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Resumos/Geografia C/O sistema mundial contemporâneo
Resumos · Geografia CPT · Secundário

O sistema mundial contemporâneo

Este tema abre o estudo do Mundo contemporâneo, caracterizando a globalização (ou mundialização) e as suas múltiplas dimensões — económica, financeira, política, cultural, social e ambiental — e a crescente interdependência à escala planetária. Analisa o modelo de sistema-mundo de Immanuel Wallerstein (centro, semiperiferia e periferia), a divisão internacional do trabalho e as cadeias globais de produção, a compressão do espaço-tempo (Harvey) e a « aldeia global » (McLuhan), bem como as oportunidades, os riscos e a contestação altermundialista. A Geografia C é uma disciplina de opção de avaliação interna, sem Exame Final Nacional.

5 secções·~17 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0111 / 12
Perfil de exame
Caracterizar a globalização e distinguir as suas várias dimensõesExplicar o modelo de sistema-mundo (centro, semiperiferia e periferia) e a hierarquia do espaço mundialRelacionar a divisão internacional do trabalho com a interdependência e as assimetrias mundiaisProblematizar oportunidades, riscos e contestação da globalização
Operadores:caracterizadistingueexplicarelacionainterpretadiscuteproblematiza

nível básico

Definir a globalização e as suas dimensões e localizar o centro, a semiperiferia e a periferia no sistema-mundo.

nível avançado

Relacionar a divisão internacional do trabalho e a compressão do espaço-tempo com a interdependência, os riscos e a contestação da globalização.

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. O sistema mundial contemporâneo
    • 01A globalização e as suas dimensões○
    • 02O sistema-mundo: centro, semiperiferia e periferia◐
    • 03A divisão internacional do trabalho e a interdependência◐
    • 04A compressão do espaço-tempo e a aldeia global◐
    • 05Oportunidades, riscos e contestação da globalização●
§ 01

A globalização e as suas dimensões#

●○○BaseLPAE-geografia-c-sistema-mundial

Pontos-chave

A globalização (ou mundialização) é o processo de crescente interligação e interdependência entre os territórios, as economias e as sociedades à escala mundial, resultante da intensificação dos fluxos de bens, capitais, pessoas e informação (ver Fig. 1). Não é um fenómeno inteiramente novo — houve formas de mundialização desde a expansão europeia dos séculos XV e XVI —, mas conheceu uma aceleração sem precedentes a partir das últimas décadas do século XX, com a liberalização das trocas e a revolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC). O termo « mundialização », de matriz francófona, é habitualmente usado como sinónimo de globalização.

As dimensões da globalização

Dimensões da globalizaçãoGrafo, Globalização → Económica, Globalização → Financeira, Globalização → Política, Globalização → Cultural, Globalização → Social, Globalização → AmbientalGlobalizaçãoEconómicaFinanceiraPolíticaCulturalSocialAmbiental
Fig. 1Fig. 1 — As seis dimensões da globalização, todas atravessadas pela interdependência à escala planetária.
A globalização é multidimensional. Na dimensão económica, traduz-se na integração dos mercados, no crescimento do comércio internacional e na produção organizada à escala planetária pelas empresas transnacionais. Na dimensão financeira, manifesta-se na circulação quase instantânea de capitais entre as praças financeiras e na interligação das bolsas, o que torna cada economia muito sensível às crises das outras — como ilustrou a crise financeira de 2008, que, nascida nos Estados Unidos, se propagou rapidamente ao Mundo inteiro.
A dimensão política exprime-se no papel das organizações internacionais (ONU, FMI, OMC) e na necessidade de governar problemas que ultrapassam as fronteiras dos Estados. A dimensão cultural traduz-se na difusão mundial de modelos de consumo, de marcas e de produtos culturais, gerando quer uma certa uniformização (por vezes designada por « americanização » ou receada como homogeneização cultural), quer reações de afirmação identitária. As dimensões social e ambiental recordam que a globalização redistribui de forma muito desigual oportunidades e riscos e que muitos problemas ambientais (alterações climáticas, poluição) são, à partida, globais.
O traço comum a todas estas dimensões é a interdependência: nenhum território vive isolado e acontecimentos locais têm repercussões globais — e vice-versa. Uma decisão de deslocalização de uma empresa, uma pandemia ou uma variação do preço do petróleo repercutem-se em cadeia por todo o planeta. Compreender a globalização como um processo multidimensional e assimétrico — que aproxima, mas não iguala — é o ponto de partida de todo o estudo do sistema mundial contemporâneo.
Exemplo resolvido

Ler as dimensões numa situação concreta

Uma empresa europeia encerra uma fábrica na Europa e abre outra na Ásia; a notícia circula em segundos nas redes sociais e gera protestos ambientais. Identifica as dimensões da globalização presentes nesta situação.

  1. 01Dimensão económica

    A transferência da produção e a procura de menores custos revelam a integração económica e produtiva à escala mundial.

  2. 02Dimensão social

    O encerramento afeta o emprego na Europa e cria emprego na Ásia — a globalização redistribui oportunidades de forma desigual.

  3. 03Dimensão cultural e informacional

    A difusão instantânea da notícia pelas redes sociais mostra a circulação global de informação.

  4. 04Dimensão ambiental

    Os protestos ambientais lembram que a produção e o transporte têm impactos ecológicos de alcance global.

Resultado: A mesma situação mobiliza simultaneamente as dimensões económica, social, cultural/informacional e ambiental — prova do caráter multidimensional da globalização.

Foco no Exame Nacional

  • Interpretar um documento (texto, esquema ou notícia) e distinguir as várias dimensões da globalização nele presentes.
  • Argumentar, com exemplos concretos, que a globalização é um processo multidimensional e gerador de interdependência.

Erros frequentes

  • Reduzir a globalização à sua dimensão económica, esquecendo as dimensões política, cultural, social e ambiental.
  • Considerar a globalização um fenómeno totalmente recente, ignorando que a interligação mundial se vem construindo desde a expansão europeia.

Revisão ativa

A partir de exemplos do teu quotidiano (roupa, tecnologia, informação, alimentação), identifica pelo menos quatro dimensões da globalização e explica de que modo cada uma se manifesta.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O sistema-mundo: centro, semiperiferia e periferia#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-sistema-mundial

Pontos-chave

O conceito de sistema-mundo foi proposto pelo sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein, na obra « The Modern World-System » (cujo primeiro volume data de 1974). Para Wallerstein, a economia mundial capitalista constitui um único sistema, integrado e hierarquizado, que se foi construindo desde o século XVI. Nesse sistema, o espaço mundial organiza-se em três grandes zonas — centro, semiperiferia e periferia — ligadas por relações de troca desiguais (ver Fig. 2).

O sistema-mundo de Wallerstein

Centro, semiperiferia e periferiacírculos concêntricos, 2 anéis, Dados: Centro, Semiperiferia, PeriferiaPeriferiaSemiperiferiaCentroSistema-mundo (Wallerstein)
Fig. 2Fig. 2 — O sistema-mundo organiza-se em três zonas hierarquizadas: o centro no núcleo, envolvido pela semiperiferia e, mais para fora, pela periferia.
O centro (ou core) reúne os países mais desenvolvidos e poderosos, onde se concentram o capital, a tecnologia, a inovação, os serviços avançados e os centros de decisão das grandes empresas. Especializa-se em produções e funções de elevado valor acrescentado e domina as trocas mundiais, captando a maior parte da riqueza gerada pelo sistema. Historicamente, correspondeu à Europa Ocidental, aos Estados Unidos e ao Japão.
A periferia agrupa os países menos desenvolvidos, fornecedores de matérias-primas e de mão de obra barata, especializados em produções de baixo valor acrescentado e dependentes do centro. A semiperiferia ocupa uma posição intermédia: partilha características do centro e da periferia, funcionando ao mesmo tempo como explorada (face ao centro) e exploradora (face à periferia). Países como o Brasil, a Índia ou a China têm sido apontados como exemplos de semiperiferia, ainda que a sua posição esteja em transformação.
O sistema-mundo é hierárquico, mas dinâmico: as posições não são eternas e um país pode ascender (mobilidade ascendente) ou descer na hierarquia. O modelo sublinha que o desenvolvimento do centro e o subdesenvolvimento da periferia são as duas faces de um mesmo sistema, alimentado por trocas desiguais — uma leitura próxima das teorias da dependência. É um instrumento poderoso para compreender as assimetrias mundiais, embora seja criticado por alguns autores como demasiado esquemático.
Exemplo resolvido

Situar um país no sistema-mundo

Um país exporta sobretudo matérias-primas agrícolas e minerais, importa produtos industriais e tecnologia e depende de capital estrangeiro. Em que zona do sistema-mundo o situarias e porquê?

  1. 01Ler o perfil

    Exporta matérias-primas de baixo valor acrescentado e importa bens industriais e tecnologia — um perfil de economia dependente.

  2. 02Reconhecer a dependência

    A dependência de capital e de tecnologia estrangeiros indica subordinação ao centro.

  3. 03Classificar

    Estas características correspondem à periferia do sistema-mundo.

  4. 04Ressalva

    Se o país tivesse também alguma indústria e exportações mais diversificadas, aproximar-se-ia da semiperiferia.

Resultado: Trata-se de um país da periferia, fornecedor de matérias-primas e dependente do centro em capital e em tecnologia.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o modelo de sistema-mundo e caracterizar, com exemplos, o centro, a semiperiferia e a periferia.
  • Interpretar um mapa ou esquema do sistema-mundo, relacionando a posição dos territórios com o seu nível de desenvolvimento.

Erros frequentes

  • Confundir a semiperiferia com uma simples média entre centro e periferia, esquecendo o seu duplo papel (explorada e exploradora).
  • Apresentar as três posições como fixas, ignorando o caráter dinâmico da hierarquia (mobilidade ascendente ou descendente).

Revisão ativa

Constrói um esquema do sistema-mundo de Wallerstein e, para cada zona (centro, semiperiferia e periferia), indica duas características e um exemplo de território.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A divisão internacional do trabalho e a interdependência#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-sistema-mundial

Pontos-chave

A divisão internacional do trabalho (DIT) designa o modo como as diferentes tarefas e etapas da produção se repartem entre os países. Na antiga divisão internacional do trabalho, associada ao período colonial, as colónias e os países periféricos forneciam matérias-primas e o centro produzia e exportava bens industriais. A partir das últimas décadas do século XX, afirmou-se uma nova divisão internacional do trabalho (NDIT), marcada pela deslocalização de fases da produção industrial para países com mão de obra mais barata.
A deslocalização consiste na transferência de unidades de produção (fábricas, serviços) para territórios onde os custos — sobretudo salariais — são mais baixos. A ela associa-se a especialização produtiva: cada território tende a especializar-se nas funções em que tem vantagens (mão de obra barata na periferia; conceção, investigação e finanças no centro). Assim, uma economia como a chinesa afirmou-se como « fábrica do Mundo », enquanto os centros de decisão e a inovação permaneceram, em grande parte, nos países desenvolvidos.
A produção organiza-se hoje em cadeias globais de produção (ou cadeias globais de valor): as várias etapas de fabrico de um produto — conceção, componentes, montagem, distribuição — realizam-se em países diferentes, coordenadas pelas empresas transnacionais (ver Fig. 3). Um bem de consumo corrente, como um telemóvel, pode ser concebido num país, fabricado com componentes de vários outros, montado num terceiro e vendido em todo o Mundo. Este modelo assenta em transportes eficientes e baratos (a contentorização) e nas TIC.

Uma cadeia global de produção

Cadeia global de valorGrafo, Conceção e I&D → Componentes, Componentes → Montagem, Montagem → Distribuição e marca, Distribuição e marca → Mercado mundialConceção e I&DComponentesMontagemDistribuição emarcaMercado mundial
Fig. 3Fig. 3 — Numa cadeia global de valor, as etapas repartem-se por vários países; o maior valor acrescentado concentra-se na conceção (centro) e na comercialização, e não na montagem (periferia).
A DIT reforça a interdependência: os países ficam mutuamente dependentes uns dos outros para produzir e consumir, e uma rutura num elo da cadeia (uma greve, um bloqueio portuário, uma pandemia) repercute-se em todo o sistema. Mas gera também assimetrias, porque o valor não se reparte por igual: a maior parte do valor acrescentado fica nas etapas de conceção e de comercialização (no centro), e não na montagem (na periferia). A DIT é, por isso, simultaneamente um fator de integração e de desigualdade à escala mundial.
Exemplo resolvido

Onde fica o valor numa cadeia global?

Um telemóvel é concebido no país A, os seus componentes vêm de B e C, é montado em D e vendido no Mundo inteiro. Explica por que razão o país D (montagem) tende a receber a menor parte do valor.

  1. 01Identificar as etapas

    Conceção (A), componentes (B e C), montagem (D) e comercialização da marca — etapas distribuídas por vários países.

  2. 02O valor da montagem

    A montagem exige sobretudo mão de obra pouco qualificada e barata, sendo uma função de baixo valor acrescentado.

  3. 03O valor da conceção e da marca

    A conceção, a tecnologia e a marca (em A) e a comercialização captam a maior parte do valor, por serem funções de elevado valor acrescentado.

  4. 04Conclusão

    Por isso o país D, que apenas monta, recebe a menor fatia do valor: este concentra-se nas pontas da cadeia (conceção e comercialização).

Resultado: O país da montagem (D) recebe pouco valor porque a conceção, a tecnologia, a marca e a comercialização, muito mais valiosas, ficam noutros territórios.

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar a divisão internacional do trabalho com a deslocalização, a especialização produtiva e as assimetrias na repartição do valor.
  • Analisar, a partir de um estudo de caso (por exemplo, o percurso de fabrico de um produto), a organização de uma cadeia global de produção.

Erros frequentes

  • Confundir deslocalização (transferir a produção para outro país) com a simples exportação de produtos.
  • Supor que o país onde o produto é montado é o que retém a maior parte do valor, esquecendo que o valor se concentra na conceção e na comercialização.

Revisão ativa

Escolhe um produto do teu dia a dia (por exemplo, uma peça de vestuário ou um aparelho eletrónico) e descreve, por etapas, como poderia estar organizada a sua cadeia global de produção.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A compressão do espaço-tempo e a aldeia global#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-sistema-mundial

Pontos-chave

A intensificação dos fluxos mundiais assenta na compressão do espaço-tempo, expressão do geógrafo David Harvey (na obra « The Condition of Postmodernity », 1989). A ideia é que o progresso dos transportes e das comunicações reduziu drasticamente o tempo necessário para vencer as distâncias e para transmitir informação, « encolhendo » o Mundo: lugares antes distantes tornam-se, na prática, próximos. O espaço geográfico não desaparece, mas a distância-tempo e a distância-custo diminuem enormemente (ver Fig. 4).

As grandes fases da mundialização

Grandes fases da mundializaçãoLinha do tempo de 1860 a 2010, 1870: 1.ª globalização, 1944: Bretton Woods, 1989: Fim da Guerra Fria, 1995: Criação da OMC, 2001: China adere à OMC18602010ano18701.ª globalização1944Bretton Woods1989Fim da GuerraFria1995Criação da OMC2001China adere àOMC
Fig. 4Fig. 4 — Marcos das grandes fases da mundialização, da 1.ª globalização (finais do século XIX, com a 2.ª Revolução Industrial) à aceleração contemporânea.
Os transportes foram decisivos nesta compressão. A aviação a jato aproximou os continentes; a contentorização (o contentor normalizado, generalizado a partir dos anos 1960-70) revolucionou o transporte marítimo de mercadorias, baixando custos e tempos e tornando viáveis as cadeias globais de produção. As redes de infraestruturas — portos, aeroportos, autoestradas e caminhos de ferro de alta velocidade — encurtaram as distâncias e multiplicaram as trocas.
As tecnologias de informação e comunicação (TIC) levaram a compressão ao extremo. O telefone, a televisão por satélite, os cabos submarinos e, sobretudo, a Internet permitem comunicar e transferir informação e capitais de forma quase instantânea e a custo reduzido, praticamente independente da distância. É esta revolução que sustenta a globalização financeira e a organização em rede das empresas e das sociedades.
A expressão « aldeia global » foi cunhada pelo pensador canadiano Marshall McLuhan, na década de 1960, para traduzir a ideia de que os meios de comunicação eletrónicos transformam o Mundo numa espécie de aldeia, onde todos podem partilhar informação e experiências em simultâneo, como se vivessem no mesmo lugar. Compressão do espaço-tempo e aldeia global são, assim, duas faces do mesmo processo: a aproximação dos lugares e das pessoas pela tecnologia — ainda que o acesso a essa tecnologia continue muito desigual (o chamado « fosso digital »).
Exemplo resolvido

Ler a cronologia da mundialização

A partir da linha do tempo (Fig. 4), explica por que razão a criação da OMC (1995) e a adesão da China (2001) marcam a aceleração da globalização contemporânea.

  1. 01A OMC (1995)

    A Organização Mundial do Comércio sucedeu ao GATT e passou a promover e a regular a liberalização do comércio mundial, reduzindo as barreiras às trocas.

  2. 02A China (2001)

    A adesão da China à OMC integrou plenamente a maior reserva de mão de obra do Mundo no comércio internacional, impulsionando as cadeias globais de produção.

  3. 03Efeito conjunto

    Um comércio mais livre e a entrada da « fábrica do Mundo » multiplicaram os fluxos de mercadorias e de investimento à escala mundial.

  4. 04Conclusão

    Estes marcos assinalam a passagem para uma globalização mais intensa, alargada e integrada.

Resultado: A OMC liberalizou as trocas e a adesão da China alargou-as à sua enorme economia — juntas, aceleraram fortemente a globalização contemporânea.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a compressão do espaço-tempo e relacioná-la com o papel dos transportes e das TIC na intensificação dos fluxos.
  • Interpretar uma cronologia (linha do tempo) das grandes fases da mundialização, situando marcos como Bretton Woods (1944) e a criação da OMC (1995).

Erros frequentes

  • Atribuir a expressão « aldeia global » a Harvey e a « compressão do espaço-tempo » a McLuhan — é ao contrário: aldeia global é de McLuhan e a compressão do espaço-tempo é de Harvey.
  • Afirmar que a distância deixou por completo de ter importância, esquecendo o « fosso digital » e as fortes desigualdades no acesso às tecnologias.

Revisão ativa

Explica, com dois exemplos (um dos transportes e outro das TIC), o significado da expressão « compressão do espaço-tempo » e relaciona-a com a noção de « aldeia global ».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Oportunidades, riscos e contestação da globalização#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-sistema-mundial

Pontos-chave

A globalização gera oportunidades importantes. Ao alargar os mercados e a concorrência, pode estimular o crescimento económico, baixar preços e ampliar a oferta de bens e serviços. Permitiu a integração de economias emergentes no comércio mundial e a saída de milhões de pessoas da pobreza extrema, sobretudo na Ásia Oriental. Facilita ainda a difusão de tecnologia, de conhecimento e de ideias e a cooperação internacional na resposta a problemas comuns (ver Fig. 5).

Oportunidades e riscos da globalização

Oportunidades e riscosTabela com 2 colunas e 4 linhas, Dados: Oportunidades · Riscos; Crescimento económico e alargamento dos mercados · Aumento das desigualdades entre países e dentro de cada país; Difusão de tecnologia, de conhecimento e de ideias · Deslocalização e desemprego em certas regiões; Integração de economias emergentes e saída da pobreza em algumas regiões · Propagação rápida das crises (financeiras, sanitárias); Cooperação internacional face a problemas comuns · Pressão sobre os recursos e o ambiente; risco de uniformização culturalOPORTUNIDADESRISCOSCrescimento económico ealargamento dos mercadosAumento das desigualdadesentre países e dentro decada paísDifusão de tecnologia, deconhecimento e de ideiasDeslocalização e desempregoem certas regiõesIntegração de economiasemergentes e saída dapobreza em algumas regiõesPropagação rápida das crises(financeiras, sanitárias)Cooperação internacionalface a problemas comunsPressão sobre os recursos eo ambiente; risco deuniformização culturalBalanço da globalização
Fig. 5Fig. 5 — Um balanço da globalização: a cada oportunidade correspondem riscos, o que ajuda a explicar a sua contestação.
A globalização comporta, porém, riscos e efeitos negativos. Tende a aumentar as desigualdades — entre países e dentro de cada país —, beneficiando sobretudo quem detém capital, qualificações e tecnologia. A deslocalização pode gerar desemprego nas regiões de onde a produção sai; a interdependência propaga rapidamente as crises (financeiras, sanitárias); e a pressão sobre os recursos e o ambiente agrava-se. Acresce o receio de uniformização cultural e de perda de identidades e de soberania dos Estados.
Estes riscos alimentaram uma forte contestação da globalização. O movimento altermundialista — do lema « Um outro mundo é possível », associado ao Fórum Social Mundial, cuja primeira edição decorreu em Porto Alegre, no Brasil, em 2001 — não recusa, em geral, toda a mundialização, mas contesta a sua forma neoliberal e defende uma globalização mais justa, solidária e sustentável. Reúne ONG, sindicatos, associações e cidadãos e opõe-se muitas vezes a instituições como a OMC, o FMI e o Banco Mundial.
O balanço da globalização é, assim, ambivalente e objeto de debate: é ao mesmo tempo fonte de progresso e de desigualdade, de aproximação e de tensão. As respostas propostas vão da regulação e da « governação global » (o reforço das regras e das instituições internacionais) às reações de recuo e de fecho (protecionismo, nacionalismos). Avaliar, de forma fundamentada e equilibrada, as oportunidades e os riscos da globalização é uma competência central deste tema.
Exemplo resolvido

Fazer o balanço da globalização

Faz um balanço da globalização, apresentando duas oportunidades e dois riscos, e explica por que existe um movimento altermundialista.

  1. 01Oportunidade 1

    O alargamento dos mercados e da concorrência pode estimular o crescimento e baixar preços, além de integrar economias emergentes no comércio mundial.

  2. 02Oportunidade 2

    A difusão de tecnologia, de conhecimento e de informação e a cooperação internacional na resposta a problemas comuns.

  3. 03Risco 1

    O aumento das desigualdades, entre países e dentro de cada país, beneficiando quem detém capital e qualificações.

  4. 04Risco 2

    A deslocalização com desemprego, a propagação rápida das crises e a pressão sobre o ambiente.

  5. 05Altermundialismo

    Perante estes riscos, o movimento altermundialista defende « um outro mundo possível » — uma globalização mais justa e sustentável, contestando a sua forma neoliberal.

Resultado: A globalização traz oportunidades (crescimento, tecnologia, cooperação) e riscos (desigualdade, crises, ambiente); é essa ambivalência que explica a contestação altermundialista.

Foco no Exame Nacional

  • Discutir, de forma fundamentada e equilibrada, as oportunidades e os riscos da globalização (resposta argumentativa).
  • Analisar um documento sobre o altermundialismo e explicar as principais críticas dirigidas à globalização.

Erros frequentes

  • Apresentar a globalização como só positiva ou só negativa, em vez de fazer um balanço equilibrado das oportunidades e dos riscos.
  • Confundir o altermundialismo com uma recusa total da mundialização — o movimento defende, sobretudo, « um outro » modelo de globalização.

Revisão ativa

Elabora um breve texto argumentativo (cerca de dez linhas) em que apresentes duas oportunidades e dois riscos da globalização e tomes uma posição fundamentada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01A globalização e as suas dimensões○
    • 02O sistema-mundo: centro, semiperiferia e periferia◐
    • 03A divisão internacional do trabalho e a interdependência◐
    • 04A compressão do espaço-tempo e a aldeia global◐
    • 05Oportunidades, riscos e contestação da globalização●

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Dos resumos à prática

O sistema mundial contemporâneo

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Referências e fontes

Fontes

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  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (O sistema mundial contemporâneo)

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