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Estuda-se a energia associada às reações químicas: sistema e 1.ª lei da termodinâmica, entalpia e reações exo/endotérmicas, o cálculo de ΔH por lei de Hess, por entalpias de formação e por energias de ligação, e a 2.ª lei — entropia e energia de Gibbs (ΔG = ΔH − TΔS) — aplicada ao critério de espontaneidade e à temperatura de inversão. Matéria da Unidade 2 da Química do 12.º ano (Ciências e Tecnologias), disciplina de opção sem Exame Final Nacional — avaliada por avaliação interna.
5 secções~18 min de leitura4 competênciasNível Padrão 2 · Aprofundamento 3
nível básico
Distinguir reações exo e endotérmicas e reconhecer o significado de ΔH.
nível avançado
Calcular ΔH por três métodos e aplicar ΔG = ΔH − TΔS ao estudo da espontaneidade e à temperatura de inversão.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Sistema, vizinhança e trocas de energia
1.ª lei da termodinâmica
A variação da energia interna é a soma do calor e do trabalho trocados. Convenção: Q e W positivos quando entram no sistema (calor recebido, trabalho realizado sobre o sistema).
Um sistema gasoso recebe 500 J de calor da vizinhança e, ao expandir-se, realiza 200 J de trabalho sobre a vizinhança. Calcula a variação da energia interna do sistema.
O sistema recebe calor: Q = +500 J.
O sistema realiza trabalho sobre a vizinhança (o trabalho sai): W = −200 J.
ΔU = Q + W = (+500) + (−200) = +300 J.
Resultado: ΔU = +300 J: a energia interna do sistema aumenta 300 J.
Erros frequentes
Revisão ativa
Um gás recebe 500 J de calor da vizinhança e, ao expandir-se, realiza 200 J de trabalho sobre a vizinhança. Aplicando a 1.ª lei (ΔU = Q + W), determina a variação da energia interna do gás.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Química — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Perfil energético de uma reação exotérmica
Perfil energético de uma reação endotérmica
Variação de entalpia de reação
A pressão constante, ΔH é o calor trocado. ΔH < 0: reação exotérmica (liberta calor); ΔH > 0: endotérmica (absorve calor).
A combustão do metano tem ΔH = −890 kJ/mol e a decomposição do carbonato de cálcio tem ΔH = +178 kJ/mol. Classifica cada reação e indica o sinal do calor trocado.
ΔH = −890 kJ/mol < 0: é exotérmica — liberta 890 kJ por mol para a vizinhança.
ΔH = +178 kJ/mol > 0: é endotérmica — absorve 178 kJ por mol da vizinhança.
Na exotérmica os produtos têm menos energia que os reagentes; na endotérmica têm mais.
Resultado: Combustão do metano: exotérmica (liberta calor). Decomposição do CaCO₃: endotérmica (absorve calor).
Erros frequentes
Revisão ativa
Esboça e interpreta o perfil energético de uma reação exotérmica, assinalando a energia de ativação e ΔH, e explica por que a adição de um catalisador não altera ΔH.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Química — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Ciclo de Hess (formação do CO₂)
ΔH a partir de entalpias de formação
Cada termo é pesado pelo coeficiente estequiométrico. A entalpia de formação de um elemento no estado-padrão é zero.
Lei de Hess
O ΔH da reação é a soma dos ΔH dos passos em que ela se possa decompor (invertendo ou multiplicando reações conforme necessário).
Sabendo que (1) C(s) + O₂(g) → CO₂(g), ΔH₁ = −393,5 kJ/mol, e (2) CO(g) + ½ O₂(g) → CO₂(g), ΔH₂ = −283,0 kJ/mol, determina o ΔH da reação C(s) + ½ O₂(g) → CO(g).
Quer-se C + ½O₂ → CO. O CO tem de ficar nos produtos, mas na reação (2) está nos reagentes.
CO₂ → CO + ½O₂, com o sinal trocado: −ΔH₂ = +283,0 kJ.
C + O₂ → CO₂ (−393,5) e CO₂ → CO + ½O₂ (+283,0); o CO₂ cancela-se: C + ½O₂ → CO.
ΔH = −393,5 + 283,0 = −110,5 kJ/mol.
Resultado: ΔH(C + ½O₂ → CO) = −110,5 kJ/mol (que é, precisamente, a entalpia de formação do CO).
Calcula ΔH da combustão CH₄(g) + 2 O₂(g) → CO₂(g) + 2 H₂O(l), com ΔHf°: CH₄ = −74,8; CO₂ = −393,5; H₂O(l) = −285,8 kJ/mol.
ΔH = ΣΔHf°(produtos) − ΣΔHf°(reagentes); ΔHf°(O₂) = 0.
ΔHf°(CO₂) + 2·ΔHf°(H₂O) = −393,5 + 2(−285,8) = −965,1 kJ.
ΔHf°(CH₄) + 2·ΔHf°(O₂) = −74,8 + 0 = −74,8 kJ.
ΔH = −965,1 − (−74,8) = −890,3 kJ/mol.
Resultado: ΔH = −890,3 kJ/mol: a combustão do metano é fortemente exotérmica.
Erros frequentes
Revisão ativa
Usando ΔHf° = −393,5 (CO₂) e −110,5 kJ/mol (CO), calcula, por entalpias de formação, o ΔH da reação CO(g) + ½ O₂(g) → CO₂(g).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Química — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Energias de ligação médias
Estimativa de ΔH por energias de ligação
Energia absorvida a quebrar as ligações dos reagentes menos energia libertada a formar as ligações dos produtos. Estimativa (energias médias, fase gasosa).
Estima o ΔH da combustão CH₄(g) + 2 O₂(g) → CO₂(g) + 2 H₂O(g) usando E(C–H) = 413, E(O=O) = 498, E(C=O) = 799 e E(O–H) = 463 kJ/mol.
No CH₄: 4 ligações C–H = 4 × 413 = 1652 kJ. Em 2 O₂: 2 ligações O=O = 2 × 498 = 996 kJ. Total = 2648 kJ (absorvidos).
No CO₂: 2 ligações C=O = 2 × 799 = 1598 kJ. Em 2 H₂O: 4 ligações O–H = 4 × 463 = 1852 kJ. Total = 3450 kJ (libertados).
ΔH ≈ 2648 − 3450 = −802 kJ/mol.
É uma estimativa (água no estado gasoso, energias médias); difere um pouco do valor por entalpias de formação (−890 kJ/mol, com água líquida), mas confirma o caráter exotérmico.
Resultado: ΔH ≈ −802 kJ/mol: a combustão do metano é exotérmica, em bom acordo com os outros métodos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Estima o ΔH da reação H₂(g) + Cl₂(g) → 2 HCl(g) usando as energias de ligação E(H–H) = 436, E(Cl–Cl) = 243 e E(H–Cl) = 431 kJ/mol.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Química — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Sinal de ΔG e espontaneidade (os quatro casos)
Energia de Gibbs (P e T constantes)
Critério de espontaneidade: ΔG < 0 espontânea; ΔG = 0 equilíbrio; ΔG > 0 não espontânea. Atenção às unidades (ΔH em kJ, ΔS em J/K).
Temperatura de inversão
Temperatura para a qual ΔG = 0; abaixo/acima dela, o sinal de ΔG (e a espontaneidade) inverte-se nos casos em que ΔH e ΔS têm o mesmo sinal.
Para a decomposição CaCO₃(s) → CaO(s) + CO₂(g), tem-se ΔH = +178 kJ/mol e ΔS = +161 J K⁻¹ mol⁻¹. Calcula ΔG a 298 K, indica se é espontânea a essa temperatura e determina a temperatura de inversão.
ΔH = +178 kJ/mol = +178 000 J/mol; ΔS = +161 J K⁻¹ mol⁻¹.
ΔG = ΔH − TΔS = 178 000 − 298 × 161 = 178 000 − 47 978 = +130 022 J ≈ +130 kJ/mol.
ΔG > 0 ⇒ não é espontânea à temperatura ambiente (o calcário é estável).
ΔG = 0 quando T = ΔH/ΔS = 178 000 / 161 ≈ 1106 K ≈ 833 °C.
Acima de ~833 °C, TΔS supera ΔH, ΔG torna-se negativo e a decomposição passa a espontânea — como num forno de cal.
Resultado: ΔG(298 K) ≈ +130 kJ/mol (não espontânea); torna-se espontânea acima da temperatura de inversão, ≈ 1106 K (≈ 833 °C).
Erros frequentes
Revisão ativa
Para a síntese do amoníaco, N₂(g) + 3 H₂(g) → 2 NH₃(g), tem-se ΔH = −92 kJ/mol e ΔS = −199 J K⁻¹ mol⁻¹. Determina ΔG a 298 K e discute a que temperaturas a reação é espontânea.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Química — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)