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Resumos/Geografia C/O acesso desigual ao desenvolvimento
Resumos · Geografia CPT · Secundário

O acesso desigual ao desenvolvimento

O acesso ao desenvolvimento é profundamente desigual à escala mundial, e este tema ensina a medi-lo e a interpretá-lo: do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH, do PNUD) e das suas variantes aos indicadores de pobreza e de desigualdade (linha da pobreza extrema, coeficiente de Gini e IPM), dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2015–2030) à cooperação para o desenvolvimento (APD, ONG e microcrédito) e aos obstáculos que a travam. Sendo Geografia C uma disciplina de opção do 12.º ano com avaliação interna — não tem Exame Final Nacional —, o « Foco de avaliação » remete para o que é valorizado na avaliação da escola: calcular e interpretar indicadores, ler mapas e gráficos e argumentar sobre estratégias de desenvolvimento.

5 secções·~17 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·111111 / 12
Perfil de exame
Explicar a construção e a leitura do IDHInterpretar indicadores de pobreza e de desigualdade (Gini, IPM)Caracterizar os Objetivos de Desenvolvimento SustentávelDiscutir a cooperação e as estratégias de desenvolvimento
Operadores:explicacalculainterpretacaracterizarelacionadiscutedistinguecompara

nível básico

Nomear as três dimensões do IDH e os seus indicadores, ler as classes do IDH, distinguir pobreza extrema de coeficiente de Gini e situar os ODS (2015–2030) e os instrumentos de cooperação (APD, ONG, microcrédito).

nível avançado

Calcular o IDH (média geométrica) e a perda por desigualdade (IDHAD), interpretar o Gini e o IPM, distinguir com rigor ODM e ODS e discutir criticamente a cooperação e os obstáculos internos e externos ao desenvolvimento.

Profundidade

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. O acesso desigual ao desenvolvimento
    • 01O IDH: um indicador composto○
    • 02A leitura e os limites do IDH◐
    • 03Pobreza e desigualdades: Gini e IPM◐
    • 04Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável◐
    • 05A cooperação e as estratégias de desenvolvimento●
§ 01

O IDH: um indicador composto#

●○○BaseLPAE-geografia-c-acesso-desenvolvimento

Pontos-chave

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado em 1990 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por iniciativa do economista Mahbub ul Haq com o contributo de Amartya Sen, para medir o desenvolvimento para além do rendimento. É um indicador composto que varia entre 0 e 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Ao contrário do PIB per capita, parte da ideia de que a verdadeira riqueza de um país são as pessoas e as suas capacidades (ver Fig. 1).

As três dimensões do IDH

As três dimensões do IDHGrafo, Saúde (esperança de vida) → IDH (0–1), Educação (escolaridade) → IDH (0–1), Rendimento (RNB per capita) → IDH (0–1)Saúde (esperançade vida)Educação(escolaridade)Rendimento (RNBper capita)IDH (0–1)
Fig. 1Fig. 1 — O IDH resulta da média geométrica dos índices de saúde, educação e rendimento, cada um normalizado entre 0 e 1.
O IDH resume três dimensões fundamentais do desenvolvimento (ver Fig. 1). A saúde é medida pela esperança de vida à nascença; a educação, pela combinação dos anos médios de escolaridade da população adulta com os anos esperados de escolaridade das crianças; e o nível de vida, pelo Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita, expresso em paridade de poder de compra (PPC) para tornar os valores comparáveis entre países.
O cálculo faz-se em duas etapas. Primeiro, cada dimensão é convertida num índice entre 0 e 1, comparando o valor observado com um mínimo e um máximo de referência (por exemplo, a esperança de vida é balizada entre 20 e 85 anos). Depois, o IDH resulta da média geométrica dos três índices — a raiz cúbica do seu produto. Usa-se a média geométrica, e não a aritmética, porque esta penaliza os países muito desequilibrados: um país não compensa uma educação fraca só porque tem um rendimento muito elevado.
Importa distinguir o RNB do PIB. O PIB mede a riqueza produzida dentro do território; o RNB mede o rendimento que fica com os residentes (inclui rendimentos recebidos do exterior e exclui os enviados para fora). Ao usar o RNB per capita em PPC, o IDH aproxima melhor o rendimento efetivamente disponível para a população. A passagem de um indicador simples (o PIB per capita) para um indicador composto (o IDH) é precisamente o que permite captar a natureza multidimensional do desenvolvimento.
IDH=ISauˊde×IEducac¸a˜o×IRendimento3\text{IDH} = \sqrt[3]{I_{\text{Saúde}} \times I_{\text{Educação}} \times I_{\text{Rendimento}}}IDH=3ISauˊde​×IEducac¸​a˜o​×IRendimento​​

Índice de Desenvolvimento Humano

Média geométrica dos índices de saúde (esperança de vida), educação (anos de escolaridade) e rendimento (RNB per capita), cada um entre 0 e 1.

Idimensa˜o=valor observado−mıˊnimomaˊximo−mıˊnimoI_{\text{dimensão}} = \frac{\text{valor observado} - \text{mínimo}}{\text{máximo} - \text{mínimo}}Idimensa˜o​=maˊximo−mıˊnimovalor observado−mıˊnimo​

Índice de cada dimensão (entre 0 e 1)

Cada dimensão é primeiro normalizada entre 0 e 1, comparando o valor observado com um mínimo e um máximo de referência (por exemplo, a esperança de vida entre 20 e 85 anos).

Exemplo resolvido

Calcular o IDH a partir dos três índices

Um país apresenta os seguintes índices dimensionais: saúde = 0,90, educação = 0,80 e rendimento = 0,70. Calcula o IDH e classifica o país.

  1. 01Produto dos três índices

    0,90 × 0,80 × 0,70 = 0,504.

  2. 02Média geométrica (raiz cúbica)

    IDH = raiz cúbica de 0,504 ≈ 0,796.

  3. 03Classificação

    Com IDH ≈ 0,796, o país situa-se na classe de desenvolvimento humano alto (0,700–0,799), muito perto do limiar do « muito alto » (≥ 0,800).

Resultado: IDH ≈ 0,796 — desenvolvimento humano alto, próximo do limiar do muito alto.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar as três dimensões do IDH — saúde (esperança de vida à nascença), educação (anos de escolaridade) e rendimento (RNB per capita em PPC) — e os respetivos indicadores; é matéria que a avaliação interna verifica com frequência.
  • Calcular o IDH a partir dos três índices dimensionais, reconhecendo que resulta da sua média geométrica (raiz cúbica do produto) e não de uma média aritmética.

Erros frequentes

  • Calcular o IDH como média aritmética dos três índices; o IDH é a média geométrica, ou seja, a raiz cúbica do produto dos três.
  • Reduzir o desenvolvimento ao rendimento, confundindo o IDH com o PIB per capita, ou trocar o RNB pelo PIB no cálculo.

Revisão ativa

Indica as três dimensões do IDH e o indicador de cada uma. Explica, por palavras tuas, por que razão se usa a média geométrica e não a aritmética.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A leitura e os limites do IDH#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-acesso-desenvolvimento

Pontos-chave

A leitura do IDH faz-se numa escala de 0 a 1 e o PNUD agrupa os países em quatro classes de desenvolvimento humano: muito alto (IDH ≥ 0,800), alto (0,700–0,799), médio (0,550–0,699) e baixo (inferior a 0,550) — ver Fig. 3. Os valores mundiais estendem-se, em 2022, de cerca de 0,967 no topo (Suíça) a cerca de 0,461 na base (Moçambique).

As classes de desenvolvimento humano

Classes de desenvolvimento humanoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Classe · Intervalo de IDH · Exemplos (valores aproximados, 2022); Muito alto · ≥ 0,800 · Suíça 0,967; Noruega 0,966; Portugal 0,874; Alto · 0,700 – 0,799 · Brasil 0,760; Médio · 0,550 – 0,699 · Índia 0,644; Baixo · < 0,550 · Moçambique 0,461CLASSEINTERVALO DE IDHEXEMPLOS (VALORESAPROXIMADOS, 2022)Muito alto≥ 0,800Suíça 0,967; Noruega 0,966;Portugal 0,874Alto0,700 – 0,799Brasil 0,760Médio0,550 – 0,699Índia 0,644Baixo< 0,550Moçambique 0,461
Fig. 3Fig. 3 — As quatro classes de desenvolvimento humano segundo o IDH (exemplos com valores aproximados, 2022).
A comparação internacional evidencia fortes contrastes (ver Fig. 2). Em valores aproximados de 2022, a Suíça (≈ 0,967) e a Noruega (≈ 0,966) lideram; Portugal (≈ 0,874) integra o grupo de desenvolvimento humano muito alto; o Brasil (≈ 0,760) é « alto »; a Índia (≈ 0,644) é « médio »; e Moçambique (≈ 0,461) é « baixo ». De um modo geral, os IDH mais baixos concentram-se na África Subsariana.

IDH por país (valores aproximados, 2022)

IDH por país (2022)Gráfico de barras: país por IDH, Dados: IDH (2022) · Suíça: 0.967; IDH (2022) · Portugal: 0.874; IDH (2022) · Brasil: 0.76; IDH (2022) · Índia: 0.644; IDH (2022) · Moçambique: 0.46100.20.40.60.8SuíçaPortugalBrasilÍndiaMoçambique0.9670.8740.760.6440.461paísIDH
Fig. 2Fig. 2 — Contrastes de IDH entre países (valores aproximados, 2022): do muito alto (Suíça, Portugal) ao baixo (Moçambique).
O IDH tem, porém, limites importantes. É uma média nacional e, como tal, esconde as desigualdades internas — dois países com o mesmo IDH podem ter distribuições muito diferentes. Além disso, ignora dimensões cada vez mais relevantes, como o ambiente, a segurança, os direitos humanos e a participação política, e a relação entre rendimento e desenvolvimento não é linear (acima de certo nível, mais rendimento traz ganhos cada vez menores de IDH).
Para corrigir estas insuficiências, o PNUD publica indicadores compostos complementares. O IDH ajustado à Desigualdade (IDHAD) desconta ao IDH a perda de desenvolvimento provocada pela desigualdade interna: quanto maior a desigualdade, maior a diferença entre o IDH e o IDHAD. O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) mede privações simultâneas ao nível dos agregados familiares (abordado na secção seguinte). Existem ainda índices de género, como o Índice de Desigualdade de Género (IDG).
Exemplo resolvido

Medir a perda de desenvolvimento por desigualdade (IDHAD)

Um país tem um IDH de 0,760 e um IDH ajustado à desigualdade (IDHAD) de 0,600 (valores aproximados). Calcula a perda percentual de desenvolvimento devida à desigualdade e interpreta o resultado.

  1. 01Diferença absoluta

    0,760 − 0,600 = 0,160 de IDH « perdido » por causa da desigualdade.

  2. 02Perda percentual

    (0,160 ÷ 0,760) × 100 ≈ 21,1 %.

  3. 03Interpretação

    O país perde cerca de 21 % do seu desenvolvimento humano potencial por efeito da desigualdade interna: o IDH « bruto » sobrestima o desenvolvimento efetivamente usufruído pela população.

Resultado: Perda ≈ 21 % — a desigualdade reduz em cerca de um quinto o desenvolvimento humano do país.

Foco no Exame Nacional

  • Ler e classificar o IDH de vários países nas quatro classes (muito alto, alto, médio, baixo), interpretando um gráfico ou um mapa — leitura de documentos que a avaliação interna valoriza.
  • Explicar os limites do IDH (média que esconde a desigualdade; dimensões que ignora) e justificar o que o IDHAD e o IPM vêm acrescentar.

Erros frequentes

  • Supor que um IDH elevado significa ausência de desigualdade; o IDH é uma média nacional que a pode esconder — por isso existe o IDHAD.
  • Trocar os limiares das classes, por exemplo considerar « muito alto » a partir de 0,700 em vez de 0,800.

Revisão ativa

A partir da Fig. 2, ordena os países por IDH e classifica cada um na respetiva classe. Explica por que razão o IDH, sendo uma média, pode esconder a desigualdade.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Pobreza e desigualdades: Gini e IPM#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-acesso-desenvolvimento

Pontos-chave

A pobreza extrema é medida por uma linha internacional definida pelo Banco Mundial: vive em pobreza extrema quem dispõe de menos de 2,15 dólares por dia (em paridade de poder de compra de 2017). Estima-se que cerca de 700 milhões de pessoas — aproximadamente 8,5 % da população mundial — se encontrem nesta situação, sobretudo na África Subsariana e no Sul da Ásia (ver Fig. 5). Trata-se de uma medida monetária e absoluta da pobreza.

Medidas de pobreza e de desigualdade

Medidas de pobreza e desigualdadeTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Medida · O que mede · Escala / limiar; Pobreza extrema (Banco Mundial) · Proporção da população que vive abaixo do limiar monetário · Menos de 2,15 USD/dia (PPC de 2017); Coeficiente de Gini · Desigualdade na distribuição do rendimento · 0 (igualdade total) a 1 — ou 0 a 100; IPM (PNUD) · Privações simultâneas em saúde, educação e nível de vida · Ao nível do agregado familiar (proporção e intensidade); IDHAD (PNUD) · IDH descontado da perda por desigualdade interna · 0 a 1; a diferença IDH − IDHAD mede a desigualdadeMEDIDAO QUE MEDEESCALA / LIMIARPobreza extrema (BancoMundial)Proporção da população quevive abaixo do limiarmonetárioMenos de 2,15 USD/dia (PPCde 2017)Coeficiente de GiniDesigualdade na distribuiçãodo rendimento0 (igualdade total) a 1 — ou0 a 100IPM (PNUD)Privações simultâneas emsaúde, educação e nível devidaAo nível do agregadofamiliar (proporção eintensidade)IDHAD (PNUD)IDH descontado da perda pordesigualdade interna0 a 1; a diferença IDH −IDHAD mede a desigualdade
Fig. 5Fig. 5 — Principais medidas de pobreza e de desigualdade e o que cada uma capta.
A desigualdade na distribuição do rendimento mede-se pelo coeficiente de Gini, que varia entre 0 e 1 (ou, em escala equivalente, entre 0 e 100). O valor 0 corresponde à igualdade total (todos têm o mesmo rendimento) e o valor 1 à desigualdade máxima (uma só pessoa concentra todo o rendimento); deriva-se da curva de Lorenz. Países muito desiguais, como a África do Sul e o Brasil, apresentam coeficientes elevados (superiores a 0,50); os países nórdicos situam-se entre os mais igualitários (cerca de 0,25–0,30) e Portugal ronda os 0,33 (ver Fig. 5).
A pobreza, porém, é mais do que a falta de rendimento. O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), do PNUD, mede as privações simultâneas de cada agregado familiar em três dimensões — saúde, educação e nível de vida —, através de um conjunto de indicadores (nutrição, mortalidade infantil, escolaridade, acesso a água potável, saneamento, eletricidade, entre outros). Uma pessoa pode estar acima da linha monetária e, ainda assim, sofrer privações graves; o IPM complementa, por isso, a linha de pobreza (ver Fig. 5).
Rendimento e privações reforçam-se num círculo vicioso da pobreza (ver Fig. 4): o baixo rendimento gera pouca poupança e pouco investimento, o que se traduz em saúde e educação deficientes e, logo, em baixa produtividade, que perpetua o baixo rendimento. Quebrar este círculo exige investimento em capital humano (saúde e educação), em infraestruturas e no acesso ao crédito — daí a importância das estratégias de cooperação estudadas adiante.

O círculo vicioso da pobreza

Círculo vicioso da pobrezaGrafo, Baixo rendimento → Poupança e investimento baixos, Poupança e investimento baixos → Saúde e educação deficientes, Saúde e educação deficientes → Baixa produtividade, Baixa produtividade → Baixo rendimentoBaixo rendimentoPoupança einvestimentobaixosSaúde e educaçãodeficientesBaixaprodutividadelimitareduzdiminuimantém
Fig. 4Fig. 4 — O círculo vicioso da pobreza: o baixo rendimento reproduz-se a si próprio através da poupança, do capital humano e da produtividade.
Exemplo resolvido

Estimar o número de pessoas em pobreza extrema

Considerando uma população mundial de cerca de 8 mil milhões de habitantes e uma taxa de pobreza extrema de aproximadamente 8,5 %, estima quantas pessoas vivem com menos de 2,15 USD/dia.

  1. 01Converter a percentagem

    8,5 % = 0,085.

  2. 02Aplicar à população

    8 000 milhões × 0,085 = 680 milhões de pessoas.

  3. 03Interpretação

    Cerca de 680 milhões de pessoas (perto de 700 milhões) vivem em pobreza extrema — uma ordem de grandeza coerente com as estimativas do Banco Mundial. O valor é aproximado e varia de ano para ano.

Resultado: ≈ 680 milhões de pessoas em pobreza extrema (cerca de 8,5 % de 8 mil milhões).

Foco no Exame Nacional

  • Interpretar o coeficiente de Gini (0 = igualdade total; 1 = desigualdade máxima) e localizar as principais concentrações de pobreza extrema — leitura de indicadores e de mapas valorizada na avaliação interna.
  • Distinguir a pobreza monetária (linha dos 2,15 USD/dia) da pobreza multidimensional medida pelo IPM.

Erros frequentes

  • Inverter a leitura do Gini, associando um valor alto a maior igualdade; é ao contrário — quanto maior o Gini, maior a desigualdade.
  • Reduzir a pobreza à falta de rendimento, ignorando as privações em saúde, educação e condições de vida que o IPM capta.

Revisão ativa

Explica a diferença entre medir a pobreza pela linha dos 2,15 USD/dia e medi-la pelo IPM. Com base na Fig. 4, descreve o círculo vicioso da pobreza e indica uma forma de o quebrar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-acesso-desenvolvimento

Pontos-chave

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados por todos os Estados-membros da ONU em 2015, no âmbito da Agenda 2030, com o horizonte de concretização em 2030. São 17 objetivos, desdobrados em 169 metas, que abrangem as três dimensões do desenvolvimento sustentável — económica, social e ambiental — sob o lema « não deixar ninguém para trás » (ver Fig. 6).

Os 17 ODS agrupados nos « 5 P »

Os 17 ODS agrupadosTabela com 2 colunas e 5 linhas, Dados: Dimensão (5 P) · Objetivos (exemplos); Pessoas · ODS 1 Erradicar a pobreza; ODS 2 Fome zero; ODS 3 Saúde; ODS 4 Educação; ODS 5 Igualdade de género; Prosperidade · ODS 7 Energias renováveis; ODS 8 Trabalho digno; ODS 9 Indústria e inovação; ODS 10 Reduzir desigualdades; ODS 11 Cidades sustentáveis; Planeta · ODS 6 Água potável; ODS 12 Consumo responsável; ODS 13 Ação climática; ODS 14 Vida marinha; ODS 15 Vida terrestre; Paz · ODS 16 Paz, justiça e instituições eficazes; Parcerias · ODS 17 Parcerias para a concretização dos objetivosDIMENSÃO (5 P)OBJETIVOS (EXEMPLOS)PessoasODS 1 Erradicar a pobreza;ODS 2 Fome zero; ODS 3Saúde; ODS 4 Educação; ODS 5Igualdade de géneroProsperidadeODS 7 Energias renováveis;ODS 8 Trabalho digno; ODS 9Indústria e inovação; ODS 10Reduzir desigualdades; ODS11 Cidades sustentáveisPlanetaODS 6 Água potável; ODS 12Consumo responsável; ODS 13Ação climática; ODS 14 Vidamarinha; ODS 15 VidaterrestrePazODS 16 Paz, justiça einstituições eficazesParceriasODS 17 Parcerias para aconcretização dos objetivos
Fig. 6Fig. 6 — Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2015–2030) agrupados nos « 5 P ».
Os ODS sucederam aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que vigoraram entre 2000 e 2015. A diferença é substancial: os ODM eram 8 objetivos centrados sobretudo nos países em desenvolvimento (reduzir a pobreza e a fome, promover a educação, a saúde e a igualdade de género); os ODS são 17, universais — aplicam-se a todos os países, desenvolvidos incluídos — e integram de forma explícita a dimensão ambiental.
Os 17 objetivos podem agrupar-se nos « 5 P »: Pessoas (ODS 1 a 5: erradicar a pobreza, fome zero, saúde, educação, igualdade de género), Prosperidade (ODS 7 a 11: energia, trabalho digno, indústria e inovação, reduzir desigualdades, cidades sustentáveis), Planeta (ODS 6 e 12 a 15: água, consumo responsável, ação climática, vida marinha e vida terrestre), Paz (ODS 16: instituições eficazes e justiça) e Parcerias (ODS 17) — ver Fig. 6.
Os ODS são universais, mas não juridicamente vinculativos: cada país define as suas metas e presta contas através de relatórios nacionais voluntários. O progresso é desigual e vários objetivos estão atrasados, agravados por crises recentes; ainda assim, os ODS fornecem uma linguagem comum e um quadro de referência para as políticas de desenvolvimento à escala mundial.
Exemplo resolvido

Associar ODS às dimensões do desenvolvimento sustentável

Classifica os objetivos ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 8 (Trabalho digno e crescimento económico) e ODS 13 (Ação climática) segundo a dimensão do desenvolvimento sustentável que melhor representam.

  1. 01ODS 4 — Educação

    Corresponde à dimensão social (grupo « Pessoas »): investe nas capacidades humanas.

  2. 02ODS 8 — Trabalho digno

    Corresponde à dimensão económica (grupo « Prosperidade »): emprego e crescimento inclusivo.

  3. 03ODS 13 — Ação climática

    Corresponde à dimensão ambiental (grupo « Planeta »): combate às alterações climáticas.

Resultado: ODS 4 → social; ODS 8 → económica; ODS 13 → ambiental — os três ilustram a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os ODS (2015–2030; 17 objetivos universais) dos ODM (2000–2015; 8 objetivos centrados nos países em desenvolvimento) — cronologia e alcance que a avaliação interna verifica.
  • Relacionar os ODS com as três dimensões do desenvolvimento sustentável (económica, social e ambiental).

Erros frequentes

  • Confundir os ODS com os ODM ou trocar as datas (ODM 2000–2015; ODS 2015–2030).
  • Pensar que os ODS se dirigem apenas aos países em desenvolvimento; são universais e aplicam-se a todos os países.

Revisão ativa

Distingue os ODM dos ODS quanto ao número, à cronologia e ao âmbito. Escolhe três ODS e associa cada um a uma dimensão do desenvolvimento sustentável.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

A cooperação e as estratégias de desenvolvimento#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-acesso-desenvolvimento

Pontos-chave

A cooperação para o desenvolvimento reúne o conjunto de apoios que os países e as instituições mais ricos disponibilizam para promover o desenvolvimento dos países mais pobres. O seu principal instrumento é a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD): fluxos oficiais dos Estados, sob a forma de donativos e de empréstimos em condições favoráveis (concessionais). A ONU fixou a meta de os países doadores destinarem 0,7 % do seu RNB à APD, mas poucos a cumprem — sobretudo alguns países nórdicos e o Luxemburgo (ver Fig. 7). A ajuda pode ser bilateral (de Estado a Estado) ou multilateral (canalizada por organizações internacionais).

Instrumentos de cooperação para o desenvolvimento

Instrumentos de cooperaçãoTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Instrumento · Quem promove · Em que consiste; APD — Ajuda Pública ao Desenvolvimento · Estados e organizações internacionais · Donativos e empréstimos em condições favoráveis; meta da ONU de 0,7 % do RNB dos doadores; ONG · Sociedade civil (entidades sem fins lucrativos) · Ação no terreno em saúde, educação e emergência (ex.: Médicos Sem Fronteiras, Oxfam); Microcrédito · Instituições de microfinança (ex.: Grameen Bank) · Pequenos empréstimos a quem não tem acesso à banca, para criar atividade e rendimentoINSTRUMENTOQUEM PROMOVEEM QUE CONSISTEAPD — Ajuda Pública aoDesenvolvimentoEstados e organizaçõesinternacionaisDonativos e empréstimos emcondições favoráveis; metada ONU de 0,7 % do RNB dosdoadoresONGSociedade civil (entidadessem fins lucrativos)Ação no terreno em saúde,educação e emergência (ex.:Médicos Sem Fronteiras,Oxfam)MicrocréditoInstituições de microfinança(ex.: Grameen Bank)Pequenos empréstimos a quemnão tem acesso à banca, paracriar atividade e rendimento
Fig. 7Fig. 7 — Os principais instrumentos de cooperação para o desenvolvimento e o promotor de cada um.
As Organizações Não-Governamentais (ONG) são entidades da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atuam no terreno em áreas como a saúde, a educação e a ajuda de emergência (por exemplo, os Médicos Sem Fronteiras, a Oxfam ou a Cáritas). Complementam a ajuda oficial, são geralmente mais flexíveis e próximas das populações e desempenham também um papel de sensibilização da opinião pública (ver Fig. 7).
O microcrédito consiste na concessão de pequenos empréstimos a pessoas pobres, sem acesso à banca tradicional, para que possam iniciar uma atividade geradora de rendimento. O modelo foi tornado célebre pelo Grameen Bank, fundado por Muhammad Yunus no Bangladesh, distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 2006. Beneficia sobretudo as mulheres e reforça a sua autonomia; tem, contudo, limites — taxas de juro por vezes elevadas e risco de sobreendividamento —, pelo que não é uma solução milagrosa (ver Fig. 7).
O desenvolvimento enfrenta múltiplos obstáculos. Internos: instabilidade política, conflitos, corrupção, instituições frágeis, baixos níveis de saúde e de educação, forte crescimento demográfico e dependência da exportação de um único produto. Externos: peso da dívida externa, termos de troca desfavoráveis, protecionismo dos países ricos e fuga de cérebros (emigração dos mais qualificados). Superá-los exige boa governação, investimento em capital humano e uma cooperação internacional mais justa.
Exemplo resolvido

Calcular a APD e compará-la com a meta da ONU

Um país doador tem um RNB de 500 mil milhões de dólares e destina 0,35 % à Ajuda Pública ao Desenvolvimento. Calcula o valor da APD e determina quanto faltaria para atingir a meta de 0,7 % fixada pela ONU.

  1. 01APD efetiva

    500 000 milhões × 0,35 % = 500 000 × 0,0035 = 1 750 milhões de dólares.

  2. 02Meta de 0,7 %

    500 000 milhões × 0,7 % = 500 000 × 0,007 = 3 500 milhões de dólares.

  3. 03Diferença

    3 500 − 1 750 = 1 750 milhões de dólares em falta; o país teria de duplicar a sua APD para cumprir a meta.

Resultado: APD = 1 750 milhões USD (0,35 % do RNB); faltam 1 750 milhões para atingir os 0,7 % — o dobro do valor atual.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os três instrumentos de cooperação — APD (pública), ONG (sociedade civil) e microcrédito — e caracterizar o papel de cada um; conteúdo frequentemente pedido na avaliação interna.
  • Discutir os obstáculos ao desenvolvimento (internos e externos) e argumentar sobre estratégias para os superar.

Erros frequentes

  • Confundir a APD (ajuda pública, dos Estados e das organizações internacionais) com a ação das ONG (privadas, da sociedade civil).
  • Apresentar o microcrédito como solução única e infalível, ignorando os seus limites (juros elevados, sobreendividamento).

Revisão ativa

Distingue APD, ONG e microcrédito quanto ao promotor e à forma de atuação. Seleciona um obstáculo interno e um obstáculo externo ao desenvolvimento e propõe uma medida para cada um.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01O IDH: um indicador composto○
    • 02A leitura e os limites do IDH◐
    • 03Pobreza e desigualdades: Gini e IPM◐
    • 04Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável◐
    • 05A cooperação e as estratégias de desenvolvimento●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

O acesso desigual ao desenvolvimento

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O acesso desigual ao desenvolvimento)

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Um mundo superpovoado

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Problemas ambientais e impactos humanos

EuraStudy·Resumos T·11·MMXXVI

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