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Com o fim da Guerra Fria, os conflitos armados não desapareceram: multiplicaram-se e reemergiram, agora sobretudo no interior dos Estados (conflitos intraestatais), por causas étnicas, religiosas, territoriais, políticas, económicas e pela disputa de recursos. Este tema tipifica os conflitos, explica as suas causas, localiza os grandes focos de tensão mundiais (Médio Oriente, Sael, Grandes Lagos, ex-Jugoslávia, Cáucaso e Ucrânia), caracteriza o terrorismo internacional e as novas ameaças e discute as consequências humanitárias (refugiados e deslocados; ACNUR) e a resolução de conflitos (ONU e «capacetes azuis»). Recorde-se que Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, sem Exame Final Nacional; por isso, «Foco de avaliação» remete para o que é valorizado na avaliação interna da disciplina, e não para qualquer prova nacional.
5 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 2
nível básico
Tipificar os conflitos (interestatais e intraestatais), identificar as suas causas e localizar os grandes focos de tensão mundiais.
nível avançado
Explicar a reemergência dos conflitos após a Guerra Fria, relacionar causas e focos de tensão e discutir criticamente as consequências humanitárias e a resolução de conflitos.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Da bipolaridade à reemergência dos conflitos
Explica por que o fim da Guerra Fria, em vez de trazer paz, foi seguido por uma reemergência dos conflitos regionais.
Durante a Guerra Fria, os dois blocos disciplinavam os seus aliados e continham ou instrumentalizavam muitas tensões locais.
Com a queda do Muro (1989) e o fim da URSS (1991), desapareceu essa disciplina e libertaram-se rivalidades étnicas, religiosas e territoriais até aí contidas.
Os conflitos passaram a ser sobretudo intraestatais (guerras civis), com forte impacto sobre a população civil.
Sem o enquadramento dos blocos, e num mundo mais fragmentado, os conflitos não desapareceram: multiplicaram-se e reemergiram.
Resultado: O fim da disciplina dos blocos libertou tensões contidas; por isso os conflitos, sobretudo intraestatais, multiplicaram-se em vez de desaparecerem.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que razão, ao contrário do que se esperava, o fim da Guerra Fria foi acompanhado por uma reemergência dos conflitos regionais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tipos de conflito
As causas dos conflitos
Um conflito opõe, dentro de um mesmo país, dois grupos de etnias e religiões diferentes, numa região rica em minérios. Tipifica-o e indica as suas causas.
O conflito decorre no interior de um Estado, entre grupos rivais — logo, é intraestatal (guerra civil), e não interestatal.
A oposição entre etnias e religiões diferentes revela causas étnicas e religiosas.
A riqueza em minérios acrescenta uma causa pelos recursos, que pode financiar e prolongar o conflito.
Trata-se de um conflito intraestatal de causas combinadas — étnicas, religiosas e pelos recursos.
Resultado: É um conflito intraestatal (guerra civil) multicausal: causas étnicas e religiosas, agravadas pela disputa de recursos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue conflitos interestatais de intraestatais e enumera, com exemplos, quatro tipos de causas dos conflitos regionais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Grandes focos de tensão mundiais
Indica a localização e a causa dominante de três focos de tensão: Médio Oriente, Sael e ex-Jugoslávia.
Situado no sudoeste asiático; combina disputas territoriais e religiosas com o interesse pelo petróleo.
Faixa a sul do Saara, em África; instabilidade ligada à pobreza, à fragilidade dos Estados e à expansão de grupos jihadistas.
Nos Balcãs (Europa); guerras dos anos 1990 de base nacionalista, étnica e religiosa.
Em cada caso convém identificar a causa dominante, sem esquecer que, na prática, várias causas se combinam.
Resultado: Médio Oriente (Ásia; território/religião/petróleo), Sael (África; pobreza/etnias/jihadismo) e ex-Jugoslávia (Europa; nacionalismo étnico-religioso).
Erros frequentes
Revisão ativa
Localiza três grandes focos de tensão mundiais e caracteriza cada um quanto ao tipo e às causas dominantes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Terrorismo internacional e novas ameaças
Explica por que o terrorismo internacional é considerado uma «nova ameaça» e distingue-o de um conflito interestatal clássico.
Um conflito interestatal opõe Estados, com exércitos regulares e territórios e fronteiras definidos.
O terrorismo internacional é protagonizado por redes sem território próprio, que atuam e se financiam à escala global.
Trata-se de um conflito assimétrico: um Estado enfrenta um inimigo difuso, difícil de localizar e de combater.
Junta-se a outras ameaças sem fronteiras (ciberataques, tráficos, proliferação de armas), que exigem cooperação internacional.
Resultado: Ao contrário da guerra entre Estados, o terrorismo internacional é uma ameaça difusa e transnacional (conflito assimétrico), a par de ciberataques, tráficos e proliferação de armas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza o terrorismo internacional como nova ameaça à segurança e indica outras três novas ameaças de escala mundial.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Consequências humanitárias e resolução
Numa guerra civil, parte da população foge para outro país e parte desloca-se para regiões mais seguras do mesmo país. Classifica cada grupo e indica quem os protege e como se pode resolver o conflito.
Quem atravessa uma fronteira internacional é refugiado, protegido pelo direito de asilo e assistido pelo ACNUR.
Quem foge, mas permanece dentro do próprio país, é deslocado interno.
Cabe sobretudo à ONU, através do Conselho de Segurança, procurar a paz por via da diplomacia, das sanções e das operações de manutenção de paz.
Os «capacetes azuis» interpõem-se entre as partes, vigiam cessar-fogos e protegem civis — com meios limitados e sujeitos ao veto do Conselho de Segurança.
Resultado: Quem cruza a fronteira é refugiado (ACNUR); quem fica no país é deslocado interno; a resolução compete sobretudo à ONU e aos «capacetes azuis», com limites (veto, meios).
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue refugiados de deslocados e explica o papel da ONU e dos «capacetes azuis» na resolução de conflitos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)