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Resumos · Geografia CPT · Secundário

A emergência de novos centros de poder

Este tema analisa a emergência de novos centros de poder económico e o deslocamento do centro de gravidade da economia mundial do Atlântico Norte para a Ásia-Pacífico, com a ascensão da China e da Índia, o grupo dos BRICS e outras potências emergentes, e a leitura dos indicadores (PIB, PIB per capita em PPC, comércio) que traduzem uma ordem cada vez mais multipolar. Geografia C é uma disciplina de opção do 12.º ano com avaliação interna, sem Exame Final Nacional. Ao longo do resumo, « Foco de avaliação » remete para o que é valorizado nessa avaliação interna, e não para qualquer prova nacional.

5 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0444 / 12
Perfil de exame
Identificar os novos centros de poder e o grupo dos BRICSExplicar a emergência económica da Ásia-Pacífico e os seus fatoresInterpretar indicadores de poder económico (PIB, comércio) a partir de dadosDiscutir a recomposição multipolar do poder económico mundial
Operadores:identificalocalizaexplicainterpretarelacionacomparadiscutecaracteriza

nível básico

Identificar os novos centros de poder (China, Índia, BRICS) e ler um gráfico simples do PIB das maiores economias, reconhecendo o peso crescente da Ásia.

nível avançado

Explicar os fatores da emergência da Ásia-Pacífico e discutir a recomposição multipolar do poder económico e as suas implicações geopolíticas, interpretando criticamente os indicadores (PIB, PIB per capita em PPC, comércio).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A emergência de novos centros de poder
    • 01O deslocamento do centro de gravidade económico○
    • 02A ascensão da China e da Índia◐
    • 03Os BRICS e as potências emergentes◐
    • 04Os indicadores do novo poder económico●
    • 05Uma ordem económica multipolar●
§ 01

O deslocamento do centro de gravidade económico#

●○○BaseLPAE-geografia-c-novos-centros-poder

Pontos-chave

Durante o século XX, o centro de gravidade da economia mundial situava-se no Atlântico Norte, repartido entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental, que concentravam a produção industrial, o comércio e as finanças. A partir das últimas décadas do século, esse centro começou a deslocar-se para a Ásia-Pacífico, à medida que os países asiáticos se industrializavam e ganhavam peso no PIB e no comércio mundiais (ver Fig. 1). Este deslocamento é uma das grandes transformações estruturais da geografia económica contemporânea.

PIB das maiores economias (2023)

PIB das maiores economias (2023)Gráfico de colunas: biliões de USD por país, Dados: PIB (biliões de USD) · EUA: 27.4; PIB (biliões de USD) · China: 17.8; PIB (biliões de USD) · Alemanha: 4.5; PIB (biliões de USD) · Japão: 4.2; PIB (biliões de USD) · Índia: 3.6; PIB (biliões de USD) · Reino Unido: 3.30510152025EUAChinaAlemanhaJapãoÍndiaReino Unido27.417.84.54.23.63.3biliões de USDpaís
Fig. 1Fig. 1 — As maiores economias mundiais por PIB nominal: os EUA lideram, a China aproxima-se e duas economias asiáticas figuram no topo (valores aproximados, 2023).
Hoje, as maiores economias do mundo combinam potências ocidentais consolidadas e novos gigantes asiáticos: em valores aproximados de 2023, os Estados Unidos lideram com um PIB nominal de cerca de 27,4 biliões de USD, seguidos da China (≈ 17,8 biliões), muito à frente da Alemanha (≈ 4,5), do Japão (≈ 4,2), da Índia (≈ 3,6) e do Reino Unido (≈ 3,3) (ver Fig. 1). Duas das maiores economias mundiais são já asiáticas, sinal claro da mudança de eixo.
O deslocamento do centro de gravidade não significa o desaparecimento do Ocidente, mas a sua perda de peso relativo: enquanto o PIB dos EUA e da Europa cresce lentamente, o da Ásia cresce a um ritmo muito superior, aproximando-se e, nalguns indicadores, ultrapassando os valores ocidentais. Trata-se de uma recomposição do equilíbrio mundial, e não de uma simples substituição de umas potências por outras.
Este processo resulta de fatores combinados: a globalização e a deslocalização da produção para a Ásia, a abertura económica de países como a China e a Índia, o investimento estrangeiro, a mão de obra abundante e a aposta na industrialização orientada para a exportação (ver Fig. 2). O resultado é um mapa económico mundial cada vez mais repartido por várias regiões — o alicerce de uma ordem multipolar.

Deslocamento do centro de gravidade económico

Deslocamento do centro de gravidade económicoGrafo, Atlântico Norte (EUA + Europa): centro tradicional → Ásia-Pacífico: novo centro de gravidade, Globalização, deslocalização e industrialização asiática → Ásia-Pacífico: novo centro de gravidade, Ásia-Pacífico: novo centro de gravidade → Ordem económica multipolarAtlântico Norte(EUA + Europa):centro tradicio…Globalização,deslocalização eindustrializaçã…Ásia-Pacífico:novo centro degravidadeOrdem económicamultipolardeslocamentofatoresconduz a
Fig. 2Fig. 2 — Do Atlântico Norte à Ásia-Pacífico: o deslocamento do centro de gravidade económico e a passagem a uma ordem multipolar.
Exemplo resolvido

Ler o PIB das maiores economias

Com base nos valores da Fig. 1, compara o PIB dos Estados Unidos e da China: calcula a diferença absoluta e o peso da China face aos EUA.

  1. 01Valores (2023)

    EUA ≈ 27,4 biliões de USD; China ≈ 17,8 biliões de USD.

  2. 02Diferença absoluta

    27,4 − 17,8 = 9,6 biliões de USD a favor dos EUA.

  3. 03Peso relativo

    17,8 ÷ 27,4 ≈ 0,65, ou seja, o PIB da China corresponde a cerca de 65% do PIB dos EUA.

Resultado: Os EUA mantêm a liderança (≈ 9,6 biliões acima), mas o PIB da China já representa cerca de 65% do norte-americano — a distância diminuiu muito.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: interpretar um gráfico de colunas do PIB das maiores economias e identificar o peso crescente da Ásia-Pacífico.
  • Foco de avaliação: explicar, com fatores, o deslocamento do centro de gravidade económico do Atlântico Norte para a Ásia-Pacífico.

Erros frequentes

  • Confundir o deslocamento do centro de gravidade (perda de peso relativo do Ocidente) com o desaparecimento ou o colapso das economias ocidentais, que continuam entre as maiores do mundo.
  • Confundir bilião (10 elevado a 12, na escala europeia) com mil milhões (10 elevado a 9), lendo mal o PIB expresso em biliões de USD.

Revisão ativa

A partir da Fig. 1, ordena as maiores economias por PIB e calcula quantos biliões de USD separam os Estados Unidos da China.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A ascensão da China e da Índia#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-novos-centros-poder

Pontos-chave

A China é o motor central da nova ordem económica. Depois da abertura e das reformas iniciadas em 1978, tornou-se a « fábrica do mundo »: atraiu investimento estrangeiro, especializou-se na manufatura para exportação e cresceu a taxas elevadas durante décadas. O seu PIB passou de cerca de 1,2 biliões de USD em 2000 para cerca de 17,8 biliões em 2023, tornando-se a segunda maior economia mundial (ver Fig. 3).

Crescimento do PIB da China (2000–2023)

Crescimento do PIB da ChinaGráfico de linhas: biliões de USD por ano, Dados: PIB (biliões de USD) · 2000: 1.2; PIB (biliões de USD) · 2005: 2.3; PIB (biliões de USD) · 2010: 6.1; PIB (biliões de USD) · 2015: 11.1; PIB (biliões de USD) · 2020: 14.7; PIB (biliões de USD) · 2023: 17.80246810121416200020052010201520202023biliões de USDano
Fig. 3Fig. 3 — A ascensão da China: o PIB multiplicou-se cerca de quinze vezes entre 2000 e 2023 (valores aproximados, 2000–2023).
Para projetar o seu poder económico, a China lançou em 2013 a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative, BRI): um vasto programa de infraestruturas (portos, caminhos de ferro, estradas, energia) que liga a Ásia à Europa e a África, reforçando as suas rotas comerciais e a sua influência geopolítica. É, em simultâneo, um instrumento económico e de projeção de poder, garantindo acesso a mercados e a recursos.
A Índia é a outra grande ascensão asiática. Com um PIB de cerca de 3,6 biliões de USD em 2023 e a maior população do mundo (≈ 1429 milhões de habitantes), destaca-se sobretudo nos serviços e nas tecnologias de informação, ainda que com um PIB per capita baixo. A sua demografia jovem confere-lhe um enorme potencial de crescimento e um vasto mercado interno.
A ascensão asiática não se limita à China e à Índia. Os Novos Países Industrializados (NPI) — os chamados « tigres asiáticos », como a Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong — industrializaram-se rapidamente a partir das décadas de 1960 a 1980, apostando na exportação e na tecnologia, e abriram caminho ao modelo de desenvolvimento que a China viria a seguir em muito maior escala (ver Fig. 4).

Fatores da emergência económica da Ásia-Pacífico

Fatores da emergência asiáticaGrafo, Mão de obra abundante e barata → Emergência económica da Ásia-Pacífico, Investimento estrangeiro (IDE) e capital → Emergência económica da Ásia-Pacífico, Modelo exportador e abertura ao comércio → Emergência económica da Ásia-Pacífico, Papel do Estado e planeamento → Emergência económica da Ásia-Pacífico, Industrialização e tecnologia → Emergência económica da Ásia-PacíficoMão de obraabundante ebarataInvestimentoestrangeiro(IDE) e capitalModeloexportador eabertura ao com…Papel do Estadoe planeamentoIndustrializaçãoe tecnologiaEmergênciaeconómica daÁsia-Pacífico
Fig. 4Fig. 4 — Os fatores que explicam a emergência económica da Ásia-Pacífico convergem para um crescimento rápido e orientado para a exportação.
Exemplo resolvido

Medir o crescimento do PIB da China

Usando a Fig. 3, calcula quantas vezes o PIB da China aumentou entre 2000 e 2023 e entre 2000 e 2010.

  1. 01Valores (aproximados)

    2000 ≈ 1,2 biliões; 2010 ≈ 6,1 biliões; 2023 ≈ 17,8 biliões de USD.

  2. 02Crescimento 2000 a 2023

    17,8 ÷ 1,2 ≈ 14,8 — o PIB multiplicou-se por cerca de 15.

  3. 03Crescimento 2000 a 2010

    6,1 ÷ 1,2 ≈ 5,1 — só na primeira década multiplicou-se por cerca de 5.

Resultado: Entre 2000 e 2023 o PIB da China multiplicou-se por cerca de 15 (≈ 14,8 vezes), com grande parte do salto a ocorrer já até 2010 (≈ 5 vezes).

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: interpretar um gráfico de linha da evolução do PIB da China (2000–2023) e descrever o seu ritmo de crescimento.
  • Foco de avaliação: explicar o papel da China como « fábrica do mundo » e o significado geopolítico da Nova Rota da Seda (BRI).

Erros frequentes

  • Confundir os « tigres asiáticos » / NPI (Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Hong Kong) com os BRICS, ou incluir a China entre os tigres.
  • Concluir que a Índia é já uma economia rica: tem um PIB total elevado, mas um PIB per capita ainda baixo (dimensão da economia não é o mesmo que nível de desenvolvimento).

Revisão ativa

Explica por que razão a China é apelidada de « fábrica do mundo » e indica um objetivo geopolítico da Nova Rota da Seda (BRI).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os BRICS e as potências emergentes#

●●○PadrãoLPAE-geografia-c-novos-centros-poder

Pontos-chave

Os BRICS são um grupo de grandes economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (o « S » de South Africa, que aderiu em 2010). O acrónimo, criado no início do século XXI, designa países que, pela dimensão do território, da população e da economia, ganharam um peso crescente na economia e na política mundiais (ver Fig. 5).

Os BRICS: população e fontes de poder

Os BRICSTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: País · População (milhões) · Principal fonte de poder económico; China · 1412 · Manufatura e exportações (a « fábrica do mundo »); Índia · 1429 · Serviços e tecnologias de informação; demografia jovem; Brasil · 216 · Agronegócio e recursos naturais; Rússia · 144 · Energia e matérias-primas; África do Sul · 60 · Recursos minerais; porta de entrada em ÁfricaPAÍSPOPULAÇÃO (MILHÕES)PRINCIPAL FONTE DEPODER ECONÓMICOChina1412Manufatura e exportações (a« fábrica do mundo »)Índia1429Serviços e tecnologias deinformação; demografia jovemBrasil216Agronegócio e recursosnaturaisRússia144Energia e matérias-primasÁfrica do Sul60Recursos minerais; porta deentrada em África
Fig. 5Fig. 5 — Os BRICS: dimensão demográfica e principal fonte de poder económico de cada membro (população em valores aproximados, 2023).
O peso demográfico dos BRICS é enorme: juntos reúnem mais de 3,2 mil milhões de habitantes — mais de 40% da população mundial —, com a China (≈ 1412 milhões) e a Índia (≈ 1429 milhões) a destacarem-se como os dois países mais populosos do planeta (ver Fig. 5). Este peso traduz vastos mercados internos e uma enorme força de trabalho.
Cada membro tem uma fonte de poder própria: a China na manufatura e nas exportações, a Índia nos serviços e nas tecnologias de informação, o Brasil no agronegócio e nos recursos naturais, a Rússia na energia e nas matérias-primas, e a África do Sul nos recursos minerais e como porta de entrada em África. Esta diversidade dá ao grupo uma base económica ampla, mas torna também os seus interesses heterogéneos (ver Fig. 5).
Além dos BRICS, afirmam-se outras potências emergentes e potências regionais — como o México, a Indonésia, a Turquia, a Arábia Saudita ou a Nigéria —, que exercem influência sobretudo à escala do seu continente ou região. Os BRICS têm procurado institucionalizar-se (cimeiras anuais, Novo Banco de Desenvolvimento) e alargar-se, afirmando-se como uma voz do « Sul Global » ao lado do G7 e dos NPI (ver Fig. 6).

Grupos de poder económico: G7, BRICS e NPI

Grupos de poder económicoDiagrama em árvore, 11 caminhos, Dados: G7 (economias avançadas) → EUA; G7 (economias avançadas) → Japão; G7 (economias avançadas) → Alemanha; BRICS (potências emergentes) → China; BRICS (potências emergentes) → Índia; BRICS (potências emergentes) → Brasil; BRICS (potências emergentes) → Rússia; BRICS (potências emergentes) → África do Sul; NPI / tigres asiáticos → Coreia do Sul; NPI / tigres asiáticos → Taiwan; NPI / tigres asiáticos → SingapuraG7 (economias avançadas)BRICS (potências emergentes)NPI / tigres asiáticosGrupos de poder económicoEUAJapãoAlemanhaChinaÍndiaBrasilRússiaÁfrica do SulCoreia do SulTaiwanSingapura
Fig. 6Fig. 6 — Uma leitura da economia mundial em três grupos: o G7 (economias avançadas), os BRICS (emergentes) e os NPI / tigres asiáticos.
Exemplo resolvido

O peso demográfico dos BRICS

Soma a população dos cinco BRICS (Fig. 5) e estima que fração da população mundial representam, sabendo que esta ronda os 8 mil milhões de habitantes.

  1. 01Somar as populações

    1412 + 1429 + 216 + 144 + 60 = 3261 milhões de habitantes (≈ 3,26 mil milhões).

  2. 02Comparar com o mundo

    A população mundial ronda os 8000 milhões (8 mil milhões) de habitantes.

  3. 03Calcular a fração

    3261 ÷ 8000 ≈ 0,41, ou seja, cerca de 41%.

Resultado: Os BRICS reúnem cerca de 3,26 mil milhões de pessoas — mais de 40% da humanidade —, o que ajuda a explicar o seu crescente peso económico e político.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: comparar os BRICS quanto à população e à fonte de poder económico, a partir de uma tabela.
  • Foco de avaliação: distinguir os BRICS do G7 e dos NPI / tigres asiáticos e localizar os seus membros.

Erros frequentes

  • Esquecer que o « S » dos BRICS é a África do Sul (South Africa), e não outro país, ou trocar a composição do grupo.
  • Tratar os BRICS como um bloco homogéneo, ignorando que os seus membros têm economias, recursos e interesses muito diferentes.

Revisão ativa

A partir da Fig. 5, indica os dois BRICS mais populosos e associa a cada membro a sua principal fonte de poder económico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Os indicadores do novo poder económico#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-novos-centros-poder

Pontos-chave

O poder económico de um país mede-se por vários indicadores, que devem ser lidos em conjunto. O PIB (Produto Interno Bruto) mede a dimensão total da economia — é nele que a China surge como a segunda maior do mundo —, mas nada diz sobre a riqueza média de cada habitante. Um PIB elevado indica um grande mercado e capacidade económica, mas pode esconder níveis de vida muito diferentes.
O PIB per capita (PIB dividido pela população) corrige essa limitação, ao medir a riqueza média por habitante; e o PIB per capita em PPC (paridade de poder de compra) ajusta ainda os valores ao custo de vida de cada país, permitindo comparações mais justas. É aqui que se distingue dimensão de desenvolvimento: a China e a Índia têm PIB enormes, mas um PIB per capita ainda modesto face ao das economias avançadas.
Outros indicadores completam o retrato do poder económico: o peso no comércio mundial (exportações e importações), que revela a integração de um país nas trocas globais — a China é hoje o maior exportador de bens do mundo —, e as reservas cambiais (reservas em moeda estrangeira), que medem a solidez financeira e a capacidade de investir e de influenciar. As economias asiáticas acumularam reservas muito elevadas.
À dimensão estritamente económica junta-se a dimensão demográfica: a população mede o tamanho do mercado interno e da força de trabalho, sendo também uma fonte de poder. Os BRICS, e em especial a China e a Índia, destacam-se por combinarem grandes economias com enormes populações (ver Fig. 7). Interpretar o poder económico é, por isso, cruzar vários indicadores — e nunca ler um só de forma isolada.

População dos BRICS (2023)

População dos BRICS (2023)Gráfico de colunas: milhões de habitantes por país, Dados: População (milhões) · China: 1412; População (milhões) · Índia: 1429; População (milhões) · Brasil: 216; População (milhões) · Rússia: 144; População (milhões) · África do Sul: 600200400600800100012001400ChinaÍndiaBrasilRússiaÁfrica do S…1412142921614460milhões de habitantespaís
Fig. 7Fig. 7 — A dimensão demográfica dos BRICS, um indicador do seu poder: a China e a Índia ultrapassam os 1400 milhões de habitantes (valores aproximados, 2023).
Exemplo resolvido

Calcular o PIB per capita da China

A partir do PIB (≈ 17,8 biliões de USD) e da população da China (≈ 1412 milhões de habitantes), calcula o PIB per capita e comenta.

  1. 01Converter as unidades

    17,8 biliões de USD = 17 800 mil milhões de USD; população = 1412 milhões de habitantes.

  2. 02Dividir o PIB pela população

    17 800 ÷ 1412 ≈ 12,6 mil USD por habitante, ou seja, cerca de 12 600 USD por habitante.

  3. 03Comentar

    Apesar de a China ter o segundo maior PIB do mundo, o seu PIB per capita (≈ 12 600 USD) é modesto face ao das economias avançadas — a dimensão da economia não equivale ao nível de desenvolvimento.

Resultado: PIB per capita da China ≈ 12 600 USD: um valor médio que mostra como uma grande economia (a 2.ª do mundo) pode ter uma riqueza por habitante ainda distante da dos países avançados.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: interpretar e distinguir indicadores de poder económico (PIB total vs PIB per capita em PPC) a partir de dados.
  • Foco de avaliação: calcular o PIB per capita de um país a partir do PIB e da população e comentar o resultado.

Erros frequentes

  • Confundir PIB total (dimensão da economia) com PIB per capita (riqueza média por habitante): um país pode ter um PIB enorme e um PIB per capita baixo.
  • Ignorar a PPC (paridade de poder de compra) e comparar diretamente valores em dólares correntes, sem atender ao custo de vida de cada país.

Revisão ativa

Com os valores da China (PIB ≈ 17,8 biliões de USD; população ≈ 1412 milhões), calcula o PIB per capita e explica por que razão é muito inferior ao de uma economia avançada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Uma ordem económica multipolar#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-c-novos-centros-poder

Pontos-chave

A emergência de novos centros de poder recompôs o mapa económico mundial: de uma economia dominada pelo Ocidente (EUA e Europa) passou-se a uma economia multipolar (ou policêntrica), com vários polos de poder — a América do Norte, a Europa e, cada vez mais, a Ásia-Pacífico (ver Fig. 8). Nenhum centro isolado controla já a economia mundial.

Recomposição multipolar e implicações geopolíticas

Recomposição multipolar e implicaçõesGrafo, Recomposição multipolar do poder económico → Perda de peso relativo do G7 / Ocidente, Recomposição multipolar do poder económico → Afirmação dos BRICS e do Sul Global, Afirmação dos BRICS e do Sul Global → Pressão para reformar as instituições (FMI, ONU), Recomposição multipolar do poder económico → Novas rivalidades geopolíticas (EUA–China)Recomposiçãomultipolar dopoder económicoPerda de pesorelativo do G7 /OcidenteAfirmação dosBRICS e do SulGlobalPressão parareformar asinstituições (F…Novasrivalidadesgeopolíticas (E…exigem maisvoz
Fig. 8Fig. 8 — A recomposição multipolar do poder económico e as suas principais implicações geopolíticas.
Esta recomposição tem implicações geopolíticas profundas. O G7 (economias avançadas) perde peso relativo, enquanto os BRICS e o « Sul Global » exigem maior representação nas instituições internacionais criadas no pós-guerra (FMI, Banco Mundial, Conselho de Segurança da ONU), que ainda refletem a ordem antiga. A distribuição do poder e a das instituições deixaram de coincidir.
A multipolaridade abre um período de maior competição e de novas rivalidades — a mais visível é a rivalidade entre os Estados Unidos e a China pela liderança económica e tecnológica —, mas também de novas cooperações de « geometria variável », em que os países se aliam consoante os interesses de cada tema. É uma ordem mais equilibrada, mas também mais instável e incerta (ver Fig. 8).
Para Portugal e para a União Europeia, este mundo multipolar significa novos parceiros e novos concorrentes, a necessidade de diversificar relações e de afirmar a Europa como um polo próprio. Compreender a emergência dos novos centros de poder é, assim, essencial para ler a economia e a política mundiais do século XXI.
Exemplo resolvido

Construir um argumento sobre a ordem multipolar

Em três passos, justifica a afirmação: « o poder económico mundial tornou-se multipolar ».

  1. 01Ponto de partida

    No século XX, a economia era dominada pelo Ocidente (EUA e Europa), com o centro de gravidade no Atlântico Norte.

  2. 02Evidência da mudança

    A ascensão da China (2.ª maior economia, ≈ 17,8 biliões de USD em 2023) e da Índia, e o peso dos BRICS (mais de 40% da população mundial), deslocaram o centro para a Ásia-Pacífico.

  3. 03Conclusão

    Existindo hoje vários polos de poder (América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico) sem um centro dominante único, a ordem económica é multipolar.

Resultado: A economia mundial passou de um domínio ocidental para vários polos (multipolaridade), sustentada na ascensão asiática e no peso crescente dos BRICS.

Foco no Exame Nacional

  • Foco de avaliação: discutir a recomposição multipolar do poder económico e as suas implicações geopolíticas (perda de peso do G7, afirmação dos BRICS).
  • Foco de avaliação: relacionar a emergência de novos centros de poder com a pressão para reformar as instituições internacionais.

Erros frequentes

  • Confundir multipolar (vários polos de poder) com bipolar (dois blocos, como na Guerra Fria) ou unipolar (um só centro dominante).
  • Apresentar a multipolaridade apenas como cooperação, esquecendo que também gera competição e rivalidades (por exemplo, EUA–China).

Revisão ativa

Explica, em texto, por que motivo os BRICS defendem uma reforma de instituições como o FMI e o Conselho de Segurança da ONU.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01O deslocamento do centro de gravidade económico○
    • 02A ascensão da China e da Índia◐
    • 03Os BRICS e as potências emergentes◐
    • 04Os indicadores do novo poder económico●
    • 05Uma ordem económica multipolar●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

A emergência de novos centros de poder

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia C — 12.º ano (A emergência de novos centros de poder)

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