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Resumos/Física e Química A/Aspetos quantitativos das reações químicas
Resumos · Física e Química APT · Secundário

Aspetos quantitativos das reações químicas

Estudam-se as relações estequiométricas nas reações químicas, o reagente limitante e o reagente em excesso, o grau de pureza dos reagentes e o rendimento de uma reação, com uma referência à economia atómica (química verde). É a base do cálculo químico quantitativo do 11.º ano, avaliada no Exame Nacional (prova 715).

4 secções·~9 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0999 / 17
Perfil de exame
Resolver problemas de estequiometria com relações molaresIdentificar o reagente limitante e calcular quantidades de produtoCalcular grau de pureza, rendimento e economia atómica
Operadores:calculadeterminarelacionaidentificajustificainterpreta

nível básico

Aplicar relações estequiométricas simples e reconhecer o reagente limitante.

nível avançado

Resolver problemas que combinem reagente limitante, grau de pureza e rendimento.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Aspetos quantitativos das reações químicas
    • 01Relações estequiométricas◐
    • 02Reagente limitante e reagente em excesso●
    • 03Grau de pureza dos reagentes◐
    • 04Rendimento e economia atómica●
§ 01

Relações estequiométricas#

●●○PadrãoLPAE-fisica-e-quimica-a-11-aspetos-quantitativos

Pontos-chave

Numa equação química acertada, os coeficientes estequiométricos indicam a proporção, em quantidade de matéria, com que as substâncias reagem e se formam. Assim, «N₂ + 3 H₂ → 2 NH₃» significa que 1 mol de «N₂» reage com 3 mol de «H₂» para dar 2 mol de «NH₃». Estas proporções são a base de todo o cálculo estequiométrico.
Como as balanças medem massas (e não quantidades de matéria), a estratégia é sempre a mesma: converter a massa (ou volume, ou concentração) de uma substância em quantidade de matéria; usar a proporção estequiométrica para obter a quantidade de matéria da substância pretendida; e converter de volta em massa (ou volume). A Fig. 1 representa este percurso «massa → mole → mole → massa».

Percurso do cálculo estequiométrico

Percurso estequiométricoGrafo, massa reagente (g) → n reagente (mol), n reagente (mol) → n produto (mol), n produto (mol) → massa produto (g)massa reagente(g)n reagente (mol)n produto (mol)massa produto(g)÷ M(reagente)× razãoestequiométri…× M(produto)
Fig. 1Fig. 1 — O cálculo estequiométrico passa sempre pela quantidade de matéria.
As conversões usam «n = m / M» (massa), «n = V / Vm» (gases) e «n = c · V» (soluções). A razão estequiométrica — o quociente entre os coeficientes das duas substâncias — é o «coração» do cálculo: é ela que liga a quantidade de matéria de uma substância à de outra.
Dominar este percurso resolve a generalidade dos problemas quantitativos. A Fig. 1 organiza-o num esquema que convém interiorizar: qualquer que seja a grandeza de partida, passa-se sempre pela quantidade de matéria antes de aplicar a proporção da equação.
nAa=nBb\dfrac{n_A}{a} = \dfrac{n_B}{b}anA​​=bnB​​

Relação estequiométrica

a e b são os coeficientes das substâncias A e B na equação acertada; a razão das quantidades de matéria iguala a razão dos coeficientes.

Exemplo resolvido

Massa de produto de uma reação

Que massa de amoníaco (NH₃, M = 17,0 g/mol) se forma a partir de 28,0 g de azoto (N₂, M = 28,0 g/mol), com hidrogénio em excesso? N₂ + 3 H₂ → 2 NH₃.

  1. 01Quantidade de matéria de N₂

    n(N₂) = 28,0 / 28,0 = 1,00 mol.

  2. 02Razão estequiométrica

    1 mol N₂ → 2 mol NH₃, logo n(NH₃) = 2 × 1,00 = 2,00 mol.

  3. 03Massa de NH₃

    m = n · M = 2,00 × 17,0 = 34,0 g.

Resultado: Formam-se 34,0 g de amoníaco.

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar quantidades de matéria de reagentes e produtos através dos coeficientes estequiométricos.
  • Converter entre massa, volume (gases), concentração e quantidade de matéria.

Erros frequentes

  • Aplicar a proporção estequiométrica diretamente às massas (a proporção é em quantidade de matéria, não em massa).
  • Usar uma equação não acertada, obtendo proporções erradas.

Revisão ativa

Na reação N₂ + 3 H₂ → 2 NH₃, quantas moles de amoníaco se formam a partir de 6,0 mol de hidrogénio (com azoto em excesso)?

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Física e Química A — 11.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Reagente limitante e reagente em excesso#

●●●AprofundamentoLPAE-fisica-e-quimica-a-11-aspetos-quantitativos

Pontos-chave

Quando os reagentes não estão nas proporções estequiométricas, um deles esgota-se primeiro e faz parar a reação: é o reagente limitante, que determina a quantidade máxima de produto. O outro sobra parcialmente — é o reagente em excesso. Identificar o limitante é o primeiro passo em qualquer problema com quantidades definidas de vários reagentes.
O método seguro: converter as massas em quantidades de matéria e, para cada reagente, calcular quanto produto poderia formar (ou dividir a quantidade de matéria pelo respetivo coeficiente). O reagente que dá menos produto — ou cujo quociente «n/coeficiente» é menor — é o limitante (ver Fig. 2).

Identificação do reagente limitante

Reagente limitanteGráfico de barras: H₂O possível (mol), Dados: H₂O possível (mol) · a partir do H₂: 3; H₂O possível (mol) · a partir do O₂: 400.511.522.533.54a partir do H₂a partir do O₂34H₂O possível (mol)
Fig. 2Fig. 2 — O reagente que permite formar menos produto (aqui, o H₂) é o limitante.
A quantidade de produto calcula-se sempre a partir do reagente limitante, nunca do que está em excesso. A quantidade do reagente em excesso que reagiu obtém-se pela proporção com o limitante; a diferença para a quantidade inicial é o que sobra por reagir.
A Fig. 2 ilustra o critério: comparam-se as quantidades de produto que cada reagente permitiria formar, e o menor valor identifica o limitante. Este raciocínio é indispensável e muito frequente nos itens de cálculo do Exame.
Exemplo resolvido

Reagente limitante e produto formado

Fazem-se reagir 3,0 mol de H₂ com 2,0 mol de O₂: 2 H₂ + O₂ → 2 H₂O. Identifica o limitante e calcula a quantidade de água formada.

  1. 01H₂O a partir do H₂

    2 mol H₂ → 2 mol H₂O, logo 3,0 mol H₂ → 3,0 mol H₂O.

  2. 02H₂O a partir do O₂

    1 mol O₂ → 2 mol H₂O, logo 2,0 mol O₂ → 4,0 mol H₂O.

  3. 03Escolher o menor

    O H₂ só permite 3,0 mol de H₂O (< 4,0): o H₂ é o limitante; sobra O₂.

Resultado: O hidrogénio é o reagente limitante; formam-se 3,0 mol de água (sobra 0,5 mol de O₂).

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o reagente limitante comparando quantidades de matéria e coeficientes.
  • Calcular a quantidade de produto a partir do reagente limitante e o excesso que sobra.

Erros frequentes

  • Calcular o produto a partir do reagente em excesso em vez do limitante.
  • Comparar diretamente as massas dos reagentes, sem as converter em quantidade de matéria nem ter em conta os coeficientes.

Revisão ativa

Fazem-se reagir 3,0 mol de H₂ com 2,0 mol de O₂ (2 H₂ + O₂ → 2 H₂O). Identifica o reagente limitante e calcula a quantidade de água formada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Física e Química A — 11.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Grau de pureza dos reagentes#

●●○PadrãoLPAE-fisica-e-quimica-a-11-aspetos-quantitativos

Pontos-chave

Os reagentes usados na prática raramente são puros: contêm impurezas que não participam na reação. O grau de pureza indica a fração da amostra que corresponde à substância pretendida: «grau de pureza = (massa da substância pura / massa da amostra) × 100 %» (ver Fig. 3). Um calcário «a 80 %» tem 80 g de carbonato de cálcio em cada 100 g de amostra.

Composição de uma amostra impura

Grau de purezaGráfico circular, Dados: substância pura (80 %): 80; impurezas (20 %): 20substância … 80%impurezas (… 20%
Fig. 3Fig. 3 — Numa amostra a 80 % de pureza, só 80 % da massa é substância que reage.
Nos cálculos estequiométricos, só a parte pura reage. Por isso, dada a massa de uma amostra impura, calcula-se primeiro a massa de substância pura (multiplicando pelo grau de pureza) e só depois se converte em quantidade de matéria. Ignorar as impurezas sobrestima a quantidade de produto.
Inversamente, a partir da quantidade de produto obtida pode determinar-se o grau de pureza de uma amostra — uma aplicação analítica frequente (por exemplo, determinar a pureza de um minério). O grau de pureza é sempre um valor entre 0 e 100 %.
A Fig. 3 representa a composição de uma amostra impura, distinguindo a substância pura das impurezas. Ter presente que «só reage a parte pura» evita um dos erros mais comuns nestes problemas.
grau de pureza=mpuramamostra×100%\text{grau de pureza} = \dfrac{m_{\text{pura}}}{m_{\text{amostra}}} \times 100\%grau de pureza=mamostra​mpura​​×100%

Grau de pureza

Fração, em massa, da amostra que corresponde à substância pretendida.

Exemplo resolvido

Grau de pureza de um calcário

Uma amostra de 250 g de calcário contém 210 g de carbonato de cálcio (CaCO₃). Calcula o grau de pureza.

  1. 01Fórmula

    grau de pureza = (massa pura / massa amostra) × 100.

  2. 02Substituir

    grau de pureza = (210 / 250) × 100.

  3. 03Calcular

    = 0,84 × 100 = 84 %.

Resultado: A amostra de calcário tem 84 % de pureza em CaCO₃.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular a massa de substância pura numa amostra impura antes de aplicar a estequiometria.
  • Determinar o grau de pureza a partir de dados experimentais.

Erros frequentes

  • Usar a massa total da amostra (impura) como se fosse toda substância pura.
  • Confundir grau de pureza com rendimento (são conceitos distintos).

Revisão ativa

Uma amostra de 50 g de calcário contém 40 g de carbonato de cálcio. Calcula o grau de pureza da amostra.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Física e Química A — 11.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Rendimento e economia atómica#

●●●AprofundamentoLPAE-fisica-e-quimica-a-11-aspetos-quantitativos

Pontos-chave

Na prática, uma reação raramente produz a quantidade máxima prevista pela estequiometria: há reações incompletas, secundárias e perdas de manipulação. O rendimento compara a quantidade obtida (real) com a quantidade máxima teórica: «η = (quantidade real / quantidade teórica) × 100 %» (ver Fig. 4). É sempre inferior ou igual a 100 %.

Rendimento: quantidade teórica e real

Rendimento da reaçãoGráfico de barras: massa (g), Dados: massa de produto (g) · teórica: 20; massa de produto (g) · real: 1705101520teóricareal2017massa (g)
Fig. 4Fig. 4 — O rendimento compara a quantidade obtida com a teórica (aqui, 17 g de 20 g ⇒ 85 %).
O cálculo faz-se em duas etapas: primeiro determina-se a quantidade teórica de produto pela estequiometria (a partir do reagente limitante e puro); depois compara-se com a quantidade efetivamente obtida. Rendimento, grau de pureza e reagente limitante combinam-se frequentemente num mesmo problema, exigindo organização.
A economia atómica avalia a «eficiência verde» de uma síntese: a fração da massa dos reagentes que fica no produto desejado, «economia atómica = (massa do produto desejado / massa total dos reagentes) × 100 %». Ao contrário do rendimento (que mede o que se conseguiu), a economia atómica é intrínseca à equação e mede quanto material se «desperdiça» em subprodutos.
Estes dois indicadores são complementares: uma reação pode ter rendimento elevado mas baixa economia atómica (muitos subprodutos), ou vice-versa. A química verde procura maximizar ambos. A Fig. 4 compara a quantidade teórica com a real, ilustrando o rendimento.
η=quantidade realquantidade teoˊrica×100%\eta = \dfrac{\text{quantidade real}}{\text{quantidade teórica}} \times 100\%η=quantidade teoˊricaquantidade real​×100%

Rendimento de uma reação

Compara o que se obteve com o máximo previsto pela estequiometria.

economia atoˊmica=mproduto desejadomreagentes×100%\text{economia atómica} = \dfrac{m_{\text{produto desejado}}}{m_{\text{reagentes}}} \times 100\%economia atoˊmica=mreagentes​mproduto desejado​​×100%

Economia atómica

Fração da massa dos reagentes que fica no produto pretendido (indicador de química verde).

Exemplo resolvido

Rendimento de uma reação

A decomposição de uma amostra deveria produzir 8,0 g de óxido de cálcio (quantidade teórica), mas obtiveram-se 6,8 g. Calcula o rendimento.

  1. 01Fórmula

    η = (quantidade real / quantidade teórica) × 100.

  2. 02Substituir

    η = (6,8 / 8,0) × 100.

  3. 03Calcular

    = 0,85 × 100 = 85 %.

Resultado: O rendimento da reação é 85 %.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular o rendimento de uma reação, partindo da quantidade teórica (via reagente limitante).
  • Distinguir rendimento de economia atómica e interpretar os dois indicadores.

Erros frequentes

  • Calcular a quantidade teórica sem ter em conta o reagente limitante ou o grau de pureza.
  • Confundir rendimento (real vs teórico) com economia atómica (produto vs total de reagentes).

Revisão ativa

Numa reação, a quantidade teórica de produto é 20 g e obtiveram-se 17 g. Calcula o rendimento da reação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Física e Química A — 11.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Relações estequiométricas◐
    • 02Reagente limitante e reagente em excesso●
    • 03Grau de pureza dos reagentes◐
    • 04Rendimento e economia atómica●

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Dos resumos à prática

Aspetos quantitativos das reações químicas

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Física e Química A — 11.º ano (DGE)

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