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Os direitos humanos são o conjunto de direitos e liberdades inerentes a todos os seres humanos, fundados na dignidade da pessoa e afirmados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). Este tema explicita o seu conceito e as suas características — universalidade, indivisibilidade, interdependência e inalienabilidade —, caracteriza as três gerações de direitos e problematiza a sua universalidade face à diversidade cultural. Por fim, relaciona a Economia e o desenvolvimento com os direitos humanos nos planos da justiça social, da cidadania, da ecologia e da liberdade — o «desenvolvimento como liberdade» de Amartya Sen.
4 secções~19 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Explicitar o conceito e as quatro características dos direitos humanos e caracterizar as três gerações (civis e políticos; económicos, sociais e culturais; de solidariedade).
nível avançado
Problematizar, de forma equilibrada, a universalidade dos direitos face à diversidade cultural e relacionar o desenvolvimento com a justiça social, a cidadania, a ecologia e a liberdade — o «desenvolvimento como liberdade» de Amartya Sen.
Profundidade de leitura: Aprofundado
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As quatro características dos direitos humanos
O significado de cada característica
Um Estado garante o direito de voto mas nega educação gratuita a parte da população, alegando que os direitos políticos «valem mais» do que os sociais. Identifica que características dos direitos humanos estão a ser desrespeitadas e justifica.
Ao hierarquizar os direitos — tratar os políticos como superiores aos sociais —, o Estado desrespeita a indivisibilidade: os direitos formam um todo de igual valor, não se podendo sacrificar uns em nome de outros.
Negar a educação compromete o próprio direito de voto que se diz garantir: sem instrução, o exercício esclarecido do voto fica limitado. Os direitos são interdependentes — a realização de um apoia-se na dos outros.
Excluir «parte da população» nega a universalidade: os direitos pertencem a todos, sem distinção.
Um entendimento integrado dos direitos torna insustentável a justificação do Estado: os direitos não se hierarquizam nem se separam.
Resultado: Estão em causa a indivisibilidade (hierarquização indevida), a interdependência (o direito à educação sustenta o exercício do voto) e a universalidade (a exclusão de um grupo).
Erros frequentes
Revisão ativa
Explicita o conceito de direitos humanos e mostra, com um exemplo concreto, o que distingue a indivisibilidade da interdependência.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (conceito e características dos direitos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As três gerações de direitos humanos
As gerações e alguns dos seus direitos
Classifica cada direito na respetiva geração e indica que tipo de atuação do Estado exige: (a) liberdade de imprensa; (b) direito à educação; (c) direito a um ambiente sadio.
1.ª geração (direito civil e político). Exige uma atitude de abstenção do Estado: que não censure nem interfira.
2.ª geração (direito social). Exige uma atitude ativa do Estado: criar escolas, formar professores, financiar o ensino.
3.ª geração (direito de solidariedade). Exige cooperação, porque a proteção ambiental ultrapassa fronteiras e depende de ação coletiva e internacional.
As três atuações são complementares: só um entendimento integrado das gerações assegura uma vida digna.
Resultado: (a) 1.ª geração — abstenção do Estado; (b) 2.ª geração — prestação ativa; (c) 3.ª geração — solidariedade e cooperação.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distribui pelas três gerações os seguintes direitos e justifica: liberdade de expressão, direito à saúde, direito a um ambiente sadio, direito de voto, direito ao trabalho e direito ao desenvolvimento.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (gerações de direitos humanos) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Universalismo e relativismo cultural em confronto
Do confronto ao diálogo intercultural
Numa sociedade, invoca-se a tradição cultural para negar às mulheres o acesso à escola. Como analisar este caso à luz do debate universalismo/relativismo? Constrói uma resposta equilibrada.
O relativismo lembra que se deve respeitar a diversidade cultural e evitar julgar outras sociedades apenas a partir dos valores próprios (etnocentrismo).
Mas o relativismo absoluto tornaria intocável qualquer prática: negar a educação às mulheres viola um direito de 2.ª geração (educação) e o princípio da não discriminação, atingindo a dignidade das visadas.
A igualdade de acesso à educação e a não discriminação em razão do sexo integram o núcleo universal dos direitos humanos: nenhuma tradição os pode anular.
A resposta equilibrada afirma o núcleo inegociável e procura, pelo diálogo, formas culturalmente respeitosas de o concretizar — não impõe um modelo, mas também não abdica do direito.
Resultado: A tradição não legitima a negação de um direito universal; a via correta é o diálogo intercultural, que mantém o núcleo (igualdade e educação) e respeita a cultura no modo de o realizar.
Erros frequentes
Revisão ativa
«Os direitos humanos são uma imposição ocidental e cada cultura deve seguir os seus próprios valores.» Discute a afirmação, apresentando um argumento a favor e um argumento contra, e conclui de forma fundamentada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (universalidade e diversidade cultural) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O desenvolvimento e os direitos humanos
Discriminação negativa e discriminação positiva
O desenvolvimento como liberdade (Amartya Sen)
Dois países, A e B, têm o mesmo rendimento per capita. Em A, a esperança de vida é alta, quase todos são alfabetizados e há liberdade de participação; em B, a mortalidade é elevada, muitos são analfabetos e não há liberdades políticas. À luz de Amartya Sen, qual está mais desenvolvido? Justifica.
O rendimento per capita é igual, mas, para Sen, o rendimento é apenas um meio — não é o fim do desenvolvimento.
O que importa são as capacidades reais das pessoas: em A, podem viver mais, instruir-se e participar; em B, essas liberdades estão bloqueadas.
A dispõe de liberdades instrumentais (serviços sociais de saúde e educação, liberdades políticas) que alargam as capacidades; B carece delas.
A está mais desenvolvido, apesar do mesmo rendimento, porque o desenvolvimento é a expansão das liberdades reais das pessoas, e não apenas a posse de recursos.
Resultado: O país A está mais desenvolvido: com igual rendimento, garante maiores liberdades e capacidades (saúde, educação, participação). Para Sen, é isso o desenvolvimento — «desenvolvimento como liberdade».
Erros frequentes
Revisão ativa
Recorrendo à ideia de «desenvolvimento como liberdade» de Amartya Sen, explica por que razão dois países com o mesmo rendimento per capita podem ter níveis de desenvolvimento humano muito diferentes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (desenvolvimento, justiça social, cidadania, ecologia e liberdade) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)