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Como pode uma imagem fixa exprimir movimento e tempo? Este tópico distingue movimento real de movimento sugerido, apresenta os recursos gráficos que sugerem movimento numa imagem imóvel, estuda o ritmo (repetição, alternância, progressão, gradação) e aborda a representação do tempo e da narrativa visual. Completa o estudo da sintaxe da linguagem plástica.
4 secções~14 min de leitura2 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Distinguir movimento real de sugerido e reconhecer o ritmo numa composição.
nível avançado
Aplicar recursos gráficos de movimento e organizar sequências temporais e narrativas.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Movimento real e movimento sugerido
Tens de compor duas imagens: uma pessoa a dormir e um atleta a correr. Que tipo de organização compositiva escolherias para cada uma e porquê?
Pede uma organização estática: dominam as linhas horizontais (o corpo deitado), a simetria e o equilíbrio estável, que transmitem repouso.
Pede uma organização dinâmica: dominam as diagonais (o corpo inclinado, os membros esticados), a assimetria e uma pose instável, que transmitem movimento.
A figura desenha-se em desequilíbrio, «a cair para a frente», e as linhas de força acompanham a direção da corrida.
A mesma técnica — desenhar uma figura — resolve-se de modo oposto conforme se quer repouso (estabilidade) ou ação (instabilidade).
Resultado: A pessoa a dormir pede horizontais, simetria e estabilidade (repouso); o atleta pede diagonais, assimetria e desequilíbrio (movimento). A organização compositiva é o primeiro meio de sugerir — ou negar — o movimento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a diferença entre movimento real e movimento sugerido, dando um exemplo de cada, e indica que tipo de organização compositiva transmite dinamismo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sintaxe (movimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Recursos gráficos para sugerir movimento
Compara os recursos gráficos que usarias para desenhar (a) um carro de corrida a alta velocidade e (b) o gesto lento de uma bailarina.
Os contornos traseiros esbatem-se e prolongam-se num rasto na direção do movimento, como capta uma fotografia de um objeto rápido.
A composição usa diagonais fortes e linhas cinéticas atrás do carro, que reforçam a sensação de rasgo veloz.
O gesto lento sugere-se com curvas fluidas e contínuas que acompanham o corpo, sem desfoque brusco.
Uma pose ligeiramente instável, com um membro esticado no ar, sugere o movimento em curso sem o violentar.
Resultado: A velocidade do carro sugere-se com desfoque, rasto, diagonais e linhas cinéticas; a lentidão da bailarina, com curvas suaves e um desequilíbrio subtil. O recurso escolhe-se conforme o tipo e a energia do movimento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Indica que recursos gráficos usarias para sugerir (a) um carro em alta velocidade e (b) uma bailarina num gesto lento, justificando.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sintaxe (recursos de movimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tipos de ritmo
Ritmo de progressão
Vais desenhar uma fila de postes ao longo de uma estrada. Como a organizarias com ritmo de repetição e com ritmo de progressão, e que efeito teria cada um?
Desenham-se os postes todos do mesmo tamanho e a intervalos iguais: transmite ordem e regularidade, uma fila calma e estática.
Desenham-se os postes progressivamente mais pequenos e mais juntos à medida que se afastam: os elementos «decrescem» em passos sucessivos.
A progressão cria direção e profundidade — a fila «foge» para o horizonte, ganhando dinamismo e espaço (coincidindo com a perspetiva).
A repetição serve uma imagem ordenada e serena; a progressão serve uma imagem dinâmica e com profundidade.
Resultado: A repetição (postes iguais, intervalos iguais) dá ordem estática; a progressão (postes que decrescem e se juntam) dá direção, profundidade e movimento. O tipo de ritmo escolhe-se conforme se quer ordem ou dinamismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a diferença entre um ritmo de repetição e um ritmo de progressão, dando um exemplo visual de cada e o efeito que produzem.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sintaxe (ritmo) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Graus de representação do tempo
Numa banda desenhada, uma vinheta mostra uma pessoa a atirar uma bola e a seguinte mostra a bola já numa janela partida. Explica como a BD representa o tempo e o papel do leitor.
Cada vinheta capta um instante distinto: o lançamento e a consequência; não se mostra o percurso da bola.
Entre as vinhetas há uma elipse — um salto no tempo — em que a ação intermédia (a bola a voar e a partir o vidro) foi omitida.
É o leitor que «preenche» mentalmente o intervalo, inferindo o que aconteceu entre os dois instantes — a chamada sarjeta (o espaço entre vinhetas) é onde a narrativa se completa na sua imaginação.
A ordem das vinhetas e a direção de leitura organizam o tempo; recursos como as linhas cinéticas na primeira vinheta reforçam a ação.
Resultado: A banda desenhada representa o tempo justapondo instantes separados por elipses temporais; é o leitor que preenche o intervalo entre vinhetas, completando a narrativa. O tempo, na BD, constrói-se tanto no que se mostra como no que se omite.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica como a banda desenhada representa a passagem do tempo entre duas vinhetas e que papel tem o leitor nessa representação.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Sintaxe (tempo e narrativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)