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Desigualdades e identidades sociais

Estuda as desigualdades sociais e as identidades: a distinção entre desigualdade, diferença e discriminação, a estratificação social e as classes (Marx e Weber), a mobilidade social e a ação coletiva, o género (sexo e género, socialização e desigualdade de género), e a pobreza, a exclusão social, as migrações e o Estado Social. Matéria de avaliação interna — Sociologia não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~16 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0999 / 10
Perfil de exame
Distinguir desigualdade, diferença e discriminação e caracterizar a estratificação e a mobilidade social (Marx e Weber)Distinguir sexo de género e relacionar a socialização de género com a desigualdade e a discriminação de géneroDistinguir pobreza de exclusão social, relacionar globalização e migrações e problematizar o Estado Social
Operadores:distinguecaracterizaproblematizarelacionacontextualizaanalisa

nível básico

Distinguir desigualdade, diferença e discriminação, e sexo de género, e conhecer a mobilidade social.

nível avançado

Caracterizar a estratificação e as classes (Marx, Weber), problematizar a desigualdade de género e distinguir pobreza de exclusão social, com o Estado Social.

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Desigualdades e identidades sociais
    • 01Desigualdade, diferença e discriminação; a estratificação e as classes◐
    • 02A mobilidade social e a ação coletiva◐
    • 03Género: sexo, género e desigualdade de género●
    • 04Pobreza, exclusão social e migrações; o Estado Social●
§ 01

Desigualdade, diferença e discriminação; a estratificação e as classes#

●●○PadrãoLPAE-sociologia-desigualdades-e-identidades

Pontos-chave

É essencial começar por distinguir três conceitos que o senso comum confunde, comparados na Fig. 2. A diferença é uma simples distinção entre pessoas ou grupos, sem juízo de valor nem hierarquia (falar línguas diferentes, ter gostos distintos): a diversidade humana é um facto, e a diferença, em si, não é um problema. A desigualdade é o acesso desigual a recursos, poder e oportunidades valorizados (rendimento, riqueza, saúde, educação): implica uma hierarquia de posições. A discriminação é o tratamento desigual e injusto de alguém com base numa característica (origem, sexo, etnia): é a diferença transformada indevidamente em desvantagem. A tarefa da Sociologia é justamente não naturalizar as desigualdades — mostrar que são sociais, e não «naturais».

Diferença, desigualdade e discriminação

Diferença, desigualdade, discriminaçãoTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Conceito · Definição · Exemplo; Diferença · Distinção entre pessoas ou grupos, sem hierarquia · Falar línguas diferentes; gostos distintos; Desigualdade · Acesso desigual a recursos, poder e oportunidades · Diferenças de rendimento, riqueza, saúde; Discriminação · Tratamento desigual e injusto por uma característica · Recusar um emprego pela origem, sexo ou etnia, célula destacada: Tratamento desigual e injusto por uma característicaCONCEITODEFINIÇÃOEXEMPLODIFERENÇADistinção entre pessoas ougrupos, sem hierarquiaFalar línguas diferentes;gostos distintosDESIGUALDADEAcesso desigual a recursos,poder e oportunidadesDiferenças de rendimento,riqueza, saúdeDISCRIMINAÇÃOTratamento desigual einjusto por umacaracterísticaRecusar um emprego pelaorigem, sexo ou etnia
Fig. 2Fig. 2 — Três conceitos que o senso comum confunde.
As desigualdades organizam-se de forma estruturada: é o que se chama estratificação social — a divisão da sociedade em camadas ou estratos hierarquizados, com acesso desigual aos recursos, como ilustra a pirâmide da Fig. 1. Ao longo da história houve diferentes sistemas de estratificação: a escravatura (uns são propriedade de outros), as castas (estratos fechados, atribuídos pelo nascimento, como no sistema indiano tradicional), os estados ou ordens (como na sociedade medieval: clero, nobreza, povo) e as classes sociais, o sistema típico das sociedades industriais modernas — mais abertas, em que a posição depende sobretudo de fatores económicos e, em princípio, permite mobilidade.

A estratificação social

Estratificação socialpirâmide, 4 níveis, Dados: Classes trabalhadoras e populares, Classes médias, Classes médias-altas e quadros, Elite económica e dominanteClasses trabalhadoras e popularesClasses médiasClasses médias-altas e quadrosElite económica e dominante
Fig. 1Fig. 1 — A sociedade estratificada: acesso desigual e estruturado aos recursos.
As classes sociais foram teorizadas de dois modos clássicos e complementares, comparados na Fig. 3. Para Karl Marx, a classe define-se pela relação com os meios de produção: há os que os possuem (a burguesia) e os que só têm a sua força de trabalho para vender (o proletariado); desta oposição de interesses nasce a luta de classes, que Marx via como o motor da história. Para Max Weber, a estratificação é multidimensional: além da classe (a posição no mercado, as oportunidades económicas), conta o estatuto (o prestígio social, a honra) e o partido (o poder). Uma pessoa pode ter muita riqueza e pouco prestígio, ou muito prestígio e pouco poder — as dimensões não coincidem necessariamente.

As classes segundo Marx e segundo Weber

Marx vs WeberTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Marx · Weber; Base da classe · A relação com os meios de produção · A posição no mercado, mais estatuto e partido; Grupos · Burguesia (possui) e proletariado (não possui) · Múltiplas classes; economia, prestígio e poder; Dinâmica · A luta de classes, motor da história · Estratificação multidimensional; Estratificação · Sobretudo económica (bipolar) · Económica, social (estatuto) e política (poder)ASPETOMARXWEBERBASE DA CLASSEA relação com os meios deproduçãoA posição no mercado, maisestatuto e partidoGRUPOSBurguesia (possui) eproletariado (não possui)Múltiplas classes; economia,prestígio e poderDINÂMICAA luta de classes, motor dahistóriaEstratificaçãomultidimensionalESTRATIFICAÇÃOSobretudo económica(bipolar)Económica, social (estatuto)e política (poder)
Fig. 3Fig. 3 — Duas teorias clássicas das classes e da estratificação.
As duas abordagens continuam férteis. Marx chama a atenção para o fundamento económico das desigualdades e para o conflito; Weber, para a complexidade e a multidimensionalidade da posição social. A Sociologia contemporânea combina-as e acrescenta que a estrutura de classes se transformou (crescimento das classes médias, novas formas de desigualdade). Sublinha-se ainda que as desigualdades se cruzam e acumulam: as de classe combinam-se com as de género, de origem étnica, de idade e de território, produzindo situações de vantagem ou de desvantagem múltipla. Compreender a estratificação é, assim, compreender como as sociedades distribuem, de forma estruturada e desigual, os recursos e as oportunidades.
Exemplo resolvido

Analisar uma posição social com Marx e Weber

Um professor tem um rendimento médio, um estatuto social relativamente elevado e pouco poder político; um empresário rico tem grande poder económico mas pouco prestígio cultural. Analisa os dois casos com Marx e com Weber.

  1. 01A leitura de Marx

    Marx centrar-se-ia na relação com os meios de produção: o empresário possui-os (burguesia); o professor vende a sua força de trabalho (assalariado). A posição económica é o essencial.

  2. 02A leitura de Weber

    Weber distinguiria dimensões: o professor tem estatuto elevado mas rendimento médio e pouco poder; o empresário tem muita classe económica e poder, mas menos prestígio cultural.

  3. 03Comparar

    Marx capta o fundamento económico e o conflito; Weber mostra que classe, estatuto e poder não coincidem — o professor e o empresário ocupam posições diferentes em cada dimensão.

Resultado: Os dois casos mostram a utilidade das duas teorias: Marx revela a base económica das posições; Weber, a sua multidimensionalidade (classe, estatuto, poder). A estratificação real capta-se melhor combinando ambas do que com uma só dimensão.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir desigualdade, diferença e discriminação.
  • Caracterizar a estratificação social e as classes (Marx e Weber).

Erros frequentes

  • Confundir diferença (distinção sem hierarquia), desigualdade (acesso desigual a recursos) e discriminação (tratamento injusto).
  • Reduzir a estratificação de Weber à de Marx, esquecendo as dimensões do estatuto e do poder para além da economia.

Revisão ativa

Distingue, com um exemplo de cada, diferença, desigualdade e discriminação, e mostra como uma diferença pode ser transformada em discriminação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A mobilidade social e a ação coletiva#

●●○PadrãoLPAE-sociologia-desigualdades-e-identidades

Pontos-chave

A mobilidade social é o movimento dos indivíduos ou dos grupos entre as posições de uma estrutura social estratificada. A sua existência e amplitude dizem muito sobre uma sociedade: uma sociedade com muita mobilidade é mais aberta (a posição depende do mérito e do esforço); uma com pouca mobilidade é mais fechada (a posição herda-se). A mobilidade classifica-se segundo vários critérios, resumidos na Fig. 4. Quanto à direção, distingue-se a mobilidade vertical (mudança de nível na hierarquia, ascendente — subir — ou descendente — descer) da mobilidade horizontal (mudança de posição no mesmo nível, por exemplo mudar de emprego sem mudar de estrato).

As formas de mobilidade social

Formas de mobilidadeTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Critério · Formas · Exemplo; Direção · Vertical (ascendente/descendente) ou horizontal · Subir de estrato; mudar de emprego no mesmo nível; Referência temporal · Intrageracional ou intergeracional · Ao longo da vida; entre pais e filhos; Alcance · Individual ou estrutural · Um caso isolado; mudança de toda uma sociedadeCRITÉRIOFORMASEXEMPLODIREÇÃOVertical (ascendente/descendente) ou horizontalSubir de estrato; mudar deemprego no mesmo nívelREFERÊNCIATEMPORALIntrageracional ouintergeracionalAo longo da vida; entre paise filhosALCANCEIndividual ou estruturalUm caso isolado; mudança detoda uma sociedade
Fig. 4Fig. 4 — As formas de mobilidade social.
Quanto à referência temporal, distingue-se a mobilidade intrageracional (as mudanças de posição de um indivíduo ao longo da sua vida) da mobilidade intergeracional (a comparação da posição dos filhos com a dos pais) — esta última é a mais reveladora, porque mostra se a origem social «determina» ou não o destino. Quanto ao alcance, distingue-se a mobilidade individual (um caso isolado, uma pessoa que ascende) da mobilidade estrutural (movimentos amplos causados por transformações da própria sociedade, como quando a industrialização ou a expansão dos serviços criam muitos lugares novos e fazem subir camadas inteiras).
A investigação mostra que, apesar da ideologia meritocrática, a mobilidade é limitada: a origem social continua a pesar fortemente no destino (como se viu com a escola e a reprodução). Há mobilidade — muitas pessoas ascendem, sobretudo por via da educação —, mas a igualdade de oportunidades está longe de ser plena. Estudar a mobilidade é, por isso, uma forma de avaliar criticamente a promessa meritocrática das sociedades modernas, confrontando o discurso do «cada um chega onde merece» com os dados sobre o real peso da origem social.
Perante as desigualdades, os grupos não são passivos: recorrem à ação coletiva e aos movimentos sociais para as contestar e transformar. Um movimento social é uma ação coletiva organizada e duradoura que visa promover ou resistir a uma mudança social (os movimentos operário, feminista, ecologista, dos direitos civis, LGBT). Estes movimentos foram grandes agentes de mudança e de conquista de direitos, e ligam-se à problemática da justiça social — a questão de saber o que é uma distribuição justa dos recursos, das oportunidades e do reconhecimento. A ação coletiva mostra que as desigualdades não são um destino: podem ser problematizadas e combatidas pela mobilização cidadã.
Exemplo resolvido

Classificar a mobilidade social

A Maria, filha de pais com a 4.ª classe e empregos pouco qualificados, licenciou-se e é hoje engenheira. Classifica esta mobilidade segundo os três critérios e discute o papel da educação.

  1. 01Direção

    É mobilidade vertical ascendente: a Maria subiu na hierarquia social relativamente à posição de partida.

  2. 02Referência temporal e alcance

    É intergeracional (compara-se com os pais) e, se for um caso individual, individual; se muitos filhos de operários ascendem por via da expansão do ensino, há também mobilidade estrutural.

  3. 03O papel da educação

    A educação foi a via da ascensão — mas o caso da Maria não anula o facto de, em média, a origem social continuar a pesar: a mobilidade existe, mas é limitada.

Resultado: O percurso da Maria é mobilidade vertical ascendente e intergeracional, viabilizada pela educação. Ilustra que a mobilidade é possível, sobretudo pela escola, mas não deve fazer esquecer o peso persistente da origem social no conjunto da sociedade.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar as diferentes formas de mobilidade social e problematizá-la em diferentes sociedades.
  • Contextualizar a ação coletiva e os movimentos sociais e relacioná-los com a justiça social.

Erros frequentes

  • Confundir mobilidade intrageracional (ao longo da vida) com intergeracional (entre pais e filhos), ou vertical com horizontal.
  • Aceitar a promessa meritocrática sem a confrontar com os dados sobre o peso real da origem social.

Revisão ativa

Classifica a seguinte situação segundo as formas de mobilidade: filho de operários que se torna médico. Justifica e distingue-a de um caso de mobilidade horizontal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Género: sexo, género e desigualdade de género#

●●●AprofundamentoLPAE-sociologia-desigualdades-e-identidades

Pontos-chave

Uma das distinções mais importantes da Sociologia contemporânea é a que separa sexo de género, comparada na Fig. 5. O sexo refere-se às características biológicas que distinguem, à nascença, machos e fêmeas da espécie humana. O género refere-se ao conjunto de papéis, comportamentos, expectativas e atributos que cada sociedade considera próprios de «homens» e de «mulheres» — e que são construídos social e culturalmente, não determinados pela biologia. Enquanto o sexo é praticamente universal, o género varia entre culturas e épocas: o que se considera «masculino» ou «feminino» muda no tempo e no espaço, o que prova a sua natureza social.

Sexo e género

Sexo vs géneroTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Sexo · Género; Natureza · Biológica (características físicas) · Social e cultural (construído); Como se adquire · Nasce-se com ele · Aprende-se pela socialização de género; Variação · Praticamente universal · Varia entre culturas e épocas; Implicação · Diferença biológica · Papéis, expectativas e desigualdades sociais, célula destacada: Social e cultural (construído)ASPETOSEXOGÉNERONATUREZABiológica (característicasfísicas)Social e cultural(construído)COMO SE ADQUIRENasce-se com eleAprende-se pela socializaçãode géneroVARIAÇÃOPraticamente universalVaria entre culturas eépocasIMPLICAÇÃODiferença biológicaPapéis, expectativas edesigualdades sociais
Fig. 5Fig. 5 — Sexo (biológico) e género (construção social).
O género aprende-se através da socialização de género: desde o nascimento, meninos e meninas são tratados de forma diferente e orientados para papéis distintos — pelos brinquedos, pelas roupas, pela linguagem, pelas expectativas de pais, escola e meios de comunicação. Assim se interiorizam disposições, gostos e aspirações «de género» que parecem naturais mas são socialmente produzidos. É esta socialização diferencial que explica muitas das diferenças de comportamento e de «escolha» entre homens e mulheres — por exemplo, a sub-representação das mulheres em certas áreas científicas ou a sua sobre-representação nas profissões de cuidado.
Da construção social do género resultam a desigualdade e a discriminação de género: apesar dos enormes progressos (na educação, no emprego, nos direitos), persistem assimetrias sistemáticas em desfavor das mulheres. Entre as mais estudadas contam-se as desigualdades salariais (em média, as mulheres auferem menos do que os homens por trabalho equivalente), a desigual repartição do trabalho doméstico e de cuidado (a «dupla jornada»), a sub-representação nos lugares de poder e decisão (o «teto de vidro») e a violência de género. Estas desigualdades não são «naturais»: resultam de estruturas e de socializações que podem ser transformadas.
A análise sociológica do género mostra, assim, que muitas diferenças tomadas como «naturais» entre homens e mulheres são, em larga medida, construções sociais, e que as desigualdades de género são um caso central de desigualdade social — que se cruza com as de classe, origem e idade (uma mulher trabalhadora e imigrante acumula desvantagens). Compreender o género é também compreender as identidades: cada pessoa constrói a sua identidade de género num quadro social, e as sociedades atuais debatem cada vez mais a pluralidade e a liberdade nessa construção. Distinguir sexo de género e desnaturalizar as desigualdades é, por isso, uma competência científica e cívica essencial.
Exemplo resolvido

Desnaturalizar uma desigualdade de género

Afirma-se que «as mulheres lideram menos porque são, por natureza, menos ambiciosas». Critica a afirmação distinguindo sexo de género e mobilizando a socialização de género.

  1. 01Identificar a naturalização

    A afirmação atribui a «natureza» (sexo) uma diferença de comportamento (a ambição/liderança) que é, na verdade, do domínio do género — socialmente construída.

  2. 02Mobilizar a socialização de género

    Desde cedo, meninas e meninos são socializados para papéis diferentes; as expectativas, os modelos e os obstáculos (o «teto de vidro») desencorajam a liderança feminina.

  3. 03Mostrar a variação

    A proporção de mulheres em lugares de liderança varia muito entre países e épocas e tem aumentado — o que uma causa «natural» não explicaria, mas a mudança social, sim.

  4. 04Concluir

    A menor presença em cargos de liderança resulta de estruturas e socializações, não da biologia; é uma desigualdade de género, transformável.

Resultado: A afirmação naturaliza uma desigualdade de género: confunde género (construído) com sexo (biológico). A socialização de género e as barreiras estruturais explicam a sub-representação — que varia e diminui, prova de que é social e não natural.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir sexo de género e explicar a socialização de género.
  • Relacionar a socialização de género com formas de discriminação e de desigualdade de género.

Erros frequentes

  • Confundir sexo (biológico) com género (construção social), naturalizando as desigualdades entre homens e mulheres.
  • Tomar as diferenças de comportamento entre géneros como «naturais», ignorando o papel da socialização de género.

Revisão ativa

Mostra como a socialização de género pode explicar a sub-representação das mulheres em cargos de liderança, distinguindo o que é sexo do que é género.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Pobreza, exclusão social e migrações; o Estado Social#

●●●AprofundamentoLPAE-sociologia-desigualdades-e-identidades

Pontos-chave

A pobreza e a exclusão social são conceitos próximos mas distintos, comparados na Fig. 6. A pobreza é sobretudo uma privação económica: a falta de recursos para atingir um nível de vida considerado digno numa dada sociedade (define-se muitas vezes por um limiar de rendimento — a pobreza relativa). A exclusão social é um conceito mais amplo e dinâmico: designa um processo de acumulação de desvantagens em várias dimensões (económica, mas também no emprego, na saúde, na educação, na habitação) que conduz à ruptura dos laços sociais e ao afastamento da participação na vida social. Pode-se ser pobre sem estar excluído, e a exclusão vai além da falta de dinheiro.

Pobreza e exclusão social

Pobreza vs exclusãoTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Aspeto · Pobreza · Exclusão social; Natureza · Sobretudo económica (falta de recursos) · Multidimensional (económica, social, relacional); Dimensão · Um limiar de rendimento · Acumulação de desvantagens e ruptura de laços; Processo · Um estado (situação) · Um processo dinâmico de afastamentoASPETOPOBREZAEXCLUSÃO SOCIALNATUREZASobretudo económica (faltade recursos)Multidimensional (económica,social, relacional)DIMENSÃOUm limiar de rendimentoAcumulação de desvantagens eruptura de laçosPROCESSOUm estado (situação)Um processo dinâmico deafastamento
Fig. 6Fig. 6 — Pobreza (privação económica) e exclusão social (processo multidimensional).
A exclusão social é, assim, multidimensional e cumulativa: as desvantagens reforçam-se umas às outras num processo, como mostra a Fig. 7. O desemprego prolongado reduz o rendimento, que afeta a habitação e a saúde, que dificultam o acesso ao emprego, e assim sucessivamente, num círculo de desvantagem que enfraquece os laços sociais e a participação. Certas categorias sociais estão em maior risco de pobreza e exclusão: os desempregados de longa duração, os idosos com baixas pensões, as famílias monoparentais, as pessoas com baixas qualificações, os imigrantes em situação precária, as pessoas sem-abrigo. Reconhecer estas categorias vulneráveis é essencial para as políticas sociais.

A exclusão como processo cumulativo

Processo de exclusãoGrafo, Pobreza / desemprego → Acumulação de desvantagens (saúde, habitação, educação), Acumulação de desvantagens (saúde, habitação, educação) → Ruptura de laços e de participação, Ruptura de laços e de participação → Exclusão socialPobreza /desempregoAcumulação dedesvantagens(saúde, habitaç…Ruptura de laçose departicipaçãoExclusão social
Fig. 7Fig. 7 — A exclusão social como acumulação de desvantagens e ruptura de laços.
As migrações são um fenómeno central e ligado à globalização: intensificaram-se os movimentos de pessoas — trabalhadores em busca de melhores condições, refugiados a fugir de guerras e crises. As migrações enriquecem económica e culturalmente as sociedades de acolhimento, mas colocam com acuidade o problema da inclusão e da exclusão das populações vulneráveis: os imigrantes enfrentam frequentemente discriminação, empregos precários e obstáculos à integração, e correm maior risco de exclusão. A forma como uma sociedade integra ou exclui os que chegam é um teste à sua justiça social e um dos grandes temas das sociedades contemporâneas.
Contra a pobreza e a exclusão, as sociedades desenvolveram o Estado Social (ou Estado-providência): o conjunto de instituições e políticas (segurança social, saúde e educação públicas, apoios sociais, pensões) que procuram proteger os cidadãos dos riscos sociais e reduzir as desigualdades, assentando na solidariedade — nomeadamente entre gerações (os ativos financiam as pensões dos idosos). Este modelo enfrenta hoje desafios: o envelhecimento demográfico pressiona a sustentabilidade das pensões e da saúde, e a globalização e a precariedade dificultam o seu financiamento. Problematizar as transformações do Estado Social e da solidariedade entre gerações é, por isso, decisivo para pensar o futuro da coesão social — e liga todos os temas da disciplina: as desigualdades, a demografia, a globalização e a mudança.
Exemplo resolvido

Pobreza, exclusão e Estado Social

Um trabalhador perde o emprego, esgota o subsídio, tem dificuldades de saúde e afasta-se dos amigos e das atividades sociais. Analisa o caso com os conceitos de pobreza, exclusão e Estado Social.

  1. 01Da pobreza à acumulação

    O desemprego reduz o rendimento (pobreza) e desencadeia a acumulação de desvantagens: dificuldades de saúde, de habitação, isolamento.

  2. 02A exclusão social

    O afastamento dos amigos e das atividades mostra a ruptura de laços — a pobreza económica agrava-se numa exclusão social multidimensional.

  3. 03O papel do Estado Social

    Os apoios sociais (subsídio, saúde pública, programas de inserção) podem travar o processo; a sua ausência ou fragilidade acelera a exclusão. A solidariedade coletiva é decisiva.

Resultado: O caso mostra como a pobreza pode desencadear um processo cumulativo de exclusão social, com ruptura de laços. O Estado Social existe precisamente para interromper este círculo — daí a importância de problematizar a sua sustentabilidade e a solidariedade que o sustenta.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir pobreza de exclusão social e identificar categorias em situação de risco e vulnerabilidade.
  • Relacionar globalização e migrações e problematizar o Estado Social e as solidariedades entre gerações.

Erros frequentes

  • Confundir pobreza (privação sobretudo económica) com exclusão social (processo multidimensional de ruptura de laços).
  • Ver o Estado Social como um dado adquirido, ignorando os desafios do envelhecimento e da globalização à sua sustentabilidade.

Revisão ativa

Explica por que uma pessoa pode estar em situação de exclusão social sem ser das mais pobres em termos de rendimento, e relaciona a exclusão com o papel do Estado Social.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Desigualdade, diferença e discriminação; a estratificação e as classes◐
    • 02A mobilidade social e a ação coletiva◐
    • 03Género: sexo, género e desigualdade de género●
    • 04Pobreza, exclusão social e migrações; o Estado Social●

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Dos resumos à prática

Desigualdades e identidades sociais

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano

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