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Este tópico desenvolve a competência intercultural: os saberes, atitudes e capacidades que permitem comunicar e conviver com falantes de outras culturas (modelo de Byram), o conhecimento do mundo francófono e das suas variedades, e a mediação entre culturas, evitando estereótipos. É uma componente essencial da disciplina, ligada à formação do cidadão global, e caracteriza um desempenho B1: mostrar abertura, descentração e curiosidade cultural, e reconhecer semelhanças e diferenças entre a cultura de partida e as culturas francófonas.
4 secções~13 min de leitura3 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Formação geral: reconhecer aspetos da vida quotidiana e das convenções sociais do mundo francófono e compará-los com os seus (nível A2.2/B1.1).
nível avançado
Aprofundamento: interpretar práticas culturais, relativizar estereótipos e mediar entre a cultura de partida e as culturas francófonas (nível B1.2).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As componentes da competência intercultural
Um estudante português acha «estranho» que, em França, muitas lojas fechem entre as 12h e as 14h. Como transformar este juízo numa leitura intercultural?
«É estranho» avalia a partir da própria norma (em Portugal, muitas lojas não fecham à hora de almoço).
Reconhecer que a pause déjeuner é uma convenção cultural com a sua lógica (tempo dedicado à refeição), tão legítima como a portuguesa.
Formular em francês: «En France, beaucoup de commerces ferment à midi; au Portugal, c'est moins fréquent. Ce sont deux habitudes différentes.»
Resultado: O «estranho» dá lugar a uma comparação: «C'est une habitude différente, pas meilleure ni pire.» A descentração transforma o juízo etnocêntrico numa leitura intercultural — o gesto que a competência intercultural exige.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma prática do quotidiano francês diferente da portuguesa (por exemplo, cumprimentar com «la bise», as horas das refeições) e descreve-a em francês, comparando-a com a tua sem a julgar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O francês no mundo: algumas variedades
Um belga diz: «Le rendez-vous est à septante euros… non, pardon, à sept heures et demie.» Um português conhece só «soixante-dix». Como interpretar «septante»?
«Septante» é a forma belga e suíça de «soixante-dix» (70) — uma variedade legítima, não um erro.
Saber que existem «septante» (70) e «nonante» (90) evita não compreender um número dito por um belga ou um suíço.
Reconhecer a diversidade: o francês tem variantes regionais no vocabulário e nos números, e todas fazem parte da língua.
Resultado: «Septante» = 70 (forma belga/suíça, equivalente ao francês de França «soixante-dix»). Conhecer as variedades evita mal-entendidos e mostra uma competência intercultural que não confunde diversidade com erro.
Erros frequentes
Revisão ativa
Localiza no mapa três territórios francófonos fora da França (um na Europa, um na América, um em África) e escreve, em francês, uma frase sobre o lugar do francês em cada um.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Da generalização à mediação
Um amigo português acha que uma colega francesa foi «fria» porque, ao encontrá-la, ela não deu dois beijos mas estendeu a mão. Como medeias este mal-entendido?
As convenções de saudação variam: «la bise» é comum entre conhecidos, mas com pessoas que se conhecem pouco, ou em certos contextos, um «serrer la main» é normal e educado.
Interpretar o gesto como convenção, não como frieza: talvez a colega reservasse a bise para pessoas mais próximas.
Explicar ao amigo: «Ce n'est pas de la froideur; en France, on ne fait pas toujours la bise, surtout quand on se connaît peu. Elle a été polie.»
Resultado: O gesto «frio» revela-se uma diferença de convenção de saudação. Mediar é explicar essa diferença com empatia («ce n'est pas de la froideur, c'est une autre convention»), desfazendo o mal-entendido — o coração da competência intercultural.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica um estereótipo comum sobre os franceses ou sobre os portugueses, explica em francês por que é uma generalização abusiva e propõe uma forma de o relativizar (informar-se, conhecer pessoas concretas).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Alguns repères culturels francófonos
Num cartaz lê-se: «14 juillet — Défilé, feux d'artifice et bal populaire dans toute la France». Que repère é e como o interpretas culturalmente?
O 14 de julho (14 juillet) é a fête nationale francesa, que comemora a Revolução Francesa (a tomada da Bastilha, em 1789).
«Défilé» (desfile militar), «feux d'artifice» (fogo de artifício) e «bal populaire» (baile popular) são as celebrações típicas do dia.
Associa-se ao domínio da democracia e da cidadania (valores republicanos) e permite comentar em francês a festa nacional.
Resultado: O cartaz remete para o 14 juillet, festa nacional francesa ligada à Revolução de 1789, com desfile, fogo de artifício e baile. Reconhecer o repère permite compreender o documento e relacioná-lo com o tema da democracia e da cidadania.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um repère cultural francófono (por exemplo, o 14 juillet, a devise «Liberté, Égalité, Fraternité», Astérix ou uma canção) e explica em francês, em 3-4 frases, o que é e a que tema do programa o associas.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)