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O território mundial organiza-se cada vez menos como um mosaico de lugares contíguos e cada vez mais como uma rede de circulações: o « espaço de fluxos » de Manuel Castells, sustentado pelas tecnologias de informação e comunicação, sobrepõe-se ao tradicional « espaço de lugares », na chamada sociedade em rede. Este tema caracteriza os grandes fluxos mundiais — de pessoas, de mercadorias, de capitais e de informação — e identifica e hierarquiza os atores que os comandam: os Estados, as organizações internacionais, as empresas transnacionais, as ONG e a sociedade civil global, com destaque para as cidades globais (Saskia Sassen) como nós de comando. Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, não tendo Exame Final Nacional.
5 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Distinguir espaço de fluxos de espaço de lugares, reconhecer os quatro grandes fluxos mundiais (pessoas, mercadorias, capitais e informação) e identificar os principais atores mundiais e a sua hierarquia.
nível avançado
Relacionar o espaço de fluxos com a sociedade em rede de Castells, interpretar dados do comércio e do investimento mundiais e explicar criticamente o poder das empresas transnacionais, das cidades globais (Sassen) e da sociedade civil na governação mundial.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Espaço de fluxos e espaço de lugares na sociedade em rede
Duas praças financeiras — Londres e Tóquio — negoceiam entre si em tempo real, ao passo que uma aldeia isolada, geograficamente próxima de uma delas, permanece à margem dessa rede. Interpreta a situação à luz dos conceitos de Castells.
Londres e Tóquio, ainda que separadas por milhares de quilómetros, estão fortemente ligadas pela rede e a operar em simultâneo: pertencem ao mesmo espaço de fluxos.
A aldeia vizinha, apesar da proximidade física, está desligada da rede e vive sobretudo no espaço de lugares.
Na sociedade em rede, a conectividade pesa mais do que a distância física: a proximidade geográfica deixa de garantir a integração no mundo global.
Resultado: A relevância deixa de se medir pela distância no mapa e passa a medir-se pela posição na rede — é a lógica do espaço de fluxos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue « espaço de lugares » de « espaço de fluxos » e explica, com um exemplo, por que se afirma que vivemos numa « sociedade em rede ».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os quatro grandes fluxos mundiais
Crescimento do comércio mundial de mercadorias
Com base nos valores aproximados das exportações mundiais de mercadorias — 1990 ≈ 3,5 biliões de USD; 2010 ≈ 15,3 biliões; 2022 ≈ 24,9 biliões —, calcula, de forma aproximada, quantas vezes cresceu o comércio entre 1990 e 2022 e comenta o resultado.
1990 ≈ 3,5 biliões de USD e 2022 ≈ 24,9 biliões de USD (valores aproximados).
24,9 ÷ 3,5 ≈ 7,1.
Em pouco mais de três décadas, o valor das exportações mundiais de mercadorias multiplicou-se cerca de 7 vezes.
Este crescimento reflete a contentorização, as cadeias globais de valor e a liberalização do comércio — fatores da intensificação dos fluxos.
Resultado: O comércio mundial de mercadorias cresceu cerca de 7 vezes entre 1990 e 2022 (valores aproximados), traduzindo a intensificação dos fluxos na era da globalização.
Erros frequentes
Revisão ativa
A partir dos valores das exportações mundiais de mercadorias (Fig. 3), descreve a evolução do comércio mundial e relaciona-a com os fatores da globalização.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A hierarquia dos atores mundiais
Classifica cada entidade como Estado, organização internacional, empresa transnacional ou ONG e indica a sua principal forma de poder: (a) a ONU; (b) a Amnistia Internacional; (c) uma grande petrolífera com atividade em dezenas de países; (d) o Japão.
Organização internacional (intergovernamental); exerce poder de coordenação e de regulação da paz, da segurança e da cooperação.
ONG da sociedade civil; exerce poder de influência sobre a opinião pública e de denúncia.
Empresa transnacional (ETN); exerce poder económico — investimento, emprego e controlo de cadeias de valor.
Estado; exerce poder soberano sobre um território, de natureza política, económica e diplomática.
Resultado: Cada ator exerce um tipo de poder próprio — soberano (Estado), regulador (organização), económico (ETN) ou de influência (ONG) —, o que confirma a hierarquia assimétrica dos atores mundiais.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica os principais atores mundiais e explica por que se afirma que se organizam numa hierarquia de poder, e não em pé de igualdade.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As principais cidades globais e as suas funções
Uma cidade concentra a sede de dezenas de ETN, uma das maiores bolsas de valores do mundo e serviços avançados de banca, consultoria e direito, estando ligada em tempo real às outras grandes praças mundiais. Justifica, com base em Sassen, por que se trata de uma cidade global.
Concentra sedes de ETN e centros de decisão que comandam cadeias globais de valor.
Acolhe uma grande bolsa e mercados financeiros ligados em tempo real às restantes praças mundiais.
Reúne serviços especializados às empresas — banca, seguros, consultoria e direito — que sustentam a economia global.
Está mais ligada às outras cidades globais do que ao seu próprio interior nacional, sendo um nó do espaço de fluxos.
Resultado: Por concentrar comando, finanças e serviços avançados e por funcionar como nó de uma rede mundial, é uma cidade global no sentido de Sassen.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que Nova Iorque, Londres e Tóquio são consideradas « cidades globais » e relaciona essa condição com o conceito de espaço de fluxos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O poder de influência da sociedade civil global
Perante uma catástrofe ambiental, uma ONG documenta os factos, os media globais divulgam-nos e milhões de pessoas pressionam governos e empresas nas redes sociais. Explica o tipo de poder em ação e o seu alcance.
Uma ONG da sociedade civil global — por exemplo, uma organização ambiental — recolhe e divulga informação.
Os media globais e as redes sociais amplificam a informação à escala mundial, num intenso fluxo de informação.
Forma-se uma opinião pública mundial que pressiona os Estados e as ETN a agir.
Trata-se de poder de influência (informação e mobilização), e não de poder soberano nem económico.
Resultado: A sociedade civil global exerce poder de influência: através da informação e da mobilização da opinião pública, condiciona as decisões dos outros atores, embora sem poder coercivo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica de que forma as ONG e os media contribuem para a governação mundial e para a formação de uma opinião pública global, indicando dois exemplos de ONG.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)