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Resumos · Biologia e GeologiaPT · Secundário

A Geologia, os geólogos e os seus métodos

Apresenta-se a Terra como um sistema aberto de subsistemas em interação e a Geologia como ciência histórica que reconstitui o passado do planeta. Estudam-se os métodos do geólogo (diretos e indiretos), os princípios do raciocínio geológico — o atualismo e o mobilismo — e a ideia de que as rochas são arquivos que registam a história da Terra, articulados no ciclo das rochas e na escala do tempo geológico.

5 secções·~17 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 4

T·0111 / 16
Perfil de exame
Caracterizar a Terra como sistema e as interações entre os seus subsistemasDistinguir métodos diretos e indiretos de estudo em GeologiaAplicar o princípio do atualismo na interpretação da história da TerraDescrever o ciclo das rochas e a noção de tempo geológico
Operadores:caracterizadistingueexplicadescreverelacionainterpreta

nível básico

Reconhecer a Terra como sistema, os métodos da Geologia e os tipos de rochas.

nível avançado

Aplicar o atualismo e o mobilismo à interpretação de dados e distinguir os métodos indiretos usados para estudar o interior.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A Geologia, os geólogos e os seus métodos
    • 01A Terra como sistema○
    • 02A Geologia e os seus métodos◐
    • 03Princípios e raciocínio geológico◐
    • 04As rochas e o ciclo das rochas◐
    • 05O tempo geológico◐
§ 01

A Terra como sistema#

●○○BaseLPAE-biologia-e-geologia-10-geologia-metodos

Pontos-chave

A Terra comporta-se como um «sistema»: um conjunto de partes que interagem e trocam matéria e energia entre si e com o exterior. Distinguem-se quatro subsistemas fundamentais — a «geosfera» (a parte rochosa, do centro à superfície), a «atmosfera» (o invólucro gasoso), a «hidrosfera» (toda a água, líquida e gelada) e a «biosfera» (o conjunto dos seres vivos e dos ambientes que ocupam). Nenhum funciona isolado: é da sua interação permanente que resulta a dinâmica do planeta (ver Fig. 1).

Os subsistemas terrestres em interação

Subsistemas terrestresGrafo, Geosfera → Atmosfera, Atmosfera → Hidrosfera, Hidrosfera → Biosfera, Biosfera → Geosfera, Geosfera → Hidrosfera, Atmosfera → BiosferaGeosferaAtmosferaHidrosferaBiosfera
Fig. 1Fig. 1 — A Terra como sistema: os quatro subsistemas trocam matéria e energia entre si.
Quanto às trocas com o exterior, a Terra é um sistema «aberto» para a energia e praticamente «fechado» para a matéria. Recebe continuamente energia do Sol e liberta energia para o espaço, mas a quantidade de matéria que entra (meteoritos, poeira cósmica) ou sai (gases que escapam) é desprezável face à massa do planeta. As duas grandes fontes de energia que movem os subsistemas são a energia solar (que alimenta o clima, o ciclo da água e a fotossíntese, à superfície) e a energia interna da Terra (que alimenta o vulcanismo, os sismos e a tectónica de placas).
As interações entre subsistemas são de mão dupla e estão na origem dos grandes «ciclos» da natureza. A água da hidrosfera evapora para a atmosfera, precipita, altera e transporta as rochas da geosfera e é usada pela biosfera; os seres vivos retiram gases da atmosfera e devolvem-nos alterados (a fotossíntese produziu o oxigénio que hoje respiramos); a geosfera fornece nutrientes e suporte, e a sua alteração liberta iões para as águas. Um exemplo integrador é o ciclo do carbono, que percorre os quatro subsistemas.
A abordagem sistémica é essencial em Geologia porque explica por que razão uma alteração num subsistema se propaga aos restantes. Uma erupção vulcânica (geosfera) lança gases e cinzas na atmosfera, que arrefecem o clima e afetam a biosfera; o aquecimento do clima (atmosfera) faz recuar os glaciares (hidrosfera) e modifica a erosão (geosfera). Pensar a Terra como sistema é, por isso, a base para compreender fenómenos globais, como as alterações climáticas.
Esta visão distingue-se da que existia antes do século XVIII, quando se estudavam os fenómenos isoladamente. Hoje entende-se que a superfície do planeta é uma «interface» onde os subsistemas se tocam e reagem uns sobre os outros — e é justamente aí, na fronteira entre a geosfera, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, que atuam a maioria dos processos geológicos externos.
Exemplo resolvido

Interações entre subsistemas

Explica de que modo a fotossíntese constitui uma interação entre a biosfera, a atmosfera e a hidrosfera.

  1. 01Identificar os intervenientes

    A fotossíntese é realizada por seres vivos (biosfera) que utilizam dióxido de carbono do ar (atmosfera) e água (hidrosfera).

  2. 02Descrever as trocas

    Os organismos retiram CO₂ da atmosfera e água da hidrosfera e, com energia solar, produzem matéria orgânica, libertando oxigénio para a atmosfera.

  3. 03Reconhecer o efeito global

    Ao longo de milhões de anos, este processo alterou a composição da atmosfera primitiva, enriquecendo-a em oxigénio — prova de que os subsistemas se modificam mutuamente.

Resultado: A fotossíntese liga biosfera, atmosfera e hidrosfera, mostrando que os subsistemas trocam matéria e energia e se modificam uns aos outros.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os quatro subsistemas terrestres e caracterizar a Terra como sistema aberto (energia) e fechado (matéria).
  • Dar exemplos concretos de interações entre subsistemas a partir de um documento.

Erros frequentes

  • Confundir «sistema aberto» e «sistema fechado»: a Terra é aberta à energia mas praticamente fechada à matéria.
  • Tratar os subsistemas como compartimentos isolados, esquecendo que a maioria dos fenómenos resulta da sua interação.

Revisão ativa

A partir do exemplo de uma erupção vulcânica, descreve duas interações entre subsistemas terrestres, indicando o subsistema de origem e o afetado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A Geologia e os seus métodos#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-10-geologia-metodos

Pontos-chave

A «Geologia» é a ciência que estuda a Terra: a sua constituição, a sua estrutura, os materiais que a compõem, os processos que a modelam e a sua história ao longo do tempo. É uma «ciência histórica», porque grande parte do seu objeto — a formação de uma cadeia montanhosa, a evolução de uma bacia, a extinção de um grupo de seres — ocorreu no passado e não pode ser repetida em laboratório. O geólogo reconstitui esses acontecimentos a partir dos vestígios que ficaram registados nas rochas.
Os métodos do geólogo classificam-se em «diretos» e «indiretos». Os métodos diretos permitem observar e recolher materiais diretamente: o trabalho de campo (observação de afloramentos), as sondagens e a extração de tarolos (amostras cilíndricas do subsolo), a exploração de minas, o estudo de materiais expelidos pelos vulcões e dos xenólitos (fragmentos de rochas profundas arrastados pelo magma). Têm a vantagem da observação real, mas alcançam apenas alguns quilómetros de profundidade — uma fração ínfima do raio da Terra (~6371 km).
Os métodos indiretos inferem propriedades do interior sem lhe aceder fisicamente, através dos efeitos que produz à superfície. Os principais são a «sismologia» (o estudo das ondas sísmicas, que se propagam de forma diferente conforme os materiais que atravessam), a «gravimetria» e a densidade média da Terra, o estudo do «campo magnético», o «fluxo térmico» (calor que sai do interior) e a analogia com os «meteoritos» e outros planetas (planetologia comparada). São os métodos indiretos que nos dão a informação sobre as camadas profundas, inacessíveis (ver Fig. 2).

Métodos diretos e indiretos em Geologia

Diretos vs indiretosTabela com 3 colunas e 2 linhas, Dados: Método · Exemplos · Alcance / informação; Diretos · Trabalho de campo, sondagens e tarolos, minas, materiais vulcânicos, xenólitos · Observação e recolha reais; só até alguns km de profundidade; Indiretos · Sismologia, gravimetria/densidade, campo magnético, fluxo térmico, meteoritos · Inferem propriedades do interior profundo, inacessívelMÉTODOEXEMPLOSALCANCE / INFORMAÇÃODiretosTrabalho de campo, sondagense tarolos, minas, materiaisvulcânicos, xenólitosObservação e recolha reais;só até alguns km deprofundidadeIndiretosSismologia, gravimetria/densidade, campo magnético,fluxo térmico, meteoritosInferem propriedades dointerior profundo,inacessívelMétodos de estudo da Terra
Fig. 2Fig. 2 — Métodos diretos e indiretos de estudo da Terra.
A distinção entre diretos e indiretos é uma das mais avaliadas no Exame, tipicamente a partir de um documento que descreve uma técnica. A regra prática: se há observação ou recolha do próprio material, o método é direto; se se deduz uma propriedade a partir de outra grandeza medida à superfície, é indireto. As sondagens são diretas (traz-se a rocha à superfície); a sismologia é indireta (mede-se o tempo de chegada das ondas e infere-se o meio).
O trabalho científico em Geologia segue o método próprio das ciências: observação de factos, formulação de hipóteses, previsão de consequências, teste (com novas observações ou experiências) e construção de «modelos» — representações simplificadas da realidade que explicam as observações e permitem prever. Um bom modelo geológico é coerente com todos os dados disponíveis e é revisto sempre que surgem dados novos, como aconteceu com o modelo da estrutura interna da Terra.
Exemplo resolvido

Classificar métodos de estudo

Um geólogo estuda uma região através de duas técnicas: perfura o solo e recolhe amostras de rocha a 500 m de profundidade; e regista as ondas sísmicas de um sismo distante para estimar a espessura da crosta. Classifica cada técnica.

  1. 01Analisar a primeira técnica

    Há recolha e observação da própria rocha — trata-se de um método direto (sondagem).

  2. 02Analisar a segunda técnica

    Não se acede à crosta; deduz-se a sua espessura a partir do tempo de percurso das ondas — método indireto (sismologia).

  3. 03Justificar a distinção

    O critério é a observação/recolha do material (direto) versus a inferência a partir de outra grandeza (indireto).

Resultado: A sondagem é um método direto; a análise das ondas sísmicas é um método indireto.

Foco no Exame Nacional

  • Classificar uma técnica descrita num documento como método direto ou indireto, justificando.
  • Reconhecer a Geologia como ciência histórica e o papel dos modelos.

Erros frequentes

  • Considerar a sismologia um método direto: ela é indireta, pois deduz o interior a partir das ondas medidas à superfície.
  • Confundir «facto» e «hipótese» ou apresentar um modelo como uma verdade definitiva, quando é sempre revisível.

Revisão ativa

Classifica como direto ou indireto cada um dos seguintes métodos e justifica: (a) análise de um tarolo de sondagem; (b) estudo da velocidade das ondas sísmicas; (c) medição do fluxo térmico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Princípios e raciocínio geológico#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-10-geologia-metodos

Pontos-chave

Para reconstituir o passado, a Geologia apoia-se no princípio do «atualismo», enunciado por James Hutton e desenvolvido por Charles Lyell: «o presente é a chave do passado». Significa que os processos que hoje observamos (erosão, sedimentação, vulcanismo) atuaram do mesmo modo ao longo da história da Terra, obedecendo às mesmas leis naturais. Observando um rio a depositar areia hoje, o geólogo interpreta um antigo arenito como resultado de um processo idêntico (ver Fig. 3).

Do fixismo/catastrofismo ao atualismo e mobilismo

Pensamento geológicoLinha do tempo de 1780 a 1920, 1788: Hutton — atualismo, 1812: Cuvier — catastrofismo, 1830: Lyell — uniformitarismo, 1912: Wegener — deriva continental17801920ano1788Hutton —atualismo1812Cuvier —catastrofismo1830Lyell —uniformitarismo1912Wegener — derivacontinental
Fig. 3Fig. 3 — Marcos do pensamento geológico: do catastrofismo ao atualismo e ao mobilismo.
Ligado ao atualismo está o «uniformitarismo» ou gradualismo: as grandes transformações da Terra resultam sobretudo da ação lenta e contínua de processos comuns, acumulada durante períodos de tempo imensos. Uma cadeia montanhosa não surge de repente; ergue-se ao longo de milhões de anos. Esta ideia impôs a noção de um tempo geológico profundo, muito superior à escala humana, e afastou a ideia de uma Terra com apenas alguns milhares de anos.
O atualismo e o uniformitarismo opuseram-se ao «catastrofismo» de Georges Cuvier, segundo o qual a história da Terra teria sido marcada por catástrofes súbitas e globais, separadas por períodos de calma. Hoje sabe-se que ambas as visões contêm parte da verdade: a maior parte da mudança é gradual (uniformitarismo), mas ocorreram também acontecimentos catastróficos raros e de grande impacto — como a extinção do final do Cretácico, associada ao impacto de um asteroide. A ciência integrou as duas ideias num «atualismo» mais amplo.
Um terceiro grande princípio é o «mobilismo», por oposição ao «fixismo». O fixismo defendia que os continentes e os oceanos sempre estiveram nas posições atuais; o mobilismo, a partir de Alfred Wegener e da teoria da tectónica de placas, mostrou que a superfície da Terra é móvel e que os continentes se deslocam. O mobilismo é hoje o quadro que explica a distribuição dos sismos, dos vulcões e das cadeias montanhosas — assunto desenvolvido no estudo da geosfera.
Estes princípios não são «verdades» impostas: são pressupostos metodológicos que se revelaram fecundos porque permitem interpretar o registo geológico de forma coerente. O raciocínio do geólogo é, por isso, essencialmente comparativo e histórico — parte do que hoje se observa para inferir o que aconteceu, sempre pronto a rever as conclusões quando novos dados o exigem.
Exemplo resolvido

Aplicar o atualismo

Num afloramento observam-se marcas de ondulação (ripple marks) idênticas às que se formam hoje no fundo de rios e praias. Que se pode concluir sobre o ambiente antigo e com que princípio?

  1. 01Comparar com o presente

    As marcas de ondulação formam-se atualmente pela ação de correntes de água em fundos arenosos pouco profundos.

  2. 02Aplicar o atualismo

    Como os processos atuais atuaram de igual modo no passado, marcas idênticas indicam um ambiente semelhante.

  3. 03Concluir

    A rocha formou-se num ambiente aquático de baixa profundidade, com correntes — conclusão apoiada no princípio do atualismo.

Resultado: O ambiente antigo era aquático e pouco profundo, com correntes, deduzido pelo princípio do atualismo («o presente é a chave do passado»).

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar e aplicar o princípio do atualismo («o presente é a chave do passado») a um caso concreto.
  • Distinguir uniformitarismo/gradualismo e catastrofismo, e mobilismo e fixismo.

Erros frequentes

  • Formular o atualismo ao contrário: é o presente que é a chave do passado, e não o inverso.
  • Considerar que o atualismo nega qualquer catástrofe — a visão atual integra processos graduais e acontecimentos catastróficos raros.

Revisão ativa

Uma camada de sal-gema é interpretada como resultado da evaporação de uma antiga lagoa. Explica como este raciocínio aplica o princípio do atualismo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

As rochas e o ciclo das rochas#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-10-geologia-metodos

Pontos-chave

As rochas são «arquivos» que registam a história da Terra: a sua composição, textura, estruturas e fósseis guardam informação sobre as condições em que se formaram. Ler uma rocha é, para o geólogo, ler uma página do passado do planeta. Consoante o processo que lhes deu origem, as rochas classificam-se em três grandes grupos — magmáticas, sedimentares e metamórficas — que constituem os três «capítulos» do ciclo das rochas (ver Fig. 4).

O ciclo das rochas

Ciclo das rochasGrafo, Magma → Rocha magmática, Rocha magmática → Sedimento, Sedimento → Rocha sedimentar, Rocha sedimentar → Rocha metamórfica, Rocha metamórfica → MagmaMagmaRocha magmáticaSedimentoRocha sedimentarRochametamórficaarrefecimentometeorização +erosãodiagénesemetamorfismofusão
Fig. 4Fig. 4 — O ciclo das rochas: os três grupos de rochas interconvertem-se pelos processos geológicos.
As rochas «magmáticas» (ou ígneas) formam-se por arrefecimento e solidificação de magma (rocha fundida). Se o magma consolida em profundidade, lentamente, originam-se rochas intrusivas de cristais grandes, como o granito; se atinge a superfície e arrefece depressa, originam-se rochas extrusivas de cristais pequenos, como o basalto. As magmáticas são, em regra, o ponto de partida do ciclo, pois derivam diretamente de material do interior da Terra.
As rochas «sedimentares» resultam da meteorização (alteração) e erosão de rochas preexistentes, seguidas do transporte, deposição e consolidação (diagénese) dos sedimentos. Formam-se à superfície, em camadas (estratos), e são as únicas que frequentemente contêm fósseis — daí a sua importância na reconstituição da vida do passado. Exemplos: o arenito, o argilito, o calcário. As rochas «metamórficas» formam-se quando uma rocha preexistente é submetida a elevadas temperatura e/ou pressão, transformando-se no estado sólido (sem fundir); é o caso do mármore (a partir do calcário) e do gnaisse.
O «ciclo das rochas» é o modelo que liga estes três grupos: qualquer rocha pode transformar-se em qualquer outra através dos processos geológicos. Uma magmática pode ser meteorizada e dar sedimentos que originam uma sedimentar; esta, enterrada, pode sofrer metamorfismo e tornar-se metamórfica; e uma metamórfica, se fundir, dá magma, fechando o ciclo. Não há uma ordem única obrigatória — há «atalhos» (por exemplo, uma metamórfica pode ser diretamente meteorizada). O motor do ciclo é a energia interna da Terra (que funde, deforma e soergue) e a energia solar (que alimenta a meteorização e a erosão à superfície).
O ciclo das rochas é a expressão geológica da conservação e reciclagem dos materiais: a matéria da crosta é continuamente reaproveitada, sem se criar nem destruir. Compreendê-lo permite prever que processos podem ter atuado sobre uma dada rocha e articula os três grupos que serão estudados em detalhe no 11.º ano (sedimentares, magmáticas e metamórficas).
Exemplo resolvido

Um percurso no ciclo das rochas

Explica como um granito (rocha magmática) pode originar um arenito (rocha sedimentar) e, mais tarde, um quartzito (rocha metamórfica).

  1. 01Do granito ao sedimento

    À superfície, o granito sofre meteorização e erosão; os grãos de quartzo libertados são transportados e depositados como areia.

  2. 02Do sedimento à rocha sedimentar

    A areia, enterrada, é compactada e cimentada (diagénese), consolidando num arenito.

  3. 03Do arenito ao quartzito

    Se o arenito for submetido a elevada pressão e temperatura, recristaliza no estado sólido, originando um quartzito (rocha metamórfica).

Resultado: Granito → (meteorização/erosão/transporte/deposição) areia → (diagénese) arenito → (metamorfismo) quartzito — um percurso do ciclo das rochas.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o processo de formação de cada tipo de rocha e um exemplo.
  • Interpretar o ciclo das rochas, indicando transformações possíveis entre os três grupos.

Erros frequentes

  • Pensar que o ciclo das rochas tem uma ordem fixa e obrigatória — existem vários percursos e atalhos.
  • Associar fósseis a rochas magmáticas ou metamórficas: os fósseis surgem sobretudo em rochas sedimentares.

Revisão ativa

Descreve uma sequência de processos que transforme uma rocha magmática (granito) numa rocha metamórfica, indicando os agentes envolvidos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

O tempo geológico#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-10-geologia-metodos

Pontos-chave

A história da Terra desenrola-se numa escala de tempo — o «tempo geológico» — que ultrapassa em muito a experiência humana. A idade da Terra é estimada em cerca de «4600 milhões de anos» (4,6 Ga). Para tornar este intervalo compreensível, é útil comprimi-lo: se toda a história da Terra coubesse num único ano, a vida surgiria em março, os animais complexos só apareceriam em novembro e toda a história da humanidade caberia nos últimos minutos de 31 de dezembro.
Ao longo desse tempo imenso ocorreram acontecimentos marcantes: a formação da Terra (~4600 Ma), o aparecimento das primeiras formas de vida (~3800 Ma), a acumulação de oxigénio na atmosfera pela fotossíntese (~2400 Ma), a rápida diversificação dos animais na «explosão câmbrica» (~541 Ma) e a extinção dos dinossauros não avianos (~66 Ma), no limite entre o Mesozoico e o Cenozoico (ver Fig. 5). Estes marcos mostram que a vida e a Terra evoluíram em conjunto.

Grandes acontecimentos da história da Terra

História da TerraLinha do tempo de 0 a 4600, 0: Formação (4600 Ma), 800: 1.ª vida (~3800 Ma), 2200: O₂ na atmosfera (~2400 Ma), 4059: Explosão câmbrica (541 Ma), 4534: Extinção dos dinossauros (66 Ma)04600Ma desde a formação da Terra0Formação (4600Ma)8001.ª vida (~3800Ma)2200O₂ na atmosfera(~2400 Ma)4059Explosãocâmbrica (541 M…4534Extinção dosdinossauros (66…
Fig. 5Fig. 5 — Marcos da história da Terra (o eixo mede o tempo decorrido desde a formação, em milhões de anos).
O tempo geológico organiza-se numa «escala do tempo geológico», hierarquizada em unidades cada vez mais finas — éones, eras, períodos e épocas. Os limites entre unidades correspondem, muitas vezes, a grandes alterações no registo, como extinções em massa. Esta escala será estudada em detalhe, tal como os métodos que permitem datar os acontecimentos (datação relativa e absoluta), no tema «A medida do tempo e a idade da Terra».
Duas ideias-chave devem ficar claras desde já. Primeira: a maior parte da história da Terra (quase 90 %) decorreu antes do aparecimento de animais com esqueleto — o chamado Pré-Câmbrico. Segunda: reconhecer a profundidade do tempo geológico é indispensável para compreender processos lentos, como a formação de montanhas ou a evolução das espécies, que seriam impossíveis à escala de uma vida humana mas se tornam plausíveis ao longo de milhões de anos.
A noção de tempo profundo foi uma das grandes revoluções do pensamento científico, iniciada por Hutton no século XVIII, e é o pano de fundo de toda a Geologia e da Biologia evolutiva. Sem ela, nem o ciclo das rochas nem a evolução dos seres vivos fariam sentido.
Exemplo resolvido

Que fração do tempo teve vida?

A Terra formou-se há 4600 Ma e a vida surgiu há 3800 Ma. Durante que percentagem da história da Terra já existiu vida?

  1. 01Calcular a duração com vida

    Se a vida surgiu há 3800 Ma, existe vida há 3800 Ma.

  2. 02Dividir pela idade total

    3800 / 4600 = 0,826…

  3. 03Converter em percentagem

    0,826 × 100 ≈ 82,6 %.

Resultado: Existiu vida durante cerca de 83 % da história da Terra — embora, durante grande parte desse tempo, apenas vida microbiana.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer a idade da Terra (~4600 Ma) e situar cronologicamente acontecimentos marcantes.
  • Compreender a profundidade do tempo geológico e a sua relevância para os processos lentos.

Erros frequentes

  • Confundir milhões (Ma) com milhares de anos, subestimando grosseiramente a idade da Terra.
  • Pensar que a vida complexa (animais) existe desde o início: durante quase toda a história só houve vida microbiana.

Revisão ativa

Sabendo que a Terra tem ~4600 Ma e que a vida surgiu há ~3800 Ma, calcula durante que percentagem da história da Terra já existiu vida.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01A Terra como sistema○
    • 02A Geologia e os seus métodos◐
    • 03Princípios e raciocínio geológico◐
    • 04As rochas e o ciclo das rochas◐
    • 05O tempo geológico◐

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Dos resumos à prática

A Geologia, os geólogos e os seus métodos

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano

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