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Competência intercultural e culturas francófonas

Este tópico desenvolve a competência intercultural: os saberes, atitudes e capacidades que permitem comunicar e conviver com falantes de outras culturas (modelo de Byram), o conhecimento do mundo francófono e das suas variedades, e a mediação entre culturas, evitando estereótipos. É uma componente essencial da disciplina, ligada à formação do cidadão global, e caracteriza um desempenho B1: mostrar abertura, descentração e curiosidade cultural, e reconhecer semelhanças e diferenças entre a cultura de partida e as culturas francófonas.

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0666 / 14
Perfil de exame
Conhecer o universo sociocultural do mundo de língua francesa e a sua diversidadeDesenvolver atitudes de abertura, curiosidade e descentração (savoir-être)Mediar entre culturas, relativizar a própria e evitar estereótipos
Operadores:compararelacionainterpretareconhecedescrevecomenta

nível básico

Formação geral: reconhecer aspetos da vida quotidiana e das convenções sociais do mundo francófono e compará-los com os seus (nível A2.2/B1.1).

nível avançado

Aprofundamento: interpretar práticas culturais, relativizar estereótipos e mediar entre a cultura de partida e as culturas francófonas (nível B1.2).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Competência intercultural e culturas francófonas
    • 01O que é a competência intercultural (Byram)○
    • 02O mundo francófono: diversidade e variedades◐
    • 03Estereótipos, empatia e mediação intercultural◐
    • 04Repères culturels do espaço francófono●
§ 01

O que é a competência intercultural (Byram)#

●○○BaseLPAE-frances-competencia-intercultural

Pontos-chave

Aprender uma língua é também aprender a comunicar com pessoas de outra cultura, e isso exige mais do que gramática e vocabulário: exige competência intercultural. Esta define-se como a capacidade de interagir de forma eficaz e adequada com falantes de outras culturas, compreendendo as suas referências, relativizando as próprias e evitando mal-entendidos. Não é conhecer «a cultura francesa» como um bloco fixo, mas saber pôr em relação a sua cultura e a do outro (ver Fig. 1).

As componentes da competência intercultural

As componentes da competência interculturalGrafo, Compétence interculturelle → Savoirs (conhecer culturas), Compétence interculturelle → Savoir-être (abertura, curiosidade), Compétence interculturelle → Savoir-comprendre (interpretar), Compétence interculturelle → Savoir-faire (agir na interação)CompétenceinterculturelleSavoirs(conhecerculturas)Savoir-être(abertura,curiosidade)Savoir-comprendre(interpretar)Savoir-faire(agir nainteração)
Fig. 1Fig. 1 — A competência intercultural e as suas componentes (modelo de Byram).
O modelo de referência, proposto por Michael Byram, descreve a competência intercultural por componentes complementares. Os savoirs são os conhecimentos sobre a própria cultura e a do outro (práticas, valores, história, vida quotidiana). O savoir-être são as atitudes: curiosidade, abertura, disponibilidade para suspender juízos e descentrar-se do próprio ponto de vista. O savoir-comprendre e o savoir-faire são as capacidades de interpretar um documento ou acontecimento de outra cultura e de agir adequadamente na interação.
A descentração (décentration) é o gesto central da competência intercultural. Consiste em sair do próprio ponto de vista para olhar a sua cultura como uma entre outras, e não como a norma natural. Perceber que o que nos parece «óbvio» (as horas das refeições, as formas de cortesia, a distância entre as pessoas) é uma convenção cultural, e que outras convenções são igualmente legítimas, é o princípio de uma atitude intercultural madura. A descentração não anula a identidade própria: articula-a com o respeito pela do outro.
A competência intercultural liga-se diretamente à formação do cidadão. O Perfil dos Alunos e as Aprendizagens Essenciais associam-na a valores como a tolerância, o respeito pela diferença e a cidadania global. Desenvolvê-la não é um extra cultural: é parte da educação para viver num mundo diverso e conectado, em que a capacidade de dialogar através das diferenças é uma competência essencial — dentro e fora da aula de francês.
Exemplo resolvido

Aplicar a descentração a um mal-entendido cultural

Um estudante português acha «estranho» que, em França, muitas lojas fechem entre as 12h e as 14h. Como transformar este juízo numa leitura intercultural?

  1. 01Identificar o juízo etnocêntrico

    «É estranho» avalia a partir da própria norma (em Portugal, muitas lojas não fecham à hora de almoço).

  2. 02Descentrar

    Reconhecer que a pause déjeuner é uma convenção cultural com a sua lógica (tempo dedicado à refeição), tão legítima como a portuguesa.

  3. 03Comparar sem julgar

    Formular em francês: «En France, beaucoup de commerces ferment à midi; au Portugal, c'est moins fréquent. Ce sont deux habitudes différentes.»

Resultado: O «estranho» dá lugar a uma comparação: «C'est une habitude différente, pas meilleure ni pire.» A descentração transforma o juízo etnocêntrico numa leitura intercultural — o gesto que a competência intercultural exige.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir as componentes da competência intercultural (savoirs, savoir-être, savoir-comprendre/faire) e a ideia de descentração.
  • Comparar práticas culturais próprias e francófonas, mostrando abertura e relativizando o próprio ponto de vista.

Erros frequentes

  • Reduzir a cultura a um conjunto de estereótipos fixos («os franceses são…») em vez de reconhecer a diversidade.
  • Julgar as práticas de outra cultura a partir das próprias como se estas fossem a norma natural (etnocentrismo).

Revisão ativa

Escolhe uma prática do quotidiano francês diferente da portuguesa (por exemplo, cumprimentar com «la bise», as horas das refeições) e descreve-a em francês, comparando-a com a tua sem a julgar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O mundo francófono: diversidade e variedades#

●●○PadrãoLPAE-frances-competencia-intercultural

Pontos-chave

O francês não é a língua de um só país: é falado em vários continentes e conta-se entre as línguas mais faladas do mundo. Além da França, é língua oficial ou de uso na Bélgica, na Suíça, no Luxemburgo, no Mónaco, no Canadá (sobretudo no Québec), em numerosos países de África (Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Camarões, Marrocos, Tunísia…), nas Caraíbas (Haiti) e em territórios do Oceano Índico e do Pacífico. Falar de «cultura francófona» é falar de uma pluralidade, não de um bloco único (ver Fig. 2).

O francês no mundo: algumas variedades

O francês no mundoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Região · Estatuto do francês · Traço característico; França · Língua oficial e materna · soixante-dix, quatre-vingt-dix; Bélgica / Suíça · Uma das línguas oficiais · septante, nonante (e huitante); Québec (Canadá) · Língua oficial, forte identidade · magasiner, une blonde; África francófona · Língua oficial / de escolarização · convive com línguas locais; Francofonia (OIF) · Cooperação internacional · Journée de la Francophonie (20 mars), célula destacada: convive com línguas locaisREGIÃOESTATUTO DO FRANCÊSTRAÇO CARACTERÍSTICOFRANÇALíngua oficial e maternasoixante-dix, quatre-vingt-dixBÉLGICA / SUÍÇAUma das línguas oficiaisseptante, nonante (ehuitante)QUÉBEC (CANADÁ)Língua oficial, forteidentidademagasiner, une blondeÁFRICA FRANCÓFONALíngua oficial /deescolarizaçãoconvive com línguas locaisFRANCOFONIA (OIF)Cooperação internacionalJournée de la Francophonie(20 mars)As variedades são riqueza; a intercompreensão mantém-se.
Fig. 2Fig. 2 — O francês, uma língua-mundo: regiões e traços de algumas variedades.
As variedades do francês distinguem-se sobretudo na pronúncia, no léxico e em algumas expressões, mas a intercompreensão mantém-se. Em França, os números 70, 80 e 90 dizem-se «soixante-dix», «quatre-vingts», «quatre-vingt-dix»; na Bélgica e na Suíça usam-se «septante» e «nonante» (e «huitante» em partes da Suíça). O francês do Québec tem um sotaque próprio e expressões particulares («magasiner» por «faire les courses», «une blonde» por «une petite amie»). Estas diferenças são riqueza, não erro.
A francofonia institucional organiza a cooperação entre os países e regiões de língua francesa. A Organisation internationale de la Francophonie (OIF) reúne dezenas de Estados e governos em torno da língua francesa e de valores partilhados — a diversidade cultural e linguística, a educação, a democracia. A Journée internationale de la Francophonie celebra-se a 20 de março. Conhecer esta dimensão ajuda a compreender o francês como uma língua-mundo, ligada a muitas culturas e não à cultura de um único país.
A diversidade francófona reflete também histórias e realidades diferentes. Em muitos países africanos, o francês convive com línguas locais e é língua de escolarização e de comunicação entre comunidades; no Québec, a defesa do francês tem uma forte dimensão identitária, num continente maioritariamente anglófono; no Haiti, o francês coexiste com o crioulo haitiano. Reconhecer esta pluralidade — e a literatura, a música e o cinema que dela nascem — é parte de uma competência intercultural rica e não folclórica.
Exemplo resolvido

Compreender uma variedade regional

Um belga diz: «Le rendez-vous est à septante euros… non, pardon, à sept heures et demie.» Um português conhece só «soixante-dix». Como interpretar «septante»?

  1. 01Reconhecer a variedade

    «Septante» é a forma belga e suíça de «soixante-dix» (70) — uma variedade legítima, não um erro.

  2. 02Evitar o mal-entendido

    Saber que existem «septante» (70) e «nonante» (90) evita não compreender um número dito por um belga ou um suíço.

  3. 03Situar culturalmente

    Reconhecer a diversidade: o francês tem variantes regionais no vocabulário e nos números, e todas fazem parte da língua.

Resultado: «Septante» = 70 (forma belga/suíça, equivalente ao francês de França «soixante-dix»). Conhecer as variedades evita mal-entendidos e mostra uma competência intercultural que não confunde diversidade com erro.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer a extensão mundial do francês e algumas variedades (septante/nonante; expressões do Québec).
  • Situar a francofonia como pluralidade de culturas e conhecer a existência da OIF e da sua missão.

Erros frequentes

  • Identificar «francês» exclusivamente com «França», ignorando a Bélgica, a Suíça, o Québec e a África francófona.
  • Tratar as variedades regionais (septante, magasiner) como «erros» em vez de formas legítimas do francês.

Revisão ativa

Localiza no mapa três territórios francófonos fora da França (um na Europa, um na América, um em África) e escreve, em francês, uma frase sobre o lugar do francês em cada um.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Estereótipos, empatia e mediação intercultural#

●●○PadrãoLPAE-frances-competencia-intercultural

Pontos-chave

Os estereótipos (stéréotypes) são generalizações fixas e simplistas sobre um grupo — «os franceses são arrogantes», «os portugueses são saudosos». Nascem da necessidade de organizar a realidade, mas deformam-na: aplicam a todos os indivíduos traços supostamente comuns, ignorando a diversidade interna de qualquer grupo. Reconhecer os estereótipos que circulam (incluindo os que nós próprios temos) é o primeiro passo para os relativizar e não os tomar por conhecimento (ver Fig. 3).

Da generalização à mediação

Da generalização à mediaçãoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Conceito · O que é · Atitude que o relativiza; Estereótipo · Generalização fixa sobre um grupo · Informar-se; ver a diversidade; Preconceito · Estereótipo com valoração negativa · Questionar a origem do juízo; Discriminação · Tratar de forma desigual · Respeito e igualdade; Empatia · Compreender a perspetiva do outro · Escutar, suspender o juízo; Mediação · Fazer de ponte entre culturas · Reformular, explicar, aproximar, célula destacada: Fazer de ponte entre culturasCONCEITOO QUE ÉATITUDE QUE ORELATIVIZAESTEREÓTIPOGeneralização fixa sobre umgrupoInformar-se; ver adiversidadePRECONCEITOEstereótipo com valoraçãonegativaQuestionar a origem do juízoDISCRIMINAÇÃOTratar de forma desigualRespeito e igualdadeEMPATIACompreender a perspetiva dooutroEscutar, suspender o juízoMEDIAÇÃOFazer de ponte entreculturasReformular, explicar,aproximarA mediação é a competência-síntese: conhecer, ter empatia ereformular.
Fig. 3Fig. 3 — Estereótipo, preconceito e discriminação — e as atitudes que os desmontam.
Os estereótipos distinguem-se dos preconceitos e da discriminação, embora se liguem. O estereótipo é uma crença generalizada; o preconceito (préjugé) acrescenta-lhe uma valoração negativa e uma atitude; a discriminação é o ato de tratar alguém de forma desigual com base nessa atitude. Uma competência intercultural madura desmonta a cadeia na origem, questionando a generalização, procurando informação real e substituindo a imagem fixa pelo contacto com pessoas concretas.
A empatia (empathie) é a capacidade de compreender a perspetiva do outro, de imaginar como ele vê a situação a partir da sua própria experiência e cultura. Não significa concordar com tudo, mas suspender o juízo imediato e procurar compreender antes de avaliar. A empatia intercultural apoia-se na curiosidade e na escuta, e é ela que permite, numa interação, interpretar um comportamento inesperado como diferença cultural e não como falta de educação.
A mediação intercultural (médiation) é agir como ponte entre culturas, facilitando a compreensão mútua. Na aula e na vida, mediar é explicar a um interlocutor uma referência cultural que ele desconhece, reformular um mal-entendido, ou ajudar duas pessoas de culturas diferentes a compreenderem-se. Exige conhecer as duas culturas, ter empatia e saber reformular com clareza. A mediação é uma das atividades linguísticas do QECR e uma competência cada vez mais valorizada num mundo diverso.
Exemplo resolvido

Mediar um mal-entendido intercultural

Um amigo português acha que uma colega francesa foi «fria» porque, ao encontrá-la, ela não deu dois beijos mas estendeu a mão. Como medeias este mal-entendido?

  1. 01Reconhecer a diferença cultural

    As convenções de saudação variam: «la bise» é comum entre conhecidos, mas com pessoas que se conhecem pouco, ou em certos contextos, um «serrer la main» é normal e educado.

  2. 02Aplicar empatia

    Interpretar o gesto como convenção, não como frieza: talvez a colega reservasse a bise para pessoas mais próximas.

  3. 03Mediar / reformular

    Explicar ao amigo: «Ce n'est pas de la froideur; en France, on ne fait pas toujours la bise, surtout quand on se connaît peu. Elle a été polie.»

Resultado: O gesto «frio» revela-se uma diferença de convenção de saudação. Mediar é explicar essa diferença com empatia («ce n'est pas de la froideur, c'est une autre convention»), desfazendo o mal-entendido — o coração da competência intercultural.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir estereótipo, preconceito e discriminação, e relativizar os estereótipos com informação e contacto real.
  • Mobilizar a empatia e a mediação para interpretar diferenças culturais e facilitar a compreensão mútua.

Erros frequentes

  • Confundir estereótipo com conhecimento cultural, tomando uma generalização por um facto sobre todos os membros de um grupo.
  • Interpretar um comportamento culturalmente diferente como falta de educação, em vez de o ler com empatia.

Revisão ativa

Identifica um estereótipo comum sobre os franceses ou sobre os portugueses, explica em francês por que é uma generalização abusiva e propõe uma forma de o relativizar (informar-se, conhecer pessoas concretas).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Repères culturels do espaço francófono#

●●●AprofundamentoLPAE-frances-competencia-intercultural

Pontos-chave

A competência intercultural apoia-se em referências culturais (repères culturels) concretas, que dão conteúdo ao conhecimento do mundo francófono. Entre os símbolos da República Francesa contam-se a bandeira tricolor (bleu-blanc-rouge), a divisa «Liberté, Égalité, Fraternité», a figura alegórica de Marianne e o hino «La Marseillaise». A festa nacional celebra-se a 14 de julho, e a laicidade (laïcité) é um princípio marcante da vida pública francesa. Conhecer estes repères permite compreender muitos textos e alusões (ver Fig. 4).

Alguns repères culturels francófonos

Alguns repères culturels francófonosTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Domínio · Repères (exemplos) · Liga-se a…; Símbolos e valores · Liberté, Égalité, Fraternité; Marianne; laïcité · Democracia e cidadania; Festas · 14 juillet; Fête de la musique; 20 mars (Francophonie) · Identidade, cultura; Património e artes · Tour Eiffel, Louvre; littérature; cinéma · Sensibilidade estética; Chanson e BD · Piaf, Brel (Belgique); Astérix, Tintin · Grupos de pertença, cultura popular; Francofonia plural · África, Québec, Caraíbas francófonas · Mundialização e culturas, célula destacada: Liberté, Égalité, Fraternité; Marianne; laïcitéDOMÍNIOREPÈRES (EXEMPLOS)LIGA-SE A…SÍMBOLOS E VALORESLiberté, Égalité,Fraternité; Marianne;laïcitéDemocracia e cidadaniaFESTAS14 juillet; Fête de lamusique; 20 mars(Francophonie)Identidade, culturaPATRIMÓNIO E ARTESTour Eiffel, Louvre;littérature; cinémaSensibilidade estéticaCHANSON E BDPiaf, Brel (Belgique);Astérix, TintinGrupos de pertença, culturapopularFRANCOFONIA PLURALÁfrica, Québec, CaraíbasfrancófonasMundialização e culturasCada repère liga-se a um domínio temático — não são factossoltos.
Fig. 4Fig. 4 — Repères culturels francófonos e o domínio a que se ligam.
O património e as artes francófonas são uma porta de entrada rica. Em França, monumentos como a Tour Eiffel, o Louvre ou Notre-Dame; a gastronomia inscrita no património; e uma longa tradição literária (de Molière e Victor Hugo a autores contemporâneos). A chanson francophone (de Édith Piaf e Jacques Brel — belga — a artistas atuais), o cinema e a bande dessinée (a BD: Astérix, e o belga Tintin) são vias acessíveis e motivadoras para contactar com a cultura e treinar a língua.
A cultura francófona não se esgota na França. A bande dessinée tem no belga Hergé (Tintin) e no franco-belga Astérix marcos maiores; a chanson conta com o belga Jacques Brel e a canção quebequense; a literatura francófona inclui autores de África, das Caraíbas e do Québec que escrevem em francês a partir das suas realidades. Festividades como o Carnaval, o cinema de animação e a música atual circulam por todo o espaço francófono. Valorizar esta diversidade evita reduzir a cultura francófona a Paris.
As referências culturais aprendem-se em contexto e ligam-se aos domínios temáticos do programa. Um cartaz do 14 de julho liga-se à democracia e à cidadania; uma canção francófona, à identidade e aos grupos de pertença; um filme sobre a imigração, à mundialização e às culturas. Não se trata de decorar uma lista de factos, mas de reconhecer estas referências quando surgem num texto ou num documento e de as relacionar com o que já se sabe — é assim que os repères culturels servem a compreensão e a expressão.
Exemplo resolvido

Ler um repère cultural num documento

Num cartaz lê-se: «14 juillet — Défilé, feux d'artifice et bal populaire dans toute la France». Que repère é e como o interpretas culturalmente?

  1. 01Identificar o repère

    O 14 de julho (14 juillet) é a fête nationale francesa, que comemora a Revolução Francesa (a tomada da Bastilha, em 1789).

  2. 02Ler os elementos

    «Défilé» (desfile militar), «feux d'artifice» (fogo de artifício) e «bal populaire» (baile popular) são as celebrações típicas do dia.

  3. 03Ligar ao tema

    Associa-se ao domínio da democracia e da cidadania (valores republicanos) e permite comentar em francês a festa nacional.

Resultado: O cartaz remete para o 14 juillet, festa nacional francesa ligada à Revolução de 1789, com desfile, fogo de artifício e baile. Reconhecer o repère permite compreender o documento e relacioná-lo com o tema da democracia e da cidadania.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer repères culturais francófonos (símbolos republicanos, 14 juillet, património, chanson, BD) quando surgem em documentos.
  • Relacionar uma referência cultural com o domínio temático a que se liga (cidadania, identidade, mundialização).

Erros frequentes

  • Reduzir a cultura francófona a Paris e a alguns clichés turísticos, ignorando a Bélgica, o Québec e a África.
  • Tratar os repères como uma lista a decorar, sem os relacionar com os textos e os temas onde aparecem.

Revisão ativa

Escolhe um repère cultural francófono (por exemplo, o 14 juillet, a devise «Liberté, Égalité, Fraternité», Astérix ou uma canção) e explica em francês, em 3-4 frases, o que é e a que tema do programa o associas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O que é a competência intercultural (Byram)○
    • 02O mundo francófono: diversidade e variedades◐
    • 03Estereótipos, empatia e mediação intercultural◐
    • 04Repères culturels do espaço francófono●

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Dos resumos à prática

Competência intercultural e culturas francófonas

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Francês — Ensino Secundário (Continuação)

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