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A arte visual é uma linguagem: comunica através de imagens, que são conjuntos de signos. Este tópico apresenta o circuito da comunicação visual, define o signo (significante e significado) e o referente, distingue denotação de conotação, classifica os tipos de signo (ícone, índice e símbolo) e ensina a ler a imagem nos seus dois planos. É a base teórica que atravessa toda a disciplina. Sendo Oficina de Artes avaliada por avaliação interna (sem Exame Final Nacional), estes conceitos são mobilizados na análise de obras e na fundamentação dos projetos.
5 secções~20 min de leitura2 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Distinguir significante de significado, denotação de conotação, e reconhecer os três tipos de signo.
nível avançado
Analisar autonomamente uma imagem nos dois planos (expressão e conteúdo), identificando os signos e o seu funcionamento.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O circuito da comunicação visual
Um município encomenda um cartaz para uma campanha de reciclagem, afixado nas ruas. Identifica, nesse caso, cada elemento do circuito da comunicação visual.
O emissor é o município (e o designer que executa), que tem a intenção de promover a reciclagem.
A mensagem é o cartaz (imagens, cores, texto); o código são as convenções visuais usadas — por exemplo, o verde associado ao ambiente, as setas circulares da reciclagem.
O canal é o cartaz impresso afixado na rua; o recetor é o cidadão que passa e o lê.
O contexto é a preocupação ambiental atual e a campanha; o referente é o comportamento real (separar o lixo) para que a mensagem remete.
Resultado: O cartaz é uma mensagem visual em que o município (emissor) codifica, num cartaz de rua (canal), com convenções visuais (código), um apelo à reciclagem dirigido ao cidadão (recetor), num contexto de preocupação ambiental. Só comunica se o cidadão partilhar o código (reconhecer os símbolos da reciclagem).
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um cartaz publicitário e identifica nele os elementos do circuito da comunicação visual (emissor, mensagem, recetor, código, canal, contexto).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Linguagem plástica e sistemas sígnicos (Direção-Geral da Educação (DGE))
A estrutura do signo visual
Analisa o sinal de trânsito «STOP» (um octógono vermelho com a palavra STOP), identificando o significante, o significado e o referente, e a natureza da relação entre eles.
O significante é a forma percetível: o octógono vermelho com as letras brancas — a mancha de cor e forma que os olhos captam.
O significado é o conceito que evoca: «paragem obrigatória», a ordem de parar completamente o veículo.
O referente é a situação real do mundo a que se aplica: aquele cruzamento, aquela obrigação de parar ali.
A relação é convencional (simbólica): nada, na forma octogonal vermelha, obriga naturalmente a significar «pare» — foi o código rodoviário que o fixou; noutra convenção poderia ser outra forma.
Resultado: No sinal STOP, o significante é o octógono vermelho com letras, o significado é a ordem de parar e o referente é a paragem concreta exigida naquele local. A relação forma-sentido é convencional: só quem conhece o código rodoviário a descodifica — o que prova que o signo não se confunde nem com a ideia nem com a coisa real.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante o desenho de um coração vermelho, identifica o significante, o significado (ou significados) e o referente, explicando por que a relação é sobretudo convencional.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Linguagem plástica e sistemas sígnicos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Denotação e conotação
Numa campanha, aparece a fotografia de um cão sentado junto a uma mala de viagem, numa estação vazia, ao entardecer. Lê a imagem distinguindo a denotação da conotação.
Um cão sentado, uma mala fechada, uma estação sem pessoas, luz de fim de tarde. Descrição literal, sem interpretar.
O cão junto à mala numa estação vazia conota abandono, espera, solidão e fidelidade; o entardecer reforça a melancolia; a ausência de pessoas acentua o desamparo.
Cada conotação apoia-se num elemento concreto: a solidão vem da estação vazia; a espera, da postura sentada e imóvel; a melancolia, da luz do entardecer.
Se for uma campanha contra o abandono de animais, a conotação de fidelidade e desamparo é exatamente o que a torna persuasiva — comunica pela emoção, não pela descrição.
Resultado: A imagem denota um cão junto a uma mala numa estação ao entardecer; conota abandono, espera e solidão. A leitura correta parte da descrição (denotação) e fundamenta as conotações nos elementos visíveis — mostrando como a imagem persuade pelo segundo nível de sentido.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma imagem publicitária e distingue, por escrito, o que ela denota (nível literal) do que conota (sentidos culturais), justificando cada conotação com elementos concretos da imagem.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Linguagem plástica e sistemas sígnicos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os tipos de signo de Peirce
Classifica como ícone, índice ou símbolo, justificando: (a) uma fotografia de um rosto; (b) uma pegada na areia; (c) o símbolo do euro (€); (d) uma seta a apontar.
Ícone — significa por semelhança visual com o rosto (embora seja também índice, por ter sido causada pela luz do rosto real).
Índice — é um vestígio deixado pelo pé; significa por contiguidade física e causa-efeito, não por semelhança.
Símbolo — a relação com a moeda é puramente convencional; nada na forma obriga a significar «euro»; é preciso conhecer o código.
Índice — aponta para uma direção por relação de contiguidade/orientação (indica «para ali»); é o exemplo clássico de signo indexical.
Resultado: (a) ícone (também índice); (b) índice; (c) símbolo; (d) índice. A classificação obriga a perguntar, em cada caso, por que via o signo significa — semelhança, vestígio ou convenção —, que é o cerne da tríade de Peirce.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica cada um destes signos como ícone, índice ou símbolo, justificando: (a) uma fotografia de um rosto; (b) uma pegada na areia; (c) o símbolo do euro (€); (d) uma seta a apontar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Linguagem plástica e sistemas sígnicos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os dois planos da leitura da imagem
Perante um cartaz em que uma figura, fotografada de baixo para cima sobre um céu limpo, ergue o punho, com cores vivas e saturadas, aplica a leitura em dois planos.
Ângulo baixo (contrapicado), figura recortada sobre o céu, punho erguido, cores vivas e saturadas, composição centrada e estável. Descrição, sem interpretar.
Uma pessoa a erguer o punho ao ar livre. Sentido literal.
O contrapicado conota poder e grandeza; o punho erguido é símbolo de luta e resistência; as cores saturadas conotam energia e otimismo; o céu limpo, esperança.
Cada leitura do conteúdo assenta num elemento da expressão: o poder vem do ângulo, a luta do gesto simbólico, a energia da cor — a forma constrói a mensagem.
Resultado: A leitura mostra como o plano da expressão (contrapicado, punho, cor saturada) produz o plano do conteúdo (poder, luta, esperança). A interpretação é sólida porque cada sentido se fundamenta num elemento visível — a diferença entre ler e apenas reagir.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma pintura ou uma fotografia e lê-a por escrito, primeiro descrevendo o plano da expressão (elementos plásticos) e só depois interpretando o plano do conteúdo (mensagem), ligando um ao outro.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Linguagem plástica e sistemas sígnicos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)