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Resumos/Geografia C/Um mundo superpovoado
Resumos · Geografia CPT · Secundário

Um mundo superpovoado

A população mundial cresceu de forma explosiva ao longo do último século, atingindo os 8 mil milhões de habitantes em 2022 (valores aproximados), mas distribui-se de maneira muito desigual pelo planeta e cresce a ritmos contrastantes. Este tema estuda a evolução e a distribuição da população mundial, o modelo de transição demográfica, as teorias que relacionam população e recursos (Malthus e Boserup) e as políticas demográficas. Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, sem Exame Final Nacional, pelo que « Foco de avaliação » remete para aquilo que é habitualmente valorizado na avaliação interna da disciplina.

5 secções·~17 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·101010 / 12
Perfil de exame
Caracterizar o crescimento e a distribuição da população mundialAplicar o modelo de transição demográfica à escala planetáriaDiscutir as teorias populacionais (Malthus e Boserup) e a relação população–recursosAvaliar as políticas demográficas e os seus efeitos
Operadores:caracterizaaplicainterpretadistinguediscuteavaliacalcularelacionalocaliza

nível básico

Descrever o crescimento da população mundial (o marco dos 8 mil milhões em 2022), localizar as grandes concentrações e os vazios humanos e calcular a densidade populacional.

nível avançado

Aplicar o modelo de transição demográfica aos contrastes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e discutir as teorias população–recursos (Malthus e Boserup), a capacidade de carga e o alcance das políticas demográficas.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Um mundo superpovoado
    • 01O crescimento da população mundial○
    • 02A transição demográfica à escala planetária◐
    • 03A distribuição da população e os contrastes regionais◐
    • 04População e recursos: Malthus e Boserup●
    • 05As políticas demográficas●
§ 01

O crescimento da população mundial#

●○○BaseLPAE-geografia-c-mundo-superpovoado

Pontos-chave

Durante milénios, a população mundial cresceu muito lentamente, travada por elevadas taxas de mortalidade. Só por volta de 1800 se atingiu o primeiro mil milhão de habitantes. A partir daí, o crescimento acelerou de forma extraordinária: cerca de 2 mil milhões em 1927, 4 mil milhões em 1974 e mais de 8 mil milhões em 2022 (valores aproximados) (ver Fig. 1). A este crescimento rápido e sem precedentes dá-se o nome de « explosão demográfica ».

Crescimento da população mundial (1800–2022)

População mundial (1800–2022)Gráfico de linhas: mil milhões por ano, Dados: População (mil milhões) · 1800: 1; População (mil milhões) · 1927: 2; População (mil milhões) · 1960: 3; População (mil milhões) · 1974: 4; População (mil milhões) · 1987: 5; População (mil milhões) · 1999: 6; População (mil milhões) · 2011: 7; População (mil milhões) · 2022: 801234567818001927196019741987199920112022mil milhõesano
Fig. 1Fig. 1 — A população mundial passou de cerca de 1 mil milhão em 1800 para 8 mil milhões em 2022: a explosão demográfica. Valores aproximados.
O traço mais impressionante é a aceleração do ritmo. O segundo mil milhão demorou cerca de 127 anos a acrescentar-se (1800–1927), mas o sétimo e o oitavo demoraram apenas cerca de 12 e 11 anos, atingidos em 2011 e 2022 (valores aproximados). O tempo necessário para juntar cada novo mil milhões foi encurtando drasticamente ao longo do século XX (ver Fig. 1).
A explosão demográfica resultou sobretudo da forte descida da mortalidade — graças aos progressos da medicina (vacinas, antibióticos), da higiene, do saneamento e da alimentação —, enquanto a natalidade se manteve elevada durante décadas. É o desfasamento entre uma mortalidade em queda e uma natalidade ainda alta que gera um crescimento natural muito elevado. Esse mecanismo está no centro do modelo de transição demográfica, estudado na secção seguinte.
À escala mundial, como não há migrações para fora do planeta, o crescimento da população coincide com o crescimento natural — a diferença entre os nascimentos e os óbitos. Esta é, por isso, a variável decisiva para compreender a evolução da população mundial: quando a natalidade excede em muito a mortalidade, a população dispara.
Nas últimas décadas, o ritmo de crescimento mundial abrandou: a taxa de crescimento anual, que rondou os 2% nos anos 1960–1970, desceu para cerca de 1% na atualidade (valores aproximados). Ainda assim, a população continua a aumentar, porque parte de uma base enorme. As projeções das Nações Unidas apontam para um pico próximo dos 10 mil milhões ao longo do século XXI, seguido de estabilização — mas as projeções não são certezas e dependem da evolução da fecundidade.
Exemplo resolvido

O tempo para acrescentar cada mil milhões

Sabendo que a população mundial atingiu 1 mil milhão em 1800, 2 em 1927, 3 em 1960, 4 em 1974 e 8 em 2022 (valores aproximados), calcula o tempo que demorou a acrescentar-se alguns desses mil milhões e comenta.

  1. 012.º mil milhões (1800 → 1927)

    1927 − 1800 = 127 anos.

  2. 024.º mil milhões (1960 → 1974)

    1974 − 1960 = 14 anos.

  3. 038.º mil milhões (2011 → 2022)

    2022 − 2011 = 11 anos.

  4. 04Leitura

    O tempo para juntar cada novo mil milhões passou de 127 para cerca de 11 anos — uma aceleração enorme, própria da explosão demográfica.

Resultado: De 127 anos (2.º mil milhões) para 11 anos (8.º mil milhões): o crescimento acelerou drasticamente ao longo do século XX.

Foco no Exame Nacional

  • Ler e interpretar um gráfico da evolução da população mundial, situando o marco dos 8 mil milhões (2022) e a fase de explosão demográfica.
  • Explicar as causas da explosão demográfica (queda da mortalidade com natalidade ainda alta) e o abrandamento recente do ritmo de crescimento.

Erros frequentes

  • Confundir « explosão demográfica » (crescimento muito rápido) com um crescimento constante — o ritmo variou muito ao longo do tempo.
  • Atribuir a explosão demográfica ao aumento da natalidade, quando se deveu sobretudo à descida da mortalidade.
  • Julgar que a população mundial está a diminuir: o ritmo de crescimento abrandou, mas a população continua a aumentar.

Revisão ativa

A partir da evolução da população mundial entre 1800 e 2022, caracteriza a explosão demográfica e explica as suas causas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A transição demográfica à escala planetária#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-superpovoado

Pontos-chave

O modelo de transição demográfica descreve a passagem de um regime demográfico « antigo » — com natalidade e mortalidade ambas elevadas e crescimento quase nulo — para um regime « moderno » — com natalidade e mortalidade ambas baixas e, de novo, crescimento reduzido (ver Fig. 2). Entre os dois extremos há um período de forte crescimento, porque a mortalidade desce antes da natalidade.

As fases da transição demográfica

Transição demográficaGrafo, Fase 1: natalidade e mortalidade altas → Fase 2: mortalidade desce, natalidade alta, Fase 2: mortalidade desce, natalidade alta → Fase 3: natalidade desce, mortalidade baixa, Fase 3: natalidade desce, mortalidade baixa → Fase 4: natalidade e mortalidade baixas, Fase 4: natalidade e mortalidade baixas → Fase 5: natalidade < mortalidade (declínio)Fase 1:natalidade emortalidade alt…Fase 2:mortalidadedesce, natalida…Fase 3:natalidadedesce, mortalid…Fase 4:natalidade emortalidade bai…Fase 5:natalidade <mortalidade (de…queda damortalidadequeda danatalidadeconvergênciadas taxasenvelhecimento
Fig. 2Fig. 2 — As fases da transição demográfica: a mortalidade desce primeiro (Fase 2, explosão demográfica) e só mais tarde desce a natalidade, podendo o modelo terminar em declínio (Fase 5).
Distinguem-se habitualmente quatro fases. Na Fase 1, natalidade e mortalidade são altas e o crescimento é baixo. Na Fase 2, a mortalidade desce (melhorias sanitárias, médicas e alimentares) enquanto a natalidade permanece alta — é a fase da explosão demográfica, com o maior crescimento natural. Na Fase 3, a natalidade começa a descer (urbanização, escolarização, contraceção, novo papel da mulher) e o crescimento abranda. Na Fase 4, ambas as taxas são baixas e o crescimento volta a ser reduzido.
Alguns autores acrescentam uma Fase 5, em que a natalidade desce abaixo da mortalidade e o crescimento natural se torna negativo, acompanhado de envelhecimento — situação de vários países desenvolvidos (por exemplo, na Europa e no Japão). A transição demográfica não termina, pois, necessariamente num equilíbrio: pode desembocar num declínio da população.
O motor da transição é o desfasamento entre a natalidade e a mortalidade. A taxa de crescimento natural (TCN) obtém-se pela diferença entre a taxa de natalidade (TN) e a taxa de mortalidade (TM), normalmente expressa em ‰ (por mil) (ver fórmula). Quanto maior o fosso entre as duas curvas, mais rápido é o crescimento — o que ocorre precisamente na Fase 2.
À escala mundial, os países não estão todos na mesma fase, o que explica os contrastes de ritmo. Os países desenvolvidos completaram a transição há décadas e encontram-se nas fases finais (4 ou 5), com crescimento baixo ou negativo. Muitos países em desenvolvimento, sobretudo na África subsariana, estão ainda nas fases 2 ou 3, com natalidade alta: é aí que se concentra hoje quase todo o crescimento da população mundial (valores aproximados).
TCN=TN−TM\text{TCN} = \text{TN} - \text{TM}TCN=TN−TM

Taxa de crescimento natural

Diferença entre a taxa de natalidade (TN) e a taxa de mortalidade (TM), habitualmente expressa em ‰ (por mil). É o motor da transição demográfica: quanto maior o fosso entre TN e TM, mais rápido o crescimento.

Exemplo resolvido

Calcular e comparar a taxa de crescimento natural

Um país na Fase 2 tem natalidade de cerca de 40‰ e mortalidade de cerca de 12‰; um país na Fase 4 tem natalidade de cerca de 10‰ e mortalidade de cerca de 10‰ (valores aproximados). Calcula a taxa de crescimento natural (TCN) de cada um.

  1. 01País na Fase 2

    TCN = TN − TM = 40 − 12 = 28‰, ou seja, 2,8%.

  2. 02País na Fase 4

    TCN = 10 − 10 = 0‰: crescimento natural nulo.

  3. 03Interpretação

    O fosso entre a natalidade e a mortalidade é enorme na Fase 2 (explosão demográfica) e fecha-se na Fase 4.

Resultado: Fase 2: TCN ≈ 28‰ (2,8%); Fase 4: TCN ≈ 0‰ — o contraste que explica os diferentes ritmos de crescimento.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar as fases da transição demográfica nas curvas de natalidade e de mortalidade e associar cada fase ao respetivo ritmo de crescimento.
  • Explicar, com o modelo, por que razão o crescimento da população mundial se concentra hoje nos países em desenvolvimento.

Erros frequentes

  • Pensar que, na Fase 2, a natalidade sobe — o que aumenta é o crescimento, porque a mortalidade desce e a natalidade se mantém alta.
  • Aplicar o modelo como se todos os países estivessem na mesma fase, ignorando os contrastes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
  • Confundir taxa de crescimento natural (natalidade menos mortalidade) com número total de habitantes.

Revisão ativa

Explica as quatro fases da transição demográfica e indica em que fases se encontram, hoje, os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A distribuição da população e os contrastes regionais#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-superpovoado

Pontos-chave

A população mundial distribui-se de forma muito irregular pela superfície terrestre. Cerca de metade da humanidade concentra-se em três grandes focos: a Ásia das Monções (China, Índia e Sudeste Asiático), a Europa e o nordeste da América do Norte (ver Fig. 3). A Ásia, sozinha, reúne cerca de 4,7 mil milhões de habitantes — perto de 60% da população mundial (valores aproximados).

População por continente (2022)

População por continente (2022)Gráfico de colunas: mil milhões por continente, Dados: População (mil milhões) · Ásia: 4.7; População (mil milhões) · África: 1.4; População (mil milhões) · Europa: 0.74; População (mil milhões) · América Latina: 0.66; População (mil milhões) · América Norte: 0.38; População (mil milhões) · Oceânia: 0.04501234ÁsiaÁfricaEuropaAmérica Lat…América Nor…Oceânia4.71.40.740.660.380.045mil milhõescontinente
Fig. 3Fig. 3 — A população por continente em 2022: a Ásia concentra cerca de 60% da humanidade, seguida de África. Valores aproximados, em mil milhões de habitantes.
Por oposição às grandes concentrações, há vastos « vazios humanos », áreas quase desabitadas (ver Fig. 4): os desertos quentes (Sara, Arábia), as regiões glaciais e de alta latitude (Sibéria, norte do Canadá, Gronelândia, Antártida), as florestas equatoriais densas (Amazónia, bacia do Congo) e as altas montanhas (Himalaias, Andes). Estas áreas oferecem condições naturais hostis à fixação humana.

Grandes concentrações e vazios humanos

Concentrações e vazios humanosTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Grandes concentrações · Vazios humanos; Exemplos · Ásia das Monções, Europa, NE da América do Norte · Sara, Sibéria, Amazónia, Antártida; Clima · Temperado e húmido, favorável · Extremos: árido, glacial ou equatorial; Relevo · Planícies e vales férteis · Montanhas e altas latitudes; Densidade · Elevada · Muito baixa (menos de 1 hab./km²)ASPETOGRANDES CONCENTRAÇÕESVAZIOS HUMANOSExemplosÁsia das Monções, Europa, NEda América do NorteSara, Sibéria, Amazónia,AntártidaClimaTemperado e húmido,favorávelExtremos: árido, glacial ouequatorialRelevoPlanícies e vales férteisMontanhas e altas latitudesDensidadeElevadaMuito baixa (menos de 1hab./km²)
Fig. 4Fig. 4 — As grandes concentrações humanas e os vazios humanos resultam da combinação de fatores físicos (clima e relevo) e humanos.
A distribuição explica-se pela combinação de fatores físicos (naturais) e humanos. Entre os físicos contam-se o clima (as pessoas evitam os extremos de calor, frio ou aridez), o relevo (preferem-se as planícies e os vales), a disponibilidade de água e a fertilidade dos solos. Entre os humanos contam-se a história do povoamento, o desenvolvimento económico e a urbanização. Nenhum fator age isoladamente — é a sua combinação que produz o mapa do povoamento.
A densidade populacional — o número médio de habitantes por quilómetro quadrado (ver fórmula) — mede a concentração da população e permite comparar territórios. A densidade média mundial ronda os 50 a 60 hab./km² sobre as terras emersas (valores aproximados), mas este valor médio esconde enormes contrastes: de menos de 1 hab./km² nos vazios humanos a milhares de hab./km² nas grandes áreas urbanas.
É importante não confundir número de habitantes com densidade. Um país pode ser muito populoso e, ao mesmo tempo, pouco denso (como o Brasil ou a Rússia, por terem áreas enormes), enquanto outro, pequeno, pode ser muito denso. A densidade relaciona sempre população e área, ao passo que a distribuição descreve onde vivem, de facto, as pessoas.
Densidade populacional=populac¸a˜o totalaˊrea    (hab./km2)\text{Densidade populacional} = \dfrac{\text{população total}}{\text{área}} \;\; \left(\text{hab./km}^2\right)Densidade populacional=aˊreapopulac¸​a˜o total​(hab./km2)

Densidade populacional

Número médio de habitantes por quilómetro quadrado; relaciona sempre população e área e permite comparar o povoamento de territórios de dimensão diferente.

Exemplo resolvido

Calcular a densidade populacional média mundial

Com uma população mundial de cerca de 8 mil milhões de habitantes e uma superfície emersa de cerca de 149 milhões de km² (valores aproximados), calcula a densidade populacional média mundial.

  1. 01Dados

    População ≈ 8 000 000 000 hab.; área emersa ≈ 149 000 000 km².

  2. 02Fórmula

    Densidade = população / área.

  3. 03Cálculo

    8 000 000 000 ÷ 149 000 000 ≈ 53,7 hab./km².

  4. 04Leitura

    Cerca de 54 hab./km² em média — mas este valor esconde vazios (menos de 1 hab./km²) e grandes cidades (milhares de hab./km²).

Resultado: ≈ 54 hab./km² de densidade média mundial (valor aproximado), fortemente contrastada à escala regional.

Foco no Exame Nacional

  • Localizar as grandes concentrações humanas e os principais vazios humanos e explicar a distribuição pela combinação de fatores físicos e humanos.
  • Calcular e interpretar a densidade populacional, distinguindo-a do número absoluto de habitantes.

Erros frequentes

  • Confundir densidade populacional (hab./km²) com o número total de habitantes.
  • Tomar a densidade média como uniforme, esquecendo os fortes contrastes internos.
  • Explicar a distribuição só por fatores físicos, ignorando os fatores humanos (história, economia, urbanização).

Revisão ativa

Descreve a distribuição da população mundial, localizando duas grandes concentrações e dois vazios humanos, e calcula a densidade de um território à tua escolha.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

População e recursos: Malthus e Boserup#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-mundo-superpovoado

Pontos-chave

O crescimento da população levanta uma questão central: haverá recursos — sobretudo alimentos — para todos? Em torno desta pergunta opõem-se duas grandes correntes: a pessimista, que teme que a população ultrapasse os recursos, e a otimista, que confia na capacidade humana de os aumentar (ver Fig. 5).

Malthus vs Boserup

Malthus vs BoserupTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Autor / tese · Ideia central · Relação população–recursos; Malthus (1798) · População cresce em progressão geométrica; alimentos, em progressão aritmética · Pessimista: a população tende a ultrapassar os recursos → fome e miséria (freios); Neomalthusianismo · Retoma Malthus no século XX e defende o controlo da natalidade · Pessimista: é preciso travar o crescimento para não esgotar os recursos; Boserup (1965) · A pressão demográfica estimula a inovação técnica · Otimista: mais população → mais engenho → aumento da produçãoAUTOR / TESEIDEIA CENTRALRELAÇÃOPOPULAÇÃO–RECURSOSMalthus (1798)População cresce emprogressão geométrica;alimentos, em progressãoaritméticaPessimista: a populaçãotende a ultrapassar osrecursos → fome e miséria(freios)NeomalthusianismoRetoma Malthus no século XXe defende o controlo danatalidadePessimista: é preciso travaro crescimento para nãoesgotar os recursosBoserup (1965)A pressão demográficaestimula a inovação técnicaOtimista: mais população →mais engenho → aumento daprodução
Fig. 5Fig. 5 — Duas leituras opostas da relação população–recursos: o pessimismo de Malthus e do neomalthusianismo e o otimismo de Ester Boserup.
Thomas Malthus, no seu « Ensaio sobre o Princípio da População » (1798), formulou a tese pessimista clássica: a população cresceria em progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16…) e os alimentos apenas em progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5…), pelo que a população tenderia a ultrapassar os meios de subsistência. Para evitar a catástrofe, defendia « freios » ao crescimento — preventivos (adiamento do casamento, contenção moral) e repressivos (fome, guerra, epidemias).
No século XX, o neomalthusianismo retomou as preocupações de Malthus perante a explosão demográfica dos países em desenvolvimento. Ao contrário de Malthus — que rejeitava a contraceção —, defende ativamente o controlo da natalidade e o planeamento familiar como forma de aliviar a pressão sobre os recursos. Está na base de muitas políticas antinatalistas.
A economista Ester Boserup (1965) inverteu o raciocínio: para ela, é a pressão demográfica que estimula o progresso técnico. Perante mais bocas para alimentar, as sociedades intensificam e inovam a agricultura (novas técnicas, culturas e ferramentas), aumentando a produção. Nesta visão otimista, « a necessidade aguça o engenho » e a população é um motor de desenvolvimento, e não apenas um fardo.
No centro do debate está a noção de « capacidade de carga » (ou capacidade de sustentação): o número máximo de habitantes que um território pode sustentar com os seus recursos e a sua tecnologia. Para os malthusianos, esse limite é rígido e aproxima-se; para Boserup e os otimistas, a tecnologia desloca continuamente esse limite. A História deu, em parte, razão a Boserup — a Revolução Verde aumentou muito a produção alimentar —, mas as atuais preocupações ambientais recolocam a questão dos limites do planeta.
Exemplo resolvido

As progressões de Malthus

Segundo Malthus, a população duplica em cada período de 25 anos (progressão geométrica) e os alimentos aumentam uma unidade por período (progressão aritmética). Partindo do valor 1, compara os dois ao fim de 100 anos.

  1. 01Períodos

    100 anos = 4 períodos de 25 anos.

  2. 02População (geométrica)

    Duplica em cada período: 1 → 2 → 4 → 8 → 16.

  3. 03Alimentos (aritmética)

    Aumenta 1 por período: 1 → 2 → 3 → 4 → 5.

  4. 04Comparação

    Ao fim de 100 anos: população = 16 e alimentos = 5 — um desequilíbrio crescente.

Resultado: População 16 contra alimentos 5: o raciocínio que sustenta o pessimismo de Malthus (a realidade, porém, aproximou-se mais de Boserup).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir a tese de Malthus (e do neomalthusianismo) da tese de Ester Boserup quanto à relação entre população e recursos.
  • Discutir a noção de capacidade de carga, confrontando as visões pessimista e otimista com dados reais.

Erros frequentes

  • Confundir Malthus com Boserup, ou trocar as progressões (a população é a geométrica; os alimentos, a aritmética).
  • Apresentar o neomalthusianismo como idêntico a Malthus — divergem quanto à contraceção, que o neomalthusianismo defende.
  • Tomar a capacidade de carga como um valor fixo, ignorando o papel da tecnologia (o argumento de Boserup).

Revisão ativa

Compara as teses de Malthus e de Boserup sobre a relação população–recursos e toma uma posição fundamentada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

As políticas demográficas#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-mundo-superpovoado

Pontos-chave

As políticas demográficas são o conjunto de medidas com que os Estados procuram influenciar a evolução da sua população, sobretudo através da natalidade. Distinguem-se dois grandes tipos: as políticas antinatalistas, que procuram travar o crescimento, e as políticas natalistas (ou pró-natalistas), que procuram estimulá-lo (ver Fig. 6).

Políticas demográficas: natalistas e antinatalistas

Políticas demográficasTabela com 3 colunas e 2 linhas, Dados: Tipo de política · Objetivo · Medidas / exemplos; Antinatalista · Travar o crescimento (reduzir a natalidade) · Planeamento familiar e contraceção; China — política do filho único (1979–2015); Natalista / pró-natalista · Estimular a natalidade (aumentar os nascimentos) · Abonos, licenças parentais e apoios à família; França e países envelhecidosTIPO DE POLÍTICAOBJETIVOMEDIDAS / EXEMPLOSAntinatalistaTravar o crescimento(reduzir a natalidade)Planeamento familiar econtraceção; China —política do filho único(1979–2015)Natalista / pró-natalistaEstimular a natalidade(aumentar os nascimentos)Abonos, licenças parentais eapoios à família; França epaíses envelhecidos
Fig. 6Fig. 6 — Os dois grandes tipos de política demográfica: antinatalista (travar o crescimento) e natalista (estimular os nascimentos).
As políticas antinatalistas surgem em países com forte crescimento demográfico e receio de pressão sobre os recursos, sobretudo países em desenvolvimento. Recorrem ao planeamento familiar, à divulgação da contraceção, à elevação da idade do casamento e a incentivos (ou penalizações). O exemplo mais conhecido é a « política do filho único » da China.
A China aplicou a política do filho único entre 1979 e 2015, limitando a maioria dos casais a um filho para conter uma população que se aproximava dos mil milhões de habitantes. Conseguiu reduzir drasticamente a natalidade, mas gerou efeitos graves: acentuado envelhecimento, desequilíbrio na razão de masculinidade (preferência pelos rapazes) e a estrutura « 4-2-1 » (quatro avós e dois pais dependentes de um só filho). Perante isso, a China substituiu-a pela política dos dois filhos (2016) e, depois, dos três filhos (2021).
As políticas natalistas surgem em países com natalidade muito baixa e envelhecimento, sobretudo países desenvolvidos (na Europa e no Japão). Procuram estimular os nascimentos com abonos de família, licenças parentais pagas, apoios à habitação e à guarda de crianças e benefícios fiscais. A França é um exemplo clássico de país com uma política de apoio à família de longa data (medidas e resultados aproximados).
A eficácia das políticas demográficas é, em geral, limitada e lenta: a fecundidade depende de fatores económicos, sociais e culturais que os Estados não controlam totalmente. Além disso, o crescimento da população agrava a pressão sobre os recursos (água, solo, alimentos, energia) e sobre o ambiente, sobretudo quando associado ao aumento do consumo. Gerir a relação entre população e recursos é, por isso, um dos grandes desafios do século XXI.
Exemplo resolvido

Que política para cada país?

O país A tem natalidade de cerca de 9‰ e mortalidade de 11‰; o país B tem natalidade de cerca de 38‰ e mortalidade de 9‰ (valores aproximados). Que tipo de política demográfica se justifica em cada um?

  1. 01País A — crescimento natural

    TCN = 9 − 11 = −2‰: crescimento negativo e população envelhecida.

  2. 02País A — política

    Justifica-se uma política natalista (abonos, licenças, apoios à família) para travar o declínio.

  3. 03País B — crescimento natural

    TCN = 38 − 9 = 29‰ ≈ 2,9%: crescimento muito elevado (Fase 2 da transição).

  4. 04País B — política

    Justifica-se uma política antinatalista (planeamento familiar, contraceção) para aliviar a pressão sobre os recursos.

Resultado: País A (TCN −2‰) → política natalista; país B (TCN +29‰) → política antinatalista.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir políticas natalistas de antinatalistas e associar cada tipo ao contexto demográfico que as justifica.
  • Avaliar os efeitos da política do filho único da China, incluindo as consequências não desejadas (envelhecimento e desequilíbrio na razão de masculinidade).

Erros frequentes

  • Confundir política natalista (estimular nascimentos) com política antinatalista (travar nascimentos).
  • Ignorar os efeitos secundários da política do filho único (envelhecimento e desequilíbrio na razão de masculinidade).
  • Supor que as políticas demográficas produzem efeitos imediatos — os resultados são, em regra, lentos e limitados.

Revisão ativa

Avalia a política do filho único da China, apresentando um objetivo, um resultado e duas consequências não desejadas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01O crescimento da população mundial○
    • 02A transição demográfica à escala planetária◐
    • 03A distribuição da população e os contrastes regionais◐
    • 04População e recursos: Malthus e Boserup●
    • 05As políticas demográficas●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

Um mundo superpovoado

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~17
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo superpovoado)

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Um mundo de contrastes

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O acesso desigual ao desenvolvimento

EuraStudy·Resumos T·10·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.