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Resumos/Latim B/O século de Augusto: política imperial e Pax Romana
Resumos · Latim BPT · Secundário

O século de Augusto: política imperial e Pax Romana

O Século de Augusto (de Octaviano, 63 a.C.–14 d.C.) é o tempo em que Roma sai das guerras civis e entra no Principado: da vitória de Áccio (31 a.C.) ao título de «Augustus» conferido pelo Senado (27 a.C.), instaura-se a Pax Romana e um vasto programa ideológico que restaura os costumes e a religião e faz da literatura um espelho do poder. É a «Idade de Ouro» das letras latinas, com o círculo de Mecenas — Virgílio, Horácio, Propércio — a celebrar Roma e o príncipe. Sendo Latim B uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional), o foco não está na cotação de um exame, mas na compreensão histórica e no comentário fundamentado desta relação entre poder e cultura.

4 secções·~19 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0555 / 13
Perfil de exame
Enquadrar historicamente o Século de Augusto (do fim da República ao Principado)Explicar a Pax Romana e o programa ideológico augustanoCaracterizar o mecenato e o papel de MecenasRelacionar o poder político com a produção literária da época
Operadores:enquadraexplicacaracterizarelacionacomentaidentifica

nível básico

Situar no tempo os grandes marcos do Século de Augusto e explicar, em traços gerais, a Pax Romana e o mecenato.

nível avançado

Comentar de forma fundamentada o programa ideológico augustano e a relação entre o poder político e a «Idade de Ouro» da literatura latina.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. O século de Augusto: política imperial e Pax Romana
    • 01Do fim da República ao Principado: Áccio e o poder de Augusto○
    • 02A Pax Romana e o programa ideológico augustano◐
    • 03O mecenato: Mecenas e o círculo de poetas◐
    • 04A Idade de Ouro: poder e literatura●
§ 01

Do fim da República ao Principado: Áccio e o poder de Augusto#

●○○BaseLPAE-latim-b-cultura-augusto

Pontos-chave

O Século de Augusto nasce do cansaço de quase um século de guerras civis. Depois do assassínio de Júlio César (44 a.C.), o jovem Caio Octávio — sobrinho-neto e herdeiro adotivo de César, por isso chamado Octaviano — disputa o poder com Marco António. A rutura culmina na batalha naval de Áccio (31 a.C.), na costa da Grécia, em que Octaviano, apoiado pelo general Agripa, derrota Marco António e Cleópatra (ver Fig. 1); os vencidos refugiam-se no Egito, onde se suicidam no ano seguinte, e Roma fica, pela primeira vez em décadas, sob um só chefe. Áccio é, por isso, a data-fronteira entre a República agonizante e o novo regime.

O Século de Augusto: eixo cronológico

O Século de AugustoLinha do tempo de -65 a 20, -63: Nasce Octávio, -31: Áccio, -27: Principado, -13: Ara Pacis, 14: Morte de Augusto, -27–14: Pax Augusta−6520anoPax Augusta−63Nasce Octávio−31Áccio−27Principado−13Ara Pacis14Morte de Augusto
Fig. 1Fig. 1 — Da vitória de Áccio ao fim do longo governo de Augusto: os marcos do Principado e a faixa da Pax Augusta (27 a.C.–14 d.C.).
Vencedor absoluto, Octaviano não se proclama rei nem ditador — a memória do fim de César, morto por aspirar à realeza, tornava esses títulos perigosos. Em 27 a.C., num gesto cuidadosamente encenado, «devolve» os poderes ao Senado e ao povo, e recebe em troca o título honorífico de «Augustus» («o venerável, o consagrado», da mesma raiz de augur e de augere, «aumentar») e o estatuto de «princeps» («o primeiro cidadão») (ver Fig. 2). Nasce assim o Principado (do latim princeps): uma monarquia de facto vestida com as formas da República. Augusto governará como princeps até à morte, em 14 d.C., detendo desde 27 a.C. o poder real embora sob aparência republicana.

Os nomes e os títulos do primeiro imperador

Nomes e títulos de AugustoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Nome / título · Quando · Significado; Caio Octávio · 63 a.C. (nascimento) · nome de família do jovem herdeiro; Octaviano · 44 a.C. (adoção por César) · herdeiro adotivo de Júlio César; princeps · desde 27 a.C. · «o primeiro (cidadão)» — dá nome ao Principado; Augustus · 27 a.C. (do Senado) · «o venerável, o consagrado» (raiz de augur); Pater Patriae · 2 a.C. · «Pai da Pátria» — o culminar das honras, célula destacada: AugustusNOME / TÍTULOQUANDOSIGNIFICADOCAIO OCTÁVIO63 a.C. (nascimento)nome de família do jovemherdeiroOCTAVIANO44 a.C. (adoção por César)herdeiro adotivo de JúlioCésarPRINCEPSdesde 27 a.C.«o primeiro (cidadão)» — dánome ao PrincipadoAUGUSTUS27 a.C. (do Senado)«o venerável, o consagrado»(raiz de augur)PATER PATRIAE2 a.C.«Pai da Pátria» — o culminardas honras
Fig. 2Fig. 2 — De Caio Octávio a Augusto: cada nome e título marca uma etapa da concentração do poder.
A engenhosidade do regime está em conservar as magistraturas, o Senado e o vocabulário da República, enquanto todo o poder efetivo se concentra num só homem. Augusto acumula o imperium militar, a tribunicia potestas (o poder dos tribunos da plebe) e, mais tarde, os cargos de Pontifex Maximus (sumo sacerdote, 12 a.C.) e de Pater Patriae («Pai da Pátria», 2 a.C.). Ele próprio resumiu a fórmula do seu poder na Res Gestae: excedia todos em auctoritas (autoridade, prestígio), embora não tivesse mais potestas (poder legal) do que os colegas de magistratura. É esta distinção — muito poder real sob formas legais modestas — que define o Principado.
O poder de Augusto durou mais de quarenta anos (27 a.C.–14 d.C.) e transformou-se em instituição: à sua morte, o regime não desapareceu, mas passou ao seu sucessor Tibério, inaugurando a linha dos imperadores. Este longo governo pessoal, estável e sem guerras civis, é a condição de tudo o que se segue — a Pax Romana, o programa ideológico e o florescimento das letras. Compreender o Século de Augusto começa, portanto, por situar os seus marcos no tempo (ver Fig. 1) e por perceber a natureza ambígua de um poder que se diz republicano e é, na verdade, monárquico.
Exemplo resolvido

Comentar os títulos do poder augustano

A partir dos termos «princeps» e «Augustus» (27 a.C.), explica por que o Principado é uma monarquia disfarçada e não uma restauração da República.

  1. 01Situar no tempo

    Depois de vencer em Áccio (31 a.C.) e de ficar senhor único de Roma, Octaviano encena em 27 a.C. a «devolução» dos poderes ao Senado, que lhe confere em troca o título de Augustus.

  2. 02Analisar «princeps»

    «Princeps» significa «o primeiro (cidadão)»: um título de aparência modesta e republicana, que evita as palavras «rei» (rex) e «ditador», odiosas depois da morte de César.

  3. 03Analisar «Augustus»

    «Augustus» significa «o venerável, o consagrado» (da raiz de augur / augere, «aumentar»): não é uma magistratura, mas uma aura religiosa e moral que eleva Octaviano acima de todos os cidadãos.

  4. 04Concluir

    Augusto conserva o Senado e as magistraturas (as formas da República), mas concentra em si o poder militar e a auctoritas: é, de facto, um monarca sob vocabulário republicano.

Resultado: O par «princeps» / «Augustus» revela a fórmula do regime: um poder pessoal e quase monárquico apresentado como serviço ao Estado e restauração da República — o Principado é, na verdade, uma monarquia disfarçada.

Foco no Exame Nacional

  • Situar e explicar os marcos da passagem da República ao Principado (Áccio, 31 a.C.; título de Augustus, 27 a.C.).
  • Comentar a natureza do poder de Augusto (princeps, auctoritas): uma monarquia de facto sob formas republicanas.

Erros frequentes

  • Confundir Octaviano (o futuro Augusto) com Júlio César, seu tio-avô e pai adotivo: são figuras e gerações distintas.
  • Datar o título de «Augustus» da batalha de Áccio (31 a.C.): o título só foi conferido pelo Senado em 27 a.C.
  • Tomar à letra a «restauração da República»: Augusto conservou-lhe as formas, mas concentrou em si o poder real (o Principado).

Revisão ativa

Explica, em poucas linhas, por que a batalha de Áccio (31 a.C.) e a atribuição do título de «Augustus» (27 a.C.) marcam o fim da República e o início do Principado, distinguindo o poder real de Augusto das formas republicanas que ele conservou.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cultura: o Século de Augusto) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A Pax Romana e o programa ideológico augustano#

●●○PadrãoLPAE-latim-b-cultura-augusto

Pontos-chave

O primeiro fruto do Principado foi a paz. Depois de gerações de guerras civis, Augusto inaugura a Pax Romana — mais precisamente a Pax Augusta —, uma longa paz interna que os romanos sentiram como uma verdadeira refundação (ver Fig. 3). Não significou a ausência total de guerra: nas fronteiras continuaram as campanhas, e houve reveses graves, como a perda de três legiões na Germânia (o desastre de Varo, em 9 d.C.). Significou, sim, o fim das guerras civis e uma estabilidade interna sem precedentes, que permitiu o comércio, as obras públicas e o florescimento cultural. Como símbolo desta paz, o Senado mandou erguer a Ara Pacis Augustae («Altar da Paz de Augusto», 13–9 a.C.).

Mapa da ideologia augustana

A ideologia augustanaroda segmentada, 6 segmentos, Dados: Ideal augustano, Paz, Costumes, Religião, Roma eterna, Família, PropagandaPazPax AugustaCostumesmos maiorumReligiãocultos antigosRoma eternaRoma aeternaFamílialeis moraisPropagandaRes GestaeIdeal augustano
Fig. 3Fig. 3 — As grandes ideias-força do programa de Augusto, todas a convergir na imagem de uma Roma pacificada, piedosa e eterna.
A paz vinha acompanhada de um programa de regeneração moral. Augusto apresentou-se como restaurador do mos maiorum, o «costume dos antepassados» — o conjunto dos valores tradicionais romanos: a pietas (o respeito pelos deuses, pela pátria e pela família), a fides (a lealdade), a grauitas e a frugalidade. Fez aprovar leis sobre o casamento e a família (as leis Júlias) para conter o luxo e o celibato e favorecer a natalidade das elites. A mensagem era clara: as guerras civis tinham sido o castigo do abandono dos antigos valores, e a paz de Augusto era o seu regresso (ver Fig. 3).
Paralelamente, Augusto promoveu uma vasta restauração religiosa: reconstruiu templos arruinados, reavivou sacerdócios e cultos antigos e, em 12 a.C., assumiu ele próprio o cargo de Pontifex Maximus, o sumo sacerdote. A religião tradicional tornou-se um pilar do regime, ligando a figura do príncipe à proteção dos deuses e à ideia de uma Roma eterna (Roma aeterna). Depois da sua morte, o próprio Augusto seria divinizado (diuus Augustus) — daí o título da sua autobiografia, Res Gestae Diui Augusti («Feitos do Divino Augusto»).
Todo este programa foi difundido por uma propaganda hábil, que hoje chamaríamos imagem de Estado (ver Fig. 4). A Res Gestae Diui Augusti, redigida na primeira pessoa para ser gravada em bronze e pedra depois da sua morte, enumera os feitos, as honras e a generosidade do príncipe. A Ara Pacis figura a família imperial em procissão e a Terra fecunda, associando a paz à prosperidade. O Fórum de Augusto, com o templo de Marte Vingador (Mars Ultor), exibe a glória militar e os grandes homens de Roma. Moedas, estátuas e a própria poesia repetiram estas mesmas mensagens: paz, ordem, costumes, religião e grandeza de Roma.

A propaganda augustana: monumentos e mensagem

A propaganda augustanaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Obra / monumento · Data · Mensagem ideológica; Res Gestae Diui Augusti · publicada em 14 d.C. · os feitos, as honras e a generosidade do príncipe; Ara Pacis Augustae · 13–9 a.C. · a paz de Augusto traz ordem e prosperidade; Fórum de Augusto (Marte Ultor) · dedicado em 2 a.C. · a glória militar e os grandes homens de Roma; Moedas e estátuas · todo o Principado · difusão da imagem e dos lemas do poder, célula destacada: a paz de Augusto traz ordem e prosperidadeOBRA / MONUMENTODATAMENSAGEM IDEOLÓGICARES GESTAE DIUIAUGUSTIpublicada em 14 d.C.os feitos, as honras e agenerosidade do príncipeARA PACIS AUGUSTAE13–9 a.C.a paz de Augusto traz ordeme prosperidadeFÓRUM DE AUGUSTO(MARTE ULTOR)dedicado em 2 a.C.a glória militar e osgrandes homens de RomaMOEDAS E ESTÁTUAStodo o Principadodifusão da imagem e doslemas do poder
Fig. 4Fig. 4 — Cada obra do príncipe transmite uma mensagem: os feitos, a paz, a glória militar e a grandeza de Roma.
Exemplo resolvido

Ler a Ara Pacis como propaganda

Explica de que modo a Ara Pacis Augustae (13–9 a.C.) traduz em pedra o programa ideológico de Augusto.

  1. 01Identificar o monumento

    A Ara Pacis Augustae é o «Altar da Paz de Augusto», votado pelo Senado em 13 a.C. e consagrado em 9 a.C. para celebrar o regresso do príncipe e a paz que ele trouxe.

  2. 02Ler o programa figurativo

    Os relevos mostram uma procissão solene da família imperial e dos sacerdotes (a dinastia e a religião) e uma figura feminina rodeada de frutos, crianças e animais (a Terra ou a Itália fecunda).

  3. 03Interpretar a mensagem

    A associação é deliberada: a paz de Augusto (Pax Augusta) traz fecundidade e prosperidade e é indissociável do regresso à piedade e aos costumes (mos maiorum).

  4. 04Concluir

    O altar não é arte «neutra»: é propaganda em pedra, que fixa para sempre a imagem de um príncipe pacificador e piedoso (ver Fig. 4).

Resultado: A Ara Pacis materializa o ideal augustano — paz, fecundidade, dinastia e religião num só monumento —, uma mensagem política tão eficaz como qualquer texto.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a Pax Augusta como paz interna e fundamento da Pax Romana (e não como ausência total de guerra).
  • Comentar as componentes do programa ideológico augustano (costumes, religião, propaganda) a partir de um monumento ou texto (Res Gestae, Ara Pacis).

Erros frequentes

  • Confundir a Pax Augusta com uma paz absoluta: houve campanhas e derrotas nas fronteiras (Germânia, 9 d.C.); a novidade foi o fim das guerras civis e a paz interna.
  • Ver a Ara Pacis ou a Res Gestae como arte «neutra»: são peças de um programa de propaganda ao serviço do poder.
  • Reduzir a restauração dos costumes e da religião a um gesto decorativo: era uma peça política central da legitimação do Principado.

Revisão ativa

Enumera as grandes componentes do programa ideológico de Augusto (paz, costumes, religião, propaganda) e indica, para cada uma, um exemplo concreto (por exemplo: Pax Augusta, mos maiorum, Pontifex Maximus, Res Gestae ou Ara Pacis).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Pax Romana e programa augustano) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O mecenato: Mecenas e o círculo de poetas#

●●○PadrãoLPAE-latim-b-cultura-augusto

Pontos-chave

A palavra «mecenato» — o apoio de um poderoso às artes e às letras — vem de um nome próprio: Mecenas (Gaius Maecenas, c. 70–8 a.C.), amigo íntimo e conselheiro de Augusto (ver Fig. 5). Rico cavaleiro de origem etrusca, Mecenas nunca exerceu magistratura nem cargo público: a sua força vinha da amizade do príncipe e da sua influência pessoal. Foi ele quem reuniu à sua volta os maiores poetas do tempo, protegendo-os, sustentando-os e pondo o seu talento ao serviço do novo regime. Tão célebre se tornou que o seu nome passou a ser, em português e em muitas línguas, sinónimo de «protetor das artes» (um mecenas).

O círculo de Mecenas

O círculo de MecenasDiagrama em árvore, 3 caminhos, Dados: Mecenas → Virgílio; Mecenas → Horácio; Mecenas → PropércioMecenasAugustoVirgílioHorácioPropércio
Fig. 5Fig. 5 — Do príncipe ao patrono e do patrono aos poetas: a cadeia do mecenato augustano.
Do círculo de Mecenas faziam parte, sobretudo, três grandes poetas (ver Fig. 5): Virgílio (70–19 a.C.), o autor da Eneida; Horácio (65–8 a.C.), o poeta das Odes; e Propércio (c. 50–c. 15 a.C.), o elegíaco. Foi Mecenas quem apresentou Virgílio e Horácio a Augusto e lhes garantiu a tranquilidade material — a Horácio ofereceu mesmo uma quinta na Sabina — necessária à criação. Em troca, os poetas dedicaram-lhe as suas obras e celebraram, cada um à sua maneira, a paz, Roma e o príncipe.
O mecenato não era, porém, uma simples «compra» da liberdade dos poetas, nem eles eram meros funcionários da propaganda (ver Fig. 6). A relação funcionava segundo o princípio do do ut des («dou para que dês»): o patrono oferecia proteção, meios e amizade; o poeta, a sua obra. Mas os melhores conservaram uma margem de liberdade e de recusa — Horácio soube declinar com elegância encomendas que não lhe convinham —, e a adesão ao ideal augustano nasce, em boa parte, de uma convicção sincera de que Augusto trouxera a paz e a ordem. O mecenato é, assim, um encontro de interesses entre o poder e o talento.

O mecenato: o patrono, o poeta e a herança

O mecenato e a sua herançaTabela com 2 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · No tempo de Augusto; Origem do nome · Gaius Maecenas (c. 70–8 a.C.), amigo e conselheiro de Augusto; O patrono oferecia · proteção, meios materiais, amizade e acesso ao príncipe; O poeta oferecia · a sua obra, que celebra a paz, Roma e Augusto; Princípio da relação · do ut des («dou para que dês»), com alguma margem de liberdade; Herança em português · «mecenas» = protetor das artes; «mecenato» = apoio à cultura, célula destacada: «mecenas» = protetor das artes; «mecenato» = apoio à culturaASPETONO TEMPO DE AUGUSTOORIGEM DO NOMEGaius Maecenas (c. 70–8a.C.), amigo e conselheirode AugustoO PATRONO OFERECIAproteção, meios materiais,amizade e acesso ao príncipeO POETA OFERECIAa sua obra, que celebra apaz, Roma e AugustoPRINCÍPIO DARELAÇÃOdo ut des («dou para quedês»), com alguma margem deliberdadeHERANÇA EMPORTUGUÊS«mecenas» = protetor dasartes; «mecenato» = apoio àcultura
Fig. 6Fig. 6 — O mecenato como troca (do ut des) entre o poder e o talento, e a sua herança na palavra portuguesa «mecenas».
Mais do que um episódio histórico, o mecenato de Augusto e de Mecenas fundou um modelo cultural duradouro: a ideia de que o poder político deve proteger e financiar as artes. Da corte dos príncipes renascentistas ao moderno «mecenato cultural» das empresas e do Estado, a palavra e a prática atravessaram os séculos. Também aqui a cultura latina está na raiz da nossa: em português, «mecenas» e «mecenato» conservam vivo o nome do amigo de Augusto (ver Fig. 6). Estudar o círculo de Mecenas é, pois, compreender uma das relações mais fecundas — e mais discutidas — entre o poder e a criação artística.
Exemplo resolvido

Analisar a dedicatória das Odes a Mecenas

Traduz e comenta o verso inicial das Odes de Horácio, «Maecenas atauis edite regibus» (Odes 1.1.1), como testemunho do mecenato.

  1. 01Traduzir

    «Maecenas atauis edite regibus» = «Ó Mecenas, nascido de reis antepassados»: edite é vocativo (o apelo a Mecenas) e atauis regibus é ablativo de origem («de reis avoengos»).

  2. 02Reconhecer a alusão

    Horácio evoca a ascendência etrusca e, segundo a tradição, real de Mecenas: um elogio ao patrono logo na primeira palavra da obra.

  3. 03Interpretar o gesto

    Abrir o livro I das Odes com o nome do protetor é a marca visível do mecenato: a obra é oferecida a quem a tornou possível.

  4. 04Relacionar com o ideal

    O poeta que Mecenas protege porá, noutras odes, a sua arte ao serviço de Roma e de Augusto — por exemplo no Carmen Saeculare, encomendado para os Jogos Seculares de 17 a.C.

Resultado: O verso «Maecenas atauis edite regibus» é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao patrono e a assinatura do mecenato: a dedicatória inaugural que liga o poeta ao seu protetor.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o mecenato e o papel de Mecenas (Gaius Maecenas) como patrono do círculo de poetas ao serviço do ideal augustano.
  • Relacionar a cultura latina com a portuguesa, explicando a origem e o sentido atual das palavras «mecenas» e «mecenato».

Erros frequentes

  • Julgar que Mecenas exerceu um cargo público ou uma magistratura: era um amigo e conselheiro privado de Augusto, sem função oficial.
  • Reduzir o mecenato a pura «compra» da liberdade dos poetas: havia proteção e interesse mútuo, mas também margem de liberdade e convicção sincera.
  • Incluir no círculo de Mecenas autores que não lhe pertenceram (por exemplo Ovídio, mais jovem e de outro meio, ou Cícero, de outra geração).

Revisão ativa

Explica o que era o mecenato no tempo de Augusto, identifica os três poetas do círculo de Mecenas e mostra como a palavra «mecenas» chegou, com o mesmo sentido, ao português de hoje.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (O mecenato e o círculo de Mecenas) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A Idade de Ouro: poder e literatura#

●●●AprofundamentoLPAE-latim-b-cultura-augusto

Pontos-chave

O Século de Augusto é o apogeu das letras latinas: a chamada «Idade de Ouro» (aurea aetas) da literatura de Roma (ver Fig. 7). Nunca antes — nem depois — Roma reuniu, no mesmo tempo, poetas do calibre de Virgílio, Horácio, Propércio, Tibulo e Ovídio, e um historiador como Tito Lívio. A paz, a estabilidade e o mecenato criaram as condições materiais para esta explosão criativa; e o próprio ideal augustano — a grandeza de Roma, o regresso aos costumes, a missão de governar o mundo — deu-lhe grande parte dos seus temas.

Poder e obra: a literatura ao serviço do ideal augustano

Poder e obraTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Autor · Obra · Como serve o ideal augustano; Virgílio · Eneida · epopeia nacional: liga Roma e Augusto ao herói Eneias e à missão eterna da cidade; Virgílio · Geórgicas · dignifica a agricultura e a Itália: o regresso à terra e aos costumes; Horácio · Odes / Carmen Saeculare · canta a paz e a moderação; hino oficial dos Jogos Seculares (17 a.C.); Propércio · Elegias (livro IV) · elegias «romanas»: as origens dos cultos e dos lugares de Roma; Tito Lívio · Ab Urbe Condita · história de Roma como galeria de exempla de virtude, célula destacada: epopeia nacional: liga Roma e Augusto ao herói Eneias e à missão eterna da cidadeAUTOROBRACOMO SERVE O IDEALAUGUSTANOVIRGÍLIOEneidaepopeia nacional: liga Romae Augusto ao herói Eneias eà missão eterna da cidadeVIRGÍLIOGeórgicasdignifica a agricultura e aItália: o regresso à terra eaos costumesHORÁCIOOdes / Carmen Saecularecanta a paz e a moderação;hino oficial dos JogosSeculares (17 a.C.)PROPÉRCIOElegias (livro IV)elegias «romanas»: asorigens dos cultos e doslugares de RomaTITO LÍVIOAb Urbe Conditahistória de Roma comogaleria de exempla devirtude
Fig. 7Fig. 7 — Como as grandes obras do Século de Augusto celebram a paz, os costumes e a grandeza de Roma.
Boa parte desta literatura celebra, de forma mais ou menos direta, Roma e o príncipe (ver Fig. 7). A Eneida de Virgílio dá a Roma uma epopeia nacional e liga a família de Augusto ao herói Eneias e à missão eterna da cidade. As Odes de Horácio cantam a paz, a moderação e a grandeza romana, e o seu Carmen Saeculare foi encomendado por Augusto para os Jogos Seculares de 17 a.C. A Ab Urbe Condita de Tito Lívio narra a história de Roma como uma galeria de exempla de virtude, em consonância com a restauração dos costumes. A obra literária torna-se, assim, um espelho e um instrumento do ideal augustano.
Seria, porém, injusto reduzir a «Idade de Ouro» a pura propaganda encomendada. Os grandes poetas aderiram ao programa augustano em boa medida por convicção, mas conservaram a sua voz própria e a sua arte. E nem tudo foi harmonia: Ovídio (43 a.C.–17/18 d.C.), o mais irreverente da geração seguinte, acabou desterrado por Augusto para Tomis, no mar Negro, em 8 d.C. — prova de que a relação entre o poder e a literatura teve também os seus limites e as suas tensões. A grandeza destas obras está justamente em transcenderem a circunstância política que as viu nascer.
É essencial não alargar indevidamente o Século de Augusto (ver Fig. 8). Cícero (106–43 a.C.), o mestre da prosa latina, pertence à fase anterior, republicana, e morre em 43 a.C., assassinado nas proscrições — antes ainda do Principado. Pelo contrário, Marcial (c. 40–c. 104 d.C.), Petrónio (m. 66 d.C.) e Apuleio (c. 125–depois de 170 d.C.) são bem posteriores, já do Império adiantado (a «Idade de Prata» e além), e nada têm que ver com o círculo de Mecenas. Situar corretamente cada autor no tempo é a primeira condição de um comentário rigoroso: a «Idade de Ouro» augustana é a de Virgílio, Horácio, Propércio e Tito Lívio, não a de Cícero (anterior) nem a de Marcial (posterior).

Antes, durante e depois do Século de Augusto

Cronologia dos autoresTabela com 3 colunas e 9 linhas, Dados: Autor · Datas · Face ao Século de Augusto; Cícero · 106–43 a.C. · Anterior — fim da República; morre antes do Principado; Virgílio · 70–19 a.C. · No coração do Século de Augusto (círculo de Mecenas); Horácio · 65–8 a.C. · No coração do Século de Augusto (círculo de Mecenas); Propércio · c. 50–c. 15 a.C. · Século de Augusto (círculo de Mecenas); Tito Lívio · 59 a.C.–17 d.C. · Contemporâneo de Augusto; Ovídio · 43 a.C.–17/18 d.C. · Augustano tardio, mas desterrado por Augusto (8 d.C.); Marcial · c. 40–c. 104 d.C. · Posterior — época flávia (séc. I d.C.); Petrónio · m. 66 d.C. · Posterior — época de Nero (séc. I d.C.); Apuleio · c. 125–depois de 170 d.C. · Posterior — séc. II d.C., célula destacada: Anterior — fim da República; morre antes do PrincipadoAUTORDATASFACE AO SÉCULO DEAUGUSTOCÍCERO106–43 a.C.Anterior — fim da República;morre antes do PrincipadoVIRGÍLIO70–19 a.C.No coração do Século deAugusto (círculo de Mecenas)HORÁCIO65–8 a.C.No coração do Século deAugusto (círculo de Mecenas)PROPÉRCIOc. 50–c. 15 a.C.Século de Augusto (círculode Mecenas)TITO LÍVIO59 a.C.–17 d.C.Contemporâneo de AugustoOVÍDIO43 a.C.–17/18 d.C.Augustano tardio, masdesterrado por Augusto (8d.C.)MARCIALc. 40–c. 104 d.C.Posterior — época flávia(séc. I d.C.)PETRÓNIOm. 66 d.C.Posterior — época de Nero(séc. I d.C.)APULEIOc. 125–depois de 170 d.C.Posterior — séc. II d.C.
Fig. 8Fig. 8 — Situar cada autor no tempo: Cícero é anterior e Marcial, Petrónio e Apuleio são posteriores; só a faixa central é augustana.
Exemplo resolvido

Comentar a missão de Roma na Eneida

Traduz e comenta os versos de Virgílio «tu regere imperio populos, Romane, memento / ... parcere subiectis et debellare superbos» (Eneida 6.851–853), relacionando-os com o ideal augustano.

  1. 01Traduzir

    «Tu regere imperio populos, Romane, memento ... parcere subiectis et debellare superbos» = «Tu, Romano, lembra-te de governar os povos com o teu poder ... de poupar os vencidos e de abater os soberbos».

  2. 02Situar no poema

    No Livro VI, nos Infernos, o pai Anquises mostra a Eneias as almas dos futuros heróis de Roma — entre eles o próprio Augusto — e proclama a missão do povo romano.

  3. 03Reconhecer o ideal

    A «arte» própria de Roma não é a das letras ou das artes plásticas (deixadas aos Gregos), mas a de governar e pacificar: impor a ordem, poupar quem se submete e vencer os soberbos — exatamente o ideal da Pax Augusta.

  4. 04Concluir sobre poder e literatura

    Virgílio dá forma poética à ideologia do regime: a Eneida celebra a missão imperial de Roma e, através de Eneias, legitima Augusto como realizador desse destino (ver Fig. 7).

Resultado: Os versos exprimem, em poesia sublime, o programa augustano: a vocação de Roma para governar e pacificar o mundo. A Eneida é o exemplo maior da literatura posta ao serviço — sem deixar de ser grande arte — do ideal do príncipe.

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar o poder político com a produção literária da época (a obra como celebração de Roma e de Augusto), a partir de exemplos concretos (Eneida, Odes, Carmen Saeculare, Ab Urbe Condita).
  • Situar corretamente os autores no tempo, distinguindo os do Século de Augusto dos anteriores (Cícero) e dos posteriores (Marcial, Petrónio, Apuleio).

Erros frequentes

  • Incluir Cícero no Século de Augusto: é anterior ao Principado (morre em 43 a.C., no fim da República).
  • Tomar Marcial, Petrónio ou Apuleio por autores augustanos: são bem posteriores (séculos I–II d.C.), já do Império adiantado.
  • Reduzir toda a «Idade de Ouro» a propaganda encomendada, ignorando a arte própria dos poetas e casos de tensão como o desterro de Ovídio.

Revisão ativa

Escolhe duas obras do Século de Augusto (por exemplo, a Eneida de Virgílio e a Ab Urbe Condita de Tito Lívio) e explica, para cada uma, de que modo serve o ideal augustano. Em seguida, justifica por que Cícero e Marcial não pertencem a este período.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (A Idade de Ouro: poder e literatura) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Do fim da República ao Principado: Áccio e o poder de Augusto○
    • 02A Pax Romana e o programa ideológico augustano◐
    • 03O mecenato: Mecenas e o círculo de poetas◐
    • 04A Idade de Ouro: poder e literatura●

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Dos resumos à prática

O século de Augusto: política imperial e Pax Romana

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cultura: o Século de Augusto)

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