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Resumos/História B/Alterações geoestratégicas, tensões e transformações no mundo atual
Resumos · História BPT · Secundário

Alterações geoestratégicas, tensões e transformações no mundo atual

O fim da Guerra Fria — a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da URSS (1991) — encerra a ordem bipolar e abre o mundo atual: globalizado, dominado pela economia-mundo integrada, pelas multinacionais e pela sociedade da informação. A construção europeia aprofunda-se (Tratado de Maastricht, 1992; euro, 2002), com Portugal integrado na União Europeia desde 1986. O mundo globalizado enfrenta, porém, novas tensões e desafios — conflitos, assimetrias Norte-Sul, migrações e ambiente. Tema final do 11.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).

4 secções·~15 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·151515 / 15
Perfil de exame
Explicar o fim da Guerra Fria e o novo mapa mundialCaracterizar a globalização e as suas assimetriasCaracterizar a construção europeia e os desafios do mundo atual
Operadores:explicacaracterizarelacionadistingueinterpretaanalisajustifica

nível básico

Compreender o fim da Guerra Fria, a globalização, a União Europeia e os desafios do mundo atual.

nível avançado

Explicar a globalização e as suas assimetrias e caracterizar os desafios do mundo atual, interpretando fontes (competência da Prova 723).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Alterações geoestratégicas, tensões e transformações no mundo atual
    • 01O fim da Guerra Fria e o novo mapa mundial◐
    • 02A globalização e a sociedade da informação◐
    • 03A União Europeia e Portugal◐
    • 04As tensões e os desafios do mundo atual●
§ 01

O fim da Guerra Fria e o novo mapa mundial#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-mundo-atual

Pontos-chave

A segunda metade do século XX foi dominada pela Guerra Fria e pela ordem bipolar; mas, no final da década de 1980, essa ordem ruiu com uma rapidez que surpreendeu o mundo (ver Fig. 1). A causa profunda estava na crise do bloco soviético: a economia planificada da URSS e dos seus satélites, incapaz de acompanhar o dinamismo e a inovação das economias de mercado ocidentais, estagnara — faltavam bens de consumo, a produtividade era baixa e o atraso tecnológico crescia. O modelo económico soviético esgotara-se, e com ele a capacidade de sustentar a competição com o Ocidente.

O fim da Guerra Fria (1985-1991)

O fim da Guerra FriaLinha do tempo de 1984 a 1992, 1985: Gorbatchev: perestroika e glasnost, 1989: Queda do Muro de Berlim, 1990: Reunificação da Alemanha, 1991: Dissolução da URSS19841992ano1985Gorbatchev:perestroika e g…1989Queda do Muro deBerlim1990Reunificação daAlemanha1991Dissolução daURSS
Fig. 1Fig. 1 — Da tentativa de reforma soviética ao colapso do bloco de leste.
Perante esta crise, o novo líder soviético, Mikhail Gorbatchev (a partir de 1985), lançou um programa de reformas para salvar o sistema: a perestroika (reestruturação económica, com alguma abertura ao mercado) e a glasnost (transparência, maior liberdade de expressão e de informação). Mas as reformas, em vez de regenerarem o regime, aceleraram a sua desagregação: a abertura libertou aspirações há muito contidas — de liberdade e de independência nacional — que o regime, enfraquecido, já não conseguiu conter.
O ano decisivo foi 1989. Um após outro, os regimes comunistas da Europa central e oriental caíram, na sua maioria de forma pacífica, à medida que Gorbatchev renunciava a intervir militarmente para os sustentar. O símbolo maior desta vaga foi a queda do Muro de Berlim, a 9 de novembro de 1989: o muro que dividia a cidade — e que era a própria imagem da divisão da Europa e do mundo em dois blocos — foi derrubado pelos próprios cidadãos. No ano seguinte (1990), a Alemanha, separada desde o pós-guerra, reunificou-se.
O processo culminou na própria URSS. Em 1991, a União Soviética desagregou-se: as repúblicas que a compunham tornaram-se independentes e a URSS deixou de existir (dezembro de 1991). Com ela, terminava a Guerra Fria e desaparecia um dos dois polos do mundo bipolar. O resultado foi um novo mapa geoestratégico (ver Fig. 2): o desaparecimento do bloco de leste deixou os Estados Unidos como única superpotência (um mundo, por algum tempo, «unipolar»), abriu caminho ao alargamento da NATO e da Europa comunitária a leste, e inaugurou a época em que vivemos — a do mundo globalizado, tema das secções seguintes.

Do colapso soviético ao mundo unipolar

Do colapso ao mundo unipolarGrafo, Crise do modelo soviético (economia estagnada) → Reformas de Gorbatchev (perestroika, glasnost), Reformas de Gorbatchev (perestroika, glasnost) → Emancipação do bloco de leste (1989), Emancipação do bloco de leste (1989) → Dissolução da URSS (1991), Dissolução da URSS (1991) → Fim da bipolaridade; hegemonia dos EUACrise do modelosoviético(economia estag…Reformas deGorbatchev(perestroika, g…Emancipação dobloco de leste(1989)Dissolução daURSS (1991)Fim dabipolaridade;hegemonia dos E…
Fig. 2Fig. 2 — O encadeamento que conduz do colapso soviético ao novo mapa mundial.
Exemplo resolvido

Explicar o efeito das reformas de Gorbatchev

Explica por que as reformas de Gorbatchev (perestroika e glasnost), pensadas para salvar o sistema soviético, acabaram por acelerar o seu colapso.

  1. 01O objetivo das reformas

    Gorbatchev queria modernizar a economia (perestroika) e abrir o regime (glasnost) para regenerar o sistema soviético em crise.

  2. 02O efeito inesperado

    A abertura libertou aspirações de liberdade e de independência nacional há muito reprimidas, que o regime enfraquecido já não conseguiu controlar.

  3. 03O desfecho

    Os regimes do leste caíram em 1989 e a própria URSS dissolveu-se em 1991 — o contrário do que as reformas pretendiam.

Resultado: As reformas de Gorbatchev aceleraram o colapso porque, ao abrir um regime rígido e em crise, libertaram forças (aspirações de liberdade e de independência) que já não puderam ser contidas: em vez de regenerar o sistema, a perestroika e a glasnost precipitaram a queda dos regimes do leste (1989) e a dissolução da URSS (1991).

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a crise do modelo económico soviético e as reformas de Gorbatchev (perestroika, glasnost).
  • Situar e explicar o significado da queda do Muro de Berlim (1989) e da dissolução da URSS (1991).
  • Caracterizar o novo mapa geoestratégico (fim da bipolaridade, hegemonia dos EUA).

Erros frequentes

  • Confundir a perestroika (reestruturação económica) com a glasnost (abertura e transparência).
  • Situar mal a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da URSS (1991), ou confundi-las.
  • Julgar que a Guerra Fria terminou por uma vitória militar, e não pelo colapso interno do bloco soviético.

Revisão ativa

Explica como a crise do bloco soviético e as reformas de Gorbatchev conduziram ao fim da Guerra Fria (1989-1991).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A globalização e a sociedade da informação#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-mundo-atual

Pontos-chave

O fim da Guerra Fria acelerou um processo que já vinha de trás e que passou a definir o mundo atual: a globalização (ver Fig. 3). Chama-se globalização (ou mundialização) à crescente integração e interdependência das economias, das sociedades e das culturas à escala planetária — um processo pelo qual mercadorias, capitais, pessoas, informação e modos de vida circulam cada vez mais livremente por todo o mundo, tornando-o, em certo sentido, um único espaço. Desaparecidas as fronteiras rígidas dos blocos, a economia de mercado estendeu-se a quase todo o planeta.

Os motores da globalização

Os motores da globalizaçãoGrafo, Revolução das TIC e dos transportes → Globalização (economia-mundo integrada), Liberalização do comércio e dos capitais → Globalização (economia-mundo integrada), Globalização (economia-mundo integrada) → Multinacionais e deslocalização, Globalização (economia-mundo integrada) → Sociedade da informação e de consumoRevolução dasTIC e dostransportesLiberalização docomércio e doscapitaisGlobalização(economia-mundointegrada)Multinacionais edeslocalizaçãoSociedade dainformação e deconsumo
Fig. 3Fig. 3 — Os fatores que impulsionam a economia-mundo globalizada e os seus efeitos.
No plano económico, a globalização traduz-se numa economia-mundo integrada. Os mercados financeiros funcionam em rede, praticamente sem interrupção; o comércio internacional cresceu enormemente, com a liberalização das trocas; e as grandes empresas multinacionais (ou transnacionais) organizam a produção à escala mundial, deslocalizando fábricas para onde a mão de obra é mais barata — uma nova divisão internacional do trabalho. Neste quadro, emergiram novas potências económicas, sobretudo na Ásia (como a China e a Índia). A economia tornou-se, verdadeiramente, global.
Este processo foi impulsionado por uma revolução tecnológica — a das tecnologias da informação e comunicação (TIC). A generalização do computador, da internet e das comunicações instantâneas fez nascer a sociedade da informação (ou do conhecimento), em que a informação circula em tempo real por todo o planeta e se tornou um recurso económico central. Aliada a transportes rápidos e mais baratos, a revolução digital «encolheu» o mundo, aproximando pessoas e mercados antes distantes e tornando possível coordenar a economia à escala mundial.
A globalização tem também uma dimensão social e cultural profunda (ver Fig. 4). Difundiu à escala mundial uma sociedade de consumo e modelos culturais globais (o cinema, a música, as marcas, os estilos de vida), gerando uma cultura de massas planetária — que uns veem como enriquecimento e outros como uma ameaça de uniformização às culturas locais. Transformou as sociedades: novos padrões de consumo e de trabalho, urbanização acelerada, novos movimentos sociais e culturais. Mas a globalização é profundamente desigual: os seus benefícios repartem-se de forma muito assimétrica, aprofundando, em muitos casos, o fosso entre um Norte rico e um Sul pobre — assimetrias que veremos como um dos grandes desafios do mundo atual.

Do mundo bipolar ao mundo globalizado

Bipolar vs globalizadoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Mundo bipolar (até 1989) · Mundo globalizado (após 1991); Ordem política · Bipolar (EUA-URSS) · Hegemonia dos EUA; tendência multipolar; Economia · Dois sistemas (mercado vs plano) · Economia-mundo capitalista integrada; Fronteiras · Blocos fechados («cortina de ferro») · Interdependência; fluxos globais; Comunicação · Meios de massa nacionais · Sociedade da informação (internet), célula destacada: Economia-mundo capitalista integradaASPETOMUNDO BIPOLAR (ATÉ1989)MUNDO GLOBALIZADO(APÓS 1991)ORDEM POLÍTICABipolar (EUA-URSS)Hegemonia dos EUA; tendênciamultipolarECONOMIADois sistemas (mercado vsplano)Economia-mundo capitalistaintegradaFRONTEIRASBlocos fechados («cortina deferro»)Interdependência; fluxosglobaisCOMUNICAÇÃOMeios de massa nacionaisSociedade da informação(internet)
Fig. 4Fig. 4 — Duas ordens mundiais: a bipolar e a globalizada.
Exemplo resolvido

Relacionar as TIC e a globalização económica

Explica de que modo a revolução das tecnologias da informação e comunicação (TIC) tornou possível a globalização da economia.

  1. 01A revolução das TIC

    A internet e as comunicações instantâneas permitem transmitir informação em tempo real por todo o mundo, a baixo custo.

  2. 02O efeito na economia

    As empresas passam a poder coordenar produção, mercados e finanças à escala mundial, e os capitais circulam globalmente em segundos.

  3. 03A conclusão

    Sem a comunicação instantânea e barata, a economia-mundo integrada (multinacionais, mercados financeiros globais, deslocalização) não seria possível.

Resultado: As TIC tornaram possível a globalização económica porque a comunicação instantânea e barata permite às empresas coordenar a produção e os mercados à escala mundial e aos capitais circular globalmente em tempo real: a economia-mundo integrada — com multinacionais, mercados financeiros globais e deslocalização — assenta, precisamente, nessa revolução tecnológica.

Foco no Exame Nacional

  • Definir globalização e caracterizar a economia-mundo integrada (mercados financeiros, comércio, multinacionais, deslocalização).
  • Explicar o papel da revolução das TIC e da sociedade da informação.
  • Caracterizar as transformações socioculturais (sociedade de consumo, cultura global) e as assimetrias da globalização.

Erros frequentes

  • Reduzir a globalização à sua dimensão económica, esquecendo as dimensões social, cultural e tecnológica.
  • Apresentar a globalização como um processo apenas benéfico, ignorando as assimetrias e as críticas.
  • Confundir a globalização (integração e interdependência mundial) com a mera «ocidentalização» ou com a União Europeia.

Revisão ativa

Caracteriza a globalização nas suas dimensões económica, tecnológica e sociocultural, referindo as suas assimetrias.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A União Europeia e Portugal#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-mundo-atual

Pontos-chave

No mundo globalizado, os Estados tenderam a associar-se em grandes blocos regionais, para ganharem dimensão e peso económico e político. O exemplo mais avançado e bem-sucedido é a União Europeia (ver Fig. 5), o culminar do longo processo de construção europeia iniciado no pós-guerra. Recordemos: da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA, 1951) e do Tratado de Roma (CEE, 1957) nascera um mercado comum entre seis países, que ao longo das décadas se foi alargando a novos membros e aprofundando a integração.

A construção europeia (1957-2004)

A construção europeiaLinha do tempo de 1955 a 2007, 1957: Tratado de Roma (CEE), 1986: Adesão de Portugal e Espanha, 1992: Maastricht (União Europeia), 2002: Euro (notas e moedas), 2004: Alargamento a leste19552007ano1957Tratado de Roma(CEE)1986Adesão dePortugal e Espa…1992Maastricht(União Europeia)2002Euro (notas emoedas)2004Alargamento aleste
Fig. 5Fig. 5 — Do mercado comum de seis países à União Europeia alargada.
Portugal juntou-se a este processo em 1986, quando aderiu à CEE, juntamente com a Espanha. A adesão ancorou definitivamente a jovem democracia portuguesa na Europa e teve profundos efeitos económicos e sociais: a integração num grande mercado, o acesso a avultados fundos comunitários (fundos estruturais e de coesão) que financiaram a modernização das infraestruturas e da economia, e um processo de convergência com os níveis de vida europeus. A pertença à Europa tornou-se, desde então, um pilar da economia e da política portuguesas.
O passo decisivo no aprofundamento da integração foi o Tratado de Maastricht (1992), que criou a União Europeia — dando à construção europeia uma dimensão não apenas económica, mas também política, e lançando as bases da União Económica e Monetária. Dela resultaria a moeda única, o euro, que entrou em circulação, em notas e moedas, em 2002, substituindo as moedas nacionais (o escudo, em Portugal) num vasto conjunto de países. A UE dotou-se ainda de um espaço de livre circulação de pessoas (o espaço Schengen) e de instituições comuns.
A União Europeia foi-se alargando a novos países — designadamente, após o fim da Guerra Fria, a antigos países comunistas do leste europeu (o grande alargamento de 2004) —, tornando-se um dos maiores blocos económicos do mundo. Para Portugal, a integração europeia trouxe modernização, desenvolvimento e abertura, embora também novas exigências e dependências (a moeda e as regras comuns limitam a autonomia económica nacional). Em todo o caso, a integração na Europa é, desde 1986, a grande opção estratégica do Portugal democrático e um traço central da sua vida económica e social.
Exemplo resolvido

Explicar o aprofundamento da integração

Explica o percurso que, da adesão de Portugal à CEE (1986) ao euro (2002), aprofundou a integração europeia.

  1. 01A adesão (1986)

    Portugal aderiu à CEE, integrando-se no mercado comum e recebendo fundos comunitários para modernizar a economia.

  2. 02Maastricht (1992)

    O Tratado de Maastricht criou a União Europeia e lançou a União Económica e Monetária, base da moeda única.

  3. 03O euro (2002)

    O euro entrou em circulação em notas e moedas, substituindo o escudo e as outras moedas nacionais.

Resultado: De 1986 a 2002, Portugal percorreu o aprofundamento da integração europeia: aderiu ao mercado comum (1986), participou na criação da União Europeia e da União Económica e Monetária em Maastricht (1992) e adotou a moeda única, o euro (2002) — passos que ligaram cada vez mais estreitamente a economia portuguesa à economia europeia.

Foco no Exame Nacional

  • Situar a construção europeia (CECA 1951, CEE 1957) e a adesão de Portugal (1986) e explicar os seus efeitos.
  • Explicar o Tratado de Maastricht (1992), a criação da União Europeia e da moeda única (euro, 2002).
  • Relacionar a integração europeia com a lógica dos blocos regionais no mundo globalizado.

Erros frequentes

  • Confundir a adesão de Portugal à CEE (1986), o Tratado de Maastricht (1992) e a entrada do euro em circulação (2002).
  • Reduzir a União Europeia à sua dimensão económica, esquecendo a dimensão política criada em Maastricht.
  • Apresentar a integração de forma apenas positiva ou apenas negativa, sem balanço equilibrado.

Revisão ativa

Explica o significado do Tratado de Maastricht (1992) e os efeitos da integração europeia para Portugal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

As tensões e os desafios do mundo atual#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-mundo-atual

Pontos-chave

O fim da Guerra Fria não trouxe, como alguns esperaram, um mundo pacífico e sem conflitos. Pelo contrário, o mundo globalizado é atravessado por novas tensões e desafios (ver Fig. 6). Desaparecida a ordem bipolar que enquadrava (e por vezes continha) muitos conflitos, multiplicaram-se as tensões regionais, os nacionalismos e os conflitos étnicos e religiosos — em certos casos com enorme violência. Ao terrorismo internacional, que ganhou projeção global, juntam-se focos de instabilidade em várias regiões. O mundo tornou-se, em muitos aspetos, mais instável e imprevisível.

Os desafios do mundo atual

Os desafios do mundo atualroda segmentada, 6 segmentos, Dados: Mundo atual, Novos conflitos e terrorismo, Migrações e multiculturalismo, Assimetrias Norte-Sul, Ambiente e sustentabilidade, Sociedade da informação, Blocos regionais (UE)Novos conflitos e terrorismoMigrações e multiculturalismoAssimetrias Norte-SulAmbiente e sustentabilidadeSociedade da informaçãoBlocos regionais (UE)Mundo atual
Fig. 6Fig. 6 — Os grandes desafios do mundo globalizado.
O maior desafio é, porventura, o das assimetrias e desigualdades. A globalização gerou uma prosperidade sem precedentes, mas repartida de forma muito desigual: subsiste um fosso profundo entre um Norte desenvolvido e um Sul em desenvolvimento, e crescem também as desigualdades no interior de cada país. A fome, a pobreza extrema e a falta de acesso à saúde e à educação persistem para uma parte da humanidade, enquanto uma minoria concentra grande parte da riqueza — um dos maiores problemas económicos, sociais e éticos do mundo atual.
Deste desequilíbrio, e dos conflitos, resultam grandes movimentos migratórios: milhões de pessoas deslocam-se dos países mais pobres ou em guerra para os países ricos, em busca de trabalho, de segurança e de melhores condições de vida. As migrações transformaram as sociedades de acolhimento, tornando-as multiculturais — o que é fonte de enriquecimento, mas também de tensões e de debates sobre a integração e a identidade. Portugal, país tradicionalmente de emigração, tornou-se também, nas últimas décadas, um país de imigração.
Finalmente, o próprio modelo de desenvolvimento do mundo globalizado colocou um desafio à escala do planeta: o desafio ambiental. O crescimento económico e o consumo em massa pressionam os recursos naturais e o ambiente (poluição, esgotamento de recursos, alterações climáticas), pondo em causa a sustentabilidade do modelo. Impôs-se, por isso, a ideia de desenvolvimento sustentável — um desenvolvimento que responda às necessidades do presente sem comprometer as das gerações futuras. Conciliar crescimento económico, justiça social e preservação do ambiente é, hoje, o grande desafio comum da humanidade — com o qual se fecha o programa de História B, ligando o passado ao mundo em que vivemos.
Exemplo resolvido

Relacionar assimetrias e migrações

Explica por que as assimetrias entre o Norte e o Sul estão na origem dos grandes movimentos migratórios do mundo atual.

  1. 01As assimetrias

    A globalização repartiu a riqueza de forma muito desigual: subsiste um fosso profundo entre países desenvolvidos (Norte) e em desenvolvimento (Sul).

  2. 02O efeito

    Perante a pobreza, a falta de oportunidades ou a guerra, milhões de pessoas do Sul procuram nos países ricos trabalho, segurança e melhores condições de vida.

  3. 03A consequência

    Estes fluxos tornaram as sociedades de acolhimento multiculturais — fonte de enriquecimento, mas também de tensões sobre a integração.

Resultado: As assimetrias Norte-Sul estão na origem das migrações porque o fosso entre países ricos e pobres empurra milhões de pessoas a deixar o Sul (pobreza, falta de oportunidades, conflitos) rumo ao Norte, em busca de melhores condições de vida — fluxos que transformaram as sociedades de acolhimento em sociedades multiculturais.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar as novas tensões geopolíticas do mundo pós-Guerra Fria (conflitos regionais, terrorismo).
  • Explicar o problema das assimetrias Norte-Sul e das desigualdades, e a sua relação com as migrações.
  • Explicar o desafio ambiental e o conceito de desenvolvimento sustentável.

Erros frequentes

  • Julgar que o fim da Guerra Fria trouxe um mundo pacífico, sem conflitos.
  • Reduzir os desafios do mundo atual a um só (apenas económico, ou apenas ambiental).
  • Ignorar a ligação entre as assimetrias e os conflitos e os movimentos migratórios.

Revisão ativa

Caracteriza os principais desafios do mundo atual: tensões geopolíticas, assimetrias Norte-Sul, migrações e ambiente.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O fim da Guerra Fria e o novo mapa mundial◐
    • 02A globalização e a sociedade da informação◐
    • 03A União Europeia e Portugal◐
    • 04As tensões e os desafios do mundo atual●

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Alterações geoestratégicas, tensões e transformações no mundo atual

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano

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