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Resumos · Geografia CPT · Secundário

A reemergência de conflitos regionais

Com o fim da Guerra Fria, os conflitos armados não desapareceram: multiplicaram-se e reemergiram, agora sobretudo no interior dos Estados (conflitos intraestatais), por causas étnicas, religiosas, territoriais, políticas, económicas e pela disputa de recursos. Este tema tipifica os conflitos, explica as suas causas, localiza os grandes focos de tensão mundiais (Médio Oriente, Sael, Grandes Lagos, ex-Jugoslávia, Cáucaso e Ucrânia), caracteriza o terrorismo internacional e as novas ameaças e discute as consequências humanitárias (refugiados e deslocados; ACNUR) e a resolução de conflitos (ONU e «capacetes azuis»). Recorde-se que Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, sem Exame Final Nacional; por isso, «Foco de avaliação» remete para o que é valorizado na avaliação interna da disciplina, e não para qualquer prova nacional.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 2

T·0666 / 12
Perfil de exame
Tipificar os conflitos regionais contemporâneosExplicar as causas dos conflitos e localizar os principais focos de tensãoCaracterizar o terrorismo internacional e as novas ameaçasDiscutir as consequências humanitárias e a resolução de conflitos
Operadores:tipificaexplicalocalizacaracterizarelacionadiscute

nível básico

Tipificar os conflitos (interestatais e intraestatais), identificar as suas causas e localizar os grandes focos de tensão mundiais.

nível avançado

Explicar a reemergência dos conflitos após a Guerra Fria, relacionar causas e focos de tensão e discutir criticamente as consequências humanitárias e a resolução de conflitos.

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A reemergência de conflitos regionais
    • 01A reemergência dos conflitos pós-Guerra Fria◐
    • 02Tipos e causas dos conflitos◐
    • 03Os grandes focos de tensão mundiais●
    • 04O terrorismo internacional e as novas ameaças●
    • 05Consequências humanitárias e resolução de conflitos◐
§ 01

A reemergência dos conflitos pós-Guerra Fria#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-conflitos-regionais

Pontos-chave

Durante a Guerra Fria (1947–1991), a ordem bipolar organizava o mundo em torno de dois blocos, liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Muitas tensões locais eram contidas ou instrumentalizadas por essa rivalidade: as duas superpotências disciplinavam os seus aliados e evitavam que os conflitos periféricos degenerassem num confronto direto entre blocos. A paz mundial assentava, paradoxalmente, no «equilíbrio do terror» nuclear (ver Fig. 1).

Da bipolaridade à reemergência dos conflitos

Reemergência dos conflitosGrafo, Ordem bipolar (blocos contêm tensões) → Fim da Guerra Fria (1989–1991), Fim da Guerra Fria (1989–1991) → Fim da disciplina dos blocos, Fim da disciplina dos blocos → Multiplicação de conflitos, Multiplicação de conflitos → Sobretudo intraestataisOrdem bipolar(blocos contêmtensões)Fim da GuerraFria (1989–1991)Fim dadisciplina dosblocosMultiplicação deconflitosSobretudointraestatais
Fig. 1Fig. 1 — Com o fim da Guerra Fria, o desaparecimento da disciplina dos blocos liberta tensões e multiplica os conflitos, agora sobretudo intraestatais.
O fim da Guerra Fria — simbolizado pela queda do Muro de Berlim (1989) e consumado com a dissolução da União Soviética (1991) — não trouxe a «paz perpétua» que muitos anteciparam. Ao desaparecer a disciplina dos blocos, vieram à superfície rivalidades étnicas, religiosas e territoriais até então contidas. Em vez de diminuírem, os conflitos multiplicaram-se e reemergiram em várias regiões do globo.
Mudou, sobretudo, a natureza dos conflitos. Os confrontos clássicos entre Estados (interestatais) tornaram-se menos frequentes, dando lugar a conflitos no interior dos próprios Estados (intraestatais ou guerras civis), muitas vezes de base identitária. São guerras que envolvem não só exércitos regulares, mas também milícias e grupos armados, e em que a população civil passa a ser alvo e principal vítima (ver Fig. 1).
Esta reemergência insere-se numa nova ordem mundial mais fragmentada e imprevisível. O enfraquecimento ou o colapso de alguns Estados, a par de nacionalismos e de disputas por recursos, criou verdadeiros «arcos de instabilidade». Compreender por que os conflitos não desapareceram — antes se transformaram e dispersaram — é o ponto de partida para todo o tema.
Exemplo resolvido

Por que reemergem os conflitos?

Explica por que o fim da Guerra Fria, em vez de trazer paz, foi seguido por uma reemergência dos conflitos regionais.

  1. 01Ordem bipolar

    Durante a Guerra Fria, os dois blocos disciplinavam os seus aliados e continham ou instrumentalizavam muitas tensões locais.

  2. 02Fim dos blocos

    Com a queda do Muro (1989) e o fim da URSS (1991), desapareceu essa disciplina e libertaram-se rivalidades étnicas, religiosas e territoriais até aí contidas.

  3. 03Nova natureza

    Os conflitos passaram a ser sobretudo intraestatais (guerras civis), com forte impacto sobre a população civil.

  4. 04Conclusão

    Sem o enquadramento dos blocos, e num mundo mais fragmentado, os conflitos não desapareceram: multiplicaram-se e reemergiram.

Resultado: O fim da disciplina dos blocos libertou tensões contidas; por isso os conflitos, sobretudo intraestatais, multiplicaram-se em vez de desaparecerem.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar por que os conflitos regionais se multiplicaram e reemergiram após o fim da Guerra Fria.
  • Relacionar o fim da ordem bipolar (1989–1991) com a mudança da natureza dos conflitos (de interestatais para intraestatais).

Erros frequentes

  • Julgar que o fim da Guerra Fria trouxe apenas paz e fez desaparecer os conflitos, quando, na verdade, estes se multiplicaram.
  • Confundir a queda do Muro de Berlim (1989) com a dissolução da URSS (1991) — são marcos distintos e sucessivos.

Revisão ativa

Explica por que razão, ao contrário do que se esperava, o fim da Guerra Fria foi acompanhado por uma reemergência dos conflitos regionais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Tipos e causas dos conflitos#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-conflitos-regionais

Pontos-chave

Quanto aos intervenientes, os conflitos classificam-se em interestatais e intraestatais (ver Fig. 2). Os conflitos interestatais opõem dois ou mais Estados soberanos, geralmente por questões de fronteira, território, poder ou recursos. Os conflitos intraestatais (ou guerras civis) desenrolam-se no interior de um mesmo Estado, entre o governo e grupos rebeldes ou entre comunidades rivais; são hoje o tipo dominante.

Tipos de conflito

Tipos de conflitoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Tipo de conflito · Causas · Exemplos; Interestatal · Fronteiras, território, poder, recursos · Guerra do Golfo (1991); disputas de fronteira; Intraestatal / guerra civil · Poder político, secessão, identidade · Ex-Jugoslávia; Síria; Somália; Étnico-religioso · Rivalidades étnicas e religiosas · Ruanda (1994); Médio Oriente; Pelos recursos · Petróleo, água, minérios, diamantes · Grandes Lagos (coltan); «diamantes de sangue»TIPO DE CONFLITOCAUSASEXEMPLOSInterestatalFronteiras, território,poder, recursosGuerra do Golfo (1991);disputas de fronteiraIntraestatal / guerra civilPoder político, secessão,identidadeEx-Jugoslávia; Síria;SomáliaÉtnico-religiosoRivalidades étnicas ereligiosasRuanda (1994); Médio OrientePelos recursosPetróleo, água, minérios,diamantesGrandes Lagos (coltan);«diamantes de sangue»
Fig. 2Fig. 2 — Tipos de conflito, causas dominantes e exemplos.
As causas dos conflitos são múltiplas e quase sempre combinadas (ver Fig. 3). As causas étnicas resultam de rivalidades entre povos ou grupos que reivindicam identidade, autonomia ou domínio; as causas religiosas opõem comunidades de crenças diferentes, ou instrumentalizam a religião ao serviço do poder; as causas territoriais prendem-se com a disputa de fronteiras e de regiões reivindicadas por mais do que um Estado ou grupo.

As causas dos conflitos

Causas dos conflitosGrafo, Étnicas → Conflito regional, Religiosas → Conflito regional, Territoriais (fronteiras) → Conflito regional, Políticas (poder, secessão) → Conflito regional, Económicas (pobreza) → Conflito regional, Disputa de recursos → Conflito regionalÉtnicasReligiosasTerritoriais(fronteiras)Políticas(poder,secessão)Económicas(pobreza)Disputa derecursosConflitoregional
Fig. 3Fig. 3 — As causas dos conflitos combinam-se: raramente há uma causa única.
A par destas, contam-se causas políticas — a luta pelo poder, a contestação de regimes autoritários e o desejo de secessão (a separação de um território para formar um novo Estado) — e causas económicas, associadas à pobreza, às desigualdades e à disputa de riqueza. Frequentemente, é a acumulação de várias destas causas, e não uma só, que faz eclodir e prolongar um conflito.
Uma causa cada vez mais relevante é a disputa de recursos naturais: petróleo, gás, água, terras férteis e minérios estratégicos (como o coltan ou os diamantes). O controlo destes recursos financia grupos armados e prolonga as guerras — fala-se, por exemplo, em «diamantes de sangue». Esta geopolítica dos recursos ajuda a explicar a localização e a persistência de muitos focos de tensão (ver Fig. 2).
Exemplo resolvido

Tipificar um conflito

Um conflito opõe, dentro de um mesmo país, dois grupos de etnias e religiões diferentes, numa região rica em minérios. Tipifica-o e indica as suas causas.

  1. 01Intervenientes

    O conflito decorre no interior de um Estado, entre grupos rivais — logo, é intraestatal (guerra civil), e não interestatal.

  2. 02Causas identitárias

    A oposição entre etnias e religiões diferentes revela causas étnicas e religiosas.

  3. 03Causa material

    A riqueza em minérios acrescenta uma causa pelos recursos, que pode financiar e prolongar o conflito.

  4. 04Síntese

    Trata-se de um conflito intraestatal de causas combinadas — étnicas, religiosas e pelos recursos.

Resultado: É um conflito intraestatal (guerra civil) multicausal: causas étnicas e religiosas, agravadas pela disputa de recursos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir conflitos interestatais de conflitos intraestatais (guerras civis).
  • Explicar as principais causas dos conflitos (étnicas, religiosas, territoriais, políticas, económicas e pelos recursos).

Erros frequentes

  • Reduzir todos os conflitos a uma única causa (por exemplo, «são todos religiosos»), ignorando o seu caráter multicausal.
  • Trocar interestatal (entre Estados) com intraestatal (dentro de um mesmo Estado).

Revisão ativa

Distingue conflitos interestatais de intraestatais e enumera, com exemplos, quatro tipos de causas dos conflitos regionais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os grandes focos de tensão mundiais#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-conflitos-regionais

Pontos-chave

Os conflitos concentram-se em determinadas regiões — os grandes focos de tensão mundiais —, que formam uma espécie de «arco de instabilidade» que se estende do Norte de África ao Médio Oriente e à Ásia (ver Fig. 4). O Médio Oriente é o foco mais persistente: aí se cruzam disputas territoriais, rivalidades religiosas e étnicas e o interesse pelas maiores reservas de petróleo do mundo, o que atrai frequentemente a intervenção de potências externas.

Grandes focos de tensão mundiais

Focos de tensãoTabela com 4 colunas e 6 linhas, Dados: Foco de tensão · Localização · Tipo dominante · Causas principais; Médio Oriente · Sudoeste asiático · Territorial e étnico-religioso · Território, religião, petróleo; Sael · Sul do Saara (África) · Intraestatal e terrorismo · Pobreza, etnias, recursos, jihadismo; Grandes Lagos · África Central · Étnico e pelos recursos · Etnias, minérios (coltan); Ex-Jugoslávia · Balcãs (Europa) · Étnico-religioso · Nacionalismos e secessão (anos 1990); Cáucaso · Entre Europa e Ásia · Étnico e territorial · Minorias, fronteiras, separatismo; Ucrânia · Leste da Europa · Interestatal e territorial · Fronteiras, soberania, geopolíticaFOCO DE TENSÃOLOCALIZAÇÃOTIPO DOMINANTECAUSAS PRINCIPAISMédio OrienteSudoeste asiáticoTerritorial e étnico-religiosoTerritório, religião,petróleoSaelSul do Saara (África)Intraestatal e terrorismoPobreza, etnias, recursos,jihadismoGrandes LagosÁfrica CentralÉtnico e pelos recursosEtnias, minérios (coltan)Ex-JugosláviaBalcãs (Europa)Étnico-religiosoNacionalismos e secessão(anos 1990)CáucasoEntre Europa e ÁsiaÉtnico e territorialMinorias, fronteiras,separatismoUcrâniaLeste da EuropaInterestatal e territorialFronteiras, soberania,geopolítica
Fig. 4Fig. 4 — Os grandes focos de tensão mundiais: localização, tipo dominante e causas.
Em África destacam-se dois focos. Na faixa do Sael, a sul do Saara, a pobreza, a fragilidade dos Estados, as rivalidades étnicas e a expansão de grupos jihadistas alimentam a instabilidade. Na região dos Grandes Lagos (África Central), as rivalidades étnicas e a disputa de minérios valiosos, como o coltan, estão na origem de conflitos prolongados; o genocídio do Ruanda (1994) foi o episódio mais trágico desta região.
Na Europa e nas suas margens surgem outros dois focos. A desagregação da ex-Jugoslávia, nos anos 1990, deu origem a guerras de base nacionalista, étnica e religiosa, com episódios de «limpeza étnica». No Cáucaso, região-charneira entre a Europa e a Ásia, coexistem numerosas minorias e fronteiras contestadas, o que gera tensões recorrentes e movimentos separatistas.
No leste europeu, a Ucrânia tornou-se um foco de tensão de grande alcance geopolítico, com um conflito que envolve questões de fronteiras, de soberania e de disputa de influência entre grandes potências (ver Fig. 4). Localizar estes focos e caracterizá-los quanto ao tipo e às causas dominantes é um dos objetivos centrais do tema — recordando que cada foco combina, à sua maneira, várias das causas atrás estudadas.
Exemplo resolvido

Localizar e caracterizar focos

Indica a localização e a causa dominante de três focos de tensão: Médio Oriente, Sael e ex-Jugoslávia.

  1. 01Médio Oriente

    Situado no sudoeste asiático; combina disputas territoriais e religiosas com o interesse pelo petróleo.

  2. 02Sael

    Faixa a sul do Saara, em África; instabilidade ligada à pobreza, à fragilidade dos Estados e à expansão de grupos jihadistas.

  3. 03Ex-Jugoslávia

    Nos Balcãs (Europa); guerras dos anos 1990 de base nacionalista, étnica e religiosa.

  4. 04Nota

    Em cada caso convém identificar a causa dominante, sem esquecer que, na prática, várias causas se combinam.

Resultado: Médio Oriente (Ásia; território/religião/petróleo), Sael (África; pobreza/etnias/jihadismo) e ex-Jugoslávia (Europa; nacionalismo étnico-religioso).

Foco no Exame Nacional

  • Localizar num mapa os grandes focos de tensão mundiais (Médio Oriente, Sael, Grandes Lagos, ex-Jugoslávia, Cáucaso e Ucrânia).
  • Caracterizar um foco de tensão quanto ao tipo de conflito e às suas causas dominantes.

Erros frequentes

  • Localizar incorretamente os focos (por exemplo, situar o Sael fora de África ou confundir o Cáucaso com os Balcãs).
  • Apontar uma só causa para cada foco, esquecendo que quase todos combinam várias (território, etnia, religião, recursos).

Revisão ativa

Localiza três grandes focos de tensão mundiais e caracteriza cada um quanto ao tipo e às causas dominantes.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O terrorismo internacional e as novas ameaças#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-conflitos-regionais

Pontos-chave

O terrorismo é o uso premeditado da violência, ou da ameaça de violência, contra civis e alvos simbólicos, para difundir o medo e alcançar fins políticos, religiosos ou ideológicos (ver Fig. 5). O terrorismo internacional distingue-se por atuar à escala global, através de redes transnacionais que ultrapassam fronteiras e escapam ao controlo de um único Estado.

Terrorismo internacional e novas ameaças

Novas ameaçasGrafo, Ameaças à segurança mundial → Terrorismo internacional (rede transnacional), Ameaças à segurança mundial → Ciberataques, Ameaças à segurança mundial → Crime organizado (tráficos), Ameaças à segurança mundial → Proliferação de armas, Ameaças à segurança mundial → Pirataria marítimaAmeaças àsegurançamundialTerrorismointernacional(rede transnaci…CiberataquesCrime organizado(tráficos)Proliferação dearmasPiratariamarítima
Fig. 5Fig. 5 — O terrorismo internacional e as novas ameaças difusas à segurança mundial.
Ao contrário dos conflitos clássicos, o terrorismo internacional é um conflito assimétrico: opõe Estados a grupos ou redes sem território definido nem exército regular. Estas redes recrutam e financiam-se à escala mundial, difundem propaganda e organizam-se de forma descentralizada, o que torna difícil combatê-las. Os grandes focos de instabilidade, como o Médio Oriente e o Sael, funcionam muitas vezes como bases e viveiros de recrutamento.
À segurança mundial juntam-se hoje novas ameaças, que ultrapassam a guerra tradicional entre exércitos (ver Fig. 5): o ciberterrorismo e os ciberataques, o crime organizado transnacional (tráfico de droga, de armas e de seres humanos), a proliferação de armas de destruição maciça e a pirataria marítima. São ameaças difusas, sem fronteiras, que exigem cooperação internacional para serem enfrentadas.
Estas ameaças alimentam um clima de insegurança global e condicionam a vida das sociedades — desde o reforço do controlo nas fronteiras e nos aeroportos até ao debate entre segurança e liberdades individuais. A resposta exige cooperação entre Estados, partilha de informações e o combate às causas profundas (pobreza, exclusão e fragilidade estatal) que favorecem o extremismo.
Exemplo resolvido

Terrorismo e novas ameaças

Explica por que o terrorismo internacional é considerado uma «nova ameaça» e distingue-o de um conflito interestatal clássico.

  1. 01Conflito clássico

    Um conflito interestatal opõe Estados, com exércitos regulares e territórios e fronteiras definidos.

  2. 02Rede transnacional

    O terrorismo internacional é protagonizado por redes sem território próprio, que atuam e se financiam à escala global.

  3. 03Assimetria

    Trata-se de um conflito assimétrico: um Estado enfrenta um inimigo difuso, difícil de localizar e de combater.

  4. 04Nova ameaça

    Junta-se a outras ameaças sem fronteiras (ciberataques, tráficos, proliferação de armas), que exigem cooperação internacional.

Resultado: Ao contrário da guerra entre Estados, o terrorismo internacional é uma ameaça difusa e transnacional (conflito assimétrico), a par de ciberataques, tráficos e proliferação de armas.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o terrorismo internacional e a sua natureza (rede transnacional, conflito assimétrico).
  • Identificar as novas ameaças à segurança mundial (ciberataques, crime organizado, proliferação de armas).

Erros frequentes

  • Confundir terrorismo com qualquer ato de violência, esquecendo a sua intencionalidade política e o alvo civil ou simbólico, escolhido para difundir o medo.
  • Reduzir as «novas ameaças» apenas ao terrorismo, esquecendo o cibercrime, os tráficos e a proliferação de armas.

Revisão ativa

Caracteriza o terrorismo internacional como nova ameaça à segurança e indica outras três novas ameaças de escala mundial.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Consequências humanitárias e resolução de conflitos#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-conflitos-regionais

Pontos-chave

Os conflitos têm consequências humanitárias dramáticas (ver Fig. 6): mortos e feridos, destruição de cidades e infraestruturas, fome, epidemias e, sobretudo, a fuga em massa de populações. É fundamental distinguir os deslocados internos — que fogem, mas permanecem dentro do seu próprio país — dos refugiados — que atravessam uma fronteira internacional em busca de proteção noutro Estado.

Consequências humanitárias e resolução

Consequências e resoluçãoGrafo, Conflito armado → Deslocação forçada, Deslocação forçada → Deslocados internos, Deslocação forçada → Refugiados (cruzam a fronteira), Refugiados (cruzam a fronteira) → ACNUR (proteção), Conflito armado → ONU / Conselho de Segurança, ONU / Conselho de Segurança → «Capacetes azuis» (manutenção de paz)Conflito armadoDeslocaçãoforçadaDeslocadosinternosRefugiados(cruzam afronteira)ACNUR (proteção)ONU /Conselho deSegurança«Capacetesazuis»(manutenção de …
Fig. 6Fig. 6 — Do conflito às deslocações forçadas e à resolução: ACNUR, ONU e «capacetes azuis».
Os refugiados estão protegidos pelo direito internacional e assistidos pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a agência da ONU criada para os proteger e apoiar. O direito de asilo garante a quem foge de perseguição a possibilidade de procurar refúgio, e nenhum refugiado deve ser reenviado para um território onde a sua vida corra perigo. As grandes crises de refugiados exercem forte pressão sobre os países de acolhimento, muitas vezes vizinhos e também eles pobres.
A principal instância de resolução de conflitos é a Organização das Nações Unidas (ONU), cujo Conselho de Segurança tem por missão manter a paz e a segurança internacionais (ver Fig. 6). Entre os seus instrumentos contam-se a diplomacia e a mediação, as sanções e as operações de manutenção de paz (peacekeeping), asseguradas pelos «capacetes azuis» — militares de vários países que, sob bandeira da ONU, se interpõem entre as partes, protegem civis e vigiam cessar-fogos.
A resolução de conflitos enfrenta, porém, sérios limites: o direito de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança pode bloquear a ação, e a ONU depende dos meios que os Estados-membros lhe cedem. Além da ONU, atuam organizações regionais (como a União Africana), organizações não governamentais (ONG) humanitárias e a ajuda internacional. A construção da paz não termina no cessar-fogo: exige reconstrução, reconciliação e desenvolvimento, para que o conflito não recomece.
Exemplo resolvido

Refugiados, deslocados e resolução

Numa guerra civil, parte da população foge para outro país e parte desloca-se para regiões mais seguras do mesmo país. Classifica cada grupo e indica quem os protege e como se pode resolver o conflito.

  1. 01Refugiados

    Quem atravessa uma fronteira internacional é refugiado, protegido pelo direito de asilo e assistido pelo ACNUR.

  2. 02Deslocados

    Quem foge, mas permanece dentro do próprio país, é deslocado interno.

  3. 03Resolução — ONU

    Cabe sobretudo à ONU, através do Conselho de Segurança, procurar a paz por via da diplomacia, das sanções e das operações de manutenção de paz.

  4. 04Capacetes azuis

    Os «capacetes azuis» interpõem-se entre as partes, vigiam cessar-fogos e protegem civis — com meios limitados e sujeitos ao veto do Conselho de Segurança.

Resultado: Quem cruza a fronteira é refugiado (ACNUR); quem fica no país é deslocado interno; a resolução compete sobretudo à ONU e aos «capacetes azuis», com limites (veto, meios).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir refugiados de deslocados internos e caracterizar o papel do ACNUR.
  • Explicar o papel da ONU e das operações de manutenção de paz («capacetes azuis») na resolução de conflitos, bem como os seus limites.

Erros frequentes

  • Confundir refugiados (atravessam uma fronteira internacional) com deslocados internos (permanecem no próprio país).
  • Atribuir aos «capacetes azuis» a função de fazer a guerra, quando a sua missão é manter e vigiar a paz e proteger civis, com meios limitados.

Revisão ativa

Distingue refugiados de deslocados e explica o papel da ONU e dos «capacetes azuis» na resolução de conflitos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A reemergência de conflitos regionais) (Direção-Geral da Educação (DGE))

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    • 02Tipos e causas dos conflitos◐
    • 03Os grandes focos de tensão mundiais●
    • 04O terrorismo internacional e as novas ameaças●
    • 05Consequências humanitárias e resolução de conflitos◐

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A reemergência de conflitos regionais

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