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Resumos/Literatura Portuguesa/Romantismo: Garrett (teatro) e Herculano (prosa)
Resumos · Literatura PortuguesaPT · Secundário

Romantismo: Garrett (teatro) e Herculano (prosa)

O Romantismo, que em Portugal começa com o poema «Camões» de Garrett (1825), traz a subjetividade, o nacionalismo, o medievalismo e o sentimento, no contexto do liberalismo e do exílio. Almeida Garrett (1799–1854) renova o teatro com o drama «Frei Luís de Sousa» e a prosa com «Viagens na Minha Terra»; Alexandre Herculano (1810–1877) funda a historiografia moderna e introduz o romance histórico.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0888 / 17
Perfil de exame
Caracterizar o Romantismo português e o seu contextoAnalisar o drama romântico de Garrett (Frei Luís de Sousa)Analisar a prosa de viagem e a ironia em Viagens na Minha TerraReconhecer o romance histórico de Herculano
Operadores:caracterizaanalisainterpretarelacionajustificacompara

nível básico

Reconhecer as características do Romantismo e as obras maiores de Garrett e Herculano.

nível avançado

Analisar a estrutura de Frei Luís de Sousa e os dois planos de Viagens na Minha Terra, e o rigor do romance histórico de Herculano.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Romantismo: Garrett (teatro) e Herculano (prosa)
    • 01O Romantismo em Portugal○
    • 02Almeida Garrett: vida e obra◐
    • 03Frei Luís de Sousa◐
    • 04Viagens na Minha Terra●
    • 05Herculano e o romance histórico◐
§ 01

O Romantismo em Portugal#

●○○BaseLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo1-romantismo

Pontos-chave

O Romantismo é o grande movimento literário e cultural da primeira metade do século XIX, que reage contra o racionalismo e as regras do Neoclassicismo e exalta o sentimento, a imaginação, a liberdade e o individualismo. Em Portugal, convenciona-se fazê-lo começar em 1825, com a publicação, no exílio em Paris, do poema «Camões», de Almeida Garrett — obra que junta ao culto do sentimento a exaltação da pátria e da sua maior glória literária (ver Fig. 1).

O Romantismo português

O Romantismo portuguêsLinha do tempo de 1820 a 1870, 1825: «Camões», de Garrett, 1843: Frei Luís de Sousa, 1844: Eurico, o Presbítero (Herculano), 1846: Viagens na Minha Terra, 1865: Questão Coimbrã, 1825–1865: Romantismo em Portugal18201870anoRomantismo emPortugal1825«Camões», deGarrett1843Frei Luís deSousa1844Eurico, oPresbítero (Her…1846Viagens na MinhaTerra1865Questão Coimbrã
Fig. 1Fig. 1 — O Romantismo português, de «Camões» à Geração de 70.
O Romantismo português está indissociavelmente ligado ao liberalismo e à sua conturbada implantação. A geração romântica é a geração dos liberais que combateram o absolutismo, conheceram o exílio e regressaram para construir o Portugal constitucional. Garrett e Herculano são, ao mesmo tempo, escritores e homens de ação política. A literatura torna-se, assim, também um instrumento de afirmação nacional e de intervenção cívica.
As características do Romantismo são a subjetividade (o predomínio do «eu», da emoção e do sonho), o nacionalismo e o medievalismo (o interesse pela história pátria, pela Idade Média, pelas tradições e pelo povo), o culto da natureza (como reflexo dos estados de alma), a valorização da liberdade (formal e temática) e o gosto pelo mistério, pelo trágico e pela fatalidade. A estas junta-se, na chamada 2.ª geração, o ultrarromantismo — o exagero do sentimento e da paixão.
O movimento organiza-se em gerações. A 1.ª geração, fundadora, é a de Garrett e Herculano, que estabelecem os géneros e os temas (o teatro nacional, o romance histórico, a poesia patriótica). A 2.ª geração leva o sentimento ao extremo, com o ultrarromantismo de Camilo Castelo Branco e de outros. O Romantismo domina até por volta de 1865, quando a Questão Coimbrã e a Geração de 70 abrem caminho ao Realismo. É neste arco que se inscreve a obra de Garrett e de Herculano.
Exemplo resolvido

Reconhecer o Romantismo

Uma obra da primeira metade do séc. XIX exalta um herói da história nacional, valoriza a Idade Média e exprime um sentimento intenso. Que movimento e que características revela?

  1. 01Identificar os traços

    A exaltação da história nacional e da Idade Média é o nacionalismo e o medievalismo; o sentimento intenso é a subjetividade.

  2. 02Situar no tempo

    A primeira metade do séc. XIX corresponde ao Romantismo.

  3. 03Concluir

    É uma obra romântica, com nacionalismo, medievalismo e subjetividade.

Resultado: É uma obra romântica: reúne o nacionalismo e o medievalismo (exaltação da história e da Idade Média) e a subjetividade (o sentimento intenso), características centrais do movimento.

Foco no Exame Nacional

  • Situar o início do Romantismo português (1825, «Camões» de Garrett).
  • Relacionar o Romantismo com o liberalismo e o exílio.
  • Enunciar as características do Romantismo (subjetividade, nacionalismo, medievalismo, fatalidade).

Erros frequentes

  • Confundir o Romantismo (séc. XIX) com o Pré-Romantismo (finais do séc. XVIII).
  • Ignorar a ligação entre Romantismo e liberalismo.
  • Reduzir o Romantismo ao sentimentalismo, esquecendo o nacionalismo e o medievalismo.

Revisão ativa

Enuncia quatro características do Romantismo e explica a ligação do movimento ao liberalismo, na obra de Garrett e Herculano.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Almeida Garrett: vida e obra#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo1-romantismo

Pontos-chave

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto, 1799 – Lisboa, 1854) é a figura central da 1.ª geração romântica e um dos maiores escritores portugueses. Liberal convicto, conheceu o exílio por causa das suas ideias, e teve um papel decisivo na vida política e cultural do Portugal constitucional. Escritor completo, cultivou com mestria os três modos literários — a lírica, a narrativa e o drama —, renovando profundamente cada um deles (ver Fig. 2).

A obra de Almeida Garrett

A obra de Almeida GarrettGrafo, Almeida Garrett → Lírica: «Camões», «Folhas Caídas», Almeida Garrett → Teatro: Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett → Prosa: Viagens na Minha TerraAlmeidaGarrettLírica:«Camões», «F…Teatro: FreiLuís de SousaProsa:Viagens na M…
Fig. 2Fig. 2 — A obra de Garrett nos três modos literários.
Na poesia, Garrett vai da exaltação patriótica e histórica dos poemas «Camões» (1825) e «Dona Branca» à intimidade da grande lírica amorosa de «Folhas Caídas» (1853), obra da maturidade em que a paixão e a experiência pessoal se dizem com uma sinceridade nova. Reuniu ainda, no Romanceiro, os romances e as xácaras da tradição popular portuguesa, num gesto de valorização romântica do folclore e da alma nacional.
No teatro, Garrett foi o fundador do teatro nacional moderno: dirigiu a criação do Conservatório e do Teatro Nacional (D. Maria II), e escreveu, entre outras peças, o drama «Frei Luís de Sousa» (1843), obra-prima do teatro romântico português, e «Um Auto de Gil Vicente», que homenageia o fundador do teatro pátrio. A sua ação institucional e a sua obra dramática deram ao país um teatro literário à altura das outras artes.
Na prosa, Garrett escreveu «Viagens na Minha Terra» (1846), obra singular e moderníssima, que cruza o relato de viagem com a digressão, a crítica social e a metaliteratura. Em toda a sua obra, Garrett combina o entusiasmo romântico com uma inteligência crítica, uma ironia e um sentido de modernidade que o distinguem dos românticos mais exaltados. É, por isso, ao mesmo tempo, o fundador e o mais lúcido dos nossos românticos.
Exemplo resolvido

Garrett, escritor completo

Por que se diz que Garrett renovou os três modos literários?

  1. 01Lírica

    Renovou a poesia, da épica patriótica («Camões») à lírica íntima («Folhas Caídas»).

  2. 02Teatro

    Fundou o teatro nacional e escreveu Frei Luís de Sousa, obra-prima do drama romântico.

  3. 03Prosa

    Criou, com Viagens na Minha Terra, uma prosa moderna que cruza relato, digressão e crítica.

Resultado: Garrett renovou os três modos: a lírica (da épica à intimidade), o teatro (fundação do teatro nacional, Frei Luís de Sousa) e a prosa (a modernidade de Viagens na Minha Terra).

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer Garrett como figura da 1.ª geração romântica e escritor dos três modos.
  • Associar obras a modos (poesia: «Camões», «Folhas Caídas»; teatro: Frei Luís de Sousa; prosa: Viagens).
  • Reconhecer o papel de Garrett na fundação do teatro nacional.

Erros frequentes

  • Reduzir Garrett a um só modo (só teatro ou só prosa).
  • Ignorar o Romanceiro e a valorização romântica do folclore.
  • Esquecer a dimensão crítica e irónica que distingue Garrett.

Revisão ativa

Distribui pelas três modalidades (lírica, teatro, prosa) as seguintes obras de Garrett: «Folhas Caídas», «Frei Luís de Sousa», «Viagens na Minha Terra».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Frei Luís de Sousa#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo1-romantismo

Pontos-chave

«Frei Luís de Sousa» (1843) é a obra-prima do teatro romântico português. Drama em três atos, passa-se no final do século XVI, no período em que Portugal, após o desastre de Alcácer Quibir (1578) e o desaparecimento de D. Sebastião, perdeu a independência para Espanha (o domínio filipino). É um tempo de luto nacional, de esperança sebástica e de dor patriótica — pano de fundo perfeito para a tragédia familiar que a peça encena (ver Fig. 3).

As personagens de Frei Luís de Sousa

As personagens de Frei Luís de SousaGrafo, D. Madalena de Vilhena → D. João de Portugal (o Romeiro), D. Madalena de Vilhena → Manuel de Sousa Coutinho, Manuel de Sousa Coutinho → Maria (filha), Telmo Pais (aio) → D. João de Portugal (o Romeiro)D. Madalenade VilhenaManuel deSousa Coutin…D. João dePortugal (o …Maria (filha)Telmo Pais(aio)1.º marido(dado por mor…2.º maridofilhafiel a
Fig. 3Fig. 3 — O sistema de personagens de Frei Luís de Sousa.
A ação centra-se numa família. Manuel de Sousa Coutinho, fidalgo patriota, está casado com D. Madalena de Vilhena; têm uma filha, Maria, jovem doente, lúcida e patriota. Mas Madalena fora antes casada com D. João de Portugal, dado como morto em Alcácer Quibir; julgando-se viúva, voltou a casar. Sobre a família paira um presságio: Madalena vive atormentada pelo medo de que o primeiro marido esteja vivo — e de que o seu segundo casamento seja, por isso, nulo.
O presságio cumpre-se. Um Romeiro (peregrino) regressa e revela-se: é D. João de Portugal, que afinal não morrera. À pergunta sobre quem é, responde «Ninguém!» — porque o homem que regressa já não é ninguém, um morto-vivo que só volta para desfazer a felicidade alheia. O segundo casamento de Madalena é assim invalidado, e Maria torna-se filha de uma união ilegítima. Perante a desonra, Manuel de Sousa e Madalena tomam o hábito religioso (ele passa a ser Frei Luís de Sousa), e Maria, ferida de morte, expira.
A peça é dominada pelos temas do fado e da fatalidade: uma força superior e inelutável conduz as personagens à desgraça, apesar da sua inocência. O presságio, o sebastianismo (a crença no regresso do desaparecido, aqui trágica) e o nacionalismo dolorido entrelaçam-se com a tragédia doméstica. Garrett constrói um drama de rara perfeição, em que a dignidade das personagens e a inevitabilidade do destino produzem uma emoção trágica que aproxima o drama romântico da tragédia clássica.
Exemplo resolvido

O «Ninguém!» do Romeiro

No final da peça, o Romeiro, revelando-se D. João de Portugal, responde «Ninguém!» quando lhe perguntam quem é. Interpreta esta resposta.

  1. 01Situar o momento

    D. João de Portugal, dado por morto, regressa e destrói o segundo casamento de Madalena.

  2. 02Interpretar a resposta

    «Ninguém!» significa que o homem que regressa já não é o que era: é um morto-vivo, sem lugar entre os vivos.

  3. 03Ligar ao tema

    A resposta sela a fatalidade: o regresso só traz desgraça, e D. João renuncia à sua identidade.

Resultado: Ao responder «Ninguém!», D. João de Portugal reconhece que já não tem lugar entre os vivos: regressa apenas para cumprir o fado e desfazer a felicidade da família, num gesto que condensa a fatalidade trágica da peça.

Foco no Exame Nacional

  • Reconstituir a ação e o sistema de personagens de Frei Luís de Sousa.
  • Explicar o presságio e o regresso do Romeiro (D. João de Portugal).
  • Analisar os temas do fado/fatalidade, do sebastianismo e do nacionalismo.

Erros frequentes

  • Confundir os dois maridos de Madalena (D. João de Portugal e Manuel de Sousa Coutinho).
  • Ignorar o contexto histórico (Alcácer Quibir, domínio filipino) e o sebastianismo.
  • Reduzir a peça a um drama de amor, esquecendo o fado e a dor patriótica.

Revisão ativa

Explica como o regresso do Romeiro desencadeia a tragédia de Frei Luís de Sousa e que temas se cruzam nesse desfecho.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Viagens na Minha Terra#

●●●AprofundamentoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo1-romantismo

Pontos-chave

«Viagens na Minha Terra» (1846) é a obra em prosa mais original de Garrett e uma das mais modernas da literatura portuguesa do século XIX. Tem por pretexto uma viagem real e modesta — de Lisboa a Santarém —, mas transforma esse relato num livro inclassificável, que mistura géneros e tons, e que faz da própria escrita objeto de reflexão. É, ao mesmo tempo, relato de viagem, ensaio, crítica social e romance (ver Fig. 4).

Os dois planos de Viagens na Minha Terra

Os dois planos de Viagens na Minha TerraTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Plano da viagem / digressão · Plano da novela; Conteúdo · Percurso Lisboa-Santarém e digressões · História de Joaninha e Carlos; Registo · Ensaio, crítica, ironia · Narrativa sentimental; Função · Crítica social e política · Alegoria (o desencanto liberal); Símbolo-chave · O «barão» (burguesia sem ideais) · Carlos (o liberal corrompido); Modernidade · Metaliteratura, fragmentação · Interrupção e retoma, célula destacada: O «barão» (burguesia sem ideais)ASPETOPLANO DA VIAGEM /DIGRESSÃOPLANO DA NOVELACONTEÚDOPercurso Lisboa-Santarém edigressõesHistória de Joaninha eCarlosREGISTOEnsaio, crítica, ironiaNarrativa sentimentalFUNÇÃOCrítica social e políticaAlegoria (o desencantoliberal)SÍMBOLO-CHAVEO «barão» (burguesia semideais)Carlos (o liberalcorrompido)MODERNIDADEMetaliteratura, fragmentaçãoInterrupção e retomaViagem e novela cruzam-se num diagnóstico do país.
Fig. 4Fig. 4 — Os dois planos entrelaçados de Viagens na Minha Terra.
A obra desenvolve-se em dois planos entrelaçados. O primeiro é o plano da viagem e da digressão: Garrett conta o percurso, mas a todo o momento se desvia para digressões — reflexões sobre a política, a sociedade, a arte, a literatura, a decadência do país. É nestas digressões que exerce a sua ironia e a sua crítica, e que ensaia uma prosa livre, moderna e autoconsciente, que comenta a si própria (a metaliteratura).
O segundo plano é o da novela sentimental: a história de Joaninha, «a menina dos rouxinóis», e de Carlos, que se desenrola no Vale de Santarém. Esta narrativa de amor, interrompida e retomada ao longo do livro, tem valor simbólico: através do destino das personagens — sobretudo do desencanto e da corrupção de Carlos, que se torna um oportunista —, Garrett critica a geração liberal e a sua traição aos ideais. A novela é, assim, também uma alegoria política.
A crítica social culmina na figura do «barão», símbolo do materialismo e do vazio da nova burguesia liberal — o homem prático, sem ideais, que Garrett fustiga com ironia. Ao cruzar a viagem, a digressão crítica e a novela alegórica, «Viagens na Minha Terra» é, sob a aparência ligeira do relato de viagem, um lúcido diagnóstico do Portugal do seu tempo. A sua modernidade — a fragmentação, a ironia, a metaliteratura — faz dela uma obra surpreendentemente atual.
Exemplo resolvido

A figura do «barão»

Que representa a figura do «barão» em Viagens na Minha Terra e que crítica veicula?

  1. 01Caracterizar a figura

    O «barão» é o homem prático e materialista, sem ideais, da nova burguesia liberal.

  2. 02Reconhecer a crítica

    Através dele, Garrett fustiga o materialismo e o vazio de valores da sociedade saída do liberalismo.

  3. 03Concluir

    O «barão» é um símbolo satírico do desencanto de Garrett com a sua época.

Resultado: O «barão» simboliza a burguesia liberal materialista e sem ideais; através dele, Garrett critica com ironia a decadência de valores do Portugal do seu tempo, exprimindo o seu desencanto.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os dois planos de Viagens (viagem/digressão e novela de Joaninha e Carlos).
  • Reconhecer a ironia, a crítica social e a metaliteratura.
  • Interpretar a figura do «barão» e o valor alegórico da novela.

Erros frequentes

  • Ler Viagens apenas como relato de viagem, ignorando a digressão e a crítica.
  • Separar a novela de Joaninha do sentido crítico e alegórico do livro.
  • Não reconhecer a modernidade formal (fragmentação, ironia, metaliteratura).

Revisão ativa

Explica como se articulam os dois planos de Viagens na Minha Terra e que crítica social veicula a obra.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Herculano e o romance histórico#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo1-romantismo

Pontos-chave

Alexandre Herculano (Lisboa, 1810 – Vale de Lobos, 1877) é, ao lado de Garrett, o outro grande fundador do Romantismo português. Liberal e exilado como ele, foi historiador, poeta e romancista, e o mais sério e austero dos nossos românticos. A sua obra distingue-se pelo rigor, pela erudição e por um profundo sentido moral e patriótico (ver Fig. 5).

Herculano e o romance histórico

Herculano e o romance históricoTabela com 2 colunas e 6 linhas, Dados: Aspeto · Romance histórico de Herculano; Fundador · Introduz o género em Portugal; Modelo · Walter Scott; Obras · Eurico, o Presbítero; O Monge de Cister; O Bobo; Matéria · A Idade Média e a história nacional; Método · Rigor documental (historiador); Intenção · Consciência do passado; educação cívica, célula destacada: Rigor documental (historiador)ASPETOROMANCE HISTÓRICO DEHERCULANOFUNDADORIntroduz o género emPortugalMODELOWalter ScottOBRASEurico, o Presbítero; OMonge de Cister; O BoboMATÉRIAA Idade Média e a histórianacionalMÉTODORigor documental(historiador)INTENÇÃOConsciência do passado;educação cívicaMedievalismo romântico servido pelo rigor do historiador.
Fig. 5Fig. 5 — O romance histórico de Herculano.
Herculano é o fundador da historiografia moderna em Portugal. A sua monumental «História de Portugal», assente na crítica documental e na investigação rigorosa das fontes, rompeu com a história lendária e apologética e aplicou ao passado nacional um método científico. Este mesmo rigor de historiador informa toda a sua obra literária, que nunca separa a imaginação do respeito pela verdade histórica.
Na ficção, Herculano introduziu em Portugal o romance histórico, à maneira do escocês Walter Scott: narrativas que reconstituem uma época do passado — sobretudo a Idade Média — com fidelidade documental, e nela situam personagens e enredos ficcionais. O exemplo maior é «Eurico, o Presbítero» (1844), sobre a invasão da Península pelos árabes e o drama de um sacerdote apaixonado; a que se juntam «O Monge de Cister» e «O Bobo». Reuniu ainda contos e lendas em «Lendas e Narrativas».
O romance histórico de Herculano combina o medievalismo romântico (o gosto pela Idade Média, pelo mistério e pelo heroísmo) com o rigor do historiador (a exatidão do quadro histórico). Através dele, Herculano quis dar ao país a consciência do seu passado e educá-lo cívica e moralmente. A sua obra é, assim, a face grave e erudita do Romantismo português, complementar da face mais lírica e irónica de Garrett.
Exemplo resolvido

O que é um romance histórico

«Eurico, o Presbítero» situa uma história de amor e de fé no tempo da invasão árabe da Península. Por que é um romance histórico e o que revela sobre Herculano?

  1. 01Reconhecer a ficção sobre a história

    Personagens e enredo ficcionais são situados num quadro histórico real (a invasão árabe).

  2. 02Identificar o rigor

    Herculano reconstitui a época com fidelidade documental, como historiador que é.

  3. 03Concluir

    É romance histórico à maneira de Walter Scott, que alia medievalismo e rigor.

Resultado: «Eurico» é um romance histórico porque situa uma intriga ficcional num quadro histórico rigorosamente reconstituído (a invasão árabe); revela o Herculano que une o medievalismo romântico ao rigor do historiador.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer Herculano como fundador da historiografia moderna e do romance histórico.
  • Identificar «Eurico, o Presbítero» e o modelo de Walter Scott.
  • Explicar a aliança entre medievalismo romântico e rigor histórico.

Erros frequentes

  • Confundir romance histórico (ficção sobre um quadro histórico rigoroso) com história.
  • Ignorar o rigor documental que distingue Herculano.
  • Atribuir a Garrett o romance histórico, que é de Herculano.

Revisão ativa

Explica o que é o romance histórico e como Herculano concilia, em «Eurico, o Presbítero», o medievalismo romântico com o rigor histórico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01O Romantismo em Portugal○
    • 02Almeida Garrett: vida e obra◐
    • 03Frei Luís de Sousa◐
    • 04Viagens na Minha Terra●
    • 05Herculano e o romance histórico◐

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Dos resumos à prática

Romantismo: Garrett (teatro) e Herculano (prosa)

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos

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