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Resumos/Inglês/Uso da língua (léxico e estruturas gramaticais)
Resumos · InglêsPT · Secundário

Uso da língua (léxico e estruturas gramaticais)

Este tópico reúne o núcleo gramatical e lexical do inglês: o sistema verbal (tempo e aspeto), os modais e condicionais, a voz passiva e o discurso indireto, as orações relativas e as formas não finitas, e o léxico (formação de palavras, phrasal verbs, colocações). Fecha com as interferências típicas do português (falsos amigos, preposições, ordem de palavras, artigos). Sustenta o uso da língua em contexto avaliado na Parte B do Exame 550.

6 secções·~21 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 3

T·0999 / 17
Perfil de exame
Usar com correção o sistema verbal e as principais estruturas gramaticais do inglês em contextoAlargar e mobilizar o léxico: formação de palavras, phrasal verbs e colocaçõesReconhecer e evitar as interferências da língua materna (falsos amigos, preposições, ordem de palavras)
Operadores:transformacompletacorrigeaplicadistinguereescreve

nível básico

Formação geral: usar corretamente as estruturas de uso mais frequente (tempos verbais básicos, condicionais reais) e vocabulário de temas familiares (nível B1).

nível avançado

Aprofundamento: dominar estruturas complexas (condicionais irreais, passiva, discurso indireto, relativas) e um léxico amplo e preciso, com correção que não gera mal-entendidos (nível B2).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 6 secções▾
  1. Uso da língua (léxico e estruturas gramaticais)
    • 01O sistema verbal: tempo e aspeto◐
    • 02Modais e condicionais◐
    • 03Voz passiva e discurso indireto●
    • 04Orações relativas e formas não finitas●
    • 05Léxico: formação de palavras, phrasal verbs, colocações◐
    • 06Interferências do português: falsos amigos, preposições, ordem de palavras●
§ 01

O sistema verbal: tempo e aspeto#

●●○PadrãoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

O sistema verbal inglês combina duas dimensões: o tempo (present, past, future — quando ocorre a ação) e o aspeto (como se encara a ação). Há três aspetos principais: o simple (ação vista como um todo, hábito ou facto), o continuous ou progressive (ação em curso, temporária, com be + -ing) e o perfect (ação ligada a outro momento, com have + particípio passado). Cruzando tempo e aspeto obtém-se a grelha de tempos verbais que a Fig. 1 sistematiza. Dominar esta grelha é a base de todo o uso correto do verbo.

A grelha de tempo e aspeto

A grelha de tempo e aspetoTabela com 4 colunas e 3 linhas, Dados: Tempo · Simple · Continuous · Perfect; Present · I work · I am working · I have worked; Past · I worked · I was working · I had worked; Future · I will work · I will be working · I will have worked, célula destacada: I have workedTEMPOSIMPLECONTINUOUSPERFECTPRESENTI workI am workingI have workedPASTI workedI was workingI had workedFUTUREI will workI will be workingI will have workedO present perfect (destacado) não equivale ao pretéritoperfeito composto português.
Fig. 1Fig. 1 — Tempo × aspeto: a grelha dos tempos verbais ingleses (verbo «work»).
A oposição entre simple e continuous é frequentemente mal compreendida por falantes de português. O present simple exprime hábitos e factos permanentes («I work in Lisbon», «Water boils at 100 degrees»); o present continuous exprime ações em curso agora ou situações temporárias («I am working from home this week», «Look — it is raining»). Verbos de estado (know, like, want, believe) não costumam usar-se no continuous: diz-se «I know the answer», não «I am knowing». Confundir os dois é um erro típico.
O present perfect (have/has + particípio) é a maior armadilha para quem fala português, porque não corresponde ao pretérito perfeito composto português. Usa-se para ações passadas com relevância no presente, sem tempo definido («I have visited London» — em algum momento, e isso conta agora) e para ações que começaram no passado e continuam, com since (ponto de início) e for (duração): «I have lived here for five years» (e ainda vivo). Em português diz-se «Vivo aqui há cinco anos» (presente), o que leva ao erro «I live here for five years» — incorreto.
A fronteira entre present perfect e past simple decide-se pelo tempo. O past simple usa-se para ações concluídas num tempo passado definido, explícito ou implícito («I saw him yesterday», «I visited London in 2019»); marcadores como yesterday, last week, in 2019, ago exigem past simple. O present perfect não admite um tempo passado terminado: «I have seen him yesterday» é erro — o correto é «I saw him yesterday». Perguntar «a ação está fechada num tempo passado (past simple) ou ligada ao presente (present perfect)?» resolve a maioria dos casos.
Para o passado, o past continuous descreve o cenário em curso quando outra ação ocorreu («I was cooking when the phone rang»), e o past perfect (had + particípio) marca a ação anterior a outra ação passada («When I arrived, the film had already started»). Para o futuro, além de will (decisões e previsões: «I will help you»), usa-se be going to (intenções e evidências: «I am going to study medicine», «Look at those clouds — it is going to rain») e o present continuous para planos combinados («I am meeting Ana tomorrow»). Escolher a forma certa exige atender ao aspeto, não só ao tempo.
Exemplo resolvido

Present perfect ou past simple?

Completa com a forma correta e explica: (a) «She ___ (work) at this company for ten years» (e continua lá); (b) «We ___ (go) to Paris last summer.»

  1. 01Analisar (a)

    «for ten years» + ação que continua no presente pede present perfect: «has worked». Em português, «trabalha aqui há dez anos» (presente) induz o erro «works».

  2. 02Analisar (b)

    «last summer» é um tempo passado terminado: exige past simple, «went». O present perfect seria incorreto com este marcador.

  3. 03Formular a regra

    Ação ligada ao presente (com since/for, sem tempo terminado) → present perfect; ação num tempo passado fechado (last summer, yesterday, ago) → past simple.

Resultado: (a) «has worked» (present perfect, ação que continua); (b) «went» (past simple, tempo passado terminado). A chave é se a ação está ligada ao presente ou fechada no passado — a interferência do português leva a errar (a).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir present perfect (ligado ao presente, com since/for) de past simple (tempo passado definido, com yesterday/ago).
  • Escolher entre simple e continuous consoante a ação seja habitual/permanente ou esteja em curso/temporária.

Erros frequentes

  • Usar o present simple em vez do present perfect com since/for («I live here for five years» em vez de «I have lived here for five years»).
  • Usar o present perfect com um tempo passado terminado («I have seen him yesterday» em vez de «I saw him yesterday»).

Revisão ativa

Completa com o tempo verbal correto: (a) «I ___ (know) her since 2015.» (b) «Yesterday I ___ (meet) my old teacher.» (c) «Be quiet — the baby ___ (sleep).» Justifica cada escolha.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Modais e condicionais#

●●○PadrãoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

Os verbos modais (can, could, may, might, must, should, will, would) exprimem atitudes do falante face à ação: capacidade, permissão, obrigação, probabilidade, conselho. Têm particularidades formais: não levam «-s» na terceira pessoa («she can», não «she cans»), são seguidos do infinitivo sem «to» («you must go», não «you must to go»), e formam a negativa e a interrogativa sem auxiliar («Can you…?», «You should not…»). Estas regras contrariam a tendência do português para acrescentar «to» e conjugar.
Cada modal cobre um leque de significados. Can/could exprimem capacidade («I can swim») e permissão ou pedido («Can I go?», «Could you help?»); must exprime obrigação forte e dedução («You must wear a helmet», «She must be tired»); should exprime conselho («You should rest»); may/might exprimem possibilidade («It may rain»). A obrigação também se exprime com have to («I have to work»), e a sua ausência distingue-se: «you mustn't» (proibição) é diferente de «you don't have to» (não é necessário) — uma confusão frequente e com consequências de sentido.
As orações condicionais relacionam uma condição (oração com if) e um resultado, e classificam-se em quatro tipos segundo o grau de realidade. A condicional zero exprime verdades gerais (if + present, present): «If you heat ice, it melts». A primeira exprime condições reais e prováveis no futuro (if + present, will + infinitivo): «If it rains, I will stay home». A distinção entre elas é de sentido: a zero é atemporal e sempre verdadeira; a primeira projeta um futuro específico e possível (ver Fig. 2).

Os quatro tipos de condicional

Os quatro tipos de condicionalTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Condicional · Estrutura · Exemplo (inglês) · Uso; Zero · if + present, present · If you heat ice, it melts · Verdade geral; Primeira · if + present, will + inf. · If it rains, I will stay home · Futuro real e provável; Segunda · if + past, would + inf. · If I had time, I would travel · Hipótese irreal (presente); Terceira · if + past perfect, would have + part. · If I had studied, I would have passed · Irreal no passado, célula destacada: if + past perfect, would have + part.CONDICIONALESTRUTURAEXEMPLO (INGLÊS)USOZEROif + present, presentIf you heat ice, it meltsVerdade geralPRIMEIRAif + present, will + inf.If it rains, I will stayhomeFuturo real e provávelSEGUNDAif + past, would + inf.If I had time, I wouldtravelHipótese irreal (presente)TERCEIRAif + past perfect, wouldhave + part.If I had studied, I wouldhave passedIrreal no passadoNunca «would» depois de «if»: a condição leva past simple oupast perfect.
Fig. 2Fig. 2 — Os quatro tipos de condicional: estrutura, exemplo e valor.
As condicionais irreais são a maior dificuldade. A segunda condicional exprime situações hipotéticas ou improváveis no presente/futuro (if + past simple, would + infinitivo): «If I had more time, I would travel» (mas não tenho). A terceira exprime situações irreais no passado, que já não podem mudar (if + past perfect, would have + particípio): «If I had studied, I would have passed» (mas não estudei e não passei). Uma armadilha central: em inglês não se usa «would» na oração com if («If I would have money…» é erro); a condição leva past simple (2.ª) ou past perfect (3.ª), nunca «would».
Exemplo resolvido

Completar condicionais irreais

Completa e classifica: (a) «If I ___ (win) the lottery, I would buy a house.» (b) «If she ___ (not / miss) the bus, she would have arrived on time.»

  1. 01Analisar (a)

    Hipótese improvável no presente/futuro: segunda condicional, if + past simple. A oração com if leva «won», não «would win».

  2. 02Analisar (b)

    Situação irreal no passado (já não pode mudar): terceira condicional, if + past perfect. «had not missed»; o resultado é «would have arrived».

  3. 03Confirmar a regra

    Em ambas, a oração com if nunca leva «would»: leva past simple (2.ª) ou past perfect (3.ª).

Resultado: (a) «won» (segunda condicional); (b) «had not missed» (terceira condicional). O erro clássico do falante de português — pôr «would» a seguir a «if» — é evitado aplicando past simple ou past perfect na condição.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os quatro tipos de condicional e usar a estrutura correta em cada oração (nunca «would» depois de «if»).
  • Distinguir «mustn't» (proibição) de «don't have to» (ausência de necessidade).

Erros frequentes

  • Usar «would» na oração com «if» («If I would have time…» em vez de «If I had time…»).
  • Acrescentar «to» depois de um modal («I must to go» em vez de «I must go») ou o «-s» da 3.ª pessoa («she cans»).

Revisão ativa

Completa: (a) «If I ___ (be) you, I would apologise.» (b) «If they had left earlier, they ___ (catch) the train.» (c) «You ___ (not / have to) pay; it is free.» Indica o tipo de condicional de (a) e (b).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Voz passiva e discurso indireto#

●●●AprofundamentoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

A voz passiva forma-se com o verbo be no tempo adequado seguido do particípio passado do verbo principal (be + past participle). Usa-se quando o foco está na ação ou no objeto, e não em quem a pratica — porque o agente é desconhecido, irrelevante ou óbvio: «English is spoken here», «The bridge was built in 1990», «My car has been stolen». O agente, quando se menciona, introduz-se com by: «The novel was written by Orwell» (ver Fig. 3).

A voz passiva por tempo verbal

A voz passiva por tempo verbalTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Tempo · Ativa · Passiva (be + particípio); Present simple · They make cars · Cars are made; Past simple · They built the bridge · The bridge was built; Present perfect · Someone has stolen my car · My car has been stolen; Future (will) · They will publish the book · The book will be published; Modal · You must sign the form · The form must be signed, célula destacada: My car has been stolenTEMPOATIVAPASSIVA (BE +PARTICÍPIO)PRESENT SIMPLEThey make carsCars are madePAST SIMPLEThey built the bridgeThe bridge was builtPRESENT PERFECTSomeone has stolen my carMy car has been stolenFUTURE (WILL)They will publish the bookThe book will be publishedMODALYou must sign the formThe form must be signedO agente, se relevante, introduz-se com «by».
Fig. 3Fig. 3 — A voz passiva (be + particípio) nos principais tempos verbais.
Passar da ativa para a passiva segue passos fixos: o objeto da ativa torna-se sujeito da passiva; o verbo passa a be (no tempo da ativa) + particípio; o sujeito da ativa torna-se agente com by (ou omite-se). «They build houses» → «Houses are built»; «Shakespeare wrote Hamlet» → «Hamlet was written by Shakespeare». Só verbos transitivos (com objeto) admitem passiva. É uma estrutura frequente em textos formais e científicos, e por isso muito presente nos textos de leitura do exame.
O discurso indireto (reported speech) relata o que alguém disse sem reproduzir as palavras exatas. Ao passar do discurso direto ao indireto com um verbo introdutor no passado (said, told), os tempos verbais «recuam» um grau (backshift): present simple → past simple, present continuous → past continuous, past simple → past perfect, will → would, can → could, must → had to. «‘I am tired,’ she said» → «She said (that) she was tired»; «‘I will call you,’ he said» → «He said he would call me».
Além dos tempos, o discurso indireto ajusta pronomes, possessivos e expressões de tempo e lugar, porque muda o ponto de referência. Os pronomes acompanham quem relata («I» de quem falou pode tornar-se «he/she»); os marcadores deslocam-se: now → then, today → that day, tomorrow → the next day, here → there, this → that. As perguntas indiretas recuperam a ordem afirmativa (sem inversão nem auxiliar): «‘Where do you live?’» → «She asked where I lived» (não «where did I live»). Estes ajustes, previsíveis mas numerosos, exigem prática atenta.
Exemplo resolvido

Transformar em discurso indireto

Passa ao discurso indireto: (a) «‘I am studying for my exams,’ said Tom.» (b) «‘Did you finish the project?’ she asked me.»

  1. 01Aplicar o backshift em (a)

    Verbo introdutor no passado (said); present continuous → past continuous: «was studying»; «my» → «his».

  2. 02Reordenar a pergunta em (b)

    Pergunta indireta: recupera a ordem afirmativa, sem «did»; past simple → past perfect: «asked me if I had finished the project».

  3. 03Verificar pronomes e marcadores

    Ajustar pronomes ao novo enunciador («I»→«he»/«I» conforme o relator); em (b), «you» → «I».

Resultado: (a) «Tom said (that) he was studying for his exams.» (b) «She asked me if I had finished the project.» O backshift dos tempos, a reordenação da pergunta (sem «did») e o ajuste dos pronomes são os três passos-chave do discurso indireto.

Foco no Exame Nacional

  • Transformar frases da ativa para a passiva (e vice-versa), mantendo o tempo verbal correto.
  • Aplicar o backshift dos tempos e o ajuste de pronomes e marcadores no discurso indireto.

Erros frequentes

  • Esquecer o backshift no discurso indireto («She said she is tired» em vez de «She said she was tired»).
  • Manter a ordem e o auxiliar da pergunta direta no discurso indireto («He asked where did I live» em vez de «where I lived»).

Revisão ativa

Passa à voz passiva «Someone has cleaned the room» e ao discurso indireto «‘I will help you tomorrow,’ said Ana», ajustando tempo, pronomes e marcadores.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Orações relativas e formas não finitas#

●●●AprofundamentoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

As orações relativas acrescentam informação sobre um nome, introduzidas por pronomes relativos: who (pessoas), which (coisas), that (pessoas ou coisas, só em relativas restritivas), whose (posse), where (lugar), when (tempo). «The man who lives next door is a doctor»; «The book which I bought is great»; «The town where I was born is small». Permitem combinar duas frases numa só, tornando o discurso mais coeso e sofisticado — uma marca de nível B2 (ver Fig. 4).

Pronomes relativos e formas não finitas

Pronomes relativos e formas não finitasTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Elemento · Uso · Exemplo (inglês); who / that · Pessoas (restritiva) · The girl who / that won the prize; which / that · Coisas (restritiva) · The car which / that broke down; whose · Posse · The author whose book I read; Gerúndio (-ing) · Após enjoy, avoid, finish; preposição · I enjoy reading; good at cooking; Infinitivo (to) · Após want, decide, hope, agree · I want to leave; they hope to win, célula destacada: I enjoy reading; good at cookingELEMENTOUSOEXEMPLO (INGLÊS)WHO / THATPessoas (restritiva)The girl who /that won theprizeWHICH / THATCoisas (restritiva)The car which /that brokedownWHOSEPosseThe author whose book I readGERÚNDIO (-ING)Após enjoy, avoid, finish;preposiçãoI enjoy reading; good atcookingINFINITIVO (TO)Após want, decide, hope,agreeI want to leave; they hopeto winDepois de preposição, usa-se sempre o gerúndio.
Fig. 4Fig. 4 — Pronomes relativos e a escolha entre gerúndio e infinitivo.
A distinção entre relativas restritivas (defining) e explicativas (non-defining) tem consequências de sentido e de pontuação. A restritiva identifica de qual referente se fala e é essencial, sem vírgulas: «The students who studied passed» (só esses). A explicativa acrescenta informação não essencial, entre vírgulas: «My brother, who lives in London, is a teacher» (tenho um só irmão; a relativa é um extra). Nas restritivas pode usar-se «that» e omitir o pronome quando é objeto («The film (that) I saw»); nas explicativas, nunca se usa «that» nem se omite o pronome.
As formas não finitas do verbo — o gerúndio (-ing) e o infinitivo (to + verbo) — completam outros verbos, e a escolha entre elas depende do verbo principal. Alguns verbos pedem gerúndio (enjoy, avoid, finish, mind, suggest, keep): «I enjoy reading», «She avoided answering». Outros pedem infinitivo (want, decide, hope, agree, promise, learn): «I want to leave», «They decided to stay». Depois de preposição usa-se sempre o gerúndio: «good at cooking», «interested in learning».
Alguns verbos admitem ambos, mas com mudança de significado — e aqui os falantes de português confundem-se. «Stop doing» (deixar de fazer) difere de «stop to do» (parar para fazer): «I stopped smoking» (deixei de fumar) versus «I stopped to smoke» (parei para fumar). «Remember doing» (recordar algo passado) difere de «remember to do» (lembrar-se de fazer uma tarefa): «I remember locking the door» (lembro-me de a ter fechado) versus «Remember to lock the door» (não te esqueças de a fechar). A forma escolhida muda o sentido, não é indiferente.
Exemplo resolvido

Relativas e a escolha gerúndio/infinitivo

Resolve: (a) combina «The woman is my teacher. She is speaking now.»; (b) escolhe a forma: «He suggested ___ (go) to the cinema» e «He offered ___ (help) me».

  1. 01Combinar com relativo (a)

    «She» refere uma pessoa e a informação é essencial para identificar a mulher: relativa restritiva com «who». «The woman who is speaking now is my teacher.»

  2. 02Escolher a forma após «suggest»

    O verbo «suggest» pede gerúndio: «suggested going».

  3. 03Escolher a forma após «offer»

    O verbo «offer» pede infinitivo: «offered to help».

Resultado: (a) «The woman who is speaking now is my teacher.» (b) «He suggested going»; «He offered to help me.» O relativo «who» combina as frases; a forma não finita depende do verbo — «suggest» pede gerúndio, «offer» pede infinitivo.

Foco no Exame Nacional

  • Combinar frases com o pronome relativo correto e distinguir relativas restritivas (sem vírgulas) de explicativas (com vírgulas).
  • Escolher gerúndio ou infinitivo segundo o verbo principal, atendendo às mudanças de sentido (stop / remember).

Erros frequentes

  • Usar «that» ou omitir o pronome numa relativa explicativa («My father, that is a doctor…» em vez de «who»).
  • Trocar gerúndio e infinitivo após verbos fixos («I enjoy to read» em vez de «I enjoy reading»).

Revisão ativa

Combina numa só frase «This is the house. My grandmother was born in it.» com o relativo adequado, e completa: «I can't help ___ (laugh)», «She refused ___ (answer)».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Léxico: formação de palavras, phrasal verbs, colocações#

●●○PadrãoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

Alargar o léxico é decisivo para atingir o nível B2, e a formação de palavras (word formation) é a via mais produtiva. A derivação por afixos cria famílias de palavras a partir de uma base: a partir de «care» obtêm-se «careful», «careless», «carefully», «caring». Reconhecer e produzir estas famílias multiplica o vocabulário disponível e é diretamente testado nos itens de uso da língua do exame, em que se pede a forma correta de uma palavra dada para completar um espaço (ver Fig. 5).

Afixos e formação de palavras

Afixos e formação de palavrasTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Afixo · Função · Exemplos; un-, im-, dis- · Negar (prefixo) · unhappy, impossible, disagree; re-, over-, under- · Repetição / grau (prefixo) · rewrite, overcook, underpay; -tion, -ment, -ness · Formar nomes (sufixo) · education, movement, happiness; -ful, -less, -able · Formar adjetivos (sufixo) · useful, hopeless, comfortable; -ly / -ise, -en · Advérbios / verbos (sufixo) · quickly / modernise, widen, célula destacada: education, movement, happinessAFIXOFUNÇÃOEXEMPLOSUN-, IM-, DIS-Negar (prefixo)unhappy, impossible,disagreeRE-, OVER-, UNDER-Repetição / grau (prefixo)rewrite, overcook, underpay-TION, -MENT, -NESSFormar nomes (sufixo)education, movement,happiness-FUL, -LESS, -ABLEFormar adjetivos (sufixo)useful, hopeless,comfortable-LY / -ISE, -ENAdvérbios / verbos (sufixo)quickly / modernise, widenOs prefixos mudam o sentido; os sufixos, a classe.
Fig. 5Fig. 5 — Afixos produtivos e as classes de palavras que formam.
Os prefixos alteram sobretudo o sentido, muitas vezes negando-o: un- (unhappy), in-/im-/ir-/il- (impossible, irregular, illegal), dis- (disagree), mis- (misunderstand), re- (repetição: rewrite), over-/under- (excesso/defeito: overcook, underpay). Os sufixos alteram sobretudo a classe da palavra: -tion, -ment, -ness, -ity formam nomes (education, movement, happiness, ability); -ful, -less, -able, -ive formam adjetivos (useful, hopeless, comfortable, creative); -ly forma advérbios (quickly); -ise/-ize e -en formam verbos (modernise, widen). Conhecer os afixos permite deduzir e construir palavras.
Os phrasal verbs — verbos seguidos de uma partícula (advérbio ou preposição) — são muito frequentes no inglês corrente e o seu sentido é, em regra, idiomático, isto é, não se deduz da soma das partes. «Give up» significa desistir (não «dar acima»), «look after» significa cuidar de, «put off» adiar, «run out of» esgotar-se, «find out» descobrir. São uma dificuldade típica, porque a mesma base gera sentidos muito diferentes conforme a partícula: «take off» (descolar/tirar), «take up» (começar uma atividade), «take after» (parecer-se com). Aprendem-se em contexto, como blocos.
As colocações (collocations) são combinações de palavras que ocorrem habitualmente juntas e que soam naturais ao falante nativo, embora outras combinações fossem gramaticalmente possíveis. Diz-se «make a decision» (não «do a decision»), «heavy rain» (não «strong rain»), «strong coffee» (não «hard coffee»), «do homework» (não «make homework»). A oposição make/do é uma fonte constante de erro para falantes de português (que têm um só verbo, «fazer»). Aprender o vocabulário em colocações, e não palavra a palavra, é o que torna o inglês idiomático e preciso.
Exemplo resolvido

Formar palavras a partir de uma base

Completa com a forma correta: (a) «The government made an important ___ (announce).» (b) «This tool is extremely ___ (use).» (c) «She solved the problem ___ (easy).»

  1. 01Analisar (a)

    Depois de «an important» falta um nome; de «announce» (verbo) forma-se o nome com «-ment»: «announcement».

  2. 02Analisar (b)

    Depois de «extremely» falta um adjetivo; de «use» forma-se com «-ful»: «useful».

  3. 03Analisar (c)

    Modifica o verbo «solved»: falta um advérbio; de «easy» forma-se «easily» (y → i + ly).

Resultado: (a) «announcement» (nome, -ment); (b) «useful» (adjetivo, -ful); (c) «easily» (advérbio, -ly). Identificar a classe que falta no espaço e o afixo adequado resolve os itens de formação de palavras do exame.

Foco no Exame Nacional

  • Formar a palavra correta (nome, adjetivo, advérbio, verbo) a partir de uma base, com o afixo adequado.
  • Conhecer phrasal verbs e colocações frequentes (make/do, heavy rain, give up) e usá-los com naturalidade.

Erros frequentes

  • Confundir make e do por interferência do português («do a decision», «make homework»).
  • Traduzir um phrasal verb literalmente ou trocar a partícula, alterando o sentido («take off» por «take up»).

Revisão ativa

Completa com a forma correta da palavra entre parênteses: «Her ___ (decide) surprised everyone»; «The instructions were very ___ (help)»; «He spoke ___ (clear).» Depois substitui «tolerate» e «postpone» por phrasal verbs.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 06

Interferências do português: falsos amigos, preposições, ordem de palavras#

●●●AprofundamentoLPAE-ingles-uso-da-lingua

Pontos-chave

Muitos erros de falantes de português não são aleatórios: resultam de interferência (transfer) da língua materna, ou seja, de aplicar ao inglês estruturas e sentidos do português. Reconhecê-los é meio caminho para os evitar, porque são previsíveis e repetem-se. Dividem-se sobretudo em quatro áreas: os falsos amigos (léxico), as preposições, a ordem das palavras e o uso dos artigos (ver Fig. 6).

Interferências típicas do português

Interferências típicas do portuguêsTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Área · Erro de interferência · Forma correta; Falso amigo · «I will assist the concert» · I will attend the concert; Falso amigo · «Actually» (para dizer «neste momento») · Currently / at the moment; Preposição · «It depends of the weather» · It depends on the weather; Preposição · «She is married with him» · She is married to him; Ordem de palavras · «I like very much this book» · I like this book very much; Artigo · «I like the music» (em geral) · I like music, célula destacada: It depends on the weatherÁREAERRO DE INTERFERÊNCIAFORMA CORRETAFALSO AMIGO«I will assist the concert»I will attend the concertFALSO AMIGO«Actually» (para dizer«neste momento»)Currently / at the momentPREPOSIÇÃO«It depends of the weather»It depends on the weatherPREPOSIÇÃO«She is married with him»She is married to himORDEM DE PALAVRAS«I like very much this book»I like this book very muchARTIGO«I like the music» (emgeral)I like musicAs interferências são previsíveis — reconhecê−las éevitá−las.
Fig. 6Fig. 6 — Interferências previsíveis do português e a forma inglesa correta.
Os falsos amigos (false friends) são palavras parecidas com o português mas de sentido diferente, e induzem contrassensos. «Actually» é «na verdade», não «atualmente» (currently); «pretend» é «fingir», não «pretender» (intend); «assist» é «ajudar», não «assistir» (attend/watch); «push» é «empurrar», não «puxar» (pull); «parents» é «pais», não «parentes» (relatives); «library» é «biblioteca», não «livraria» (bookshop). A semelhança é uma armadilha: o contexto deve sempre confirmar o sentido.
As preposições regidas por verbos, adjetivos e nomes raramente coincidem entre as duas línguas, e a tradução direta falha. Diz-se «depend on» (não «depend of», de «depender de»), «married to» (não «married with», de «casado com»), «interested in», «good at», «arrive at/in» (não «arrive to»), «listen to», «wait for». Estas combinações aprendem-se como blocos, porque não há regra que as deduza — traduzir a preposição portuguesa produz quase sempre erro.
A ordem das palavras e o uso dos artigos obedecem a regras inglesas rígidas. O adjetivo vem antes do nome («a red car», não «a car red»); os advérbios de frequência vêm antes do verbo principal («I always study», não «I study always»); a frase precisa de sujeito expresso, incluindo o «it» impessoal («It is raining», não «Is raining»); as perguntas exigem auxiliar («Do you like…?», não «You like…?»); não há dupla negação («I don't know anything», não «I don't know nothing»). Quanto aos artigos, não se usa o definido em generalizações («I like music», não «I like the music»; «Dogs are loyal», não «The dogs are loyal») — outro decalque frequente do português.
Exemplo resolvido

Corrigir erros de interferência

Corrige e explica: (a) «I am agree with you.» (b) «He arrived to the station late.» (c) «Yesterday I have bought a new phone.»

  1. 01Corrigir (a)

    «Agree» é um verbo, não um adjetivo: não leva «be». Decalque de «estou de acordo». Correto: «I agree with you.»

  2. 02Corrigir (b)

    «Arrive» rege «at/in», não «to» (interferência de «chegar a»). Correto: «He arrived at the station late.»

  3. 03Corrigir (c)

    «Yesterday» é tempo passado terminado: exige past simple, não present perfect. Correto: «Yesterday I bought a new phone.»

Resultado: (a) «I agree with you»; (b) «He arrived at the station late»; (c) «Yesterday I bought a new phone.» Os três erros são interferências previsíveis do português (verbo com «be», preposição decalcada, present perfect com marcador de passado) — reconhecer o padrão é a melhor defesa.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e corrigir falsos amigos, confirmando o sentido pelo contexto.
  • Usar a preposição inglesa correta (depend on, married to, interested in) e respeitar a ordem de palavras e o uso dos artigos.

Erros frequentes

  • Traduzir a preposição do português («depend of», «married with», «arrive to»).
  • Decalcar a ordem portuguesa ou o artigo generalizador («a car red», «I like the music», «Is raining»).

Revisão ativa

Corrige os erros de interferência: «I like very much the music»; «She is married with a doctor»; «Actually I am studying for the exam» (querendo dizer «neste momento»); «I don't know nothing about it».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 06

    • 01O sistema verbal: tempo e aspeto◐
    • 02Modais e condicionais◐
    • 03Voz passiva e discurso indireto●
    • 04Orações relativas e formas não finitas●
    • 05Léxico: formação de palavras, phrasal verbs, colocações◐
    • 06Interferências do português: falsos amigos, preposições, ordem de palavras●

0/6 Lidos

Dos resumos à prática

Uso da língua (léxico e estruturas gramaticais)

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~21
min
3
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação)

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Competência estratégica (planificar, regular, reparar)

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