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Gil Vicente, fundador do teatro português, cultivou a farsa (comédia de costumes com personagens-tipo e crítica social) e o auto ou moralidade (peça alegórica de intenção moral e religiosa). A Farsa de Inês Pereira (1523) satiriza o casamento e a condição da mulher; o Auto da Feira (1527) constrói uma alegoria de crítica à Igreja e à sociedade. Ambos integram o corpus do 10.º ano e são matéria do Grupo I do Exame Nacional 639.
4 secções~13 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Formação geral: distinguir farsa de auto e reconhecer as personagens-tipo e a crítica social na obra estudada.
nível avançado
Aprofundamento: analisar a articulação entre comicidade e crítica de costumes e o funcionamento da alegoria.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Gil Vicente e o seu teatro
Uma peça de Gil Vicente apresenta personagens que representam a Fé, a Justiça e o Diabo, com o objetivo de dar uma lição moral. Que género é e porquê?
As personagens são entidades abstratas (Fé, Justiça, Diabo), não tipos do quotidiano — indício de alegoria.
A intenção é dar uma lição moral e religiosa, e não apenas fazer rir.
Personagens alegóricas e intenção moral definem o auto (ou moralidade).
Resultado: É um auto (moralidade): as personagens são alegóricas e a peça tem intenção moral e religiosa, ao contrário da farsa, que usa tipos do quotidiano para a crítica cómica de costumes.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a distinção entre farsa e auto no teatro de Gil Vicente e ilustra com um traço de cada género.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
As personagens da Farsa de Inês Pereira
Explica por que motivo o desfecho da farsa cumpre o provérbio «Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube».
O primeiro marido, o Escudeiro fidalgo, correspondia ao sonho, mas «derrubou» Inês: humilhou-a e aprisionou-a.
O segundo marido, Pero Marques, é rústico e pacato («asno»), mas «leva» Inês, isto é, deixa-a governar e satisfazer a sua vontade.
Inês troca o brilho do fidalgo pela comodidade e o poder que o marido crédulo lhe dá — o prático vence o sonho.
Resultado: O desfecho cumpre o provérbio: Inês prefere o marido rústico que a serve («asno que me leve») ao fidalgo que a domina («cavalo que me derrube»), realizando, com ironia, a lição prática da farsa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza Inês Pereira ao longo da peça, mostrando como a sua evolução conduz ao cumprimento do provérbio no desfecho.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Farsa e auto: dois polos do teatro vicentino
No Auto da Feira, Roma vem à feira comprar a paz, mas verifica-se que é ela quem vende guerras e vive em decadência. Que significa esta figura?
Roma não é uma personagem individual, mas a alegoria da Igreja e do papado.
Quem devia ser fonte de paz e de fé aparece a traficar guerras e mergulhada na corrupção — o oposto da sua missão.
A figura denuncia a hipocrisia e a mundanidade da Igreja, num contexto de crise religiosa pré-Reforma.
Resultado: Roma é a alegoria da Igreja/papado corrompido: ao procurar a paz mas vender guerras, denuncia ironicamente a hipocrisia e a decadência moral da instituição eclesiástica.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o funcionamento da alegoria no Auto da Feira, tomando como exemplo a personagem Roma, e compara a finalidade deste auto com a da Farsa de Inês Pereira.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)