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Resumos · Oficina de ArtesPT · Secundário

Área de desenvolvimento: Videografia

A videografia é a arte da imagem em movimento. Este tópico apresenta a linguagem audiovisual (imagem, som, tempo e movimento), a escala de planos, os ângulos e os movimentos de câmara, a montagem e o modo como ela manipula o tempo e cria sentido, e a produção (as suas fases) e a história do audiovisual, dos irmãos Lumière à vídeo arte e ao digital. É uma das áreas de desenvolvimento da disciplina. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional): valoriza-se a produção de um pequeno projeto audiovisual e a leitura crítica da imagem em movimento, documentadas no portefólio.

4 secções·~16 min de leitura·2 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·141414 / 16
Perfil de exame
Experimentação e criação: produzir audiovisual, planeando, rodando e montandoInterpretação e comunicação: ler a linguagem audiovisual (plano, ângulo, montagem, som)
Operadores:descrevedistingueplanificamontaanalisarelaciona

nível básico

Compreender a linguagem audiovisual (a imagem em movimento, o som, o tempo) e reconhecer a escala de planos e os ângulos.

nível avançado

Planificar, rodar e montar um pequeno projeto audiovisual, decidindo plano, ângulo, movimento e montagem com intenção.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Área de desenvolvimento: Videografia
    • 01A linguagem audiovisual○
    • 02Plano, enquadramento e ângulo◐
    • 03Montagem e tempo◐
    • 04Produção e história●
§ 01

A linguagem audiovisual#

●○○BaseLPAE-oficina-artes-videografia

Pontos-chave

O audiovisual é a arte da imagem em movimento, e resulta da síntese de quatro elementos: a imagem, o som, o tempo e o movimento (ver Fig. 1). É o que o distingue da fotografia: onde esta fixa um instante numa imagem parada, o audiovisual acrescenta a duração (desenrola-se no tempo) e o movimento (a imagem muda e as coisas mexem-se). Cinema, televisão, videoclipe, publicidade, documentário e vídeo arte são todos formas do audiovisual — um meio que atravessa a arte e a comunicação.

Os elementos do audiovisual

Elementos do audiovisualGrafo, Imagem (em movimento) → Audiovisual, Som (voz, música, ruído, silêncio) → Audiovisual, Tempo (duração) → Audiovisual, Movimento → AudiovisualImagem (emmovimento)Som (voz,música, ruído,silêncio)Tempo (duração)MovimentoAudiovisual
Fig. 1Fig. 1 — O audiovisual é a síntese de quatro elementos: imagem, som, tempo e movimento.
O movimento da imagem é, na verdade, uma ilusão. A imagem em movimento é uma sucessão de imagens fixas — os fotogramas — projetadas a grande velocidade: 24 fotogramas por segundo no cinema, 25 na televisão europeia (PAL). Como cada fotograma difere ligeiramente do anterior e o olho os funde (persistência da visão / efeito phi), a sucessão rápida de imagens paradas é lida como movimento contínuo. Perceber isto — que o vídeo é feito de fotogramas — é a base da videografia.
O som é uma dimensão de pleno direito, e não um acessório: inclui o diálogo (a voz), a música, o ruído e os efeitos sonoros, e ainda o silêncio (que também significa). O som pode ser diegético (nasce dentro da cena — uma personagem que fala, um rádio que toca) ou extradiegético (acrescentado de fora — a música de fundo, a voz-off). Imagem e som constroem juntos o sentido: a mesma imagem com músicas diferentes comunica emoções diferentes.
A linguagem audiovisual tem as suas unidades, da menor à maior: o fotograma (a imagem fixa), o plano (o registo contínuo entre o «ação» e o «corte» — a unidade básica, a «palavra» do audiovisual), a cena (a ação num mesmo espaço e tempo) e a sequência (um conjunto de cenas com unidade dramática). Falar a linguagem audiovisual é fazer escolhas — de enquadramento, plano, ângulo, movimento, som e montagem —: o audiovisual não «regista» a realidade, constrói um discurso.
Exemplo resolvido

Contar os fotogramas e explicar o movimento

Um filme é projetado a 24 fotogramas por segundo. Quantos fotogramas tem um plano de 5 segundos? E porque vemos movimento contínuo e não uma sequência de imagens paradas?

  1. 01Contar os fotogramas

    A 24 fotogramas por segundo, um plano de 5 segundos tem 24 × 5 = 120 fotogramas — 120 imagens fixas, ligeiramente diferentes umas das outras.

  2. 02A ilusão do movimento

    Cada fotograma mostra as coisas numa posição um pouco diferente do anterior; ao serem projetados muito depressa, o olho não os separa e funde-os (persistência da visão).

  3. 03O resultado

    A sucessão rápida de imagens fixas é lida pelo cérebro como um movimento contínuo e fluido — é assim que 120 fotogramas parados se tornam 5 segundos de movimento.

Resultado: O plano tem 120 fotogramas (24 × 5). Vemos movimento contínuo porque a projeção rápida de imagens fixas, ligeiramente diferentes, é fundida pelo olho (persistência da visão) — a imagem em movimento é, na sua base, uma ilusão feita de fotogramas.

Foco no Exame Nacional

  • Definir o audiovisual e distinguir a imagem em movimento da fotografia (o tempo e o movimento).
  • Explicar a ilusão do movimento (os fotogramas + a frequência; a persistência da visão).
  • Identificar os elementos (imagem, som, tempo, movimento) e as unidades (fotograma, plano, cena, sequência).

Erros frequentes

  • Julgar que o vídeo é «fotografia a mexer», esquecendo o tempo, o som e a montagem como dimensões próprias.
  • Confundir o fotograma (a imagem fixa) com o plano (o registo contínuo entre corte e corte).
  • Reduzir o audiovisual à imagem, ignorando o papel do som (diálogo, música, ruído, silêncio).

Revisão ativa

Filma o mesmo plano de dez segundos com duas músicas de fundo diferentes (uma alegre, outra inquietante) e descreve como o sentido muda — mostrando que o som é parte da linguagem.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Plano, enquadramento e ângulo#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-videografia

Pontos-chave

Enquadrar é decidir o que entra na imagem e como — tal como na fotografia, mas agora ao serviço de uma narrativa. A primeira decisão é a escala de plano: quanto do motivo cabe no enquadramento, do mais aberto ao mais fechado (ver Fig. 2). Cada plano tem uma função expressiva: os planos abertos situam e mostram o contexto; os planos fechados aproximam, isolam e criam intimidade ou tensão. Aproximar ou afastar a câmara não é neutro — é dizer ao espetador para onde olhar e o que sentir.

A escala de planos

Escala de planosTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Plano · Enquadramento · Função expressiva; Plano geral · O espaço e a ação no seu conjunto · Situar (o «onde»); Plano de conjunto · Uma figura inteira no ambiente · Relacionar a figura e o espaço; Plano médio · A figura da cintura para cima · Aproximar a personagem; Plano americano · A figura dos joelhos para cima · Ação e gesto (das personagens); Grande plano · O rosto · A emoção e a intimidade; Plano de pormenor · Um detalhe (olho, mão, objeto) · Destacar e dramatizar um detalhe, célula destacada: A emoção e a intimidadePLANOENQUADRAMENTOFUNÇÃO EXPRESSIVAPLANO GERALO espaço e a ação no seuconjuntoSituar (o «onde»)PLANO DE CONJUNTOUma figura inteira noambienteRelacionar a figura e oespaçoPLANO MÉDIOA figura da cintura paracimaAproximar a personagemPLANO AMERICANOA figura dos joelhos paracimaAção e gesto (daspersonagens)GRANDE PLANOO rostoA emoção e a intimidadePLANO DE PORMENORUm detalhe (olho, mão,objeto)Destacar e dramatizar umdetalhe
Fig. 2Fig. 2 — A escala de planos, do mais aberto (geral) ao mais fechado (pormenor), e a função expressiva de cada um.
A escala de planos ordena-se, do mais aberto ao mais fechado: o plano geral (mostra o espaço e situa a ação), o plano de conjunto (uma figura inteira no seu ambiente), o plano médio (a figura da cintura para cima), o plano americano (dos joelhos para cima), o grande plano (o rosto — a emoção) e o plano de pormenor (um detalhe: um olho, uma mão, um objeto). Do geral ao pormenor, o enquadramento vai do «onde» ao «quem» e ao «o quê».
O ângulo é o ponto de vista da câmara em relação ao motivo, e carrega sentido. O ângulo normal (à altura dos olhos) é neutro; o picado (a câmara filma de cima para baixo) tende a diminuir ou fragilizar quem é filmado; o contrapicado (de baixo para cima) engrandece e dá poder; o plano zenital (na vertical, a pique, de cima) e o plano nadir (na vertical, de baixo) dão pontos de vista extremos e insólitos. O mesmo motivo muda de sentido conforme o ângulo.
A câmara pode ainda mover-se, e o movimento tem significado. A panorâmica é a câmara que roda sobre o seu eixo, sem se deslocar (horizontal ou vertical/tilt) — «varre» o espaço. O travelling é a câmara que se desloca fisicamente (sobre carris, um carro, um dolly) — acompanha ou aproxima-se. O zoom não é um movimento de câmara: é só a variação da distância focal da objetiva, que aproxima ou afasta a imagem sem a câmara sair do lugar. Escolher plano, ângulo e movimento para cada momento é a planificação (a découpage) — escrever o filme, plano a plano.
Exemplo resolvido

Planificar uma pequena cena

Queres mostrar uma personagem que entra numa sala vazia, encontra uma carta em cima da mesa e a lê, com surpresa. Indica uma sucessão de planos (escala, ângulo) que conte bem este momento.

  1. 01Situar — plano geral

    Começa-se com um plano geral da sala e da personagem a entrar: o espetador percebe o «onde» e vê a personagem pequena no espaço vazio.

  2. 02Aproximar — plano médio e pormenor

    Corta-se para um plano médio da personagem a chegar à mesa e, depois, para um plano de pormenor da carta em cima da mesa: o olhar do espetador é levado ao objeto importante.

  3. 03A emoção — grande plano

    No momento em que lê, corta-se para um grande plano do rosto (talvez em ligeiro contrapicado), onde se lê a surpresa — a escala fechada dá a emoção.

Resultado: Uma boa planificação vai do plano geral (situar) ao pormenor (a carta) e ao grande plano (a emoção do rosto): a sucessão de escalas e ângulos conta a cena e conduz o olhar e o sentir do espetador — é a découpage a fazer o seu trabalho.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer e ordenar a escala de planos (do plano geral ao plano de pormenor) e a sua função expressiva.
  • Distinguir os ângulos (normal, picado, contrapicado, zenital/nadir) e o seu efeito de sentido.
  • Distinguir os movimentos de câmara: panorâmica (roda), travelling (desloca-se) e zoom (só varia a focal).

Erros frequentes

  • Confundir o travelling (a câmara desloca-se) com o zoom (só varia a distância focal, sem mover a câmara).
  • Trocar o picado (de cima, diminui) com o contrapicado (de baixo, engrandece).
  • Confundir o plano (a escala/enquadramento) com o ângulo (o ponto de vista) ou com o movimento.

Revisão ativa

Filma uma mesma personagem em contrapicado e em picado, e num grande plano e num plano geral, e descreve como o poder e a distância emocional mudam em cada caso.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Montagem e tempo#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-videografia

Pontos-chave

A montagem é a seleção e a ordenação dos planos — a operação mais própria e decisiva do audiovisual. A partir do material rodado, escolhem-se os planos e ligam-se, construindo as cenas e as sequências (ver Fig. 3). A junção entre dois planos faz-se por transições: o corte seco (a ligação direta, a mais comum), a fusão (dissolve — um plano dissolve-se no seguinte), o fade in/out (a imagem abre ou fecha a partir do preto) e a cortina (wipe — um plano «empurra» o outro). A montagem dá forma final ao filme.

As unidades do audiovisual

Unidades do audiovisualGrafo, Fotograma (imagem fixa) → Plano (entre corte e corte), Plano (entre corte e corte) → Cena (mesmo espaço e tempo), Cena (mesmo espaço e tempo) → Sequência (unidade dramática), Sequência (unidade dramática) → Filme / obraFotograma(imagem fixa)Plano (entrecorte e corte)Cena (mesmoespaço e tempo)Sequência(unidadedramática)Filme / obra
Fig. 3Fig. 3 — As unidades da linguagem audiovisual, do fotograma ao filme; o plano é a unidade básica que a montagem articula.
A montagem clássica procura ser invisível — a continuidade. Para o corte não se notar, respeita-se o raccord: a coerência entre planos no movimento, no olhar (raccord de olhar — as personagens olham nas direções certas) e na posição no espaço. A regra dos 180° (ou linha de eixo) impede que a câmara «salte» para o outro lado de uma linha imaginária entre as personagens, o que trocaria as suas posições no ecrã e desorientaria o espetador. Uma falha de raccord quebra a ilusão.
A montagem manipula o tempo. A elipse suprime o tempo «morto» (mostra-se alguém a sair de casa e, logo a seguir, a chegar ao trabalho — o percurso foi cortado). O tempo pode ser condensado ou dilatado, acelerado ou em câmara lenta, e reordenado (flashback, flashforward). Distingue-se o tempo diegético (o tempo da história) do tempo do filme (a sua duração no ecrã). O ritmo nasce da duração dos planos: planos curtos e cortes rápidos criam tensão e ação; planos longos (o plano-sequência) criam lentidão e contemplação.
Sobretudo, a montagem cria sentido — não se limita a juntar. O efeito Kuleshov (a experiência de Lev Kuliechov, por volta de 1918) mostrou-o: o mesmo plano de um rosto neutro, montado a seguir a um prato de comida, a um caixão ou a uma criança, é lido como fome, tristeza ou ternura — o sentido nasce da vizinhança, não do plano isolado. Sergei Eisenstein teorizou a montagem como choque: da colisão de dois planos nasce uma ideia nova (montagem intelectual). Montar é, assim, um ato de escrita e de pensamento.
Exemplo resolvido

Compreender o efeito Kuleshov

Monta-se o mesmo plano de um rosto de expressão neutra a seguir a três planos diferentes: (a) um prato de sopa; (b) um caixão; (c) uma criança a brincar. Como é lido o rosto em cada caso, e o que isto prova sobre a montagem?

  1. 01(a) rosto + prato de sopa

    O espetador lê no rosto neutro a fome ou o desejo — associa a expressão ao plano da comida que a precede.

  2. 02(b) rosto + caixão

    O mesmo rosto, sem qualquer alteração, é lido como tristeza ou luto — porque agora o plano vizinho é o caixão.

  3. 03(c) rosto + criança

    De novo o mesmo rosto passa a exprimir ternura ou afeto — a vizinhança da criança dá-lhe esse sentido.

Resultado: O mesmo plano de rosto é lido como fome, tristeza ou ternura consoante o plano que o antecede: o sentido nasce da montagem (da relação entre planos), não do plano isolado. É o efeito Kuleshov — a prova de que montar é criar sentido.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a montagem (seleção e ordenação de planos) e os tipos de transição (corte, fusão, fade, cortina).
  • Compreender a continuidade/raccord e a regra dos 180° (linha de eixo).
  • Explicar como a montagem manipula o tempo (elipse, ritmo) e cria sentido (efeito Kuleshov; Eisenstein).

Erros frequentes

  • Julgar a montagem uma simples «colagem» de planos, ignorando que ela cria ritmo e sentido.
  • Confundir o tempo diegético (o da história) com o tempo do filme (a duração no ecrã).
  • Ignorar o raccord e a regra dos 180°, provocando saltos e trocas de posição que quebram a ilusão.

Revisão ativa

Filma um plano de um rosto com expressão neutra e monta-o antes de três planos diferentes (uma janela à chuva, um bolo de aniversário, uma porta a fechar-se); descreve como o sentido do rosto muda em cada montagem.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Produção e história#

●●●AprofundamentoLPAE-oficina-artes-videografia

Pontos-chave

Um projeto audiovisual desenvolve-se em três fases (ver Fig. 4). A pré-produção é o planeamento — a ideia, o argumento e o guião (o texto do filme), o storyboard (a banda desenhada dos planos, que os desenha antes de rodar — uma ligação direta ao desenho), a escolha de locais, materiais e equipa. A produção (ou rodagem) é a captação dos planos — filmar, com direção, imagem, som e luz. A pós-produção é a montagem e a finalização — montar os planos, tratar o som, a cor e os efeitos. A pré-produção é a fase onde se decide o essencial: filmar sem guião nem storyboard é o erro mais comum.

As fases da produção audiovisual

Fases da produçãoGrafo, Pré-produção (guião, storyboard, planear) → Produção / rodagem (filmar os planos), Produção / rodagem (filmar os planos) → Pós-produção (montar, som, cor, finalizar)Pré−produção(guião,storyboard, pla…Produção /rodagem (filmaros planos)Pós-produção(montar, som,cor, finalizar)
Fig. 4Fig. 4 — As três fases de um projeto audiovisual: pré-produção (planear), produção (rodar) e pós-produção (montar e finalizar).
O audiovisual é uma arte colaborativa e transdisciplinar: reúne o realizador (a visão de conjunto), o argumentista, o diretor de fotografia (a imagem e a luz), o diretor de arte (os cenários e o guarda-roupa), o técnico de som, o montador e o produtor. Ninguém faz um filme sozinho — cada função contribui para a obra. O guião e o storyboard são as ferramentas que alinham toda a equipa em torno da mesma visão antes de a rodagem começar.
A história do audiovisual é curta mas intensa (ver Fig. 5). O cinema nasce com o cinematógrafo dos irmãos Lumière — a primeira exibição pública paga foi em 1895, em Paris —, com pequenos registos da realidade (a chegada de um comboio, a saída de uma fábrica). Georges Méliès, por volta de 1902 («Viagem à Lua»), inventa a ficção e os efeitos especiais — o cinema como fábrica de sonhos. Em 1927 («The Jazz Singer») o cinema torna-se sonoro, e nos anos 1930-40 generaliza-se a cor.

A história do audiovisual

História do audiovisualLinha do tempo de 1890 a 2050, 1895: Cinematógrafo (Lumière), 1902: Ficção e efeitos (Méliès), 1927: Cinema sonoro, 1965: Vídeo arte (Paik), 2005: Vídeo digital (Internet), 1890–1965: Era do cinema, 1965–2000: Era do vídeo, 2000–2050: Era digital1890ano (d.C.)Era do cinemaEra do vídeoEra digital1895Cinematógrafo(Lumière)1902Ficção e efeitos(Méliès)1927Cinema sonoro1965Vídeo arte(Paik)2005Vídeo digital(Internet)
Fig. 5Fig. 5 — Marcos da história do audiovisual, do cinematógrafo dos Lumière (1895) à vídeo arte e à era digital.
Do cinema, a imagem em movimento passa à televisão (que a massifica) e ao vídeo (a gravação magnética, mais leve e barata), que democratiza a produção. É com o vídeo que nasce a vídeo arte: Nam June Paik, a partir de 1965 (com o primeiro Portapak da Sony), faz do vídeo um meio artístico próprio. Por fim, o digital e a Internet (o YouTube, em 2005) tornam a produção e a difusão audiovisual acessíveis a toda a gente. Hoje, produzir um pequeno vídeo — planeado, rodado e montado — é um trabalho típico do portefólio, avaliado internamente (não há Exame Final Nacional).
Exemplo resolvido

Organizar a produção de um vídeo

Vais fazer um vídeo curto sobre a tua escola. Distribui as seguintes tarefas pelas três fases da produção: montagem, escrita do guião, filmagem dos planos, storyboard, tratamento do som, escolha dos locais.

  1. 01Pré-produção (planear)

    Aqui entram a escrita do guião, o storyboard e a escolha dos locais: decide-se o que dizer, que planos fazer e onde — antes de tocar na câmara.

  2. 02Produção / rodagem (captar)

    Aqui entra a filmagem dos planos: vai-se aos locais e rodam-se os planos previstos no storyboard, cuidando da imagem, da luz e do som.

  3. 03Pós-produção (montar e finalizar)

    Aqui entram a montagem e o tratamento do som: escolhem-se e ligam-se os planos, ajusta-se o som e a cor, e finaliza-se o vídeo.

Resultado: Guião, storyboard e locais são pré-produção; a filmagem dos planos é produção; a montagem e o som são pós-produção. Distribuir corretamente as tarefas pelas fases — e decidir quase tudo na pré-produção — é a chave para um projeto audiovisual bem organizado.

Foco no Exame Nacional

  • Descrever as três fases da produção (pré-produção, produção/rodagem, pós-produção) e o papel do guião e do storyboard.
  • Reconhecer o caráter colaborativo do audiovisual e os papéis da equipa (realizador, dir. de fotografia, montador).
  • Situar os marcos: Lumière (1895), Méliès (ficção/efeitos), o sonoro (1927), a vídeo arte (Paik, 1965).

Erros frequentes

  • Começar a filmar sem pré-produção (guião e storyboard), a fase onde se decide o essencial do projeto.
  • Confundir as fases (colocar a montagem na produção, ou a escolha de locais na pós-produção).
  • Datar mal a origem do cinema (não em 1895) ou confundir o cinema (Lumière) com a vídeo arte (Paik).

Revisão ativa

Planifica um pequeno vídeo de um minuto: escreve uma sinopse e o guião, faz o storyboard de cinco a oito planos e indica o que farias em cada uma das três fases (pré-produção, produção e pós-produção).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A linguagem audiovisual○
    • 02Plano, enquadramento e ângulo◐
    • 03Montagem e tempo◐
    • 04Produção e história●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Área de desenvolvimento: Videografia

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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2
Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia

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