EuraStudy
Resumos/Latim A/Léxico, etimologia e evolução fonética e semântica
Resumos · Latim APT · Secundário

Léxico, etimologia e evolução fonética e semântica

O português é uma língua românica, filha do latim. Estudam-se a formação de palavras em latim (prefixação, sufixação, composição), os campos lexicais e semânticos, as leis regulares de evolução fonética do latim ao português e a distinção entre palavras populares (divergentes) e eruditas, que dão origem aos pares divergentes. Compreender a etimologia ilumina tanto o latim como o léxico português.

4 secções·~12 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·111111 / 17
Perfil de exame
Compreender o léxico português à luz da etimologia latinaAplicar as leis de evolução fonética do latim ao português a exemplosDistinguir a palavra popular (divergente) da palavra erudita e reconhecer os pares divergentes
Operadores:relacionaaplicadistingueexplicaidentifica

nível básico

Reconhecer a origem latina de palavras portuguesas e prefixos e sufixos comuns.

nível avançado

Aplicar as leis de evolução fonética e distinguir palavras populares de eruditas, incluindo os pares divergentes.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 4 secções▾
  1. Léxico, etimologia e evolução fonética e semântica
    • 01A formação de palavras em latim◐
    • 02Campos lexicais e campos semânticos◐
    • 03As leis de evolução fonética●
    • 04Palavras divergentes e eruditas●
§ 01

A formação de palavras em latim#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-lexico-etimologia

Pontos-chave

O latim forma palavras novas por três processos principais: a prefixação (juntar um prefixo ao início de uma palavra), a sufixação (juntar um sufixo ao fim) e a composição (unir duas palavras). Compreender estes processos ilumina de uma só vez o vocabulário latino e o português, pois os mesmos elementos e os mesmos mecanismos continuam vivos e produtivos na nossa língua (ver Fig. 1).

Prefixos e sufixos latinos

Prefixos e sufixosTabela com 4 colunas e 6 linhas, Dados: Elemento · Tipo · Sentido · Latim > português; prae- · prefixo · antes, à frente · praefātiō > prefácio; re- · prefixo · de novo, para trás · re- + facere > refazer; con-/com- · prefixo · com, em conjunto · com- + pōnere > compor; -tor · sufixo · agente (quem faz) · amātor > amador; -tio · sufixo · ação / resultado · āctiō > ação; -bilis · sufixo · possibilidade / qualidade · amābilis > amável, célula destacada: āctiō > açãoELEMENTOTIPOSENTIDOLATIM > PORTUGUÊSPRAE-prefixoantes, à frentepraefātiō > prefácioRE-prefixode novo, para trásre- + facere > refazerCON-/COM-prefixocom, em conjuntocom- + pōnere > compor-TORsufixoagente (quem faz)amātor > amador-TIOsufixoação / resultadoāctiō > ação-BILISsufixopossibilidade / qualidadeamābilis > amável
Fig. 1Fig. 1 — Prefixos e sufixos latinos e a sua continuidade no português.
Muitos prefixos são antigas preposições ou advérbios, cada um com o seu sentido: prae- («antes»), re- («de novo, para trás»), in- («em, para dentro», ou negação), ex- («para fora»), con-/com- («com, junto»), ad- («para, junto»), sub- («debaixo»), trans- («para além»). Juntos a uma base, modificam-lhe o sentido: de dūcere («conduzir») formam-se prōdūcere («produzir»), redūcere («reconduzir»), indūcere («induzir»), ēdūcere («educar, fazer sair»).
Os sufixos formam derivados de uma dada classe: nomes de agente em -tor (amātor, «o que ama»), nomes abstratos em -tio (actio, «ação») e em -tas (lībertas, «liberdade»), adjetivos em -bilis (amābilis, «amável») e em -ōsus (formōsus, «formoso»). Estes sufixos deram os portugueses -dor, -ção, -dade, -vel e -oso — sinal da continuidade profunda entre as duas línguas.
A composição une duas palavras numa só: agricola («agricultor») é ager («campo») mais colere («cultivar»); rēspūblica («república») é rēs («coisa») mais pūblica («pública»); magnanimus é magnus («grande») mais animus («ânimo»). Conhecer estes processos permite deduzir o sentido de palavras desconhecidas — decompondo-as nos seus elementos — e reconhecer a espantosa continuidade entre o vocabulário latino e o português.
Exemplo resolvido

Decompor palavras pela sua formação

Decompõe e indica o processo de formação de prōdūcere, lībertas e agricola.

  1. 01prōdūcere

    Prefixação: prefixo prō- («para a frente») + dūcere («conduzir») = «produzir, levar para a frente».

  2. 02lībertas

    Sufixação: base līber- («livre») + sufixo -tas (nome abstrato) = «liberdade».

  3. 03agricola

    Composição: ager («campo») + colere («cultivar») = «o que cultiva o campo, o agricultor».

Resultado: prōdūcere = prefixação (prō- + dūcere); lībertas = sufixação (līber- + -tas); agricola = composição (ager + colere): três processos distintos de formação de palavras.

Foco no Exame Nacional

  • Decompor uma palavra latina nos seus elementos (prefixo, base, sufixo) e deduzir o sentido.
  • Relacionar os prefixos e sufixos latinos com os seus correspondentes portugueses.

Erros frequentes

  • Confundir o prefixo in- de «em, para dentro» (importāre) com o in- de negação (indignus).
  • Não reconhecer a base de uma palavra composta (não ver ager e colere em agricola).
  • Ignorar a relação entre os sufixos latinos e os portugueses (-tio / -ção, -tas / -dade).

Revisão ativa

Decompõe e explica a formação das palavras prōdūcere, lībertas e agricola, indicando o processo (prefixação, sufixação ou composição) de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (Formação de palavras) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Campos lexicais e campos semânticos#

●●○PadrãoLPAE-latim-a-lexico-etimologia

Pontos-chave

As palavras não vivem isoladas: agrupam-se em campos. Um campo lexical (ou família de palavras) reúne as palavras derivadas de uma mesma raiz; um campo semântico reúne as palavras ligadas por um mesmo domínio de sentido, ainda que de raízes diferentes. Ambos são instrumentos preciosos para aprender e compreender o vocabulário, latino e português (ver Fig. 2).

Uma família de palavras: a raiz de dūcere

A família de dūcereGrafo, dūcere (conduzir) → dux, ducis (chefe) > duque, dūcere (conduzir) → prōdūcere > produzir, dūcere (conduzir) → condūcere > conduzir, dūcere (conduzir) → ēdūcere > educar, dūcere (conduzir) → ductor > condutordūcere(conduzir)dux, ducis(chefe) > duqueprōdūcere >produzircondūcere >conduzirēdūcere > educarductor >condutor
Fig. 2Fig. 2 — Um campo lexical: a família de dūcere («conduzir»), herdada por inteiro pelo português.
Uma família de palavras (campo lexical) parte de uma raiz comum. Da raiz de dūcere («conduzir») nascem dux («chefe»), ductor («condutor»), prōdūcere («produzir»), condūcere («conduzir junto»), ēdūcere («educar»). Reconhecer a raiz partilhada e os prefixos e sufixos que se lhe juntam permite deduzir o sentido de cada membro da família — e o português herdou-a por inteiro (duque, produzir, conduzir, educar).
Um campo semântico reúne palavras de um mesmo domínio, mesmo de raízes diversas: o campo da guerra inclui bellum («guerra»), arma («armas»), hostis («inimigo»), mīles («soldado»), gladius («espada»), pugnāre («lutar»). Aprender o vocabulário por campos — em vez de palavras soltas — é mais eficiente e ajuda a compreender os textos, que tendem a concentrar palavras do mesmo domínio.
O conhecimento das relações etimológicas e dos campos lexicais e semânticos está expressamente entre os objetos de avaliação da Prova 732: o exame pode pedir que se reconheça a família de uma palavra ou a sua relação com o português. Além disso, este estudo enriquece diretamente o vocabulário português, cuja imensa maioria descende destas mesmas famílias latinas — daí o seu duplo interesse, linguístico e cultural.
Exemplo resolvido

Reconhecer uma família de palavras

Indica três palavras da família da raiz de scrībere («escrever») e relaciona-as com o português.

  1. 01Identificar a raiz

    A raiz é scrīb-/scrīpt- (do presente scrībere e do supino scrīptum), presente em todos os derivados.

  2. 02Formar derivados

    scrīptor («o que escreve»), īnscrībere («inscrever»), dēscrībere («descrever»), praescrībere («prescrever»).

  3. 03Relacionar com o português

    Deram, respetivamente, escritor, inscrever, descrever, prescrever — toda a família passou ao português.

Resultado: Da raiz scrīb-/scrīpt- vêm scrīptor, īnscrībere, dēscrībere (> escritor, inscrever, descrever): reconhecer a raiz comum revela toda a família, latina e portuguesa.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer uma família de palavras (campo lexical) a partir da raiz comum e dos prefixos/sufixos.
  • Agrupar vocabulário por campos semânticos e relacioná-lo com o português.

Erros frequentes

  • Confundir campo lexical (mesma raiz) com campo semântico (mesmo domínio de sentido).
  • Não reconhecer a raiz comum de uma família por causa das alterações do prefixo (ēdūcere, prōdūcere).
  • Aprender as palavras isoladas, sem tirar partido das famílias e dos campos.

Revisão ativa

Indica três palavras da família (campo lexical) da raiz de scrībere («escrever») e três palavras do campo semântico da «cidade», relacionando-as com o português.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (Campos lexicais e semânticos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

As leis de evolução fonética#

●●●AprofundamentoLPAE-latim-a-lexico-etimologia

Pontos-chave

O português é uma língua românica, filha do latim: nasceu do latim falado (o latim vulgar) na Península Ibérica, transformado ao longo de séculos por mudanças de som regulares — as leis de evolução fonética. O traço decisivo é que estas leis são regulares: a mesma mudança aplica-se de modo constante, de forma que, a partir de uma palavra latina, se pode prever, em boas linhas, a sua descendente portuguesa (ver Fig. 3). A palavra portuguesa provém, em regra, do acusativo latino, o caso mais usado.

As leis de evolução fonética do latim ao português

Leis de evolução fonéticaTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Lei de evolução · Descrição · Exemplos (latim > português); Sonorização das surdas · p, t, c intervocálicos > b, d, g · lupum > lobo; uītam > vida; amīcum > amigo; Palatalização · os grupos cl-, pl- e -ct- palatalizam · clauem > chave; plēnum > cheio; noctem > noite; Síncope · queda das vogais átonas internas · calidum > caldo; uiridem > verde; Simplificação de geminadas · as consoantes duplas reduzem-se · buccam > boca; guttam > gota; Evolução dos ditongos · os ditongos latinos mudam ou monotongam · aurum > ouro; causam > coisa; Queda de consoantes · -l- e -n- intervocálicos caem · lūnam > lua; dolōrem > dor, célula destacada: p, t, c intervocálicos > b, d, gLEI DE EVOLUÇÃODESCRIÇÃOEXEMPLOS (LATIM >PORTUGUÊS)SONORIZAÇÃO DASSURDASp, t, c intervocálicos > b,d, glupum > lobo; uītam > vida;amīcum > amigoPALATALIZAÇÃOos grupos cl-, pl-e -ct-palatalizamclauem > chave; plēnum >cheio; noctem > noiteSÍNCOPEqueda das vogais átonasinternascalidum > caldo; uiridem >verdeSIMPLIFICAÇÃO DEGEMINADASas consoantes duplasreduzem-sebuccam > boca; guttam > gotaEVOLUÇÃO DOSDITONGOSos ditongos latinos mudam oumonotongamaurum > ouro; causam > coisaQUEDA DECONSOANTES-l-e -n-intervocálicos caemlūnam > lua; dolōrem > dor
Fig. 3Fig. 3 — As principais leis de evolução fonética, com exemplos; a palavra popular parte do acusativo latino.
Entre as leis mais importantes está a sonorização das oclusivas surdas intervocálicas: o p, o t e o c entre vogais tornam-se, respetivamente, b, d e g (lupum > lobo, uītam > vida, amīcum > amigo). Outra é a palatalização de certos grupos: cl-, pl- e -ct- palatalizam-se (clauem > chave, plēnum > cheio, noctem > noite). Estas duas leis explicam uma enorme parte das transformações do português.
Outras leis atuam sobre as vogais e as consoantes: a síncope, ou queda das vogais átonas internas (calidum > caldo, uiridem > verde); a simplificação das consoantes geminadas (buccam > boca, guttam > gota); a evolução dos ditongos (aurum > ouro, causam > coisa); e a queda de certas consoantes intervocálicas, como o -l- e o -n- (lūnam > lua, dolōrem > dor). Todas se aplicam com regularidade.
Estas leis atuaram sobre o vocabulário popular — as palavras transmitidas oralmente, de geração em geração, do latim ao português —, e por isso são as palavras do quotidiano as mais transformadas. Conhecer as leis permite ligar uma palavra portuguesa à sua origem latina, compreender a sua grafia e o seu sentido, e apreciar a continuidade da língua. É uma competência central de Latim A e diretamente avaliada nos itens de etimologia da Prova 732.
Exemplo resolvido

Aplicar as leis de evolução fonética

Explica, pelas leis de evolução fonética, a passagem de uītam a «vida» e de noctem a «noite».

  1. 01uītam > vida

    Do acusativo uītam: cai o -m final; o t intervocálico sonoriza-se em d (sonorização das surdas); a vogal final -a mantém-se. Resultado: vida.

  2. 02noctem > noite

    Do acusativo noctem: o grupo -ct- palataliza-se em -it- (palatalização); cai o -m e evolui a terminação. Resultado: noite.

  3. 03Identificar as leis

    Em vida atua a sonorização (t > d); em noite atua a palatalização do grupo -ct- (ct > it) — duas leis regulares.

Resultado: uītam > vida (sonorização t > d) e noctem > noite (palatalização ct > it): partindo do acusativo, as leis regulares explicam cada transformação.

Foco no Exame Nacional

  • Aplicar as leis de evolução fonética (sonorização, palatalização, síncope…) para relacionar uma palavra portuguesa com a latina.
  • Saber que a palavra portuguesa popular provém, em regra, do acusativo latino.

Erros frequentes

  • Julgar a evolução irregular ou aleatória, quando as leis se aplicam com regularidade.
  • Não reconhecer a sonorização (não ver o t de uītam no d de vida).
  • Partir do nominativo latino em vez do acusativo (a forma de que descende a palavra portuguesa popular).

Revisão ativa

Aplica as leis de evolução fonética para explicar a passagem de uītam a «vida» e de noctem a «noite», identificando as leis em ação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 11.º ano (Evolução fonética) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Palavras divergentes e eruditas#

●●●AprofundamentoLPAE-latim-a-lexico-etimologia

Alguns pares divergentes

Pares divergentesTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Étimo latino · Palavra popular (divergente) · Palavra erudita (culta); plēnum · cheio · pleno; clāuem · chave · clave; cathedram · cadeira · cátedra; plānum · chão · plano; oculum · olho · óculo, célula destacada: cheioÉTIMO LATINOPALAVRA POPULAR(DIVERGENTE)PALAVRA ERUDITA(CULTA)PLĒNUMcheioplenoCLĀUEMchaveclaveCATHEDRAMcadeiracátedraPLĀNUMchãoplanoOCULUMolhoóculo
Fig. 5Fig. 5 — Pares divergentes: um mesmo étimo latino dá uma palavra popular e uma erudita.

Pontos-chave

Nem todas as palavras portuguesas de origem latina evoluíram do mesmo modo. Umas foram transmitidas oralmente e sem interrupção desde o latim, sofrendo todas as leis de evolução fonética: são as palavras populares ou divergentes (de formação popular), como cheio, de plēnum. Outras foram tomadas mais tarde, diretamente do latim escrito, por eruditos, pela Igreja e pela ciência, escapando por isso à maior parte das mudanças: são as palavras eruditas ou cultas, como pleno, também de plēnum (ver Fig. 4).

Um par divergente: plēnum

Par divergente plēnumGrafo, plēnum (latim) → cheio (via popular / divergente), plēnum (latim) → pleno (via erudita / culta)plēnum (latim)cheio (viapopular /divergente)pleno (viaerudita /culta)evoluçãopopularempréstimoerudito
Fig. 4Fig. 4 — Um par divergente: de plēnum vêm cheio (via popular) e pleno (via erudita).
Quando de um mesmo étimo latino descendem uma palavra popular e uma palavra erudita, forma-se um par divergente (ou dupla): plēnum deu cheio (popular) e pleno (erudito); clāuem deu chave e clave; cathedram deu cadeira e cátedra; oculum deu olho e óculo. A palavra popular é mais transformada e mais quotidiana; a erudita é mais próxima do latim, mais tardia e de registo mais culto ou técnico. É um dos fenómenos mais reveladores da etimologia.
Existem ainda palavras semieruditas, de evolução parcial, e um vasto conjunto de palavras eruditas entradas no Renascimento e depois, tiradas diretamente do latim (e do grego) para enriquecer o vocabulário da ciência, do direito e da cultura. É por isso que o português tem, lado a lado, olho (popular) e ocular ou óculo (erudito), ambos de oculum: a via popular e a via erudita partiram do mesmo ponto e chegaram a resultados diferentes.
Esta distinção — popular/divergente contra erudita — é uma das mais esclarecedoras da etimologia: explica por que um mesmo étimo latino dá duas palavras portuguesas de forma, registo e matiz de sentido diferentes. Reconhecer os pares divergentes e classificar uma palavra como popular ou erudita é uma competência de Latim A, valorizada na Prova 732 e profundamente enriquecedora para o domínio do próprio português.
Exemplo resolvido

Reconhecer e explicar um par divergente

Para o étimo plēnum, indica a palavra popular e a erudita e explica a diferença entre as duas vias.

  1. 01Palavra popular

    cheio: transmitida oralmente desde o latim, sofreu as leis de evolução (pl- palatalizou-se, a vogal alterou-se). É a forma divergente, muito transformada e quotidiana.

  2. 02Palavra erudita

    pleno: tomada mais tarde, diretamente do latim escrito, quase sem alterações. É a forma culta, próxima do étimo.

  3. 03A diferença de vias

    Ambas partem de plēnum, mas cheio veio pela via popular (oral, com todas as leis) e pleno pela via erudita (livresca, sem quase evolução).

Resultado: De plēnum vêm cheio (popular/divergente, muito evoluída) e pleno (erudita, próxima do latim): o mesmo étimo, duas vias — a oral e a livresca —, dois resultados.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir a palavra popular (divergente, muito evoluída) da palavra erudita (culta, próxima do latim).
  • Reconhecer os pares divergentes (cheio/pleno, chave/clave) e o seu étimo latino comum.

Erros frequentes

  • Julgar que só há uma palavra portuguesa por étimo latino, ignorando os pares divergentes.
  • Confundir a palavra erudita com a popular (tomar pleno como a forma «normal» de plēnum).
  • Não perceber que a palavra popular parte do acusativo e sofre todas as leis, ao contrário da erudita.

Revisão ativa

Para os étimos plēnum e cathedram, indica a palavra popular (divergente) e a erudita, e explica a diferença entre as duas vias.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim A — 11.º ano (Palavras divergentes e eruditas) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A formação de palavras em latim◐
    • 02Campos lexicais e campos semânticos◐
    • 03As leis de evolução fonética●
    • 04Palavras divergentes e eruditas●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Léxico, etimologia e evolução fonética e semântica

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~12
min
3
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Latim A — 10.º e 11.º anos (Formação de palavras)

Tópico anterior

Subordinação (relativas, circunstanciais, infinitivas, interrogativas indiretas) e ablativo absoluto

Tópico seguinte

Tradução latim->português, versão português->latim e produção de texto latino

EuraStudy·Resumos T·11·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.