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Resumos/Matemática Aplicada às Ciências Sociais/Estatística (problema estatístico, população e amostra, dados bivariados)
Resumos · Matemática Aplicada às Ciências SociaisPT · Secundário

Estatística (problema estatístico, população e amostra, dados bivariados)

A Estatística é a ferramenta com que as ciências sociais leem a realidade a partir de dados. Este tema percorre o problema estatístico — da questão à conclusão —, a distinção entre população e amostra, a organização honesta de dados univariados (tabelas, gráficos e medidas de localização e dispersão) e o estudo de dados bivariados (correlação e regressão com a calculadora). Um objetivo central é a literacia estatística: ler criticamente números e gráficos e não se deixar enganar por representações distorcidas.

4 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0222 / 8
Perfil de exame
Formular um problema estatístico e distinguir população, amostra, recenseamento e sondagemOrganizar e representar dados univariados de forma honesta e ler criticamente gráficosCalcular e interpretar medidas de localização e de dispersãoAnalisar dados bivariados: correlação e reta de regressão, distinguindo correlação de causalidade
Operadores:formulaclassificaorganizarepresentacalculainterpretaanalisacritica

nível básico

Classificar variáveis, construir tabelas e gráficos e calcular as principais medidas de localização e dispersão.

nível avançado

Ler criticamente representações estatísticas, analisar dados bivariados e obter e interpretar modelos de regressão com a calculadora.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Estatística (problema estatístico, população e amostra, dados bivariados)
    • 01O problema estatístico: população, amostra e tipos de dados○
    • 02Dados univariados: tabelas, gráficos honestos e gráficos enganadores◐
    • 03Medidas de localização e de dispersão◐
    • 04Dados bivariados: correlação e regressão●
§ 01

O problema estatístico: população, amostra e tipos de dados#

●○○BaseLPAE-macs-estatistica-problema

Pontos-chave

Um estudo estatístico não começa com números, mas com uma QUESTÃO — «quanto tempo passam os jovens nas redes sociais?», «que meio de transporte usam os alunos?». O problema estatístico é o ciclo que transforma essa questão numa conclusão fundamentada: formular a questão, planear a recolha, recolher os dados, organizá-los e analisá-los, e finalmente interpretar e comunicar as conclusões (ver Fig. 1). Cada etapa condiciona a seguinte: uma recolha mal planeada compromete toda a análise, por mais sofisticada que seja.

O ciclo do problema estatístico

Ciclo do problema estatísticoGrafo, Questão → População e amostra, População e amostra → Recolha de dados, Recolha de dados → Organização e análise, Organização e análise → Conclusão, Conclusão → QuestãoQuestãoPopulação eamostraRecolha de dadosOrganização eanáliseConclusãonovas questões
Fig. 1Fig. 1 — O problema estatístico é um ciclo: da questão à conclusão, cada etapa prepara a seguinte e pode levantar novas questões.
A população é o conjunto de TODOS os elementos sobre os quais se quer concluir (por exemplo, todos os alunos do ensino secundário do país). Nem sempre é possível ou razoável observar toda a população; recolhe-se então uma amostra, um subconjunto efetivamente estudado. Quando se observa a população inteira, fala-se de recenseamento (ou censo); quando se estuda apenas uma amostra, fala-se de sondagem. As sondagens são mais rápidas e baratas, mas só permitem concluir sobre a população se a amostra for representativa — idealmente, uma amostra aleatória, em que cada elemento tem probabilidade conhecida de ser escolhido.
A característica que se regista em cada elemento é a variável estatística. As variáveis qualitativas exprimem categorias: nominais quando não há ordem natural (meio de transporte, distrito) e ordinais quando há uma ordem (grau de satisfação: «mau, razoável, bom»). As variáveis quantitativas exprimem números: discretas quando resultam de contagem (número de irmãos, número de idas ao cinema) e contínuas quando resultam de medição e podem tomar qualquer valor de um intervalo (tempo, altura, rendimento). O tipo de variável decide quais as representações e as medidas adequadas — usar uma média com uma variável nominal, por exemplo, não faz sentido.
A representatividade da amostra é a questão crítica da estatística social. Uma amostra enviesada — obtida, por exemplo, inquirindo apenas quem passa numa rua, ou apenas quem responde voluntariamente a um inquérito online — pode dar uma imagem distorcida da população, mesmo com muitos respondentes. A qualidade de uma sondagem mede-se menos pela dimensão da amostra e mais pela forma como foi escolhida. Esta consciência crítica sobre a origem dos dados é o primeiro passo da literacia estatística e uma competência de cidadania.
Exemplo resolvido

Identificar os elementos de um estudo estatístico

Uma câmara municipal quer saber a opinião dos residentes sobre uma nova ciclovia e inquire 600 pessoas escolhidas aleatoriamente. Identifica a população, a amostra, a variável e o tipo de estudo.

  1. 01População

    Todos os residentes do município (o conjunto sobre o qual se quer concluir).

  2. 02Amostra

    Os 600 residentes efetivamente inquiridos.

  3. 03Variável

    A opinião sobre a ciclovia (por exemplo, «a favor / indiferente / contra») — variável qualitativa ordinal ou nominal.

  4. 04Tipo de estudo

    Como se estuda apenas uma amostra e não toda a população, é uma sondagem (não um recenseamento).

Resultado: População: residentes do município; amostra: 600 inquiridos; variável qualitativa; estudo por sondagem.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar a população, a amostra e a variável em estudo e distinguir recenseamento de sondagem.
  • Classificar variáveis estatísticas em qualitativas (nominais/ordinais) e quantitativas (discretas/contínuas).

Erros frequentes

  • Confundir população (todos os elementos de interesse) com amostra (o subconjunto observado).
  • Classificar como quantitativa uma variável codificada por números que é, na verdade, qualitativa (por exemplo, o número da camisola ou um código de distrito).

Revisão ativa

Para o estudo «horas semanais de estudo dos alunos do 11.º ano da escola», identifica a população, uma amostra possível e a variável, classifica-a e indica se um recenseamento seria viável.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Problema estatístico; população e amostra) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Dados univariados: tabelas, gráficos honestos e gráficos enganadores#

●●○PadrãoLPAE-macs-estatistica-univariados

Pontos-chave

Recolhidos os dados de UMA variável (dados univariados), o primeiro passo é organizá-los numa tabela de frequências. A frequência absoluta «nᵢ» é o número de vezes que cada valor ou categoria ocorre; a frequência relativa «fᵢ = nᵢ/n» é a sua proporção, e a soma de todas as frequências relativas é 1 (ou 100 %). Para variáveis contínuas com muitos valores, agrupam-se os dados em classes (intervalos) de igual amplitude. A tabela é a base de qualquer representação gráfica.
A representação escolhe-se segundo o tipo de variável: gráfico de barras e gráfico circular para variáveis qualitativas; histograma para variáveis quantitativas contínuas agrupadas em classes. A Fig. 2 representa o meio de transporte para a escola de 40 alunos. Num gráfico de barras, a altura de cada barra é a frequência da categoria; num histograma, ao contrário, as barras são contíguas (a variável é contínua) e é a ÁREA de cada retângulo que é proporcional à frequência da classe. A leitura deve ser sempre imediata e fiel aos dados.

Meio de transporte para a escola

Meio de transporte (n = 40)Gráfico de barras: n.º de alunos por meio de transporte, Dados: n.º de alunos · A pé: 16; n.º de alunos · Autocarro: 12; n.º de alunos · Carro: 9; n.º de alunos · Bicicleta: 30246810121416A péAutocarroCarroBicicleta161293n.º de alunosmeio de transporte
Fig. 2Fig. 2 — Gráfico de barras (variável qualitativa nominal): meio de transporte de 40 alunos. As barras são separadas.
A mesma tabela pode, porém, ser representada de forma honesta ou enganadora. A técnica mais comum de manipulação é truncar o eixo vertical — começá-lo num valor diferente de zero. A Fig. 3 mostra as mesmas duas taxas de aprovação (92 % e 95 %) em dois gráficos: no da esquerda, com eixo desde 0, as barras são quase iguais (como os dados); no da direita, com o eixo a começar em 90 %, a segunda barra parece esmagadoramente maior — uma diferença de 3 pontos percentuais é inflacionada visualmente. Os dados são os mesmos; muda apenas a escala, e com ela a mensagem.

Gráfico honesto vs gráfico enganador

O eixo truncado distorce a comparaçãofigura de vários painéis, 2 painéis, Dados: Eixo desde 0 (honesto) — Gráfico de colunas: aprovação (%), 2 valores (máximo 95); Eixo truncado (enganador) — Gráfico de colunas: aprovação (%), 2 valores (máximo 95)O eixo truncado distorce a comparação020406080100202420259295aprovação (%)Eixo desde 0 (honesto)90919293949596202420259295aprovação (%)Eixo truncado (enganador)
Fig. 3Fig. 3 — Os mesmos dados (92 % e 95 %): à esquerda, eixo desde 0 (honesto); à direita, eixo truncado a começar em 90 % (enganador). A escala muda a mensagem.
Outras distorções frequentes: usar áreas ou volumes (ícones, pictogramas) cujo tamanho não é proporcional à frequência; omitir o zero ou a escala; escolher classes de amplitudes diferentes num histograma; ou cortar parte dos dados. A literacia estatística consiste em ler sempre os eixos, as escalas e a fonte antes de acreditar num gráfico. Saber CONSTRUIR gráficos honestos e RECONHECER gráficos enganadores é uma das aprendizagens mais úteis da MACS para a vida em sociedade — dos jornais à publicidade e às redes sociais.
fi=nin,∑ifi=1f_i = \dfrac{n_i}{n}, \qquad \sum_{i} f_i = 1fi​=nni​​,i∑​fi​=1

Frequência relativa

A frequência relativa é a proporção de cada valor ou categoria; a soma de todas as frequências relativas é 1 (ou 100 %).

Exemplo resolvido

Detetar um gráfico enganador

Um anúncio mostra que as vendas subiram de 92 para 95 unidades e usa um gráfico cujo eixo vertical começa em 90. Explica por que o gráfico exagera a subida e como o corrigirias.

  1. 01Variação real

    A subida é de 95 − 92 = 3 unidades, isto é, 3/92 ≈ 3,3 % — uma variação pequena.

  2. 02Efeito do eixo truncado

    Com o eixo de 90 a 96, a barra de 92 tem altura 2 e a de 95 tem altura 5: parece 2,5 vezes maior, o que não corresponde à variação real.

  3. 03Correção

    Começar o eixo em 0 (Fig. 3, à esquerda): as barras ficam quase iguais, refletindo honestamente a pequena diferença.

Resultado: O eixo truncado (a começar em 90) infla visualmente uma subida de apenas 3,3 %; o eixo desde 0 mostra os dados fielmente.

Foco no Exame Nacional

  • Construir e ler tabelas de frequências e escolher a representação gráfica adequada ao tipo de variável.
  • Detetar e explicar técnicas de gráficos enganadores, sobretudo o eixo vertical truncado.

Erros frequentes

  • Usar um histograma (barras contíguas) para uma variável qualitativa, ou um gráfico de barras separadas para dados contínuos.
  • Comparar alturas de barras sem verificar se o eixo começa em zero — deixar-se enganar por escalas truncadas.

Revisão ativa

Numa turma, o meio de transporte de 25 alunos é: 10 a pé, 8 de autocarro, 5 de carro, 2 de bicicleta. Constrói a tabela de frequências absolutas e relativas e escolhe uma representação gráfica adequada, justificando a escolha.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Dados univariados; literacia estatística) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Medidas de localização e de dispersão#

●●○PadrãoLPAE-macs-estatistica-univariados

Pontos-chave

As medidas de localização resumem os dados num valor representativo. A média «x̄» é a soma dos valores a dividir pelo número de observações; usa toda a informação, mas é muito sensível a valores extremos. A mediana é o valor central dos dados ordenados (a média dos dois centrais quando «n» é par); é resistente a extremos. A moda é o valor (ou categoria) mais frequente, a única medida de localização aplicável também a variáveis qualitativas. Comparar média e mediana informa sobre a assimetria da distribuição.
Um exemplo social torna a diferença palpável. Os salários mensais (€) de um pequeno departamento são «900, 950, 1000, 1050, 1100, 1150, 1200, 3500» (o último é o do diretor). A média é «(900+⋯+3500)/8 = 10 850/8 = 1356,25 €», mas a mediana é «(1050+1100)/2 = 1075 €». A média (1356 €) é superior a SETE dos oito salários, porque é «puxada para cima» pelo valor extremo; a mediana (1075 €) descreve muito melhor o salário «típico». Por isso, ao falar de rendimentos, a estatística oficial usa quase sempre a mediana — um exemplo direto de literacia estatística aplicada.
As medidas de dispersão medem o espalhamento. A amplitude total é a diferença entre o máximo e o mínimo (aqui «3500 − 900 = 2600 €», enorme por causa do extremo). Os quartis «Q₁, Q₂ (mediana), Q₃» dividem os dados ordenados em quatro partes; a amplitude interquartis «AIQ = Q₃ − Q₁» mede a dispersão dos 50 % centrais e é resistente a extremos. Neste exemplo, «Q₁ = 975 €», «Q₃ = 1175 €», logo «AIQ = 200 €» — muito menor do que a amplitude total, revelando que o grosso dos salários está concentrado. O desvio-padrão «σ» mede a dispersão média em torno da média e obtém-se com a calculadora.
A partir dos cinco números-resumo — mínimo, «Q₁», mediana, «Q₃» e máximo — constrói-se o diagrama de extremos e quartis (Fig. 4): uma caixa de «Q₁» a «Q₃», dividida pela mediana, com «bigodes» até ao mínimo e ao máximo. É a fotografia da distribuição: a posição da mediana, a largura da caixa (dispersão central) e, sobretudo, a assimetria. No caso dos salários, o bigode direito é muito longo (por causa do salário do diretor), sinal claro de assimetria à direita — o boxplot torna visível o que a média sozinha esconderia.

Diagrama de extremos e quartis dos salários

Cinco números-resumo (n = 8)Diagrama de extremos e quartis: salário mensal (€), Dados: Salários (€): min 900, Q1 975, Md 1075, Q3 1175, max 3500100015002000250030003500Salários (€)salário mensal (€)
Fig. 4Fig. 4 — Boxplot dos salários (€): mín 900, Q₁ 975, mediana 1075, Q₃ 1175, máx 3500. O bigode direito muito longo revela a assimetria causada pelo salário extremo.
xˉ=1n∑i=1nxi\bar{x} = \dfrac{1}{n}\sum_{i=1}^{n} x_ixˉ=n1​i=1∑n​xi​

Média

Soma de todos os valores a dividir pelo número de observações; sensível a valores extremos.

AIQ=Q3−Q1\text{AIQ} = Q_3 - Q_1AIQ=Q3​−Q1​

Amplitude interquartis

Dispersão dos 50 % centrais dos dados; resistente a valores extremos, ao contrário da amplitude total.

Exemplo resolvido

Localização e dispersão com um valor extremo

Para os salários «900, 950, 1000, 1050, 1100, 1150, 1200, 3500» (n = 8), determina a média, a mediana, Q₁, Q₃, a AIQ e a amplitude total, e comenta.

  1. 01Média

    Soma = 10 850; x̄ = 10 850/8 = 1356,25 €.

  2. 02Mediana

    Com n = 8 (par), é a média dos 4.º e 5.º valores: (1050 + 1100)/2 = 1075 €.

  3. 03Quartis

    Metade inferior (900, 950, 1000, 1050): Q₁ = (950+1000)/2 = 975 €. Metade superior (1100, 1150, 1200, 3500): Q₃ = (1150+1200)/2 = 1175 €.

  4. 04Dispersão e comentário

    AIQ = 1175 − 975 = 200 €; amplitude total = 3500 − 900 = 2600 €. A média (1356 €) supera 7 dos 8 salários: o valor extremo distorce-a, e a mediana (1075 €) é mais representativa.

Resultado: x̄ = 1356,25 €; mediana 1075 €; Q₁ = 975 €; Q₃ = 1175 €; AIQ = 200 €; amplitude 2600 €. A média é enganada pelo salário extremo.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular média, mediana, moda, quartis, amplitude interquartis e desvio-padrão (com a calculadora).
  • Comparar média e mediana para discutir a assimetria e o efeito de valores extremos, e construir o boxplot.

Erros frequentes

  • Calcular a mediana ou os quartis sem ordenar previamente os dados.
  • Usar a média como valor «típico» quando há valores extremos que a distorcem — nesse caso a mediana é mais representativa.

Revisão ativa

Considera os tempos (min) de espera «5, 6, 6, 7, 8, 9, 10, 25». Determina a média, a mediana, os quartis, a amplitude interquartis e a amplitude total, e comenta o efeito do valor 25.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (medidas de localização e dispersão) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Dados bivariados: correlação e regressão#

●●●AprofundamentoLPAE-macs-estatistica-bivariados

Pontos-chave

Muitas questões das ciências sociais relacionam DUAS variáveis quantitativas medidas nos mesmos indivíduos — anos de escolaridade e salário, rendimento e esperança de vida, despesa e vendas. Cada indivíduo dá um par «(x, y)», representado num diagrama de dispersão (nuvem de pontos), com a variável explicativa em «Ox» e a variável resposta em «Oy». A forma da nuvem revela se existe associação, de que tipo e em que sentido (ver Fig. 5).

Escolaridade e salário: dispersão e regressão

Dados bivariados (n = 6)Gráfico de dispersão: salário médio (€) por anos de escolaridade, Dados: (4, 800); (6, 950); (9, 1100); (12, 1400); (15, 1800); (17, 2100)80010001200140016001800200046810121416salário médio (€)anos de escolaridade
Fig. 5Fig. 5 — Salário médio em função dos anos de escolaridade (6 grupos) com a reta de regressão ŷ ≈ 98,3 x + 326,6 (r ≈ 0,98): associação linear positiva forte.
Quando os pontos se dispõem aproximadamente sobre uma reta, a associação diz-se linear. O coeficiente de correlação «r» quantifica a força e o sentido dessa associação: varia entre «−1» e «1». Perto de «1», correlação linear positiva forte (as variáveis crescem juntas); perto de «−1», correlação negativa forte (uma cresce, a outra decresce); perto de «0», ausência de associação linear. É fundamental não confundir o SINAL de «r» (o sentido) com a sua INTENSIDADE (a proximidade de 1 ou −1). O «r» calcula-se com a calculadora, em simultâneo com a reta de regressão.
A reta de regressão «ŷ = a + b x» é a reta que melhor se ajusta à nuvem pelo critério dos mínimos quadrados (torna mínima a soma dos quadrados das distâncias verticais dos pontos à reta). A calculadora devolve o declive «b», a ordenada na origem «a» e o «r». Na Fig. 5, para os anos de escolaridade «x» e o salário médio «y» de seis grupos, obtém-se «ŷ ≈ 98,3 x + 326,6» com «r ≈ 0,98». O declive interpreta-se no contexto: por cada ano adicional de escolaridade, o salário médio previsto sobe cerca de 98 €. Para «x = 10» anos, a previsão é «ŷ ≈ 98,3·10 + 326,6 ≈ 1310 €» — fiável por ser uma interpolação (10 está dentro do intervalo dos dados); extrapolar muito para fora seria arriscado.
A advertência mais importante da estatística social é: correlação NÃO é causalidade. Duas variáveis podem estar fortemente correlacionadas sem que uma cause a outra — podem ambas depender de uma terceira variável (uma variável de confusão). O número de bombeiros num incêndio correlaciona-se com os estragos, mas não os causa: ambos crescem com a dimensão do fogo. O «r» mede associação, não a explica; concluir «x causa y» a partir de um «r» elevado é um erro de raciocínio, não um resultado matemático. Este é, talvez, o alerta de literacia estatística mais decisivo para um cidadão.
−1≤r≤1-1 \le r \le 1−1≤r≤1

Coeficiente de correlação

r mede a força e o sentido da associação LINEAR: perto de 1 (positiva forte), perto de −1 (negativa forte), perto de 0 (sem associação linear).

y^=a+b x\hat{y} = a + b\,xy^​=a+bx

Reta de regressão

Reta dos mínimos quadrados: os parâmetros a (ordenada na origem) e b (declive) obtêm-se com a calculadora. O declive dá a variação prevista de y por cada unidade de x.

Exemplo resolvido

Reta de regressão e previsão

Para os pares (anos de escolaridade, salário) «(4,800), (6,950), (9,1100), (12,1400), (15,1800), (17,2100)», a calculadora dá ŷ ≈ 98,3 x + 326,6 e r ≈ 0,98. Interpreta o declive e prevê o salário para 10 anos de escolaridade.

  1. 01Força da associação

    r ≈ 0,98 está muito perto de 1: correlação linear positiva muito forte — mais escolaridade associa-se a maior salário médio.

  2. 02Interpretar o declive

    b ≈ 98,3: por cada ano adicional de escolaridade, o salário médio previsto aumenta cerca de 98 €.

  3. 03Previsão (interpolação)

    Para x = 10: ŷ ≈ 98,3·10 + 326,6 = 983 + 326,6 ≈ 1310 €. Como 10 está dentro de [4, 17], a previsão é fiável.

  4. 04Cautela

    Um r forte não prova que a escolaridade CAUSE o salário: outras variáveis (área de formação, experiência) também influenciam.

Resultado: ŷ ≈ 98,3 x + 326,6 (r ≈ 0,98); para 10 anos prevê-se ≈ 1310 €. Correlação forte não implica causalidade.

Foco no Exame Nacional

  • Construir e interpretar um diagrama de dispersão; obter «r» e a reta de regressão com a calculadora.
  • Interpretar o declive no contexto e fazer previsões, distinguindo interpolação de extrapolação e correlação de causalidade.

Erros frequentes

  • Interpretar um valor elevado de «r» como prova de que uma variável causa a outra.
  • Confundir o sinal de «r» (sentido da associação) com a sua intensidade (proximidade de 1 ou −1).

Revisão ativa

Para seis lojas registou-se a despesa em publicidade (x, mil €) e as vendas (y, mil €). Descreve como usarias a calculadora para obter «r» e a reta de regressão, como interpretarias o declive e por que uma correlação forte não prova que a publicidade seja a única causa das vendas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Dados bivariados; correlação e regressão) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O problema estatístico: população, amostra e tipos de dados○
    • 02Dados univariados: tabelas, gráficos honestos e gráficos enganadores◐
    • 03Medidas de localização e de dispersão◐
    • 04Dados bivariados: correlação e regressão●

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Dos resumos à prática

Estatística (problema estatístico, população e amostra, dados bivariados)

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de MACS — 10.º ano (Problema estatístico; população e amostra)

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