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Resumos/Geografia C/Um mundo fragmentado
Resumos · Geografia CPT · Secundário

Um mundo fragmentado

Este tema analisa a fragmentação política do Mundo contemporâneo: a multiplicação dos Estados (de cerca de 51 membros da ONU em 1945 para 193 na atualidade), os nacionalismos, as minorias e os movimentos separatistas e autonomistas, as fronteiras e a multiplicação de muros e barreiras, os Estados falhados e o paradoxo entre globalização e fragmentação (o « glocal »). Recorde-se que Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, sem Exame Final Nacional, pelo que « Foco de avaliação » remete para o que é habitualmente valorizado nessa avaliação da responsabilidade da escola, e não para qualquer prova nacional.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0777 / 12
Perfil de exame
Explicar a fragmentação política contemporâneaRelacionar identidade e território e caracterizar os movimentos separatistasCaracterizar tipos de fronteira e contenciosos territoriaisDiscutir o paradoxo entre globalização e fragmentação
Operadores:explicarelacionacaracterizadistinguediscuteinterpreta

nível básico

Explicar a fragmentação política (a multiplicação dos Estados, de ~51 para 193 membros da ONU) e distinguir fronteiras naturais de artificiais.

nível avançado

Relacionar identidade e território, caracterizar os movimentos separatistas e os Estados falhados e discutir o paradoxo globalização–fragmentação (o « glocal »).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Um mundo fragmentado
    • 01A multiplicação dos Estados e a fragmentação política○
    • 02Nacionalismos, minorias e movimentos separatistas◐
    • 03Fronteiras, muros e contenciosos territoriais◐
    • 04Os Estados falhados●
    • 05O paradoxo globalização–fragmentação●
§ 01

A multiplicação dos Estados e a fragmentação política#

●○○BaseLPAE-geografia-c-mundo-fragmentado

Pontos-chave

A fragmentação política traduz a divisão do Mundo num número crescente de Estados soberanos. Este número disparou ao longo do século XX e início do século XXI: a Organização das Nações Unidas (ONU) passou de cerca de 51 membros fundadores, em 1945, para 193 na atualidade (valores aproximados), sendo o Sudão do Sul, admitido em 2011, o 193.º e mais recente membro (ver Fig. 1). O número de membros da ONU é um bom indicador aproximado do número de Estados independentes do Mundo.

Evolução do número de Estados-membros da ONU

Membros da ONU (valores aproximados)Gráfico de linhas: n.º de Estados por ano, Dados: Estados-membros da ONU · 1945: 51; Estados-membros da ONU · 1960: 99; Estados-membros da ONU · 1975: 144; Estados-membros da ONU · 1990: 159; Estados-membros da ONU · 2011: 19305010015019451960197519902011n.º de Estadosano
Fig. 1Fig. 1 — O número de Estados-membros da ONU passou de cerca de 51, em 1945, para 193 na atualidade (valores aproximados), refletindo a fragmentação política do Mundo.
Esta multiplicação deveu-se sobretudo a duas grandes vagas (ver Fig. 2). A primeira foi a descolonização (sobretudo entre 1945 e 1975), que fez nascer dezenas de novos Estados na Ásia e em África — só em 1960, o « Ano de África », tornaram-se independentes 17 países africanos (a ONU passou de ~51 membros em 1945 para ~99 em 1960 e ~144 em 1975, valores aproximados).

As vagas da multiplicação dos Estados

Vagas de fragmentaçãoGrafo, Descolonização (1945–1975) → Multiplicação dos Estados (193 na ONU), Dissolução da URSS (1991) → Multiplicação dos Estados (193 na ONU), Desagregação da Jugoslávia → Multiplicação dos Estados (193 na ONU), Divisão da Checoslováquia (1993) → Multiplicação dos Estados (193 na ONU)Descolonização(1945–1975)Dissolução daURSS (1991)Desagregação daJugosláviaDivisão daChecoslováquia(1993)Multiplicaçãodos Estados (193na ONU)novos Estados15 Estadosvários Estados2 Estados
Fig. 2Fig. 2 — A multiplicação dos Estados resultou de duas grandes vagas: a descolonização (1945–1975) e o colapso do mundo comunista após 1989.
A segunda vaga ocorreu após 1989, com o fim da Guerra Fria e o colapso do mundo comunista: a dissolução da URSS (1991) deu origem a 15 novos Estados, a desagregação da Jugoslávia gerou vários países nos Balcãs e a Checoslováquia dividiu-se pacificamente em dois (1993). Assim, entre 1990 (~159 membros) e a atualidade (193), surgiram mais de trinta novos Estados (valores aproximados).
A tendência dominante é, pois, de fragmentação, embora existam movimentos em sentido contrário (a reunificação da Alemanha, em 1990, é o caso mais conhecido de fusão). A fragmentação política não se limita ao aparecimento de novos Estados: inclui também as reivindicações de autonomia no interior de Estados existentes, refletindo a tensão entre o princípio da autodeterminação dos povos e a integridade territorial dos Estados.
Exemplo resolvido

Ler a evolução dos membros da ONU

A partir da Fig. 1, descreve a evolução do número de Estados-membros da ONU e identifica os dois grandes períodos de aceleração.

  1. 01Ponto de partida

    Em 1945, a ONU tinha cerca de 51 membros fundadores (valor aproximado).

  2. 02Primeira aceleração

    Entre 1945 e 1975, o número quase triplica (~99 em 1960, ~144 em 1975), sobretudo por efeito da descolonização da Ásia e de África.

  3. 03Segunda aceleração

    Entre 1990 (~159) e a atualidade (193), surgem mais de trinta Estados, associados ao fim da Guerra Fria (URSS, Jugoslávia, Checoslováquia).

  4. 04Conclusão

    A curva é sempre crescente, com dois patamares de aceleração: a descolonização e o colapso do mundo comunista.

Resultado: O número de membros da ONU cresce de ~51 (1945) para 193, com dois motores: a descolonização (1945–1975) e o fim da Guerra Fria (pós-1989).

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a fragmentação política do Mundo com base na multiplicação do número de Estados (de cerca de 51 membros da ONU em 1945 para 193 na atualidade, valores aproximados).
  • Interpretar um gráfico da evolução do número de Estados-membros da ONU e relacionar os seus períodos de aceleração com a descolonização e com o fim da Guerra Fria.

Erros frequentes

  • Confundir o número de membros da ONU com o número total de territórios do Mundo (há territórios e Estados observadores que não são membros de pleno direito).
  • Atribuir a multiplicação dos Estados apenas à descolonização, esquecendo a vaga pós-1989 (URSS, Jugoslávia e Checoslováquia).

Revisão ativa

Explica, com dados aproximados, a evolução do número de Estados-membros da ONU entre 1945 e a atualidade e identifica os seus dois grandes motores.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Nacionalismos, minorias e movimentos separatistas#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-fragmentado

Pontos-chave

Há uma relação estreita entre identidade e território (ver Fig. 3). A nação é uma comunidade que partilha elementos de identidade — língua, religião, etnia, memória histórica — e que tende a aspirar a coincidir com um território e um Estado próprios (o princípio das nacionalidades). Nem sempre há coincidência: existem Estados plurinacionais (que reúnem várias nações) e nações sem Estado (repartidas por vários países).

Identidade e território

Identidade ↔ territórioGrafo, Identidade (língua, religião, etnia) → Nação, Nação → Território / Estado, Nação → Autonomia ou independência, Autonomia ou independência → Território / EstadoIdentidade(língua,religião, etnia)NaçãoTerritório /EstadoAutonomia ouindependênciafundaaspira acoincidirnação semEstadoreivindica
Fig. 3Fig. 3 — A identidade funda a nação, que aspira a coincidir com um território; quando isso não acontece, surgem reivindicações de autonomia ou de independência.
O nacionalismo pode ser unificador (construir e consolidar um Estado) ou fragmentador, quando minorias — étnicas, religiosas ou linguísticas — que se sentem mal representadas fazem reivindicações identitárias. É essencial distinguir o autonomismo (a exigência de mais poderes e autogoverno dentro do Estado) do separatismo ou independentismo (a vontade de secessão, isto é, de criar um novo Estado).
Há numerosos casos, com intensidades muito diferentes (ver Fig. 4): a Catalunha e o País Basco (Espanha), a Escócia (referendo de independência em 2014, ganho pelo « não » com cerca de 55 %), a Flandres (Bélgica), o Quebeque (Canadá, referendos em 1980 e 1995), a Córsega (França), ou nações sem Estado como os curdos (repartidos por Turquia, Iraque, Irão e Síria) e os palestinianos. Alguns processos culminaram em novos Estados, como Timor-Leste (2002), o Kosovo (declaração de independência em 2008) ou o Sudão do Sul (2011).

Casos de reivindicação separatista ou autonomista

Casos de separatismo e autonomismoTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Caso · Estado(s) · Tipo de reivindicação; Catalunha · Espanha · Independentista (identidade linguística); País Basco · Espanha · Autonomista / independentista; Escócia · Reino Unido · Independentista (referendo em 2014); Flandres · Bélgica · Autonomista (identidade linguística); Quebeque · Canadá · Independentista (referendos em 1980 e 1995); Curdos · Turquia, Iraque, Irão e Síria · Nação sem Estado (étnica/linguística)CASOESTADO(S)TIPO DE REIVINDICAÇÃOCatalunhaEspanhaIndependentista (identidadelinguística)País BascoEspanhaAutonomista /independentistaEscóciaReino UnidoIndependentista (referendoem 2014)FlandresBélgicaAutonomista (identidadelinguística)QuebequeCanadáIndependentista (referendosem 1980 e 1995)CurdosTurquia, Iraque, Irão eSíriaNação sem Estado (étnica/linguística)
Fig. 4Fig. 4 — Exemplos de movimentos autonomistas e separatistas e de nações sem Estado, com intensidades e resultados muito diversos.
As causas destes movimentos são variadas: a memória histórica e o sentimento de nação, as diferenças linguísticas e religiosas, as assimetrias económicas (regiões ricas que não querem « sustentar » o resto do país, ou regiões pobres marginalizadas) e a repressão de minorias. As consequências vão desde processos pacíficos e democráticos (referendos na Escócia e no Quebeque) até conflitos violentos, o que mostra que a gestão da diversidade identitária é um desafio central dos Estados contemporâneos.
Exemplo resolvido

Autonomismo ou separatismo?

Distingue autonomismo de separatismo e classifica, justificando, os casos da Flandres e da Catalunha.

  1. 01Autonomismo

    É a exigência de mais poderes e autogoverno dentro do Estado, sem pretender criar um novo Estado.

  2. 02Separatismo

    É a vontade de secessão, isto é, de constituir um Estado independente.

  3. 03Flandres

    Predominam reivindicações autonomistas de base linguística (comunidade flamenga) dentro da Bélgica.

  4. 04Catalunha

    Existem fortes correntes independentistas, que reivindicam a criação de um Estado catalão separado de Espanha.

Resultado: Autonomismo = mais poderes dentro do Estado (Flandres); separatismo = criar um novo Estado (independentismo catalão).

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar identidade e território e explicar como as reivindicações identitárias (étnicas, religiosas e linguísticas) dão origem a movimentos autonomistas e separatistas.
  • Distinguir autonomismo de separatismo/independentismo e caracterizar, com exemplos, as nações sem Estado.

Erros frequentes

  • Confundir Estado, nação e nacionalismo (o Estado é uma entidade político-jurídica; a nação é uma comunidade de identidade; podem não coincidir).
  • Tratar autonomismo e separatismo como sinónimos (o primeiro pede mais poderes dentro do Estado; o segundo pretende a criação de um novo Estado).

Revisão ativa

Relaciona identidade e território e distingue, com exemplos, um movimento autonomista de um movimento separatista.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Fronteiras, muros e contenciosos territoriais#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-mundo-fragmentado

Pontos-chave

A fronteira é o limite que separa a soberania de dois Estados. Distinguem-se as fronteiras naturais, apoiadas em elementos físicos (rios, cordilheiras, o litoral), das fronteiras artificiais, traçadas pelo Homem — geométricas (ao longo de paralelos e meridianos) ou étnico-linguísticas (ver Fig. 5). Muitas fronteiras de África são artificiais e retas, herdadas da partilha colonial (Conferência de Berlim, 1884–1885), que dividiu etnias e ainda hoje alimenta conflitos.

Tipos de fronteira

Fronteiras naturais e artificiaisTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Tipo de fronteira · Apoio / traçado · Exemplo; Natural · Elementos físicos (rios, montanhas, mar) · Os Pirenéus; o rio Reno; os Andes; Artificial geométrica · Linhas retas (paralelos e meridianos) · Muitas fronteiras de África (partilha colonial); Artificial étnico-linguística · Distribuição de povos e línguas · Parte das fronteiras da Europa centralTIPO DE FRONTEIRAAPOIO / TRAÇADOEXEMPLONaturalElementos físicos (rios,montanhas, mar)Os Pirenéus; o rio Reno; osAndesArtificial geométricaLinhas retas (paralelos emeridianos)Muitas fronteiras de África(partilha colonial)Artificial étnico-linguísticaDistribuição de povos elínguasParte das fronteiras daEuropa central
Fig. 5Fig. 5 — As fronteiras podem ser naturais (apoiadas na física do território) ou artificiais (traçadas pelo Homem, geométricas ou étnico-linguísticas).
Um contencioso (ou litígio) territorial é uma disputa entre Estados sobre a soberania de um território. Exemplos frequentemente referidos são a Caxemira (entre a Índia e o Paquistão), o Sara Ocidental ou as disputas de ilhas no Mar do Sul da China. Estes contenciosos podem manter-se latentes durante décadas ou degenerar em tensão e conflito armado.
Existe um paradoxo notável: apesar da globalização e da abertura de muitas fronteiras (por exemplo, o Espaço Schengen, sem controlos internos na União Europeia), o número de muros e barreiras fronteiriças multiplicou-se depois da queda do Muro de Berlim (1989) — de cerca de 15 no fim da Guerra Fria para várias dezenas na atualidade (valores aproximados) (ver Fig. 6). O Mundo abre-se aos fluxos de mercadorias e de capitais, mas ergue barreiras às pessoas.

Muros e barreiras fronteiriças

Muros e barreirasTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Muro / barreira · Fronteira · Objetivo declarado; Barreira EUA–México · Estados Unidos / México · Conter a migração irregular; Barreira da Cisjordânia · Israel / Cisjordânia · Segurança (contexto do conflito); Vedações de Ceuta e Melilha · Espanha / Marrocos · Conter a migração para a UE; Barreira Índia–Bangladesh · Índia / Bangladesh · Migração e contrabandoMURO / BARREIRAFRONTEIRAOBJETIVO DECLARADOBarreira EUA–MéxicoEstados Unidos / MéxicoConter a migração irregularBarreira da CisjordâniaIsrael / CisjordâniaSegurança (contexto doconflito)Vedações de Ceuta e MelilhaEspanha / MarrocosConter a migração para a UEBarreira Índia–BangladeshÍndia / BangladeshMigração e contrabando
Fig. 6Fig. 6 — Apesar da globalização, os muros e as barreiras fronteiriças multiplicaram-se desde 1989, sobretudo para conter a migração.
Estes muros procuram travar a migração irregular, o contrabando ou ameaças à segurança, mas são dispendiosos, de eficácia discutível e de forte carga simbólica. São exemplos reais a barreira entre os Estados Unidos e o México, a barreira da Cisjordânia (Israel), as vedações de Ceuta e Melilha (enclaves espanhóis em Marrocos), a barreira Índia–Bangladesh ou as vedações erguidas na Europa durante a crise migratória de 2015 (como na Hungria).
Exemplo resolvido

Classificar fronteiras e explicar o paradoxo dos muros

Classifica quanto ao tipo a fronteira entre Portugal e Espanha e as fronteiras retas de África e explica o paradoxo entre a globalização e a multiplicação dos muros.

  1. 01Portugal–Espanha

    É em grande parte uma fronteira natural (apoiada nos rios Minho, Douro e Guadiana) e uma das mais antigas e estáveis da Europa.

  2. 02Fronteiras de África

    São sobretudo artificiais e geométricas (linhas retas), traçadas na partilha colonial, dividindo etnias e favorecendo conflitos.

  3. 03Paradoxo

    A globalização abre fronteiras aos fluxos de mercadorias e capitais (ex.: Schengen), mas, ao mesmo tempo, os Estados erguem muros para travar as pessoas.

  4. 04Conclusão

    Coexistem, assim, a abertura económica e o fecho securitário: o Mundo é, ao mesmo tempo, mais aberto e mais murado.

Resultado: Portugal–Espanha: fronteira (em parte) natural e estável; África: fronteiras artificiais e conflituosas; e a globalização convive com a multiplicação dos muros.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir fronteiras naturais de fronteiras artificiais e relacionar as fronteiras artificiais de África com a partilha colonial e os conflitos.
  • Caracterizar os contenciosos territoriais e explicar o paradoxo entre a abertura das fronteiras (globalização) e a multiplicação dos muros e barreiras.

Erros frequentes

  • Julgar que a globalização fez desaparecer as fronteiras, quando os muros e as barreiras se multiplicaram desde 1989.
  • Confundir fronteira natural com fronteira « justa »: uma fronteira apoiada num rio ou numa montanha pode, ainda assim, dividir um mesmo povo.

Revisão ativa

Distingue fronteiras naturais de artificiais, dá um exemplo de cada e explica por que os muros se multiplicaram apesar da globalização.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Os Estados falhados#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-mundo-fragmentado

Pontos-chave

Um Estado falhado (ou frágil) é um Estado que perdeu a capacidade de exercer as funções básicas da soberania no seu território (ver Fig. 7): garantir a segurança e o monopólio da força legítima, controlar as fronteiras, prestar serviços públicos e fazer cumprir a lei. A fragilidade estatal mede-se por esta (in)capacidade de governar, e não apenas pelo nível de rendimento do país.

O círculo do Estado falhado

Círculo da fragilidade estatalGrafo, Causas (conflito, pobreza, instituições fracas) → Estado falhado (perda de soberania), Estado falhado (perda de soberania) → Vazio de poder (milícias, criminalidade), Vazio de poder (milícias, criminalidade) → Instabilidade, refugiados, contágio regional, Instabilidade, refugiados, contágio regional → Causas (conflito, pobreza, instituições fracas)Causas(conflito,pobreza, instit…Estado falhado(perda desoberania)Vazio de poder(milícias,criminalidade)Instabilidade,refugiados,contágio region…provocamgeraconduz arealimenta
Fig. 7Fig. 7 — A fragilidade estatal alimenta um círculo vicioso: as causas geram o vazio de poder, que produz instabilidade, que agrava de novo as causas.
As causas são múltiplas e reforçam-se entre si: conflitos armados prolongados, forte fragmentação étnica ou religiosa, instituições fracas e corrupção, pobreza extrema, choques ambientais (secas, fome) e heranças coloniais (como as fronteiras artificiais). Estes fatores geram vazios de poder, ocupados por milícias, senhores da guerra, grupos armados ou criminalidade organizada.
As consequências são graves e ultrapassam as fronteiras do país: instabilidade territorial, violência e crises humanitárias (refugiados e deslocados), terrorismo, pirataria e tráficos, com um forte efeito de contágio regional que arrasta os países vizinhos. Por isso, os Estados falhados são hoje considerados um dos principais problemas de segurança à escala global.
São frequentemente citados como exemplos a Somália (arquétipo do Estado falhado, sem governo central efetivo durante grande parte do período desde 1991), o Afeganistão, o Iémen, a Síria, o Sudão do Sul, a República Democrática do Congo e o Haiti. Existem índices de fragilidade estatal (por exemplo, o Fragile States Index, do Fund for Peace) que procuram medir o fenómeno, embora não dispensem uma análise qualitativa de cada caso.
Exemplo resolvido

Por que é a Somália um Estado falhado?

Explica por que a Somália é frequentemente apresentada como um Estado falhado e indica duas consequências à escala regional.

  1. 01Conceito

    Um Estado falhado perdeu a capacidade de garantir a segurança, controlar o território e prestar serviços públicos.

  2. 02Aplicação

    Na Somália, o poder central foi, durante largos períodos, incapaz de controlar o território, ocupado por milícias e grupos armados, com surtos de pirataria ao largo da costa.

  3. 03Consequências regionais

    Geram-se fluxos de refugiados para os países vizinhos e ameaças à segurança (tráficos, terrorismo, pirataria) que se propagam à região — o efeito de contágio.

  4. 04Conclusão

    A perda das funções de soberania faz da Somália um exemplo clássico de Estado falhado, com impactos que ultrapassam as suas fronteiras.

Resultado: A Somália é um Estado falhado por não exercer a soberania efetiva; à escala regional, gera refugiados e ameaças de segurança que contagiam os vizinhos.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o conceito de Estado falhado ou frágil (perda das funções básicas de soberania) e identificar as suas causas.
  • Discutir as consequências dos Estados falhados para a instabilidade territorial e para a segurança à escala regional e global.

Erros frequentes

  • Confundir Estado falhado com Estado pobre: a fragilidade estatal mede-se pela (in)capacidade de exercer a soberania, não apenas pelo rendimento.
  • Ver o Estado falhado como um problema puramente interno, esquecendo o efeito de contágio regional (refugiados, tráficos e terrorismo).

Revisão ativa

Define Estado falhado, indica duas causas e duas consequências e apresenta um exemplo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

O paradoxo globalização–fragmentação#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-mundo-fragmentado

Pontos-chave

O tema encerra com um paradoxo central: ao mesmo tempo que o Mundo se globaliza e se unifica (na economia, na tecnologia e na cultura), afirmam-se identidades locais e regionais e multiplicam-se as fragmentações (ver Fig. 8). Globalização e fragmentação não são processos opostos e independentes, mas antes as duas faces do mesmo fenómeno.

O paradoxo global–local (glocal)

Paradoxo global–localGrafo, Globalização (integração) → Enfraquecimento do Estado-nação, Afirmação identitária local → Enfraquecimento do Estado-nação, Globalização (integração) → Afirmação identitária local, Globalização (integração) → Glocalização (« pensar global, agir local »), Afirmação identitária local → Glocalização (« pensar global, agir local »)Globalização(integração)Enfraquecimentodo Estado-naçãoAfirmaçãoidentitárialocalGlocalização («pensar global,agir local »)pressiona porcimapressiona porbaixogera reaçãoarticula-searticula-se
Fig. 8Fig. 8 — A globalização gera, como reação, a afirmação identitária local e enfraquece o Estado-nação; a articulação de ambas traduz-se na glocalização.
Este paradoxo é sintetizado no conceito de glocalização (o « glocal »), divulgado por Roland Robertson e traduzido na fórmula « pensar global, agir local »: o global e o local articulam-se permanentemente. A tendência para a homogeneização cultural provoca, como reação, a afirmação identitária — a defesa da língua, da religião e das tradições. Autores como Benjamin Barber falaram da tensão entre a uniformização (« McWorld ») e os particularismos, e Manuel Castells sublinhou a força das identidades na sociedade em rede.
Vários fatores ligam os dois processos: a globalização enfraquece o Estado-nação, pressionado « por cima » (mercados e organizações globais) e « por baixo » (regiões e minorias que reivindicam autonomia); as tecnologias de informação e as redes sociais dão voz e capacidade de organização às reivindicações identitárias; e a insegurança e a competição económica alimentam nacionalismos e populismos.
A síntese é clara: o Mundo é, simultaneamente, mais integrado e mais fragmentado. A União Europeia ilustra bem o « glocal » — uma integração supranacional que convive com a afirmação das regiões (a « Europa das Regiões ») e com movimentos independentistas. Compreender este paradoxo é a chave de leitura de « um mundo fragmentado ».
Exemplo resolvido

Explicar o « glocal » com a União Europeia

Explica o paradoxo entre globalização e fragmentação, usando o conceito de glocalização e o exemplo da União Europeia.

  1. 01Paradoxo

    O Mundo integra-se (economia, tecnologia, cultura) e, ao mesmo tempo, fragmenta-se, com a afirmação de identidades locais e regionais.

  2. 02Glocalização

    O global e o local articulam-se (« pensar global, agir local »): a homogeneização provoca reações de defesa identitária.

  3. 03União Europeia

    A UE é uma integração supranacional que convive com a « Europa das Regiões » e com movimentos independentistas (Catalunha, Escócia).

  4. 04Conclusão

    A UE mostra que integração e fragmentação coexistem: é possível ser, ao mesmo tempo, mais europeu e mais regional.

Resultado: A globalização e a fragmentação articulam-se no « glocal »; a UE ilustra-o, ao juntar integração supranacional e afirmação das regiões.

Foco no Exame Nacional

  • Discutir o paradoxo entre globalização e fragmentação, mobilizando o conceito de glocalização (« pensar global, agir local »).
  • Relacionar a globalização com o enfraquecimento do Estado-nação e a afirmação de identidades locais e regionais.

Erros frequentes

  • Ver a globalização e a fragmentação como processos opostos e independentes, quando são as duas faces do mesmo fenómeno (o « glocal »).
  • Reduzir a glocalização a um simples slogan, sem a ligar à afirmação identitária e ao enfraquecimento do Estado-nação.

Revisão ativa

Explica, com um exemplo, o paradoxo entre globalização e fragmentação e o conceito de glocalização.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01A multiplicação dos Estados e a fragmentação política○
    • 02Nacionalismos, minorias e movimentos separatistas◐
    • 03Fronteiras, muros e contenciosos territoriais◐
    • 04Os Estados falhados●
    • 05O paradoxo globalização–fragmentação●

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Dos resumos à prática

Um mundo fragmentado

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Um mundo fragmentado)

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