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Resumos/Latim A/Nomes, as cinco declinações e a função dos casos
Resumos · Latim APT · Secundário

Nomes, as cinco declinações e a função dos casos

O latim é uma língua flexiva: o nome não muda de posição para mudar de função, muda de terminação. Cada nome distribui-se por uma das cinco declinações, reconhecível pela terminação do genitivo singular, e assume seis casos, cada um com funções sintáticas próprias. Dominar as declinações e a função dos casos é a chave de toda a leitura e tradução.

5 secções·~17 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0222 / 17
Perfil de exame
Atribuir um nome à sua declinação a partir do enunciado (nominativo + genitivo)Declinar um nome nos seis casos e nos dois númerosRelacionar cada caso com a sua função sintática
Operadores:declinaidentificarelacionaanalisatraduz

nível básico

Reconhecer a declinação de um nome pelo genitivo e associar cada caso à sua função básica.

nível avançado

Declinar com segurança as cinco declinações, incluindo os temas em -i e os neutros da 3.ª, e analisar a função dos casos num texto.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Nomes, as cinco declinações e a função dos casos
    • 01A flexão nominal e as cinco declinações○
    • 02Os seis casos e as suas funções◐
    • 03A 1.ª e a 2.ª declinações◐
    • 04A 3.ª declinação●
    • 05A 4.ª e a 5.ª declinações◐
§ 01

A flexão nominal e as cinco declinações#

●○○BaseLPAE-latim-a-morfologia-nome

Pontos-chave

O latim é uma língua flexiva ou de casos: aquilo que em português se exprime pela ordem das palavras e pelas preposições, o latim exprime-o pela terminação (a desinência) do nome. Uma mesma palavra muda de forma consoante a função que desempenha na frase — sujeito, complemento direto, complemento do nome, e assim por diante. Por isso, cada nome se apresenta no dicionário com duas formas: o nominativo e o genitivo singular. É a terminação do genitivo singular que revela a declinação a que a palavra pertence e, com ela, todo o conjunto de terminações que assumirá (ver Fig. 1).

As cinco declinações

As cinco declinaçõesTabela com 5 colunas e 5 linhas, Dados: Declinação · Genitivo singular · Tema · Género dominante · Exemplo; 1.ª · -ae · -a · feminino · rosa, rosae; 2.ª · -ī · -o · masculino e neutro · dominus, dominī; bellum, bellī; 3.ª · -is · consoante ou -i · os três géneros · consul, consulis; 4.ª · -ūs · -u · masculino · fructus, fructūs; 5.ª · -eī · -e · feminino · rēs, reī, célula destacada: -isDECLINAÇÃOGENITIVO SINGULARTEMAGÉNERO DOMINANTEEXEMPLO1.ª-ae-afemininorosa, rosae2.ª-ī-omasculino e neutrodominus, dominī; bellum,bellī3.ª-isconsoante ou -ios três génerosconsul, consulis4.ª-ūs-umasculinofructus, fructūs5.ª-eī-efemininorēs, reī
Fig. 1Fig. 1 — A terminação do genitivo singular identifica a declinação e, com ela, todo o paradigma.
As declinações são cinco, cada uma identificável pela vogal temática e pela desinência do genitivo singular: a 1.ª em -ae (rosa, rosae; tema em -a, em regra feminina); a 2.ª em -ī (dominus, dominī e bellum, bellī; tema em -o, masculina e neutra); a 3.ª em -is (a mais ampla e variada, com temas em consoante e em -i, dos três géneros); a 4.ª em -ūs (fructus, fructūs; tema em -u, sobretudo masculina); e a 5.ª em -eī (rēs, reī; tema em -e, em regra feminina). Memorizar o genitivo singular de um nome é possuir a chave de todo o seu paradigma.
A cada nome pertencem um género — masculino, feminino ou neutro — e dois números, singular e plural. O género nem sempre se adivinha pela terminação e deve aprender-se com a palavra (por isso o dicionário indica m., f. ou n.). Há, porém, uma regularidade importante e universal: nos nomes neutros, o nominativo, o vocativo e o acusativo são sempre iguais entre si, e no plural terminam em -a. Esta regra dos neutros aplica-se a todas as declinações que os possuem (a 2.ª, a 3.ª e a 4.ª) e evita muitos erros de análise.
Daqui resulta a importância do enunciado dicionarizado. Quando o dicionário dá «rosa, rosae, f.», está a dizer três coisas de uma só vez: que a palavra é da 1.ª declinação (genitivo -ae), que é feminina, e — implicitamente — que se declinará como todas as palavras dessa declinação. Ler o enunciado é, pois, o primeiro gesto de qualquer análise ou tradução: sem ele, não se sabe declinar nem reconhecer as formas no texto. Todo o estudo da morfologia nominal assenta neste princípio simples: o genitivo é a chave.
Exemplo resolvido

Atribuir um nome à sua declinação

A partir do enunciado «ciuitas, ciuitatis (f.)» (= cidade, comunidade de cidadãos), determina a declinação e o que mais te diz o enunciado.

  1. 01Ler o enunciado

    A primeira forma (ciuitas) é o nominativo singular; a segunda (ciuitatis) é o genitivo singular; f. indica o género feminino.

  2. 02Identificar a declinação

    O genitivo singular termina em -is: logo, a palavra é da 3.ª declinação (a das terminações em -is).

  3. 03Extrair o tema

    Retirando o -is do genitivo (ciuitat-is) obtém-se o tema ciuitat-, ao qual se juntam as desinências dos vários casos.

Resultado: ciuitas, ciuitatis é um nome feminino da 3.ª declinação, de tema ciuitat-: a terminação -is do genitivo é a chave que identifica a declinação e dá o tema.

Foco no Exame Nacional

  • Atribuir um nome à sua declinação a partir da terminação do genitivo singular do enunciado.
  • Aplicar a regra dos neutros (nominativo = vocativo = acusativo; plural em -a).

Erros frequentes

  • Identificar a declinação pela terminação do nominativo (enganosa) e não pela do genitivo (a verdadeira chave).
  • Julgar o género pela terminação (nem sempre fiável — agricola é masculino apesar do -a).
  • Traduzir um nominativo plural neutro em -a como se fosse um feminino singular da 1.ª declinação.

Revisão ativa

Dado o enunciado «ciuitas, ciuitatis (f.)», indica a declinação a que a palavra pertence, justifica pela terminação do genitivo e diz que informação te dá ainda o enunciado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Morfologia do nome) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Os seis casos e as suas funções#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-morfologia-nome

Pontos-chave

O latim tem seis casos, e cada caso corresponde, em primeira aproximação, a uma função sintática (ver Fig. 2). Compreender esta correspondência é mais importante do que decorar terminações soltas, porque é ela que permite traduzir: reconhecer o caso de uma palavra é reconhecer o papel que ela desempenha na frase. Os seis casos são o nominativo, o vocativo, o acusativo, o genitivo, o dativo e o ablativo.

Os seis casos e as suas funções

Os casos e as funçõesroda segmentada, 6 segmentos, Dados: Os 6 casos, Nominativo, Vocativo, Acusativo, Genitivo, Dativo, AblativoNominativosujeitoVocativoapeloAcusativocompl. diretoGenitivocompl. do nomeDativocompl. indiretoAblativocircunstânciasOs 6 casos
Fig. 2Fig. 2 — A cada caso corresponde, em primeira aproximação, uma função sintática.
Os três primeiros casos ligam-se sobretudo ao núcleo da frase. O nominativo é o caso do sujeito e do predicativo do sujeito (Roma est urbs — «Roma é uma cidade»: Roma e urbs estão ambos no nominativo). O vocativo é o caso do apelo, de quem se interpela (Salue, amice! — «Olá, amigo!»). O acusativo é, por excelência, o caso do complemento direto (amo rosam — «amo a rosa») e exprime ainda o movimento para um lugar (eo Romam — «vou para Roma»).
Os três casos seguintes exprimem relações mais «oblíquas». O genitivo é o caso do complemento do nome, sobretudo de posse (liber pueri — «o livro do menino»): liga um nome a outro. O dativo é o caso do complemento indireto, o do destinatário (do rosam puellae — «dou a rosa à menina»). O ablativo é o caso das circunstâncias — meio ou instrumento, lugar, tempo, modo, companhia —, muitas vezes com preposição, e corresponde grosso modo aos nossos complementos circunstanciais (gladiō pugnat — «luta com a espada»; ver Fig. 3).

Cada caso e a sua função

Casos e funçõesTabela com 4 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · Função principal · Exemplo latino · Tradução; Nominativo · sujeito e predicativo · Roma est urbs · Roma é uma cidade; Vocativo · apelo, interpelação · Salue, amice! · Olá, amigo!; Acusativo · compl. direto; movimento para · amo rosam · amo a rosa; Genitivo · compl. do nome (posse) · liber pueri · o livro do menino; Dativo · compl. indireto (destinatário) · do rosam puellae · dou a rosa à menina; Ablativo · circunstância (meio, lugar…) · gladiō pugnat · luta com a espada, célula destacada: compl. direto; movimento paraCASOFUNÇÃO PRINCIPALEXEMPLO LATINOTRADUÇÃONOMINATIVOsujeito e predicativoRoma est urbsRoma é uma cidadeVOCATIVOapelo, interpelaçãoSalue, amice!Olá, amigo!ACUSATIVOcompl. direto; movimentoparaamo rosamamo a rosaGENITIVOcompl. do nome (posse)liber puerio livro do meninoDATIVOcompl. indireto(destinatário)do rosam puellaedou a rosa à meninaABLATIVOcircunstância (meio, lugar…)gladiō pugnatluta com a espada
Fig. 3Fig. 3 — A função de cada caso, com um exemplo e a sua tradução em português.
A consequência prática é decisiva: uma mesma palavra muda de tradução consoante o caso. rosa (nominativo) é «a rosa» sujeito; rosam (acusativo) é «a rosa» complemento direto; rosae (genitivo/dativo) é «da rosa» ou «à rosa»; rosā (ablativo) é «com/pela rosa». Traduzir latim é, antes de mais, ler os casos e converter cada função na estrutura portuguesa correspondente — com preposição, com artigo, com a ordem certa. É por isso que a função dos casos é o verdadeiro coração da língua.
Exemplo resolvido

Analisar os casos de uma frase

Analisa o caso e a função de cada palavra da frase «Puella rosam agricolae dat» e traduz.

  1. 01puella

    Nominativo singular da 1.ª declinação: é o sujeito («a menina»).

  2. 02rosam

    Acusativo singular da 1.ª declinação: é o complemento direto («a rosa»).

  3. 03agricolae

    Dativo singular da 1.ª declinação: é o complemento indireto, o destinatário («ao agricultor»).

  4. 04dat

    Verbo dare na 3.ª pessoa do singular do presente: «dá». O sujeito (puella) concorda com ele.

Resultado: A frase significa «A menina dá a rosa ao agricultor»: puella (nom., sujeito), rosam (acus., compl. direto), agricolae (dat., compl. indireto) — cada caso indica a função.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o caso de uma palavra num texto e indicar a sua função sintática.
  • Traduzir cada caso pela estrutura portuguesa adequada (preposição, posição, artigo).

Erros frequentes

  • Confundir casos homógrafos (rosae serve de genitivo, de dativo e de nominativo plural) sem recorrer ao contexto sintático.
  • Traduzir o ablativo sempre pela mesma preposição, ignorando os seus muitos valores (meio, lugar, tempo, modo).
  • Não reconhecer que o predicativo do sujeito vai também para nominativo, e não para acusativo.

Revisão ativa

Na frase «Puella rosam agricolae dat», indica o caso e a função de cada palavra (puella, rosam, agricolae) e traduz a frase.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Funções dos casos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A 1.ª e a 2.ª declinações#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-morfologia-nome

Pontos-chave

A 1.ª declinação agrupa os nomes de tema em -a, com genitivo singular em -ae, na sua grande maioria femininos (rosa, puella, uia, aqua). O seu paradigma é o mais regular e o primeiro a aprender-se (ver Fig. 4). Distingue-se em particular pelo ablativo singular em -ā (longo, rosā), que só o mácron separa do nominativo rosă, e pelo genitivo plural em -ārum. Há alguns masculinos importantes, geralmente nomes de profissão ou de origem: agricola (agricultor), nauta (marinheiro), poeta (poeta), incola (habitante) — masculinos apesar do -a.

Paradigma da 1.ª declinação: rosa

1.ª declinação — rosaTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · Singular · Plural; Nominativo · rosa · rosae; Vocativo · rosa · rosae; Acusativo · rosam · rosās; Genitivo · rosae · rosārum; Dativo · rosae · rosīs; Ablativo · rosā · rosīs, célula destacada: rosāCASOSINGULARPLURALNOMINATIVOrosarosaeVOCATIVOrosarosaeACUSATIVOrosamrosāsGENITIVOrosaerosārumDATIVOrosaerosīsABLATIVOrosārosīs
Fig. 4Fig. 4 — A 1.ª declinação (rosa, rosae, f.): repare-se no ablativo singular -ā e no genitivo plural -ārum.
A 2.ª declinação agrupa os nomes de tema em -o, com genitivo singular em -ī, e comporta dois géneros: masculinos, terminados em -us (dominus) ou em -er (puer, ager), e neutros, terminados em -um (bellum, templum, donum). O seu paradigma (ver Fig. 5) mostra bem o contraste entre o masculino e o neutro: enquanto dominus distingue nominativo (dominus), acusativo (dominum) e as restantes formas, o neutro bellum tem nominativo, vocativo e acusativo iguais (bellum) e plural em -a (bella).

Paradigma da 2.ª declinação: dominus e bellum

2.ª declinação — dominus / bellumTabela com 5 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · dominus (m.) sing. · dominus plural · bellum (n.) sing. · bellum plural; Nominativo · dominus · dominī · bellum · bella; Vocativo · domine · dominī · bellum · bella; Acusativo · dominum · dominōs · bellum · bella; Genitivo · dominī · dominōrum · bellī · bellōrum; Dativo · dominō · dominīs · bellō · bellīs; Ablativo · dominō · dominīs · bellō · bellīs, célula destacada: domineCASODOMINUS (M.) SING.DOMINUS PLURALBELLUM (N.) SING.BELLUM PLURALNOMINATIVOdominusdominībellumbellaVOCATIVOdominedominībellumbellaACUSATIVOdominumdominōsbellumbellaGENITIVOdominīdominōrumbellībellōrumDATIVOdominōdominīsbellōbellīsABLATIVOdominōdominīsbellōbellīs
Fig. 5Fig. 5 — A 2.ª declinação: o masculino dominus e o neutro bellum (nom. = voc. = acus.; plural -a).
A 2.ª declinação reserva a única grande irregularidade do vocativo em todo o sistema nominal: nos nomes masculinos em -us, o vocativo singular termina em -e (domine!, «ó senhor!»), e não em -us como o nominativo. É o único caso em que o vocativo difere do nominativo. Nos nomes em -ius, o vocativo contrai-se em -ī (fili!, «ó filho!»). Nos nomes em -er, deve verificar-se se o e se mantém (puer, pueri — mantém) ou cai (ager, agri — cai): o genitivo revela-o.
Estas duas declinações são as mais rentáveis da língua: cobrem uma enorme parte do vocabulário e, sobretudo, servem de modelo aos adjetivos de 1.ª classe (bonus, bona, bonum), que se estudarão a seguir — o masculino e o neutro pela 2.ª declinação, o feminino pela 1.ª. Dominar rosa, dominus e bellum é, por isso, dominar o esqueleto de grande parte da morfologia latina. Convém memorizá-las até ao automatismo.
Exemplo resolvido

Reconhecer uma forma ambígua pela sintaxe

Na frase «Serui dominō parent», analisa a forma dominō (indicando caso e função) e traduz a frase (parere = obedecer, rege dativo).

  1. 01Identificar dominō

    dominō é uma forma da 2.ª declinação que serve de dativo e de ablativo singulares. É preciso decidir pela sintaxe.

  2. 02Analisar o verbo

    O verbo parere (obedecer) rege complemento no dativo. Logo, dominō é aqui dativo, complemento do verbo («ao senhor»).

  3. 03Analisar o resto

    serui é nominativo plural de seruus (= os escravos), o sujeito; parent é a 3.ª pessoa do plural («obedecem»).

Resultado: A frase significa «Os escravos obedecem ao senhor»: dominō é dativo (não ablativo), porque o verbo parere rege dativo — a sintaxe desfaz a ambiguidade da forma.

Foco no Exame Nacional

  • Declinar e reconhecer as formas da 1.ª e da 2.ª declinações, incluindo o ablativo -ā e o vocativo -e/-ī.
  • Distinguir, na 2.ª declinação, o paradigma masculino do neutro (bellum: nom. = voc. = acus.; plural -a).

Erros frequentes

  • Confundir o ablativo rosā (com a longo) com o nominativo rosă (com a breve) — só o contexto e o mácron os separam.
  • Dar ao vocativo de dominus a forma dominus em vez de domine (e a filius o vocativo fili).
  • Tratar um masculino da 1.ª declinação (agricola, nauta) como se fosse feminino por causa do -a.

Revisão ativa

Declina por inteiro, nos dois números, o nome puella (1.ª decl.) e o nome templum (2.ª decl., neutro), e assinala as formas em que o neutro tem nominativo, vocativo e acusativo iguais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (1.ª e 2.ª declinações) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A 3.ª declinação#

●●●AprofundamentoLPAE-latim-a-morfologia-nome

Pontos-chave

A 3.ª declinação é a mais ampla e a mais variada do latim: reúne nomes dos três géneros, com o genitivo singular em -is, e com nominativos de formas muito diversas (consul, ciuis, corpus, mare, urbs, rex, nomen). Esta variedade dos nominativos assusta ao princípio, mas tem um antídoto simples: como o genitivo é sempre em -is, basta retirar-lhe o -is para obter o tema, ao qual se juntam depois desinências regulares. O nominativo é a exceção; o genitivo é a regra.
Dentro da 3.ª declinação distinguem-se dois grandes grupos. Os temas em consoante (consul, consulis; rex, regis; corpus, corporis) seguem o paradigma básico (ver Fig. 6), com genitivo plural em -um. Os temas em -i (ciuis, ciuis; urbs, urbis; mare, maris) apresentam algumas terminações próprias, sobretudo o genitivo plural em -ium (ciuium, urbium) e, nos neutros, o nominativo/acusativo plural em -ia (maria) e por vezes o ablativo singular em -ī. Reconhecer se um nome é «imparissílabo» (mais sílabas no genitivo) ou tem o tema em -i ajuda a prever o -ium.

Paradigma da 3.ª declinação: consul e corpus

3.ª declinação — consul / corpusTabela com 5 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · consul (m.) sing. · consul plural · corpus (n.) sing. · corpus plural; Nominativo · consul · consulēs · corpus · corpora; Vocativo · consul · consulēs · corpus · corpora; Acusativo · consulem · consulēs · corpus · corpora; Genitivo · consulis · consulum · corporis · corporum; Dativo · consulī · consulibus · corporī · corporibus; Ablativo · consule · consulibus · corpore · corporibus, célula destacada: consulisCASOCONSUL (M.) SING.CONSUL PLURALCORPUS (N.) SING.CORPUS PLURALNOMINATIVOconsulconsulēscorpuscorporaVOCATIVOconsulconsulēscorpuscorporaACUSATIVOconsulemconsulēscorpuscorporaGENITIVOconsulisconsulumcorporiscorporumDATIVOconsulīconsulibuscorporīcorporibusABLATIVOconsuleconsulibuscorporecorporibus
Fig. 6Fig. 6 — A 3.ª declinação: o masculino consul e o neutro corpus; o tema (consul-, corpor-) vem do genitivo.
Os neutros da 3.ª declinação (corpus, corporis; nomen, nominis; mare, maris) obedecem, como todos os neutros, à regra geral: nominativo, vocativo e acusativo iguais, e plural em -a (ou -ia nos temas em -i). São muito frequentes e o seu nominativo costuma ser irregular (corpus, mas tema corpor-; nomen, mas tema nomin-), pelo que só o genitivo mostra o verdadeiro tema. Daí, mais uma vez, a importância de aprender sempre o par nominativo + genitivo.
O conselho prático resume toda a declinação: para qualquer nome da 3.ª, toma o genitivo, retira-lhe o -is e tens o tema; a esse tema juntas as desinências (-em no acusativo singular, -ēs no nominativo/acusativo plural dos não-neutros, -ibus no dativo/ablativo plural). Assim, rex/regis dá regem, regis, regī, rege no singular e regēs, regum, regibus no plural. Interiorizado este mecanismo, a aparente desordem dos nominativos torna-se inofensiva, e a 3.ª declinação — a mais usada nos textos — deixa de ser um obstáculo.
Exemplo resolvido

Declinar um nome da 3.ª a partir do tema

A partir do enunciado «rex, regis (m.)» (= rei), obtém o tema e declina o singular.

  1. 01Obter o tema

    Do genitivo regis retira-se o -is: fica o tema reg-.

  2. 02Formar o singular

    Nominativo rex (irregular); ao tema reg- juntam-se: acusativo regem, genitivo regis, dativo regī, ablativo rege; o vocativo é igual ao nominativo (rex).

  3. 03Antecipar o plural

    Nominativo/acusativo regēs, genitivo regum, dativo/ablativo regibus — desinências regulares sobre o tema reg-.

Resultado: Do genitivo regis obtém-se o tema reg-, e o singular declina-se rex, rex, regem, regis, regī, rege: o nominativo é a única forma irregular, tudo o resto assenta no tema.

Foco no Exame Nacional

  • Obter o tema de um nome da 3.ª declinação retirando o -is do genitivo e declinar a partir dele.
  • Distinguir os temas em consoante (gen. pl. -um) dos temas em -i (gen. pl. -ium; neutro -ia).

Erros frequentes

  • Tentar declinar a partir do nominativo (irregular) em vez do tema dado pelo genitivo.
  • Esquecer o genitivo plural -ium dos temas em -i (dizer ciuum em vez de ciuium).
  • Não aplicar a regra dos neutros aos neutros da 3.ª (corpus, mare): nom. = voc. = acus., plural -a/-ia.

Revisão ativa

A partir do enunciado «rex, regis (m.)», obtém o tema e declina o nome por inteiro nos dois números, sublinhando o acusativo singular e o genitivo plural.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (3.ª declinação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

A 4.ª e a 5.ª declinações#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-morfologia-nome

Pontos-chave

A 4.ª declinação agrupa os nomes de tema em -u, com genitivo singular em -ūs, na maioria masculinos (fructus, senatus, exercitus, manus). O seu paradigma (ver Fig. 7) reconhece-se pela recorrência do u nas terminações: nominativo -us, genitivo -ūs, dativo -uī, ablativo -ū no singular; -ūs, -uum, -ibus no plural. Há algumas exceções de género de alta frequência — manus (a mão) e domus (a casa) são femininas — e um punhado de neutros (cornu, genu), que seguem a regra dos neutros.

Paradigmas da 4.ª e da 5.ª declinações: fructus e rēs

4.ª e 5.ª declinações — fructus / rēsTabela com 5 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · fructus (4.ª) sing. · fructus plural · rēs (5.ª) sing. · rēs plural; Nominativo · fructus · fructūs · rēs · rēs; Vocativo · fructus · fructūs · rēs · rēs; Acusativo · fructum · fructūs · rem · rēs; Genitivo · fructūs · fructuum · reī · rērum; Dativo · fructuī · fructibus · reī · rēbus; Ablativo · fructū · fructibus · rē · rēbus, célula destacada: fructūsCASOFRUCTUS (4.ª) SING.FRUCTUS PLURALRĒS (5.ª) SING.RĒS PLURALNOMINATIVOfructusfructūsrēsrēsVOCATIVOfructusfructūsrēsrēsACUSATIVOfructumfructūsremrēsGENITIVOfructūsfructuumreīrērumDATIVOfructuīfructibusreīrēbusABLATIVOfructūfructibusrērēbus
Fig. 7Fig. 7 — A 4.ª declinação (fructus, tema em -u) e a 5.ª (rēs, tema em -e).
Um caso particular e muito comum é o de domus (casa), nome «misto»: umas formas seguem a 4.ª declinação (domus, domūs) e outras a 2.ª (domō, domōs), e possui ainda um locativo domī («em casa»). É um nome a aprender de cor pela sua frequência. Em geral, a 4.ª declinação, embora menos numerosa do que as três primeiras, inclui palavras muito usadas ligadas à vida pública e militar (senatus, exercitus, magistratus).
A 5.ª declinação é a mais pequena e agrupa os nomes de tema em -e, com genitivo singular em -eī, quase todos femininos (rēs, spēs, fidēs, dies). A exceção importante é dies (o dia), em geral masculino. O seu paradigma (ver Fig. 7) reconhece-se pelo e das terminações: nominativo -ēs, genitivo/dativo -eī, acusativo -em, ablativo -ē no singular; -ēs, -ērum, -ēbus no plural. Apesar de pequena, contém rēs — «coisa, assunto, realidade» —, uma das palavras mais frequentes e versáteis da língua (res publica, «a coisa pública», deu «república»).
Com estas duas declinações completa-se o sistema nominal. O princípio que o rege é sempre o mesmo — o genitivo singular identifica a declinação e dá o tema — e, com ele, qualquer nome pode ser atribuído a uma das cinco classes e declinado por inteiro. Esta base morfológica é o alicerce de tudo o que se segue: os adjetivos concordam com os nomes nestes mesmos casos, e a frase inteira organiza-se pela leitura das terminações. Dominar as cinco declinações é, verdadeiramente, aprender a ler latim.
Exemplo resolvido

Desfazer a ambiguidade de fructūs pela sintaxe

Na frase «Fructūs terrae dulcēs sunt», analisa a forma fructūs (caso, número, função) e traduz (dulcis = doce; terra, terrae = terra).

  1. 01Identificar a forma

    fructūs pode ser genitivo singular ou nominativo/acusativo plural da 4.ª declinação. É preciso decidir pelo contexto.

  2. 02Analisar a concordância

    O predicativo dulcēs está no nominativo plural e o verbo sunt («são») é plural: logo o sujeito fructūs está no nominativo plural («os frutos»).

  3. 03Analisar terrae

    terrae é genitivo singular da 1.ª declinação, complemento do nome («da terra»).

Resultado: fructūs é aqui nominativo plural (sujeito), não genitivo singular, porque concorda com dulcēs e sunt: a frase significa «Os frutos da terra são doces».

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer e declinar nomes da 4.ª (tema -u, gen. -ūs) e da 5.ª declinações (tema -e, gen. -eī).
  • Saber as exceções de género de alta frequência (manus e domus femininos; dies masculino).

Erros frequentes

  • Confundir o genitivo singular -ūs da 4.ª com o nominativo plural -ūs (iguais na grafia: fructūs).
  • Tratar manus ou domus como masculinos por causa do -us (são femininos).
  • Esquecer o caráter misto de domus (formas da 4.ª e da 2.ª) e o locativo domī.

Revisão ativa

Declina no singular fructus (4.ª decl.) e rēs (5.ª decl.), e explica por que fructūs pode ser genitivo singular ou nominativo/acusativo plural.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (4.ª e 5.ª declinações) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01A flexão nominal e as cinco declinações○
    • 02Os seis casos e as suas funções◐
    • 03A 1.ª e a 2.ª declinações◐
    • 04A 3.ª declinação●
    • 05A 4.ª e a 5.ª declinações◐

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

Nomes, as cinco declinações e a função dos casos

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~17
min
3
Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Morfologia do nome)

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Leitura, pronúncia clássica e prosódia (acentuação e quantidade vocálica e silábica)

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Adjetivos e graus (comparativo e superlativo, regulares e irregulares)

EuraStudy·Resumos T·02·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.