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Resumos/Latim A/Leitura, pronúncia clássica e prosódia (acentuação e quantidade vocálica e silábica)
Resumos · Latim APT · Secundário

Leitura, pronúncia clássica e prosódia (acentuação e quantidade vocálica e silábica)

Ler latim em voz alta exige a pronúncia clássica restaurada — a reconstrução de como falavam os Romanos cultos do tempo de Cícero e de Augusto — e o domínio da prosódia: a quantidade das vogais e das sílabas e a regra do acento (a lei da penúltima). Sem estas noções não se lê corretamente nem se escande o verso; com elas, o latim volta a soar como uma língua viva.

4 secções·~15 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 3

T·0111 / 17
Perfil de exame
Ler em voz alta um texto latino aplicando a pronúncia clássica restauradaReconhecer a quantidade vocálica (vogais longas e breves) e a quantidade silábicaDeterminar a sílaba tónica de uma palavra pela lei da penúltima
Operadores:lêidentificaaplicadistingueexplica

nível básico

Ler corretamente palavras latinas e saber onde recai o acento pela regra da penúltima.

nível avançado

Reconhecer a quantidade das sílabas (por natureza e por posição) e aplicá-la à leitura expressiva e à escansão do verso.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 4 secções▾
  1. Leitura, pronúncia clássica e prosódia (acentuação e quantidade vocálica e silábica)
    • 01O alfabeto latino e a pronúncia clássica restaurada○
    • 02Quantidade vocálica e quantidade silábica◐
    • 03A sílaba tónica: a lei da penúltima◐
    • 04Leitura expressiva de textos latinos◐
§ 01

O alfabeto latino e a pronúncia clássica restaurada#

●○○BaseLPAE-latim-a-fonetica

Pontos-chave

O alfabeto latino tem origem no alfabeto grego, transmitido a Roma pelos Etruscos, e conta com vinte e três letras. Não distinguia graficamente algumas letras que hoje separamos: não havia J nem U nem W. A letra I servia ao mesmo tempo de vogal (i) e de consoante (o nosso j), e a letra V (escrita também u) servia de vogal (u) e de consoante (o nosso v). É por isso que se escreve uita e não vita, Iulius e não Julius: são as mesmas letras a fazer duas funções. A pronúncia que adotamos é a chamada pronúncia clássica restaurada — a reconstrução, feita pela linguística, do modo como falavam os Romanos cultos dos séculos I a.C. e I d.C., a época de Cícero, de César e de Augusto (ver Fig. 1).

Grafias e sons na pronúncia clássica restaurada

Pronúncia clássica restauradaTabela com 4 colunas e 10 linhas, Dados: Grafia · Som (pronúncia clássica) · Exemplo · Nota; c · /k/ sempre · Cicero = «Kíkero» · nunca /s/; g · /g/ oclusivo sempre · gigas = «gígas» · nunca /ʒ/; u / V · vogal /u/ ou consoante /w/ · uita = «wíta» · u antes de vogal = /w/; i · vogal /i/ ou consoante /j/ · Iulius = «Yúlius» · i antes de vogal = /j/; s · /s/ surdo sempre · rosa = «rósa» · nunca /z/; t · /t/ sempre · natio = «nátio» · nunca /s/ diante de i; r · /r/ vibrante · Roma = «Rróma» · sempre rolado; h · aspiração leve · homo = «hómo» · um sopro suave; qu · /kw/ · qui = «kwi» · com u sempre audível; ch, ph, th · /kʰ, pʰ, tʰ/ aspiradas · philosophia · em empréstimos gregos, célula destacada: /k/ sempreGRAFIASOM (PRONÚNCIACLÁSSICA)EXEMPLONOTAc/k/ sempreCicero = «Kíkero»nunca /s/g/g/ oclusivo sempregigas = «gígas»nunca /ʒ/u / Vvogal /u/ ou consoante /w/uita = «wíta»u antes de vogal = /w/ivogal /i/ ou consoante /j/Iulius = «Yúlius»i antes de vogal = /j/s/s/ surdo semprerosa = «rósa»nunca /z/t/t/ semprenatio = «nátio»nunca /s/ diante de ir/r/ vibranteRoma = «Rróma»sempre roladohaspiração levehomo = «hómo»um sopro suavequ/kw/qui = «kwi»com u sempre audívelch, ph, th/kʰ, pʰ, tʰ/ aspiradasphilosophiaem empréstimos gregos
Fig. 1Fig. 1 — As grafias latinas cuja leitura mais difere da portuguesa, na pronúncia clássica restaurada.
As consoantes reservam as diferenças mais importantes face ao português. O c pronuncia-se sempre /k/, em qualquer posição: Cicero lê-se «Kíkero», e não «Sísero»; o g é sempre oclusivo /g/ (como em «gato»), nunca /ʒ/. O v — isto é, o u consonântico, antes de vogal — soa /w/, como o w inglês de «water»: uinum lê-se «wínum». O i consonântico (antes de vogal) soa /j/: Iulius lê-se «Yúlius». O s é sempre surdo /s/, mesmo entre vogais (rosa = «rósa», nunca «róza»); o t mantém-se /t/ mesmo diante de i (natio = «nátio», não «násio»); o r é sempre vibrante (rolado) e o h é uma aspiração leve, um sopro.
As vogais são cinco — a, e, i, o, u —, cada uma podendo ser longa ou breve (é a quantidade vocálica, tratada na secção seguinte). Além das vogais simples, o latim tem ditongos, que se leem numa só emissão de voz: ae soa /ai̯/ (Caesar = «Káisar»), oe soa /oi̯/ (poena = «póina»), au soa /au̯/ (aurum = «áurum»); mais raros são eu e ui (ver Fig. 2). Nos empréstimos gregos, os dígrafos ch, ph e th representavam consoantes aspiradas (/kʰ/, /pʰ/, /tʰ/), como em philosophia. Dominar estes valores é a condição para ler qualquer texto.

Os ditongos latinos

DitongosTabela com 4 colunas e 5 linhas, Dados: Ditongo · Som · Exemplo · Significado; ae · /ai̯/ · Caesar · César; oe · /oi̯/ · poena · castigo, pena; au · /au̯/ · aurum · ouro; eu · /eu̯/ · Europa · Europa; ui · /ui̯/ · cui · a quemDITONGOSOMEXEMPLOSIGNIFICADOae/ai̯/CaesarCésaroe/oi̯/poenacastigo, penaau/au̯/aurumouroeu/eu̯/EuropaEuropaui/ui̯/cuia quem
Fig. 2Fig. 2 — Os ditongos leem-se numa só sílaba e contam sempre como longos.
Por que insistir na pronúncia restaurada e não numa leitura «à portuguesa»? Porque só ela devolve ao latim a sua identidade sonora e torna inteligíveis fenómenos que de outro modo se perdem: a musicalidade do verso, os jogos de palavras dos poetas, as aliterações, e as próprias leis de evolução do latim para o português (por exemplo, o c /k/ de CAELUM que dá o «céu», ou o de CENTUM que dá «cento»). A leitura correta não é um pormenor erudito: é o primeiro instrumento de trabalho de quem estuda a língua, e o Exame Nacional pressupõe-na em toda a leitura e tradução dos textos.
Exemplo resolvido

Ler uma frase com a pronúncia clássica

Aplica a pronúncia clássica restaurada à frase «Cicero clarus ciuis est» e explica a leitura de cada palavra destacada.

  1. 01Cicero

    As duas letras c leem-se /k/: «Kíkero». O acento recai na antepenúltima (penúltima breve) — ver a lei da penúltima.

  2. 02clarus

    O c inicial é /k/: «clárus». O grupo cl mantém as duas consoantes bem articuladas.

  3. 03ciuis

    O c é /k/ e o u é consonântico /w/: «kíwis» (= cidadão). Não se lê «sivis».

  4. 04est

    Verbo esse na 3.ª pessoa: «est» (= é), com s surdo e t final audível.

Resultado: A frase lê-se «Kíkero clárus kíwis est» e significa «Cícero é um cidadão ilustre» — cada c soa /k/ e o u de ciuis soa /w/.

Foco no Exame Nacional

  • Ler em voz alta uma palavra ou frase latina aplicando corretamente c/g oclusivos, u/i consonânticos e s/t surdos.
  • Reconhecer os ditongos (ae, oe, au) e lê-los numa só sílaba.

Erros frequentes

  • Ler o c e o g como em português (Cícero «à portuguesa», ou g palatal em gigas) em vez das oclusivas /k/ e /g/.
  • Pronunciar o s intervocálico como /z/ (rosa «róza») — em latim o s é sempre surdo.
  • Separar o ditongo ae em duas sílabas (Ca-e-sar) em vez de o ler numa só (Cae-sar).

Revisão ativa

Lê em voz alta, aplicando a pronúncia clássica restaurada, as palavras Cicero, uita, natio, Caesar e philosophia, e explica o valor de cada consoante ou ditongo destacado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Fonética e leitura) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Quantidade vocálica e quantidade silábica#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-fonetica

Pontos-chave

Em latim, cada vogal tem uma quantidade: é longa ou breve, conforme o tempo que se demora a pronunciá-la. É uma distinção real e significativa — como a diferença entre uma nota longa e uma nota breve na música — e não um mero pormenor. Nas gramáticas e nos dicionários, a vogal longa marca-se com um mácron (ā, ē, ī, ō, ū) e a breve com um sinal breve (ă, ĕ, ĭ, ŏ, ŭ). A quantidade vocálica pode até distinguir palavras ou formas: liber (com i breve) é «livro», mas līber (com i longo) é «livre»; e rosă (com a breve) é o nominativo «a rosa», enquanto rosā (com a longa) é o ablativo «pela rosa». Ouvir e marcar a quantidade é, por isso, indispensável (ver Fig. 3).

Como se determina a quantidade de uma sílaba

Quantidade silábicaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Regra de quantidade · Resultado · Exemplo; Vogal longa por natureza (mácron) · sílaba longa (pesada) · lū-na — a sílaba lū é longa; Ditongo (ae, oe, au…) · sílaba longa (pesada) · cau-sa — a sílaba cau é longa; Vogal breve + duas consoantes ou x/z · sílaba longa por posição · ter-ra — a sílaba ter é longa; Vogal breve livre · sílaba breve (leve) · ro-sa — a sílaba ro é breve, célula destacada: sílaba longa por posiçãoREGRA DE QUANTIDADERESULTADOEXEMPLOVOGAL LONGA PORNATUREZA (MÁCRON)sílaba longa (pesada)lū-na — a sílaba lū é longaDITONGO (AE, OE,AU…)sílaba longa (pesada)cau-sa — a sílaba cau élongaVOGAL BREVE + DUASCONSOANTES OU X/Zsílaba longa por posiçãoter-ra — a sílaba ter élongaVOGAL BREVE LIVREsílaba breve (leve)ro-sa — a sílaba ro é breve
Fig. 3Fig. 3 — Uma sílaba é longa por natureza (vogal longa/ditongo) ou por posição (duas consoantes); caso contrário, é breve.
Da quantidade das vogais depende a quantidade das sílabas, que é o que verdadeiramente importa para o acento e para o verso. Uma sílaba é longa (ou pesada) por natureza quando contém uma vogal longa ou um ditongo: em lū-na, a sílaba lū é longa porque a vogal é longa; em cau-sa, a sílaba cau é longa porque tem um ditongo. Uma sílaba é breve (ou leve) quando contém uma vogal breve livre, isto é, não travada por consoantes: em ro-sa, a sílaba ro é breve.
Há, porém, um segundo modo de uma sílaba ser longa: por posição. Quando uma vogal breve é seguida de duas ou mais consoantes (ou das letras duplas x e z), a sílaba fecha-se e conta como longa, ainda que a vogal em si seja breve. Assim, em ter-ra, a sílaba ter é longa por posição (a vogal e é breve, mas está travada por r+r); do mesmo modo em pu-el-la a sílaba el é longa. Distinguir «longa por natureza» de «longa por posição» é decisivo: ambas contam como longas para o acento, mas a origem é diferente.
Um caso especial e frequente é o da muta cum liquida — uma consoante oclusiva (p, b, t, d, c, g) seguida de l ou de r, como em pa-tris ou em te-ne-brae. Nestes grupos, a sílaba anterior pode contar como breve (a oclusiva e a líquida articulam-se juntas com a sílaba seguinte), sobretudo na poesia. Na leitura em prosa, o essencial é reconhecer a regra geral: vogal longa ou ditongo, ou vogal seguida de duas consoantes, fazem sílaba longa. Estas noções, aparentemente técnicas, são a base de tudo o que se segue — a acentuação e a leitura expressiva.
Exemplo resolvido

Classificar a quantidade das sílabas de uma palavra

Analisa a quantidade das sílabas da palavra sapientia (= sabedoria), justificando cada classificação.

  1. 01Dividir em sílabas

    sa-pi-en-ti-a — cinco sílabas.

  2. 02Classificar sa-, pi-

    sa (vogal a breve, livre) = breve; pi (vogal i breve, livre) = breve.

  3. 03Classificar en-

    en tem a vogal e travada pela consoante seguinte (n + t): é longa por posição.

  4. 04Classificar ti-, a

    ti (vogal i breve, livre) = breve; a final (vogal breve) = breve.

Resultado: Em sa-pi-en-ti-a, a única sílaba longa é en (longa por posição); as restantes são breves. Como a penúltima (ti) é breve, o acento cairá na antepenúltima: sa-pi-EN-ti-a.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir uma sílaba longa por natureza (vogal longa ou ditongo) de uma sílaba longa por posição (vogal breve travada por duas consoantes).
  • Reconhecer que a quantidade vocálica pode distinguir palavras (liber / līber) ou formas (rosă / rosā).

Erros frequentes

  • Confundir quantidade (longa/breve) com intensidade (tónica/átona): são coisas distintas — uma sílaba pode ser longa e átona.
  • Esquecer a longa por posição e classificar como breve uma sílaba de vogal breve travada por duas consoantes (terra, puella).
  • Ignorar o mácron do dicionário e não reparar que ele distingue formas (o ablativo rosā do nominativo rosă).

Revisão ativa

Classifica quanto à quantidade as sílabas das palavras luna, causa, terra e rosa, indicando em cada caso se a sílaba inicial é longa (e porquê) ou breve.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Prosódia) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A sílaba tónica: a lei da penúltima#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-fonetica

Pontos-chave

O acento latino obedece a uma regra simples e quase sem exceções, a lei da penúltima (também dita lex paenultimae). Ao contrário do português, o latim nunca acentua a última sílaba de uma palavra de duas ou mais sílabas — não há oxítonos. O acento recai, conforme os casos, na penúltima ou na antepenúltima sílaba, e a sua posição decide-se pela quantidade da penúltima — daí a importância de tudo o que se estudou antes (ver Fig. 4).

A lei da penúltima (esquema de decisão)

Lei da penúltimaGrafo, Palavra latina → 2 sílabas, Palavra latina → 3+ sílabas, 2 sílabas → Tónica na penúltima, 3+ sílabas → Penúltima longa, 3+ sílabas → Penúltima breve, Penúltima longa → Tónica na penúltima, Penúltima breve → Tónica na antepenúltimaPalavra latina2 sílabas3+ sílabasTónica napenúltimaPenúltima longaPenúltima breveTónica naantepenúltima
Fig. 4Fig. 4 — A posição do acento decide-se pelo número de sílabas e pela quantidade da penúltima.
A regra desdobra-se assim: numa palavra de uma só sílaba, o acento recai nessa sílaba (rex, «rei»). Numa palavra de duas sílabas, o acento recai sempre na primeira, isto é, na penúltima (RO-sa, MEN-sa). Numa palavra de três ou mais sílabas, olha-se para a penúltima: se a penúltima for longa, o acento recai nela; se a penúltima for breve, o acento «recua» para a antepenúltima. Tudo se joga, portanto, na penúltima sílaba.
Vejamos exemplos que fixam a regra (ver Fig. 5). Em a-mī-cus (amigo), a penúltima -mī- é longa por natureza: o acento recai nela — a-MĪ-cus. Em do-mi-nus (senhor), a penúltima -mi- é breve: o acento recua para a antepenúltima — DO-mi-nus. Em pu-el-la (menina), a penúltima -el- é longa por posição (travada por -ll-): o acento recai nela — pu-EL-la. Em pe-cū-ni-a (dinheiro), a penúltima -ni- é breve: o acento recua para a antepenúltima — pe-CŪ-ni-a. Note-se que a antepenúltima pode ser breve e ainda assim receber o acento: a quantidade que decide é a da penúltima, não a da antepenúltima.

A lei da penúltima aplicada

AcentuaçãoTabela com 4 colunas e 5 linhas, Dados: Palavra · N.º de sílabas · Penúltima · Sílaba tónica; ro-sa · 2 · regra dos bissílabos · RO-sa; a-mī-cus · 3 · longa (natureza) · a-MĪ-cus; do-mi-nus · 3 · breve · DO-mi-nus; pu-el-la · 3 · longa (posição) · pu-EL-la; pe-cū-ni-a · 4 · breve · pe-CŪ-ni-a, célula destacada: DO-mi-nusPALAVRAN.º DE SÍLABASPENÚLTIMASÍLABA TÓNICAro-sa2regra dos bissílabosRO-saa-mī-cus3longa (natureza)a-MĪ-cusdo-mi-nus3breveDO-mi-nuspu-el-la3longa (posição)pu-EL-lape-cū-ni-a4brevepe-CŪ-ni-a
Fig. 5Fig. 5 — A quantidade da penúltima decide a sílaba tónica (em maiúsculas).
Esta é, sem dúvida, a regra prosódica mais rentável do latim: uma vez interiorizada, permite ler corretamente qualquer palavra a partir da quantidade da penúltima. Poucas palavras fogem à regra — sobretudo formas em que caiu uma sílaba final (como as contrações de tipo illīc por illīce, ou certos vocativos), casos que se aprendem à parte. Para o Exame Nacional, saber acentuar corretamente uma palavra latina, justificando pela quantidade da penúltima, é uma competência básica que sustenta toda a leitura.
Exemplo resolvido

Aplicar a lei da penúltima a dois casos contrastantes

Determina a sílaba tónica de fortūna e de dominus, justificando cada resposta pela quantidade da penúltima.

  1. 01fortūna — dividir

    for-tū-na: três sílabas. A penúltima é -tū-.

  2. 02fortūna — decidir

    A penúltima -tū- é longa por natureza (vogal longa). Pela regra, o acento recai na penúltima: for-TŪ-na.

  3. 03dominus — dividir

    do-mi-nus: três sílabas. A penúltima é -mi-.

  4. 04dominus — decidir

    A penúltima -mi- é breve. Pela regra, o acento recua para a antepenúltima: DO-mi-nus.

Resultado: fortūna acentua-se na penúltima (for-TŪ-na, penúltima longa) e dominus na antepenúltima (DO-mi-nus, penúltima breve): o mesmo esquema silábico dá acentos diferentes só pela quantidade da penúltima.

Foco no Exame Nacional

  • Determinar a sílaba tónica de uma palavra de três ou mais sílabas justificando pela quantidade da penúltima.
  • Saber que o latim não tem palavras agudas (oxítonas): o acento está sempre na penúltima ou na antepenúltima.

Erros frequentes

  • Acentuar a última sílaba de uma palavra latina (impossível em palavras de duas ou mais sílabas).
  • Decidir o acento pela quantidade da antepenúltima em vez de o decidir pela quantidade da penúltima.
  • Esquecer a longa por posição e recuar o acento indevidamente (dizer pu-e-LA em vez de pu-EL-la).

Revisão ativa

Indica e justifica a sílaba tónica das palavras fortuna, dominus, Romanus e philosophia, aplicando a lei da penúltima.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Acentuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Leitura expressiva de textos latinos#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-fonetica

Pontos-chave

Ler um texto latino em voz alta é reunir tudo o que foi estudado: pronunciar cada som segundo a norma clássica, colocar o acento pela lei da penúltima e respeitar a quantidade das sílabas. A leitura expressiva não é decorativa — é um instrumento de compreensão: ao ler bem, o estudante segmenta a frase em grupos de sentido, ouve as terminações (que em latim carregam a função sintática) e prepara a tradução. Uma frase bem lida está meio traduzida.
Tomemos a célebre frase atribuída a Júlio César, ueni, uidi, uici (ver Fig. 6). Cada palavra se lê com u consonântico inicial /w/ e c interno /k/: «wéni, wídi, wíki». Todas são bissílabas, logo acentuadas na primeira sílaba. A frase — «vim, vi, venci» — mostra ainda a força expressiva do latim: três verbos breves, no perfeito, em assíndeto (sem conjunções), que exprimem a rapidez fulminante da vitória. Ler bem é também sentir este ritmo.

Leitura de «ueni, uidi, uici»

Veni, uidi, uiciTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Palavra · Pronúncia clássica · Tradução; ueni · «WÉ-ni» · vim; uidi · «WÍ-di» · vi; uici · «WÍ-ki» · venciPALAVRAPRONÚNCIA CLÁSSICATRADUÇÃOueni«WÉ-ni»vimuidi«WÍ-di»viuici«WÍ-ki»venci
Fig. 6Fig. 6 — A frase de César lida na pronúncia clássica restaurada: u consonântico /w/ e c /k/.
Na leitura de textos mais longos, convém marcar as pausas segundo a pontuação de sentido e agrupar as palavras que formam um sintagma (por exemplo, um nome com o seu adjetivo, ainda que separados na frase). Como o latim tem ordem de palavras relativamente livre, a leitura atenta às terminações ajuda a reconstituir os grupos: um adjetivo no genitivo procura o seu nome no genitivo, um verbo procura o seu sujeito no nominativo. A prosódia e a sintaxe trabalham, assim, em conjunto.
Para o Exame Nacional, a leitura correta é a base invisível de tudo: sustenta a compreensão do texto latino que serve de suporte aos itens e a sua tradução. Recomenda-se treinar a leitura em voz alta regularmente, com textos vocalizados (com as quantidades marcadas), até que a pronúncia clássica e a acentuação se tornem automáticas. É esse automatismo que liberta a atenção para o que verdadeiramente conta na prova: compreender e traduzir.
Exemplo resolvido

Preparar a leitura expressiva de uma frase

Prepara a leitura expressiva da frase «Gallia est omnis diuisa in partes tres» (César), indicando a pronúncia dos elementos destacados e os grupos de sentido.

  1. 01Pronúncia

    Gallia = «Gál-lia» (g oclusivo, ll geminado); diuisa = «di-WÍ-sa» (u consonântico /w/, s surdo); omnis = «óm-nis».

  2. 02Acentos

    GAL-lia (penúltima longa por posição), di-WÍ-sa (penúltima longa), OM-nis (bissílabo), PAR-tes (bissílabo).

  3. 03Grupos de sentido

    Gallia est omnis diuisa | in partes tres — o sujeito (Gallia) e o predicado (est diuisa), depois o complemento (in partes tres).

Resultado: Lida com pronúncia e acentos corretos e agrupada em «Gallia est omnis diuisa | in partes tres», a frase significa «A Gália está toda dividida em três partes» — a leitura já revela a estrutura.

Foco no Exame Nacional

  • Ler expressivamente um texto latino aplicando pronúncia, acento e quantidade, agrupando as palavras por sentido.
  • Reconhecer que a leitura correta prepara a segmentação e a tradução do texto.

Erros frequentes

  • Ler palavra a palavra, de forma monótona, sem agrupar os sintagmas nem marcar as pausas de sentido.
  • Descuidar a pronúncia clássica em textos longos, voltando à leitura «à portuguesa».
  • Não relacionar a leitura com a análise: ler sem reparar nas terminações que indicam a função sintática.

Revisão ativa

Lê em voz alta a frase «Alea iacta est» aplicando a pronúncia clássica (repara no i consonântico de iacta) e explica como a leitura ajuda a segmentar e a compreender a frase.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (Leitura) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O alfabeto latino e a pronúncia clássica restaurada○
    • 02Quantidade vocálica e quantidade silábica◐
    • 03A sílaba tónica: a lei da penúltima◐
    • 04Leitura expressiva de textos latinos◐

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Leitura, pronúncia clássica e prosódia (acentuação e quantidade vocálica e silábica)

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º ano (Fonética e leitura)

Tópico seguinte

Nomes, as cinco declinações e a função dos casos

EuraStudy·Resumos T·01·MMXXVI

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