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Representação expressiva e rigorosa das formas e do espaço

Representar a forma e o espaço numa superfície plana faz-se de dois modos complementares: o expressivo (o desenho de observação, sensível e à mão livre) e o rigoroso (o desenho geométrico, medido e com sistemas de representação). Este tópico distingue os dois, ensina a proporção no desenho de observação, a perspetiva linear e os sistemas de representação rigorosa (projeções, axonometria), em ligação com a Geometria Descritiva. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional).

4 secções·~16 min de leitura·2 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0666 / 16
Perfil de exame
Experimentação e criação: representar a forma e o espaço com intenção e rigorInterpretação e comunicação: usar os sistemas de representação do espaço
Operadores:distinguerepresentamedeconstróiaplicarelaciona

nível básico

Distinguir o desenho expressivo do rigoroso e reconhecer a proporção e a perspetiva.

nível avançado

Aplicar a proporção no desenho de observação e construir perspetivas e axonometrias corretas.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Representação expressiva e rigorosa das formas e do espaço
    • 01Os dois modos de representar○
    • 02Desenho de observação e proporção◐
    • 03A perspetiva◐
    • 04Sistemas de representação rigorosa●
§ 01

Os dois modos de representar#

●○○BaseLPAE-oficina-artes-representacao

Pontos-chave

Representar é dar a ver, numa superfície plana, formas e espaços do mundo tridimensional. Há dois grandes modos de o fazer, complementares e não opostos (ver Fig. 1). O desenho expressivo (ou de observação, ou à mão livre) representa a partir do olhar e da mão, de forma subjetiva e sensível: capta a aparência, a luz, o caráter, com uma margem de interpretação pessoal. O desenho rigoroso (ou geométrico, ou técnico) representa a partir de regras e medidas, de forma objetiva e exata: usa instrumentos e sistemas convencionais para descrever a forma sem ambiguidade.

Os dois modos de representar

Modos de representarGrafo, Representar a forma e o espaço → Modo expressivo (de observação), Representar a forma e o espaço → Modo rigoroso (geométrico), Modo expressivo (de observação) → Subjetivo, sensível, à mão livre, Modo rigoroso (geométrico) → Objetivo, medido, com instrumentosRepresentar aforma e o espaçoModo expressivo(de observação)Modo rigoroso(geométrico)Subjetivo,sensível, à mãolivreObjetivo,medido, cominstrumentos
Fig. 1Fig. 1 — Os dois modos complementares de representar: o expressivo (de observação) e o rigoroso (geométrico).
O desenho expressivo é o do artista que desenha o que vê (um retrato, uma paisagem, um nu). Assenta na observação atenta e na destreza da mão, e admite a subjetividade: duas pessoas a desenhar o mesmo modelo produzem desenhos diferentes, ambos válidos. Procura a verosimilhança e a expressão, mais do que a exatidão métrica — importa que «se pareça» e que «comunique», não que as medidas estejam ao milímetro. É o desenho da sensibilidade.
O desenho rigoroso é o do arquiteto, do engenheiro, do designer que precisa de descrever um objeto ou um espaço com exatidão, para que possa ser construído ou fabricado. Usa a régua, o esquadro, o compasso (ou o computador) e sistemas de representação convencionais — as projeções, a perspetiva geométrica, a axonometria — que qualquer técnico sabe ler da mesma maneira. Aqui não há subjetividade: o desenho tem de ser exato, unívoco e mensurável. É o desenho da precisão, e é a matéria da disciplina de Geometria Descritiva A.
Estes dois modos não competem: cooperam. Um mesmo projeto pode começar por esboços expressivos que exploram ideias (rápidos, sensíveis) e terminar em desenhos rigorosos que definem a solução com exatidão (medidos, técnicos). O artista beneficia de conhecer alguma geometria (para construir o espaço com verdade); o técnico beneficia de saber desenhar à mão (para pensar e comunicar depressa). Dominar os dois modos — e saber quando usar cada um — é uma competência completa de representação, que este tópico desenvolve.
Exemplo resolvido

Escolher o modo de representação

Um designer quer, primeiro, explorar rapidamente várias ideias para uma cadeira e, depois, entregar o desenho definitivo à fábrica para produção. Que modo de representação usa em cada fase e porquê?

  1. 01Explorar ideias

    Na fase de ideação, usa o desenho expressivo à mão livre (esboços rápidos): permite pensar depressa, tentar muitas hipóteses e captar a intenção, sem exigir exatidão.

  2. 02Definir para produção

    Para a fábrica, usa o desenho rigoroso (com medidas, projeções, escala): a fábrica precisa de dimensões exatas e unívocas para construir a cadeira.

  3. 03A complementaridade

    Os dois modos servem fins diferentes na mesma cadeira: o expressivo para conceber, o rigoroso para especificar. Faltando um, o projeto falharia ou na ideia ou na execução.

Resultado: O designer usa o desenho expressivo para explorar ideias (rápido, sensível) e o rigoroso para a produção (exato, mensurável). A escolha do modo segue a fase e a finalidade — prova de que os dois são complementares, não alternativos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir o desenho expressivo/de observação (subjetivo, à mão livre) do rigoroso/geométrico (objetivo, medido).
  • Reconhecer os instrumentos e a finalidade de cada modo (sensibilidade vs precisão).
  • Compreender que os dois modos são complementares num mesmo projeto.

Erros frequentes

  • Confundir o desenho expressivo com o rigoroso (esperar exatidão métrica de um estudo à mão livre).
  • Julgar o desenho rigoroso «sem arte» e o expressivo «sem regras» — ambos têm exigências próprias.
  • Pensar que os dois modos se excluem, quando um mesmo projeto os combina.

Revisão ativa

Desenha o mesmo objeto de dois modos — um esboço expressivo à mão livre e um desenho rigoroso com instrumentos — e compara o que cada um mostra melhor.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Representação expressiva e rigorosa (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Desenho de observação e proporção#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-representacao

Pontos-chave

O desenho de observação representa o que se vê — um objeto, uma figura, um espaço — com fidelidade sensível. A sua base é a proporção: a relação correta de tamanho entre as partes e o todo. Um desenho pode ter um traço belíssimo e falhar por completo se as proporções estiverem erradas (uma cabeça grande demais, umas pernas curtas demais). Aprender a ver e a transferir as proporções corretas é, por isso, a competência fundamental do desenho de observação.
Para medir proporções à vista, usa-se um método simples e eficaz: medir com o lápis. De braço esticado, fecha-se um olho e usa-se o lápis como régua, tomando uma medida-padrão (por exemplo, a altura da cabeça) e comparando com ela as restantes dimensões («o corpo tem sete cabeças e meia de altura», «o braço tem três cabeças»). Trabalha-se sempre por comparação e por relação, não por medida absoluta: o que importa é que as proporções entre as partes estejam certas, independentemente do tamanho do desenho.
Na figura humana, a tradição fixou cânones de proporção — sistemas ideais de medida (ver Fig. 2). O mais usado toma a cabeça como unidade: a figura adulta idealizada mede cerca de oito cabeças de altura (o cânone clássico e heroico); a figura natural, mais realista, cerca de sete e meia. Marcos úteis: o meio do corpo fica sensivelmente à altura do púbis (quatro cabeças a contar do topo), os joelhos por volta das seis cabeças, os cotovelos à cintura, e a envergadura dos braços abertos aproxima-se da altura total. Estes valores são guias, não regras absolutas — cada modelo real tem as suas proporções.

O cânone das proporções da figura humana

Cânone das proporçõesFigura geométrica, 1 · queixo, 4 · meio do corpo, 6 · joelhos, altura ≈ 8 cabeçasx1x2altura ≈ 8cabeças1 · queixo4 · meiodo corpo6 ·joelhos
Fig. 2Fig. 2 — O cânone das oito cabeças: a altura da figura idealizada mede oito vezes a cabeça, com marcos no meio do corpo e nos joelhos.
O desenho de observação exige ainda outras estratégias de ver com rigor. O enquadramento (decidir o que entra e como se dispõe no papel), a construção geométrica prévia (reduzir formas complexas a formas simples — o tronco a um ovoide, a cabeça a uma esfera — antes do pormenor), a atenção aos eixos e às linhas de força, e a verificação constante por comparação. Desenhar do geral para o particular — primeiro as grandes proporções e massas, só depois os pormenores — evita o erro clássico de começar por um detalhe e descobrir, no fim, que o conjunto está desproporcionado.
Exemplo resolvido

Medir proporções com o lápis

Ao desenhar uma pessoa de pé, mediste que a cabeça «cabe» sete vezes e meia na altura total. No teu desenho, a cabeça mede 3 cm. Que altura deve ter a figura, e onde fica sensivelmente o meio do corpo?

  1. 01A relação medida

    A altura total é 7,5 vezes a cabeça (proporção observada com o lápis).

  2. 02Calcular a altura no desenho

    Se a cabeça mede 3 cm, a figura deve medir 7,5 × 3 = 22,5 cm de altura, para manter a proporção observada.

  3. 03Situar o meio do corpo

    O meio do corpo (púbis) fica a cerca de 4 cabeças a contar do topo, ou seja 4 × 3 = 12 cm abaixo do topo da cabeça (aproximadamente a meia altura).

Resultado: Com a cabeça a 3 cm e a proporção de 7,5 cabeças, a figura mede ≈ 22,5 cm, e o meio do corpo fica a ≈ 12 cm do topo. Trabalhar por relação (a cabeça como unidade) garante proporções corretas, seja qual for o tamanho do desenho.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a importância da proporção no desenho de observação e o método de medir com o lápis.
  • Conhecer os cânones da figura humana (≈ 8 cabeças idealizada, ≈ 7,5 natural) e os marcos principais.
  • Aplicar a estratégia do geral para o particular (grandes proporções e massas antes do pormenor).

Erros frequentes

  • Começar pelo pormenor e descobrir no fim que o conjunto está desproporcionado.
  • Medir por medidas absolutas em vez de por comparação/relação entre as partes.
  • Tomar o cânone (≈ 8 cabeças) como regra fixa, esquecendo que cada modelo tem as suas proporções.

Revisão ativa

Desenha uma figura de pé usando o cânone das oito cabeças: divide a altura em oito partes iguais e situa a cabeça, o meio do corpo, os joelhos e os pés.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Representação expressiva e rigorosa (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A perspetiva#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-representacao

Pontos-chave

A perspetiva é o conjunto de meios para representar, numa superfície plana, a ilusão de profundidade — o espaço tridimensional. A grande invenção foi a perspetiva linear (ou cónica), formulada no Renascimento italiano do século XV (Filippo Brunelleschi demonstrou-a, Leon Battista Alberti codificou-a no tratado «Da Pintura», 1435). Assenta numa ideia simples e poderosa: as linhas paralelas que se afastam do observador parecem convergir para um ponto de fuga, situado sobre a linha do horizonte, à altura dos olhos do observador (ver Fig. 3).

Perspetiva linear de um ponto de fuga

Perspetiva de um ponto de fugaFigura geométrica, ponto de fuga, linha do horizonte, linhas de fuga, face frontalponto defugax1x2face frontallinha dohorizontelinhas defuga
Fig. 3Fig. 3 — Perspetiva de um ponto de fuga: as arestas de profundidade convergem para o ponto de fuga, sobre a linha do horizonte.
Os elementos da perspetiva linear são poucos e precisos. A linha do horizonte representa a altura dos olhos (o nível do observador). Os pontos de fuga são os pontos, sobre o horizonte, para onde convergem as linhas de profundidade (as ortogonais). Conforme o número de pontos de fuga, fala-se de perspetiva de um ponto de fuga (um cubo visto de frente: só as arestas de profundidade fogem para um ponto), de dois pontos (o cubo visto de aresta: duas famílias de linhas fogem para dois pontos) ou de três pontos (acrescenta a fuga em altura, para vistas muito de baixo ou de cima). Quanto mais alto ou mais baixo o horizonte, mais se vê por cima ou por baixo.
Além da perspetiva linear (geométrica), há a perspetiva aérea (ou atmosférica), que não usa linhas mas o comportamento da luz e da cor com a distância. Leonardo da Vinci descreveu-a: o que está longe vê-se com menos nitidez, menos contraste, tons mais claros e azulados, porque a espessura do ar se interpõe (é o que faz as montanhas distantes parecerem azuladas e esbatidas). As duas perspetivas combinam-se na pintura: a linear organiza o espaço pela geometria; a atmosférica reforça a profundidade pela cor e pelo valor.
A perspetiva linear é, ao mesmo tempo, um sistema rigoroso (construível com régua) e um instrumento expressivo. A escolha do ponto de vista muda tudo: um horizonte baixo torna as formas monumentais (vemo-las de baixo, imponentes); um horizonte alto dá uma vista dominante (vemos de cima, como um mapa); a posição do ponto de fuga dirige o olhar. Dominar a perspetiva permite construir espaços credíveis e, mais do que isso, escolher o ponto de vista que melhor serve a intenção da imagem — uma decisão que a fotografia e o cinema herdaram diretamente.
Exemplo resolvido

Ler a perspetiva de uma imagem

Numa fotografia de uma rua, as arestas dos edifícios e o passeio parecem convergir todos para um mesmo ponto ao fundo, e esse ponto está bastante abaixo do centro da imagem. Que perspetiva é, e o que indica a posição do ponto?

  1. 01Identificar a perspetiva

    As linhas paralelas de profundidade (arestas, passeio) convergem para um único ponto ao fundo — é uma perspetiva de um ponto de fuga (vista frontal da rua).

  2. 02Localizar o horizonte

    O ponto de fuga situa-se sobre a linha do horizonte, que corresponde à altura dos olhos; estando baixo na imagem, o horizonte é baixo.

  3. 03Interpretar o efeito

    Um horizonte baixo significa que a câmara estava perto do chão (ponto de vista baixo): os edifícios erguem-se imponentes acima do observador, ganhando monumentalidade.

Resultado: É uma perspetiva de um ponto de fuga, com horizonte baixo — a câmara esteve perto do chão, o que torna os edifícios monumentais. Ler a perspetiva é localizar o ponto de fuga e o horizonte e, com eles, deduzir o ponto de vista e o seu efeito.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a perspetiva linear: convergência das paralelas para o(s) ponto(s) de fuga sobre a linha do horizonte.
  • Distinguir perspetiva de um, dois e três pontos de fuga, e a perspetiva linear da aérea/atmosférica.
  • Relacionar a altura do horizonte e a posição do ponto de vista com o efeito expressivo.

Erros frequentes

  • Colocar o ponto de fuga fora da linha do horizonte, ou esquecer que o horizonte é a altura dos olhos.
  • Confundir perspetiva linear (linhas que convergem) com perspetiva aérea (esbatimento pela cor/valor).
  • Fazer todas as linhas convergir, quando só as de profundidade (ortogonais) fogem para o ponto.

Revisão ativa

Constrói, à régua, a perspetiva de um cubo com um ponto de fuga: desenha a face frontal, marca o ponto de fuga no horizonte e leva as arestas de profundidade até ele.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Representação expressiva e rigorosa (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Sistemas de representação rigorosa#

●●●AprofundamentoLPAE-oficina-artes-representacao

Pontos-chave

Quando é preciso descrever um objeto com exatidão total — para o construir ou fabricar —, a perspetiva não basta (deforma as medidas). Usam-se então os sistemas de representação rigorosa, que são convenções geométricas que descrevem a forma de modo unívoco e mensurável (ver Fig. 4). São a matéria da Geometria Descritiva A, disciplina irmã de Oficina de Artes no curso de Artes Visuais, e o desenho técnico do arquiteto, do engenheiro e do designer. O seu princípio é a projeção: projetar o objeto sobre planos, segundo regras fixas.

Representação axonométrica de um sólido

Representação axonométricaFigura geométrica (3D)xyz
Fig. 4Fig. 4 — A axonometria dá uma vista tridimensional mantendo o paralelismo das arestas — rigorosa e legível de relance.
O sistema mais completo é o das projeções ortogonais (a dupla projeção ortogonal, ou método de Monge): representa-se o objeto por várias vistas obtidas projetando-o perpendicularmente sobre planos — tipicamente a planta (vista de cima), o alçado (vista de frente) e o perfil (vista de lado). Cada vista mostra as verdadeiras dimensões nesse plano, sem deformação; juntas, descrevem o objeto por completo. É o sistema dos projetos de arquitetura e de engenharia, em que as medidas têm de estar exatas para a construção.
Os sistemas axonométricos, pelo contrário, dão numa só imagem uma vista tridimensional do objeto, mantendo o paralelismo das arestas (as linhas paralelas continuam paralelas, não convergem como na perspetiva). Há vários: a axonometria isométrica (os três eixos a 120° entre si, muito usada porque é fácil de construir e mede-se diretamente sobre os eixos), a dimétrica e a cavaleira (com uma face em verdadeira grandeza e a profundidade em oblíquo). A axonometria é o compromisso ideal entre o rigor (mantém proporções e é mensurável) e a legibilidade tridimensional (mostra o objeto «a três dimensões» de relance) — daí o seu uso no design e nos manuais de montagem.
Escolher o sistema depende do objetivo. Para dar todas as medidas exatas a quem vai construir, usam-se as projeções ortogonais (planta, alçado, perfil). Para dar uma ideia rápida e mensurável do objeto no espaço, usa-se a axonometria. Para dar a ilusão realista de como o olho o veria, usa-se a perspetiva cónica (a da secção anterior). Uma noção transversal é a de escala: como o desenho raramente tem o tamanho real do objeto, indica-se a razão entre o desenho e a realidade (por exemplo, escala 1:50 significa que 1 cm no papel representa 50 cm reais). Dominar estes sistemas é a base da comunicação técnica em arquitetura, design e engenharia.
Exemplo resolvido

Escolher o sistema de representação

Um designer tem de (a) entregar à oficina as medidas exatas de uma estante para a construírem e (b) mostrar ao cliente, numa só imagem, o aspeto tridimensional da estante. Que sistema de representação usa em cada caso?

  1. 01Medidas para construir (a)

    Usa as projeções ortogonais — planta, alçado e perfil —, que dão as verdadeiras dimensões em cada plano, sem deformação, com escala indicada; é o que a oficina precisa para construir.

  2. 02Aspeto tridimensional (b)

    Usa a axonometria (por exemplo, isométrica): numa só imagem mostra a estante «a três dimensões», mantendo as arestas paralelas e as proporções, de leitura imediata para o cliente.

  3. 03Porquê não a perspetiva cónica

    A perspetiva cónica daria uma imagem realista mas com as medidas deformadas (as arestas convergem), imprópria para transmitir dimensões exatas.

Resultado: Para construir, projeções ortogonais (planta, alçado, perfil, à escala); para mostrar o objeto em 3D de forma mensurável, axonometria. Cada sistema serve um objetivo — o rigor mensurável ou a legibilidade tridimensional — e escolhê-lo bem é dominar a representação rigorosa.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o princípio da projeção e distinguir projeções ortogonais (planta, alçado, perfil) de axonometria.
  • Reconhecer que a axonometria mantém o paralelismo das arestas (ao contrário da perspetiva cónica).
  • Compreender a noção de escala (por exemplo, 1:50) e relacionar os sistemas com a Geometria Descritiva.

Erros frequentes

  • Confundir axonometria (arestas paralelas, mensurável) com perspetiva cónica (arestas convergentes).
  • Confundir planta (vista de cima) com alçado (vista de frente).
  • Ignorar a escala, ou lê-la ao contrário (numa escala 1:50, o desenho é menor do que o real).

Revisão ativa

Representa um cubo de dois modos rigorosos — em projeções ortogonais (planta, alçado, perfil) e em axonometria isométrica — e indica uma escala para cada desenho.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Representação expressiva e rigorosa (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Os dois modos de representar○
    • 02Desenho de observação e proporção◐
    • 03A perspetiva◐
    • 04Sistemas de representação rigorosa●

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Representação expressiva e rigorosa das formas e do espaço

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  • Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Representação expressiva e rigorosa

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