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Este tópico desenvolve a competência intercultural: os saberes, atitudes e capacidades para comunicar e conviver com falantes de outras culturas (modelo de Byram), o conhecimento do vasto mundo hispanofalante (Espanha e Hispano-América) e das suas variedades, os seus costumes e referentes culturais, e as relações entre Portugal e o mundo hispânico. Caracteriza um desempenho A2.2: mostrar abertura, curiosidade e descentração, e reconhecer semelhanças e diferenças entre a cultura de partida e as culturas de língua espanhola.
4 secções~13 min de leitura3 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer aspetos da vida quotidiana e das convenções sociais do mundo hispanofalante e compará-los com os seus (nível A2).
nível avançado
Interpretar práticas culturais, relativizar estereótipos e mediar entre a cultura de partida e as culturas hispânicas, aproximando-se do nível B1.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As componentes da competência intercultural
Um estudante português acha «estranho» que, em Espanha, se jante muito tarde (por volta das 22h). Como transformar este juízo numa leitura intercultural?
«É estranho» avalia a partir da própria norma (em Portugal janta-se mais cedo).
Reconhecer que o horário espanhol tem a sua lógica (dias longos, ritmo social próprio) e é tão legítimo como o português.
Formular em espanhol: «En España se cena más tarde que en Portugal; son costumbres diferentes, no mejores ni peores.»
Resultado: O «estranho» dá lugar a uma comparação: «Es una costumbre diferente, no peor.» A descentração transforma o juízo etnocêntrico numa leitura intercultural — o gesto que a competência intercultural exige.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma prática do quotidiano espanhol diferente da portuguesa (por exemplo, o horário das refeições, ir «de tapas») e descreve-a em espanhol, comparando-a com a tua sem a julgar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
O espanhol no mundo: variedades
Um argentino diz: «¿Vos querés que agarremos el colectivo o preferís el auto?» Um português que só estudou a norma de Espanha estranha «vos», «agarrar», «colectivo» e «auto». Como o interpretas?
«Vos querés» / «preferís» é o voseo argentino, equivalente a «tú quieres» / «prefieres» — uma variedade legítima.
«Agarrar» = «coger/tomar»; «colectivo» = «autobús»; «auto» = «coche».
A pergunta é: «¿Quieres que tomemos el autobús o prefieres el coche?»
Resultado: A frase significa «Queres que apanhemos o autocarro ou preferes o carro?». O voseo e o léxico americano (agarrar, colectivo, auto) são variedades legítimas — conhecê-las evita mal-entendidos e mostra abertura intercultural.
Erros frequentes
Revisão ativa
Localiza no mapa três países hispanofalantes fora de Espanha (um na América do Norte/Central, um nos Andes, um no Cone Sul) e escreve, em espanhol, uma frase sobre cada um. Indica uma palavra que se diga de forma diferente em Espanha e na América.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referentes culturais do mundo hispânico
Num cartaz lê-se: «Día de Muertos — 1 y 2 de noviembre. Altares, flores de cempasúchil y calaveras.» Que referente é e como o interpretas culturalmente?
O Día de Muertos é uma celebração mexicana (1 e 2 de novembro) que recorda e homenageia os que morreram, com um tom festivo e não macabro.
«Altares» (altares com oferendas), «flores de cempasúchil» (a flor laranja típica) e «calaveras» (caveiras decorativas) são elementos característicos da festa.
Associa-se à cultura hispano-americana e às tradições/identidade; permite comentar em espanhol uma festa muito diferente das portuguesas.
Resultado: O cartaz remete para o Día de Muertos mexicano, festa de homenagem aos mortos com altares, flores de cempasúchil e caveiras. Reconhecer o referente permite compreender o documento e relacioná-lo com o tema das tradições e da cultura hispano-americana.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um referente cultural hispânico (por exemplo, o Día de Muertos, as Fallas, «Don Quijote», o tango) e explica em espanhol, em 3-4 frases, o que é e a que tema do programa o associas.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Portugal e o mundo hispânico
Um colega afirma: «Os espanhóis são todos barulhentos e só pensam em festa.» Como transformas esta afirmação numa leitura intercultural, em espanhol?
A frase aplica a milhões de pessoas («todos») um traço supostamente comum — uma generalização abusiva.
Reconhecer a diversidade: «España es muy diversa; hay personas y regiones muy diferentes. Generalizar sobre millones de personas no tiene sentido.»
Propor conhecer pessoas e culturas concretas: «Es mejor conocer a personas reales que repetir tópicos.»
Resultado: O estereótipo («son todos…») dá lugar a uma leitura informada: «España es muy diversa; generalizar no tiene sentido.» Relativizar com informação e contacto real, em vez de repetir tópicos, é o gesto que a competência intercultural exige.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica um estereótipo comum sobre os espanhóis ou sobre os portugueses, explica em espanhol por que é uma generalização abusiva e propõe uma forma de o relativizar (informar-se, conhecer pessoas e culturas concretas).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)