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Resumos/História da Cultura e das Artes/Módulo 9 — A Cultura do Cinema: a euforia das invenções e as ruturas/vanguardas do século XX
Resumos · História da Cultura e das ArtesPT · Secundário

Módulo 9 — A Cultura do Cinema: a euforia das invenções e as ruturas/vanguardas do século XX

O início do século XX é uma explosão de invenções — o cinema, o automóvel, o avião — e de ruturas artísticas. As vanguardas (Fauvismo, Expressionismo, Cubismo, Futurismo, Abstração) rompem com a representação; Dada e o Surrealismo põem em causa a própria ideia de arte. A arquitetura moderna nasce com a Bauhaus e Le Corbusier, e o cinema torna-se a arte-síntese do século. Módulo do Exame 724.

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·111111 / 12
Perfil de exame
Caracterizar a era das invenções e a crise das certezas do início do século XXIdentificar e distinguir as principais vanguardasAnalisar a rutura com a representação e o papel de Dada e do SurrealismoReconhecer a arquitetura moderna e o cinema como arte de síntese
Operadores:caracterizaidentificadistingueanalisadescreverelacionajustifica

nível básico

Reconhecer as principais vanguardas e a rutura com a representação; identificar a Bauhaus e Le Corbusier.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 724: analisar obras (Cubismo, Dada) e relacionar as vanguardas com a crise das certezas.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 9 — A Cultura do Cinema: a euforia das invenções e as ruturas/vanguardas do século XX
    • 01O tempo e o espaço: a euforia das invenções○
    • 02As vanguardas: a rutura com a representação◐
    • 03Dada, Surrealismo e a arte do sentido●
    • 04A arquitetura moderna e o cinema◐
§ 01

O tempo e o espaço: a euforia das invenções#

●○○BaseLPAE-hca-cultura-cinema

Pontos-chave

A viragem do século XIX para o XX é uma época de euforia técnica. Numa geração, sucedem-se invenções que mudam a vida e a perceção do mundo: o cinema (a primeira sessão pública dos irmãos Lumière data de 1895), o automóvel, o avião (o primeiro voo dos irmãos Wright é de 1903), a eletricidade, o telefone, o rádio. O mundo torna-se mais rápido, mais luminoso e mais ligado. Este período de otimismo e prosperidade na Europa ficou conhecido como a Belle Époque — a «bela época» —, marcada pela fé no progresso e na ciência (ver Fig. 1).

O início do século XX

O início do século XXLinha do tempo de 1890 a 1945, 1895: Cinema (Lumière), 1907: Cubismo, 1914: Primeira Guerra, 1919: Bauhaus, 1924: Surrealismo, 1890–1914: Belle Époque, 1918–1939: Entre-guerras18901945d.C.Belle ÉpoqueEntre-guerras1895Cinema (Lumière)1907Cubismo1914Primeira Guerra1919Bauhaus1924Surrealismo
Fig. 1Fig. 1 — Da euforia das invenções à era das vanguardas, entre a Belle Époque e o entre-guerras.
Mas, por baixo do otimismo, as certezas do século XIX desmoronavam-se. A ciência abalava as bases do mundo estável: Sigmund Freud revelava que o comportamento humano é movido por um inconsciente irracional; Albert Einstein, com a teoria da relatividade, mostrava que o espaço e o tempo não são absolutos. A ideia de uma realidade única, objetiva e racional entrava em crise — e, se a realidade já não era estável nem única, também a arte deixava de ter de a representar de um só modo.
O golpe decisivo veio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a mais destruidora que a Europa conhecera. A mesma técnica que trouxera o progresso trouxe agora a morte em massa (metralhadoras, gases, tanques). A guerra destruiu a fé no progresso, na razão e na civilização europeia, deixando uma geração traumatizada e descrente. O choque foi tão profundo que a arte não podia continuar como antes: para muitos artistas, representar belamente o mundo tornara-se impossível ou obsceno depois de tanto horror.
É deste duplo contexto — a euforia das invenções e a crise das certezas — que nascem as vanguardas do século XX. A palavra vanguarda (do termo militar que designa a linha da frente) aplica-se aos movimentos que se assumem como exploradores radicais do novo, rompendo com toda a tradição. O que os une é uma convicção: depois da fotografia, da ciência e da guerra, a arte já não tem de imitar o visível — pode e deve inventar linguagens inteiramente novas. O cinema, arte nova por excelência, dá nome ao módulo desta explosão criativa.
Exemplo resolvido

Explicar o contexto das vanguardas

Justifica a afirmação: «As vanguardas do início do século XX nascem de um mundo ao mesmo tempo deslumbrado e em crise.»

  1. 01O deslumbramento

    As invenções (cinema, automóvel, avião, eletricidade) e a velocidade geram fascínio e fé no progresso — a Belle Époque.

  2. 02A crise

    A ciência (Freud, Einstein) abala a ideia de uma realidade única e racional; a Primeira Guerra destrói a fé no progresso e na razão.

  3. 03A consequência

    Deste choque nasce a convicção de que a arte já não tem de imitar o visível — pode inventar linguagens novas, rompendo com toda a tradição.

Resultado: As vanguardas nascem da tensão entre o deslumbramento com a técnica e o colapso das certezas (científicas e civilizacionais): um mundo que deixou de ser estável e racional produziu uma arte que abandona a representação estável e única.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a euforia das invenções (cinema, automóvel, avião) e a Belle Époque.
  • Explicar a crise das certezas (Freud, Einstein) e o impacto da Primeira Guerra.
  • Relacionar o contexto com o surgimento das vanguardas.

Erros frequentes

  • Ver o início do século XX só como progresso, ignorando a crise das certezas e a guerra.
  • Não relacionar as vanguardas com o seu contexto histórico e científico.
  • Confundir vanguarda (rutura radical com a tradição) com uma simples moda.

Revisão ativa

Explica por que a Primeira Guerra Mundial e a nova ciência contribuíram para as ruturas das vanguardas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Cinema (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As vanguardas: a rutura com a representação#

●●○PadrãoLPAE-hca-cultura-cinema

Pontos-chave

As vanguardas históricas (sobretudo entre 1905 e a década de 1930) partilham um objetivo comum — romper com a tradição da representação fiel do visível, herdada do Renascimento — mas seguem caminhos diferentes (ver Fig. 2). As primeiras ruturas libertam a cor e a forma. O Fauvismo (1905), com Henri Matisse, liberta a cor de qualquer obrigação de imitar a realidade: usa-a pura, intensa e arbitrária, como puro meio de expressão e de prazer. O Expressionismo deforma as figuras e exagera as cores para exprimir a emoção e a angústia interiores — já anunciadas por Edvard Munch em «O Grito» (1893) — com Kandinsky, Kirchner e outros.

As principais vanguardas

As vanguardasTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Vanguarda · Rutura / característica · Referência; Fauvismo (1905) · A cor liberta da realidade, pura expressão · Matisse; Expressionismo · A deformação para exprimir a emoção interior · Munch, Kandinsky; Cubismo (1907) · Facetas geométricas; múltiplos pontos de vista · Picasso, Braque; Futurismo (1909) · O movimento, a velocidade, a máquina · Boccioni, Marinetti; Abstração (c. 1910) · A arte sem objeto reconhecível · Kandinsky, Mondrian, célula destacada: Facetas geométricas; múltiplos pontos de vistaVANGUARDARUTURA /CARACTERÍSTICAREFERÊNCIAFAUVISMO (1905)A cor liberta da realidade,pura expressãoMatisseEXPRESSIONISMOA deformação para exprimir aemoção interiorMunch, KandinskyCUBISMO (1907)Facetas geométricas;múltiplos pontos de vistaPicasso, BraqueFUTURISMO (1909)O movimento, a velocidade, amáquinaBoccioni, MarinettiABSTRAÇÃO (C.1910)A arte sem objetoreconhecívelKandinsky, Mondrian
Fig. 2Fig. 2 — As principais vanguardas históricas: cada uma ataca uma convenção da tradição.
A rutura mais radical com a herança renascentista é o Cubismo, criado por Pablo Picasso (1881-1973) — com «Les Demoiselles d'Avignon» (1907) — e Georges Braque (1882-1963). O Cubismo abandona a perspetiva única de um observador fixo e decompõe os objetos em facetas geométricas, mostrando-os simultaneamente de vários pontos de vista no mesmo quadro (ver Fig. 3). É o fim da ilusão de profundidade: o quadro afirma-se como superfície plana onde a realidade é analisada e reconstruída pelo intelecto. Picasso viria a pintar, em «Guernica» (1937), a mais poderosa denúncia da guerra do século XX.

A decomposição cubista

Decomposição cubistaFigura geométrica, facetax1x2faceta
Fig. 3Fig. 3 — Esquema da decomposição cubista: o objeto é fragmentado em facetas geométricas e mostrado de vários pontos de vista.
Outras vanguardas exaltam o mundo moderno ou abolem o próprio objeto. O Futurismo italiano (manifesto de Marinetti, 1909), com Boccioni, glorifica a máquina, a velocidade, a cidade e o movimento, procurando pintar o dinamismo. E a Abstração dá o passo final: por volta de 1910-1913, Vassily Kandinsky pinta as primeiras obras sem qualquer objeto reconhecível — apenas linhas, formas e cores, como uma música visual; Piet Mondrian levaria a abstração a uma ordem geométrica pura de linhas retas e cores primárias (o neoplasticismo). Pela primeira vez, a arte pode não representar nada exterior a si mesma.
Em conjunto, as vanguardas realizam a maior rutura na história da arte ocidental: em poucos anos, cai o princípio, com séculos, de que pintar é representar o mundo visível. Cada movimento ataca uma convenção — a cor natural (Fauvismo), a serenidade (Expressionismo), a perspetiva única (Cubismo), a imobilidade (Futurismo), a própria representação (Abstração). Em Portugal, o modernismo teve em Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) um dos seus nomes maiores, dialogando com o Cubismo e o Futurismo, e em Almada Negreiros uma figura multifacetada da geração de «Orpheu».
Exemplo resolvido

Analisar uma obra cubista

Uma pintura mostra um rosto em que se veem, ao mesmo tempo, o perfil e a face de frente, decompostos em planos geométricos angulosos. Identifica a vanguarda e explica a rutura.

  1. 01Identificar

    A decomposição em facetas geométricas e a representação simultânea de vários pontos de vista (perfil e frente ao mesmo tempo) identificam o Cubismo (Picasso, Braque).

  2. 02A rutura

    Abandona a perspetiva única de um observador fixo, herdada do Renascimento: o objeto é analisado de vários ângulos e reconstruído no mesmo plano.

  3. 03O sentido

    O quadro deixa de ser uma «janela» ilusória e afirma-se como superfície plana onde o intelecto reconstrói a realidade — uma revolução na maneira de ver e representar.

Resultado: A obra é cubista: ao mostrar o objeto de vários pontos de vista em facetas geométricas, rompe com a perspetiva única do Renascimento e afirma o quadro como superfície plana — a rutura mais radical das vanguardas com a tradição representativa.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir Fauvismo, Expressionismo, Cubismo, Futurismo e Abstração.
  • Explicar a rutura do Cubismo com a perspetiva (facetas, múltiplos pontos de vista).
  • Reconhecer a Abstração (arte sem objeto) e o modernismo português (Amadeo).

Erros frequentes

  • Confundir as vanguardas entre si (atribuir a decomposição em facetas ao Fauvismo).
  • Julgar a Abstração uma pintura «mal feita» (o seu objetivo é não representar nada exterior).
  • Ignorar o modernismo português (Amadeo de Souza-Cardoso).

Revisão ativa

Explica por que o Cubismo representa a rutura mais radical com a tradição renascentista da representação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Cinema (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Dada, Surrealismo e a arte do sentido#

●●●AprofundamentoLPAE-hca-cultura-cinema

Pontos-chave

Se as primeiras vanguardas revolucionaram a forma, Dada e o Surrealismo revolucionaram a própria ideia de arte. O movimento Dada nasceu em 1916, em Zurique (no Cabaret Voltaire), em plena Primeira Guerra, como uma revolta contra uma civilização «racional» que produzira aquele horror. Se a razão levara à guerra, Dada respondia com o absurdo, o acaso, a provocação e o anti-arte: espetáculos caóticos, poemas feitos de palavras ao acaso, obras deliberadamente sem sentido. Dada não queria fazer arte bela — queria escandalizar e destruir as convenções (ver Fig. 4).

De Dada ao Surrealismo

Dada e SurrealismoGrafo, Guerra: crise das certezas → Dada: anti-arte, ready-made, Dada: anti-arte, ready-made → Surrealismo: o sonho, Freud: o inconsciente → Surrealismo: o sonhoGuerra: crisedas certezasDada: anti-arte,ready-madeFreud: oinconscienteSurrealismo: osonhorevoltaevoluiinspira
Fig. 4Fig. 4 — De Dada ao Surrealismo: a revolta contra a razão e a exploração do inconsciente.
A figura maior desta rutura é Marcel Duchamp (1887-1968) e a sua invenção do ready-made: um objeto industrial comum, escolhido e apresentado como obra de arte. O caso mais célebre é «Fonte» (1917), um urinol de fábrica assinado e exposto. Com este gesto, Duchamp fez a pergunta que atravessaria toda a arte do século XX: o que faz de algo uma obra de arte? Não a beleza, nem a técnica, nem a mão do artista — mas a decisão de o apresentar como arte. O ready-made desloca a arte do fazer para o pensar, e abre caminho à arte conceptual.
Do espírito de Dada nasceu o Surrealismo, fundado por André Breton com o seu manifesto de 1924. Inspirado nas descobertas de Freud sobre o inconsciente, o Surrealismo procura libertar a imaginação do controlo da razão e explorar o mundo do sonho, do desejo e do irracional. Recorre ao automatismo (criar sem controlo consciente) e a imagens oníricas, insólitas e perturbadoras. Salvador Dalí (1904-1989) pinta paisagens de sonho com precisão alucinatória (os relógios moles de «A Persistência da Memória», 1931); René Magritte cria paradoxos visuais; Joan Miró inventa um mundo de sinais poéticos.
Dada e o Surrealismo mudaram para sempre o horizonte da arte. Ao afirmar que qualquer objeto pode ser arte (Duchamp) e que a arte pode brotar do sonho e do inconsciente (Surrealismo), alargaram infinitamente o campo do possível. A partir deles, a arte pode ser ideia, gesto, provocação, sonho — e não apenas objeto belo. Muita da arte contemporânea, que o módulo seguinte estudará, é herdeira direta desta dupla revolução do sentido. A fotografia e o cinema, entretanto, afirmavam-se também como novas artes maiores.
Exemplo resolvido

Interpretar o ready-made

Explica por que a «Fonte» de Duchamp (um urinol industrial assinado e exposto) constitui uma rutura decisiva na história da arte.

  1. 01O gesto

    Duchamp não fabricou nada: escolheu um objeto industrial comum e apresentou-o como obra de arte — o ready-made.

  2. 02A pergunta

    Se um urinol pode ser arte, então o que faz de algo arte não é a beleza, a técnica ou a mão do artista, mas a decisão de o apresentar e reconhecer como arte.

  3. 03A consequência

    A arte desloca-se do «fazer» (a habilidade) para o «pensar» (a ideia e o contexto), abrindo caminho à arte conceptual e a toda a arte contemporânea.

Resultado: A «Fonte» é uma rutura decisiva porque, ao declarar arte um objeto industrial, mostra que o estatuto de arte não depende da beleza nem da técnica, mas da ideia e do contexto — deslocando a arte do fazer para o pensar e abrindo o horizonte da arte contemporânea.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar Dada (anti-arte, absurdo, provocação) e o ready-made de Duchamp.
  • Caracterizar o Surrealismo (o inconsciente, o sonho, Freud, o automatismo).
  • Explicar como Duchamp desloca a arte do «fazer» para o «pensar».

Erros frequentes

  • Confundir Dada (revolta, anti-arte) com o Surrealismo (o sonho, o inconsciente).
  • Julgar o ready-made uma provocação sem consequências (funda a arte conceptual).
  • Ignorar a inspiração de Freud no Surrealismo.

Revisão ativa

Explica por que a «Fonte» de Duchamp levantou a questão «o que é uma obra de arte?».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Cinema (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A arquitetura moderna e o cinema#

●●○PadrãoLPAE-hca-cultura-cinema

Pontos-chave

A rutura chegou também à arquitetura, com o Movimento Moderno (ou arquitetura moderna). Rejeitando a imitação dos estilos do passado e o ornamento, os arquitetos modernos adotaram o princípio de que «a forma segue a função»: um edifício deve ser desenhado a partir do seu uso, com honestidade e economia, sem decoração inútil. Servem-se dos materiais industriais — o betão armado, o aço e o vidro — para criar formas simples, geométricas e funcionais. A beleza nasce da estrutura, da proporção e da clareza, não do enfeite.
Duas referências fundaram esta linguagem. A Bauhaus, escola de arte, design e arquitetura fundada por Walter Gropius na Alemanha em 1919 (encerrada pelos nazis em 1933), procurou unir a arte à indústria e formar objetos e edifícios funcionais e belos para a era da máquina — o berço do design moderno. E o franco-suíço Le Corbusier (1887-1965), que definiu a casa como «uma máquina de habitar» e formulou os cinco pontos da nova arquitetura (os pilotis, a planta livre, a fachada livre, a janela em banda e o terraço-jardim), aplicados na célebre Villa Savoye (1928-1931). Mies van der Rohe («menos é mais») levou ao extremo a pureza do aço e do vidro.
A arte verdadeiramente nova e emblemática do século XX é, porém, o cinema. Nascido em 1895, tornou-se a grande arte de massas e uma síntese de todas as artes (ver Fig. 5): junta a imagem (fotografia, pintura), o movimento e o tempo, o som e a música, o texto e a representação (teatro, literatura). A esta reunião acrescenta uma linguagem própria e revolucionária: a montagem — a arte de articular os planos, descoberta por cineastas como Sergei Eisenstein. O cinema criou também os seus géneros e mestres, do cómico Charlie Chaplin ao expressionismo alemão, e tornou-se o espelho e o sonho do século.

O cinema, síntese das artes

O cinemaroda segmentada, 7 segmentos, Dados: O cinema, Imagem, Movimento, Montagem, Som, Teatro, Literatura, MúsicaImagemfotografia, pinturaMovimentoo tempoMontagema linguagem própriaSoma vozTeatroa representaçãoLiteraturao argumentoMúsicaa banda sonoraO cinema
Fig. 5Fig. 5 — O cinema reúne as artes anteriores e acrescenta-lhes uma linguagem própria: a montagem.
A Cultura do Cinema mostra, assim, a arte a explodir em todas as direções: liberta a cor e a forma (vanguardas), abole a representação (Abstração), questiona a própria ideia de arte (Dada, Surrealismo), reinventa o espaço construído (arquitetura moderna) e cria uma arte totalmente nova (o cinema). É a época mais fervilhante e experimental da história das artes — e prepara diretamente o mundo global e digital que o último módulo, a Cultura do Espaço Virtual, irá estudar.
Exemplo resolvido

Analisar a arquitetura moderna

Um edifício é uma caixa branca sobre pilares, de linhas retas, sem qualquer ornamento, com janelas em banda e um terraço-jardim. Identifica o movimento e os princípios que revela.

  1. 01Identificar

    A ausência de ornamento, as formas geométricas simples e os pilares, janelas em banda e terraço identificam o Movimento Moderno, na linha de Le Corbusier.

  2. 02Os princípios

    «A forma segue a função»: o edifício desenha-se a partir do uso, com honestidade e economia; usa materiais industriais (betão, aço, vidro).

  3. 03Os cinco pontos

    Os pilares (pilotis) que levantam o edifício, a janela em banda e o terraço-jardim são traços dos cinco pontos de Le Corbusier (Villa Savoye).

Resultado: O edifício é da arquitetura moderna: aplica o princípio «a forma segue a função», recusa o ornamento e usa materiais industriais, com os cinco pontos de Le Corbusier — a estrutura e a função, e não o enfeite, geram a beleza.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar os princípios da arquitetura moderna («a forma segue a função»; materiais industriais).
  • Reconhecer a Bauhaus (Gropius) e Le Corbusier (os cinco pontos, Villa Savoye).
  • Explicar o cinema como arte-síntese e a montagem como a sua linguagem própria.

Erros frequentes

  • Atribuir ornamento e imitação de estilos à arquitetura moderna (rejeita-os).
  • Confundir a Bauhaus (escola de design/arquitetura) com uma vanguarda pictórica.
  • Reduzir o cinema a «filmar teatro», ignorando a montagem como linguagem própria.

Revisão ativa

Explica por que o cinema é considerado uma arte de síntese e qual é a sua linguagem própria.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Cinema (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O tempo e o espaço: a euforia das invenções○
    • 02As vanguardas: a rutura com a representação◐
    • 03Dada, Surrealismo e a arte do sentido●
    • 04A arquitetura moderna e o cinema◐

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Dos resumos à prática

Módulo 9 — A Cultura do Cinema: a euforia das invenções e as ruturas/vanguardas do século XX

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Referências e fontes

Fontes

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  • Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Cinema

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