte condicionado. Os produtos dos ramos dão P(rapariga e a pé) = 0,42, etc. (somam 1).

Tabela de contingência (por 100 alunos)

Tabela de contingênciaTabela com 4 colunas e 3 linhas, Dados: A pé · Outro · Total; Raparigas · 42 · 18 · 60; Rapazes · 16 · 24 · 40; Total · 58 · 42 · 100, célula destacada: 42A PÉOUTROTOTALRAPARIGAS421860RAPAZES162440TOTAL5842100Contagens por 100 alunos
Fig. 4Fig. 4 — Tabela de contingência (por 100 alunos), coerente com a árvore. Lê-se P(a pé) = 58/100 = 0,58 e P(rapariga | a pé) = 42/58 ≈ 0,724.
O teorema da probabilidade total soma as várias formas de um acontecimento ocorrer. A probabilidade de um aluno ir a pé é «P(a pé) = P(rapariga)·P(a pé|rapariga) + P(rapaz)·P(a pé|rapaz) = 0,42 + 0,16 = 0,58». A regra de Bayes «inverte» o condicionamento — permite passar de «P(a pé|rapariga)» para «P(rapariga|a pé)»: «P(rapariga|a pé) = 0,42/0,58 ≈ 0,724». Ambas constam do formulário do exame. Bayes responde à pergunta «sabendo o efeito, qual a probabilidade da causa?», central em diagnósticos e sondagens.
Dois acontecimentos são independentes quando a ocorrência de um não altera a probabilidade do outro: «P(A|B) = P(A)», o que equivale a «P(A∩B) = P(A)·P(B)». No exemplo, «P(a pé) = 0,58» mas «P(a pé|rapariga) = 0,70»: como são diferentes, o meio de transporte e o género NÃO são independentes (estão associados). Cuidado para não confundir independentes com incompatíveis: incompatíveis não podem ocorrer juntos (são muito «dependentes»), ao passo que independentes podem ocorrer juntos, sem se influenciarem.
P(A∣B)=P(A∩B)P(B),P(B)>0P(A \mid B) = \dfrac{P(A \cap B)}{P(B)}, \quad P(B) > 0P(A∣B)=P(B)P(A∩B)​,P(B)>0

Probabilidade condicionada

Probabilidade de A sabendo que B ocorreu. Daqui resulta a regra do produto P(A∩B) = P(B)·P(A|B).

P(A)=P(B) P(A∣B)+P(Bˉ) P(A∣Bˉ)P(A) = P(B)\,P(A \mid B) + P(\bar{B})\,P(A \mid \bar{B})P(A)=P(B)P(A∣B)+P(Bˉ)P(A∣Bˉ)

Teorema da probabilidade total

Soma as várias formas de A ocorrer, segundo se dá ou não B. Consta do formulário do exame.

P(B∣A)=P(B) P(A∣B)P(A)P(B \mid A) = \dfrac{P(B)\,P(A \mid B)}{P(A)}P(B∣A)=P(A)P(B)P(A∣B)​

Regra de Bayes

Inverte o condicionamento: da causa para o efeito passa-se ao efeito para a causa. Consta do formulário do exame.

Exemplo resolvido

Probabilidade total e regra de Bayes

Numa escola, 60 % são raparigas e 40 % rapazes; vão a pé 70 % das raparigas e 40 % dos rapazes. Calcula a probabilidade de um aluno ir a pé e, sabendo que vai a pé, a probabilidade de ser rapariga.

  1. 01Probabilidades dos ramos

    P(rapariga e a pé) = 0,6×0,7 = 0,42; P(rapaz e a pé) = 0,4×0,4 = 0,16.

  2. 02Probabilidade total

    P(a pé) = 0,42 + 0,16 = 0,58.

  3. 03Regra de Bayes

    P(rapariga | a pé) = P(rapariga e a pé)/P(a pé) = 0,42/0,58 ≈ 0,724.

  4. 04Independência?

    P(a pé) = 0,58 ≠ P(a pé | rapariga) = 0,70: o transporte depende do género (não são independentes).

Resultado: P(a pé) = 0,58; P(rapariga | a pé) ≈ 0,724. Transporte e género estão associados.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular probabilidades condicionadas com a definição, árvores e tabelas de contingência.
  • Aplicar o teorema da probabilidade total e a regra de Bayes e testar a independência de acontecimentos.

Erros frequentes

  • Confundir «P(A|B)» com «P(B|A)» — a ordem do condicionamento importa (o erro que Bayes corrige).
  • Confundir acontecimentos independentes (podem ocorrer juntos sem se influenciarem) com incompatíveis (não podem ocorrer juntos).

Revisão ativa

Numa fábrica, a máquina X produz 70 % das peças (com 5 % de defeituosas) e a máquina Y produz 30 % (com 10 % de defeituosas). Constrói a árvore, calcula a probabilidade de uma peça ser defeituosa (probabilidade total) e, dada uma peça defeituosa, a probabilidade de ter vindo de Y (Bayes).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 11.º ano (Probabilidade condicionada; independência) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Variável aleatória, função massa de probabilidade e valor médio#

●●●AprofundamentoLPAE-macs-probabilidade-fmp

Distribuição da soma de dois dados

Distribuição triangularGráfico de colunas: n.º de casos (em 36) por soma, Dados: casos (em 36) · 2: 1; casos (em 36) · 3: 2; casos (em 36) · 4: 3; casos (em 36) · 5: 4; casos (em 36) · 6: 5; casos (em 36) · 7: 6; casos (em 36) · 8: 5; casos (em 36) · 9: 4; casos (em 36) · 10: 3; casos (em 36) · 11: 2; casos (em 36) · 12: 101234562345678910111212345654321n.º de casos (em 36)soma
Fig. 6Fig. 6 — A f.m.p. da soma de dois dados tem forma triangular, simétrica em torno de 7 (o valor médio e o mais provável). Alturas em casos por 36.

Pontos-chave

Uma variável aleatória (v.a.) discreta «X» associa um número a cada resultado de uma experiência aleatória — por exemplo, «X = soma das pintas de dois dados». Construir o modelo de probabilidade de «X» é dar a sua função massa de probabilidade (f.m.p.): a lista de todos os valores possíveis de «X» e das respetivas probabilidades. A f.m.p. tem de respeitar dois requisitos: cada probabilidade está entre 0 e 1, e a soma de todas é igual a 1. É o «retrato» probabilístico completo do fenómeno.
No lançamento de dois dados, «X = soma» pode tomar os valores «2, 3, …, 12». Contando os «36» resultados equiprováveis «(dado 1, dado 2)», obtém-se a f.m.p. da Fig. 5: «P(X = 2) = 1/36», «P(X = 7) = 6/36» (o valor mais provável), «P(X = 12) = 1/36». Um ponto subtil e importante: embora haja 11 somas possíveis, elas NÃO são equiprováveis — seria errado dizer «P(X = 7) = 1/11». A regra de Laplace aplica-se aos 36 pares de dados (equiprováveis), não às 11 somas.

Função massa de probabilidade da soma de dois dados

f.m.p. da soma de dois dadosTabela com 12 colunas e 1 linhas, Dados: x · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12; P(X = x) · 1/36 · 2/36 · 3/36 · 4/36 · 5/36 · 6/36 · 5/36 · 4/36 · 3/36 · 2/36 · 1/36, célula destacada: 6/36X23456789101112P(X = X)1/362/363/364/365/366/365/364/363/362/361/36As 11 somas não são equiprováveis
Fig. 5Fig. 5 — f.m.p. de «X = soma de dois dados»: as probabilidades vão de 1/36 (somas 2 e 12) a 6/36 (soma 7) e totalizam 36/36 = 1. O valor médio é μ = 7.
O valor médio (ou esperança) «μ = E(X)» resume o modelo num único número: é a média dos valores possíveis, PONDERADA pelas respetivas probabilidades, «μ = Σ xᵢ · P(X = xᵢ)». Interpreta-se como o valor que se obteria, em média, repetindo a experiência muitas vezes. Para a soma de dois dados, por simetria e por cálculo, «μ = 7»: em muitos lançamentos, a soma média aproxima-se de 7. O valor médio é o análogo probabilístico da média de dados e representa-se pela letra grega «μ», reservada aos parâmetros da população.
A dispersão do modelo mede-se pelo desvio-padrão populacional «σ», o análogo probabilístico do desvio-padrão de dados: quantifica o afastamento típico dos valores de «X» em relação a «μ». Para a soma de dois dados, a calculadora dá «σ ≈ 2,42». Estes dois parâmetros — «μ» e «σ» — são exatamente os que definem o modelo normal (tema seguinte) e os que a inferência estatística procura estimar a partir de amostras. A f.m.p., o valor médio e o desvio-padrão fecham, assim, a ponte entre a Probabilidade e a Estatística.
∑iP(X=xi)=1\sum_{i} P(X = x_i) = 1i∑​P(X=xi​)=1

Função massa de probabilidade

As probabilidades de todos os valores possíveis de X são não negativas e somam 1.

μ=E(X)=∑ixi P(X=xi)\mu = E(X) = \sum_{i} x_i \, P(X = x_i)μ=E(X)=i∑​xi​P(X=xi​)

Valor médio (esperança)

Média dos valores possíveis ponderada pelas probabilidades; representa o valor médio a longo prazo. Ex.: soma de dois dados dá μ = 7.

Exemplo resolvido

Valor médio da soma de dois dados

Para «X = soma das pintas de dois dados», usa a f.m.p. da Fig. 5 para calcular o valor médio «μ».

  1. 01Fórmula

    μ = Σ xᵢ·P(X = xᵢ), somando sobre x = 2, 3, …, 12.

  2. 02Numerador (× 36)

    2·1 + 3·2 + 4·3 + 5·4 + 6·5 + 7·6 + 8·5 + 9·4 + 10·3 + 11·2 + 12·1 = 252.

  3. 03Dividir por 36

    μ = 252/36 = 7.

  4. 04Interpretação

    Em muitos lançamentos, a soma média aproxima-se de 7 — o valor central e mais provável da distribuição.

Resultado: μ = 7. É o valor médio e também o valor mais provável da soma de dois dados (σ ≈ 2,42).

Foco no Exame Nacional

  • Construir a função massa de probabilidade de uma variável aleatória discreta e verificar que as probabilidades somam 1.
  • Calcular o valor médio «μ = Σ xᵢ·P(X = xᵢ)» e interpretá-lo no contexto.

Erros frequentes

  • Tratar valores possíveis não equiprováveis como se o fossem (dizer «P(X = 7) = 1/11» para a soma de dois dados).
  • Calcular o valor médio como média simples dos valores, sem ponderar pelas probabilidades.

Revisão ativa

Uma v.a. «X» toma os valores 0, 1, 2 com probabilidades 0,5; 0,3; 0,2. Verifica que é uma f.m.p. válida e calcula o valor médio «μ».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 11.º ano (Modelos de probabilidade em espaços finitos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Fenómeno aleatório e acontecimentos○
    • 02Probabilidade: Laplace, frequencista e regras◐
    • 03Probabilidade condicionada, árvores, independência e Bayes●
    • 04Variável aleatória, função massa de probabilidade e valor médio●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Probabilidade e probabilidade condicionada

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~15
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de MACS — 11.º ano (Fenómeno aleatório; acontecimentos)

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