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Resumos/História da Cultura e das Artes/Módulo 7 — A Cultura do Salão: das «revoluções» à Revolução (Iluminismo, Neoclassicismo, Romantismo)
Resumos · História da Cultura e das ArtesPT · Secundário

Módulo 7 — A Cultura do Salão: das «revoluções» à Revolução (Iluminismo, Neoclassicismo, Romantismo)

No século XVIII, no salão iluminista discutem-se as ideias que abalarão o mundo: a razão, o progresso, a liberdade. Das «revoluções» das Luzes nasce a Revolução — Americana, Francesa, Industrial. A arte oscila entre dois polos: o Neoclassicismo da razão e da ordem (David) e o Romantismo do sentimento e da liberdade (Delacroix, Goya). Módulo do Exame 724, central pela distinção entre Neoclássico e Romântico.

4 secções·~14 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3

T·0999 / 12
Perfil de exame
Caracterizar o Iluminismo, a cultura do salão e as revoluções (Americana, Francesa, Industrial)Identificar as características do NeoclassicismoIdentificar as características do Romantismo e distingui-lo do NeoclassicismoRelacionar a arte com o contexto das revoluções e reconhecer a música do período
Operadores:caracterizaidentificadistingueanalisarelacionaexplicajustifica

nível básico

Reconhecer o Iluminismo e o salão, e distinguir Neoclassicismo (razão) de Romantismo (sentimento).

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 724: analisar obras de David e de Delacroix e relacioná-las com a razão iluminista e a paixão romântica.

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 7 — A Cultura do Salão: das «revoluções» à Revolução (Iluminismo, Neoclassicismo, Romantismo)
    • 01O tempo e o espaço: as Luzes, o salão e as revoluções○
    • 02O Neoclassicismo: o regresso à Antiguidade◐
    • 03O Romantismo: o sentimento e a liberdade◐
    • 04Neoclássico e Romântico: síntese e música◐
§ 01

O tempo e o espaço: as Luzes, o salão e as revoluções#

●○○BaseLPAE-hca-cultura-salao

Pontos-chave

O século XVIII é o «Século das Luzes» — o Iluminismo. Um movimento de pensadores (os filósofos, ou philosophes: Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot) proclama a confiança na razão humana como luz capaz de dissipar as «trevas» da ignorância, da superstição e da tirania. Defendem o progresso, a tolerância, a liberdade, a igualdade perante a lei e os direitos naturais do Homem, e criticam o Antigo Regime — o absolutismo e os privilégios. A grande empresa do Iluminismo foi a Enciclopédia (a partir de 1751), dirigida por Diderot e d'Alembert, que pretendia reunir e difundir todo o saber humano segundo a razão (ver Fig. 1).

As Luzes e as revoluções

As Luzes e as revoluçõesLinha do tempo de 1700 a 1855, 1751: Enciclopédia, 1784: Juramento dos Horácios (David), 1789: Revolução Francesa, 1830: A Liberdade Guiando o Povo (Delacroix), 1715–1789: Iluminismo, 1789–1850: Revoluções e Romantismo17001855d.C.IluminismoRevoluções eRomantismo1751Enciclopédia1784Juramento dosHorácios (David)1789RevoluçãoFrancesa1830A LiberdadeGuiando o Povo …
Fig. 1Fig. 1 — Do Iluminismo às revoluções: o Neoclassicismo e o Romantismo entre a razão e o sentimento.
Estas ideias circulavam num espaço social novo, que dá nome ao módulo: o salão. Nas casas da alta burguesia e da aristocracia esclarecida — muitas vezes animadas por mulheres cultas, as anfitriãs —, reuniam-se filósofos, escritores, artistas e cientistas para conversar, ler, debater ideias e ouvir música. O salão era a «ágora» do Iluminismo: um lugar de sociabilidade culta e de livre discussão, onde a opinião pública se formava e as ideias das Luzes se difundiam, longe do controlo da corte e da Igreja.
As ideias iluministas tiveram consequências revolucionárias. Em nome da liberdade e dos direitos, a Revolução Americana (independência de 1776) fundou uma república baseada nos princípios das Luzes. E a Revolução Francesa (1789), com o seu lema «Liberdade, Igualdade, Fraternidade», derrubou o absolutismo e o Antigo Regime, proclamou os Direitos do Homem e do Cidadão e abriu a Idade Contemporânea. Ao mesmo tempo, arrancava em Inglaterra a Revolução Industrial, que transformaria a economia e a sociedade (tema do módulo seguinte). O mundo mudava de alto a baixo.
Neste tempo de transformações, a arte não é unívoca: divide-se em dois grandes movimentos, em parte sucessivos, em parte simultâneos e opostos. O Neoclassicismo (sobretudo c. 1770-1830) traduz o lado racional, ordenado e cívico das Luzes, regressando à Antiguidade. O Romantismo (sobretudo c. 1800-1850) é a reação a esse racionalismo, exaltando o sentimento, a imaginação e a liberdade individual. Compreender o Salão é compreender esta tensão entre a razão e o sentimento, que atravessa toda a cultura da viragem do século XVIII para o XIX.
Exemplo resolvido

Relacionar Iluminismo e Revolução Francesa

Explica de que modo as ideias do Iluminismo prepararam a Revolução Francesa de 1789.

  1. 01As ideias

    O Iluminismo defendia a razão, a liberdade, a igualdade perante a lei e os direitos naturais, criticando o absolutismo e os privilégios do Antigo Regime.

  2. 02A difusão

    Estas ideias circularam nos salões, na Enciclopédia e nos escritos dos filósofos, formando uma opinião pública crítica do poder estabelecido.

  3. 03A rutura

    Em 1789, essas ideias tornaram-se ação: a Revolução derrubou o absolutismo, proclamou os Direitos do Homem e do Cidadão (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) e pôs fim ao Antigo Regime.

Resultado: As ideias iluministas de razão, liberdade e igualdade, difundidas pelos salões e pela Enciclopédia, minaram a legitimidade do Antigo Regime e forneceram os princípios em nome dos quais a Revolução Francesa de 1789 o derrubou — as «revoluções» das Luzes tornaram-se a Revolução.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o Iluminismo (razão, progresso, liberdade, crítica ao Antigo Regime) e a Enciclopédia.
  • Explicar o salão como espaço de sociabilidade e difusão das ideias das Luzes.
  • Relacionar as Luzes com as revoluções (Americana, Francesa, Industrial).

Erros frequentes

  • Reduzir o Iluminismo a um estilo artístico (é sobretudo um movimento de ideias).
  • Confundir o salão iluminista (debate de ideias) com a corte barroca (espetáculo do poder).
  • Não relacionar a arte do período com o contexto das revoluções.

Revisão ativa

Explica o que era o salão iluminista e por que foi importante para a difusão das ideias das Luzes.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Salão (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O Neoclassicismo: o regresso à Antiguidade#

●●○PadrãoLPAE-hca-cultura-salao

Pontos-chave

O Neoclassicismo é a expressão artística do lado racional e ordenado do Iluminismo, e nasce de uma dupla motivação (ver Fig. 2). Por um lado, é uma reação contra a frivolidade e o excesso decorativo do Rococó, sentido como leviano e superficial. Por outro, é alimentado por um acontecimento concreto: as escavações arqueológicas de Pompeia e Herculano (a partir de 1748), que trouxeram à luz cidades romanas inteiras, e as ideias do historiador de arte Winckelmann, que exaltou na arte grega «uma nobre simplicidade e uma serena grandeza». Regressava, uma vez mais, o modelo da Antiguidade.

As origens do Neoclassicismo

Origens do NeoclassicismoGrafo, Iluminismo: razão e ordem → Neoclassicismo, Pompeia; Winckelmann → Neoclassicismo, Neoclassicismo → Linha, ordem, tema cívico e moralIluminismo:razão e ordemPompeia;WinckelmannNeoclassicismoLinha, ordem,tema cívico emoral
Fig. 2Fig. 2 — O Neoclassicismo nasce do cruzamento da razão iluminista com a redescoberta arqueológica da Antiguidade.
As características do Neoclassicismo traduzem os valores das Luzes: a razão, a ordem, a clareza e a contenção. Recuperam-se as formas clássicas — a linha nítida e o desenho rigoroso (mais do que a cor), a composição equilibrada e serena, a sobriedade. Os temas são frequentemente cívicos e morais, exaltando virtudes como o dever, o sacrifício pela pátria, a coragem e a razão — valores que a Revolução Francesa fará seus. É uma arte séria, austera e edificante, o oposto do prazer ligeiro do Rococó.
Na arquitetura, o Neoclassicismo cobre a Europa e a América de edifícios inspirados nos templos gregos e romanos — colunatas, frontões, cúpulas —, sobretudo em edifícios públicos (parlamentos, museus, tribunais, bancos), pois a forma clássica evoca a razão, a ordem e as virtudes cívicas. Na escultura, Antonio Canova (1757-1822) esculpe corpos de mármore de perfeita e serena idealização clássica. Em Portugal, a reconstrução pombalina de Lisboa após o terramoto de 1755, racional e regular, anuncia já este espírito de ordem.
Na pintura, o mestre absoluto é o francês Jacques-Louis David (1748-1825). No «Juramento dos Horácios» (1784), exalta o dever cívico e o sacrifício pela pátria com uma composição rigorosa, linhas nítidas e gestos heroicos — uma verdadeira lição de virtude republicana. Comprometido com a Revolução, David pintou também «A Morte de Marat» (1793), transformando um dirigente revolucionário assassinado num mártir laico. Ingres (1780-1867) prolongaria o culto neoclássico da linha e do ideal. A arte neoclássica pôs-se, assim, ao serviço dos valores cívicos das Luzes e da Revolução.
Exemplo resolvido

Analisar o «Juramento dos Horácios»

No «Juramento dos Horácios» (David, 1784), três irmãos juram, de braço estendido, defender a pátria, numa composição rigorosa e de linhas nítidas. Explica por que a obra é exemplar do Neoclassicismo.

  1. 01A forma

    Composição equilibrada e clara, desenho rigoroso, linhas nítidas, cor contida e figuras esculturais dispostas como num friso clássico — o primado da razão e da ordem.

  2. 02O tema

    O juramento de defender a pátria exalta o dever cívico, o sacrifício e a virtude — valores morais e republicanos caros ao Iluminismo.

  3. 03O contexto

    Pintada poucos anos antes da Revolução, a obra propõe um modelo de virtude cívica que a Revolução Francesa haveria de reivindicar.

Resultado: O «Juramento dos Horácios» é exemplar do Neoclassicismo pela forma (ordem, linha, equilíbrio, modelo clássico) e pelo tema (o dever cívico e o sacrifício pela pátria), traduzindo o lado racional e moral das Luzes às vésperas da Revolução.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as origens do Neoclassicismo (reação ao Rococó; Pompeia; Winckelmann).
  • Identificar as suas características (razão, ordem, linha, tema cívico e moral).
  • Reconhecer David (Juramento dos Horácios, A Morte de Marat) e Canova.

Erros frequentes

  • Confundir Neoclassicismo com Barroco ou Rococó (é sóbrio, racional e cívico, não exuberante).
  • Privilegiar a cor em vez da linha na caracterização do Neoclassicismo.
  • Ignorar a ligação do Neoclassicismo aos valores cívicos das Luzes e da Revolução.

Revisão ativa

Explica por que o Neoclassicismo é a expressão artística do lado racional do Iluminismo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Salão (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O Romantismo: o sentimento e a liberdade#

●●○PadrãoLPAE-hca-cultura-salao

Pontos-chave

O Romantismo (sobretudo na primeira metade do século XIX) é a grande reação contra o racionalismo do Iluminismo e do Neoclassicismo. Contra o primado da razão, exalta o primado do sentimento, da emoção, da paixão e da imaginação; contra as regras clássicas, reivindica a liberdade e a originalidade do génio criador; contra a serenidade, procura a intensidade, o dramático e mesmo o irracional. O «eu», com os seus sonhos, angústias e desejos, torna-se o centro da arte. É uma mudança de sensibilidade tão profunda como a que separara o Barroco do Renascimento (ver Fig. 3).

Os temas do Romantismo

Temas do Romantismoroda segmentada, 8 segmentos, Dados: O Romantismo, O sentimento, O sublime, A natureza, A nação e o povo, A Idade Média, O exótico, O herói solitário, A liberdadeO sentimentoO sublimeA naturezaA nação e o povoA Idade MédiaO exóticoO herói solitárioA liberdadeO Romantismo
Fig. 3Fig. 3 — Os grandes temas do Romantismo, expressão do primado do sentimento e da imaginação.
Vários temas exprimem esta nova sensibilidade. A natureza, já não domesticada como em Versalhes, mas grandiosa, indomável e sublime — tempestades, montanhas, ruínas, o mar —, perante a qual o Homem se sente pequeno e comovido. O passado, sobretudo a Idade Média (antes desprezada), redescoberta como fonte de mistério e de raízes. A nação e o povo, com o despertar dos nacionalismos e do interesse pelas tradições populares. E o exótico, o sonho, o fantástico e a morte. O herói romântico é solitário, apaixonado e revoltado.
Na pintura, o Romantismo privilegia a cor, a pincelada solta e vibrante, a luz dramática e a composição dinâmica — o oposto da linha fria neoclássica. Théodore Géricault (1791-1824), em «A Jangada da Medusa» (1818-1819), transforma um naufrágio real num drama de desespero e esperança. Eugène Delacroix (1798-1863), o maior romântico francês, pinta «A Liberdade Guiando o Povo» (1830), em que a Liberdade personificada conduz o povo em revolução, numa explosão de cor, movimento e paixão. Na Alemanha, Caspar David Friedrich pinta paisagens do sublime; em Inglaterra, Turner dissolve a luz e a atmosfera.
Um caso maior de charneira é Francisco de Goya (1746-1828). Em «O 3 de Maio de 1808» (pintado em 1814), representa o fuzilamento de patriotas espanhóis pelas tropas de Napoleão, denunciando o horror da guerra com uma força emocional e uma liberdade de execução que rompem definitivamente com o Neoclassicismo e anunciam a arte moderna. Goya mostra que a arte pode ser grito, denúncia e emoção pura — não apenas beleza serena. O Romantismo abre, assim, o caminho para a subjetividade e a liberdade da arte contemporânea.
Exemplo resolvido

Analisar «A Liberdade Guiando o Povo»

Em «A Liberdade Guiando o Povo» (Delacroix, 1830), uma figura feminina de bandeira erguida conduz o povo por cima de barricadas, em cor viva e movimento intenso. Explica por que a obra é exemplar do Romantismo.

  1. 01A forma

    Cor viva, pincelada enérgica, luz dramática e composição dinâmica (em pirâmide ascendente, mas cheia de movimento) — o oposto da linha fria neoclássica.

  2. 02O tema

    A Liberdade personificada guia o povo em revolução: exalta a paixão, o ideal de liberdade e o herói coletivo, temas românticos por excelência.

  3. 03A emoção

    A obra não procura a serenidade, mas comover e exaltar — apela ao sentimento e ao entusiasmo, não à razão contida.

Resultado: A obra é exemplar do Romantismo pela forma (cor, movimento, drama) e pelo tema (a paixão pela liberdade, o herói do povo), traduzindo o primado do sentimento e da liberdade que reage contra a razão fria do Neoclassicismo.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar as características do Romantismo (sentimento, imaginação, sublime, liberdade).
  • Reconhecer os seus temas (natureza sublime, Idade Média, nação, exótico) e mestres (Géricault, Delacroix, Friedrich, Goya).
  • Explicar o Romantismo como reação ao racionalismo neoclássico.

Erros frequentes

  • Descrever o Romantismo com os valores neoclássicos (razão, linha, ordem).
  • Confundir a natureza romântica (sublime, indomável) com o jardim ordenado barroco.
  • Ignorar Goya como charneira para a arte moderna.

Revisão ativa

Explica por que o Romantismo é uma reação ao Neoclassicismo, indicando três oposições.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Salão (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Neoclássico e Romântico: síntese e música#

●●○PadrãoLPAE-hca-cultura-salao

Pontos-chave

A grande competência que o Exame 724 pede neste módulo é distinguir com clareza o Neoclassicismo do Romantismo, dois movimentos que em parte coexistiram e se opuseram ponto por ponto (ver Fig. 4). O Neoclassicismo é a arte da razão: privilegia a linha e o desenho, a composição equilibrada, a serenidade, os temas cívicos e morais e o modelo da Antiguidade. O Romantismo é a arte do sentimento: privilegia a cor e a pincelada solta, a composição dinâmica, a intensidade dramática, os temas da natureza, da nação e da Idade Média, e a liberdade do génio. Perante uma obra, a pergunta é: domina a razão e a linha, ou o sentimento e a cor?

Neoclassicismo e Romantismo

Neoclássico vs RomânticoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Neoclassicismo · Romantismo; Faculdade dominante · A razão · O sentimento e a imaginação; Modelo / temas · Antiguidade; temas cívicos e morais · Natureza sublime, nação, Idade Média, exótico; Forma · Desenho e linha nítida; composição equilibrada · Cor e pincelada solta; composição dinâmica; Atitude · Ordem, dever, contenção · Paixão, revolta, liberdade individual; Exemplo (pintura) · David — Juramento dos Horácios (1784) · Delacroix — A Liberdade Guiando o Povo (1830), célula destacada: O sentimento e a imaginaçãoASPETONEOCLASSICISMOROMANTISMOFACULDADEDOMINANTEA razãoO sentimento e a imaginaçãoMODELO / TEMASAntiguidade; temas cívicos emoraisNatureza sublime, nação,Idade Média, exóticoFORMADesenho e linha nítida;composição equilibradaCor e pincelada solta;composição dinâmicaATITUDEOrdem, dever, contençãoPaixão, revolta, liberdadeindividualEXEMPLO (PINTURA)David — Juramento dosHorácios (1784)Delacroix — A LiberdadeGuiando o Povo (1830)
Fig. 4Fig. 4 — Neoclassicismo e Romantismo: a razão e a linha contra o sentimento e a cor.
Esta oposição não significa que um movimento seja superior ao outro: são duas respostas complementares ao mesmo tempo de revoluções. O Neoclassicismo dá forma ao lado luminoso e cívico das Luzes — a confiança na razão e na virtude; o Romantismo dá forma ao seu reverso — a consciência dos limites da razão, o peso das emoções, a força das nações e dos indivíduos. Juntos, exprimem a complexidade de uma época que fundou o mundo contemporâneo.
A música do período acompanha esta evolução. O Classicismo musical (segunda metade do século XVIII), com Haydn e Mozart, corresponde ao equilíbrio e à clareza neoclássicos: formas ordenadas (a sinfonia, a sonata), melodias claras, proporção. A charneira é Ludwig van Beethoven (1770-1827), que parte do Classicismo mas leva a música a uma intensidade, a uma força e a uma expressão pessoal que já são românticas. Depois dele, o Romantismo musical — Chopin (1810-1849), Wagner (1813-1883), Berlioz — faz da música a linguagem por excelência do sentimento e da emoção.
Em Portugal, o período deixou marcas em várias artes. A reconstrução pombalina de Lisboa exprimiu o racionalismo das Luzes; o Romantismo, mais tarde, deu ao país escritores maiores — Almeida Garrett e Alexandre Herculano, que redescobriram a história e as tradições nacionais — e monumentos como o Palácio da Pena, em Sintra, fantasia romântica que mistura estilos do passado. A Cultura do Salão fecha, assim, a Idade Moderna e abre a contemporaneidade: a partir daqui, a máquina, a velocidade e a cidade industrial tomam conta do palco — é a Cultura da Gare.
Exemplo resolvido

Classificar duas obras

Obra A: composição serena, linhas nítidas, tema de dever cívico à maneira romana. Obra B: cor intensa, movimento, uma tempestade no mar e uma figura minúscula. Classifica cada uma e justifica.

  1. 01Obra A

    Linha nítida, serenidade, tema cívico à romana: é Neoclássica — exprime a razão, a ordem e a virtude, com o modelo da Antiguidade.

  2. 02Obra B

    Cor, movimento, natureza indomável e o Homem pequeno perante o sublime: é Romântica — exprime o sentimento e a emoção.

  3. 03O critério

    A distinção decisiva é a faculdade dominante: a razão e a linha (Neoclássico) contra o sentimento e a cor (Romântico).

Resultado: A obra A é Neoclássica (linha, serenidade, tema cívico) e a B é Romântica (cor, movimento, sublime): a classificação assenta na oposição entre o primado da razão e o primado do sentimento — a chave deste módulo.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir rigorosamente Neoclassicismo (razão, linha) e Romantismo (sentimento, cor).
  • Reconhecer Beethoven como charneira entre o Classicismo e o Romantismo musical.
  • Relacionar a arte do período com o contexto português (pombalino, Garrett, Pena).

Erros frequentes

  • Trocar as características dos dois movimentos (atribuir a cor ao Neoclássico ou a linha ao Romântico).
  • Julgar um movimento «melhor» do que o outro (são respostas complementares).
  • Ignorar a música (Beethoven como charneira) na caracterização do período.

Revisão ativa

Constrói um quadro que distinga o Neoclassicismo do Romantismo quanto à faculdade dominante, à forma e aos temas.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Salão (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O tempo e o espaço: as Luzes, o salão e as revoluções○
    • 02O Neoclassicismo: o regresso à Antiguidade◐
    • 03O Romantismo: o sentimento e a liberdade◐
    • 04Neoclássico e Romântico: síntese e música◐

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Dos resumos à prática

Módulo 7 — A Cultura do Salão: das «revoluções» à Revolução (Iluminismo, Neoclassicismo, Romantismo)

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História da Cultura e das Artes — Cultura do Salão

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