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Capacidades Motoras: condicionais e coordenativas

As capacidades motoras são as condições internas que permitem realizar e aprender ações motoras. Distinguem-se as capacidades condicionais (força, resistência, velocidade e flexibilidade), que dependem sobretudo dos processos energéticos e do sistema muscular, das capacidades coordenativas, que dependem do sistema nervoso e do controlo do movimento. Este tema classifica-as, caracteriza cada uma e liga-as aos métodos de desenvolvimento. Sem Exame Nacional, avaliam-se internamente estes conhecimentos aplicados à prática.

4 secções·~13 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3

T·101010 / 12
Perfil de exame
Distinguir e classificar as capacidades motorasCaracterizar os tipos de força, resistência e velocidadeReconhecer as capacidades coordenativas nas tarefas motorasRelacionar cada capacidade com métodos de desenvolvimento
Operadores:classificadistinguecaracterizarelacionaidentifica

nível básico

Comum a todos os cursos: distinguir capacidades condicionais de coordenativas e reconhecê-las nas atividades praticadas.

nível avançado

Aprofundamento: caracterizar os tipos de cada capacidade condicional e relacionar cada capacidade com os métodos e princípios do seu desenvolvimento.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Capacidades Motoras: condicionais e coordenativas
    • 01Classificação das capacidades motoras○
    • 02As capacidades condicionais◐
    • 03As capacidades coordenativas◐
    • 04Relação capacidades-métodos e foco de avaliação◐
§ 01

Classificação das capacidades motoras#

●○○BaseLPAE-educacao-fisica-conhecimentos-capacidades

Pontos-chave

As capacidades motoras são os pressupostos internos — funcionais e de controlo — que permitem a uma pessoa realizar e aprender movimentos. Não são gestos técnicos (esses são habilidades), mas as qualidades de base que os sustentam: a força que permite saltar, a resistência que permite correr muito tempo, o equilíbrio que permite manter-se na trave. Classificam-se em dois grandes grupos, consoante o fator de que dependem principalmente (ver Fig. 1): as capacidades condicionais e as capacidades coordenativas.

Classificação das capacidades motoras

Classificação das capacidades motorasDiagrama em árvore, 9 caminhos, Dados: Condicionais → Força; Condicionais → Resistência; Condicionais → Velocidade; Condicionais → Flexibilidade; Coordenativas → Orientação espacial; Coordenativas → Ritmo; Coordenativas → Equilíbrio; Coordenativas → Reação; Coordenativas → DiferenciaçãoCondicionaisCoordenativasCapacidades motorasForçaResistênciaVelocidadeFlexibilidadeOrientação espacialRitmoEquilíbrioReaçãoDiferenciação
Fig. 1Fig. 1 — As capacidades motoras dividem-se em condicionais (energético-musculares) e coordenativas (controlo do movimento).
As capacidades condicionais dependem sobretudo dos processos energéticos e do sistema muscular — isto é, da capacidade de produzir e mobilizar energia e de gerar tensão nos músculos. São elas a força, a resistência, a velocidade e a flexibilidade. Chamam-se «condicionais» porque estão condicionadas pela energia disponível e pela «condição física» do organismo; treiná-las é, em boa medida, melhorar os sistemas energético e muscular.
As capacidades coordenativas dependem sobretudo do sistema nervoso central — da capacidade de controlar e regular o movimento. São elas a orientação espacial, o ritmo, a capacidade de reação, o equilíbrio, a diferenciação (dosear a força e a precisão do gesto), a combinação de movimentos e a adaptação. Chamam-se «coordenativas» porque governam a coordenação — a organização fina e oportuna do movimento — e treiná-las passa por variar e complexificar as tarefas, mais do que por aumentar a carga.
A flexibilidade ocupa um lugar particular: embora habitualmente listada entre as condicionais, depende de fatores morfológicos (elasticidade muscular, mobilidade articular) e não da produção de energia, pelo que alguns autores a classificam à parte, como capacidade intermédia ou mista. Esta distinção mostra que a classificação é um instrumento para compreender e treinar — as capacidades combinam-se sempre na ação real, e nenhuma atua isolada.
Exemplo resolvido

Classificar as capacidades numa tarefa

Um jogador de basquetebol, numa transição rápida, arranca a correr, controla a bola em drible e finaliza com um lançamento na passada. Identifica capacidades condicionais e coordenativas em jogo.

  1. 01Capacidades condicionais

    O arranque explosivo mobiliza a força rápida e a velocidade (de reação e de deslocamento); manter o ritmo da corrida exige resistência.

  2. 02Capacidades coordenativas

    Controlar a bola em drible enquanto corre exige combinação de movimentos e orientação espacial; ajustar os apoios ao ritmo do lançamento exige ritmo e equilíbrio.

  3. 03Concluir

    A ação combina capacidades dos dois grupos — nenhuma atua sozinha: a velocidade sem coordenação não controla a bola, e a coordenação sem força não gera o arranque.

Resultado: A jogada combina capacidades condicionais (força rápida, velocidade, resistência) e coordenativas (combinação, orientação, ritmo, equilíbrio). O exemplo mostra que, na ação real, os dois grupos de capacidades atuam sempre em conjunto.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir capacidades condicionais (energético-musculares) de coordenativas (controlo do movimento).
  • Enumerar as capacidades condicionais (força, resistência, velocidade, flexibilidade) e as coordenativas.
  • Reconhecer a flexibilidade como capacidade intermédia/mista.

Erros frequentes

  • Confundir capacidade motora (qualidade de base) com habilidade técnica (gesto específico).
  • Classificar uma capacidade coordenativa (ex.: equilíbrio) como condicional.
  • Pensar que as capacidades atuam isoladas — na prática, combinam-se sempre.

Revisão ativa

Faz um esquema que classifique as capacidades motoras em condicionais e coordenativas, colocando cada uma no grupo certo e indicando o fator de que depende cada grupo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Educação Física — Ensino Secundário (Conhecimentos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As capacidades condicionais#

●●○PadrãoLPAE-educacao-fisica-conhecimentos-capacidades

Pontos-chave

A força é a capacidade de vencer ou de se opor a uma resistência através da tensão muscular. Distinguem-se três tipos, consoante a forma como a força se manifesta (ver Fig. 2): a força máxima (a maior força que se consegue produzir, por exemplo ao levantar uma carga elevada), a força rápida ou explosiva (força aplicada no menor tempo possível, como num salto ou num remate) e a resistência de força (capacidade de manter ou repetir esforços de força durante muito tempo, como ao remar). A força é a base de quase todas as ações desportivas.

Capacidades condicionais e seus tipos

Capacidades condicionaisTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Capacidade · Tipos · Exemplo; Força · Máxima, rápida/explosiva, resistência de força · Levantar carga; saltar; remar; Resistência · Aeróbia, anaeróbia · Corrida de fundo; 400 m; Velocidade · Reação, execução, deslocamento · Partida; remate; sprint; Flexibilidade · Ativa, passiva (capacidade mista) · Amplitude no espargata, célula destacada: Máxima, rápida/explosiva, resistência de forçaCAPACIDADETIPOSEXEMPLOFORÇAMáxima, rápida/explosiva,resistência de forçaLevantar carga; saltar;remarRESISTÊNCIAAeróbia, anaeróbiaCorrida de fundo; 400 mVELOCIDADEReação, execução,deslocamentoPartida; remate; sprintFLEXIBILIDADEAtiva, passiva (capacidademista)Amplitude no espargata
Fig. 2Fig. 2 — Cada capacidade condicional manifesta-se em vários tipos.
A resistência é a capacidade de sustentar um esforço durante o máximo de tempo possível, resistindo à fadiga. Divide-se sobretudo segundo a via energética utilizada: a resistência aeróbia (esforços prolongados de intensidade moderada, com fornecimento de oxigénio suficiente — uma corrida de fundo) e a resistência anaeróbia (esforços intensos e mais curtos, em que o oxigénio não chega para satisfazer a procura — um 400 m). A resistência aeróbia é a componente mais ligada à saúde cardiovascular.
A velocidade é a capacidade de realizar ações motoras no menor tempo possível. Manifesta-se de três formas: a velocidade de reação (rapidez a responder a um estímulo, como o tiro de partida), a velocidade de execução ou gestual (rapidez de um gesto isolado, como um remate) e a velocidade de deslocamento (rapidez a percorrer uma distância, como num sprint). A velocidade depende muito do sistema nervoso e é, por isso, das capacidades mais difíceis de melhorar.
A flexibilidade é a amplitude de movimento de que uma articulação dispõe, e depende da mobilidade articular e da elasticidade dos músculos e tendões. Distingue-se a flexibilidade ativa (amplitude atingida pela ação dos próprios músculos) da passiva (amplitude atingida com ajuda externa, maior que a ativa). Uma boa flexibilidade permite gestos mais amplos e eficientes e previne lesões. Ao contrário das outras condicionais, não depende da energia, mas da estrutura — daí a sua classificação especial.
Exemplo resolvido

Identificar o tipo de capacidade dominante

Classifica a capacidade dominante e o seu tipo em cada caso: (a) um velocista reage ao tiro de partida; (b) um atleta corre 5000 m; (c) um saltador impulsiona-se para o salto em altura.

  1. 01Caso (a)

    Responder ao tiro de partida é responder a um estímulo o mais depressa possível: velocidade de reação.

  2. 02Caso (b)

    Correr 5000 m é sustentar um esforço prolongado de intensidade moderada com fornecimento de oxigénio: resistência aeróbia.

  3. 03Caso (c)

    Impulsionar-se num salto aplica muita força no menor tempo possível: força rápida/explosiva.

Resultado: (a) velocidade de reação; (b) resistência aeróbia; (c) força explosiva. Identificar a capacidade dominante e o seu tipo é o primeiro passo para escolher o método de treino adequado.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os tipos de força (máxima, rápida/explosiva, resistência de força).
  • Distinguir resistência aeróbia de anaeróbia.
  • Distinguir os tipos de velocidade (reação, execução, deslocamento).

Erros frequentes

  • Confundir força máxima com força explosiva (a explosiva privilegia o tempo, não a carga máxima).
  • Chamar «velocidade» à resistência de longa duração (são capacidades opostas quanto ao tempo).
  • Confundir flexibilidade ativa com passiva.

Revisão ativa

Para cada capacidade condicional (força, resistência, velocidade, flexibilidade), dá um exemplo de uma prova ou gesto desportivo que a exija de forma dominante e indica o tipo em causa.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Educação Física — Ensino Secundário (Conhecimentos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

As capacidades coordenativas#

●●○PadrãoLPAE-educacao-fisica-conhecimentos-capacidades

Pontos-chave

As capacidades coordenativas governam a organização, o controlo e a regulação do movimento; dependem do sistema nervoso e são responsáveis por realizar os gestos com precisão, oportunidade e economia. Ao contrário das condicionais (que respondem à pergunta «quanto?» — quanta força, quanto tempo), as coordenativas respondem à pergunta «como?» — como se organiza o movimento. São particularmente importantes na aprendizagem de novas habilidades e nos desportos técnicos (ver Fig. 3).

Capacidades coordenativas

Capacidades coordenativasTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Capacidade · O que é · Exemplo; Orientação espacial · Situar e mover o corpo no espaço · Posicionar-se num JDC; Ritmo · Perceber e reproduzir uma estrutura temporal · Dança; passada nas barreiras; Reação · Responder rápido e adequado a um sinal · Partida de velocidade; defesa; Equilíbrio · Manter e recuperar a posição do corpo · Trave; patinagem; combate; Diferenciação · Dosear a força e a precisão do gesto · Lançamento ao cesto, célula destacada: Trave; patinagem; combateCAPACIDADEO QUE ÉEXEMPLOORIENTAÇÃOESPACIALSituar e mover o corpo noespaçoPosicionar-se num JDCRITMOPerceber e reproduzir umaestrutura temporalDança; passada nas barreirasREAÇÃOResponder rápido e adequadoa um sinalPartida de velocidade;defesaEQUILÍBRIOManter e recuperar a posiçãodo corpoTrave; patinagem; combateDIFERENCIAÇÃODosear a força e a precisãodo gestoLançamento ao cesto
Fig. 3Fig. 3 — As capacidades coordenativas governam o «como» do movimento.
Entre as principais capacidades coordenativas contam-se a orientação espacial (situar e mover o corpo no espaço, essencial num JDC ou na ginástica), o ritmo (perceber e reproduzir uma estrutura temporal, essencial na dança e nas barreiras), a capacidade de reação (responder rapidamente e de forma adequada a um sinal, essencial nas partidas e na defesa) e o equilíbrio (manter e recuperar a posição do corpo, essencial na trave, na patinagem, no combate).
A elas juntam-se a diferenciação cinestésica (dosear com precisão a força e a amplitude do gesto — sentir «quanta» força pôr num lançamento ao cesto), a combinação ou acoplamento de movimentos (coordenar partes do corpo em simultâneo — driblar enquanto se corre e observa o jogo) e a adaptação ou transformação (ajustar o movimento a uma mudança imprevista da situação). Em conjunto, estas capacidades permitem a um praticante ser preciso, oportuno e adaptável.
As capacidades coordenativas desenvolvem-se de forma diferente das condicionais: não por aumento da carga, mas por variação e complexificação das tarefas — praticar em condições diversas, com novos estímulos e situações imprevistas, que obriguem o sistema nervoso a organizar o movimento de formas novas. A adolescência é, aliás, um período favorável ao seu desenvolvimento. Um praticante coordenado aprende mais depressa e executa com mais qualidade, mesmo sem ser o mais forte ou o mais rápido.
Exemplo resolvido

Reconhecer capacidades coordenativas na ginástica

Uma ginasta executa uma roda seguida de um equilíbrio na trave, terminando com um salto ritmado ao som da música. Identifica as capacidades coordenativas envolvidas.

  1. 01Durante a roda

    A roda exige orientação espacial (saber onde está o corpo enquanto gira) e combinação de movimentos (coordenar apoios e pernas em sequência).

  2. 02No equilíbrio na trave

    Manter-se na trave estreita exige equilíbrio (controlar a projeção do centro de gravidade sobre uma base mínima).

  3. 03No salto ritmado

    Saltar ao som da música exige ritmo (ajustar o gesto à estrutura temporal) e diferenciação (dosear a força do salto).

Resultado: A sequência mobiliza orientação espacial e combinação (roda), equilíbrio (trave) e ritmo e diferenciação (salto ao som). A ginástica é uma das matérias que mais solicita as capacidades coordenativas.

Foco no Exame Nacional

  • Enumerar e caracterizar as principais capacidades coordenativas.
  • Reconhecer cada capacidade coordenativa num exemplo de prática.
  • Explicar como se desenvolvem (variação e complexidade das tarefas).

Erros frequentes

  • Confundir capacidades coordenativas com habilidades técnicas específicas.
  • Pensar que se treinam por aumento de carga (treinam-se por variação e complexidade).
  • Reduzir a coordenação apenas ao equilíbrio, esquecendo o ritmo, a reação, a diferenciação.

Revisão ativa

Escolhe uma modalidade e identifica pelo menos três capacidades coordenativas que ela exige, indicando em que ação concreta cada uma se manifesta.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Educação Física — Ensino Secundário (Conhecimentos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Relação capacidades-métodos e foco de avaliação#

●●○PadrãoLPAE-educacao-fisica-conhecimentos-capacidades

Pontos-chave

Cada capacidade desenvolve-se com o método adequado à sua natureza (ver Fig. 4). As capacidades condicionais treinam-se por sobrecarga do sistema energético-muscular: a força, com exercícios contra resistência (cargas, o próprio peso do corpo) e repetições; a resistência, com esforços prolongados e volume de trabalho; a velocidade, com ações máximas curtas e recuperação completa (porque a velocidade máxima só se treina sem fadiga); a flexibilidade, com alongamentos regulares que aumentam progressivamente a amplitude.

Capacidades e métodos de desenvolvimento

Capacidades e métodosTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Capacidade · Método de desenvolvimento · Princípio-chave; Força · Exercícios com resistência/carga; repetições · Sobrecarga; Resistência · Esforços prolongados; volume de trabalho · Continuidade; Velocidade · Ações máximas curtas + recuperação completa · Intensidade máxima; Flexibilidade · Alongamentos regulares · Amplitude progressiva; Coordenativas · Tarefas variadas, novas e complexas · Variabilidade, célula destacada: Ações máximas curtas + recuperação completaCAPACIDADEMÉTODO DEDESENVOLVIMENTOPRINCÍPIO-CHAVEFORÇAExercícios com resistência/carga; repetiçõesSobrecargaRESISTÊNCIAEsforços prolongados; volumede trabalhoContinuidadeVELOCIDADEAções máximas curtas +recuperação completaIntensidade máximaFLEXIBILIDADEAlongamentos regularesAmplitude progressivaCOORDENATIVASTarefas variadas, novas ecomplexasVariabilidade
Fig. 4Fig. 4 — A cada capacidade corresponde um método adequado à sua natureza.
As capacidades coordenativas, pelo contrário, não se desenvolvem por aumento da carga, mas por variabilidade: praticar as tarefas de muitas formas diferentes, em condições variadas e imprevistas, com estímulos novos, para que o sistema nervoso aprenda a organizar o movimento de modos diversos. Introduzir dificuldades (executar com o lado não dominante, com restrições de tempo ou espaço, em situações de jogo variáveis) é o que faz progredir a coordenação.
Compreender esta relação capacidade-método é o que permite treinar com sentido, em vez de repetir exercícios ao acaso. Por exemplo, quem quer melhorar a velocidade e treina fazendo muitas repetições até à exaustão está, na verdade, a treinar resistência de força, não velocidade — porque a fadiga impede a execução máxima. Aplicar o método certo à capacidade certa é uma competência que a Educação Física procura desenvolver, ligada aos princípios do treino.
O foco de avaliação, nesta matéria de conhecimentos, incide sobre a compreensão e a aplicação: saber classificar e caracterizar as capacidades, reconhecê-las nas atividades praticadas e relacioná-las com os métodos de desenvolvimento e com a própria aptidão física. Este conhecimento não é teórico no vazio — serve para o aluno treinar melhor, interpretar os seus resultados no FITescola® e conduzir com autonomia o desenvolvimento da sua condição física ao longo da vida.
Exemplo resolvido

Corrigir um método de treino

Um aluno quer ser mais rápido no sprint e treina correndo repetições de 100 m sem descanso, até já não conseguir manter o ritmo. Explica por que este método é inadequado e propõe a correção.

  1. 01Identificar o erro

    Correr repetições sem descanso leva à fadiga; com fadiga, o aluno já não corre à velocidade máxima, pelo que deixa de treinar velocidade.

  2. 02Explicar a consequência

    O que este método treina é a resistência de força/resistência anaeróbia — capacidades úteis, mas diferentes da velocidade máxima que o aluno pretende.

  3. 03Propor a correção

    Para treinar velocidade, fazer distâncias curtas (20-60 m) à intensidade máxima, com recuperação completa entre repetições, de modo a cada sprint ser realmente máximo.

Resultado: O método é inadequado porque a fadiga impede a execução máxima, treinando resistência em vez de velocidade. A correção é usar sprints curtos e máximos com recuperação completa — aplicar o método certo (intensidade máxima) à capacidade certa (velocidade).

Foco no Exame Nacional

  • Associar cada capacidade condicional ao seu método de desenvolvimento.
  • Explicar por que as capacidades coordenativas se treinam por variação e não por carga.
  • Aplicar a relação capacidade-método a um objetivo concreto de treino.

Erros frequentes

  • Treinar velocidade com repetições até à exaustão (o que treina resistência de força, não velocidade).
  • Treinar coordenação sempre da mesma forma, sem variar as tarefas.
  • Separar este conhecimento da prática, em vez de o aplicar ao próprio treino.

Revisão ativa

Para um aluno que quer melhorar a força explosiva das pernas e a sua coordenação, indica um método adequado a cada objetivo, justificando a escolha pela natureza da capacidade.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Educação Física — Ensino Secundário (Conhecimentos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Classificação das capacidades motoras○
    • 02As capacidades condicionais◐
    • 03As capacidades coordenativas◐
    • 04Relação capacidades-métodos e foco de avaliação◐

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Dos resumos à prática

Capacidades Motoras: condicionais e coordenativas

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Educação Física — Ensino Secundário (Conhecimentos)

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