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Resumos/Português/Gil Vicente — Farsa de Inês Pereira / Auto da Feira
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Gil Vicente — Farsa de Inês Pereira / Auto da Feira

Gil Vicente, fundador do teatro português, cultivou a farsa (comédia de costumes com personagens-tipo e crítica social) e o auto ou moralidade (peça alegórica de intenção moral e religiosa). A Farsa de Inês Pereira (1523) satiriza o casamento e a condição da mulher; o Auto da Feira (1527) constrói uma alegoria de crítica à Igreja e à sociedade. Ambos integram o corpus do 10.º ano e são matéria do Grupo I do Exame Nacional 639.

4 secções·~13 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·0777 / 20
Perfil de exame
Contextualizar Gil Vicente e distinguir farsa de auto/moralidadeAnalisar a estrutura, as personagens-tipo e a ação da Farsa de Inês PereiraInterpretar os processos cómicos e a crítica socialReconhecer a alegoria e a sátira no Auto da Feira
Operadores:contextualizadistingueanalisainterpretacaracterizacomenta

nível básico

Formação geral: distinguir farsa de auto e reconhecer as personagens-tipo e a crítica social na obra estudada.

nível avançado

Aprofundamento: analisar a articulação entre comicidade e crítica de costumes e o funcionamento da alegoria.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Gil Vicente — Farsa de Inês Pereira / Auto da Feira
    • 01Gil Vicente e o teatro num tempo de transição○
    • 02Farsa de Inês Pereira: estrutura e personagens◐
    • 03Comicidade e crítica social●
    • 04Auto da Feira: alegoria e sátira●
§ 01

Gil Vicente e o teatro num tempo de transição#

●○○BaseLPAE-portugues-el-10-gil-vicente

Pontos-chave

Gil Vicente (c. 1465 – c. 1536) é o fundador do teatro português. Dramaturgo, ator e encenador ao serviço das cortes de D. Manuel I e D. João III, deixou cerca de quarenta e quatro obras, escritas em português e em castelhano, que abrangem autos religiosos, farsas de costumes, tragicomédias e peças de circunstância. A sua produção, reunida postumamente na Compilação de todas as obras (1562), abre e, em larga medida, esgota o primeiro grande ciclo do teatro em Portugal.
A sua obra situa-se numa época de transição entre a Idade Média e o Renascimento. Vicente é medieval na religiosidade, no gosto pela alegoria moral e no teatro popular de raiz litúrgica; mas é já renascentista na aguda observação da realidade social, no individualismo das personagens e no sentido crítico. Esta dupla filiação explica a coexistência, na sua obra, de autos de devoção e de farsas de crítica mordaz.
Vicente distingue vários géneros dramáticos. O auto (ou moralidade) é uma peça de intenção moral e religiosa, muitas vezes alegórica, em que personagens que representam ideias abstratas (virtudes, vícios, entidades) encenam uma lição espiritual. A farsa é uma comédia de costumes, protagonizada por personagens-tipo do quotidiano, cuja finalidade é fazer rir criticando os vícios e as convenções sociais. A tragicomédia mistura elementos sérios e cómicos.
O teatro vicentino é, por excelência, um teatro de crítica de costumes e de sátira social. Sob o riso, Vicente denuncia a hipocrisia do clero, a vaidade da fidalguia decadente, a corrupção da justiça, os vícios de todos os estados sociais. É uma sátira que herda a veia das cantigas de escárnio e maldizer medievais e a projeta na cena, dando voz e figura aos tipos sociais do seu tempo (ver Fig. 1).

Gil Vicente e o seu teatro

Gil Vicente e o seu teatroLinha do tempo de 1500 a 1536, 1502: Auto da Visitação (início), 1523: Farsa de Inês Pereira, 1527: Auto da Feira, 1502–1536: Atividade dramática de Gil Vicente15001536anoAtividadedramática de Gil …1502Auto daVisitação (iníc…1523Farsa de InêsPereira1527Auto da Feira
Fig. 1Fig. 1 — Gil Vicente, fundador do teatro português, entre o auto e a farsa.
Exemplo resolvido

Farsa ou auto?

Uma peça de Gil Vicente apresenta personagens que representam a Fé, a Justiça e o Diabo, com o objetivo de dar uma lição moral. Que género é e porquê?

  1. 01Observar as personagens

    As personagens são entidades abstratas (Fé, Justiça, Diabo), não tipos do quotidiano — indício de alegoria.

  2. 02Observar a finalidade

    A intenção é dar uma lição moral e religiosa, e não apenas fazer rir.

  3. 03Concluir o género

    Personagens alegóricas e intenção moral definem o auto (ou moralidade).

Resultado: É um auto (moralidade): as personagens são alegóricas e a peça tem intenção moral e religiosa, ao contrário da farsa, que usa tipos do quotidiano para a crítica cómica de costumes.

Foco no Exame Nacional

  • Situar Gil Vicente como fundador do teatro português, entre a Idade Média e o Renascimento.
  • Distinguir os géneros: auto/moralidade (alegórico, moral) e farsa (cómico, de costumes).
  • Reconhecer a crítica de costumes como traço central do teatro vicentino.

Erros frequentes

  • Confundir auto (peça alegórica de intenção moral) com farsa (comédia de costumes).
  • Ver Gil Vicente apenas como autor cómico, esquecendo a dimensão crítica e moral.
  • Ignorar o carácter de transição entre o medieval e o renascentista.

Revisão ativa

Explica a distinção entre farsa e auto no teatro de Gil Vicente e ilustra com um traço de cada género.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Farsa de Inês Pereira: estrutura e personagens#

●●○PadrãoLPAE-portugues-el-10-gil-vicente

Pontos-chave

A Farsa de Inês Pereira (1523) nasce, segundo a tradição, de um desafio: provar que Gil Vicente sabia compor a partir de um provérbio dado — «Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube». A ação desenvolve toda a peça em torno deste ditado, que só no final se revela plenamente. Inês Pereira, jovem donzela impaciente com a vida doméstica e o fiar, sonha com um marido fidalgo, discreto e que toque viola — recusando o pretendente rústico que a realidade lhe oferece.
A ação organiza-se em dois grandes momentos, articulados pelos dois casamentos de Inês. No primeiro, ela rejeita Pero Marques — rústico, parvo, mas honesto e abastado — e, através dos judeus casamenteiros Latão e Vidal, casa com o Escudeiro Brás da Mata, um fidalgo pobre, vaidoso e pretensioso que corresponde ao seu sonho. Mas o Escudeiro revela-se tirânico: humilha-a, fecha-a em casa e parte para a guerra em África, onde morre de forma cobarde, fugindo de um pastor mouro.
No segundo momento, Inês, agora viúva e escaldada pela experiência, casa com o outrora desprezado Pero Marques. Desta vez é ela quem domina o marido pacato e crédulo, ao ponto de o enganar com o Ermitão, seu amante, fazendo-o transportá-la às costas para o encontro. É neste desfecho que o provérbio se cumpre: Inês prefere o «asno» (Pero Marques, que a deixa fazer a sua vontade) ao «cavalo» (o Escudeiro, que a «derrubava»), trocando o sonho pela vantagem prática.
As personagens são personagens-tipo, representantes de categorias sociais e morais reconhecíveis: Inês, a moça casadoira ambiciosa; a Mãe, conselheira prudente; Pero Marques, o parvo rústico e rico; o Escudeiro, o fidalgo pobre e presunçoso; Lianor Vaz, a alcoviteira; os judeus casamenteiros, tipos cómicos da intermediação. Esta galeria de tipos, cada um com a sua linguagem própria, é o material com que Gil Vicente constrói a comédia e a crítica (ver Fig. 2).

As personagens da Farsa de Inês Pereira

As personagens da Farsa de Inês PereiraGrafo, Inês Pereira → Pero Marques (rústico rico), Inês Pereira → Escudeiro (fidalgo pobre), A Mãe → Inês Pereira, Latão e Vidal → Escudeiro (fidalgo pobre), Inês Pereira → O Ermitão (amante)Inês PereiraPero Marques(rústico ric…Escudeiro(fidalgo pob…A MãeLatão e VidalO Ermitão(amante)2.º casamento1.º casamentoaconselhaarranjamengano
Fig. 2Fig. 2 — Inês entre os dois maridos, a mãe, a alcoviteira e os casamenteiros.
Exemplo resolvido

O sentido do provérbio final

Explica por que motivo o desfecho da farsa cumpre o provérbio «Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube».

  1. 01Identificar o «cavalo»

    O primeiro marido, o Escudeiro fidalgo, correspondia ao sonho, mas «derrubou» Inês: humilhou-a e aprisionou-a.

  2. 02Identificar o «asno»

    O segundo marido, Pero Marques, é rústico e pacato («asno»), mas «leva» Inês, isto é, deixa-a governar e satisfazer a sua vontade.

  3. 03Interpretar a escolha

    Inês troca o brilho do fidalgo pela comodidade e o poder que o marido crédulo lhe dá — o prático vence o sonho.

Resultado: O desfecho cumpre o provérbio: Inês prefere o marido rústico que a serve («asno que me leve») ao fidalgo que a domina («cavalo que me derrube»), realizando, com ironia, a lição prática da farsa.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a origem da farsa no provérbio e o seu cumprimento no desfecho.
  • Reconstituir a ação em torno dos dois casamentos de Inês.
  • Caracterizar as personagens-tipo (Inês, Pero Marques, o Escudeiro).
  • Interpretar o sentido da escolha final de Inês.

Erros frequentes

  • Ver Inês apenas como vítima, ignorando a sua ambição e a sua vitória final.
  • Confundir Pero Marques (o rústico rico) com o Escudeiro (o fidalgo pobre).
  • Não relacionar o desfecho com o provérbio que estrutura toda a peça.

Revisão ativa

Caracteriza Inês Pereira ao longo da peça, mostrando como a sua evolução conduz ao cumprimento do provérbio no desfecho.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Comicidade e crítica social#

●●●AprofundamentoLPAE-portugues-el-10-gil-vicente

Pontos-chave

A comicidade da Farsa de Inês Pereira, como a de toda a farsa vicentina, realiza-se em três planos que a crítica costuma distinguir: o cómico de linguagem, o cómico de situação e o cómico de carácter. Estes processos não servem apenas o riso: são o veículo da crítica social, pois é rindo dos tipos e das situações que a peça denuncia os vícios e as convenções do seu tempo.
O cómico de linguagem nasce das falas das personagens: os registos contrastantes (o falar pretensioso do Escudeiro, o rústico de Pero Marques), os provérbios e ditados populares, os trocadilhos, as canções, o jogo entre o português e o castelhano. Cada tipo social tem a sua linguagem característica, e é nessa adequação — e no contraste entre elas — que reside grande parte do humor e da caracterização.
O cómico de situação decorre das circunstâncias em que as personagens se encontram: o casamento falhado, a fuga cobarde do Escudeiro perante o mouro, o engano final em que Pero Marques transporta às costas a mulher que o trai. São situações absurdas, equívocas ou de reviravolta que provocam o riso pela sua própria configuração. O cómico de carácter, por sua vez, resulta dos traços exagerados dos tipos — a parvoíce de Pero Marques, a vaidade do Escudeiro, a ambição de Inês.
Sob o riso, a farsa é uma crítica aguda de costumes. Denuncia a instituição do casamento como negócio e como armadilha, a condição subordinada da mulher (embora Inês subverta essa condição no final), a fidalguia decadente e pretensiosa que vive de aparências (o Escudeiro pobre e vaidoso), e a hipocrisia religiosa (o Ermitão amante). A farsa vicentina é, assim, um espelho crítico da sociedade portuguesa do início do século XVI, herdeira da sátira medieval (ver Fig. 3).

Os processos cómicos da farsa

Os processos cómicos da farsaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Cómico · Exemplo · Crítica; De linguagem · Falar pretensioso do Escudeiro · Fidalguia de aparências; De situação · Fuga cobarde na guerra · Falsa nobreza e valentia; De carácter · Parvoíce de Pero Marques · Rusticidade / credulidade; De situação · Ermitão amante de Inês · Hipocrisia religiosa, célula destacada: Fidalguia de aparênciasCÓMICOEXEMPLOCRÍTICADE LINGUAGEMFalar pretensioso doEscudeiroFidalguia de aparênciasDE SITUAÇÃOFuga cobarde na guerraFalsa nobreza e valentiaDE CARÁCTERParvoíce de Pero MarquesRusticidade / credulidadeDE SITUAÇÃOErmitão amante de InêsHipocrisia religiosaRir dos tipos é denunciar os vícios que representam.
Fig. 3Fig. 3 — O riso ao serviço da crítica de costumes.
Exemplo resolvido

Identificar cómico e crítica

O Escudeiro, fidalgo pobre, gaba-se do seu valor guerreiro, mas na primeira ocasião foge de um pastor mouro e morre nessa fuga. Que processo cómico e que crítica reconheces?

  1. 01Identificar o processo

    O contraste entre a gabarolice e a fuga cobarde é um cómico de situação (e de carácter): a realidade desmente as palavras.

  2. 02Reconhecer o alvo

    Ridiculariza-se a falsa nobreza e a falsa valentia da fidalguia pretensiosa e sem meios.

  3. 03Concluir

    O riso serve a crítica social: a peça denuncia a fidalguia decadente que vive de aparências.

Resultado: A fuga cobarde do Escudeiro é um cómico de situação e de carácter que satiriza a fidalguia pobre e pretensiosa — a comicidade veicula a crítica de costumes.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os três processos cómicos (linguagem, situação, carácter).
  • Relacionar a comicidade com a crítica social.
  • Identificar os alvos da crítica (casamento, condição da mulher, fidalguia, hipocrisia).
  • Analisar a caracterização das personagens pela linguagem.

Erros frequentes

  • Ver a farsa apenas como comédia de entretenimento, sem crítica social.
  • Confundir cómico de situação (circunstâncias) com cómico de carácter (traços das personagens).
  • Não reconhecer a linguagem como processo de caracterização e de humor.

Revisão ativa

Analisa um episódio cómico da farsa, classificando o processo cómico dominante e explicando que crítica social ele veicula.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Auto da Feira: alegoria e sátira#

●●●AprofundamentoLPAE-portugues-el-10-gil-vicente

Pontos-chave

O Auto da Feira (1527) é uma moralidade de Natal e ilustra a outra face do teatro vicentino: a alegoria de intenção moral e religiosa. A ação decorre numa feira simbólica, montada pelo Tempo, por Mercúrio e por um Serafim, onde se «vendem» e «compram» valores espirituais — as virtudes, as consciências, a salvação. Ao contrário da farsa, as personagens não são tipos do quotidiano, mas entidades alegóricas que encarnam ideias.
A alegoria é o processo dominante: cada personagem e cada situação valem por aquilo que representam. A feira é imagem do mundo e do mercado das almas; Roma, personagem que surge para comprar a paz, revela-se, ironicamente, vendedora de guerras e discórdias, alegoria da corrupção da Igreja e do papado; o Diabo tem tenda na feira, oferecendo as suas mercadorias. Compreender a peça exige, portanto, decifrar constantemente o sentido segundo que se esconde sob o sentido literal.
A sátira do Auto da Feira dirige-se sobretudo à Igreja e ao clero corrompido, num momento de crise religiosa às vésperas da Reforma protestante. A figura de Roma, que devia ser modelo de fé e de paz mas trafica em guerras e vive na decadência moral, condensa a denúncia da hipocrisia e da mundanidade eclesiásticas. A crítica estende-se aos vícios da sociedade, que na feira procuram encobrir-se, mas nunca abandona o horizonte moral e a esperança de redenção próprios do auto natalício.
Comparar a Farsa de Inês Pereira com o Auto da Feira ilumina os dois polos do teatro vicentino. A farsa observa o quotidiano com tipos concretos e finalidade cómico-crítica; o auto eleva-se à alegoria abstrata com finalidade moral e religiosa. Mas ambos partilham o mesmo impulso satírico — a denúncia dos vícios sociais e da hipocrisia — que faz de Gil Vicente, sob registos diferentes, o grande crítico dramático da sua época (ver Fig. 4).

Farsa e auto: dois polos do teatro vicentino

Farsa e autoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Farsa (Inês Pereira) · Auto (da Feira); Personagens · Tipos do quotidiano · Entidades alegóricas; Processo · Comicidade de costumes · Alegoria; Finalidade · Crítica cómica de costumes · Lição moral e religiosa; Alvo comum · Vícios sociais, hipocrisia · Corrupção da Igreja, vícios, célula destacada: AlegoriaASPETOFARSA (INÊS PEREIRA)AUTO (DA FEIRA)PERSONAGENSTipos do quotidianoEntidades alegóricasPROCESSOComicidade de costumesAlegoriaFINALIDADECrítica cómica de costumesLição moral e religiosaALVO COMUMVícios sociais, hipocrisiaCorrupção da Igreja, víciosRegistos diferentes, o mesmo impulso satírico.
Fig. 4Fig. 4 — A farsa e o auto: tipos concretos e crítica cómica versus alegoria e lição moral.
Exemplo resolvido

Decifrar a alegoria de Roma

No Auto da Feira, Roma vem à feira comprar a paz, mas verifica-se que é ela quem vende guerras e vive em decadência. Que significa esta figura?

  1. 01Identificar o valor alegórico

    Roma não é uma personagem individual, mas a alegoria da Igreja e do papado.

  2. 02Interpretar a ironia

    Quem devia ser fonte de paz e de fé aparece a traficar guerras e mergulhada na corrupção — o oposto da sua missão.

  3. 03Reconhecer a crítica

    A figura denuncia a hipocrisia e a mundanidade da Igreja, num contexto de crise religiosa pré-Reforma.

Resultado: Roma é a alegoria da Igreja/papado corrompido: ao procurar a paz mas vender guerras, denuncia ironicamente a hipocrisia e a decadência moral da instituição eclesiástica.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer o Auto da Feira como moralidade alegórica de intenção moral e religiosa.
  • Interpretar a alegoria da feira e da personagem Roma.
  • Identificar a sátira à Igreja e ao clero no contexto pré-Reforma.
  • Comparar farsa e auto quanto a personagens, processo e finalidade.

Erros frequentes

  • Ler as personagens do auto como tipos realistas, ignorando o seu valor alegórico.
  • Não reconhecer Roma como alegoria da Igreja/papado corrompido.
  • Confundir a finalidade cómico-crítica da farsa com a finalidade moral do auto.

Revisão ativa

Explica o funcionamento da alegoria no Auto da Feira, tomando como exemplo a personagem Roma, e compara a finalidade deste auto com a da Farsa de Inês Pereira.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Gil Vicente e o teatro num tempo de transição○
    • 02Farsa de Inês Pereira: estrutura e personagens◐
    • 03Comicidade e crítica social●
    • 04Auto da Feira: alegoria e sátira●

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Gil Vicente — Farsa de Inês Pereira / Auto da Feira

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário

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