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Como transformar as preferências individuais numa decisão coletiva justa? Este tema estuda os modelos matemáticos das eleições — maioria, segunda volta, método de Borda e o critério de Condorcet — e da partilha — a distribuição de mandatos pelo método de Hondt e a partilha equilibrada de bens. Aprende-se não só a aplicar cada método, mas sobretudo a analisar criticamente as suas limitações e os seus paradoxos, um pilar da cidadania e da literacia matemática.
5 secções~21 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Aplicar corretamente cada método (maioria, Borda, Hondt, licitadores) e determinar o vencedor ou a distribuição resultante.
nível avançado
Comparar métodos que dão resultados diferentes para a mesma votação e discutir criticamente os seus paradoxos e limitações (Condorcet, Alabama, teorema de Arrow).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Perfil de preferências de uma eleição
Considera o perfil da Fig. 1: 6 eleitores A>B>C, 5 eleitores C>B>A e 4 eleitores B>C>A. Determina o vencedor por maioria simples, verifica se algum candidato tem maioria absoluta e determina o vencedor por segunda volta.
Contam-se os 1.ºs lugares: A tem 6, C tem 5 e B tem 4 (total 6+5+4 = 15).
O mais votado é A, com 6 votos: por maioria simples vence A.
A maioria absoluta exige mais de metade de 15, isto é, pelo menos 8 votos. O máximo é 6 (A), logo NENHUM candidato tem maioria absoluta.
Vão a segunda volta os dois primeiros: A (6) e C (5). Os 4 eleitores de B ordenam B>C>A, pelo que preferem C. Assim C fica com 5+4 = 9 e A com 6.
Resultado: Maioria simples: A. Não há maioria absoluta. Segunda volta: C (9 contra 6). O método muda o vencedor de A para C.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num clube, 30 sócios ordenam três candidatos X, Y, Z: 13 votam X>Y>Z, 6 votam Y>Z>X e 11 votam Z>Y>X. Determina o vencedor por maioria simples, verifica se há maioria absoluta e determina o vencedor por segunda volta.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Métodos de apoio à decisão) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Contagem de Borda
Pontuação de Borda
Com m candidatos, v_k(X) é o número de boletins em que X ocupa a posição k; o k-ésimo lugar vale (m−k) pontos. Com m = 3: 2 pontos ao 1.º, 1 ao 2.º e 0 ao 3.º.
Para o perfil da Fig. 1 (6 A>B>C, 5 C>B>A, 4 B>C>A), calcula a pontuação de Borda de A, B e C (1.º = 2 pts, 2.º = 1 pt, 3.º = 0 pts) e indica o vencedor.
A é 1.º em 6 boletins e 3.º em 9 (5+4). Pontos: 6×2 + 0×1 + 9×0 = 12.
B é 1.º em 4, 2.º em 11 (6+5) e 3.º em 0. Pontos: 4×2 + 11×1 + 0 = 8 + 11 = 19.
C é 1.º em 5, 2.º em 4 e 3.º em 6. Pontos: 5×2 + 4×1 + 6×0 = 10 + 4 = 14.
Total 12+19+14 = 45 = 3×15 (correto). O maior é B, com 19 pontos.
Resultado: Pontuações de Borda: A = 12, B = 19, C = 14. Vence B — um candidato sem vitória por maioria, mas de forte consenso.
Erros frequentes
Revisão ativa
Com o perfil do exercício anterior (13 X>Y>Z, 6 Y>Z>X, 11 Z>Y>X), calcula a pontuação de Borda de cada candidato, verifica o total com a regra «3 × n» e indica o vencedor de Borda.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Método de Borda) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Ciclo do paradoxo de Condorcet
Para o perfil de 58 eleitores (23 A>B>C, 19 B>C>A, 16 C>A>B), determina os três duelos dois a dois e diz se existe vencedor de Condorcet.
Preferem A: os 23 (A>B>C) e os 16 (C>A>B, pois A está acima de B) = 39. Preferem B: os 19 (B>C>A) = 19. A vence B (39–19).
Preferem B: os 23 (A>B>C) e os 19 (B>C>A) = 42. Preferem C: os 16 (C>A>B) = 16. B vence C (42–16).
Preferem A: os 23 (A>B>C) = 23. Preferem C: os 19 (B>C>A) e os 16 (C>A>B) = 35. C vence A (35–23).
A>B, B>C mas C>A: as preferências ciclam (Fig. 3). Nenhum candidato vence os dois duelos, logo NÃO há vencedor de Condorcet — é o paradoxo de Condorcet.
Resultado: Não existe vencedor de Condorcet: A vence B, B vence C e C vence A (ciclo intransitivo).
Erros frequentes
Revisão ativa
Três amigos decidem um destino de férias entre Praia, Serra e Cidade: um prefere Praia>Serra>Cidade, outro Serra>Cidade>Praia e outro Cidade>Praia>Serra. Determina os três duelos dois a dois e verifica se existe vencedor de Condorcet.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (limitações dos sistemas eleitorais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tabela de quocientes do método de Hondt
Paradoxo de Alabama (método dos maiores restos)
Quocientes do método de Hondt
Cada partido i, com V_i votos, gera a sucessão de quocientes obtida dividindo por 1, 2, 3, …; os mandatos vão para os maiores quocientes globais.
Quota (método dos maiores restos)
M é o total de mandatos. Cada partido recebe a parte inteira da sua quota; os mandatos restantes vão para as maiores partes decimais (restos).
Distribui 7 mandatos por três partidos com 12 000 (A), 7 500 (B) e 4 500 (C) votos, usando o método de Hondt.
A: 12000, 6000, 4000, 3000; B: 7500, 3750, 2500, 1875; C: 4500, 2250, 1500, 1125.
Por ordem decrescente: 12000(A), 7500(B), 6000(A), 4500(C), 4000(A), 3750(B), 3000(A), …
Riscam-se os 7 maiores: 12000, 7500, 6000, 4500, 4000, 3750, 3000. Contando por partido: A aparece 4 vezes, B 2 vezes, C 1 vez.
4 + 2 + 1 = 7 mandatos. O 8.º quociente seria 2500 (B), já fora da distribuição.
Resultado: A: 4 mandatos, B: 2 mandatos, C: 1 mandato. O método de Hondt favorece ligeiramente o partido mais votado (A).
Erros frequentes
Revisão ativa
Distribui 5 mandatos por três partidos com 10 000, 6 000 e 1 500 votos pelo método de Hondt: constrói a tabela de quocientes (dividir por 1, 2, 3, 4, 5), ordena os cinco maiores e indica quantos mandatos cabem a cada partido.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Modelos matemáticos na partilha) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Método dos licitadores (Knaster)
Parte justa
Cada participante calcula a sua parte justa como a sua própria avaliação do conjunto dos bens a dividir por N (número de participantes). Cada um deve terminar com pelo menos este valor.
Ana e Bruno herdam um automóvel. Ana avalia-o em 8000 € e Bruno em 6000 €. Aplica o método dos licitadores e determina o resultado final de cada um.
Cada um recebe metade da sua avaliação: Ana 8000/2 = 4000 €; Bruno 6000/2 = 3000 €.
O carro fica com quem mais licitou: Ana (8000 > 6000).
Ana ficou com um bem de 8000 (na sua ótica) mas só tinha direito a 4000, logo paga ao monte 8000 − 4000 = 4000 €. Bruno não recebeu bens, logo levanta a sua parte justa 3000 €.
Sobra no monte 4000 − 3000 = 1000 €, dividida em partes iguais: 500 € cada. Ana paga, no total, 4000 − 500 = 3500 € pelo carro; Bruno recebe 3000 + 500 = 3500 €.
Resultado: Ana fica com o carro pagando 3500 € líquidos; Bruno recebe 3500 € em dinheiro. Ambos terminam acima da sua parte justa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Dois irmãos herdam um relógio indivisível. A licita 900 € e B licita 700 €. Determina a parte justa de cada um, quem fica com o relógio, o valor que paga ao monte, o que o outro levanta, a sobra e a repartição final.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (partilha equilibrada; casos discreto e contínuo) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)