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O espaço de fluxos e os atores mundiais

O território mundial organiza-se cada vez menos como um mosaico de lugares contíguos e cada vez mais como uma rede de circulações: o « espaço de fluxos » de Manuel Castells, sustentado pelas tecnologias de informação e comunicação, sobrepõe-se ao tradicional « espaço de lugares », na chamada sociedade em rede. Este tema caracteriza os grandes fluxos mundiais — de pessoas, de mercadorias, de capitais e de informação — e identifica e hierarquiza os atores que os comandam: os Estados, as organizações internacionais, as empresas transnacionais, as ONG e a sociedade civil global, com destaque para as cidades globais (Saskia Sassen) como nós de comando. Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, não tendo Exame Final Nacional.

5 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0888 / 12
Perfil de exame
Distinguir espaço de fluxos de espaço de lugares e caracterizar a sociedade em redeCaracterizar os grandes fluxos mundiais — de pessoas, de mercadorias, de capitais e de informaçãoIdentificar e hierarquizar os atores mundiais e o seu poderExplicar o papel das empresas transnacionais e das cidades globais
Operadores:distinguecaracterizaidentificahierarquizaexplicarelaciona

nível básico

Distinguir espaço de fluxos de espaço de lugares, reconhecer os quatro grandes fluxos mundiais (pessoas, mercadorias, capitais e informação) e identificar os principais atores mundiais e a sua hierarquia.

nível avançado

Relacionar o espaço de fluxos com a sociedade em rede de Castells, interpretar dados do comércio e do investimento mundiais e explicar criticamente o poder das empresas transnacionais, das cidades globais (Sassen) e da sociedade civil na governação mundial.

Profundidade

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. O espaço de fluxos e os atores mundiais
    • 01O espaço de fluxos e a sociedade em rede○
    • 02Os grandes fluxos mundiais◐
    • 03Os atores estatais e as organizações internacionais◐
    • 04As empresas transnacionais e as cidades globais●
    • 05As ONG e a sociedade civil global◐
§ 01

O espaço de fluxos e a sociedade em rede#

●○○BaseLPAE-geografia-c-fluxos-atores

Pontos-chave

O « espaço de lugares » é a forma tradicional de organização do território: a vida social ancora-se num lugar concreto — a aldeia, a cidade, a região — e as relações dependem da proximidade e da contiguidade geográfica. É o espaço da experiência quotidiana, onde a distância física ainda pesa e onde estar perto significa, em regra, estar ligado.
O « espaço de fluxos » é o novo princípio de organização espacial proposto pelo sociólogo Manuel Castells (na obra « A Era da Informação / A Sociedade em Rede », 1996): o que estrutura o mundo já não é a proximidade física, mas a ligação em rede. Praças distantes como Nova Iorque, Londres e Tóquio ficam intensamente conectadas e a funcionar em tempo real, enquanto lugares geograficamente vizinhos podem permanecer desligados dessa rede (ver Fig. 1).

Espaço de fluxos e espaço de lugares na sociedade em rede

Espaço de fluxos vs espaço de lugaresGrafo, Sociedade em rede (Castells) → Espaço de fluxos — conectividade, Sociedade em rede (Castells) → Espaço de lugares — proximidade, TIC, internet e tempo real → Espaço de fluxos — conectividadeSociedade emrede (Castells)Espaço de fluxos— conectividadeEspaço delugares —proximidadeTIC, internet etempo realsuporte
Fig. 1Fig. 1 — Na sociedade em rede de Castells, o espaço de fluxos (ligação em rede, sustentada pelas TIC) sobrepõe-se ao espaço de lugares (proximidade física), sem o eliminar.
A « sociedade em rede » é a estrutura social da era da informação: assenta nas tecnologias de informação e comunicação (TIC), na internet e nos fluxos quase instantâneos de informação e de capital. Estas tecnologias produzem uma compressão do espaço-tempo (a chamada « morte da distância »), fazendo com que a posição na rede conte mais do que a localização no mapa.
O espaço de fluxos não substitui nem anula o espaço de lugares: sobrepõe-se-lhe e coexiste com ele. A maioria das pessoas continua a viver a sua vida num lugar concreto, mas as funções de comando — o poder económico, financeiro e informacional — organizam-se cada vez mais no espaço de fluxos. Daí resulta uma assimetria essencial: quem está ligado à rede integra-se no mundo global; quem dela é excluído (exclusão ou fratura digital) fica à margem.
Exemplo resolvido

Ligados na rede, distantes no mapa

Duas praças financeiras — Londres e Tóquio — negoceiam entre si em tempo real, ao passo que uma aldeia isolada, geograficamente próxima de uma delas, permanece à margem dessa rede. Interpreta a situação à luz dos conceitos de Castells.

  1. 01Espaço de fluxos

    Londres e Tóquio, ainda que separadas por milhares de quilómetros, estão fortemente ligadas pela rede e a operar em simultâneo: pertencem ao mesmo espaço de fluxos.

  2. 02Espaço de lugares

    A aldeia vizinha, apesar da proximidade física, está desligada da rede e vive sobretudo no espaço de lugares.

  3. 03Conclusão

    Na sociedade em rede, a conectividade pesa mais do que a distância física: a proximidade geográfica deixa de garantir a integração no mundo global.

Resultado: A relevância deixa de se medir pela distância no mapa e passa a medir-se pela posição na rede — é a lógica do espaço de fluxos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir com rigor espaço de lugares (organização pela proximidade física) de espaço de fluxos (organização pela ligação em rede, em tempo real).
  • Relacionar o espaço de fluxos com a sociedade em rede de Castells e com o papel das TIC na compressão do espaço-tempo.

Erros frequentes

  • Julgar que o espaço de fluxos substitui ou elimina o espaço de lugares, quando na verdade se lhe sobrepõe e coexiste com ele.
  • Reduzir o espaço de fluxos a um simples « espaço virtual » ou « internet »: ele organiza fluxos reais — de pessoas, mercadorias e capitais — e não apenas de dados.

Revisão ativa

Distingue « espaço de lugares » de « espaço de fluxos » e explica, com um exemplo, por que se afirma que vivemos numa « sociedade em rede ».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Os grandes fluxos mundiais#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-fluxos-atores

Pontos-chave

Os fluxos mundiais são as circulações que ligam os territórios à escala do planeta. Distinguem-se quatro grandes tipos: de pessoas, de mercadorias, de capitais e de informação (ver Fig. 2). Constituem a matéria do espaço de fluxos, e a sua intensidade e velocidade aumentaram enormemente com a revolução dos transportes e das TIC.

Os quatro grandes fluxos mundiais

Tipos de fluxo mundialTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Tipo de fluxo · Conteúdo · Exemplos; Pessoas · Migrações e mobilidade humana · Migrantes laborais, refugiados, estudantes, turismo; Mercadorias · Comércio internacional de bens · Matérias-primas, energia, bens industriais e de consumo; Capitais · Fluxos financeiros e investimento · IDE, investimento de carteira, empréstimos, remessas; Informação · Dados, comunicações e media · Internet, media globais, redes sociais, mercados em tempo realTIPO DE FLUXOCONTEÚDOEXEMPLOSPessoasMigrações e mobilidadehumanaMigrantes laborais,refugiados, estudantes,turismoMercadoriasComércio internacional debensMatérias-primas, energia,bens industriais e deconsumoCapitaisFluxos financeiros einvestimentoIDE, investimento decarteira, empréstimos,remessasInformaçãoDados, comunicações e mediaInternet, media globais,redes sociais, mercados emtempo real
Fig. 2Fig. 2 — Os quatro grandes fluxos mundiais e o seu conteúdo: pessoas, mercadorias, capitais e informação.
Os fluxos de pessoas (migrações e mobilidade) incluem as migrações laborais, os refugiados, os estudantes e o turismo. Estimam-se cerca de 281 milhões de migrantes internacionais em 2020 (ONU / OIM), aproximadamente 3,6% da população mundial (valores aproximados); a estes somam-se os fluxos turísticos, que antes da pandemia atingiram cerca de 1,4 mil milhões de chegadas internacionais em 2019 (Organização Mundial do Turismo).
Os fluxos de mercadorias (comércio internacional de bens) cresceram muito mais depressa do que a produção mundial, impulsionados pela contentorização e pelas cadeias globais de valor. O valor das exportações mundiais de mercadorias passou de cerca de 3,5 biliões de dólares em 1990 para cerca de 24,9 biliões em 2022 (valores aproximados), como mostra a Fig. 3.

Crescimento do comércio mundial de mercadorias

Comércio mundial de mercadoriasGráfico de linhas: biliões de USD por ano, Dados: Exportações de mercadorias (biliões USD) · 1990: 3.5; Exportações de mercadorias (biliões USD) · 2000: 6.5; Exportações de mercadorias (biliões USD) · 2010: 15.3; Exportações de mercadorias (biliões USD) · 2020: 17.6; Exportações de mercadorias (biliões USD) · 2022: 24.90510152019902000201020202022biliões de USDano
Fig. 3Fig. 3 — Crescimento do comércio mundial de mercadorias: valor das exportações mundiais, em biliões de dólares (valores aproximados).
Os fluxos de capitais abrangem o investimento direto estrangeiro (IDE), o investimento de carteira, os empréstimos e as remessas dos emigrantes. É através do IDE que as empresas transnacionais constroem as suas redes mundiais de produção; os mercados financeiros, por sua vez, funcionam de forma quase instantânea, 24 horas por dia, sendo a dimensão mais integrada da globalização.
Os fluxos de informação — dados, comunicações, media e redes sociais — são os mais imateriais e instantâneos e, ao mesmo tempo, aqueles que sustentam todos os outros: sem informação em tempo real não haveria coordenação da produção dispersa nem mercados financeiros globais. Circulam sobretudo pela internet e pelos cabos submarinos que ligam os continentes.
Exemplo resolvido

Ler o crescimento do comércio mundial

Com base nos valores aproximados das exportações mundiais de mercadorias — 1990 ≈ 3,5 biliões de USD; 2010 ≈ 15,3 biliões; 2022 ≈ 24,9 biliões —, calcula, de forma aproximada, quantas vezes cresceu o comércio entre 1990 e 2022 e comenta o resultado.

  1. 01Recolher os valores

    1990 ≈ 3,5 biliões de USD e 2022 ≈ 24,9 biliões de USD (valores aproximados).

  2. 02Calcular o rácio

    24,9 ÷ 3,5 ≈ 7,1.

  3. 03Interpretar

    Em pouco mais de três décadas, o valor das exportações mundiais de mercadorias multiplicou-se cerca de 7 vezes.

  4. 04Relacionar

    Este crescimento reflete a contentorização, as cadeias globais de valor e a liberalização do comércio — fatores da intensificação dos fluxos.

Resultado: O comércio mundial de mercadorias cresceu cerca de 7 vezes entre 1990 e 2022 (valores aproximados), traduzindo a intensificação dos fluxos na era da globalização.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar os quatro grandes fluxos mundiais (pessoas, mercadorias, capitais e informação) e dar exemplos concretos de cada um.
  • Interpretar dados do crescimento do comércio mundial de mercadorias (valores aproximados) e relacioná-lo com a intensificação dos fluxos na globalização.

Erros frequentes

  • Reduzir os fluxos mundiais apenas ao comércio de mercadorias, esquecendo os fluxos de pessoas, de capitais e de informação.
  • Confundir fluxos de capitais (IDE, investimento financeiro, remessas) com fluxos de mercadorias (comércio de bens).

Revisão ativa

A partir dos valores das exportações mundiais de mercadorias (Fig. 3), descreve a evolução do comércio mundial e relaciona-a com os fatores da globalização.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os atores estatais e as organizações internacionais#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-fluxos-atores

Pontos-chave

Os atores mundiais são as entidades que produzem, comandam ou regulam os fluxos e a organização do espaço mundial. Não têm todos o mesmo poder: organizam-se numa hierarquia (ver Fig. 4). Distinguem-se atores estatais — os Estados — de atores não-estatais — as organizações internacionais, as empresas transnacionais, as ONG e a sociedade civil.

A hierarquia dos atores mundiais

Hierarquia dos atores mundiaisDiagrama em árvore, 6 caminhos, Dados: Estados; Organizações internacionais → ONU; Organizações internacionais → FMI, Banco Mundial, OMC; Organizações internacionais → Blocos regionais (UE, ASEAN); ETN / multinacionais; ONG e sociedade civilOrganizações internacionaisAtores mundiaisEstadosONUFMI, Banco Mundial, OMCBlocos regionais (UE, ASEAN)ETN / multinacionaisONG e sociedade civil
Fig. 4Fig. 4 — A hierarquia dos atores mundiais: Estados, organizações internacionais, empresas transnacionais e ONG / sociedade civil, cada um com o seu tipo de poder.
Os Estados continuam a ser atores centrais da cena mundial: detêm a soberania sobre um território, definem políticas, controlam fronteiras, negoceiam tratados e constituem a base do direito internacional. Contudo, a globalização e o espaço de fluxos erodem parte da sua autonomia, pois os capitais e a informação atravessam livremente as fronteiras, escapando ao controlo de cada Estado.
As organizações internacionais (intergovernamentais) reúnem Estados e regulam a vida mundial. Destacam-se a ONU (paz, segurança e cooperação, com 193 Estados-membros), as instituições económicas — o FMI, o Banco Mundial e a OMC — e os blocos regionais de integração (União Europeia, ASEAN, Mercosul, União Africana). Constituem o quadro do multilateralismo e da governação global.
A hierarquia dos atores é assimétrica e nenhum ator domina isoladamente. Os Estados mais poderosos e as grandes empresas transnacionais concentram grande parte do poder; as organizações internacionais estabelecem regras, mas dependem da vontade dos Estados; as ONG e a sociedade civil influenciam a opinião pública. Fala-se, por isso, de uma « governação sem governo mundial »: há regulação, mas não um poder soberano à escala planetária.
Exemplo resolvido

Hierarquizar os atores mundiais

Classifica cada entidade como Estado, organização internacional, empresa transnacional ou ONG e indica a sua principal forma de poder: (a) a ONU; (b) a Amnistia Internacional; (c) uma grande petrolífera com atividade em dezenas de países; (d) o Japão.

  1. 01(a) ONU

    Organização internacional (intergovernamental); exerce poder de coordenação e de regulação da paz, da segurança e da cooperação.

  2. 02(b) Amnistia Internacional

    ONG da sociedade civil; exerce poder de influência sobre a opinião pública e de denúncia.

  3. 03(c) Petrolífera transnacional

    Empresa transnacional (ETN); exerce poder económico — investimento, emprego e controlo de cadeias de valor.

  4. 04(d) Japão

    Estado; exerce poder soberano sobre um território, de natureza política, económica e diplomática.

Resultado: Cada ator exerce um tipo de poder próprio — soberano (Estado), regulador (organização), económico (ETN) ou de influência (ONG) —, o que confirma a hierarquia assimétrica dos atores mundiais.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e hierarquizar os atores mundiais (Estados, organizações internacionais, empresas transnacionais, ONG e sociedade civil).
  • Caracterizar o papel dos Estados e das organizações internacionais na governação global e reconhecer os seus limites.

Erros frequentes

  • Considerar que, na globalização, os Estados deixaram de contar: na verdade, continuam a ser atores centrais, embora com autonomia reduzida.
  • Confundir organizações internacionais (intergovernamentais, que reúnem Estados) com ONG (não-governamentais, da sociedade civil).

Revisão ativa

Identifica os principais atores mundiais e explica por que se afirma que se organizam numa hierarquia de poder, e não em pé de igualdade.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

As empresas transnacionais e as cidades globais#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-fluxos-atores

Pontos-chave

As empresas transnacionais (ETN) são o principal ator económico do espaço de fluxos: organizam a produção à escala mundial e concentram grande parte do comércio e do investimento direto estrangeiro do planeta. As maiores ETN têm volumes de negócio superiores ao Produto Interno Bruto de muitos Estados, o que lhes confere um enorme poder económico e capacidade de negociação face aos governos.
As ETN operam através de cadeias globais de valor: a produção é fragmentada e repartida por vários países — a conceção e a investigação num país, os componentes noutros, a montagem num terceiro e a distribuição à escala mundial —, localizando-se cada fase onde é mais vantajosa. As empresas comandam estas cadeias a partir dos seus centros de decisão, que tendem a concentrar-se num pequeno número de grandes cidades.
As cidades globais, conceito da socióloga Saskia Sassen (na obra « The Global City », 1991), são os nós de comando do espaço de fluxos, tendo Nova Iorque, Londres e Tóquio no topo. Concentram sedes de ETN, as grandes bolsas e mercados financeiros, os serviços avançados às empresas (banca, seguros, consultoria, direito) e as infraestruturas de conectividade que sustentam a economia global (ver Fig. 5).

As principais cidades globais e as suas funções

Cidades globais e funçõesTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Cidade global · Região · Funções de comando; Nova Iorque · América do Norte · Bolsa de Wall Street, sedes de ETN, sede da ONU; Londres · Europa · City — finanças e seguros, serviços avançados às empresas; Tóquio · Ásia oriental · Grande praça financeira, sedes industriais e tecnológicas; Paris, Singapura, Hong Kong · Europa e Ásia · Nós financeiros e de serviços de alcance mundialCIDADE GLOBALREGIÃOFUNÇÕES DE COMANDONova IorqueAmérica do NorteBolsa de Wall Street, sedesde ETN, sede da ONULondresEuropaCity — finanças e seguros,serviços avançados àsempresasTóquioÁsia orientalGrande praça financeira,sedes industriais etecnológicasParis, Singapura, Hong KongEuropa e ÁsiaNós financeiros e deserviços de alcance mundial
Fig. 5Fig. 5 — As cidades globais como nós de comando: Nova Iorque, Londres e Tóquio no topo da hierarquia urbana mundial (Sassen).
As cidades globais formam uma rede mundial — por vezes descrita como um « arquipélago » — mais ligada entre si do que aos respetivos territórios nacionais, sendo a ilustração perfeita do espaço de fluxos. Organizam-se numa hierarquia urbana mundial, das cidades globais de topo às cidades de comando regional, o que aprofunda o contraste entre os centros de comando e as periferias que dependem deles.
Exemplo resolvido

Porque é uma cidade global?

Uma cidade concentra a sede de dezenas de ETN, uma das maiores bolsas de valores do mundo e serviços avançados de banca, consultoria e direito, estando ligada em tempo real às outras grandes praças mundiais. Justifica, com base em Sassen, por que se trata de uma cidade global.

  1. 01Funções de comando

    Concentra sedes de ETN e centros de decisão que comandam cadeias globais de valor.

  2. 02Funções financeiras

    Acolhe uma grande bolsa e mercados financeiros ligados em tempo real às restantes praças mundiais.

  3. 03Serviços avançados

    Reúne serviços especializados às empresas — banca, seguros, consultoria e direito — que sustentam a economia global.

  4. 04Nó da rede

    Está mais ligada às outras cidades globais do que ao seu próprio interior nacional, sendo um nó do espaço de fluxos.

Resultado: Por concentrar comando, finanças e serviços avançados e por funcionar como nó de uma rede mundial, é uma cidade global no sentido de Sassen.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o papel das empresas transnacionais e das cadeias globais de valor na organização do espaço de fluxos.
  • Caracterizar as cidades globais (Sassen) como nós de comando e reconhecer Nova Iorque, Londres e Tóquio no topo da hierarquia urbana mundial.

Erros frequentes

  • Confundir cidade global (nó de comando económico-financeiro mundial) com cidade mais populosa ou capital política: as maiores megacidades nem sempre são as principais cidades globais.
  • Reduzir as ETN a « empresas grandes », esquecendo que o essencial é organizarem a produção em rede mundial (cadeias globais de valor) e comandarem os fluxos.

Revisão ativa

Explica por que Nova Iorque, Londres e Tóquio são consideradas « cidades globais » e relaciona essa condição com o conceito de espaço de fluxos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

As ONG e a sociedade civil global#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-fluxos-atores

Pontos-chave

As ONG (organizações não-governamentais) são atores privados, sem fins lucrativos e independentes dos Estados, que atuam em domínios como os direitos humanos, o ambiente, a ajuda humanitária e o desenvolvimento. São exemplos reais a Amnistia Internacional, os Médicos Sem Fronteiras, a Greenpeace, a Cruz Vermelha e a Oxfam (ver Fig. 6).

O poder de influência da sociedade civil global

O poder de influência da sociedade civilGrafo, ONG (Amnistia, MSF, Greenpeace) → Media globais e redes sociais, Media globais e redes sociais → Opinião pública mundial, Opinião pública mundial → Estados, organizações e ETN, ONG (Amnistia, MSF, Greenpeace) → Estados, organizações e ETNONG (Amnistia,MSF, Greenpeace)Media globais eredes sociaisOpinião públicamundialEstados,organizações eETNdenúncia /informaçãodifusãopressãoadvocacia
Fig. 6Fig. 6 — As ONG e os media exercem poder de influência: através da informação e da mobilização da opinião pública mundial, pressionam Estados, organizações e ETN.
O poder das ONG não é militar nem económico, mas de influência: mobilizam a opinião pública, denunciam abusos, pressionam Estados e empresas, prestam serviços no terreno (sobretudo ajuda humanitária) e participam em cimeiras internacionais. No seu conjunto, constituem uma « sociedade civil global » que atua para além das fronteiras nacionais.
Os media e a opinião pública mundial: os meios de comunicação globais e as redes sociais difundem informação à escala planetária, formando uma opinião pública transnacional capaz de influenciar decisões políticas. A mediatização de crises, catástrofes e conflitos mostra como o fluxo de informação dá poder à sociedade civil.
Na governação mundial, cidadãos, movimentos sociais (como os movimentos ambientais e altermundialistas), ONG e media participam de forma informal, ao lado dos Estados, das organizações internacionais e das ETN, completando a hierarquia dos atores. Este poder tem, porém, limites claros: recursos desiguais, ausência de mandato eleitoral e dependência de financiamento externo.
Exemplo resolvido

O poder de influência da sociedade civil

Perante uma catástrofe ambiental, uma ONG documenta os factos, os media globais divulgam-nos e milhões de pessoas pressionam governos e empresas nas redes sociais. Explica o tipo de poder em ação e o seu alcance.

  1. 01Ator

    Uma ONG da sociedade civil global — por exemplo, uma organização ambiental — recolhe e divulga informação.

  2. 02Meio

    Os media globais e as redes sociais amplificam a informação à escala mundial, num intenso fluxo de informação.

  3. 03Efeito

    Forma-se uma opinião pública mundial que pressiona os Estados e as ETN a agir.

  4. 04Natureza do poder

    Trata-se de poder de influência (informação e mobilização), e não de poder soberano nem económico.

Resultado: A sociedade civil global exerce poder de influência: através da informação e da mobilização da opinião pública, condiciona as decisões dos outros atores, embora sem poder coercivo.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o papel das ONG, dos media e da sociedade civil global na governação e na formação da opinião pública mundial.
  • Reconhecer que o poder da sociedade civil é sobretudo de influência e de informação, e identificar os seus limites.

Erros frequentes

  • Confundir ONG (privadas, não-governamentais) com organizações internacionais / intergovernamentais (que reúnem Estados).
  • Sobrestimar ou subestimar o poder das ONG: influenciam a opinião pública e a agenda, mas não dispõem de poder soberano nem económico comparável ao dos Estados e das ETN.

Revisão ativa

Explica de que forma as ONG e os media contribuem para a governação mundial e para a formação de uma opinião pública global, indicando dois exemplos de ONG.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O espaço de fluxos e os atores mundiais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

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    • 02Os grandes fluxos mundiais◐
    • 03Os atores estatais e as organizações internacionais◐
    • 04As empresas transnacionais e as cidades globais●
    • 05As ONG e a sociedade civil global◐

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O espaço de fluxos e os atores mundiais

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