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Resumos/Geografia C/Um mundo de contrastes
Resumos · Geografia CPT · Secundário

Um mundo de contrastes

Este tema analisa os profundos contrastes de desenvolvimento à escala mundial e ensina a distinguir crescimento económico — aumento quantitativo da produção, medido pelo PIB e pelo PIB per capita — do desenvolvimento, processo qualitativo e multidimensional de melhoria das condições de vida. Percorre a dicotomia Norte/Sul (a « linha de Brandt ») e os seus limites, uma tipologia dos países pelo nível de desenvolvimento (desenvolvidos, em desenvolvimento, emergentes e menos avançados) e a passagem do indicador simples (PIB per capita) ao indicador composto (Índice de Desenvolvimento Humano), terminando na crescente heterogeneidade do mundo em desenvolvimento. Sendo Geografia C uma disciplina de opção com avaliação interna, ao nível da escola (não tem Exame Final Nacional), a avaliação valoriza a interpretação rigorosa de indicadores e de mapas e a argumentação geográfica.

5 secções·~18 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0999 / 12
Perfil de exame
Distinguir crescimento económico de desenvolvimentoCaracterizar os contrastes de desenvolvimento e a dicotomia Norte/Sul e os seus limitesEstabelecer uma tipologia dos países pelo nível de desenvolvimentoInterpretar indicadores simples e compostos de desenvolvimento
Operadores:distinguecaracterizacomparainterpretarelacionadiscuteclassificajustifica

nível básico

Distinguir crescimento de desenvolvimento, situar a dicotomia Norte/Sul e nomear a tipologia dos países (desenvolvidos, em desenvolvimento, emergentes e PMA) e os indicadores PIB per capita e IDH.

nível avançado

Interpretar e comparar indicadores simples e compostos (PIB per capita e IDH), problematizar os limites da leitura Norte/Sul e explicar a heterogeneidade do mundo em desenvolvimento, dos emergentes aos países menos avançados.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Um mundo de contrastes
    • 01Crescimento e desenvolvimento: dois conceitos distintos○
    • 02A dicotomia Norte/Sul e os seus limites◐
    • 03Uma tipologia dos países pelo desenvolvimento◐
    • 04Do PIB per capita ao IDH◐
    • 05A diversidade do mundo em desenvolvimento●
§ 01

Crescimento e desenvolvimento: dois conceitos distintos#

●○○BaseLPAE-geografia-c-mundo-contrastes

Pontos-chave

O crescimento económico é o aumento sustentado da produção de um país ao longo do tempo. Mede-se pela variação do PIB (Produto Interno Bruto) ou, melhor, do PIB per capita (o PIB a dividir pela população), e exprime-se por uma taxa de crescimento. É, por isso, um conceito essencialmente QUANTITATIVO — diz « quanto mais » se produz. Para medir o crescimento real usa-se o PIB a preços constantes, de modo a não confundir mais produção com simples subida de preços (ver Fig. 1).

Crescimento (quantitativo) e desenvolvimento (qualitativo)

Crescimento vs desenvolvimentoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Critério · Crescimento económico · Desenvolvimento; Natureza · Quantitativo · Qualitativo; Mede · Aumento do PIB / PIB per capita · Bem-estar e qualidade de vida; Dimensões · Uma (económica) · Múltiplas (económica, social, cultural, política e ambiental); Indicador-tipo · PIB per capita (simples) · IDH (composto); Papel · Meio · FimCRITÉRIOCRESCIMENTO ECONÓMICODESENVOLVIMENTONaturezaQuantitativoQualitativoMedeAumento do PIB /PIB percapitaBem-estar e qualidade devidaDimensõesUma (económica)Múltiplas (económica,social, cultural, política eambiental)Indicador-tipoPIB per capita (simples)IDH (composto)PapelMeioFim
Fig. 1Fig. 1 — O crescimento económico é quantitativo (mede-se pelo PIB); o desenvolvimento é qualitativo e multidimensional. O crescimento é um meio para o desenvolvimento.
O desenvolvimento é um conceito mais amplo e QUALITATIVO: é um processo multidimensional de melhoria duradoura das condições de vida de uma população. Abrange a dimensão económica (rendimento, emprego), mas também a social (saúde, educação, habitação), a cultural, a política (liberdades, direitos, participação) e, cada vez mais, a ambiental. Envolve ainda a forma como o rendimento se distribui — não basta produzir mais, é preciso que os ganhos cheguem à generalidade da população.
Crescimento e desenvolvimento relacionam-se, mas não são sinónimos: o crescimento é um MEIO para o desenvolvimento, não um fim. É uma condição necessária (sem aumento da produção dificilmente há recursos para melhorar a saúde, a educação e as infraestruturas), mas não suficiente (esses recursos podem não se traduzir em bem-estar generalizado). Por isso pode existir crescimento económico SEM desenvolvimento, sobretudo em economias dependentes de um único recurso — a chamada « maldição dos recursos ».
O subdesenvolvimento não é, pois, apenas « falta de crescimento »: traduz um atraso estrutural, com baixos rendimentos, fragilidade e dependência económicas e indicadores sociais fracos. Daí a preferência atual pela expressão « país em desenvolvimento » (que sublinha um processo em curso) em vez de « país subdesenvolvido ». Compreender esta distinção é a base para ler corretamente os contrastes do Mundo.
Exemplo resolvido

Crescer não é o mesmo que desenvolver-se

Um país exportador de petróleo viu o PIB per capita subir de 8 000 para 20 000 USD numa década, mas manteve uma esperança de vida baixa, elevado analfabetismo e uma desigualdade muito forte. Houve crescimento? E desenvolvimento?

  1. 01Houve crescimento?

    Sim: o PIB per capita mais do que duplicou (de 8 000 para 20 000 USD), um aumento quantitativo da riqueza produzida por habitante — logo, houve crescimento económico.

  2. 02Houve desenvolvimento?

    Não: a saúde (esperança de vida), a educação (alfabetização) e a distribuição do rendimento não melhoraram. O rendimento médio cresceu, mas as condições de vida da maioria mantiveram-se.

  3. 03Interpretação

    Trata-se de crescimento sem desenvolvimento, típico de economias dependentes de um único recurso (a « maldição dos recursos »): as receitas não se converteram em bem-estar generalizado.

Resultado: Houve crescimento económico, mas não desenvolvimento — prova de que o crescimento é um meio, não um fim.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: distinguir com rigor crescimento económico (quantitativo, medido pelo PIB e pelo PIB per capita) de desenvolvimento (qualitativo e multidimensional) — uma distinção central que a avaliação interna valoriza.
  • Foco de avaliação: justificar que o crescimento é um meio, e não um fim (condição necessária mas não suficiente), ilustrando com um caso de crescimento sem desenvolvimento.

Erros frequentes

  • Tratar crescimento e desenvolvimento como sinónimos, esquecendo que o desenvolvimento é multidimensional e depende também da distribuição do rendimento.
  • Confundir o PIB total com o PIB per capita, ou medir o crescimento a preços correntes, tomando a subida dos preços por aumento da produção.

Revisão ativa

Distingue crescimento económico de desenvolvimento e explica, com um exemplo, por que um país pode crescer sem se desenvolver.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A dicotomia Norte/Sul e os seus limites#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-contrastes

Pontos-chave

A leitura Norte/Sul divide esquematicamente o Mundo em dois grandes conjuntos: um « Norte » desenvolvido, rico e industrializado (América do Norte, Europa, Japão, aos quais se juntam a Austrália e a Nova Zelândia) e um « Sul » em desenvolvimento (América Latina, África e grande parte da Ásia). É uma das imagens mais divulgadas dos contrastes de desenvolvimento (ver Fig. 2).

O « Norte » e o « Sul »: um contraste esquemático

O « Norte » e o « Sul »Tabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · « Norte » (desenvolvido) · « Sul » (em desenvolvimento); Rendimento · Elevado (PIB per capita alto) · Baixo a médio; Economia · Industrializada e de serviços · Agrícola e de matérias-primas; industrialização desigual; IDH · Alto a muito alto · Médio a baixo; Exemplos · América do Norte, Europa, Japão, Austrália · América Latina, África, grande parte da ÁsiaASPETO« NORTE »(DESENVOLVIDO)« SUL » (EMDESENVOLVIMENTO)RendimentoElevado (PIB per capitaalto)Baixo a médioEconomiaIndustrializada e deserviçosAgrícola e de matérias-primas; industrializaçãodesigualIDHAlto a muito altoMédio a baixoExemplosAmérica do Norte, Europa,Japão, AustráliaAmérica Latina, África,grande parte da Ásia
Fig. 2Fig. 2 — A dicotomia Norte/Sul, separada pela « linha de Brandt », opõe esquematicamente um « Norte » desenvolvido a um « Sul » em desenvolvimento.
A « linha de Brandt » é a linha imaginária que separa estes dois conjuntos, proposta em 1980 no relatório da Comissão Independente para os Assuntos do Desenvolvimento, presidida pelo antigo chanceler alemão Willy Brandt. Passa a sul dos Estados Unidos, sobe pelo Mediterrâneo (deixando a Europa a « Norte »), contorna a Ásia e desce para incluir a Austrália e a Nova Zelândia no « Norte » desenvolvido, apesar de se situarem no hemisfério sul — sinal de que não é uma fronteira geográfica literal, mas um esquema didático.
É uma leitura útil porque é simples e evidencia a grande fratura de desenvolvimento do planeta. Mas é hoje muito insuficiente e datada (ver Fig. 3): (a) muitos países do « Sul » emergiram economicamente (China, Índia, Brasil, sudeste asiático) e o « Sul » deixou de ser homogéneo; (b) existem bolsas de pobreza e desigualdades crescentes no « Norte »; (c) os países menos avançados (PMA) são realidades muito distintas dos emergentes; (d) a fronteira binária esconde uma imensa diversidade de situações intermédias.

As insuficiências da dicotomia Norte/Sul

Limites da dicotomia Norte/SulGrafo, Dicotomia Norte/Sul → Emergentes no « Sul », Dicotomia Norte/Sul → Pobreza no « Norte », Dicotomia Norte/Sul → PMA muito distintos, Dicotomia Norte/Sul → Gradações escondidas, Emergentes no « Sul » → Modelo insuficiente, Pobreza no « Norte » → Modelo insuficiente, PMA muito distintos → Modelo insuficiente, Gradações escondidas → Modelo insuficienteDicotomia Norte/SulEmergentes no «Sul »Pobreza no «Norte »PMA muitodistintosGradaçõesescondidasModeloinsuficiente
Fig. 3Fig. 3 — A dicotomia Norte/Sul enfrenta quatro limites que a tornam, hoje, um modelo insuficiente para ler um mundo heterogéneo.
Por tudo isto, a Geografia recorre cada vez menos ao par « Norte/Sul » e mais a um continuum de desenvolvimento e a tipologias mais finas: o Mundo contemporâneo é multipolar e heterogéneo, não bipartido. A dicotomia conserva valor histórico e pedagógico — como primeira imagem da desigualdade mundial —, mas deve ser mobilizada com sentido crítico.
Exemplo resolvido

Ler o Mundo para lá da « linha de Brandt »

Classifica, segundo a dicotomia Norte/Sul, os territórios Alemanha, Austrália, China e Chade e comenta a utilidade do modelo.

  1. 01« Norte » (desenvolvido)

    A Alemanha situa-se claramente no « Norte ». A Austrália, apesar de estar no hemisfério sul, é incluída no « Norte » pela sua riqueza e nível de desenvolvimento — prova de que a « linha de Brandt » não é uma fronteira geográfica literal.

  2. 02« Sul » (em desenvolvimento)

    A China e o Chade situam-se no « Sul ». Mas são profundamente diferentes: a China é uma potência emergente, a « fábrica do mundo »; o Chade é um dos países menos avançados (PMA).

  3. 03Crítica do modelo

    Reunir a China e o Chade no mesmo « Sul » revela a principal insuficiência da dicotomia: esconde a enorme heterogeneidade interna de cada bloco.

Resultado: A dicotomia Norte/Sul dá uma primeira imagem da fratura mundial, mas é insuficiente: agrupa emergentes e PMA num mesmo « Sul ».

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: caracterizar a dicotomia Norte/Sul e a « linha de Brandt » como modelo de leitura do Mundo, situando os principais conjuntos.
  • Foco de avaliação: discutir criticamente os limites da dicotomia (emergentes no « Sul », pobreza no « Norte », heterogeneidade interna) — a argumentação crítica é particularmente valorizada na avaliação interna.

Erros frequentes

  • Tomar a « linha de Brandt » como uma fronteira geográfica literal — é um esquema; a Austrália está a sul e, ainda assim, no « Norte » desenvolvido.
  • Supor que o « Sul » é homogéneo, ignorando que agrupa potências emergentes (China) e países menos avançados (Chade).

Revisão ativa

Explica o que é a « linha de Brandt » e apresenta dois argumentos que mostrem que a dicotomia Norte/Sul é hoje insuficiente.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Uma tipologia dos países pelo desenvolvimento#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-contrastes

Pontos-chave

Para além do binário Norte/Sul, agrupam-se os países por nível de desenvolvimento em categorias mais finas. Os países desenvolvidos são economias industrializadas e pós-industriais (com forte peso dos serviços), de rendimento elevado e IDH muito alto — a América do Norte, a Europa Ocidental, o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália, entre outros (ver Fig. 4).

Tipologia dos países pelo desenvolvimento

Tipologia dos paísesTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Tipo de país · Características · Exemplos; Desenvolvidos · Industrializados/pós-industriais, rendimento elevado, IDH muito alto · EUA, Alemanha, Japão, Austrália; Em desenvolvimento · Grupo vasto e heterogéneo, rendimentos médios a baixos · Grande parte da Ásia, América Latina e África; Emergentes · Crescimento rápido, industrialização e peso mundial crescentes, mas fortes desigualdades · BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul; Menos avançados (PMA) · Rendimento muito baixo, economia frágil, baixo desenvolvimento humano · Chade, Etiópia, Haiti, AfeganistãoTIPO DE PAÍSCARACTERÍSTICASEXEMPLOSDesenvolvidosIndustrializados/pós-industriais, rendimentoelevado, IDH muito altoEUA, Alemanha, Japão,AustráliaEm desenvolvimentoGrupo vasto e heterogéneo,rendimentos médios a baixosGrande parte da Ásia,América Latina e ÁfricaEmergentesCrescimento rápido,industrialização e pesomundial crescentes, masfortes desigualdadesBRICS: Brasil, Rússia,Índia, China, África do SulMenos avançados (PMA)Rendimento muito baixo,economia frágil, baixodesenvolvimento humanoChade, Etiópia, Haiti,Afeganistão
Fig. 4Fig. 4 — Uma tipologia dos países pelo nível de desenvolvimento, dos desenvolvidos aos países menos avançados (PMA).
Os países em desenvolvimento formam um grupo vasto e muito heterogéneo, de rendimentos médios a baixos, que abrange a maioria dos Estados da Ásia, da América Latina e da África. Dentro deste grande conjunto distinguem-se, pela sua dinâmica, dois subgrupos particularmente importantes: os emergentes e os países menos avançados.
Os países emergentes são economias em desenvolvimento com crescimento rápido, industrialização acelerada e peso crescente no comércio e na geopolítica mundiais. O exemplo mais citado é o grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a que se juntam países como o México, a Indonésia ou a Turquia. Mantêm, porém, fortes desigualdades internas e um IDH ainda intermédio, pelo que não devem ser confundidos com os países desenvolvidos.
Os países menos avançados (PMA, na sigla portuguesa; LDC, em inglês) são uma categoria definida pela ONU que reúne cerca de 45 Estados, a maioria na África Subsariana. Caracterizam-se por um Rendimento Nacional Bruto per capita muito baixo, grande fragilidade económica e um nível de desenvolvimento humano reduzido, a que acresce uma elevada vulnerabilidade (a choques económicos, a conflitos e ao clima). Constituem o grupo mais pobre do planeta.
As categorias não são estanques: um país pode transitar de um grupo para outro — a Coreia do Sul passou, em poucas décadas, de país em desenvolvimento a país desenvolvido. Uma boa tipologia cruza sempre critérios económicos (PIB ou RNB per capita) com critérios sociais (IDH), evitando classificar apenas pela riqueza.
Exemplo resolvido

Classificar países numa tipologia de desenvolvimento

Coloca na tipologia do desenvolvimento (desenvolvido, emergente ou PMA) a Alemanha, o Brasil e a Etiópia, justificando cada escolha.

  1. 01Alemanha

    País desenvolvido: economia industrializada e de serviços, rendimento elevado e IDH muito alto (≥ 0,800).

  2. 02Brasil

    País emergente: economia em desenvolvimento com crescimento e peso mundial (integra os BRICS), industrialização e um grande mercado interno, mas com fortes desigualdades e IDH intermédio.

  3. 03Etiópia

    País menos avançado (PMA): rendimento per capita muito baixo, economia frágil e dependente da agricultura, e baixo nível de desenvolvimento humano.

Resultado: Alemanha (desenvolvido), Brasil (emergente) e Etiópia (PMA): três degraus muito distintos do desenvolvimento.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: estabelecer e caracterizar a tipologia dos países (desenvolvidos, em desenvolvimento, emergentes e PMA) — uma classificação frequentemente pedida na avaliação interna.
  • Foco de avaliação: distinguir países emergentes de PMA e reconhecer que as categorias não são estanques (a mobilidade entre grupos).

Erros frequentes

  • Confundir « país em desenvolvimento » com « PMA »: os PMA são apenas o subgrupo mais pobre e vulnerável dos países em desenvolvimento.
  • Colocar os emergentes entre os países desenvolvidos — têm crescimento elevado, mas o IDH e o rendimento ainda são intermédios e as desigualdades internas fortes.

Revisão ativa

Constrói uma tipologia dos países pelo nível de desenvolvimento e classifica, justificando, a Alemanha, o Brasil e a Etiópia.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Do PIB per capita ao IDH#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-contrastes

Pontos-chave

Um indicador simples mede uma única dimensão do desenvolvimento. O mais utilizado é o PIB per capita (o PIB a dividir pela população), uma medida da riqueza média por habitante que permite comparar países. Para comparar o poder de compra real, exprime-se muitas vezes em paridade de poder de compra (PPC). Os contrastes entre regiões são enormes (ver Fig. 5): em valores aproximados de 2022, o PIB per capita rondava os 70 000 USD na América do Norte e os 38 000 na União Europeia, mas apenas 9 000 na América Latina e Caraíbas, 2 500 na Ásia do Sul e cerca de 1 700 na África Subsariana.

PIB per capita por região (2022)

PIB per capita por região (valores aproximados, 2022)Gráfico de barras: região por USD, Dados: PIB per capita (USD) · América do Norte: 70000; PIB per capita (USD) · União Europeia: 38000; PIB per capita (USD) · América Latina: 9000; PIB per capita (USD) · Ásia do Sul: 2500; PIB per capita (USD) · África Subsariana: 1700010000200003000040000500006000070000América do No…União EuropeiaAmérica LatinaÁsia do SulÁfrica Subsar…7000038000900025001700regiãoUSD
Fig. 5Fig. 5 — Fortes contrastes de PIB per capita entre regiões (valores aproximados, 2022): a América do Norte apresenta um valor cerca de 40 vezes superior ao da África Subsariana.
O PIB per capita tem limites importantes: é uma MÉDIA, pelo que esconde as desigualdades internas na distribuição do rendimento; mede apenas o rendimento, ignorando a saúde, a educação, o ambiente e as liberdades; e não capta a economia informal nem, verdadeiramente, o bem-estar. Um PIB per capita elevado não garante, por si só, um país desenvolvido.
Um indicador composto combina várias dimensões num único valor. O mais conhecido é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1990. Varia entre 0 e 1 e resume três dimensões: a saúde (esperança de vida à nascença), a educação (anos de escolaridade) e o rendimento (RNB per capita em PPC). Os países agrupam-se em quatro classes: desenvolvimento humano muito alto (IDH ≥ 0,800), alto, médio e baixo (< 0,550).
O IDH dá uma imagem mais completa do desenvolvimento do que o PIB per capita, porque junta ao rendimento a saúde e a educação. Ainda assim, continua a ser uma média nacional (que esconde desigualdades) e ignora dimensões como o ambiente, a segurança e os direitos — daí as variantes do PNUD (o IDH ajustado à desigualdade e o Índice de Pobreza Multidimensional). A leitura CRUZADA dos dois indicadores é reveladora: um PIB per capita alto acompanhado de um IDH baixo denuncia crescimento sem desenvolvimento.
PIB per capita=PIBpopulac¸a˜o\text{PIB per capita} = \dfrac{\text{PIB}}{\text{população}}PIB per capita=populac¸​a˜oPIB​

PIB per capita (indicador simples)

Riqueza média produzida por habitante; indicador simples de rendimento, muitas vezes expresso em paridade de poder de compra (PPC) para comparar o poder de compra real entre países.

Exemplo resolvido

Medir a distância entre regiões com o PIB per capita

A partir da Fig. 5, compara o PIB per capita da América do Norte (cerca de 70 000 USD) com o da África Subsariana (cerca de 1 700 USD) e explica por que o IDH acrescenta informação.

  1. 01Razão entre as regiões

    70 000 ÷ 1 700 ≈ 41. O PIB per capita médio da América do Norte é cerca de 41 vezes o da África Subsariana (valores aproximados, 2022).

  2. 02O que o PIB per capita não diz

    É uma média: não revela como o rendimento se distribui, nem a saúde, a educação ou o ambiente. Duas regiões com igual PIB per capita podem ter bem-estar muito diferente.

  3. 03O contributo do IDH

    O IDH combina o rendimento com a esperança de vida e a escolaridade (num valor entre 0 e 1), dando uma imagem mais completa do desenvolvimento — por isso completa, e não substitui, a leitura do PIB per capita.

Resultado: A América do Norte tem um PIB per capita cerca de 41 vezes o da África Subsariana; o IDH completa a leitura ao juntar saúde e educação ao rendimento.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: distinguir indicador simples (PIB per capita) de indicador composto (IDH) e enunciar as três dimensões do IDH (saúde, educação e rendimento).
  • Foco de avaliação: interpretar e comparar dados de PIB per capita e de IDH por região, reconhecendo os limites de cada indicador — a leitura de dados é muito valorizada na avaliação interna.

Erros frequentes

  • Tomar o PIB per capita (uma média) como retrato do bem-estar de toda a população, esquecendo a desigualdade que essa média esconde.
  • Pensar que o IDH mede apenas o rendimento — combina saúde (esperança de vida), educação (escolaridade) e rendimento (RNB per capita).

Revisão ativa

A partir da Fig. 5, descreve os contrastes de PIB per capita entre regiões e explica por que o IDH completa melhor a leitura do desenvolvimento.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

A diversidade do mundo em desenvolvimento#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-mundo-contrastes

Pontos-chave

O « Sul », ou mundo em desenvolvimento, é hoje profundamente HETEROGÉNEO: vai dos países emergentes (China, Índia, Brasil), com crescimento rápido e peso mundial, aos países menos avançados (grande parte da África Subsariana, o Haiti, o Afeganistão), presos na pobreza. Entre estes dois extremos situa-se uma vasta gama de países de rendimento médio. Falar de um « Sul » único é, por isso, uma simplificação enganadora (ver Fig. 6).

O círculo vicioso do subdesenvolvimento

Círculo vicioso do subdesenvolvimentoGrafo, Pobreza / baixos rendimentos → Baixa poupança, Baixa poupança → Baixo investimento, Baixo investimento → Baixa produtividade, Baixa produtividade → Pobreza / baixos rendimentosPobreza /baixosrendimentosBaixa poupançaBaixoinvestimentoBaixaprodutividadepouco sobrapara pouparmenos capitalpoucamodernizaçãorendimentosbaixos
Fig. 6Fig. 6 — O círculo vicioso do subdesenvolvimento: pobreza → baixa poupança → baixo investimento → baixa produtividade → pobreza; cada elo alimenta o seguinte.
Os países emergentes aproximaram-se dos desenvolvidos em várias dimensões — indústria, comércio, tecnologia, capacidade de projeção internacional — e alguns afirmam-se como potências regionais. Mantêm, contudo, fortes desigualdades internas e amplas bolsas de pobreza, o que os impede de serem equiparados aos países desenvolvidos.
Os países menos avançados acumulam desvantagens que se reforçam mutuamente — é o círculo vicioso do subdesenvolvimento (ver Fig. 6): a pobreza (baixos rendimentos) gera baixa poupança; a baixa poupança conduz a baixo investimento; o baixo investimento mantém a produtividade baixa; e a baixa produtividade perpetua os baixos rendimentos. A este mecanismo somam-se ainda a fragilidade institucional, a dependência de matérias-primas, o peso da dívida, os conflitos e a vulnerabilidade climática.
Esta heterogeneidade tem consequências importantes: torna obsoleta a leitura Norte/Sul, exige políticas de desenvolvimento diferenciadas (não há uma via única para realidades tão distintas) e alimenta uma nova geografia multipolar do Mundo. O desenvolvimento faz-se, precisamente, rompendo o círculo vicioso — através do investimento em capital humano (educação e saúde), em infraestruturas, na diversificação da economia e na cooperação internacional.
Exemplo resolvido

Romper o círculo vicioso do subdesenvolvimento

Explica, seguindo a Fig. 6, por que é difícil a um país menos avançado sair da pobreza e indica uma forma de romper o círculo.

  1. 01O encadeamento

    A pobreza (baixos rendimentos) gera baixa poupança; com pouca poupança, há baixo investimento; sem investimento, a produtividade mantém-se baixa; e a baixa produtividade perpetua os baixos rendimentos — o círculo fecha-se sobre si próprio.

  2. 02Porque se auto-mantém

    Cada elo alimenta o seguinte, pelo que o país tende a permanecer preso na pobreza sem um impulso externo ou uma transformação estrutural.

  3. 03Como romper

    Introduzindo um fator que quebre a cadeia: investimento em capital humano (educação e saúde) e em infraestruturas, diversificação da economia e cooperação internacional (ajuda ao desenvolvimento, microcrédito), que elevam a produtividade e, com ela, os rendimentos.

Resultado: O subdesenvolvimento perpetua-se num círculo (pobreza → baixa poupança → baixo investimento → baixa produtividade → pobreza); rompe-se investindo em capital humano e em produtividade.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: explicar a heterogeneidade do mundo em desenvolvimento (dos emergentes aos PMA) e as suas implicações para a leitura do Mundo.
  • Foco de avaliação: explicar o círculo vicioso do subdesenvolvimento e as formas de o romper — uma argumentação particularmente valorizada na avaliação interna.

Erros frequentes

  • Apresentar o mundo em desenvolvimento como um bloco homogéneo e uniformemente pobre, ignorando os emergentes e os países de rendimento médio.
  • Reduzir o subdesenvolvimento à mera « falta de dinheiro », esquecendo o seu caráter estrutural e circular (educação, saúde, instituições, produtividade).

Revisão ativa

Explica, com o círculo vicioso do subdesenvolvimento, por que é difícil a um PMA sair da pobreza e indica duas formas de o romper.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Crescimento e desenvolvimento: dois conceitos distintos○
    • 02A dicotomia Norte/Sul e os seus limites◐
    • 03Uma tipologia dos países pelo desenvolvimento◐
    • 04Do PIB per capita ao IDH◐
    • 05A diversidade do mundo em desenvolvimento●

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Dos resumos à prática

Um mundo de contrastes

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo de contrastes)

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