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O desenho é a área fundadora das artes visuais — a base de todas as outras e uma disciplina autónoma. Este tópico apresenta o desenho como área (as suas funções: registar, estudar/projetar, exprimir, obra), as suas modalidades (croqui, esboço, estudo, desenho de observação, de memória, de invenção), os seus géneros e técnicas, e o seu lugar na história da arte. É uma das áreas em que se desenvolvem projetos na disciplina. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional).
4 secções~15 min de leitura2 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer as funções e modalidades do desenho e praticar o desenho de observação.
nível avançado
Desenvolver projetos de desenho explorando modalidades, géneros e técnicas com intenção.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As funções do desenho
Num caderno de um arquiteto encontram-se: (a) um apontamento rápido de uma fachada que ele viu na rua; (b) vários estudos da planta de uma casa que projeta; (c) um desenho muito trabalhado de uma paisagem, assinado. Que função tem cada um?
É um registo: desenha para guardar o que viu, uma nota visual sem outra intenção imediata.
É desenho de estudo/projeto: desenha para pensar e preparar a obra (a casa) — o desenho como ferramenta de conceção.
É obra autónoma (e expressão): o desenho é um fim em si, acabado e assumido como obra, com valor próprio.
Resultado: (a) registo, (b) estudo/projeto, (c) obra autónoma/expressão. O mesmo caderno mostra as várias funções do desenho — reconhecê-las é compreender por que e para que se desenha em cada caso.
Erros frequentes
Revisão ativa
Faz quatro pequenos desenhos do mesmo objeto, um por cada função (registo, estudo, expressão, obra), e explica como muda a intenção.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))
Modalidades do desenho
Vês, do autocarro, uma cena urbana interessante que passa depressa; mais tarde, queres desenvolvê-la num desenho elaborado. Que modalidades usas, e por que ordem?
Faz-se um croqui/apontamento rapidíssimo, captando só o essencial (a estrutura da cena, as massas, uma nota de cor), porque não há tempo para mais.
Logo a seguir, ainda com a cena fresca, completa-se por desenho de memória o que o croqui não fixou, recuperando pormenores retidos.
Depois, a partir do croqui e da memória, fazem-se estudos de partes (as figuras, a luz) e, por fim, o desenho elaborado (acabado).
Resultado: Começa-se por um croqui de observação (rápido, no momento), completa-se por desenho de memória e desenvolve-se em estudos até ao desenho acabado. Escolher a modalidade segundo o tempo e o fim disponíveis é dominar a prática do desenho.
Erros frequentes
Revisão ativa
Desenha a mesma cena em três modalidades — um croqui rápido, um estudo demorado de uma parte e um desenho de memória (sem olhar) — e compara o que cada uma treina.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))
Géneros do desenho
Queres fazer um projeto de desenho que estude sobretudo a luz e a textura, num quadro controlado que possas montar tu próprio. Que género escolhes, e que técnica lhe seria adequada?
A natureza-morta é o género ideal: podes dispor os objetos, controlar a luz e observar com calma a forma, o valor e a textura — um «laboratório» do desenho.
Escolhes objetos com texturas e formas variadas (um vidro, um pano, uma fruta) e diriges uma luz lateral, que revela os relevos e as texturas.
Uma técnica que module bem o valor — o carvão ou a grafite com esbatido, ou aguadas de tinta-da-china — presta-se ao estudo da luz e da textura.
Resultado: Para estudar a luz e a textura, escolhe-se a natureza-morta (motivo controlável) com uma técnica de valor (carvão/grafite esbatidos ou aguadas). A escolha do género e da técnica decorre do objetivo do projeto — aqui, observar a luz sobre as formas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um género (por exemplo, a natureza-morta) e realiza-o em duas técnicas diferentes, comparando o efeito de cada uma.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))
O desenho na história da arte
Compara o papel do desenho no Renascimento (por exemplo, num estudo de Leonardo) e no século XX (por exemplo, num desenho de linha única de Matisse). Que mudou?
Em Leonardo, o desenho é estudo e conhecimento: investiga a anatomia, a luz, a proporção com rigor de observação; serve o disegno (a conceção) e a preparação da obra.
Em Matisse, o desenho é síntese e expressão: reduz a figura a uma linha essencial e espontânea, valendo por si, não como estudo para outra obra.
Passou-se de um desenho ao serviço do rigor e da conceção (meio de conhecer e preparar) para um desenho autónomo, expressivo e sintético (fim em si) — sem que o primeiro se perdesse.
Resultado: Do estudo rigoroso e preparatório de Leonardo à linha essencial e autónoma de Matisse, o desenho passou de fundamento e meio a prática expressiva e fim em si. A comparação mostra como o mesmo desenho mudou de estatuto ao longo da história, sem deixar de ser central.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe dois desenhos de épocas diferentes (um renascentista e um do século XX) e compara o estatuto e o tratamento do desenho em cada um.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)