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Resumos/Geografia C/Problemas ambientais e impactos humanos
Resumos · Geografia CPT · Secundário

Problemas ambientais e impactos humanos

Este tema analisa os grandes problemas ambientais à escala mundial — as alterações climáticas e o aquecimento global, a desflorestação, a desertificação, a poluição e a perda de biodiversidade —, o reforço antrópico do efeito de estufa pelas emissões de gases com efeito de estufa e os seus impactos ambientais e humanos, incluindo a pegada ecológica. Aborda ainda o desenvolvimento sustentável (Relatório Brundtland, 1987) e a governação ambiental internacional, das grandes cimeiras (Rio, 1992; Quioto, 1997; Paris, 2015) às respostas globais. A Geografia C é uma disciplina de opção com avaliação interna, não tendo Exame Final Nacional.

5 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·121212 / 12
Perfil de exame
Caracterizar os grandes problemas ambientais mundiaisExplicar as causas antrópicas das alterações climáticasDiscutir os impactos ambientais e humanos e a pegada ecológicaAvaliar a governação ambiental e o desenvolvimento sustentável
Operadores:caracterizaexplicarelacionainterpretadiscuteavalia

nível básico

Caracterizar os grandes problemas ambientais e o efeito de estufa reforçado e reconhecer as principais cimeiras ambientais (Rio, Quioto, Paris).

nível avançado

Explicar as causas antrópicas das alterações climáticas, discutir a pegada ecológica e os impactos humanos e avaliar a governação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Problemas ambientais e impactos humanos
    • 01Os grandes problemas ambientais○
    • 02As alterações climáticas e o efeito de estufa◐
    • 03Causas antrópicas e a pegada ecológica◐
    • 04Os impactos ambientais e humanos●
    • 05O desenvolvimento sustentável e a governação ambiental●
§ 01

Os grandes problemas ambientais#

●○○BaseLPAE-geografia-c-problemas-ambientais

Pontos-chave

Os problemas ambientais são alterações do meio, sobretudo de origem humana, que degradam os ecossistemas e ameaçam o bem-estar das sociedades. À escala mundial destacam-se cinco grandes problemas interligados: as alterações climáticas (aquecimento global), a desflorestação, a desertificação, a poluição (do ar, da água e do solo) e a perda de biodiversidade (ver Fig. 1). Embora distintos, reforçam-se mutuamente — por exemplo, a desflorestação agrava ao mesmo tempo o aquecimento global e a perda de espécies.

Os grandes problemas ambientais, causas e impactos

Grandes problemas ambientaisTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Problema ambiental · Causas · Impactos; Aquecimento global · Emissões de gases com efeito de estufa (combustíveis fósseis) · Subida do mar, eventos extremos; Desflorestação · Corte para agricultura, pecuária e madeira · Perda de biodiversidade, mais CO2; Desertificação · Secas, sobrepastoreio, más práticas agrícolas · Solos improdutivos, fome, migrações; Poluição · Indústria, transportes, resíduos e efluentes · Doenças, degradação de água, ar e solo; Perda de biodiversidade · Destruição de habitats e sobre-exploração · Rutura de ecossistemas e serviços naturaisPROBLEMA AMBIENTALCAUSASIMPACTOSAquecimento globalEmissões de gases com efeitode estufa (combustíveisfósseis)Subida do mar, eventosextremosDesflorestaçãoCorte para agricultura,pecuária e madeiraPerda de biodiversidade,mais CO2DesertificaçãoSecas, sobrepastoreio, máspráticas agrícolasSolos improdutivos, fome,migraçõesPoluiçãoIndústria, transportes,resíduos e efluentesDoenças, degradação de água,ar e soloPerda de biodiversidadeDestruição de habitats esobre-exploraçãoRutura de ecossistemas eserviços naturais
Fig. 1Fig. 1 — Os grandes problemas ambientais à escala mundial: cada problema tem causas sobretudo humanas e impactos que se reforçam entre si.
As alterações climáticas traduzem-se sobretudo no aquecimento global: a temperatura média da superfície terrestre já subiu cerca de 1,1 a 1,2 °C face à era pré-industrial (valores aproximados). É o problema ambiental mais estruturante, porque atua à escala planetária e amplifica quase todos os outros, e resulta em grande parte das atividades humanas que libertam gases com efeito de estufa.
A desflorestação é a destruição e a redução da área florestal, sobretudo nas florestas tropicais (como a Amazónia), para obter madeira e expandir a agricultura e a pecuária; estima-se que se percam anualmente cerca de 10 milhões de hectares de floresta (valores aproximados). A desertificação é a degradação dos solos das regiões áridas e semiáridas, que os torna improdutivos; resulta de secas prolongadas, do sobrepastoreio e de más práticas agrícolas, sendo o Sael (a sul do Sara) um exemplo emblemático.
A poluição consiste na introdução no ambiente de substâncias nocivas — no ar (gases e partículas), na água (efluentes e plásticos) e no solo (resíduos e pesticidas) —, com efeitos na saúde e nos ecossistemas. A perda de biodiversidade é o desaparecimento acelerado de espécies e de habitats, a ritmos muito superiores aos naturais, ao ponto de se falar numa « sexta extinção em massa ». Todos estes problemas partilham uma raiz comum: a pressão de uma população mundial superior a 8 mil milhões de habitantes (2022) e de modelos de produção e consumo insustentáveis.
Exemplo resolvido

Distinguir desflorestação de desertificação

Distingue desflorestação de desertificação quanto ao que atingem e às causas, e mostra como se podem relacionar.

  1. 01Desflorestação

    É a destruição da floresta (sobretudo tropical), para obter madeira e abrir espaço à agricultura e à pecuária.

  2. 02Desertificação

    É a degradação dos solos das regiões áridas e semiáridas, que ficam improdutivos, por secas, sobrepastoreio e más práticas agrícolas.

  3. 03Relação

    Ao retirar a cobertura vegetal, a desflorestação expõe e empobrece o solo, podendo desencadear ou acelerar a desertificação.

  4. 04Conclusão

    Não são sinónimos: uma atinge a floresta, a outra o solo — mas encadeiam-se e ambas agravam o aquecimento global.

Resultado: Desflorestação = perda de floresta; desertificação = degradação do solo em áreas secas; a primeira pode conduzir à segunda.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: caracterizar os grandes problemas ambientais mundiais e distingui-los quanto a causas e manifestações.
  • Foco de avaliação: relacionar os diferentes problemas ambientais, mostrando como se reforçam mutuamente.

Erros frequentes

  • Confundir desflorestação (perda de floresta) com desertificação (degradação do solo nas áreas áridas e semiáridas).
  • Tratar os problemas ambientais como isolados, ignorando que estão interligados e se agravam entre si.

Revisão ativa

Enumera os cinco grandes problemas ambientais mundiais e explica, com um exemplo, como dois deles se relacionam.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As alterações climáticas e o efeito de estufa#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-problemas-ambientais

Pontos-chave

O efeito de estufa é um fenómeno natural e indispensável à vida: certos gases da atmosfera — o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e o vapor de água — retêm parte da radiação infravermelha emitida pela Terra, mantendo a temperatura média do planeta em cerca de 15 °C. Sem este efeito, a superfície seria demasiado fria (cerca de -18 °C) para a vida tal como a conhecemos. O problema não é, portanto, o efeito de estufa em si, mas o seu reforço pela ação humana.
Desde a Revolução Industrial, a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), a indústria, os transportes e a desflorestação libertam quantidades crescentes de gases com efeito de estufa (GEE), sobretudo CO2. Este excesso intensifica o efeito de estufa (o « efeito de estufa reforçado » ou antrópico) e provoca o aquecimento global (ver Fig. 3). O CO2 é o principal gás de origem humana, embora o metano tenha, por molécula, um poder de aquecimento muito superior.

Do combustível fóssil ao aquecimento global

Efeito de estufa reforçadoGrafo, Combustíveis fósseis e desflorestação → Emissões de CO2 e outros GEE, Emissões de CO2 e outros GEE → Efeito de estufa reforçado, Efeito de estufa reforçado → Aquecimento globalCombustíveisfósseis edesflorestaçãoEmissões de CO2e outros GEEEfeito de estufareforçadoAquecimentogloballibertamretêm caloraquece
Fig. 3Fig. 3 — O efeito de estufa reforçado: os combustíveis fósseis libertam GEE que intensificam o efeito de estufa e provocam o aquecimento global.
A concentração de CO2 na atmosfera aumentou de forma acentuada: era de cerca de 280 ppm (partes por milhão) na era pré-industrial e passou para aproximadamente 317 ppm em 1960, 369 ppm em 2000 e cerca de 421 ppm em 2023 (valores aproximados) — o valor mais elevado em centenas de milhares de anos (ver Fig. 2). Este crescimento acompanha de perto o consumo de combustíveis fósseis e é a principal assinatura da influência humana no clima.

Concentração de CO2 atmosférico (1960–2023)

Concentração de CO2 atmosféricoGráfico de linhas: ppm por ano, Dados: CO2 (ppm) · 1960: 317; CO2 (ppm) · 1980: 339; CO2 (ppm) · 2000: 369; CO2 (ppm) · 2020: 414; CO2 (ppm) · 2023: 421010020030040019601980200020202023ppmano
Fig. 2Fig. 2 — A concentração de CO2 atmosférico subiu de cerca de 317 ppm (1960) para cerca de 421 ppm (2023): valores aproximados que acompanham o consumo de combustíveis fósseis.
O reforço do efeito de estufa traduz-se num aumento da temperatura média global de cerca de 1,1 a 1,2 °C face ao período pré-industrial (valores aproximados). Ainda que pareça modesto, este aquecimento médio basta para alterar os padrões de precipitação, derreter glaciares e gelo polar e tornar mais frequentes os fenómenos climáticos extremos. Foi por isso que o Acordo de Paris (2015) fixou como meta limitar o aquecimento a 1,5 °C.
Exemplo resolvido

Ler o gráfico da concentração de CO2

A partir dos valores da Fig. 2, descreve a evolução do CO2 atmosférico entre 1960 e 2023 e relaciona-a com a ação humana.

  1. 01Valores extremos

    Em 1960 a concentração era de cerca de 317 ppm; em 2023 rondava os 421 ppm (valores aproximados).

  2. 02Variação

    Um aumento de cerca de 104 ppm em pouco mais de seis décadas, com tendência claramente crescente e contínua.

  3. 03Causa

    O ritmo acompanha o crescimento do consumo de combustíveis fósseis desde a industrialização.

  4. 04Consequência

    Mais CO2 reforça o efeito de estufa e contribui para o aquecimento global observado (cerca de +1,1 a +1,2 °C).

Resultado: O CO2 subiu de cerca de 317 para cerca de 421 ppm (1960–2023), evolução de origem antrópica que reforça o efeito de estufa.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: explicar a diferença entre o efeito de estufa natural e o efeito de estufa reforçado (antrópico).
  • Foco de avaliação: interpretar a evolução da concentração de CO2 atmosférico e relacioná-la com o uso de combustíveis fósseis.

Erros frequentes

  • Apresentar o efeito de estufa como algo « mau »: o problema é o seu reforço pela ação humana, não o fenómeno natural.
  • Confundir a concentração de CO2 (medida em ppm) com a temperatura (medida em °C), ou trocar as unidades.

Revisão ativa

Distingue efeito de estufa natural de efeito de estufa reforçado e explica, a partir da subida do CO2, a origem antrópica do aquecimento global.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Causas antrópicas e a pegada ecológica#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-problemas-ambientais

Pontos-chave

As alterações climáticas e a maioria dos problemas ambientais têm causas antrópicas, isto é, resultam da ação humana: a produção de energia a partir de combustíveis fósseis, a indústria, os transportes, a agricultura e a pecuária intensivas, a desflorestação e um consumo material crescente. O aumento da população e a difusão de modos de vida de elevado consumo multiplicam a pressão sobre os recursos e sobre a capacidade de regeneração do planeta.
A pegada ecológica mede a área de território e de mar biologicamente produtivos necessária para fornecer os recursos que uma população consome e para absorver os resíduos que produz (expressa em hectares globais por habitante). Comparada com a biocapacidade — a área efetivamente disponível —, permite avaliar se um modo de vida é sustentável (ver Fig. 4). Quando a pegada excede a biocapacidade, há um défice ecológico: consome-se mais do que o planeta consegue regenerar.

A pegada ecológica e o défice

Pegada ecológicaGrafo, Consumo, produção e população → Pegada ecológica (procura), Pegada ecológica (procura) → Procura versus oferta, Biocapacidade (oferta do planeta) → Procura versus oferta, Procura versus oferta → Défice ecológico (~1,7 planetas)Consumo,produção epopulaçãoPegada ecológica(procura)Biocapacidade(oferta doplaneta)Procura versusofertaDéfice ecológico(~1,7 planetas)geraprocuraofertaprocura >oferta
Fig. 4Fig. 4 — A pegada ecológica (procura) comparada com a biocapacidade (oferta): quando a procura excede a oferta, gera-se um défice ecológico (cerca de 1,7 planetas).
Atualmente, a humanidade consome recursos a um ritmo que exigiria cerca de 1,7 planetas Terra por ano (valores aproximados) — vive-se « a crédito » ambiental. O chamado Dia da Sobrecarga da Terra, data em que se esgota o orçamento ecológico anual do planeta, tem recuado ao longo das décadas, situando-se hoje por volta de agosto. As pegadas ecológicas por habitante são muito maiores nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento.
As responsabilidades pela pressão ambiental são muito desiguais. Os países desenvolvidos e os grandes emergentes concentram a maior parte das emissões históricas e da pegada ecológica per capita, ao passo que muitos países pobres, que menos contribuíram para o problema, são os que mais sofrem os seus impactos. Esta assimetria está no centro do debate sobre a justiça climática e sobre quem deve suportar os custos da transição.
Exemplo resolvido

Interpretar o défice ecológico mundial

Explica o que significa dizer que a humanidade precisa de cerca de 1,7 planetas Terra por ano e por que isso é insustentável.

  1. 01Procura

    A pegada ecológica da humanidade corresponde aos recursos e à absorção de resíduos de cerca de 1,7 planetas por ano.

  2. 02Oferta

    Existe apenas 1 planeta, ou seja, uma biocapacidade equivalente a 1 Terra.

  3. 03Comparação

    Como a procura (1,7) é superior à oferta (1), há um défice ecológico: consome-se mais do que se regenera.

  4. 04Conclusão

    Vive-se « a crédito », esgotando florestas, solos e capacidade de absorver CO2 — logo, o modelo é insustentável.

Resultado: 1,7 planetas significa que a procura excede em cerca de 70% a biocapacidade da Terra: um défice ecológico insustentável.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: explicar as causas antrópicas das alterações climáticas e da degradação ambiental.
  • Foco de avaliação: definir e interpretar a pegada ecológica, relacionando-a com a biocapacidade e o défice ecológico.

Erros frequentes

  • Confundir pegada ecológica (a procura de recursos) com biocapacidade (a oferta do planeta).
  • Ignorar a desigualdade das responsabilidades, atribuindo a todos os países a mesma pegada ecológica.

Revisão ativa

Define pegada ecológica e explica o que significa a humanidade necessitar de cerca de 1,7 planetas Terra por ano.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Os impactos ambientais e humanos#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-problemas-ambientais

Pontos-chave

O aquecimento global tem impactos ambientais e humanos em cadeia (ver Fig. 5). A subida do nível médio do mar — provocada pela dilatação térmica da água e pelo degelo dos glaciares e das calotes polares — já ronda os 20 cm desde 1900 e prossegue a um ritmo de cerca de 3 a 4 mm por ano (valores aproximados). Ameaça as zonas costeiras baixas, os deltas densamente povoados e os pequenos Estados insulares, que podem ficar parcialmente submersos.

Impactos ambientais e humanos do aquecimento

Impactos do aquecimento globalTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Impacto · Manifestação · Consequências humanas; Subida do nível do mar · Dilatação térmica e degelo (~20 cm desde 1900) · Ameaça a zonas costeiras, deltas e ilhas; Eventos extremos · Ondas de calor, secas, cheias e ciclones · Perdas de vidas, colheitas e infraestruturas; Escassez de água · Alteração da precipitação e recuo de glaciares · Insegurança alimentar e tensões; Perda de biodiversidade · Destruição de habitats e extinções · Perda de serviços dos ecossistemas; Deslocações forçadas · Territórios tornados inóspitos · Refugiados e deslocados ambientaisIMPACTOMANIFESTAÇÃOCONSEQUÊNCIAS HUMANASSubida do nível do marDilatação térmica e degelo(~20 cm desde 1900)Ameaça a zonas costeiras,deltas e ilhasEventos extremosOndas de calor, secas,cheias e ciclonesPerdas de vidas, colheitas einfraestruturasEscassez de águaAlteração da precipitação erecuo de glaciaresInsegurança alimentar etensõesPerda de biodiversidadeDestruição de habitats eextinçõesPerda de serviços dosecossistemasDeslocações forçadasTerritórios tornadosinóspitosRefugiados e deslocadosambientais
Fig. 5Fig. 5 — Os impactos do aquecimento global: a cada alteração física correspondem consequências humanas, que atingem sobretudo os mais vulneráveis.
Os fenómenos climáticos extremos tornam-se mais frequentes e intensos: ondas de calor, secas prolongadas, chuvas torrenciais e inundações, ciclones e incêndios de grande dimensão. Estes eventos causam perdas de vidas, destruição de infraestruturas e quebras nas colheitas, com custos económicos e humanos elevados. O Sul da Europa, incluindo Portugal, é particularmente vulnerável às ondas de calor, à seca e aos incêndios rurais.
A escassez de água agrava-se com a alteração dos padrões de precipitação, o recuo dos glaciares (que alimentam grandes rios) e o aumento da procura. A par da degradação dos solos e da desertificação, compromete a produção agrícola e a segurança alimentar em muitas regiões, sobretudo em África e no Sul da Ásia. A água torna-se, cada vez mais, um recurso estratégico e um potencial fator de tensão entre países.
O conjunto destes impactos gera os chamados « refugiados ambientais » (ou deslocados ambientais): pessoas forçadas a abandonar as suas regiões devido à subida do mar, à desertificação, às secas ou a catástrofes. Ainda que o estatuto jurídico de « refugiado ambiental » não esteja plenamente reconhecido no direito internacional, o número de deslocados por causas ambientais tende a crescer. Os impactos recaem sobretudo sobre as populações mais pobres e vulneráveis, aprofundando as desigualdades já existentes.
Exemplo resolvido

Impactos em cadeia num pequeno Estado insular

Um pequeno Estado insular vê o mar avançar sobre a costa. Explica a cadeia de impactos até à deslocação da população.

  1. 01Causa climática

    O aquecimento global provoca a dilatação térmica da água e o degelo, elevando o nível médio do mar.

  2. 02Impacto físico

    As terras baixas e costeiras da ilha são inundadas ou salinizadas, tornando-se inabitáveis e improdutivas.

  3. 03Impacto humano

    Perdem-se habitações, água potável e agricultura, e a segurança alimentar fica comprometida.

  4. 04Deslocação

    Sem alternativas locais, a população é forçada a migrar, engrossando o número de refugiados ambientais.

Resultado: Aquecimento → subida do mar → inundação e salinização → perda de meios de vida → refugiados ambientais.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: discutir os impactos ambientais e humanos do aquecimento global (subida do mar, eventos extremos, escassez de água e deslocações).
  • Foco de avaliação: explicar o conceito de « refugiado ambiental » e relacioná-lo com a vulnerabilidade das populações.

Erros frequentes

  • Reduzir os impactos do aquecimento à subida da temperatura, esquecendo a subida do mar, os extremos e a escassez de água.
  • Tratar os « refugiados ambientais » como um estatuto jurídico já consolidado, quando ainda não está plenamente reconhecido.

Revisão ativa

Explica três impactos humanos do aquecimento global e mostra por que atingem sobretudo as populações mais vulneráveis.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

O desenvolvimento sustentável e a governação ambiental#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-problemas-ambientais

Pontos-chave

Perante o agravamento dos problemas ambientais, impôs-se o conceito de desenvolvimento sustentável, consagrado no Relatório Brundtland (« O Nosso Futuro Comum »), publicado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento. Define-o como « o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades ». Procura conciliar três dimensões — a económica, a social e a ambiental —, de modo que o crescimento não se faça à custa do ambiente nem da equidade social.
A resposta aos problemas ambientais exige cooperação internacional, porque a atmosfera e o clima são bens comuns globais que a nenhum país compete, sozinho, proteger. A governação ambiental construiu-se ao longo de grandes cimeiras (ver Fig. 6): a Cimeira da Terra do Rio de Janeiro (1992) foi um marco, ao aprovar a Agenda 21 e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas; a Cimeira de Joanesburgo (2002, ou Rio+10) fez o balanço dos compromissos assumidos.

As grandes cimeiras da governação ambiental

Cimeiras ambientaisLinha do tempo de 1985 a 2020, 1987: Relatório Brundtland, 1992: Cimeira do Rio, 1997: Protocolo de Quioto, 2002: Joanesburgo (Rio+10), 2015: Acordo de Paris19852020ano1987RelatórioBrundtland1992Cimeira do Rio1997Protocolo deQuioto2002Joanesburgo(Rio+10)2015Acordo de Paris
Fig. 6Fig. 6 — A governação ambiental internacional através das grandes cimeiras, do Relatório Brundtland (1987) ao Acordo de Paris (2015).
O Protocolo de Quioto (1997), que entrou em vigor em 2005, foi o primeiro acordo a fixar metas vinculativas de redução de emissões para os países desenvolvidos (cerca de 5% abaixo dos níveis de 1990). O Acordo de Paris (2015) deu um passo decisivo: envolveu quase todos os países em compromissos de redução (as contribuições nacionalmente determinadas) e fixou a meta de limitar o aquecimento bem abaixo de 2 °C, prosseguindo esforços para não ultrapassar 1,5 °C face ao período pré-industrial.
A agenda global foi reforçada em 2015 com a adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2015–2030), vários deles ambientais (ação climática, água potável, vida marinha e vida terrestre). Contudo, a governação ambiental enfrenta limites: a ausência de sanções eficazes, os conflitos de interesses entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e a dependência da vontade política de cada Estado. A sua eficácia depende de traduzir os compromissos em ações concretas e na transição para as energias renováveis e uma economia de baixo carbono.
Exemplo resolvido

Comparar o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris

Distingue o Protocolo de Quioto (1997) do Acordo de Paris (2015) quanto aos países envolvidos e ao tipo de metas.

  1. 01Quioto (1997)

    Fixou metas vinculativas de redução de emissões apenas para os países desenvolvidos (cerca de 5% abaixo de 1990).

  2. 02Paris (2015)

    Envolveu quase todos os países, com compromissos voluntários (contribuições nacionalmente determinadas).

  3. 03Meta de Paris

    Limitar o aquecimento bem abaixo de 2 °C e prosseguir esforços para não ultrapassar 1,5 °C.

  4. 04Conclusão

    Quioto responsabilizou sobretudo os países ricos; Paris universalizou o esforço, mas assente na vontade de cada Estado.

Resultado: Quioto = metas obrigatórias só para os países desenvolvidos; Paris = compromissos de quase todos, com a meta de 1,5 °C.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: definir desenvolvimento sustentável (Relatório Brundtland, 1987) e explicar a conciliação das suas três dimensões.
  • Foco de avaliação: caracterizar e ordenar as grandes cimeiras ambientais (Rio 1992, Quioto 1997, Paris 2015) e avaliar os limites da governação global.

Erros frequentes

  • Confundir o Protocolo de Quioto (1997, metas apenas para países desenvolvidos) com o Acordo de Paris (2015, compromissos de quase todos os países).
  • Reduzir o desenvolvimento sustentável à dimensão ambiental, esquecendo as dimensões económica e social.

Revisão ativa

Define desenvolvimento sustentável e ordena cronologicamente as cimeiras do Rio, de Quioto e de Paris, indicando o contributo de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Os grandes problemas ambientais○
    • 02As alterações climáticas e o efeito de estufa◐
    • 03Causas antrópicas e a pegada ecológica◐
    • 04Os impactos ambientais e humanos●
    • 05O desenvolvimento sustentável e a governação ambiental●

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Dos resumos à prática

Problemas ambientais e impactos humanos

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (Problemas ambientais e impactos humanos)

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