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A lírica galego-portuguesa (séculos XII–XIV) é a primeira grande manifestação literária em português. Reunida nos cancioneiros, distribui-se por três géneros maiores — a cantiga de amigo (de voz feminina), a cantiga de amor (de voz masculina e raiz provençal) e as cantigas de escárnio e de maldizer (satíricas) —, sustentadas por uma arte formal muito codificada, feita de paralelismo, refrão e leixa-pren.
5 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Distinguir cantiga de amigo (voz feminina) de cantiga de amor (voz masculina) e reconhecer o refrão e o paralelismo.
nível avançado
Analisar os subgéneros, o amor cortês e a sátira, explicando o efeito do leixa-pren e das palavras cubertas/descubertas.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O período trovadoresco
Uma cantiga foi copiada no Cancioneiro da Vaticana e atribui-se a um trovador da corte de D. Dinis. Que informações de contexto podes retirar daqui?
O Cancioneiro da Vaticana é uma cópia quinhentista italiana que conserva os três géneros — logo, o texto sobreviveu por transmissão manuscrita.
A corte de D. Dinis (1279–1325) corresponde ao apogeu do trovadorismo.
Trata-se de poesia galego-portuguesa do auge trovadoresco, transmitida por um dos grandes cancioneiros.
Resultado: A cantiga pertence ao apogeu do trovadorismo (corte de D. Dinis, finais do séc. XIII) e chegou-nos por cópia num dos cancioneiros — o da Vaticana —, o que ilustra a dependência desta poesia da transmissão manuscrita.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que motivo os cancioneiros são indispensáveis ao conhecimento da lírica galego-portuguesa e nomeia os três principais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
A cantiga de amigo
Numa cantiga, uma jovem confidencia à mãe a saudade do amigo que partiu, e cada estrofe repete a anterior com pequenas variações. Que género é e que recursos reconheces?
Quem fala é uma mulher, dirigindo-se à mãe — sujeito lírico feminino.
A saudade do amigo ausente e a confidência à mãe são típicas da cantiga de amigo.
A repetição com variação de estrofe para estrofe é o paralelismo, próprio do género.
Resultado: É uma cantiga de amigo: sujeito lírico feminino, tema da saudade do amigo, confidência à mãe e estrutura paralelística — todas marcas do género.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante uma cantiga em que uma jovem interpela as ondas do mar por notícias do amado, identifica o género, o subgénero provável e um recurso formal presente.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
O amor cortês na cantiga de amor
Um trovador lamenta o sofrimento que lhe causa uma dama de condição superior, a quem serve sem esperança. Que género é e que o distingue da cantiga de amigo?
Quem fala é um homem (o trovador) — sujeito lírico masculino.
O serviço sem esperança e o sofrimento perante uma dama superior são a coita de amor e a vassalagem amorosa.
Ao contrário da cantiga de amigo (voz feminina, ambiente rural, origem popular), esta é masculina, cortês e de origem provençal.
Resultado: É uma cantiga de amor: sujeito lírico masculino, coita e vassalagem amorosa perante a «senhor» idealizada — em tudo oposta à cantiga de amigo, feminina e popular.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica em que consiste a «coita de amor» e como a vassalagem amorosa configura a relação entre o trovador e a «senhor».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os três géneros da lírica trovadoresca
Uma cantiga troça de um trovador rival, sem o nomear, através de um equívoco que só se entende decifrando o duplo sentido. Que género satírico é?
A crítica é feita de forma indireta, por equívoco e duplo sentido, sem nomear o visado — «palavras cubertas».
Segundo a «Arte de Trovar», a crítica indireta e velada corresponde à cantiga de escárnio.
Não é maldizer (que seria direto e nomeado), mas escárnio.
Resultado: É uma cantiga de escárnio: a sátira é indireta, feita por equívoco e «palavras cubertas», sem nomear o visado — ao contrário do maldizer, que ataca de forma direta.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante duas cantigas satíricas, uma que ataca um nobre pelo nome e outra que troça de alguém por meio de um equívoco, classifica cada uma (escárnio ou maldizer) e justifica.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Recursos formais da cantiga
Numa cantiga, os dois versos que fecham a segunda estrofe reaparecem, sem alteração, a abrir a terceira estrofe. Que recurso é este e que efeito produz?
Versos que encerram um par de estrofes reaparecem a iniciar o par seguinte.
Este encadeamento de «deixar e tomar» versos chama-se leixa-pren.
Cria uma cadeia contínua entre as estrofes, dando à cantiga uma progressão fluida e circular.
Resultado: Trata-se do leixa-pren: a retoma dos versos finais de um par de estrofes no par seguinte encadeia a cantiga, produzindo uma progressão contínua e musical típica da lírica galego-portuguesa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Numa cantiga de amigo com pares de estrofes paralelas e refrão, identifica o paralelismo, o refrão e o leixa-pren, explicando o efeito de cada um.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)