EuraStudy
Resumos/Desenho A/Sentido: observador — plano de conteúdo ou significado
Resumos · Desenho APT · Secundário

Sentido: observador — plano de conteúdo ou significado

O significado de uma imagem não está só nela: constrói-se no observador. Este tópico estuda o plano de conteúdo (o significado), distingue denotação de conotação, analisa os fatores que fazem uma mesma imagem significar coisas diferentes (contexto, cultura, código) e propõe uma grelha para ler qualquer imagem. Encerra a disciplina, unindo tudo o que se estudou sobre ver, representar e comunicar.

4 secções·~16 min de leitura·2 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·161616 / 16
Perfil de exame
Apropriação e reflexão: compreender o papel do observador na construção do significadoInterpretação e comunicação: interpretar imagens nos seus níveis denotativo e conotativo
Operadores:interpretadistinguerelacionaanalisacomenta

nível básico

Distinguir denotação de conotação e reconhecer que o observador constrói o significado.

nível avançado

Interpretar imagens com uma grelha de análise, considerando contexto, cultura e código.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 4 secções▾
  1. Sentido: observador — plano de conteúdo ou significado
    • 01O observador e a construção do sentido○
    • 02O plano de conteúdo: denotação e conotação◐
    • 03Os fatores da leitura◐
    • 04Ler uma imagem: uma grelha de análise●
§ 01

O observador e a construção do sentido#

●○○BaseLPAE-desenho-a-sentido-significado

Pontos-chave

Chegámos ao princípio que fecha a disciplina e que ecoa o seu início: tal como a perceção não é uma cópia passiva do mundo, também o significado de uma imagem não é uma propriedade fixa que ela contenha, à espera de ser «lida». O significado constrói-se no encontro entre a imagem e quem a vê. A imagem propõe (com o seu significante); o observador dispõe (com a sua cultura, experiência e código). Uma imagem completa-se, portanto, no observador — sem ele, há um significante, mas não há ainda um sentido plenamente atualizado (ver Fig. 1).

O significado constrói-se no encontro

A construção do sentidoGrafo, Obra (significante) → Sentido (significado), Observador (cultura, código) → Sentido (significado)Obra(significante)Observador(cultura,código)Sentido(significado)propõeconstrói
Fig. 1Fig. 1 — O significado nasce do encontro entre a obra (o significante) e o observador (a sua cultura e código).
Isto não quer dizer que uma imagem signifique «o que cada um quiser» — cairíamos num relativismo absurdo. O significante impõe limites: uma imagem de uma tempestade não significará «calma» por muito que o observador o deseje. Mas, dentro dos limites que o significante propõe, há uma margem de interpretação que o observador preenche, e é por isso que a mesma obra comove diferentemente pessoas diferentes, e é lida de modo diverso em épocas e culturas diversas. O significado é uma construção condicionada, não uma leitura mecânica nem uma invenção livre.
Esta ideia tem consequências profundas para o criador de imagens. Desenhar não é apenas produzir formas: é antecipar a leitura do outro. O desenhador competente pensa em como o observador vai organizar percetivamente a sua imagem (Gestalt), em que associações culturais ela vai convocar (símbolos), em que sentidos pode gerar. Comunicar bem é dominar não só o que se põe na imagem (o significante), mas o efeito que isso terá em quem a vê (o significado). A imagem é um diálogo com o observador, não um monólogo.
O plano de conteúdo — o significado, o «o que quer dizer» — é, assim, o terreno menos objetivo e mais rico da análise, e o que exige mais cuidado. Analisa-se em dois níveis, como se anunciou: a denotação (o literal, já estudada) e a conotação (o cultural e associativo, que este tópico desenvolve). E depende de fatores — o contexto, a cultura, o código, a experiência do observador — que fazem a mesma imagem gerar sentidos diferentes. Compreender isto é a última e talvez a mais importante lição do «Sentido»: quem cria imagens cria para outros que as completarão.
Exemplo resolvido

A mesma imagem, leituras diferentes

Uma imagem mostra um campo de papoilas vermelhas. Explica como pode ser lida de modos diferentes por observadores diferentes, e por que isso não significa que «vale tudo».

  1. 01O que o significante propõe

    Um campo de flores vermelhas: a denotação é partilhada; ninguém honesto verá ali «um mar gelado».

  2. 02Leitura de um observador

    Para um botânico, pode evocar a espécie e a estação; para um poeta, a beleza efémera; a cultura de cada um orienta a leitura.

  3. 03Leitura marcada pela história

    No Reino Unido e noutros países, a papoila vermelha conota a memória dos mortos das guerras — uma conotação cultural forte que outro observador pode desconhecer.

  4. 04Os limites

    Todas estas leituras respeitam o significante (papoilas vermelhas); o que varia é a conotação. Não «vale tudo»: a imagem impõe limites, mas deixa uma margem que o observador preenche.

Resultado: O campo de papoilas denota o mesmo para todos, mas conota coisas diferentes (beleza efémera, memória de guerra...) conforme a cultura e a experiência do observador. O significado constrói-se no observador, dentro dos limites que o significante propõe — nem fixo, nem arbitrário.

Foco no Exame Nacional

  • Compreender que o significado se constrói no encontro entre a imagem e o observador.
  • Distinguir esta ideia do relativismo (o significante propõe limites) e da leitura mecânica.
  • Relacionar a construção do sentido com a responsabilidade do criador (antecipar a leitura do outro).

Erros frequentes

  • Julgar que o significado está «dentro» da imagem, independentemente do observador.
  • Cair no extremo oposto: achar que uma imagem significa o que cada um quiser (relativismo absoluto).
  • Esquecer que o criador deve antecipar a leitura do observador.

Revisão ativa

Explica, com um exemplo, por que uma mesma imagem pode comover ou ser lida de modo diferente por pessoas diferentes, sem que isso signifique que «vale tudo».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sentido (o observador) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O plano de conteúdo: denotação e conotação#

●●○PadrãoLPAE-desenho-a-sentido-significado

Pontos-chave

O plano de conteúdo (o significado) lê-se em dois níveis, que já anunciámos e que agora comparamos diretamente: a denotação e a conotação (ver Fig. 2). A denotação é o nível literal — o que a imagem representa de facto, o objeto reconhecível, o significado objetivo e partilhado. A conotação é o nível cultural e associativo — os valores, as emoções, as ideias e os sentidos segundos que a imagem convoca para além do que literalmente mostra. A denotação diz «o quê»; a conotação diz «o que isso evoca».

Denotação e conotação comparadas

Denotação e conotaçãoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Denotação · Conotação; Nível · Literal (1.º) · Cultural (2.º); O que é · O que se representa · Valores e associações evocados; Objetividade · Objetiva, partilhada · Subjetiva, variável; Depende de · Reconhecer o objeto · Contexto, cultura, observador; Exemplo (rosa vermelha) · Uma flor vermelha · Amor, paixão, belezaASPETODENOTAÇÃOCONOTAÇÃONívelLiteral (1.º)Cultural (2.º)O que éO que se representaValores e associaçõesevocadosObjetividadeObjetiva, partilhadaSubjetiva, variávelDepende deReconhecer o objetoContexto, cultura,observadorExemplo (rosa vermelha)Uma flor vermelhaAmor, paixão, beleza
Fig. 2Fig. 2 — Os dois níveis do significado: a denotação (literal, objetiva) e a conotação (cultural, associativa).
A conotação é onde a imagem se torna verdadeiramente rica e onde a arte trabalha. Uma rosa vermelha denota uma flor; mas conota, na nossa cultura, o amor, a paixão, a beleza — e, consoante o contexto, pode conotar a fragilidade (uma rosa murcha) ou o luto. A cor vermelha denota-se como vermelho, mas conota paixão, perigo, energia ou revolução. A conotação faz-se de camadas de associações que a cultura sedimentou e que o observador convoca; é subjetiva e variável, ao contrário da denotação, relativamente objetiva.
É crucial não confundir os dois níveis nem saltar demasiado depressa para a conotação. Uma análise séria estabelece primeiro a denotação (o que está representado, com segurança) e só depois avança para a conotação (o que pode significar), justificando cada associação — porque uma conotação afirmada sem base torna-se arbitrária. Dizer «esta imagem transmite tristeza» exige mostrar no significante (as cores frias, a figura curvada, o espaço vazio) e no código cultural (o que associamos a esses elementos) as razões dessa leitura. A conotação é interpretação fundamentada, não adivinhação.
Os dois níveis estão presentes em toda a comunicação visual, mas em proporções diferentes conforme a função. Um sinal de trânsito privilegia a denotação e limita a conotação (tem de ser inequívoco); uma obra de arte explora a conotação, muitas vezes ambígua e polissémica, para dizer mais e mais fundo. O desenhador escolhe: para comunicar informação, controla a conotação; para exprimir e emocionar, explora-a. No Exame 706, ao responder criativamente a um tema, o candidato trabalha ambos os níveis — representa (denotação) e carrega a imagem de sentido (conotação) —, e justifica-o na expressão escrita.
Exemplo resolvido

Ler os dois níveis

Analisa a imagem de uma corrente de ferro partida ao meio, distinguindo a denotação e duas conotações, e fundamenta-as.

  1. 01Denotação

    O nível literal: uma corrente de ferro cujos elos foram quebrados, partida em duas — o objeto que qualquer pessoa reconhece.

  2. 02Conotação 1 — liberdade

    A corrente conota, por convenção cultural, a prisão e a opressão; partida, conota a libertação e a liberdade conquistada. Fundamenta-se no código (correntes = cativeiro) e no significante (a rotura).

  3. 03Conotação 2 — rutura

    Pode também conotar o fim de um vínculo, uma rutura (de uma relação, de uma tradição), pela ideia de algo que unia e se quebrou.

  4. 04Fundamentar

    Cada conotação apoia-se no significante (a corrente partida) e num código cultural partilhado; não são leituras arbitrárias, mas interpretações justificadas.

Resultado: A denotação é «uma corrente de ferro partida»; as conotações — liberdade/libertação, rutura de um vínculo — fundamentam-se no significante e no código cultural. A imagem diz muito mais do que mostra, mas cada sentido deve ser justificado.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir denotação (nível literal, objetivo) de conotação (nível cultural, associativo).
  • Fundamentar uma conotação no significante e no código cultural (interpretação, não adivinhação).
  • Relacionar o peso relativo de denotação e conotação com a função da imagem (informar vs exprimir).

Erros frequentes

  • Confundir denotação (o que se representa) com conotação (o que se evoca).
  • Saltar para a conotação sem estabelecer a denotação, ou afirmá-la sem a fundamentar.
  • Tratar a conotação como puramente subjetiva («cada um sente o que quer»), sem a ancorar no significante e no código.

Revisão ativa

Para a imagem de uma corrente partida, indica a denotação e pelo menos duas conotações possíveis, fundamentando-as.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sentido (denotação e conotação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os fatores da leitura#

●●○PadrãoLPAE-desenho-a-sentido-significado

Pontos-chave

Se o significado se constrói no observador, então depende de fatores que variam de observador para observador e de situação para situação. Compreender estes fatores explica por que a mesma imagem — o mesmo significante — pode gerar leituras tão diferentes, uma propriedade a que se chama polissemia (a imagem tem vários sentidos possíveis). A imagem visual é, por natureza, mais polissémica do que a linguagem verbal, e é por isso que precisa, muitas vezes, de texto (legendas, títulos) para fixar o sentido pretendido (ver Fig. 3).

Os fatores que condicionam a leitura

Fatores da leituraTabela com 2 colunas e 5 linhas, Dados: Fator · Como afeta a leitura; Contexto · Onde/quando/em que suporte aparece muda o sentido; Cultura e código · Os signos aprendidos decidem o que se entende; Experiência do observador · Cada um lê à luz da sua bagagem e memória; Época histórica · Os sentidos mudam com o tempo; Enquadramento e texto · Legenda e título ancoram e orientam a leituraFATORCOMO AFETA A LEITURAContextoOnde/quando/em que suporteaparece muda o sentidoCultura e códigoOs signos aprendidos decidemo que se entendeExperiência do observadorCada um lê à luz da suabagagem e memóriaÉpoca históricaOs sentidos mudam com otempoEnquadramento e textoLegenda e título ancoram eorientam a leitura
Fig. 3Fig. 3 — Os fatores que fazem uma mesma imagem significar coisas diferentes (a polissemia da imagem).
O primeiro fator é o contexto — onde, quando e em que suporte a imagem aparece. A mesma fotografia significa coisas diferentes numa notícia, num anúncio, numa galeria ou num álbum de família; o contexto orienta a leitura. O segundo é a cultura e o código: os símbolos têm de ser aprendidos, e quem não partilha o código não decifra o signo (uma cor de luto é branca nalgumas culturas e negra noutras). O que numa cultura conota uma coisa, noutra conota o oposto ou nada.
O terceiro fator é a experiência e a bagagem do observador — o seu conhecimento, as suas memórias, os seus valores. Uma imagem de um instrumento musical diz mais a um músico; uma paisagem familiar convoca memórias pessoais. Cada um lê à luz do que é e sabe. O quarto é a época histórica: os sentidos das imagens mudam com o tempo, e uma obra pode significar hoje algo diferente do que significou para os contemporâneos. E o quinto é o enquadramento e o texto que acompanham a imagem (a legenda, o título, a moldura), que ancoram e orientam a leitura, reduzindo a polissemia.
Reconhecer estes fatores torna o observador mais lúcido e o criador mais responsável. O observador percebe que a sua leitura não é «a» leitura, mas uma leitura situada, e aprende a considerar outras. O criador percebe que não controla totalmente o sentido da sua obra — que ela será lida em contextos e por pessoas que não domina — e aprende a usar os fatores a seu favor (escolher o contexto, acrescentar um título, mobilizar códigos partilhados) para orientar a leitura. Esta consciência crítica sobre como as imagens significam é uma das competências mais valiosas que a disciplina desenvolve, num mundo saturado de imagens.
Exemplo resolvido

O contexto e a legenda mudam o sentido

Uma fotografia mostra uma multidão a correr numa rua. Explica como o contexto e a legenda podem alterar completamente a sua leitura.

  1. 01A imagem sozinha

    Sem contexto, a multidão a correr é ambígua (polissémica): pode ser alegria, pânico, pressa, um evento desportivo.

  2. 02Legenda A

    Com a legenda «Festejos após a vitória», lê-se como alegria e celebração; o texto fixa o sentido positivo.

  3. 03Legenda B

    Com a legenda «Fuga durante o alarme», a mesma imagem lê-se como pânico e perigo; o texto fixa o sentido oposto.

  4. 04O papel do contexto

    O mesmo significante, colocado num jornal de desporto ou numa notícia de catástrofe, ativa códigos e expectativas diferentes, orientando a leitura.

Resultado: A mesma fotografia de uma multidão a correr pode significar celebração ou pânico consoante a legenda e o contexto em que aparece. O texto e o contexto reduzem a polissemia da imagem, fixando um dos seus sentidos possíveis — prova do poder dos fatores da leitura.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os fatores da leitura: contexto, cultura/código, experiência do observador, época, enquadramento/texto.
  • Explicar a polissemia da imagem e o papel do texto na fixação do sentido.
  • Relacionar os fatores com a lucidez do observador e a responsabilidade do criador.

Erros frequentes

  • Julgar que a própria leitura é «a» leitura correta e universal de uma imagem.
  • Ignorar o contexto e o código cultural na interpretação de uma imagem.
  • Esquecer que o texto (legenda, título) orienta fortemente a leitura de uma imagem polissémica.

Revisão ativa

Explica como o contexto e uma legenda podem mudar completamente a leitura de uma mesma fotografia, dando um exemplo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sentido (fatores da leitura) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Ler uma imagem: uma grelha de análise#

●●●AprofundamentoLPAE-desenho-a-sentido-significado

Os cinco passos da grelha

Passos da grelhaTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Passo · O que fazer · Pergunta-chave; 1. Significante · Descrever elementos e composição · O que se vê?; 2. Denotação · Identificar o que se representa · O que é?; 3. Análise · Ver como funcionam signos e composição · Como está feito?; 4. Conotação · Explorar valores e associações · O que evoca?; 5. Interpretação · Reunir numa leitura fundamentada · O que significa?PASSOO QUE FAZERPERGUNTA-CHAVE1. SignificanteDescrever elementos ecomposiçãoO que se vê?2. DenotaçãoIdentificar o que serepresentaO que é?3. AnáliseVer como funcionam signos ecomposiçãoComo está feito?4. ConotaçãoExplorar valores eassociaçõesO que evoca?5. InterpretaçãoReunir numa leiturafundamentadaO que significa?
Fig. 5Fig. 5 — Os cinco passos da grelha de leitura da imagem e a pergunta que cada um responde.

Pontos-chave

Tudo o que a área do «Sentido» ensinou pode organizar-se numa grelha de análise da imagem — um método, uma ordem de passos, para ler qualquer imagem com rigor e profundidade, evitando tanto a descrição superficial como a interpretação gratuita (ver Fig. 4). A grelha percorre a imagem do mais objetivo ao mais interpretativo, do significante ao significado, garantindo que cada afirmação sobre o sentido se apoia no que efetivamente se vê. É uma ferramenta preciosa para o exame, para a escola e para a vida numa cultura visual.

A grelha de leitura da imagem

Grelha de leitura da imagemGrafo, 1. Significante (o que se vê) → 2. Denotação (o que se representa), 2. Denotação (o que se representa) → 3. Análise (como está feito), 3. Análise (como está feito) → 4. Conotação (o que evoca), 4. Conotação (o que evoca) → 5. Interpretação (o que significa)1. Significante(o que se vê)2. Denotação (oque serepresenta)3. Análise (comoestá feito)4. Conotação (oque evoca)5. Interpretação(o quesignifica)
Fig. 4Fig. 4 — A grelha de leitura, do significante à interpretação; a mesma que serve para justificar a própria obra.
O método tem cinco passos encadeados. Primeiro, a descrição do significante (plano de expressão): que elementos plásticos (linha, cor, forma, textura, luz) e que organização (composição) tem a imagem — descrever, com vocabulário rigoroso, o que se vê. Segundo, a denotação: o que a imagem representa literalmente — o tema, o motivo, os objetos reconhecíveis. Terceiro, a análise: como funcionam os elementos e os signos — que tipos de signo (ícone, índice, símbolo), que relações de composição, que recursos expressivos foram usados e com que efeito.
Quarto, a conotação: que valores, emoções e ideias a imagem evoca para além do literal — fundamentando cada associação no significante e no código cultural. Quinto, a interpretação ou síntese: reunir tudo numa leitura global e fundamentada do sentido da imagem, considerando o contexto, a função e os possíveis destinatários. A grelha vai, assim, do «o que se vê» (significante) ao «o que se representa» (denotação), passando pelo «como está feito» (análise) e pelo «o que evoca» (conotação), até ao «o que significa» (interpretação).
Esta grelha é a síntese de toda a disciplina: mobiliza a perceção (como vemos), a sintaxe (os elementos e a composição), os procedimentos (as técnicas usadas) e o sentido (a semiótica). E liga-se diretamente ao Exame 706 de dois modos. Por um lado, treina o «saber-ver» crítico, útil sempre que uma prova apresente uma imagem-estímulo a analisar. Por outro, e sobretudo, é o modelo da autorreflexão que a expressão escrita da prova exige: justificar o próprio processo de conceção — descrever o que se fez (significante), o que se representou (denotação), como e porquê (análise), e que sentido se procurou (conotação) — é aplicar esta mesma grelha à própria obra. Ler imagens e justificar as próprias são, afinal, a mesma competência. Com ela se encerra o percurso de Desenho A: de aprender a ver a aprender a dar e a ler sentido.
Exemplo resolvido

Aplicar a grelha a um cartaz

Aplica a grelha de leitura a um cartaz que mostra uma árvore meio verde e meio seca sobre um fundo dividido, com o título «O futuro está nas tuas mãos».

  1. 011. Significante

    Uma árvore ao centro, simétrica no eixo mas assimétrica na cor: metade com folhagem verde e viva, metade seca e acastanhada; fundo dividido (claro/escuro); título em baixo. Composição centrada e contrastada.

  2. 022. Denotação

    Representa literalmente uma árvore metade viva e metade morta, com uma frase; é o que qualquer observador reconhece.

  3. 033. Análise

    A árvore é um ícone (parece-se com uma árvore) e funciona como símbolo (a natureza, a vida); o contraste claro-escuro e verde/seco (contraste de cor e de qualidade) opõe visualmente dois destinos; a simetria com rutura cromática cria tensão.

  4. 044. Conotação e 5. interpretação

    Conota a natureza ameaçada e a escolha entre preservação e destruição; com o título («o futuro nas tuas mãos»), interpreta-se como um apelo ecológico à responsabilidade de cada um. O contexto (uma campanha ambiental) fixa este sentido.

Resultado: Do significante (árvore simétrica, meio verde meio seca, fundo dividido) à interpretação (um apelo ecológico à responsabilidade), a grelha conduz uma leitura fundamentada, em que cada sentido se apoia no que se vê e no código cultural. É o mesmo método com que o candidato do 706 pode justificar, por escrito, as opções da sua própria resposta gráfica.

Foco no Exame Nacional

  • Aplicar uma grelha de leitura da imagem: significante, denotação, análise, conotação, interpretação.
  • Percorrer a análise do mais objetivo (o que se vê) ao mais interpretativo (o que significa), fundamentando cada passo.
  • Usar a mesma grelha para justificar por escrito o próprio processo de conceção (perfil do Exame 706).

Erros frequentes

  • Saltar passos da grelha (interpretar sem descrever, ou descrever sem interpretar).
  • Afirmar conotações sem as fundamentar no significante e no código.
  • Não perceber que a mesma grelha serve para ler imagens alheias e para justificar as próprias.

Revisão ativa

Escolhe uma imagem e analisa-a aplicando os cinco passos da grelha, do significante à interpretação, fundamentando cada passo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sentido (grelha de leitura) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O observador e a construção do sentido○
    • 02O plano de conteúdo: denotação e conotação◐
    • 03Os fatores da leitura◐
    • 04Ler uma imagem: uma grelha de análise●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Sentido: observador — plano de conteúdo ou significado

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~16
min
2
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sentido (o observador)

Tópico anterior

Sentido: imagem — plano de expressão ou significante

EuraStudy·Resumos T·16·MMXXVI

Último tópico desta disciplina: volta à vista geral da disciplina.