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Cícero (Marcus Tullius Cicero, 106–43 a.C.), orador, político e filósofo do fim da República, foi o criador da prosa filosófica latina: adaptou o pensamento grego à língua de Roma e forjou o vocabulário abstrato que a Europa herdou. Nas obras de reflexão moral — De Amicitia, De Senectute, De Officiis — legou uma sabedoria prática que ainda hoje se lê e comenta. Latim B é disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional): este resumo visa a compreensão, a análise e o comentário, não a preparação de uma prova.
4 secções~14 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Situar Cícero no fim da República e associar cada obra ao seu tema (amizade, velhice, deveres).
nível avançado
Explicar o ecletismo e a criação do vocabulário filosófico latino e comentar um texto ciceroniano na sua dimensão linguística e cultural.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Cronologia da vida de Cícero (106–43 a.C.)
Explica por que é incorreto colocar Cícero no «Século de Augusto», usando as datas da sua vida e do início do Principado.
Cícero viveu de 106 a 43 a.C.; Octaviano só recebeu o título de Augustus (início do Principado) em 27 a.C.
Quando o Principado começou (27 a.C.), Cícero estava morto havia dezasseis anos: as duas épocas não coincidem.
Cícero não morreu de causas naturais: foi assassinado em 43 a.C., nas proscrições do 2.º triunvirato (Marco António, Octaviano, Lépido).
Resultado: Cícero é uma figura do fim da República: morre em 43 a.C., dezasseis anos antes de começar o Principado de Augusto (27 a.C.). Incluí-lo no Século de Augusto é um anacronismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, recorrendo às datas da vida de Cícero e do início do Principado, por que razão é historicamente incorreto incluí-lo no «Século de Augusto».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cultura e literatura latinas: Cícero) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Vocabulário filosófico latinizado por Cícero
O ecletismo ciceroniano: das fontes gregas à síntese latina
Mostra, com dois exemplos, de que modo Cícero dotou o latim de vocabulário filosófico a partir do grego.
O grego dispunha de termos abstratos (poiótes, ethikós) que o latim não tinha: era preciso criar palavras para os exprimir.
Para verter o grego poiótes, Cícero forma qualitas a partir do adjetivo qualis («de que espécie»); daqui provém o português «qualidade».
Para verter o grego ethikós (relativo ao êthos, aos costumes), Cícero cunha moralis a partir de mos, mores («costumes»); daqui provém «moral».
Resultado: Cunhando termos como qualitas e moralis, Cícero dotou o latim — e, através dele, o português — de um vocabulário abstrato de que ainda hoje nos servimos: foi verdadeiramente o criador da língua filosófica latina.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com dois exemplos (por exemplo qualitas e officium), como Cícero criou ou fixou vocabulário filosófico latino a partir do grego.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cícero e a prosa filosófica latina) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As obras filosóficas de Cícero
Analisa e traduz a definição « Est enim amicitia nihil aliud nisi omnium diuinarum humanarumque rerum cum beneuolentia et caritate consensio » (De Amicitia 20) e comenta-a brevemente.
É uma definição: sujeito amicitia; « nihil aliud nisi… » («nada mais senão…»); predicativo consensio («acordo, harmonia, consenso»).
« omnium diuinarum humanarumque rerum » é genitivo («de todas as coisas divinas e humanas»); « cum beneuolentia et caritate » é ablativo com cum («com benevolência e afeto»).
« A amizade não é senão o acordo em todas as coisas divinas e humanas, com benevolência e afeto. »
Resultado: A definição mostra que, para Cícero, a amizade verdadeira é um acordo total de valores, fundado na uirtus e no afeto, e não no interesse — daí a força e a permanência da fórmula ciceroniana.
Erros frequentes
Revisão ativa
Associa cada obra ao seu tema e indica qual delas não tem forma dialógica: De Amicitia, De Senectute, De Officiis, De Re Publica.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (As obras de reflexão moral de Cícero) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Expressões ciceronianas célebres
Analisa, traduz e comenta a exclamação « O tempora, o mores! », de Cícero.
« O » é uma interjeição exclamativa; tempora (acusativo plural neutro de tempus) e mores (acusativo plural de mos) estão no acusativo de exclamação.
« Ó tempos, ó costumes! » — uma exclamação de indignação e lamento.
Pertence à 1.ª Catilinária (63 a.C.): Cícero lamenta a decadência moral perante a conjura de Catilina, que o Estado tolera sem agir.
Resultado: A fórmula tornou-se universal para lamentar a decadência de uma época: é um exemplo perfeito de como a prosa de Cícero entrou na cultura europeia e nela permaneceu (ver Fig. 5).
Erros frequentes
Revisão ativa
Traduz « O tempora, o mores! » e « Summum ius, summa iniuria » e explica por que a prosa de Cícero se tornou um modelo de eloquência para a Europa.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (A herança de Cícero) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)