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Resumos · EspanholPT · Secundário

Competência intercultural: países hispanofalantes e Portugal

Este tópico desenvolve a competência intercultural: os saberes, atitudes e capacidades para comunicar e conviver com falantes de outras culturas (modelo de Byram), o conhecimento do vasto mundo hispanofalante (Espanha e Hispano-América) e das suas variedades, os seus costumes e referentes culturais, e as relações entre Portugal e o mundo hispânico. Caracteriza um desempenho A2.2: mostrar abertura, curiosidade e descentração, e reconhecer semelhanças e diferenças entre a cultura de partida e as culturas de língua espanhola.

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0888 / 9
Perfil de exame
Conhecer o universo sociocultural do mundo de língua espanhola e a sua diversidadeDesenvolver atitudes de abertura, curiosidade e descentração (saber-ser)Relativizar estereótipos e mediar entre a cultura de partida e as culturas hispânicas
Operadores:compararelacionainterpretareconhecedescrevecomenta

nível básico

Reconhecer aspetos da vida quotidiana e das convenções sociais do mundo hispanofalante e compará-los com os seus (nível A2).

nível avançado

Interpretar práticas culturais, relativizar estereótipos e mediar entre a cultura de partida e as culturas hispânicas, aproximando-se do nível B1.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Competência intercultural: países hispanofalantes e Portugal
    • 01O que é a competência intercultural (Byram)○
    • 02O mundo hispanofalante: extensão e variedades do espanhol◐
    • 03Costumes, referentes culturais e festas (Espanha e Hispano-América)◐
    • 04Portugal e o mundo hispânico: relações, tópicos e mediação●
§ 01

O que é a competência intercultural (Byram)#

●○○BaseLPAE-espanhol-competencia-intercultural

Pontos-chave

Aprender uma língua é também aprender a comunicar com pessoas de outra cultura, e isso exige mais do que gramática e vocabulário: exige competência intercultural. Esta define-se como a capacidade de interagir de forma eficaz e adequada com falantes de outras culturas, compreendendo as suas referências, relativizando as próprias e evitando mal-entendidos. Não é conhecer «a cultura espanhola» como um bloco fixo, mas saber pôr em relação a sua cultura e as do outro (ver Fig. 1).

As componentes da competência intercultural

As componentes da competência interculturalGrafo, Competencia intercultural → Saberes (conhecer culturas), Competencia intercultural → Saber-ser (abertura, curiosidade), Competencia intercultural → Saber-comprender (interpretar), Competencia intercultural → Saber-hacer (agir na interação)CompetenciainterculturalSaberes(conhecerculturas)Saber-ser(abertura,curiosidade)Saber-comprender(interpretar)Saber-hacer(agir nainteração)
Fig. 1Fig. 1 — A competência intercultural e as suas componentes (modelo de Byram).
O modelo de referência, proposto por Michael Byram, descreve a competência intercultural por componentes complementares. Os saberes (savoirs) são os conhecimentos sobre a própria cultura e as do outro (práticas, valores, história, vida quotidiana). O saber-ser (savoir-être) são as atitudes: curiosidade, abertura, disponibilidade para suspender juízos e descentrar-se do próprio ponto de vista. O saber-comprender e o saber-hacer são as capacidades de interpretar um documento ou acontecimento de outra cultura e de agir adequadamente na interação.
A descentração é o gesto central da competência intercultural. Consiste em sair do próprio ponto de vista para olhar a sua cultura como uma entre outras, e não como a norma natural. Perceber que o que nos parece «óbvio» (as horas das refeições, as formas de cortesia, o ritmo do dia) é uma convenção cultural, e que outras convenções são igualmente legítimas, é o princípio de uma atitude intercultural madura. A descentração não anula a identidade própria: articula-a com o respeito pela do outro.
A competência intercultural liga-se diretamente à formação do cidadão. O Perfil dos Alunos e as Aprendizagens Essenciais associam-na a valores como a tolerância, o respeito pela diferença e a cidadania global. Desenvolvê-la não é um extra cultural: é parte da educação para viver num mundo diverso e conectado, em que a capacidade de dialogar através das diferenças é uma competência essencial — dentro e fora da aula de espanhol.
Exemplo resolvido

Aplicar a descentração a um mal-entendido cultural

Um estudante português acha «estranho» que, em Espanha, se jante muito tarde (por volta das 22h). Como transformar este juízo numa leitura intercultural?

  1. 01Identificar o juízo etnocêntrico

    «É estranho» avalia a partir da própria norma (em Portugal janta-se mais cedo).

  2. 02Descentrar

    Reconhecer que o horário espanhol tem a sua lógica (dias longos, ritmo social próprio) e é tão legítimo como o português.

  3. 03Comparar sem julgar

    Formular em espanhol: «En España se cena más tarde que en Portugal; son costumbres diferentes, no mejores ni peores.»

Resultado: O «estranho» dá lugar a uma comparação: «Es una costumbre diferente, no peor.» A descentração transforma o juízo etnocêntrico numa leitura intercultural — o gesto que a competência intercultural exige.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir as componentes da competência intercultural (saberes, saber-ser, saber-comprender/hacer) e a ideia de descentração.
  • Comparar práticas culturais próprias e hispânicas, mostrando abertura e relativizando o próprio ponto de vista.

Erros frequentes

  • Reduzir a cultura a um conjunto de estereótipos fixos («os espanhóis são…») em vez de reconhecer a diversidade.
  • Julgar as práticas de outra cultura a partir das próprias como se estas fossem a norma natural (etnocentrismo).

Revisão ativa

Escolhe uma prática do quotidiano espanhol diferente da portuguesa (por exemplo, o horário das refeições, ir «de tapas») e descreve-a em espanhol, comparando-a com a tua sem a julgar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O mundo hispanofalante: extensão e variedades do espanhol#

●●○PadrãoLPAE-espanhol-competencia-intercultural

Pontos-chave

O espanhol não é a língua de um só país: é uma das línguas mais faladas do mundo, com centenas de milhões de falantes, e é a segunda língua materna mais falada do planeta. É língua oficial em Espanha e em cerca de vinte países da América — do México à Argentina, passando pela América Central, as Caraíbas e os Andes — e ainda na Guiné Equatorial, em África. Falar de «cultura hispânica» é, por isso, falar de uma imensa pluralidade, e não de um bloco único (ver Fig. 2).

O espanhol no mundo: variedades

O espanhol no mundo: variedadesTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Aspeto · Espanha · Grande parte da América; C / Z (ce, ci) · Distinção: /θ/ («th») · Seseo: /s/; Plural informal · vosotros (tenéis) · ustedes (tienen); Tratamento (tu) · tú (tienes) · muitas zonas: voseo (vos tenés); Automóvel · coche · carro / auto; Telemóvel / computador · móvil / ordenador · celular / computadora; Batata / sumo · patata / zumo · papa / jugo, célula destacada: ustedes (tienen)ASPETOESPANHAGRANDE PARTE DAAMÉRICAC / Z (CE, CI)Distinção: /θ/ («th»)Seseo: /s/PLURAL INFORMALvosotros (tenéis)ustedes (tienen)TRATAMENTO (TU)tú (tienes)muitas zonas: voseo (vostenés)AUTOMÓVELcochecarro / autoTELEMÓVEL /COMPUTADORmóvil / ordenadorcelular / computadoraBATATA / SUMOpatata / zumopapa / jugoNa América não se usa «vosotros»: o plural, formal ouinformal, é «ustedes».
Fig. 2Fig. 2 — O espanhol, uma língua-mundo: alguns contrastes entre Espanha e a América.
As variedades do espanhol distinguem-se sobretudo na pronúncia, no léxico e em alguns usos gramaticais, mas a intercompreensão mantém-se. Na pronúncia, a distinção do «c/z» como /θ/ é própria do centro e norte de Espanha, enquanto o seseo (pronunciar tudo como /s/) domina na Andaluzia, nas Canárias e em toda a América. Na gramática, grande parte da América não usa «vosotros» (o plural é sempre «ustedes») e muitos países usam o «voseo» («vos tenés» em vez de «tú tienes»).
O léxico é onde as variedades mais se notam, e conhecê-las evita mal-entendidos. Um mesmo objeto pode ter nomes diferentes: «coche» (Espanha) e «carro» ou «auto» (América); «ordenador» (Espanha) e «computadora» (América); «móvil» (Espanha) e «celular» (América); «patata» (Espanha) e «papa» (América); «zumo» (Espanha) e «jugo» (América). Nenhuma forma é «mais correta» do que a outra: são variantes legítimas da mesma língua, e a escola ensina a norma peninsular sem desvalorizar as americanas.
A diversidade hispânica reflete histórias e realidades diferentes, e reconhecê-la é parte de uma competência intercultural rica. O espanhol da América incorporou palavras das línguas indígenas (como «chocolate», «tomate», «aguacate», de origem nauatle) e desenvolveu culturas próprias; em Espanha, convivem com o castelhano outras línguas oficiais (o catalão, o galego, o basco). Valorizar esta pluralidade — e a literatura, a música e o cinema que dela nascem — evita o erro de reduzir «o espanhol» a Espanha, ou «Espanha» a Madrid.
Exemplo resolvido

Compreender uma variedade americana

Um argentino diz: «¿Vos querés que agarremos el colectivo o preferís el auto?» Um português que só estudou a norma de Espanha estranha «vos», «agarrar», «colectivo» e «auto». Como o interpretas?

  1. 01Reconhecer o voseo

    «Vos querés» / «preferís» é o voseo argentino, equivalente a «tú quieres» / «prefieres» — uma variedade legítima.

  2. 02Traduzir o léxico americano

    «Agarrar» = «coger/tomar»; «colectivo» = «autobús»; «auto» = «coche».

  3. 03Compreender o essencial

    A pergunta é: «¿Quieres que tomemos el autobús o prefieres el coche?»

Resultado: A frase significa «Queres que apanhemos o autocarro ou preferes o carro?». O voseo e o léxico americano (agarrar, colectivo, auto) são variedades legítimas — conhecê-las evita mal-entendidos e mostra abertura intercultural.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer a extensão mundial do espanhol e a sua pluralidade (Espanha e Hispano-América, ~20 países).
  • Conhecer variedades (seseo/distinção, voseo, ustedes; coche/carro, ordenador/computadora) como formas legítimas.

Erros frequentes

  • Identificar «espanhol» exclusivamente com «Espanha», ignorando a imensa Hispano-América.
  • Tratar as variedades americanas (papa, celular, voseo) como «erros» em vez de formas legítimas da língua.

Revisão ativa

Localiza no mapa três países hispanofalantes fora de Espanha (um na América do Norte/Central, um nos Andes, um no Cone Sul) e escreve, em espanhol, uma frase sobre cada um. Indica uma palavra que se diga de forma diferente em Espanha e na América.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Costumes, referentes culturais e festas (Espanha e Hispano-América)#

●●○PadrãoLPAE-espanhol-competencia-intercultural

Pontos-chave

Os referentes culturais dão conteúdo concreto ao conhecimento do mundo hispânico e ajudam a compreender textos e alusões. Em Espanha, entre os costumes e festas mais conhecidos estão as tapas e a paella (gastronomia), o flamenco (música e dança de raiz andaluza), a Semana Santa, as Fallas de Valência, os San Fermines de Pamplona e a Tomatina de Buñol. O Natal culmina com os Reyes Magos (6 de janeiro) e a passagem de ano celebra-se comendo doze uvas às doze badaladas (ver Fig. 3).

Referentes culturais do mundo hispânico

Referentes culturais do mundo hispânicoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Domínio · Espanha · Hispano-América; Festas · Semana Santa, Fallas, San Fermín, Reyes · Día de Muertos (México), carnavales; Gastronomia · tapas, paella, tortilla · tacos (México), asado, mate (Argentina); Arte · Velázquez, Goya, Picasso, Dalí, Gaudí · Frida Kahlo, Diego Rivera (México); Literatura · Cervantes («Don Quijote»), Lorca · García Márquez, Neruda, G. Mistral; Música · flamenco · tango, salsa, cúmbia, célula destacada: García Márquez, Neruda, G. MistralDOMÍNIOESPANHAHISPANO-AMÉRICAFESTASSemana Santa, Fallas, SanFermín, ReyesDía de Muertos (México),carnavalesGASTRONOMIAtapas, paella, tortillatacos (México), asado, mate(Argentina)ARTEVelázquez, Goya, Picasso,Dalí, GaudíFrida Kahlo, Diego Rivera(México)LITERATURACervantes («Don Quijote»),LorcaGarcía Márquez, Neruda, G.MistralMÚSICAflamencotango, salsa, cúmbiaA literatura hispano-americana deu vários prémios Nobel — acultura hispânica não se esgota em Espanha.
Fig. 3Fig. 3 — Alguns referentes culturais de Espanha e da Hispano-América.
As artes e as letras espanholas são uma porta de entrada rica. Na pintura, nomes como Velázquez, Goya, Picasso, Dalí e Miró; na arquitetura, Gaudí e a Sagrada Família, em Barcelona; monumentos como a Alhambra de Granada e o Museu do Prado. Na literatura, Miguel de Cervantes e o seu «Don Quijote de la Mancha» — uma das obras maiores da literatura universal — e poetas como Federico García Lorca. Reconhecer estes referentes permite compreender muitas referências e alusões.
A Hispano-América tem referentes culturais igualmente ricos e diversos, que não se devem esquecer. No México, o Día de Muertos e artistas como Frida Kahlo e Diego Rivera; na Argentina, o tango e o mate; nos Andes, Machu Picchu, no Peru. A literatura hispano-americana deu grandes nomes e prémios Nobel: o colombiano Gabriel García Márquez, criador do «realismo mágico» («Cien años de soledad»), e os poetas chilenos Pablo Neruda e Gabriela Mistral. A música (salsa, cúmbia, e ritmos atuais) circula por todo o mundo hispânico.
Os referentes culturais aprendem-se em contexto e ligam-se aos temas do programa. Uma receita de tortilla liga-se à gastronomia e à vida quotidiana; uma festa como as Fallas, à identidade e às tradições; uma obra de García Márquez, à literatura e à cultura hispano-americana; uma canção atual, à identidade juvenil e aos media. Não se trata de decorar uma lista de factos, mas de reconhecer estas referências quando surgem num texto e de as relacionar com o que já se sabe — é assim que os referentes servem a compreensão e a expressão.
Exemplo resolvido

Ler um referente cultural num documento

Num cartaz lê-se: «Día de Muertos — 1 y 2 de noviembre. Altares, flores de cempasúchil y calaveras.» Que referente é e como o interpretas culturalmente?

  1. 01Identificar o referente

    O Día de Muertos é uma celebração mexicana (1 e 2 de novembro) que recorda e homenageia os que morreram, com um tom festivo e não macabro.

  2. 02Ler os elementos

    «Altares» (altares com oferendas), «flores de cempasúchil» (a flor laranja típica) e «calaveras» (caveiras decorativas) são elementos característicos da festa.

  3. 03Ligar ao tema

    Associa-se à cultura hispano-americana e às tradições/identidade; permite comentar em espanhol uma festa muito diferente das portuguesas.

Resultado: O cartaz remete para o Día de Muertos mexicano, festa de homenagem aos mortos com altares, flores de cempasúchil e caveiras. Reconhecer o referente permite compreender o documento e relacioná-lo com o tema das tradições e da cultura hispano-americana.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer referentes culturais espanhóis e hispano-americanos (festas, gastronomia, arte, literatura) quando surgem em documentos.
  • Relacionar um referente cultural com o tema a que se liga (gastronomia, identidade, literatura, media).

Erros frequentes

  • Reduzir a cultura hispânica a Espanha e a alguns clichés (touros, flamenco), ignorando a Hispano-América.
  • Tratar os referentes como uma lista a decorar, sem os relacionar com os textos e os temas onde aparecem.

Revisão ativa

Escolhe um referente cultural hispânico (por exemplo, o Día de Muertos, as Fallas, «Don Quijote», o tango) e explica em espanhol, em 3-4 frases, o que é e a que tema do programa o associas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Portugal e o mundo hispânico: relações, tópicos e mediação#

●●●AprofundamentoLPAE-espanhol-competencia-intercultural

Pontos-chave

Portugal e Espanha partilham a Península Ibérica, uma longa fronteira e séculos de história comum, o que faz das relações entre os dois povos um caso particular de competência intercultural. A proximidade geográfica e linguística traduz-se em intensas trocas económicas, culturais e humanas (turismo, comércio, estudos). Conhecer o vizinho — a sua diversidade interna, a sua história, os seus costumes — e reconhecer o que nos aproxima e o que nos distingue é o ponto de partida para uma relação intercultural madura (ver Fig. 4).

Portugal e o mundo hispânico

Portugal e o mundo hispânicoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · O que reconhecer · Atitude intercultural; Proximidade · Península Ibérica, fronteira, trocas · Conhecer o vizinho, não assumir; Diversidade de Espanha · Castelhano, catalão, basco, galego · Não reduzir Espanha a Madrid; Galego-português · Raiz comum, línguas próximas · Valorizar a ponte linguística; Estereótipos mútuos · Imagens simplistas dos dois lados · Relativizar com informação e contacto; Mediação · Explicar referentes de parte a parte · Fazer de ponte com empatia e clareza, célula destacada: Raiz comum, línguas próximasASPETOO QUE RECONHECERATITUDE INTERCULTURALPROXIMIDADEPenínsula Ibérica,fronteira, trocasConhecer o vizinho, nãoassumirDIVERSIDADE DEESPANHACastelhano, catalão, basco,galegoNão reduzir Espanha a MadridGALEGO-PORTUGUÊSRaiz comum, línguas próximasValorizar a pontelinguísticaESTEREÓTIPOSMÚTUOSImagens simplistas dos doisladosRelativizar com informação econtactoMEDIAÇÃOExplicar referentes de partea parteFazer de ponte com empatia eclarezaO galego partilha a raiz com o português — uma pontecultural notável entre os dois países.
Fig. 4Fig. 4 — Portugal e o mundo hispânico: pontos de contacto e de mediação.
Um erro frequente é reduzir «Espanha» a uma cultura única e castelhana. Espanha é um Estado plural, com várias línguas oficiais além do castelhano: o catalão, o basco e o galego. O galego, falado na Galiza, é particularmente próximo do português — as duas línguas têm uma raiz comum (o galego-português medieval), o que constitui uma ponte cultural e linguística notável entre os dois países. Reconhecer esta diversidade interna de Espanha evita estereótipos e enriquece a compreensão do vizinho.
Os estereótipos mútuos entre portugueses e espanhóis existem e devem ser relativizados. De um lado e do outro circulam imagens simplistas (sobre o caráter, os hábitos, a gastronomia, os toiros ou o fado e o flamenco) que, como todos os estereótipos, aplicam a milhões de pessoas traços supostamente comuns. A atitude intercultural desmonta estas generalizações com informação e contacto real, substituindo a imagem fixa pelo conhecimento das pessoas e das culturas concretas — plurais dos dois lados da fronteira.
A relação Portugal–mundo hispânico é um terreno privilegiado para a mediação intercultural. Explicar a um espanhol um referente português (o fado, o São João, um prato), ou a um português um referente espanhol ou hispano-americano, é fazer de ponte entre culturas próximas mas distintas. A proximidade ajuda, mas exige cuidado: os falsos amigos e as diferenças de costumes são armadilhas. Mediar bem entre as duas culturas — com empatia, conhecimento e clareza — é uma das competências mais úteis que a aprendizagem do espanhol desenvolve num aluno português.
Exemplo resolvido

Relativizar um estereótipo mútuo

Um colega afirma: «Os espanhóis são todos barulhentos e só pensam em festa.» Como transformas esta afirmação numa leitura intercultural, em espanhol?

  1. 01Identificar o estereótipo

    A frase aplica a milhões de pessoas («todos») um traço supostamente comum — uma generalização abusiva.

  2. 02Relativizar com informação

    Reconhecer a diversidade: «España es muy diversa; hay personas y regiones muy diferentes. Generalizar sobre millones de personas no tiene sentido.»

  3. 03Substituir pelo real

    Propor conhecer pessoas e culturas concretas: «Es mejor conocer a personas reales que repetir tópicos.»

Resultado: O estereótipo («son todos…») dá lugar a uma leitura informada: «España es muy diversa; generalizar no tiene sentido.» Relativizar com informação e contacto real, em vez de repetir tópicos, é o gesto que a competência intercultural exige.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer a diversidade interna de Espanha (castelhano, catalão, basco, galego) e a proximidade galego-portuguesa.
  • Relativizar os estereótipos mútuos e mediar entre a cultura portuguesa e as culturas hispânicas com empatia.

Erros frequentes

  • Reduzir «Espanha» a uma cultura única e castelhana, ignorando a Catalunha, o País Basco e a Galiza.
  • Tomar os estereótipos mútuos (sobre portugueses ou espanhóis) por conhecimento, em vez de os relativizar.

Revisão ativa

Identifica um estereótipo comum sobre os espanhóis ou sobre os portugueses, explica em espanhol por que é uma generalização abusiva e propõe uma forma de o relativizar (informar-se, conhecer pessoas e culturas concretas).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Espanhol — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O que é a competência intercultural (Byram)○
    • 02O mundo hispanofalante: extensão e variedades do espanhol◐
    • 03Costumes, referentes culturais e festas (Espanha e Hispano-América)◐
    • 04Portugal e o mundo hispânico: relações, tópicos e mediação●

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Dos resumos à prática

Competência intercultural: países hispanofalantes e Portugal

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