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Competência comunicativa (compreender, interagir, produzir)

Este tópico apresenta o modelo que estrutura toda a disciplina e o Exame Nacional 550: a abordagem comunicativa e orientada para a ação do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR). Distingue as atividades linguísticas (receção, produção, interação e mediação, orais e escritas), situa a progressão B1→B2 na escala de níveis A1–C2 e explica as componentes linguística, sociolinguística e pragmática da competência comunicativa.

4 secções·~14 min de leitura·3 competências·Nível Base 2 · Padrão 2

T·0111 / 17
Perfil de exame
Compreender o modelo comunicativo do QECR que organiza a disciplina e o exameDistinguir as atividades linguísticas (receção, produção, interação, mediação) e relacioná-las com as competênciasSituar o próprio desempenho nos níveis do QECR e caracterizar o nível B2
Operadores:explicadistinguerelacionaidentificadescrevecaracteriza

nível básico

Formação geral: reconhecer as atividades linguísticas e situar-se no nível B1, sabendo o que se espera de um utilizador independente.

nível avançado

Aprofundamento: caracterizar o desempenho de nível B2 (utilizador independente «avançado») em cada competência e usar os descritores para autorregular a aprendizagem.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Competência comunicativa (compreender, interagir, produzir)
    • 01O modelo de competência comunicativa (QECR)○
    • 02As atividades linguísticas: receção, produção, interação, mediação○
    • 03Os níveis do QECR e a progressão B1→B2◐
    • 04As componentes linguística, sociolinguística e pragmática◐
§ 01

O modelo de competência comunicativa (QECR)#

●○○BaseLPAE-ingles-competencia-comunicativa

Pontos-chave

Aprender inglês no Secundário não é acumular regras de gramática nem listas de vocabulário: é desenvolver uma competência comunicativa, isto é, a capacidade de usar a língua para agir em situações reais — compreender uma notícia, participar numa conversa, escrever um email, resumir um texto para outra pessoa. É esta a lógica do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR), o documento do Conselho da Europa que serve de referência às Aprendizagens Essenciais e ao Exame Nacional. A sua abordagem diz-se «orientada para a ação» (action-oriented) porque encara quem aprende como um agente social que realiza tarefas com a língua, e não como um mero repositório de conhecimentos.
As Aprendizagens Essenciais de Inglês organizam este desenvolvimento em torno de três competências articuladas. A competência comunicativa é a capacidade de compreender e produzir textos orais e escritos com correção e adequação. A competência intercultural é o conhecimento do universo sociocultural do mundo de língua inglesa e a atitude de abertura e descentração que permite comunicar entre culturas. A competência estratégica é a capacidade de planificar, monitorizar, reparar e regular a própria comunicação e aprendizagem. As três são avaliadas no exame e as três estruturam este dossiê de resumos (ver Fig. 1).

As três competências das Aprendizagens Essenciais

As três competênciasDiagrama em árvore, 6 caminhos, Dados: Comunicativa → Receção; Comunicativa → Produção; Comunicativa → Interação; Comunicativa → Mediação; Intercultural; EstratégicaComunicativaCompetências …ReceçãoProduçãoInteraçãoMediaçãoInterculturalEstratégica
Fig. 1Fig. 1 — As três competências que estruturam a disciplina; a comunicativa desdobra-se nas quatro atividades linguísticas.
A competência comunicativa não é indivisível: realiza-se através de atividades linguísticas distintas. O QECR distingue quatro grandes modos de usar a língua — a receção (compreender textos que outros produziram), a produção (criar um texto oral ou escrito), a interação (trocar mensagens com outra pessoa, alternando papéis de emissor e recetor) e a mediação (facilitar a comunicação entre pessoas, resumindo, interpretando ou reformulando). Cada uma se declina no modo oral e no modo escrito, gerando o mapa de competências que os tópicos seguintes desenvolvem em pormenor.
Compreender este modelo desde o início tem um efeito prático imediato: permite saber o que cada tarefa exige e como é avaliada. Quando o exame pede para «ouvir e completar», mobiliza a receção oral; quando pede para «escrever um texto de opinião», mobiliza a produção escrita; quando a prova oral pede para «discutir com o colega», mobiliza a interação oral. Reconhecer a atividade em jogo ajuda a escolher a estratégia certa e a evitar respostas desadequadas — por exemplo, redigir um texto elaborado quando apenas se pedia uma resposta curta e factual.
Exemplo resolvido

Classificar tarefas por competência e atividade

Classifica cada tarefa segundo a competência e a atividade linguística: (a) resumir a um amigo, por palavras tuas, um artigo inglês que leste; (b) escrever uma review de um filme; (c) reconhecer que, em Inglaterra, «are you all right?» é uma saudação e não uma pergunta sobre a saúde.

  1. 01Analisar (a)

    Pegar num texto de partida e reformulá-lo para outra pessoa é facilitar a comunicação: é mediação (a partir de leitura, com saída oral).

  2. 02Analisar (b)

    Criar um texto escrito próprio, sem troca de turnos, é produção escrita — competência comunicativa.

  3. 03Analisar (c)

    Interpretar corretamente uma convenção social da cultura de língua inglesa mobiliza a competência intercultural, não apenas a linguística.

Resultado: (a) mediação (competência comunicativa); (b) produção escrita (competência comunicativa); (c) competência intercultural. A mesma língua serve competências diferentes consoante a tarefa.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer que o exame avalia competências (uso da língua para agir), e não apenas conhecimento gramatical isolado.
  • Identificar, perante uma tarefa, qual a atividade linguística e a competência mobilizadas.

Erros frequentes

  • Reduzir a aprendizagem do inglês a decorar regras e listas, esquecendo a dimensão do uso e da tarefa.
  • Confundir competência (saber usar) com conhecimento (saber sobre a língua): saber conjugar não garante saber comunicar.

Revisão ativa

Enumera três tarefas que realizas em inglês no dia a dia (por exemplo, ver uma série, comentar uma publicação, escrever uma mensagem) e classifica cada uma segundo a atividade linguística que mobiliza (receção, produção, interação ou mediação).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As atividades linguísticas: receção, produção, interação, mediação#

●○○BaseLPAE-ingles-competencia-comunicativa

Pontos-chave

A receção é o modo pelo qual compreendemos a língua produzida por outros. No modo oral chama-se compreensão do oral (listening) — ouvir e entender uma conversa, um anúncio, um documentário; no modo escrito chama-se leitura (reading) — ler e entender um artigo, um email, um texto literário. A receção não é passiva: exige antecipar, selecionar informação, inferir o que não é dito explicitamente. É a atividade mais avaliada na componente escrita do exame, através das Partes A (listening) e B (reading).
A produção é o modo pelo qual criamos um texto próprio, sem alternância de turnos com um interlocutor. A produção oral (speaking) é o discurso monologal: descrever uma imagem, narrar uma experiência, expor um tema, defender uma opinião perante uma audiência. A produção escrita (writing) é a redação autónoma: um texto de opinião, um artigo, uma narrativa. O que distingue a produção da interação é a ausência de troca imediata: quem produz desenvolve sozinho o seu discurso do princípio ao fim.
A interação é o modo pelo qual duas ou mais pessoas trocam mensagens, alternando os papéis de quem fala/escreve e de quem ouve/lê. A interação oral (spoken interaction) é a conversa, o debate, a entrevista — negoceia-se o sentido em tempo real, gerem-se turnos, reage-se ao outro. A interação escrita (written interaction) é a troca de mensagens, emails ou comentários. A interação combina, alternadamente, receção e produção, e exige competências próprias de gestão da comunicação que a produção monologal não requer.
A mediação, acrescentada com destaque na versão atualizada do QECR, é o modo pelo qual facilitamos a comunicação entre pessoas ou entre uma pessoa e um texto. Mediar é resumir um texto para quem não o pode ler, interpretar entre falantes de línguas diferentes, reformular uma ideia complexa em termos mais simples, ou tomar notas de uma exposição para as partilhar. É uma competência cada vez mais valorizada — e o exame avalia-a explicitamente na «interação ou mediação e produção escritas» da Parte C. A Fig. 2 organiza as atividades pelos modos oral e escrito.

As atividades linguísticas por modo

As atividades linguísticas por modoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Atividade · Modo oral · Modo escrito; Receção · Compreensão oral (listening) · Leitura (reading); Produção · Falar / expor (speaking) · Escrever (writing); Interação · Conversar (spoken interaction) · Corresponder (written interaction); Mediação · Interpretar / resumir oralmente · Traduzir / resumir por escrito, célula destacada: Traduzir / resumir por escritoATIVIDADEMODO ORALMODO ESCRITORECEÇÃOCompreensão oral(listening)Leitura (reading)PRODUÇÃOFalar /expor(speaking)Escrever (writing)INTERAÇÃOConversar (spokeninteraction)Corresponder(writteninteraction)MEDIAÇÃOInterpretar /resumir oralmenteTraduzir /resumirpor escritoA mediação foi reforçada no QECR atualizado; o exame avalia-a na Parte C.
Fig. 2Fig. 2 — Cada atividade linguística realiza-se no modo oral e no modo escrito.
Exemplo resolvido

Identificar a atividade linguística de uma tarefa de exame

Indica a atividade linguística avaliada em cada tarefa: (a) «Listen to the interview and choose the correct option»; (b) «Read the text about your friend Sam and reply to his email»; (c) «Write an opinion essay of at least 160 words».

  1. 01Analisar (a)

    Ouvir para compreender e escolher é receção oral (listening).

  2. 02Analisar (b)

    Ler uma mensagem e responder-lhe implica troca de turnos por escrito: é interação escrita (embora comece por receção).

  3. 03Analisar (c)

    Redigir um texto autónomo de opinião, sem interlocutor, é produção escrita.

Resultado: (a) receção oral; (b) interação escrita; (c) produção escrita. Reconhecer a atividade orienta a estratégia: em (b) é essencial responder ao conteúdo do email, não apenas escrever sobre o tema.

Foco no Exame Nacional

  • Associar cada Parte do exame à atividade linguística que avalia (A: listening; B: reading e uso da língua; C: mediação/interação e produção escritas; oral: interação e produção orais).
  • Distinguir produção (monologal, autónoma) de interação (troca de turnos, negociação de sentido).

Erros frequentes

  • Confundir produção com interação — abordar uma tarefa de conversa como se fosse um monólogo, sem reagir ao interlocutor.
  • Esquecer a mediação, tratando o resumo de um texto como uma cópia em vez de uma reformulação para outrem.

Revisão ativa

Constrói uma tabela pessoal com as oito células (receção, produção, interação, mediação × oral, escrito) e escreve, em cada uma, um exemplo concreto de uma tarefa que já realizaste em inglês.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os níveis do QECR e a progressão B1→B2#

●●○PadrãoLPAE-ingles-competencia-comunicativa

Pontos-chave

O QECR descreve o domínio de uma língua numa escala de seis níveis comuns de referência, agrupados em três bandas: o utilizador elementar (A1 e A2), o utilizador independente (B1 e B2) e o utilizador proficiente (C1 e C2). Cada nível é definido por descritores «pode fazer» (can-do statements) — afirmações positivas sobre o que a pessoa consegue realizar com a língua, e não sobre o que lhe falta. Esta escala é a mesma que fundamenta os exames de certificação internacional (Cambridge, IELTS) e as Aprendizagens Essenciais portuguesas (ver Fig. 3).

Os níveis do QECR

Os níveis do QECRpirâmide, 6 níveis, Dados: A1 · Iniciação, A2 · Elementar, B1 · Limiar, B2 · Vantagem, C1 · Autonomia, C2 · MestriaA1 · Iniciaçãoutilizador elementarA2 · Elementarutilizador elementarB1 · Limiarponto de partidaB2 · Vantagemmeta da disciplinaC1 · Autonomiautilizador proficienteC2 · Mestriautilizador proficienteOs descritores «pode fazer» definem cada nível de forma positiva.
Fig. 3Fig. 3 — A escala de níveis do QECR; a disciplina progride de B1 para B2 (destacado).
A disciplina de Inglês de continuação parte, no início do 10.º ano, de um nível B1 já consolidado no Ensino Básico, e tem como meta a progressão para o nível B2 até ao final do 11.º ano. Em termos práticos, ao longo dos dois anos espera-se que o aluno passe de um utilizador independente «limiar» (B1) para um utilizador independente «avançado» (B2). Situar-se nesta progressão ajuda a definir objetivos realistas: não se trata de atingir a fluência de um falante nativo (C2), mas de comunicar com eficácia, autonomia e correção crescente.
O nível B1 (Threshold / Limiar) caracteriza um utilizador que compreende os pontos essenciais de textos claros sobre assuntos familiares, se desenrasca na maioria das situações de viagem, produz textos simples e ligados sobre temas conhecidos e descreve experiências, planos e opiniões de forma breve. É o patamar da autonomia funcional: consegue-se comunicar, ainda que com hesitações e um repertório limitado, sobre o que é próximo e concreto.
O nível B2 (Vantage / Vantagem) é a meta da disciplina e marca um salto qualitativo. Um utilizador B2 compreende as ideias principais de textos complexos, incluindo discussões técnicas na sua área; interage com um grau de espontaneidade e fluência que torna possível a conversa regular com falantes nativos sem esforço para nenhuma das partes; e produz textos claros e pormenorizados sobre uma vasta gama de temas, defendendo um ponto de vista e explicando as vantagens e desvantagens de várias opções. É este desempenho — abstração, argumentação, nuance — que as tarefas mais exigentes do exame procuram.
Exemplo resolvido

Distinguir um desempenho B1 de um desempenho B2

Duas respostas à pergunta «What do you think about social media?»: (A) «I like social media. It is fun. I use Instagram every day. It is good.» (B) «Although social media helps us stay connected, it can also harm our mental health, so I believe we should use it in moderation.» Qual revela nível B2 e porquê?

  1. 01Avaliar a resposta A

    Frases curtas e justapostas, léxico básico e repetitivo («fun», «good»), sem articulação nem nuance: desempenho típico de B1.

  2. 02Avaliar a resposta B

    Subordinação («although», «so»), léxico mais preciso («stay connected», «harm», «in moderation») e um ponto de vista matizado com prós e contras: características de B2.

  3. 03Concluir

    O salto B1→B2 não é «saber mais palavras», mas articular ideias, matizar e defender uma posição com coesão.

Resultado: A resposta B é de nível B2: mobiliza subordinação, léxico preciso e argumentação matizada, ao passo que A permanece num B1 de frases simples justapostas.

Foco no Exame Nacional

  • Saber que a disciplina consolida o nível B1 e visa o nível B2, e reconhecer o que caracteriza o desempenho B2 em cada competência.
  • Interpretar os descritores «pode fazer» como metas de desempenho concretas para autorregular a preparação.

Erros frequentes

  • Julgar que o objetivo é «falar como um nativo» (C2); a meta realista e avaliada é o B2.
  • Confundir as bandas: A e B não são «básico e avançado», mas «elementar» e «independente» — o C é que é «proficiente».

Revisão ativa

Consulta um descritor «pode fazer» de nível B2 para a produção escrita (por exemplo, «consigo escrever um texto que defende um ponto de vista, dando razões a favor e contra») e avalia honestamente, numa escala de 1 a 5, quão perto estás de o cumprir, justificando.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

As componentes linguística, sociolinguística e pragmática#

●●○PadrãoLPAE-ingles-competencia-comunicativa

Pontos-chave

Comunicar bem exige mais do que dominar a gramática. O QECR decompõe a competência comunicativa em três componentes que operam em simultâneo: a componente linguística, a componente sociolinguística e a componente pragmática. Um texto pode estar gramaticalmente correto e, ainda assim, falhar por ser desadequado à situação ou mal organizado — daí a importância de as trabalhar as três em conjunto (ver Fig. 4).

As três componentes da competência comunicativa

As três componentes da competência comunicativaTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Componente · O que abrange · Exemplo de foco; Linguística · Léxico, gramática, fonologia, ortografia · Formar corretamente o Present Perfect; Sociolinguística · Registo, cortesia, tratamento, variedades · Escolher «Could you…?» em vez de «Gimme…»; Pragmática · Organização do discurso, funções, coerência · Encadear ideias com «however», «therefore», célula destacada: Organização do discurso, funções, coerênciaCOMPONENTEO QUE ABRANGEEXEMPLO DE FOCOLINGUÍSTICALéxico, gramática,fonologia, ortografiaFormar corretamente oPresent PerfectSOCIOLINGUÍSTICARegisto, cortesia,tratamento, variedadesEscolher «Could you…?» emvez de «Gimme…»PRAGMÁTICAOrganização do discurso,funções, coerênciaEncadear ideias com«however», «therefore»A avaliação da escrita cruza as três componentes.
Fig. 4Fig. 4 — As três componentes operam em simultâneo; um texto tem de ser correto, adequado e bem organizado.
A componente linguística é o domínio dos recursos formais da língua: o léxico (vocabulário), a gramática (morfologia e sintaxe), a fonologia (pronúncia e entoação) e a ortografia. É o que o tópico «Uso da língua» desenvolve em pormenor. É a base indispensável — sem recursos linguísticos não há mensagem —, mas não é suficiente por si só: saber as regras não garante saber usá-las de forma apropriada e eficaz.
A componente sociolinguística é o domínio das dimensões sociais do uso da língua: a adequação do registo (formal ou informal), as marcas de cortesia, as fórmulas de saudação e tratamento, as diferenças entre variedades (britânica, americana) e a consciência dos contextos em que cada uma é apropriada. É o que torna a diferença entre «Could you possibly help me?» (formal, cortês) e «Gimme a hand» (muito informal) — ambas corretas, mas adequadas a situações opostas. Esta componente liga-se estreitamente à competência intercultural.
A componente pragmática é o domínio da organização e da função do discurso: saber estruturar um texto com coerência, encadear ideias com conectores, realizar funções comunicativas (pedir, sugerir, recusar, argumentar) e adaptar o discurso ao objetivo e ao destinatário. Inclui a competência discursiva (como se constrói um texto coeso) e a competência funcional (que ações se realizam com a língua). É esta componente que faz com que um conjunto de frases corretas se torne um texto verdadeiro, com propósito e progressão.
Exemplo resolvido

Diagnosticar a componente em falha

Um aluno escreve, num email formal de reclamação a uma loja: «You are stupid because my order is late. Give me my money now!!!» O texto quase não tem erros gramaticais. Que componentes falham?

  1. 01Verificar a componente linguística

    A gramática e a ortografia estão corretas: a componente linguística não é o problema principal.

  2. 02Verificar a componente sociolinguística

    O registo é grosseiro e agressivo («stupid», imperativos secos, exclamações), inadequado a um email formal: falha de adequação sociolinguística.

  3. 03Verificar a componente pragmática

    Falta a estrutura de uma reclamação eficaz (saudação, exposição do problema, pedido cortês, fecho): falha de organização pragmática.

Resultado: As falhas são sociolinguística (registo inadequado) e pragmática (organização e cortesia ausentes), apesar da correção linguística. Comunicar bem exige as três componentes.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer que a avaliação da escrita (parâmetros DT, CC, EC, AAC) cruza as três componentes: correção linguística (AAC), adequação sociolinguística (EC) e organização pragmática (CC).
  • Identificar falhas de adequação (sociolinguística) e de organização (pragmática) mesmo em texto gramaticalmente correto.

Erros frequentes

  • Concentrar-se só na correção gramatical (componente linguística) e descurar a adequação ao registo e a organização do texto.
  • Usar um registo demasiado informal em tarefas formais (por exemplo, «wanna», «gonna» ou emojis num texto de opinião).

Revisão ativa

Reescreve a frase informal «Hey, can u send me that stuff asap? thx» num registo formal adequado a um email a um professor, e identifica que componente (sociolinguística, pragmática) corrigiste.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O modelo de competência comunicativa (QECR)○
    • 02As atividades linguísticas: receção, produção, interação, mediação○
    • 03Os níveis do QECR e a progressão B1→B2◐
    • 04As componentes linguística, sociolinguística e pragmática◐

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Dos resumos à prática

Competência comunicativa (compreender, interagir, produzir)

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Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Inglês — Ensino Secundário (Continuação)

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Compreensão oral (listening)

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