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Resumos/Biologia e Geologia/Estrutura e dinâmica da geosfera
Resumos · Biologia e GeologiaPT · Secundário

Estrutura e dinâmica da geosfera

Estudam-se os métodos, sobretudo indiretos, que revelam o interior da Terra: a sismologia e as descontinuidades sísmicas. Distinguem-se os dois modelos da estrutura interna — o geoquímico (crosta, manto e núcleo, definido pela composição) e o geofísico (litosfera, astenosfera, mesosfera e endosfera, definido pelo comportamento mecânico) — e explica-se a dinâmica interna: as correntes de convecção e a tectónica de placas, com os seus limites e provas.

4 secções·~13 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 1 · Aprofundamento 3

T·0222 / 16
Perfil de exame
Distinguir métodos diretos e indiretos de estudo do interior da TerraInterpretar dados sísmicos e localizar as descontinuidadesComparar o modelo geoquímico e o modelo geofísico da estrutura internaRelacionar as correntes de convecção com a tectónica de placas e os seus limites
Operadores:distingueinterpretacomparaexplicarelacionalocaliza

nível básico

Reconhecer as camadas da Terra e os tipos de limites de placas.

nível avançado

Interpretar perfis sísmicos, distinguir rigorosamente os dois modelos e justificar a tectónica de placas com provas.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Estrutura e dinâmica da geosfera
    • 01Métodos de estudo do interior◐
    • 02Sismologia e descontinuidades●
    • 03Modelo geoquímico e modelo geofísico●
    • 04Tectónica de placas e dinâmica interna●
§ 01

Métodos de estudo do interior#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-10-geosfera

Pontos-chave

O interior da Terra é quase todo inacessível: a sondagem mais profunda alguma vez feita (Kola, Rússia) atingiu apenas ~12 km, uma fração ínfima dos 6371 km do raio terrestre. Por isso, o conhecimento da estrutura profunda assenta sobretudo em «métodos indiretos», que inferem propriedades do interior a partir de grandezas medidas à superfície (ver Fig. 1).

Métodos indiretos de estudo do interior

Estudo do interiorTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Método indireto · Grandeza medida · Informação sobre o interior; Sismologia · Velocidade e trajetória das ondas sísmicas · Camadas e descontinuidades; estado sólido/líquido; Gravimetria / densidade · Densidade média (~5,5 g/cm³) · Interior mais denso que a superfície: núcleo metálico; Campo magnético · Magnetismo terrestre · Núcleo externo líquido e condutor em movimento; Fluxo térmico · Calor libertado · Existência de energia interna (calor); Meteoritos / planetologia · Composição de meteoritos metálicos · Provável composição do núcleo (ferro-níquel)MÉTODO INDIRETOGRANDEZA MEDIDAINFORMAÇÃO SOBRE OINTERIORSismologiaVelocidade e trajetória dasondas sísmicasCamadas e descontinuidades;estado sólido/líquidoGravimetria / densidadeDensidade média (~5,5 g/cm³)Interior mais denso que asuperfície: núcleo metálicoCampo magnéticoMagnetismo terrestreNúcleo externo líquido econdutor em movimentoFluxo térmicoCalor libertadoExistência de energiainterna (calor)Meteoritos / planetologiaComposição de meteoritosmetálicosProvável composição donúcleo (ferro-níquel)Métodos indiretos
Fig. 1Fig. 1 — Principais métodos indiretos e o que revelam sobre o interior.
A «sismologia» é o método indireto mais poderoso. As ondas sísmicas geradas por um sismo propagam-se pelo interior e a sua velocidade e trajetória dependem dos materiais atravessados; registando-as em estações à superfície, deduz-se a estrutura interna. É graças à sismologia que se conhecem as camadas profundas e as suas fronteiras (as descontinuidades).
Outros métodos indiretos complementam a sismologia. A «densidade média» da Terra (~5,5 g/cm³) é muito superior à das rochas da superfície (~2,7 g/cm³), o que obriga a existir um interior muito mais denso (núcleo metálico). O «campo magnético» terrestre indica um núcleo externo líquido e condutor em movimento. O «fluxo térmico» (calor que sai do interior) revela uma fonte de energia interna. E a analogia com os «meteoritos» metálicos e com outros planetas (planetologia comparada) sugere a composição do núcleo.
Existem também «métodos diretos» aplicados ao interior, embora de alcance muito limitado: a observação de afloramentos e de rochas trazidas por sondagens e minas, o estudo de materiais expelidos por vulcões (lavas, que trazem informação do manto) e dos «xenólitos» — fragmentos de rochas profundas arrancados e transportados pelo magma até à superfície. Permitem observar materiais reais, mas apenas das camadas mais superficiais.
A combinação de todos estes métodos, cruzando dados independentes, é que dá solidez ao modelo do interior da Terra — um bom exemplo de como a ciência constrói conhecimento sobre o inacessível a partir de evidências indiretas convergentes.
Exemplo resolvido

Argumentar a partir da densidade

As rochas da crosta têm densidade média ~2,7 g/cm³, mas a densidade média de toda a Terra é ~5,5 g/cm³. Que conclusão se retira e com que tipo de método?

  1. 01Comparar valores

    A densidade média do planeta é cerca do dobro da das rochas superficiais.

  2. 02Interpretar

    Se a superfície é menos densa que a média, tem de existir, em profundidade, material bastante mais denso que compense.

  3. 03Concluir

    Existe um interior muito denso (o núcleo, metálico). É uma inferência a partir de uma grandeza medida — um método indireto (gravimétrico).

Resultado: A elevada densidade média implica um núcleo denso e metálico; a conclusão é obtida por um método indireto.

Foco no Exame Nacional

  • Justificar por que o estudo do interior profundo depende de métodos indiretos.
  • Relacionar cada método indireto (sismologia, densidade, magnetismo, fluxo térmico, meteoritos) com a informação que fornece.

Erros frequentes

  • Considerar que as sondagens permitem estudar o núcleo — atingem apenas alguns km da crosta.
  • Classificar a sismologia como método direto: é indireto, pois deduz o interior a partir das ondas.

Revisão ativa

Explica como a densidade média da Terra (~5,5 g/cm³), superior à das rochas superficiais, constitui um argumento a favor de um núcleo denso.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Sismologia e descontinuidades#

●●●AprofundamentoLPAE-biologia-e-geologia-10-geosfera

Pontos-chave

Um sismo liberta energia sob a forma de «ondas sísmicas», que se propagam a partir do foco. As ondas de volume, que atravessam o interior, são de dois tipos. As ondas «P» (primárias) são longitudinais (as partículas vibram na direção de propagação, por compressão e distensão); são as mais rápidas e propagam-se em meios sólidos e líquidos. As ondas «S» (secundárias) são transversais (as partículas vibram perpendicularmente à propagação); são mais lentas e propagam-se apenas em meios sólidos (ver Fig. 2).

Ondas sísmicas P e S

Ondas sísmicasTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Característica · Ondas P (primárias) · Ondas S (secundárias); Tipo de vibração · Longitudinais (compressão/distensão) · Transversais (perpendicular à propagação); Velocidade · Maior (chegam primeiro) · Menor (chegam depois); Meios de propagação · Sólidos e líquidos · Apenas sólidos; Consequência · Atravessam todo o interior (com refração) · Não atravessam o núcleo externo (líquido)CARACTERÍSTICAONDAS P (PRIMÁRIAS)ONDAS S (SECUNDÁRIAS)Tipo de vibraçãoLongitudinais (compressão/distensão)Transversais (perpendicularà propagação)VelocidadeMaior (chegam primeiro)Menor (chegam depois)Meios de propagaçãoSólidos e líquidosApenas sólidosConsequênciaAtravessam todo o interior(com refração)Não atravessam o núcleoexterno (líquido)Ondas P vs ondas S
Fig. 2Fig. 2 — Ondas sísmicas de volume: P e S.
A velocidade das ondas depende do meio: aumenta com a rigidez e a densidade e diminui quando o material está fundido. Por isso, quando uma onda passa de um meio para outro de propriedades diferentes, a sua velocidade muda bruscamente — e a onda sofre refração e reflexão. As superfícies onde a velocidade varia de forma abrupta são as «descontinuidades sísmicas», que marcam as fronteiras entre as camadas da Terra.
Há três descontinuidades fundamentais. A descontinuidade de «Mohorovičić» (Moho) separa a crosta do manto (a poucos km sob os oceanos, até ~30–70 km sob os continentes). A descontinuidade de «Gutenberg», a cerca de 2900 km de profundidade, separa o manto do núcleo. A descontinuidade de «Lehmann», a cerca de 5150 km, separa o núcleo externo do núcleo interno.
Uma prova decisiva do estado dos materiais é a «zona de sombra» das ondas S. As ondas S, geradas por um sismo, não chegam à região do globo diametralmente oposta ao foco. Como as ondas S não se propagam em líquidos, a sua ausência aí demonstra que atravessam uma camada líquida: o «núcleo externo». As ondas P, embora atravessem o núcleo, sofrem forte refração ao entrar nele, criando também uma zona de sombra própria — outra evidência do contraste manto/núcleo.
A sismologia é, assim, uma verdadeira «ecografia» da Terra: a partir dos tempos de chegada e das trajetórias das ondas, reconstitui-se toda a estrutura interna. É frequente, no Exame, a interpretação de perfis de velocidade das ondas em função da profundidade, onde os saltos de velocidade assinalam precisamente as descontinuidades.
Exemplo resolvido

Interpretar a ausência de ondas S

Numa estação sismográfica situada a mais de 103° do foco de um sismo, registam-se ondas P (muito atrasadas) mas nenhuma onda S. Que se conclui?

  1. 01Relacionar com o percurso

    Para chegar a essa estação, as ondas teriam de atravessar o núcleo.

  2. 02Aplicar a propriedade das ondas S

    As ondas S não se propagam em líquidos; a sua ausência indica que o percurso incluiu material líquido.

  3. 03Concluir

    O núcleo externo é líquido (não deixa passar as S). As P chegam atrasadas porque abrandam e são refratadas ao atravessar o núcleo.

Resultado: A ausência de ondas S demonstra que o núcleo externo é líquido; o atraso das P confirma o contraste de propriedades na descontinuidade de Gutenberg.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir ondas P e S (tipo, velocidade e meios em que se propagam).
  • Localizar e nomear as descontinuidades de Mohorovičić, Gutenberg e Lehmann; interpretar a zona de sombra.

Erros frequentes

  • Trocar as ondas P e S: as P são longitudinais, mais rápidas e passam em líquidos; as S são transversais e não passam em líquidos.
  • Confundir as descontinuidades: Moho (crosta/manto), Gutenberg (manto/núcleo), Lehmann (núcleo externo/interno).

Revisão ativa

Explica por que a zona de sombra das ondas S é uma prova de que o núcleo externo é líquido.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Modelo geoquímico e modelo geofísico#

●●●AprofundamentoLPAE-biologia-e-geologia-10-geosfera

Pontos-chave

A estrutura interna da Terra pode ser descrita por «dois modelos» complementares, construídos com critérios diferentes — e não os confundir é um dos pontos mais avaliados do tema. O «modelo geoquímico» divide o interior segundo a «composição química» dos materiais; o «modelo geofísico» divide-o segundo o «comportamento mecânico» (o modo como os materiais reagem às forças). As fronteiras dos dois modelos não coincidem (ver Fig. 3 e Fig. 4).

Estrutura interna — modelo geoquímico

Camadas por composiçãocírculos concêntricos, 5 anéis, Dados: Centro, Núcleo interno (sólido), Núcleo externo (líquido), Manto inferior, Manto superior, CrostaCrostaManto superiorManto inferiorNúcleo externo (líquido)Núcleo interno (sólido)CentroModelo geoquímico
Fig. 3Fig. 3 — Modelo geoquímico: crosta, manto (superior e inferior) e núcleo (externo e interno).

Modelo geoquímico vs modelo geofísico

Dois modelosTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Modelo geoquímico · Modelo geofísico; Critério · Composição química · Comportamento mecânico; Camadas · Crosta · Manto · Núcleo · Litosfera · Astenosfera · Mesosfera · Endosfera; Camada rígida superficial · Crosta (só a crosta) · Litosfera (crosta + topo rígido do manto); Fronteiras · Moho e Gutenberg (composição) · Litosfera/astenosfera (rigidez), etc.MODELO GEOQUÍMICOMODELO GEOFÍSICOCRITÉRIOComposição químicaComportamento mecânicoCAMADASCrosta · Manto · NúcleoLitosfera · Astenosfera ·Mesosfera · EndosferaCAMADA RÍGIDASUPERFICIALCrosta (só a crosta)Litosfera (crosta + toporígido do manto)FRONTEIRASMoho e Gutenberg(composição)Litosfera/astenosfera(rigidez), etc.Geoquímico vs geofísico
Fig. 4Fig. 4 — Os dois modelos da estrutura interna: critérios e camadas.
No «modelo geoquímico», distinguem-se, do exterior para o interior: a «crosta» (a camada mais superficial, subdividida em crosta continental, mais espessa e menos densa, e crosta oceânica, mais fina e densa); o «manto» (silicatos ricos em ferro e magnésio, a camada de maior volume, dividido em manto superior e inferior); e o «núcleo» (essencialmente ferro e níquel, muito denso, com um núcleo externo líquido e um núcleo interno sólido). As fronteiras são as descontinuidades de Moho e de Gutenberg.
No «modelo geofísico», distinguem-se: a «litosfera» (camada rígida e quebradiça que inclui a crosta e a parte superior, rígida, do manto — é a que está dividida em placas); a «astenosfera» (manto superior, dúctil e parcialmente fundido, sobre o qual as placas deslizam); a «mesosfera» (manto inferior, sólido e rígido pela elevada pressão); e a «endosfera» ou núcleo (externo líquido e interno sólido). O critério é o comportamento face às forças, não a composição.
A diferença essencial está na «litosfera»: no modelo geofísico ela junta duas camadas que, no modelo geoquímico, são distintas — toda a crosta mais a parte rígida do topo do manto. Ou seja, a fronteira litosfera/astenosfera não é uma fronteira de composição (ambas são manto abaixo da Moho), mas de comportamento mecânico (rígido vs dúctil). Esta é exatamente a ideia que se costuma pedir para explicar.
Os dois modelos não competem: descrevem a mesma Terra sob dois pontos de vista. O geoquímico responde à pergunta «de que é feito?»; o geofísico responde a «como se comporta?». É o modelo geofísico, ao definir a litosfera rígida sobre a astenosfera dúctil, que fornece a base física para a tectónica de placas.
Exemplo resolvido

Por que litosfera não é crosta

Justifica a afirmação: «A litosfera não corresponde à crosta.»

  1. 01Definir litosfera

    A litosfera é a camada rígida e quebradiça da parte externa da Terra, definida por critério mecânico.

  2. 02Identificar o que inclui

    Inclui toda a crosta e ainda a parte superior do manto que se comporta de forma rígida (acima da astenosfera dúctil).

  3. 03Concluir

    Como a litosfera integra crosta + topo do manto, é mais espessa e abrangente do que a crosta, pertencendo a um modelo (geofísico) de critério distinto do da crosta (geoquímico).

Resultado: A litosfera abrange a crosta e a parte rígida do manto superior; crosta e litosfera pertencem a modelos com critérios diferentes e não são equivalentes.

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar as camadas de cada modelo e o critério que o define (composição vs comportamento mecânico).
  • Explicar por que a litosfera (geofísico) não corresponde à crosta (geoquímico).

Erros frequentes

  • Igualar litosfera a crosta: a litosfera inclui a crosta e a parte rígida do topo do manto.
  • Misturar as camadas dos dois modelos (por exemplo, falar de «manto» e «astenosfera» como se pertencessem ao mesmo modelo).

Revisão ativa

Constrói um quadro que faça corresponder, por profundidade, as camadas do modelo geoquímico e as do modelo geofísico, assinalando onde as fronteiras não coincidem.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Tectónica de placas e dinâmica interna#

●●●AprofundamentoLPAE-biologia-e-geologia-10-geosfera

Pontos-chave

A litosfera está fragmentada em «placas tectónicas» que se deslocam sobre a astenosfera dúctil. O motor deste movimento é a «convecção» no manto: o calor interno provoca correntes em que material quente e menos denso ascende e material frio e mais denso desce, arrastando as placas — a que se somam a «força de arrasto» da placa que mergulha (slab pull) e o «empurrão da dorsal» (ridge push). A tectónica de placas é a teoria unificadora da Geologia moderna.
As fronteiras entre placas classificam-se em três tipos, conforme o movimento relativo (ver Fig. 5). Nos «limites divergentes» (ou construtivos), as placas afastam-se; o magma ascende e forma nova litosfera oceânica — é o que acontece nas dorsais oceânicas (expansão dos fundos oceânicos, riftes). Nos «limites convergentes» (ou destrutivos), as placas aproximam-se; uma pode mergulhar sob a outra (subducção), gerando fossas oceânicas, vulcanismo e sismos, ou colidir e formar cadeias montanhosas (por exemplo, os Himalaias).

Tipos de limites de placas

Tectónica de placasTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Limite · Movimento · Fenómenos / exemplos; Divergente (construtivo) · As placas afastam-se · Formação de litosfera; dorsais e riftes (Dorsal Média-Atlântica); Convergente (destrutivo) · As placas aproximam-se · Subducção, fossas, vulcanismo, montanhas (Andes, Himalaias); Transformante (conservativo) · As placas deslizam lateralmente · Não cria nem destrói litosfera; sismos (falha de Santo André)LIMITEMOVIMENTOFENÓMENOS / EXEMPLOSDivergente (construtivo)As placas afastam-seFormação de litosfera;dorsais e riftes (DorsalMédia-Atlântica)Convergente (destrutivo)As placas aproximam-seSubducção, fossas,vulcanismo, montanhas(Andes, Himalaias)Transformante (conservativo)As placas deslizamlateralmenteNão cria nem destróilitosfera; sismos (falha deSanto André)Limites de placas
Fig. 5Fig. 5 — Os três tipos de limites entre placas tectónicas.
Nos «limites transformantes» (ou conservativos), as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra, sem criar nem destruir litosfera; geram sismos frequentes, como na falha de Santo André (Califórnia). A distribuição mundial dos sismos e dos vulcões desenha, precisamente, as fronteiras das placas — uma prova visível da teoria.
A teoria teve origem na «deriva continental» de Alfred Wegener (1912), que reuniu provas de que os continentes já estiveram unidos (o supercontinente Pangeia) e depois se separaram. As suas provas foram: a «morfológica» (o encaixe das costas, como África e América do Sul); a «paleontológica» (fósseis do mesmo ser em continentes hoje separados, p. ex. o réptil Mesosaurus); a «litológica/geológica» (continuidade de formações rochosas e de cadeias entre continentes); e a «paleoclimática» (vestígios de glaciares em regiões hoje tropicais).
A Wegener faltava um mecanismo credível, pelo que a sua ideia foi inicialmente rejeitada. A prova decisiva chegou nos anos 1960 com o «paleomagnetismo» e a descoberta da expansão dos fundos oceânicos: as bandas magnéticas simétricas em relação às dorsais e a idade crescente dos fundos oceânicos à medida que nos afastamos da dorsal demonstraram que o fundo do mar se forma nas dorsais e se afasta — confirmando o mobilismo e originando a moderna tectónica de placas.
Exemplo resolvido

A idade dos fundos oceânicos

Os fundos oceânicos são muito mais jovens junto às dorsais e progressivamente mais antigos à medida que nos afastamos delas, de forma simétrica dos dois lados. Como se interpreta este facto?

  1. 01Localizar a formação

    Junto à dorsal a litosfera oceânica é recém-formada (idade quase nula), pois é aí que o magma ascende.

  2. 02Interpretar o afastamento

    À medida que nova litosfera se forma na dorsal, a mais antiga é empurrada para os lados — daí ser tanto mais velha quanto mais longe da dorsal.

  3. 03Concluir

    O padrão simétrico de idades confirma a expansão dos fundos oceânicos a partir das dorsais, um limite divergente.

Resultado: A idade crescente e simétrica dos fundos oceânicos com o afastamento da dorsal prova a expansão dos fundos oceânicos e apoia a tectónica de placas.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar os três tipos de limites de placas (movimento, fenómenos associados, exemplos).
  • Enunciar as provas da deriva continental e da expansão dos fundos oceânicos.

Erros frequentes

  • Confundir limite divergente (cria litosfera) com convergente (destrói/consome litosfera).
  • Atribuir a Wegener a tectónica de placas completa: ele propôs a deriva continental, mas faltava-lhe o mecanismo (só depois explicado).

Revisão ativa

A partir de um mapa da distribuição mundial de sismos e vulcões, explica como esses dados apoiam a teoria da tectónica de placas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Métodos de estudo do interior◐
    • 02Sismologia e descontinuidades●
    • 03Modelo geoquímico e modelo geofísico●
    • 04Tectónica de placas e dinâmica interna●

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Dos resumos à prática

Estrutura e dinâmica da geosfera

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 10.º ano

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