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Competência intercultural e cidadania global

Este tópico desenvolve a competência intercultural: os saberes, atitudes e capacidades que permitem comunicar entre culturas (modelo de Byram), o conhecimento do universo diverso do mundo de língua inglesa (variedades britânica e americana, World Englishes) e as atitudes de empatia, descentração e mediação que superam os estereótipos. Liga-se à cidadania global e é uma das três competências avaliadas no Exame 550.

3 secções·~10 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 1

T·0777 / 17
Perfil de exame
Conhecer o universo sociocultural diverso do mundo de língua inglesaDesenvolver atitudes de abertura, descentração e empatia interculturalMediar entre culturas, relativizando estereótipos e a própria perspetiva
Operadores:compararelacionainterpretarelativizareconhecemedeia

nível básico

Formação geral: reconhecer aspetos socioculturais do mundo de língua inglesa e adotar atitudes de respeito.

nível avançado

Aprofundamento: interpretar e mediar entre culturas com consciência crítica, relativizando estereótipos e a própria perspetiva.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 3 secções▾
  1. Competência intercultural e cidadania global
    • 01O que é a competência intercultural○
    • 02O mundo de língua inglesa: diversidade e variedades◐
    • 03Estereótipos, empatia e mediação intercultural●
§ 01

O que é a competência intercultural#

●○○BaseLPAE-ingles-competencia-intercultural

Pontos-chave

Aprender uma língua estrangeira é aprender uma cultura: as palavras carregam significados, valores e formas de ver o mundo que não coincidem com os da língua materna. A competência intercultural é a capacidade de compreender e interagir com pessoas de outras culturas, relacionando a cultura de origem com a cultura estrangeira, sem hierarquizar nem julgar à luz de uma só perspetiva. É por isso uma das três competências centrais das Aprendizagens Essenciais, ao lado da comunicativa e da estratégica.
O modelo de referência, proposto por Michael Byram, decompõe a competência intercultural em componentes articuladas. Os saberes (knowledge) são o conhecimento sobre a própria cultura e a do outro, sobre grupos sociais e as suas práticas. As atitudes (attitudes) são a curiosidade, a abertura e a disponibilidade para suspender a incredulidade sobre outras culturas e a descrença sobre a própria. As capacidades (skills) são a de interpretar e relacionar (savoir comprendre) e a de descobrir e interagir (savoir apprendre/faire) (ver Fig. 1).

As componentes da competência intercultural

As componentes da competência interculturalGrafo, Consciência cultural crítica → Saberes (knowledge), Consciência cultural crítica → Atitudes (openness), Consciência cultural crítica → Capacidades (interpretar, interagir)Consciênciacultural crí…Saberes(knowledge)Atitudes(openness)Capacidades(interpretar…
Fig. 1Fig. 1 — O modelo de Byram: saberes, atitudes e capacidades, com a consciência crítica no centro.
No centro do modelo está a consciência cultural crítica (critical cultural awareness): a capacidade de avaliar, com critérios explícitos, práticas e produtos da própria cultura e das outras. Não se trata de aceitar tudo acriticamente («todas as culturas são iguais e nada se questiona»), mas de compreender antes de julgar e de reconhecer que o próprio ponto de vista é também culturalmente situado. É esta consciência que distingue a competência intercultural de um mero conhecimento de «curiosidades» sobre outros países.
A competência intercultural liga-se diretamente à cidadania global, um dos eixos do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Comunicar entre culturas prepara para viver num mundo interdependente, onde os problemas — ambiente, migrações, desigualdade — são globais e exigem cooperação. Desenvolver empatia, descentração e capacidade de diálogo não é um adorno da aula de inglês: é uma formação para a convivência num mundo plural, que a língua franca global torna cada vez mais próximo.
Exemplo resolvido

Descrever antes de julgar

Um estudante estrangeiro comenta que os portugueses «chegam sempre atrasados». Como aplicarias a competência intercultural a esta afirmação?

  1. 01Reconhecer o juízo etnocêntrico

    A afirmação julga a partir da norma de pontualidade da cultura do próprio estudante, tomada como universal.

  2. 02Descrever sem hierarquizar

    Diferentes culturas têm conceções distintas de tempo social; o que é «atraso» numa é «flexibilidade» noutra — descreve-se a diferença, não se condena.

  3. 03Relacionar e mediar

    Explicar a norma de cada lado permite compreender o mal-entendido e mediar: nem os portugueses são «desrespeitadores», nem o estudante é «rígido».

Resultado: A competência intercultural transforma um juízo («chegam atrasados») numa compreensão da diferença de normas culturais sobre o tempo. Descrever e relacionar, em vez de julgar a partir da própria cultura, é o cerne da atitude intercultural.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer que a competência intercultural articula saberes, atitudes e capacidades, com consciência crítica no centro.
  • Compreender antes de julgar e reconhecer que a própria perspetiva é culturalmente situada.

Erros frequentes

  • Reduzir a competência intercultural a conhecer «curiosidades» e factos sobre outros países.
  • Confundir abertura com aceitação acrítica de tudo, abdicando de qualquer avaliação fundamentada.

Revisão ativa

Escolhe um costume do mundo de língua inglesa que te pareça estranho (por exemplo, conduzir pela esquerda no Reino Unido) e explica-o primeiro descrevendo-o sem julgar e só depois relacionando-o com a tua própria cultura.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O mundo de língua inglesa: diversidade e variedades#

●●○PadrãoLPAE-ingles-competencia-intercultural

Pontos-chave

O inglês não é a língua de um país, mas de muitos, e nenhuma variedade é «o inglês verdadeiro». É língua materna em países como o Reino Unido, a Irlanda, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia; língua segunda ou oficial em muitos outros (Índia, Nigéria, África do Sul); e língua estrangeira e franca em quase todo o mundo. Esta difusão gera uma enorme diversidade de sotaques, vocabulário e usos — o conjunto a que se chama World Englishes.
As duas variedades de referência no ensino são a britânica (British English) e a americana (American English), e distinguem-se em vários planos. Na ortografia: «colour/color», «centre/center», «travelling/traveling», «organise/organize». No vocabulário: «lift/elevator», «flat/apartment», «lorry/truck», «holiday/vacation», «autumn/fall». Na gramática e no uso há diferenças menores (por exemplo, «at the weekend» / «on the weekend»). No Exame 550 opta-se pela variante britânica na redação dos itens, mas aceitam-se outras variantes nos suportes e nas respostas (ver Fig. 2).

Inglês britânico e americano

Inglês britânico e americanoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Plano · Inglês britânico · Inglês americano; Ortografia (-our/-or) · colour, favourite · color, favorite; Ortografia (-re/-er) · centre, theatre · center, theater; Ortografia (-ise/-ize) · organise, realise · organize, realize; Vocabulário (transporte) · lift, lorry, underground · elevator, truck, subway; Vocabulário (quotidiano) · flat, holiday, autumn · apartment, vacation, fall, célula destacada: colour, favouritePLANOINGLÊS BRITÂNICOINGLÊS AMERICANOORTOGRAFIA (-OUR/-OR)colour, favouritecolor, favoriteORTOGRAFIA (-RE/-ER)centre, theatrecenter, theaterORTOGRAFIA (-ISE/-IZE)organise, realiseorganize, realizeVOCABULÁRIO(TRANSPORTE)lift, lorry, undergroundelevator, truck, subwayVOCABULÁRIO(QUOTIDIANO)flat, holiday, autumnapartment, vacation, fallNo Exame 550 redigem-se os itens em variante britânica;outras variantes são aceites.
Fig. 2Fig. 2 — Diferenças de ortografia e vocabulário entre inglês britânico e americano.
A coerência dentro de uma variedade é o que se espera de um utilizador competente. Não há problema em usar o inglês britânico ou o americano — há em misturá-los de forma incoerente no mesmo texto («color» numa frase e «colour» na seguinte). Escolher uma variedade e mantê-la, na ortografia e no vocabulário, é uma marca de domínio da língua e de adequação, tanto na escrita como na oralidade.
Conhecer a diversidade do mundo de língua inglesa alimenta a competência intercultural. Cada país de língua inglesa tem a sua história, instituições, tradições e referências culturais, e o inglês é a porta de acesso a essa pluralidade — da literatura à música, do cinema às formas de organização social. Reconhecer que existem muitos «ingleses» e muitas culturas anglófonas, sem tomar uma como padrão universal, é aplicar, ao próprio objeto de estudo, a descentração que a competência intercultural exige.
Exemplo resolvido

Corrigir a mistura de variedades

Um aluno escreve: «My favorite colour is blue. I took the elevator to my flat and watched a programme on my mobile.» Que problema de coerência há e como o resolves?

  1. 01Identificar as marcas de cada variedade

    «favorite» e «elevator» são americanos; «colour», «flat», «programme», «mobile» são britânicos: o texto mistura as duas.

  2. 02Escolher uma variedade

    Optando pelo britânico (a variante de redação do exame): «favourite» e «lift».

  3. 03Uniformizar o texto

    «My favourite colour is blue. I took the lift to my flat and watched a programme on my mobile.»

Resultado: Versão coerente (britânica): «My favourite colour is blue. I took the lift to my flat and watched a programme on my mobile.» O problema era a mistura incoerente de variedades; a solução é escolher uma e mantê-la.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer as diferenças de ortografia e vocabulário entre inglês britânico e americano.
  • Manter a coerência dentro de uma variedade escolhida (não misturar britânico e americano).

Erros frequentes

  • Misturar de forma incoerente ortografia e vocabulário britânicos e americanos no mesmo texto.
  • Tomar uma variedade (por exemplo, a americana dos filmes) como «o inglês correto» e as outras como erradas.

Revisão ativa

Faz uma lista de dez pares de palavras que diferem entre o inglês britânico e o americano (ortografia ou vocabulário) e escolhe uma variedade para usares de forma coerente nos teus textos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Informação-Prova do Exame Final Nacional de Inglês (550) — 2026 (IAVE)

§ 03

Estereótipos, empatia e mediação intercultural#

●●●AprofundamentoLPAE-ingles-competencia-intercultural

Pontos-chave

Os estereótipos são generalizações simplistas e rígidas sobre grupos culturais — «os ingleses são frios», «os americanos são superficiais», «os portugueses são desorganizados». Reduzem indivíduos a supostas características do grupo e ignoram a diversidade interna de qualquer cultura. Nem sempre são hostis (há estereótipos «positivos»), mas são sempre redutores e podem alimentar o preconceito e a discriminação. A competência intercultural começa por reconhecer e questionar os próprios estereótipos.
A empatia intercultural é a capacidade de ver uma situação da perspetiva do outro, suspendendo o juízo imediato a partir da própria cultura. Distingue-se do etnocentrismo — a tendência para tomar a própria cultura como norma e medir as outras por ela. Ser empático não é abdicar dos próprios valores, mas compreender que uma prática que parece estranha faz sentido no seu contexto, e que a mesma estranheza que sentimos perante o outro, o outro pode senti-la perante nós (ver Fig. 3).

Do estereótipo à mediação

Do estereótipo à mediaçãoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Perante a diferença · Atitude etnocêntrica · Atitude intercultural; Grupo cultural · Estereótipo («são todos…») · Diversidade e indivíduos; Prática estranha · Julgar a partir da própria norma · Compreender no seu contexto; Mal-entendido · Atribuir má intenção · Procurar a norma cultural em jogo; Comunicação · Impor o próprio estilo · Ajustar, explicitar, mediar, célula destacada: Procurar a norma cultural em jogoPERANTE A DIFERENÇAATITUDE ETNOCÊNTRICAATITUDE INTERCULTURALGRUPO CULTURALEstereótipo («são todos…»)Diversidade e indivíduosPRÁTICA ESTRANHAJulgar a partir da próprianormaCompreender no seu contextoMAL-ENTENDIDOAtribuir má intençãoProcurar a norma cultural emjogoCOMUNICAÇÃOImpor o próprio estiloAjustar, explicitar, mediarMuitos mal-entendidos são pragmáticos e culturais, nãogramaticais.
Fig. 3Fig. 3 — Do etnocentrismo à mediação: as atitudes que a competência intercultural promove.
A mediação intercultural é a capacidade de facilitar a compreensão entre pessoas de culturas diferentes, explicando uma a outra, resolvendo mal-entendidos e construindo pontes. O mediador reconhece de onde vem cada mal-entendido (muitas vezes de normas culturais tácitas, como a distância física, o contacto visual, o grau de formalidade) e ajuda cada parte a compreender a lógica da outra. É uma competência cada vez mais valorizada num mundo de contactos interculturais constantes, e o QECR atualizado dá-lhe grande relevo.
Desenvolver estas atitudes tem um lado prático na comunicação em inglês. Muitos mal-entendidos entre falantes não nascem de erros gramaticais, mas de diferenças pragmáticas e culturais: um pedido direto que soa rude, um silêncio que se interpreta mal, um humor que não se percebe. Um comunicador interculturalmente competente antecipa estas diferenças, ajusta o seu discurso (mais atenuação, mais explicitação) e não atribui automaticamente má intenção ao que apenas resulta de uma norma cultural distinta. É a competência intercultural ao serviço da comunicação eficaz.
Exemplo resolvido

Mediar um mal-entendido pragmático

Um português, ao pedir algo numa loja em Londres, diz apenas «Give me a coffee.» O empregado franze o sobrolho. O português acha-o antipático. Como medeias este mal-entendido?

  1. 01Identificar a norma portuguesa

    Em português, um imperativo direto («dá-me um café») é comum e não descortês num contexto informal.

  2. 02Identificar a norma inglesa

    Em inglês, um pedido direto sem atenuação («Give me…») soa brusco; espera-se «Could I have a coffee, please?» — a cortesia marca-se com modais e «please».

  3. 03Mediar

    O empregado não é antipático nem o português mal-educado: é uma diferença de norma pragmática. Explicar a cada lado a convenção do outro desfaz o mal-entendido.

Resultado: O mal-entendido é pragmático, não gramatical: «Give me a coffee» é correto, mas descortês em inglês, onde se espera «Could I have a coffee, please?». Mediar é explicar a norma de cada cultura, evitando atribuir má intenção à diferença.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer e questionar estereótipos, distinguindo-os de conhecimento cultural fundamentado.
  • Adotar empatia e capacidade de mediação perante mal-entendidos de origem cultural.

Erros frequentes

  • Tomar estereótipos por conhecimento cultural válido, generalizando a indivíduos as supostas características de um grupo.
  • Atribuir má intenção a comportamentos que apenas resultam de normas culturais diferentes (etnocentrismo).

Revisão ativa

Descreve um mal-entendido intercultural possível (por exemplo, um português que trata um estranho britânico com demasiada familiaridade) e explica como um mediador o resolveria, esclarecendo a norma de cada lado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 03

    • 01O que é a competência intercultural○
    • 02O mundo de língua inglesa: diversidade e variedades◐
    • 03Estereótipos, empatia e mediação intercultural●

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Dos resumos à prática

Competência intercultural e cidadania global

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação)

IAVE

  • Informação-Prova do Exame Final Nacional de Inglês (550) — 2026

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