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A videografia é a arte da imagem em movimento. Este tópico apresenta a linguagem audiovisual (imagem, som, tempo e movimento), a escala de planos, os ângulos e os movimentos de câmara, a montagem e o modo como ela manipula o tempo e cria sentido, e a produção (as suas fases) e a história do audiovisual, dos irmãos Lumière à vídeo arte e ao digital. É uma das áreas de desenvolvimento da disciplina. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional): valoriza-se a produção de um pequeno projeto audiovisual e a leitura crítica da imagem em movimento, documentadas no portefólio.
4 secções~16 min de leitura2 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Compreender a linguagem audiovisual (a imagem em movimento, o som, o tempo) e reconhecer a escala de planos e os ângulos.
nível avançado
Planificar, rodar e montar um pequeno projeto audiovisual, decidindo plano, ângulo, movimento e montagem com intenção.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Os elementos do audiovisual
Um filme é projetado a 24 fotogramas por segundo. Quantos fotogramas tem um plano de 5 segundos? E porque vemos movimento contínuo e não uma sequência de imagens paradas?
A 24 fotogramas por segundo, um plano de 5 segundos tem 24 × 5 = 120 fotogramas — 120 imagens fixas, ligeiramente diferentes umas das outras.
Cada fotograma mostra as coisas numa posição um pouco diferente do anterior; ao serem projetados muito depressa, o olho não os separa e funde-os (persistência da visão).
A sucessão rápida de imagens fixas é lida pelo cérebro como um movimento contínuo e fluido — é assim que 120 fotogramas parados se tornam 5 segundos de movimento.
Resultado: O plano tem 120 fotogramas (24 × 5). Vemos movimento contínuo porque a projeção rápida de imagens fixas, ligeiramente diferentes, é fundida pelo olho (persistência da visão) — a imagem em movimento é, na sua base, uma ilusão feita de fotogramas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Filma o mesmo plano de dez segundos com duas músicas de fundo diferentes (uma alegre, outra inquietante) e descreve como o sentido muda — mostrando que o som é parte da linguagem.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))
A escala de planos
Queres mostrar uma personagem que entra numa sala vazia, encontra uma carta em cima da mesa e a lê, com surpresa. Indica uma sucessão de planos (escala, ângulo) que conte bem este momento.
Começa-se com um plano geral da sala e da personagem a entrar: o espetador percebe o «onde» e vê a personagem pequena no espaço vazio.
Corta-se para um plano médio da personagem a chegar à mesa e, depois, para um plano de pormenor da carta em cima da mesa: o olhar do espetador é levado ao objeto importante.
No momento em que lê, corta-se para um grande plano do rosto (talvez em ligeiro contrapicado), onde se lê a surpresa — a escala fechada dá a emoção.
Resultado: Uma boa planificação vai do plano geral (situar) ao pormenor (a carta) e ao grande plano (a emoção do rosto): a sucessão de escalas e ângulos conta a cena e conduz o olhar e o sentir do espetador — é a découpage a fazer o seu trabalho.
Erros frequentes
Revisão ativa
Filma uma mesma personagem em contrapicado e em picado, e num grande plano e num plano geral, e descreve como o poder e a distância emocional mudam em cada caso.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))
As unidades do audiovisual
Monta-se o mesmo plano de um rosto de expressão neutra a seguir a três planos diferentes: (a) um prato de sopa; (b) um caixão; (c) uma criança a brincar. Como é lido o rosto em cada caso, e o que isto prova sobre a montagem?
O espetador lê no rosto neutro a fome ou o desejo — associa a expressão ao plano da comida que a precede.
O mesmo rosto, sem qualquer alteração, é lido como tristeza ou luto — porque agora o plano vizinho é o caixão.
De novo o mesmo rosto passa a exprimir ternura ou afeto — a vizinhança da criança dá-lhe esse sentido.
Resultado: O mesmo plano de rosto é lido como fome, tristeza ou ternura consoante o plano que o antecede: o sentido nasce da montagem (da relação entre planos), não do plano isolado. É o efeito Kuleshov — a prova de que montar é criar sentido.
Erros frequentes
Revisão ativa
Filma um plano de um rosto com expressão neutra e monta-o antes de três planos diferentes (uma janela à chuva, um bolo de aniversário, uma porta a fechar-se); descreve como o sentido do rosto muda em cada montagem.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))
As fases da produção audiovisual
A história do audiovisual
Vais fazer um vídeo curto sobre a tua escola. Distribui as seguintes tarefas pelas três fases da produção: montagem, escrita do guião, filmagem dos planos, storyboard, tratamento do som, escolha dos locais.
Aqui entram a escrita do guião, o storyboard e a escolha dos locais: decide-se o que dizer, que planos fazer e onde — antes de tocar na câmara.
Aqui entra a filmagem dos planos: vai-se aos locais e rodam-se os planos previstos no storyboard, cuidando da imagem, da luz e do som.
Aqui entram a montagem e o tratamento do som: escolhem-se e ligam-se os planos, ajusta-se o som e a cor, e finaliza-se o vídeo.
Resultado: Guião, storyboard e locais são pré-produção; a filmagem dos planos é produção; a montagem e o som são pós-produção. Distribuir corretamente as tarefas pelas fases — e decidir quase tudo na pré-produção — é a chave para um projeto audiovisual bem organizado.
Erros frequentes
Revisão ativa
Planifica um pequeno vídeo de um minuto: escreve uma sinopse e o guião, faz o storyboard de cinco a oito planos e indica o que farias em cada uma das três fases (pré-produção, produção e pós-produção).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Videografia (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)