EuraStudy
O Século de Augusto (de Octaviano, 63 a.C.–14 d.C.) é o tempo em que Roma sai das guerras civis e entra no Principado: da vitória de Áccio (31 a.C.) ao título de «Augustus» conferido pelo Senado (27 a.C.), instaura-se a Pax Romana e um vasto programa ideológico que restaura os costumes e a religião e faz da literatura um espelho do poder. É a «Idade de Ouro» das letras latinas, com o círculo de Mecenas — Virgílio, Horácio, Propércio — a celebrar Roma e o príncipe. Sendo Latim B uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional), o foco não está na cotação de um exame, mas na compreensão histórica e no comentário fundamentado desta relação entre poder e cultura.
4 secções~19 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Situar no tempo os grandes marcos do Século de Augusto e explicar, em traços gerais, a Pax Romana e o mecenato.
nível avançado
Comentar de forma fundamentada o programa ideológico augustano e a relação entre o poder político e a «Idade de Ouro» da literatura latina.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O Século de Augusto: eixo cronológico
Os nomes e os títulos do primeiro imperador
A partir dos termos «princeps» e «Augustus» (27 a.C.), explica por que o Principado é uma monarquia disfarçada e não uma restauração da República.
Depois de vencer em Áccio (31 a.C.) e de ficar senhor único de Roma, Octaviano encena em 27 a.C. a «devolução» dos poderes ao Senado, que lhe confere em troca o título de Augustus.
«Princeps» significa «o primeiro (cidadão)»: um título de aparência modesta e republicana, que evita as palavras «rei» (rex) e «ditador», odiosas depois da morte de César.
«Augustus» significa «o venerável, o consagrado» (da raiz de augur / augere, «aumentar»): não é uma magistratura, mas uma aura religiosa e moral que eleva Octaviano acima de todos os cidadãos.
Augusto conserva o Senado e as magistraturas (as formas da República), mas concentra em si o poder militar e a auctoritas: é, de facto, um monarca sob vocabulário republicano.
Resultado: O par «princeps» / «Augustus» revela a fórmula do regime: um poder pessoal e quase monárquico apresentado como serviço ao Estado e restauração da República — o Principado é, na verdade, uma monarquia disfarçada.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, em poucas linhas, por que a batalha de Áccio (31 a.C.) e a atribuição do título de «Augustus» (27 a.C.) marcam o fim da República e o início do Principado, distinguindo o poder real de Augusto das formas republicanas que ele conservou.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cultura: o Século de Augusto) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Mapa da ideologia augustana
A propaganda augustana: monumentos e mensagem
Explica de que modo a Ara Pacis Augustae (13–9 a.C.) traduz em pedra o programa ideológico de Augusto.
A Ara Pacis Augustae é o «Altar da Paz de Augusto», votado pelo Senado em 13 a.C. e consagrado em 9 a.C. para celebrar o regresso do príncipe e a paz que ele trouxe.
Os relevos mostram uma procissão solene da família imperial e dos sacerdotes (a dinastia e a religião) e uma figura feminina rodeada de frutos, crianças e animais (a Terra ou a Itália fecunda).
A associação é deliberada: a paz de Augusto (Pax Augusta) traz fecundidade e prosperidade e é indissociável do regresso à piedade e aos costumes (mos maiorum).
O altar não é arte «neutra»: é propaganda em pedra, que fixa para sempre a imagem de um príncipe pacificador e piedoso (ver Fig. 4).
Resultado: A Ara Pacis materializa o ideal augustano — paz, fecundidade, dinastia e religião num só monumento —, uma mensagem política tão eficaz como qualquer texto.
Erros frequentes
Revisão ativa
Enumera as grandes componentes do programa ideológico de Augusto (paz, costumes, religião, propaganda) e indica, para cada uma, um exemplo concreto (por exemplo: Pax Augusta, mos maiorum, Pontifex Maximus, Res Gestae ou Ara Pacis).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Pax Romana e programa augustano) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O círculo de Mecenas
O mecenato: o patrono, o poeta e a herança
Traduz e comenta o verso inicial das Odes de Horácio, «Maecenas atauis edite regibus» (Odes 1.1.1), como testemunho do mecenato.
«Maecenas atauis edite regibus» = «Ó Mecenas, nascido de reis antepassados»: edite é vocativo (o apelo a Mecenas) e atauis regibus é ablativo de origem («de reis avoengos»).
Horácio evoca a ascendência etrusca e, segundo a tradição, real de Mecenas: um elogio ao patrono logo na primeira palavra da obra.
Abrir o livro I das Odes com o nome do protetor é a marca visível do mecenato: a obra é oferecida a quem a tornou possível.
O poeta que Mecenas protege porá, noutras odes, a sua arte ao serviço de Roma e de Augusto — por exemplo no Carmen Saeculare, encomendado para os Jogos Seculares de 17 a.C.
Resultado: O verso «Maecenas atauis edite regibus» é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao patrono e a assinatura do mecenato: a dedicatória inaugural que liga o poeta ao seu protetor.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o que era o mecenato no tempo de Augusto, identifica os três poetas do círculo de Mecenas e mostra como a palavra «mecenas» chegou, com o mesmo sentido, ao português de hoje.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (O mecenato e o círculo de Mecenas) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Poder e obra: a literatura ao serviço do ideal augustano
Antes, durante e depois do Século de Augusto
Traduz e comenta os versos de Virgílio «tu regere imperio populos, Romane, memento / ... parcere subiectis et debellare superbos» (Eneida 6.851–853), relacionando-os com o ideal augustano.
«Tu regere imperio populos, Romane, memento ... parcere subiectis et debellare superbos» = «Tu, Romano, lembra-te de governar os povos com o teu poder ... de poupar os vencidos e de abater os soberbos».
No Livro VI, nos Infernos, o pai Anquises mostra a Eneias as almas dos futuros heróis de Roma — entre eles o próprio Augusto — e proclama a missão do povo romano.
A «arte» própria de Roma não é a das letras ou das artes plásticas (deixadas aos Gregos), mas a de governar e pacificar: impor a ordem, poupar quem se submete e vencer os soberbos — exatamente o ideal da Pax Augusta.
Virgílio dá forma poética à ideologia do regime: a Eneida celebra a missão imperial de Roma e, através de Eneias, legitima Augusto como realizador desse destino (ver Fig. 7).
Resultado: Os versos exprimem, em poesia sublime, o programa augustano: a vocação de Roma para governar e pacificar o mundo. A Eneida é o exemplo maior da literatura posta ao serviço — sem deixar de ser grande arte — do ideal do príncipe.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe duas obras do Século de Augusto (por exemplo, a Eneida de Virgílio e a Ab Urbe Condita de Tito Lívio) e explica, para cada uma, de que modo serve o ideal augustano. Em seguida, justifica por que Cícero e Marcial não pertencem a este período.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (A Idade de Ouro: poder e literatura) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)