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O «romance» nasceu tarde na literatura antiga, já em época imperial, e Roma legou-nos dois exemplares maiores: o Satyricon de Petrónio, realista e satírico, e as Metamorphoses (o Asno de Ouro) de Apuleio, fantásticas e iniciáticas. Estudar estes dois textos narrativos é ver como a prosa latina soube ao mesmo tempo retratar a sociedade e encantar com o maravilhoso. Sendo Latim B uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional), o que aqui se valoriza é a caracterização das obras, o comentário literário e a relação da cultura latina com a nossa.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Caracterizar o Satyricon de Petrónio e o Asno de Ouro de Apuleio e situá-los, honestamente, no Império (séc. I e II d.C.).
nível avançado
Comparar em pormenor o realismo satírico de Petrónio e o fantástico iniciático de Apuleio e comentar o valor de cada obra na história da narrativa.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
De Nero aos Antoninos
A partir das datas, mostra que Petrónio e Apuleio não pertencem ao Século de Augusto e indica a época de cada um.
O Principado de Augusto e a Idade de Ouro vão de c. 27 a.C. a 14 d.C. (ano da morte de Augusto): é a época de Virgílio e de Horácio.
Petrónio morre em 66 d.C., na corte de Nero: pertence, portanto, ao século I d.C., já depois de Augusto.
Apuleio nasce c. 125 d.C. e vive até depois de 170, sob os Antoninos: pertence ao século II d.C., ainda mais tarde.
Resultado: Ambos são autores imperiais, posteriores ao Século de Augusto: Petrónio no séc. I (Nero) e Apuleio no séc. II (Antoninos) — o romance latino é um género tardio.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, em poucas linhas, por que o Satyricon e o Asno de Ouro são obras do Império, e não do Século de Augusto, indicando o século e o enquadramento de cada autor.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (O texto narrativo e o romance latino) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As personagens do Satyricon
Traduz «Trimalchio, libertus diues, in cena diuitias suas ostentat» e mostra como reflete o realismo social do Satyricon.
ostentat é o verbo principal (3.ª pes. sing. de ostentare, «exibe, ostenta»); o sujeito é Trimalchio (nominativo), «Trimalquião».
libertus diues está no nominativo, em aposição ao sujeito: «um liberto rico» (libertus = liberto; diues = rico).
diuitias suas é acusativo plural (diuitiae, pluralia tantum), complemento direto, «as suas riquezas»; in cena é in + ablativo, circunstância de lugar, «no banquete».
A frase condensa o tema da Cena: o liberto que, tendo enriquecido, exibe a riqueza sem medida — a matéria da sátira social de Petrónio.
Resultado: Tradução: «Trimalquião, um liberto rico, ostenta as suas riquezas no banquete». A frase reflete o realismo satírico da Cena: o retrato crítico do novo-rico que ostenta o que tem.
Erros frequentes
Revisão ativa
Traduz e comenta a frase «Trimalchio, libertus diues, in cena diuitias suas ostentat», mostrando como ela reflete o realismo social da Cena Trimalchionis.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Petrónio: o Satyricon) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O enredo do Asno de Ouro
Traduz «Lector, intende: laetaberis» (abertura das Metamorfoses, 1.1) e comenta o que ela revela sobre o género.
Vocativo: «ó leitor». Apuleio dirige-se diretamente ao leitor, num apelo à sua atenção.
Imperativo de intendere: «presta atenção, aplica o teu espírito».
Futuro de laetari (verbo depoente): «hás de te alegrar, deleitar-te-ás».
Apuleio promete prazer ao leitor: assume o romance como ficção de entretenimento e maravilha, na tradição do sermo Milesius (o conto milésio).
Resultado: Tradução: «Leitor, presta atenção: hás de te deleitar». A frase de abertura assume o romance como narrativa de prazer e de maravilha, e não como obra grave ou didática.
Erros frequentes
Revisão ativa
Resume, em cinco momentos, o enredo do Asno de Ouro e explica o lugar do conto de Cupido e Psique dentro da obra.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Apuleio: as Metamorfoses) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Petrónio e Apuleio: quadro comparativo
Realismo satírico e fantástico maravilhoso
Para cada traço, indica se é próprio de Petrónio ou de Apuleio e justifica: (a) um liberto ostenta a riqueza num banquete; (b) um jovem transforma-se em asno pela magia; (c) as personagens falam latim vulgar; (d) uma deusa salva o protagonista e inicia-o nos seus mistérios.
Petrónio: a Cena Trimalchionis retrata a sociedade real e satiriza o novo-rico — realismo social.
Apuleio: a transformação de Lúcio pela magia pertence ao mundo do fantástico e do maravilhoso.
Petrónio: os libertos falam o sermo plebeius — realismo linguístico, um documento do latim falado.
Apuleio: a intervenção de Ísis e a iniciação nos mistérios dão à obra a sua dimensão religiosa e iniciática.
Resultado: (a) e (c) são de Petrónio (realismo satírico); (b) e (d) são de Apuleio (fantástico e iniciático) — os dois modos opostos de narrar.
Erros frequentes
Revisão ativa
Elabora um quadro comparativo de Petrónio e Apuleio (obra, época, forma, tom) e escreve um parágrafo que comente o contraste entre o realismo satírico e o fantástico.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (O texto narrativo latino) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)