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Resumos/Latim B/Orações subordinadas condicionais e conjuntivo
Resumos · Latim BPT · Secundário

Orações subordinadas condicionais e conjuntivo

O conjuntivo é o modo do possível, do desejado e do irreal, e a chave das orações condicionais latinas. Estudam-se os seus quatro tempos e valores, os três tipos de condicional (realis, potentialis, irrealis) e a consecutio temporum, que rege a concordância dos tempos nas subordinadas. Sendo Latim B uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional), o foco vai para a análise morfossintática e a tradução fundamentada.

4 secções·~14 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0333 / 13
Perfil de exame
Reconhecer e formar os quatro tempos do conjuntivoIdentificar o valor do conjuntivo numa oração independenteClassificar e traduzir os três tipos de oração condicional (realis, potentialis, irrealis)Aplicar a consecutio temporum na tradução de subordinadas
Operadores:formaidentificaclassificatraduzanalisaexplica

nível básico

Reconhecer os quatro tempos do conjuntivo e distinguir os três tipos de condicional pelo modo e tempo do verbo da prótase.

nível avançado

Formar com segurança o conjuntivo nas quatro conjugações, classificar e traduzir as condicionais e aplicar a consecutio temporum.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Orações subordinadas condicionais e conjuntivo
    • 01O modo conjuntivo: formas e os quatro tempos○
    • 02Valores do conjuntivo na oração independente◐
    • 03As orações condicionais: realis, potentialis, irrealis◐
    • 04A consecutio temporum●
§ 01

O modo conjuntivo: formas e os quatro tempos#

●○○BaseLPAE-latim-b-condicionais-conjuntivo

Pontos-chave

O verbo latino tem três modos: o indicativo, o modo dos factos («amas» = amas); o imperativo, o modo da ordem («ama!» = ama!); e o conjuntivo (ou subjuntivo), o modo do não-factual — a vontade, o desejo, a possibilidade, a eventualidade e a subordinação. Enquanto o indicativo distribui a ação por seis tempos, o conjuntivo tem apenas quatro: presente, imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito. Não há futuro nem futuro perfeito do conjuntivo, e é por isso que muitas construções latinas recorrem a este modo para exprimir o que em português diríamos com o futuro do conjuntivo ou o condicional (ver Fig. 1).

O conjuntivo de amāre nos quatro tempos

Conjuntivo de amāreTabela com 5 colunas e 6 linhas, Dados: Pessoa · Presente · Imperfeito · Perfeito · M.-q.-perfeito; 1.ª sing. · amem · amārem · amāuerim · amāuissem; 2.ª sing. · amēs · amārēs · amāuerīs · amāuissēs; 3.ª sing. · amet · amāret · amāuerit · amāuisset; 1.ª pl. · amēmus · amārēmus · amāuerīmus · amāuissēmus; 2.ª pl. · amētis · amārētis · amāuerītis · amāuissētis; 3.ª pl. · ament · amārent · amāuerint · amāuissent, célula destacada: amēmusPESSOAPRESENTEIMPERFEITOPERFEITOM.-Q.-PERFEITO1.ª SING.amemamāremamāuerimamāuissem2.ª SING.amēsamārēsamāuerīsamāuissēs3.ª SING.ametamāretamāueritamāuisset1.ª PL.amēmusamārēmusamāuerīmusamāuissēmus2.ª PL.amētisamārētisamāuerītisamāuissētis3.ª PL.amentamārentamāuerintamāuissent
Fig. 1Fig. 1 — O conjuntivo tem apenas quatro tempos; paradigma de amāre (não existe futuro do conjuntivo).
O presente do conjuntivo reconhece-se pela vogal característica que substitui ou se junta à vogal temática, diferente em cada conjugação: a 1.ª troca -a- por -e- (amō » amem); a 2.ª acrescenta -ā- (moneō » moneam); a 3.ª toma -ā- (regō » regam); e a 4.ª toma -iā- (audiō » audiam). O verbo sum, irregular, faz sim, sīs, sit, sīmus, sītis, sint. Uma mnemónica útil resume as vogais: na 1.ª conjugação um -e-, nas outras um -a- (ver Fig. 2).

O conjuntivo nas quatro conjugações e em sum

O conjuntivo nas conjugaçõesTabela com 5 colunas e 6 linhas, Dados: Conjugação (modelo) · Presente · Imperfeito · Perfeito · M.-q.-perf.; 1.ª — amāre · amem · amārem · amāuerim · amāuissem; 2.ª — monēre · moneam · monērem · monuerim · monuissem; 3.ª — regere · regam · regerem · rēxerim · rēxissem; 3.ª (-io) — capere · capiam · caperem · cēperim · cēpissem; 4.ª — audīre · audiam · audīrem · audīuerim · audīuissem; sum — esse · sim · essem · fuerim · fuissem, célula destacada: rēxerimCONJUGAÇÃO (MODELO)PRESENTEIMPERFEITOPERFEITOM.-Q.-PERF.1.ª — AMĀREamemamāremamāuerimamāuissem2.ª — MONĒREmoneammonēremmonuerimmonuissem3.ª — REGEREregamregeremrēxerimrēxissem3.ª (-IO) — CAPEREcapiamcaperemcēperimcēpissem4.ª — AUDĪREaudiamaudīremaudīuerimaudīuissemSUM — ESSEsimessemfuerimfuissem
Fig. 2Fig. 2 — Presente e imperfeito assentam no tema do presente; perfeito e mais-que-perfeito no tema do perfeito.
Os restantes tempos formam-se por regras simples e uniformes. O imperfeito do conjuntivo é o infinitivo presente mais as desinências pessoais (-m, -s, -t, -mus, -tis, -nt): amāre » amārem, monēre » monērem, regere » regerem, audīre » audīrem, esse » essem — é o tempo mais fácil de formar. O perfeito do conjuntivo é o tema do perfeito mais -erim, -erīs, -erit…: de amāuī, tema amāu-, vem amāuerim; de sum, fuī » fuerim.
O mais-que-perfeito do conjuntivo é o tema do perfeito mais -issem, -issēs, -isset… (equivale ao infinitivo perfeito mais desinência): amāuisse » amāuissem; fuisse » fuissem. Repare-se que o perfeito e o mais-que-perfeito assentam ambos no tema do perfeito, muitas vezes irregular (regō dá rēxī » rēxerim, rēxissem; capiō dá cēpī » cēperim, cēpissem): para conjugar todo o conjuntivo é, pois, indispensável conhecer as formas primitivas do verbo — o tema do presente (para o presente e o imperfeito) e o tema do perfeito (para o perfeito e o mais-que-perfeito). Ver Fig. 1 e 2.
Exemplo resolvido

Formar os quatro tempos do conjuntivo de monēre

A partir de monēre (2.ª conjugação: moneō, monēre, monuī, monitum), forma a 1.ª pessoa do singular dos quatro tempos do conjuntivo e explica a regra de cada um.

  1. 01Presente

    A 2.ª conjugação forma o presente do conjuntivo acrescentando -ā- ao tema monē-: dá moneam («que eu avise»). Regra: a vogal característica muda por conjugação (1.ª -e-; 2.ª -eā-; 3.ª -ā-; 4.ª -iā-).

  2. 02Imperfeito

    O imperfeito do conjuntivo é o infinitivo presente mais a desinência: monēre + -m = monērem («que eu avisasse»).

  3. 03Perfeito

    O perfeito do conjuntivo é o tema do perfeito mais -erim: de monuī, tema monu-, vem monuerim («que eu tenha avisado»).

  4. 04Mais-que-perfeito

    O mais-que-perfeito é o tema do perfeito mais -issem (ou o infinitivo perfeito monuisse mais -m): monuissem («que eu tivesse avisado»).

Resultado: monēre dá moneam (pres.), monērem (imperf.), monuerim (perf.) e monuissem (m.-q.-perf.): cada tempo tem a sua regra — vogal característica, infinitivo presente, tema do perfeito + -erim e tema do perfeito + -issem (ver Fig. 1 e 2).

Foco no Exame Nacional

  • Formar e reconhecer os quatro tempos do conjuntivo nas quatro conjugações e no verbo sum — análise morfológica rigorosa.
  • Distinguir, numa forma verbal dada, o conjuntivo do indicativo e identificar o seu tempo.

Erros frequentes

  • Procurar um futuro do conjuntivo, que não existe em latim: o conjuntivo tem apenas quatro tempos.
  • Confundir o presente do conjuntivo da 1.ª conjugação (amem, amēs) com formas do indicativo, por esquecer a troca da vogal temática (-a- » -e-).
  • Formar o imperfeito sem partir do infinitivo presente (amārem = amāre + -m), inventando outra base.

Revisão ativa

Forma, na 1.ª pessoa do singular, os quatro tempos do conjuntivo de audīre (4.ª conjugação) e do verbo sum, e enuncia a regra de formação de cada tempo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Morfologia verbal: o conjuntivo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Valores do conjuntivo na oração independente#

●●○PadrãoLPAE-latim-b-condicionais-conjuntivo

Pontos-chave

O conjuntivo não vive apenas nas orações subordinadas: também na oração independente carrega valores próprios, que se agrupam em dois grandes campos — o volitivo (a vontade e o desejo) e o potencial (a possibilidade e a dúvida). Conhecê-los importa desde já, porque são estes mesmos valores que reaparecem, mais tarde, na apódose das orações condicionais (ver Fig. 3).

Valores do conjuntivo na oração independente

Valores do conjuntivoTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Valor · O que exprime · Exemplo · Tradução; Exortativo (hortativo) · exortação, convite (1.ª pl.) · Gaudeāmus · Alegremo-nos; Optativo (desiderativo) · desejo (muitas vezes com utinam) · Utinam ueniat · Oxalá venha; Potencial · possibilidade, eventualidade · Aliquis dicat · Alguém poderia dizer; Dubitativo (deliberativo) · dúvida, deliberação (pergunta) · Quid faciam? · Que hei de fazer?, célula destacada: Aliquis dicatVALORO QUE EXPRIMEEXEMPLOTRADUÇÃOEXORTATIVO(HORTATIVO)exortação, convite (1.ª pl.)GaudeāmusAlegremo-nosOPTATIVO(DESIDERATIVO)desejo (muitas vezes comutinam)Utinam ueniatOxalá venhaPOTENCIALpossibilidade, eventualidadeAliquis dicatAlguém poderia dizerDUBITATIVO(DELIBERATIVO)dúvida, deliberação(pergunta)Quid faciam?Que hei de fazer?
Fig. 3Fig. 3 — Na oração independente, o conjuntivo exprime exortação, desejo, possibilidade ou deliberação.
No campo volitivo, o valor exortativo (ou hortativo) usa a 1.ª pessoa do plural do presente do conjuntivo para exprimir uma exortação ou um convite: «Gaudeāmus» = alegremo-nos; «Amēmus patriam» = amemos a pátria. O seu correspondente na 3.ª pessoa é o valor jussivo, uma ordem: «Ueniat» = que venha. A negação faz-se com nē, e não com nōn: «Nē timeāmus» = não temamos.
Ainda no campo volitivo, o valor optativo (ou desiderativo) exprime um desejo, muitas vezes assinalado pela partícula utinam. O tempo gradua a possibilidade de o desejo se cumprir: «Utinam ueniat» = oxalá venha (presente = desejo ainda realizável); «Utinam ueniret» = oxalá viesse (imperfeito = desejo não realizado, no presente); «Utinam uenisset» = oxalá tivesse vindo (mais-que-perfeito = desejo não realizado, no passado).
No campo potencial, o valor potencial exprime uma possibilidade ou eventualidade («poderia», «dir-se-ia»): «Aliquis dicat» = alguém poderia dizer; para o passado usa-se o imperfeito. O valor dubitativo (ou deliberativo) exprime uma dúvida ou deliberação, em regra numa pergunta: «Quid faciam?» = que hei de fazer? (presente, deliberação no presente); «Quid facerem?» = que havia eu de fazer? (imperfeito, deliberação no passado). Note-se que este valor potencial é a semente da apódose condicional que se estudará a seguir (ver Fig. 3).
Exemplo resolvido

Identificar o valor do conjuntivo independente

Classifica o valor do conjuntivo e traduz: (a) «Amēmus patriam»; (b) «Utinam ueniat»; (c) «Quid faciam?».

  1. 01(a) Amēmus patriam

    amēmus é a 1.ª pessoa do plural do presente do conjuntivo de amāre. Na oração independente, a 1.ª pessoa do plural exprime exortação: valor exortativo (hortativo). Traduz-se «Amemos a pátria».

  2. 02(b) Utinam ueniat

    ueniat é o presente do conjuntivo de uenīre, precedido de utinam, marca do desejo: valor optativo (desiderativo). Traduz-se «Oxalá venha».

  3. 03(c) Quid faciam?

    faciam é o presente do conjuntivo de facere, numa pergunta sobre o que fazer: valor dubitativo (deliberativo). Traduz-se «Que hei de fazer?».

Resultado: (a) exortativo — «Amemos a pátria»; (b) optativo — «Oxalá venha»; (c) dubitativo — «Que hei de fazer?»: o mesmo modo, o conjuntivo, exprime exortação, desejo ou deliberação conforme o contexto (ver Fig. 3).

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o valor do conjuntivo numa oração independente (exortativo, optativo, potencial, dubitativo) e traduzi-lo com rigor.
  • Reconhecer utinam e a 1.ª pessoa do plural como marcas do desejo e da exortação.

Erros frequentes

  • Traduzir o exortativo (Gaudeāmus) por um presente do indicativo («alegramo-nos») em vez de «alegremo-nos».
  • Não reconhecer utinam como marca do desejo e traduzir ueniat por «vem».
  • Confundir o dubitativo «Quid faciam?» («que hei de fazer?») com uma simples pergunta de indicativo («que faço?»).

Revisão ativa

Classifica o valor do conjuntivo e traduz: «Utinam pax sit», «Gaudeāmus» e «Quid dicam?».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Valores do conjuntivo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

As orações condicionais: realis, potentialis, irrealis#

●●○PadrãoLPAE-latim-b-condicionais-conjuntivo

Pontos-chave

Uma oração condicional articula duas partes: a prótase, a oração subordinada introduzida por si («se») — negativa nisi, que equivale a si non («se não») —, e a apódose, a oração principal, que enuncia a consequência. Todo o período se classifica, segundo o modo e o tempo dos seus verbos, em três tipos: realis, potentialis e irrealis. A chave da classificação está sempre no verbo da prótase (ver Fig. 4 e 5).

Os três tipos de oração condicional

Os três tipos de condicionalTabela com 5 colunas e 4 linhas, Dados: Tipo · Prótase (verbo com si) · Apódose · Exemplo latino · Tradução; Realis (real) · indicativo · indicativo · Si hoc dicis, erras · Se dizes isto, erras; Potentialis (possível) · presente do conjuntivo · presente do conjuntivo · Si hoc dicas, erres · Se disseres isto, errarias; Irreal do presente · imperfeito do conjuntivo · imperfeito do conjuntivo · Si hoc diceres, errares · Se dissesses isto, errarias; Irreal do passado · m.-q.-perf. do conjuntivo · m.-q.-perf. do conjuntivo · Si hoc dixisses, errauisses · Se tivesses dito isto, terias errado, célula destacada: presente do conjuntivoTIPOPRÓTASE (VERBO COM SI)APÓDOSEEXEMPLO LATINOTRADUÇÃOREALIS (REAL)indicativoindicativoSi hoc dicis, errasSe dizes isto, errasPOTENTIALIS(POSSÍVEL)presente do conjuntivopresente do conjuntivoSi hoc dicas, erresSe disseres isto, errariasIRREAL DO PRESENTEimperfeito do conjuntivoimperfeito do conjuntivoSi hoc diceres, erraresSe dissesses isto, errariasIRREAL DO PASSADOm.-q.-perf. do conjuntivom.-q.-perf. do conjuntivoSi hoc dixisses, errauissesSe tivesses dito isto,terias errado
Fig. 4Fig. 4 — Os três tipos de condicional distinguem-se pelo modo e tempo do verbo da prótase.
A condição real (realis) constrói-se com si + indicativo, e apresenta a condição como um facto, de modo neutro: «Si hoc dicis, erras» = se dizes isto, erras. O latim mantém o indicativo mesmo quando a condição se projeta no futuro, onde o português prefere o futuro do conjuntivo: «Si ueniet, gaudēbō» = se vier, alegrar-me-ei. É a condicional mais simples e a mais frequente nos textos.
A condição possível ou eventual (potentialis) constrói-se com si + presente do conjuntivo (por vezes o perfeito) nas duas orações, e perspetiva a condição como algo meramente possível, não afirmado como facto: «Si hoc dicas, erres» = se disseres isto, errarias. Em português, verte-se com o futuro do conjuntivo na prótase e o condicional na apódose — o matiz de «poderia acontecer» distingue-a claramente da realis.
A condição irreal (irrealis) apresenta a condição como contrária à realidade, e desdobra-se em dois tempos. O irreal do presente usa si + imperfeito do conjuntivo, contrariando um facto presente: «Si hoc diceres, errares» = se dissesses isto (agora), errarias. O irreal do passado usa si + mais-que-perfeito do conjuntivo, contrariando um facto passado: «Si hoc dixisses, errauisses» = se tivesses dito isto, terias errado — como no célebre provérbio «Si tacuisses, philosophus mansisses» = se te tivesses calado, terias permanecido filósofo. Em suma, o modo e o tempo da prótase decidem tudo: indicativo » realis; presente do conjuntivo » potentialis; imperfeito » irreal do presente; mais-que-perfeito » irreal do passado (ver Fig. 5).

Que tipo de condicional?

Que tipo de condicional?Diagrama em árvore, 4 caminhos, Dados: si + indicativo → Realis (facto real); si + pres. conj. → Potentialis; si + imperf. conj. → Irreal do presente; si + m.q.perf. conj. → Irreal do passadosi + indicativosi + pres. conj.si + imperf. conj.si + m.q.perf. conj.Tipo de condicional?Realis (facto real)PotentialisIrreal do presenteIrreal do passado
Fig. 5Fig. 5 — Que tipo de condicional? O modo e o tempo do verbo da prótase decidem.
Exemplo resolvido

Classificar e traduzir um período condicional

Classifica quanto ao tipo e traduz «Si hoc dixisses, errauisses»; compara depois com «Si hoc diceres, errares».

  1. 01Isolar as orações

    A prótase é «si hoc dixisses» (a condição); a apódose é «errauisses» (a consequência).

  2. 02Analisar o verbo da prótase

    dixisses é o mais-que-perfeito do conjuntivo de dīcere. si + mais-que-perfeito do conjuntivo = condição irreal do passado (contrária a um facto passado).

  3. 03Confirmar pela apódose

    errauisses é também mais-que-perfeito do conjuntivo (de errāre): a irrealidade estende-se às duas orações.

  4. 04Traduzir

    O irreal do passado verte-se pelo m.-q.-perf. do conjuntivo mais o condicional composto: «Se tivesses dito isto, terias errado».

  5. 05Comparar

    «Si hoc diceres, errares» tem imperfeito do conjuntivo: é o irreal do presente — «Se dissesses isto (agora), errarias».

Resultado: «Si hoc dixisses, errauisses» é uma condicional irreal do passado — «Se tivesses dito isto, terias errado»; com o imperfeito do conjuntivo (diceres/errares) seria irreal do presente — «Se dissesses isto, errarias» (ver Fig. 4 e 5).

Foco no Exame Nacional

  • Classificar uma oração condicional nos três tipos (realis, potentialis, irrealis) a partir do modo e tempo do verbo da prótase.
  • Traduzir cada tipo pela estrutura portuguesa adequada (indicativo; futuro do conjuntivo + condicional; imperfeito ou m.-q.-perf. do conjuntivo + condicional).

Erros frequentes

  • Classificar a condicional pela apódose e não pela prótase, ou ignorar o modo/tempo do verbo (o indicativo dá realis; o conjuntivo, potentialis ou irrealis).
  • Traduzir a potentialis (si + presente do conjuntivo) como se fosse real, perdendo o valor de «errarias» (condicional).
  • Confundir o irreal do presente (imperfeito do conjuntivo) com o irreal do passado (mais-que-perfeito do conjuntivo).

Revisão ativa

Classifica quanto ao tipo (realis, potentialis, irrealis) e traduz: «Si hoc dicis, erras»; «Si hoc dicas, erres»; «Si hoc dixisses, errauisses».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Orações subordinadas condicionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A consecutio temporum#

●●●AprofundamentoLPAE-latim-b-condicionais-conjuntivo

Pontos-chave

Muitas orações subordinadas exigem o conjuntivo — as interrogativas indiretas, as orações com cum (histórico ou causal), as finais e as consecutivas com ut, entre outras. Nessas subordinadas, o tempo do conjuntivo não é livre: é fixado por uma regra de concordância chamada consecutio temporum («sequência dos tempos»), que depende de dois fatores (ver Fig. 6).

A consecutio temporum

A consecutio temporumTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Verbo regente · Relação temporal · Tempo do conjuntivo · Exemplo (tradução); Principal (pres., fut., perf. lógico) · simultânea ou posterior · presente do conjuntivo · Rogō quid faciās — pergunto o que fazes; Principal (pres., fut., perf. lógico) · anterior · perfeito do conjuntivo · Rogō quid fēceris — pergunto o que fizeste; Histórico (imperf., perf. histórico, m.-q.-perf.) · simultânea ou posterior · imperfeito do conjuntivo · Rogābam quid facerēs — perguntava o que fazias; Histórico (imperf., perf. histórico, m.-q.-perf.) · anterior · m.-q.-perf. do conjuntivo · Rogābam quid fēcissēs — perguntava o que tinhas feito, célula destacada: imperfeito do conjuntivoVERBO REGENTERELAÇÃO TEMPORALTEMPO DO CONJUNTIVOEXEMPLO (TRADUÇÃO)PRINCIPAL (PRES.,FUT., PERF.LÓGICO)simultânea ou posteriorpresente do conjuntivoRogō quid faciās — perguntoo que fazesPRINCIPAL (PRES.,FUT., PERF.LÓGICO)anteriorperfeito do conjuntivoRogō quid fēceris — perguntoo que fizesteHISTÓRICO(IMPERF., PERF.HISTÓRICO, M.-Q.-PERF.)simultânea ou posteriorimperfeito do conjuntivoRogābam quid facerēs —perguntava o que faziasHISTÓRICO(IMPERF., PERF.HISTÓRICO, M.-Q.-PERF.)anteriorm.-q.-perf. do conjuntivoRogābam quid fēcissēs —perguntava o que tinhasfeito
Fig. 6Fig. 6 — O tempo do verbo regente e a relação temporal fixam o tempo do conjuntivo subordinado.
O primeiro fator é o tempo do verbo regente (o da oração principal), que se reparte em dois grupos. São tempos principais o presente, o futuro, o futuro perfeito e o perfeito «lógico» (com valor de presente, «tenho feito»). São tempos históricos o imperfeito, o perfeito «histórico» (a simples narração do passado, «fiz») e o mais-que-perfeito. Um mesmo perfeito pode, pois, ser principal ou histórico consoante o seu valor.
O segundo fator é a relação temporal entre a ação da subordinada e a do verbo regente: ação simultânea (ou posterior) ou ação anterior. Cruzando os dois fatores obtém-se a regra: verbo regente principal + ação simultânea » presente do conjuntivo; principal + ação anterior » perfeito do conjuntivo; verbo regente histórico + ação simultânea » imperfeito do conjuntivo; histórico + ação anterior » mais-que-perfeito do conjuntivo (ver Fig. 6).
A interrogativa indireta ilustra bem os quatro casos: «Rogō quid faciās» = pergunto o que fazes (principal + simultânea); «Rogō quid fēceris» = pergunto o que fizeste (principal + anterior); «Rogābam quid facerēs» = perguntava o que fazias (histórico + simultânea); «Rogābam quid fēcissēs» = perguntava o que tinhas feito (histórico + anterior). Dominar a consecutio é decisivo para traduzir e compor subordinadas com rigor: é o ponto em que a morfologia dos quatro tempos do conjuntivo (secção 1) se põe ao serviço da sintaxe.
Exemplo resolvido

Aplicar a consecutio temporum

Explica o tempo do conjuntivo em «Rogō quid faciās» e em «Rogābam quid fēcissēs» e traduz cada frase.

  1. 01Rogō quid faciās

    O verbo regente rogō está no presente (tempo principal); a ação de faciās é simultânea à dele. Principal + simultânea » presente do conjuntivo (faciās). Traduz-se «Pergunto o que fazes».

  2. 02Rogābam quid fēcissēs

    O verbo regente rogābam está no imperfeito (tempo histórico); a ação de fēcissēs é anterior à dele. Histórico + anterior » mais-que-perfeito do conjuntivo (fēcissēs). Traduz-se «Perguntava o que tinhas feito».

  3. 03Enunciar a regra

    O tempo do verbo regente (principal ou histórico) e a relação temporal (simultânea/posterior ou anterior) determinam, em conjunto, o tempo do conjuntivo subordinado.

Resultado: Em «Rogō quid faciās» (principal + simultânea) usa-se o presente do conjuntivo — «Pergunto o que fazes»; em «Rogābam quid fēcissēs» (histórico + anterior) usa-se o mais-que-perfeito do conjuntivo — «Perguntava o que tinhas feito» (ver Fig. 6).

Foco no Exame Nacional

  • Aplicar a consecutio temporum: deduzir o tempo do conjuntivo subordinado a partir do tempo do verbo regente e da relação temporal.
  • Justificar a tradução de uma subordinada com conjuntivo pela concordância dos tempos (análise morfossintática fundamentada).

Erros frequentes

  • Escolher o tempo do conjuntivo pela tradução portuguesa em vez de o deduzir do tempo do verbo regente (principal ou histórico).
  • Esquecer que o perfeito «lógico» (com valor de presente) rege tempo principal, mas o perfeito «histórico» rege tempo histórico.
  • Usar o presente do conjuntivo depois de um verbo regente no imperfeito, quando a regra pede o imperfeito do conjuntivo.

Revisão ativa

Indica o tempo do conjuntivo exigido e traduz: «Rogō quid ___» (facere, ação simultânea) e «Rogābam quid ___» (facere, ação anterior).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Consecutio temporum) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O modo conjuntivo: formas e os quatro tempos○
    • 02Valores do conjuntivo na oração independente◐
    • 03As orações condicionais: realis, potentialis, irrealis◐
    • 04A consecutio temporum●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Orações subordinadas condicionais e conjuntivo

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Morfologia verbal: o conjuntivo)

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