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Área de desenvolvimento: Desenho

O desenho é a área fundadora das artes visuais — a base de todas as outras e uma disciplina autónoma. Este tópico apresenta o desenho como área (as suas funções: registar, estudar/projetar, exprimir, obra), as suas modalidades (croqui, esboço, estudo, desenho de observação, de memória, de invenção), os seus géneros e técnicas, e o seu lugar na história da arte. É uma das áreas em que se desenvolvem projetos na disciplina. É matéria de avaliação interna (Oficina de Artes não tem Exame Final Nacional).

4 secções·~15 min de leitura·2 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0888 / 16
Perfil de exame
Experimentação e criação: desenvolver projetos na área do desenhoApropriação e reflexão: reconhecer o papel e as modalidades do desenho
Operadores:desenhadistinguedescreveregistarepresentarelaciona

nível básico

Reconhecer as funções e modalidades do desenho e praticar o desenho de observação.

nível avançado

Desenvolver projetos de desenho explorando modalidades, géneros e técnicas com intenção.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Área de desenvolvimento: Desenho
    • 01O desenho como área e as suas funções○
    • 02Modalidades do desenho◐
    • 03Géneros e técnicas do desenho◐
    • 04O desenho na história da arte●
§ 01

O desenho como área e as suas funções#

●○○BaseLPAE-oficina-artes-desenho

Pontos-chave

O desenho é, ao mesmo tempo, a base de todas as artes visuais e uma área autónoma com valor próprio. É a base porque quase tudo começa por um desenho: o pintor esboça, o escultor estuda, o arquiteto e o designer projetam desenhando. E é autónomo porque um desenho pode ser uma obra acabada, com pleno valor artístico, e não apenas um meio para outra coisa. Distinguem-se, por isso, várias funções do desenho, que convém conhecer (ver Fig. 1).

As funções do desenho

Funções do desenhoGrafo, Desenho → Registo (guardar o que se vê), Desenho → Estudo / projeto (pensar, preparar), Desenho → Expressão (comunicar), Desenho → Obra autónoma (fim em si)DesenhoRegisto (guardaro que se vê)Estudo /projeto(pensar,preparar)Expressão(comunicar)Obra autónoma(fim em si)
Fig. 1Fig. 1 — As funções do desenho: registar, estudar/projetar, exprimir e ser obra em si.
A primeira função é o registo: desenhar para guardar o que se vê ou se imagina — um apontamento rápido, uma nota visual, um levantamento. A segunda é o estudo e o projeto: desenhar para pensar e para preparar outra obra — os estudos de uma pintura, os esboços de uma escultura, os desenhos técnicos de um objeto. Aqui o desenho é uma ferramenta de conceção, o modo de «pensar com o lápis». Na teoria renascentista, esta dupla dimensão exprimia-se na palavra disegno, que significava a um tempo o desenho e a ideia/conceção da obra.
A terceira função é a expressão: desenhar para comunicar uma emoção, uma sensação, uma visão pessoal, com a energia do traço e do gesto — o desenho como linguagem da subjetividade. A quarta é a obra autónoma: o desenho como fim em si, obra acabada e exposta (muitos mestres deixaram desenhos que valem tanto como as suas pinturas). Estas funções não se excluem: um mesmo desenho pode registar, estudar e exprimir ao mesmo tempo. Mas identificá-las ajuda a compreender por que e para que se desenha.
Importa distinguir «desenho» de «desenhar». Desenhar é o ato (traçar, marcar uma superfície); o desenho é tanto o ato como o resultado e a disciplina. E o desenho não se reduz à representação figurativa: há desenho abstrato, desenho de invenção, desenho como escrita e gesto. O que define o desenho é sobretudo a marca gráfica sobre uma superfície — a linha, o traço, a mancha —, seja qual for o seu propósito. Compreender a amplitude do desenho (do apontamento à obra, do figurativo ao abstrato) é entrar bem nesta área fundadora.
Exemplo resolvido

Identificar a função de um desenho

Num caderno de um arquiteto encontram-se: (a) um apontamento rápido de uma fachada que ele viu na rua; (b) vários estudos da planta de uma casa que projeta; (c) um desenho muito trabalhado de uma paisagem, assinado. Que função tem cada um?

  1. 01(a) O apontamento da rua

    É um registo: desenha para guardar o que viu, uma nota visual sem outra intenção imediata.

  2. 02(b) Os estudos da planta

    É desenho de estudo/projeto: desenha para pensar e preparar a obra (a casa) — o desenho como ferramenta de conceção.

  3. 03(c) A paisagem assinada

    É obra autónoma (e expressão): o desenho é um fim em si, acabado e assumido como obra, com valor próprio.

Resultado: (a) registo, (b) estudo/projeto, (c) obra autónoma/expressão. O mesmo caderno mostra as várias funções do desenho — reconhecê-las é compreender por que e para que se desenha em cada caso.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer o desenho como base das artes visuais e como área autónoma.
  • Distinguir as funções do desenho: registo, estudo/projeto, expressão, obra autónoma.
  • Compreender o conceito renascentista de disegno (desenho + conceção) e a amplitude do desenho.

Erros frequentes

  • Reduzir o desenho a meio para outra obra, negando-lhe valor autónomo.
  • Confundir desenho com representação figurativa (esquecer o desenho abstrato e de invenção).
  • Julgar que desenhar é só «copiar o que se vê», ignorando as funções de projeto e de expressão.

Revisão ativa

Faz quatro pequenos desenhos do mesmo objeto, um por cada função (registo, estudo, expressão, obra), e explica como muda a intenção.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Modalidades do desenho#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-desenho

Pontos-chave

O desenho tem várias modalidades, que se distinguem pelo grau de acabamento, pela rapidez e pela fonte (o natural, a memória, a imaginação). Conhecê-las e usar a certa em cada momento faz parte do domínio da área (ver Fig. 2). Não se trata de níveis de qualidade, mas de tipos de desenho com propósitos diferentes: o apontamento rápido não pretende o acabamento do estudo, nem este a espontaneidade daquele.

Modalidades do desenho

Modalidades do desenhoTabela com 2 colunas e 6 linhas, Dados: Modalidade · O que é; Croqui / apontamento · Desenho muito rápido e sintético, o essencial de relance; Esboço · Desenho preliminar da estrutura geral de uma ideia; Estudo · Desenho aprofundado de uma parte ou aspeto; Desenho de observação · Representa o que se vê diretamente (do natural); Desenho de memória · Representa algo já visto, ausente no momento; Desenho de invenção · Representa algo que não existe, criado pela mente, célula destacada: Representa o que se vê diretamente (do natural)MODALIDADEO QUE ÉCROQUI /APONTAMENTODesenho muito rápido esintético, o essencial derelanceESBOÇODesenho preliminar daestrutura geral de uma ideiaESTUDODesenho aprofundado de umaparte ou aspetoDESENHO DEOBSERVAÇÃORepresenta o que se vêdiretamente (do natural)DESENHO DE MEMÓRIARepresenta algo já visto,ausente no momentoDESENHO DEINVENÇÃORepresenta algo que nãoexiste, criado pela mente
Fig. 2Fig. 2 — As modalidades do desenho, pelo grau de acabamento e pela fonte (observação, memória, invenção).
Quanto ao grau de acabamento e rapidez, há uma escala. O croqui ou apontamento é um desenho muito rápido, sintético, que capta o essencial de relance (uma pose, uma cena, uma ideia) em poucos traços. O esboço é um desenho preliminar que fixa a estrutura geral de uma composição ou de uma ideia, ainda sem pormenor. O estudo é um desenho mais aprofundado e demorado, que investiga uma parte ou um aspeto (as mãos, a luz, uma expressão) com atenção. E o desenho acabado é a obra final, resolvida em todos os pormenores.
Quanto à fonte, distinguem-se três modalidades fundamentais. O desenho de observação (ou do natural, ou à vista) representa algo que se está a ver diretamente — é o treino por excelência do olhar e da mão. O desenho de memória representa algo já visto, mas ausente no momento — treina a retenção e a compreensão das formas. O desenho de invenção (ou de imaginação) representa algo que não existe, criado pela mente — é a modalidade da criação livre, do projeto e da fantasia. As três exercitam capacidades diferentes e complementares.
Na prática do projeto, estas modalidades combinam-se e sucedem-se. Começa-se muitas vezes por croquis e apontamentos de observação (recolha), passa-se a esboços de invenção (ideação), depois a estudos aprofundados (desenvolvimento) e, por fim, ao desenho acabado (execução). Saber que modalidade usar em cada fase — rápida e sintética para gerar, demorada e minuciosa para resolver — é uma competência de método. E praticar todas, sobretudo o desenho de observação, é o modo de manter o olhar e a mão em forma.
Exemplo resolvido

Escolher a modalidade certa

Vês, do autocarro, uma cena urbana interessante que passa depressa; mais tarde, queres desenvolvê-la num desenho elaborado. Que modalidades usas, e por que ordem?

  1. 01No momento (a cena passa)

    Faz-se um croqui/apontamento rapidíssimo, captando só o essencial (a estrutura da cena, as massas, uma nota de cor), porque não há tempo para mais.

  2. 02Reforçar pela memória

    Logo a seguir, ainda com a cena fresca, completa-se por desenho de memória o que o croqui não fixou, recuperando pormenores retidos.

  3. 03Desenvolver

    Depois, a partir do croqui e da memória, fazem-se estudos de partes (as figuras, a luz) e, por fim, o desenho elaborado (acabado).

Resultado: Começa-se por um croqui de observação (rápido, no momento), completa-se por desenho de memória e desenvolve-se em estudos até ao desenho acabado. Escolher a modalidade segundo o tempo e o fim disponíveis é dominar a prática do desenho.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir as modalidades pelo acabamento: croqui/apontamento, esboço, estudo, desenho acabado.
  • Distinguir as modalidades pela fonte: desenho de observação, de memória e de invenção.
  • Relacionar cada modalidade com a fase do projeto adequada.

Erros frequentes

  • Confundir croqui/esboço (rápido, preliminar) com estudo ou desenho acabado (demorado, resolvido).
  • Julgar as modalidades níveis de qualidade, e não tipos com propósitos diferentes.
  • Confundir desenho de memória (algo já visto, ausente) com desenho de invenção (algo que não existe).

Revisão ativa

Desenha a mesma cena em três modalidades — um croqui rápido, um estudo demorado de uma parte e um desenho de memória (sem olhar) — e compara o que cada uma treina.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Géneros e técnicas do desenho#

●●○PadrãoLPAE-oficina-artes-desenho

Pontos-chave

Os géneros são os grandes temas ou assuntos do desenho (e da pintura), consagrados pela tradição. Conhecê-los ajuda a situar uma obra e a orientar um projeto (ver Fig. 3). O retrato representa uma pessoa (o rosto e a figura), procurando a semelhança e o caráter; o autorretrato é o retrato do próprio autor. A figura humana e o nu estudam o corpo, tema central do desenho desde a Antiguidade, exigente na proporção e na anatomia. Cada género tem as suas convenções e os seus desafios.

Géneros do desenho

Géneros do desenhoTabela com 2 colunas e 6 linhas, Dados: Género · O que representa / desafio; Retrato / autorretrato · Uma pessoa (rosto, caráter); a semelhança; Figura / nu · O corpo humano; a proporção e a anatomia; Paisagem · O espaço natural ou urbano; a perspetiva e a atmosfera; Natureza-morta · Objetos inanimados; a forma, a luz, a textura; Cena de género · Situações do quotidiano; Abstração · Não representa objetos reconhecíveis, célula destacada: Objetos inanimados; a forma, a luz, a texturaGÉNEROO QUE REPRESENTA /DESAFIORETRATO /AUTORRETRATOUma pessoa (rosto, caráter);a semelhançaFIGURA / NUO corpo humano; a proporçãoe a anatomiaPAISAGEMO espaço natural ou urbano;a perspetiva e a atmosferaNATUREZA-MORTAObjetos inanimados; a forma,a luz, a texturaCENA DE GÉNEROSituações do quotidianoABSTRAÇÃONão representa objetosreconhecíveis
Fig. 3Fig. 3 — Os géneros do desenho: os grandes temas consagrados, cada um com o seu desafio.
A paisagem representa o espaço natural ou urbano (campos, montanhas, cidades), pondo à prova a perspetiva e a atmosfera. A natureza-morta representa objetos inanimados dispostos (frutos, louças, flores), género ideal para estudar a forma, a luz, a textura e a composição num quadro controlado. A cena de género representa situações do quotidiano (pessoas em atividades correntes). E há ainda o desenho de animais, o desenho de arquitetura, e o desenho abstrato ou não-figurativo, que não representa objetos reconhecíveis.
As técnicas do desenho (tratadas em detalhe no tópico das técnicas) combinam os meios secos e húmidos com os modos de registo. A grafite, o carvão, a sanguínea, a tinta-da-china, o pastel; o traço e a mancha, a hachura e o esbatido, a aguada. Cada género pede, muitas vezes, técnicas afins: o carvão presta-se ao estudo atmosférico da figura; a tinta-da-china, ao desenho nítido e gráfico; a sanguínea, ao desenho de nu (por tradição renascentista). Mas nenhuma associação é obrigatória — a escolha da técnica é sempre uma decisão expressiva.
Género e técnica são, assim, duas escolhas que definem um projeto de desenho: o que se representa (o género) e como se representa (a técnica e a modalidade). Um projeto pode explorar um género num registo inesperado (uma natureza-morta expressionista, um retrato abstrato) — e é muitas vezes nessa tensão entre o género tradicional e o tratamento pessoal que nasce a originalidade. Conhecer o repertório dos géneros e das técnicas dá ao desenhador um mapa de possibilidades a partir do qual pode escolher, combinar e inovar.
Exemplo resolvido

Definir um projeto de desenho

Queres fazer um projeto de desenho que estude sobretudo a luz e a textura, num quadro controlado que possas montar tu próprio. Que género escolhes, e que técnica lhe seria adequada?

  1. 01Escolher o género

    A natureza-morta é o género ideal: podes dispor os objetos, controlar a luz e observar com calma a forma, o valor e a textura — um «laboratório» do desenho.

  2. 02Montar o motivo

    Escolhes objetos com texturas e formas variadas (um vidro, um pano, uma fruta) e diriges uma luz lateral, que revela os relevos e as texturas.

  3. 03Escolher a técnica

    Uma técnica que module bem o valor — o carvão ou a grafite com esbatido, ou aguadas de tinta-da-china — presta-se ao estudo da luz e da textura.

Resultado: Para estudar a luz e a textura, escolhe-se a natureza-morta (motivo controlável) com uma técnica de valor (carvão/grafite esbatidos ou aguadas). A escolha do género e da técnica decorre do objetivo do projeto — aqui, observar a luz sobre as formas.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os géneros do desenho: retrato, autorretrato, figura/nu, paisagem, natureza-morta, cena de género.
  • Reconhecer o desafio próprio de cada género (proporção no nu, perspetiva na paisagem, luz na natureza-morta).
  • Relacionar géneros e técnicas sem tomar as associações por obrigatórias.

Erros frequentes

  • Confundir os géneros (por exemplo, chamar «natureza-morta» a uma paisagem).
  • Julgar que cada género exige uma única técnica obrigatória.
  • Reduzir o desenho aos géneros figurativos, esquecendo o desenho abstrato.

Revisão ativa

Escolhe um género (por exemplo, a natureza-morta) e realiza-o em duas técnicas diferentes, comparando o efeito de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O desenho na história da arte#

●●●AprofundamentoLPAE-oficina-artes-desenho

Pontos-chave

O desenho acompanha a humanidade desde a origem: as pinturas rupestres das grutas (Lascaux, Altamira, e em Portugal as gravuras do Vale do Côa, com dezenas de milhares de anos) são já desenho — a linha usada para representar. Desde então, o desenho esteve na base de toda a criação visual, mas o seu estatuto variou muito ao longo do tempo (ver Fig. 4). Conhecer essa história ajuda a compreender o que o desenho é hoje e por que se lhe dá tanta importância.

O desenho na história da arte

O desenho na históriaLinha do tempo de 1400 a 2050, 1435: «Da Pintura», Alberti, 1490: Cadernos de Leonardo, 1563: Academia do Desenho (Vasari), 1800: Ingres — desenho académico, 1907: Picasso — desenho moderno, 1960: Desenho contemporâneo, 1400–1600: Renascimento, 1600–1800: Academias, 1800–1900: Séc. XIX, 1900–1970: Modernismo, 1970–2050: Contemporâneo1400ano (d.C.)RenascimentoAcademiasSéc. XIXModernismoContemporâneo1435«Da Pintura»,Alberti1490Cadernos deLeonardo1563Academia doDesenho (Vasari)1800Ingres — desenhoacadémico1907Picasso —desenho moderno1960Desenhocontemporâneo
Fig. 4Fig. 4 — Marcos do estatuto do desenho, do disegno renascentista à prática contemporânea (a origem rupestre precede a escala).
Foi no Renascimento que o desenho ganhou o seu estatuto teórico mais alto. A teoria do disegno (Vasari, que fundou em Florença, em 1563, a Accademia delle Arti del Disegno, a primeira academia de arte) fez do desenho o fundamento e o pai de todas as artes — pintura, escultura, arquitetura —, unindo a mão (o traço) e a mente (a conceção). Os cadernos de Leonardo da Vinci mostram o desenho como instrumento total de conhecimento, misturando arte, anatomia, ciência e invenção. Desenhar bem passou a ser a prova maior do artista.
Nos séculos seguintes, o desenho foi a base do ensino académico das belas-artes: aprendia-se a arte copiando desenhos e gessos, e a destreza do desenho de observação era a competência central. No século XIX, Jean-Auguste-Dominique Ingres resumiu essa fé numa frase célebre: «o desenho é a probidade da arte». Mesmo quando a pintura se libertava da linha (com os impressionistas), o desenho manteve-se como o alicerce da formação e da conceção.
O século XX libertou o desenho e alargou-o. Os modernos exploraram o traço puro e a espontaneidade: Henri Matisse reduziu a figura a uma linha essencial; Paul Klee definiu o desenho como «levar uma linha a passear»; Pablo Picasso desenhou incansavelmente, em todos os estilos. E a arte contemporânea reivindicou o desenho como prática autónoma e experimental (o drawing), saído do papel para a parede, o espaço e o gesto. Do Côa a hoje, o desenho manteve-se o que sempre foi — a marca gráfica com que o ser humano pensa, vê e cria — reinventando-se sem cessar.
Exemplo resolvido

Comparar o estatuto do desenho em duas épocas

Compara o papel do desenho no Renascimento (por exemplo, num estudo de Leonardo) e no século XX (por exemplo, num desenho de linha única de Matisse). Que mudou?

  1. 01O desenho renascentista

    Em Leonardo, o desenho é estudo e conhecimento: investiga a anatomia, a luz, a proporção com rigor de observação; serve o disegno (a conceção) e a preparação da obra.

  2. 02O desenho moderno

    Em Matisse, o desenho é síntese e expressão: reduz a figura a uma linha essencial e espontânea, valendo por si, não como estudo para outra obra.

  3. 03A mudança

    Passou-se de um desenho ao serviço do rigor e da conceção (meio de conhecer e preparar) para um desenho autónomo, expressivo e sintético (fim em si) — sem que o primeiro se perdesse.

Resultado: Do estudo rigoroso e preparatório de Leonardo à linha essencial e autónoma de Matisse, o desenho passou de fundamento e meio a prática expressiva e fim em si. A comparação mostra como o mesmo desenho mudou de estatuto ao longo da história, sem deixar de ser central.

Foco no Exame Nacional

  • Situar o desenho na história: origem (arte rupestre), estatuto renascentista (disegno), academia, modernismo.
  • Reconhecer a teoria do disegno (Vasari, Academia de 1563) e a importância dada ao desenho (Ingres).
  • Reconhecer a libertação moderna e contemporânea do desenho (Matisse, Klee, Picasso; o desenho autónomo).

Erros frequentes

  • Julgar o desenho uma prática recente, esquecendo a sua origem pré-histórica.
  • Reduzir o disegno renascentista ao traço, ignorando a sua dimensão de conceção (a ideia).
  • Pensar que o desenho perdeu importância na arte moderna, quando esta o libertou e reinventou.

Revisão ativa

Escolhe dois desenhos de épocas diferentes (um renascentista e um do século XX) e compara o estatuto e o tratamento do desenho em cada um.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O desenho como área e as suas funções○
    • 02Modalidades do desenho◐
    • 03Géneros e técnicas do desenho◐
    • 04O desenho na história da arte●

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Dos resumos à prática

Área de desenvolvimento: Desenho

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Oficina de Artes — Área de desenvolvimento: Desenho

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