EuraStudy
Resumos/Economia A/A produção de bens e de serviços
Resumos · Economia APT · Secundário

A produção de bens e de serviços

Produzir é combinar fatores produtivos para criar bens e serviços que satisfaçam necessidades. Este tema define a produção e distingue bens de serviços e produção mercantil de não mercantil, identifica e classifica os fatores produtivos e os setores de atividade, estuda a produtividade e o progresso técnico e analisa os custos de produção e a lei dos rendimentos decrescentes.

5 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0333 / 12
Perfil de exame
Definir produção e distinguir bens de serviços e produção mercantil de não mercantilIdentificar e classificar os fatores produtivos e os setores de atividadeCalcular e interpretar a produtividadeDistinguir tipos de custos e explicar a lei dos rendimentos decrescentes
Operadores:definedistingueclassificacalculainterpretaexplicarelaciona

nível básico

Identificar fatores produtivos e setores de atividade e distinguir tipos de custos.

nível avançado

Calcular produtividade e custos médios e interpretar a lei dos rendimentos decrescentes a partir de tabelas.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 5 secções▾
  1. A produção de bens e de serviços
    • 01Produção, bens e serviços○
    • 02Os fatores produtivos◐
    • 03Os setores de atividade e a terciarização◐
    • 04Produtividade e progresso técnico◐
    • 05Custos de produção e rendimentos decrescentes●
§ 01

Produção, bens e serviços#

●○○BaseLPAE-economia-a-producao

Pontos-chave

Produzir é criar ou aumentar a utilidade dos bens e serviços destinados a satisfazer necessidades, combinando para isso os fatores produtivos (ver Fig. 1). A produção acrescenta valor: transforma recursos (matérias-primas, trabalho, máquinas) em algo mais útil do que a soma das partes. Nem toda a atividade humana é produção económica — só o é a que gera bens e serviços com valor económico, passíveis de troca ou de utilização social organizada.

A produção combina fatores em bens e serviços

Da combinação de fatores aos bens e serviçosGrafo, Recursos naturais → Produção, Trabalho → Produção, Capital → Produção, Produção → Bens e serviçosRecursosnaturaisTrabalhoCapitalProduçãoBens e serviçosacrescentavalor
Fig. 1Fig. 1 — Produzir é combinar os fatores produtivos (recursos naturais, trabalho, capital) para gerar bens e serviços que satisfazem necessidades.
Distingue-se a produção de bens materiais (com existência física — pão, automóveis, edifícios) da produção de serviços, bens imateriais que não se armazenam e que, em geral, se consomem no momento em que se prestam (uma consulta médica, uma aula, um transporte, um espetáculo). A economia moderna é cada vez mais uma economia de serviços, o que torna esta distinção central para compreender a estrutura produtiva contemporânea.
Quanto ao destino, distingue-se a produção mercantil da não mercantil. A produção mercantil destina-se a ser vendida no mercado a um preço que cobre, em regra, os custos (a produção das empresas). A produção não mercantil é fornecida gratuitamente ou a preços económicamente insignificantes (inferiores a metade dos custos de produção), sendo financiada por outras vias — é o caso de muitos serviços públicos do Estado (saúde, educação, justiça) e das instituições sem fins lucrativos.
A produção pressupõe uma organização: decidir o que produzir, como e para quem, e combinar os fatores da forma mais eficiente. Estas decisões cabem, sobretudo, às empresas (na produção mercantil) e ao Estado (em boa parte da não mercantil). A eficiência produtiva — obter o máximo de produto com dados fatores, ou um dado produto com o mínimo de fatores — é o critério que orienta a organização da produção e que a produtividade permite medir.
Exemplo resolvido

Classificar produções

Classifica quanto à natureza (bem/serviço) e ao destino (mercantil/não mercantil): (a) o fabrico de telemóveis por uma empresa; (b) o atendimento num hospital público; (c) o transporte prestado por uma empresa de autocarros.

  1. 01(a) Telemóveis

    Bem material; destinado a ser vendido no mercado a um preço que cobre custos — produção mercantil.

  2. 02(b) Hospital público

    Serviço (imaterial); fornecido gratuitamente ou a preço simbólico, financiado por impostos — produção não mercantil.

  3. 03(c) Transporte de autocarro

    Serviço; vendido a um preço (bilhete) — produção mercantil.

Resultado: (a) bem, mercantil; (b) serviço, não mercantil; (c) serviço, mercantil.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir bens de serviços e produção mercantil de produção não mercantil.
  • Reconhecer a produção como combinação de fatores que acrescenta utilidade/valor.

Erros frequentes

  • Considerar «produção» apenas a de bens materiais, esquecendo que os serviços são também produção económica.
  • Confundir produção não mercantil com produção «sem custos» — ela tem custos, apenas não é vendida a preços de mercado.

Revisão ativa

Classifica quanto à natureza (bem/serviço) e ao destino (mercantil/não mercantil): (a) o fabrico de telemóveis por uma empresa; (b) o ensino numa escola pública; (c) um corte de cabelo num salão.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (A produção) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Os fatores produtivos#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-producao

Pontos-chave

Os fatores produtivos são os recursos que se combinam para produzir. Tradicionalmente consideram-se três: os recursos naturais (a «terra»), o trabalho e o capital (ver Fig. 2). A cada fator corresponde um rendimento pago a quem o fornece — renda aos recursos naturais, salário ao trabalho, juro ao capital —, ligação que será fundamental no estudo da repartição dos rendimentos.

Classificação dos fatores produtivos

Fatores produtivosDiagrama em árvore, 7 caminhos, Dados: Recursos naturais → Renováveis; Recursos naturais → Não renováveis; Trabalho → Manual; Trabalho → Intelectual; Capital → Fixo (máquinas); Capital → Circulante (matérias); Capacidade empresarialRecursos natu…TrabalhoCapitalFatores produ…RenováveisNão renováveisManualIntelectualFixo (máquina…Circulante (m…Capacidade em…
Fig. 2Fig. 2 — Os fatores produtivos e as suas subdivisões. A cada fator corresponde um rendimento: renda, salário, juro e lucro.
Os recursos naturais são os bens fornecidos pela natureza e utilizados na produção: o solo, a água, os minérios, as florestas, as fontes de energia. Classificam-se em renováveis, que se regeneram naturalmente em prazos úteis se explorados com moderação (energia solar, eólica, florestas geridas), e não renováveis, cujos stocks são finitos e se esgotam com o uso (petróleo, carvão, minérios metálicos). A gestão sustentável dos recursos naturais é hoje uma preocupação central da Economia.
O trabalho é a atividade humana, física e intelectual, aplicada à produção. É o fator mais importante, porque coordena os restantes. Distingue-se trabalho manual de intelectual e, sobretudo, avalia-se a sua qualidade pela qualificação (capital humano): a educação, a formação e a experiência aumentam a produtividade do trabalho. A população ativa (empregada e desempregada) é a parte da população que oferece o seu trabalho no mercado.
O capital é o conjunto de bens produzidos que servem para produzir outros bens — é «produção destinada a produzir». Distingue-se o capital fixo, que dura vários ciclos produtivos (máquinas, edifícios, equipamentos), do capital circulante, que se consome ou incorpora num único ciclo (matérias-primas, energia, componentes). Alguns programas destacam ainda a capacidade empresarial — a função de organizar e assumir o risco de combinar os fatores — como um quarto fator, remunerado pelo lucro.
Exemplo resolvido

Identificar fatores produtivos

Numa fábrica de mobiliário, classifica: (a) a madeira em bruto; (b) a serra elétrica; (c) o trabalho do marceneiro; (d) a floresta gerida de onde vem a madeira.

  1. 01(a) Madeira em bruto

    Capital circulante — matéria-prima que se incorpora no produto num único ciclo produtivo.

  2. 02(b) Serra elétrica

    Capital fixo — equipamento que dura vários ciclos de produção.

  3. 03(c) Marceneiro

    Fator trabalho — atividade humana aplicada à produção; remunerado por salário.

  4. 04(d) Floresta gerida

    Recurso natural renovável — regenera-se se explorado com moderação; remunerado por renda.

Resultado: (a) capital circulante; (b) capital fixo; (c) trabalho; (d) recurso natural renovável.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os três fatores produtivos e o rendimento associado a cada um.
  • Distinguir recursos renováveis de não renováveis e capital fixo de capital circulante.

Erros frequentes

  • Chamar «capital» ao dinheiro: em Economia, o capital (fator produtivo) são os bens de produção (máquinas, instalações), não o capital financeiro.
  • Confundir capital fixo (dura vários ciclos) com capital circulante (consome-se num só ciclo).

Revisão ativa

Numa fábrica de mobiliário, identifica um exemplo de cada fator produtivo e classifica: a madeira, a serra elétrica, o marceneiro e a floresta de onde vem a madeira.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Fatores produtivos) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os setores de atividade e a terciarização#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-producao

Pontos-chave

A atividade económica agrupa-se em três setores, segundo a natureza da produção (ver Fig. 3). O setor primário reúne as atividades que exploram diretamente os recursos naturais: agricultura, pecuária, silvicultura, pesca e indústria extrativa. O setor secundário reúne as atividades que transformam matérias-primas em bens: a indústria transformadora, a construção e a produção de energia. O setor terciário reúne a prestação de serviços: comércio, transportes, banca, turismo, saúde, educação, administração pública.

Os setores de atividade económica

Setores de atividadeDiagrama em árvore, 9 caminhos, Dados: Primário → Agricultura; Primário → Pesca; Primário → Extração; Secundário → Indústria; Secundário → Construção; Secundário → Energia; Terciário → Comércio; Terciário → Serviços; Terciário → TransportesPrimárioSecundárioTerciárioSetores de at…AgriculturaPescaExtraçãoIndústriaConstruçãoEnergiaComércioServiçosTransportes
Fig. 3Fig. 3 — Os três setores de atividade e exemplos. O desenvolvimento tende a deslocar o peso do primário para o secundário e, depois, para o terciário (terciarização).
A classificação por setores é importante para caracterizar uma economia e a sua evolução. À medida que uma economia se desenvolve, verifica-se tipicamente uma transferência de importância do primário para o secundário e, depois, para o terciário, tanto no emprego como na produção. A este crescimento do peso dos serviços chama-se terciarização. Nas economias desenvolvidas, como a portuguesa, o setor terciário é largamente dominante no emprego e no valor acrescentado.
A terciarização resulta de vários fatores: os ganhos de produtividade na agricultura e na indústria (que libertam mão de obra), o aumento do rendimento (que faz crescer a procura de serviços de lazer, saúde e educação — recorde-se a lei de Engel), a urbanização e a externalização de serviços pelas empresas. Alguns autores distinguem ainda um setor quaternário, ligado à informação, à investigação e às tecnologias, para captar as atividades de maior valor acrescentado.
Os setores estão interligados: a agricultura (primário) fornece matérias-primas à indústria alimentar (secundário), que as distribui através do comércio (terciário). O bom desempenho de uma economia depende do equilíbrio e da articulação entre os três. Classificar corretamente uma atividade exige olhar para a NATUREZA da produção, e não para o produto final: uma padaria industrial é secundário (transforma farinha em pão), mas a venda desse pão numa loja é terciário (comércio).
Exemplo resolvido

Classificar atividades por setor

Classifica no setor de atividade: (a) uma exploração vinícola; (b) uma fábrica de conservas de peixe; (c) um supermercado; (d) uma empresa de desenvolvimento de software.

  1. 01(a) Exploração vinícola

    Explora diretamente um recurso natural (a terra, a vinha) — setor primário.

  2. 02(b) Fábrica de conservas

    Transforma matéria-prima (peixe) num bem — setor secundário (indústria transformadora).

  3. 03(c) Supermercado

    Presta um serviço de comércio (distribuição) — setor terciário.

  4. 04(d) Empresa de software

    Presta serviços ligados à informação e tecnologia — setor terciário (ou quaternário, na classificação alargada).

Resultado: (a) primário; (b) secundário; (c) terciário; (d) terciário/quaternário.

Foco no Exame Nacional

  • Classificar atividades económicas nos três setores segundo a natureza da produção.
  • Explicar a terciarização e os seus fatores explicativos.

Erros frequentes

  • Classificar uma atividade pelo produto e não pela natureza da operação (por exemplo, colocar a venda de pão no secundário por se tratar de pão).
  • Confundir terciarização (crescimento do peso dos serviços) com desindustrialização absoluta — o secundário pode até crescer em valor, perdendo apenas peso relativo.

Revisão ativa

Classifica no setor de atividade: (a) uma exploração vinícola; (b) uma fábrica de conservas; (c) um supermercado; (d) uma empresa de software.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Setores de atividade) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Produtividade e progresso técnico#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-producao

Pontos-chave

Para produzir, é preciso combinar os fatores em proporções adequadas — as combinações produtivas. A mesma quantidade de produto pode obter-se com combinações diferentes (mais trabalho e menos máquinas, ou o inverso); a empresa escolhe a combinação mais eficiente, dados os preços dos fatores. A eficiência dessa combinação mede-se pela produtividade.
A produtividade é a relação entre a produção obtida e a quantidade de fator utilizado (ver fórmula). A produtividade do trabalho — a mais usada — é a produção por trabalhador (ou por hora de trabalho). Aumentar a produtividade significa produzir mais com os mesmos fatores, ou o mesmo com menos: é a fonte central do crescimento económico e da melhoria do nível de vida. A Fig. 4 ilustra um ganho de produtividade do trabalho resultante da mecanização.

Ganho de produtividade do trabalho (valores ilustrativos)

Produtividade do trabalhoGráfico de colunas: unidades por trabalhador, Dados: Produção por trabalhador · Antes da máquina: 40; Produção por trabalhador · Depois da máquina: 540102030405060Antes da má…Depois da m…4054unidades por trabalhador
Fig. 4Fig. 4 — Produtividade do trabalho (produção por trabalhador) antes e depois de uma nova máquina: sobe de 40 para 54 unidades, um ganho de 35 %.
A produtividade aumenta por várias vias: a qualificação do trabalho (educação e formação), a melhoria e a quantidade do capital por trabalhador, a organização do trabalho e, sobretudo, o progresso técnico. A divisão do trabalho — decompor a produção em tarefas especializadas — aumenta muito a produtividade (destreza, poupança de tempo, mecanização de cada tarefa), como já observara Adam Smith na fábrica de alfinetes; tem, porém, limites (monotonia, dependência entre postos).
O progresso técnico é a introdução de novos conhecimentos, métodos e equipamentos que tornam a produção mais eficiente. É o motor de longo prazo da produtividade e do crescimento, mas transforma o emprego: destrói postos em atividades automatizadas e cria outros em atividades novas, exigindo requalificação. Compreender a produtividade e o progresso técnico é essencial para explicar por que umas economias crescem mais do que outras e por que a FPP se desloca para fora ao longo do tempo.
Produtividade=Produc¸a˜oQuantidade de fator\text{Produtividade} = \dfrac{\text{Produção}}{\text{Quantidade de fator}}Produtividade=Quantidade de fatorProduc¸​a˜o​

Produtividade

Relação entre o produto obtido e o fator empregue; a produtividade do trabalho é a produção por trabalhador (ou por hora de trabalho).

Exemplo resolvido

Calcular ganhos de produtividade

Uma oficina produzia 800 unidades com 20 trabalhadores. Após adquirir uma máquina, produz 1080 unidades com os mesmos 20 trabalhadores. Calcula a produtividade do trabalho antes e depois e a taxa de variação.

  1. 01Produtividade antes

    800 / 20 = 40 unidades por trabalhador.

  2. 02Produtividade depois

    1080 / 20 = 54 unidades por trabalhador.

  3. 03Taxa de variação

    (54 − 40)/40 × 100 = 14/40 × 100 = 35 %.

  4. 04Interpretação

    Com os mesmos trabalhadores, cada um produz agora mais 35 %: o progresso técnico (a máquina) elevou a produtividade do trabalho.

Resultado: Produtividade: 40 → 54 unidades/trabalhador; ganho de 35 %, devido ao progresso técnico.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular a produtividade (do trabalho) e a sua taxa de variação e interpretar o resultado.
  • Relacionar produtividade, divisão do trabalho e progresso técnico com o crescimento económico.

Erros frequentes

  • Confundir produção (quantidade total produzida) com produtividade (produção por unidade de fator).
  • Concluir que mais trabalhadores significa sempre maior produtividade — o que aumenta é a produção total; a produtividade pode até descer (rendimentos decrescentes).

Revisão ativa

Uma oficina produzia 800 unidades com 20 trabalhadores; após adquirir uma nova máquina, produz 1080 unidades com os mesmos 20 trabalhadores. Calcula a produtividade antes e depois e a respetiva taxa de variação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Produtividade e progresso técnico) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Custos de produção e rendimentos decrescentes#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-a-producao

Pontos-chave

Produzir tem custos — o valor dos fatores utilizados. Classificam-se em custos fixos (CF), independentes da quantidade produzida a curto prazo (renda das instalações, seguros, parte dos salários), e custos variáveis (CV), que aumentam com a produção (matérias-primas, energia, trabalho contratado à peça). O custo total é a soma dos dois: CT = CF + CV (ver Fig. 6). A distinção é decisiva: mesmo produzindo zero, a empresa suporta os custos fixos.

Custos de produção e custo médio

Custos de produçãoTabela com 5 colunas e 5 linhas, Dados: Quantidade · Custo fixo · Custo variável · Custo total · Custo médio; 0 · 100 · 0 · 100 · —; 10 · 100 · 50 · 150 · 15,00; 20 · 100 · 120 · 220 · 11,00; 30 · 100 · 210 · 310 · 10,33; 40 · 100 · 360 · 460 · 11,50QUANTIDADECUSTO FIXOCUSTO VARIÁVELCUSTO TOTALCUSTO MÉDIO01000100—101005015015,002010012022011,003010021031010,334010036046011,50Custo total e custo médio (forma em U)
Fig. 6Fig. 6 — Custos de produção: CT = CF + CV; CMe = CT/Q. O custo médio desce (diluição do custo fixo) e depois sobe — mínimo em torno de 30 unidades.
Do custo total derivam medidas por unidade. O custo médio (ou custo unitário) é o custo total a dividir pela quantidade produzida, CMe = CT/Q; indica quanto custa, em média, cada unidade. À medida que a produção aumenta, o custo fixo dilui-se por mais unidades, pelo que o custo médio começa por descer; mas, a partir de certo ponto, os custos variáveis crescem mais que proporcionalmente e o custo médio volta a subir. Daí a típica forma em U do custo médio, com um mínimo (a escala mais eficiente).
A subida do custo médio a partir de certo nível de produção explica-se pela lei dos rendimentos decrescentes. Aumentando um fator (por exemplo, o trabalho) enquanto os outros se mantêm fixos (as instalações, as máquinas), o produto marginal — o acréscimo de produção da última unidade de fator — começa por aumentar mas, a partir de certo ponto, diminui (ver Fig. 5): os trabalhadores adicionais têm cada vez menos capital para trabalhar. Não confundir com produto total, que continua a crescer enquanto o produto marginal for positivo.

Produto total e produto marginal (rendimentos decrescentes)

Rendimentos decrescentesTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Trabalhadores · Produto total · Produto marginal; 1 · 10 · 10; 2 · 24 · 14; 3 · 36 · 12; 4 · 44 · 8; 5 · 48 · 4; 6 · 48 · 0TRABALHADORESPRODUTO TOTALPRODUTO MARGINAL110102241433612444854846480Produto marginal decrescente a partir do 3.º trabalhador
Fig. 5Fig. 5 — Com as instalações fixas, o produto marginal cresce até ao 2.º trabalhador e depois decresce (14 → 12 → 8 → 4 → 0): lei dos rendimentos decrescentes.
Estes conceitos permitem à empresa decidir. Comparando o custo de produzir mais uma unidade com a receita que ela traz, a empresa determina a quantidade que maximiza o lucro. A curto prazo, pode valer a pena produzir mesmo com prejuízo, desde que a receita cubra os custos variáveis (contribuindo para pagar os fixos); a longo prazo, todos os custos são variáveis e a empresa só permanece no mercado se cobrir a totalidade dos custos. A análise de custos liga-se, assim, à formação da oferta, estudada no tema dos mercados.
CT=CF+CVCMe=CTQCT = CF + CV \qquad CMe = \dfrac{CT}{Q}CT=CF+CVCMe=QCT​

Custo total e custo médio

O custo total é a soma dos custos fixos e variáveis; o custo médio (unitário) é o custo total por unidade produzida.

Exemplo resolvido

Calcular custo total e custo médio

Com custos fixos de 100 € e custos variáveis de 210 € para produzir 30 unidades, calcula o custo total e o custo médio. Compara o custo médio com o de produzir 20 unidades (CV = 120 €).

  1. 01Custo total (30 un.)

    CT = CF + CV = 100 + 210 = 310 €.

  2. 02Custo médio (30 un.)

    CMe = CT/Q = 310/30 ≈ 10,33 € por unidade.

  3. 03Custo médio (20 un.)

    CT = 100 + 120 = 220 €; CMe = 220/20 = 11,00 € por unidade.

  4. 04Comparação

    Produzir 30 unidades sai a 10,33 €/unidade, menos do que 20 unidades (11,00 €): a maior escala diluiu melhor o custo fixo (economias de escala nesta gama).

Resultado: Para 30 unidades: CT = 310 €, CMe ≈ 10,33 €; mais barato por unidade do que 20 unidades (11,00 €).

Foco no Exame Nacional

  • Calcular custo total (CT = CF + CV) e custo médio (CMe = CT/Q) e interpretar a forma em U do custo médio.
  • Explicar a lei dos rendimentos decrescentes a partir da evolução do produto marginal.

Erros frequentes

  • Julgar que os custos fixos desaparecem quando a produção é nula — eles mantêm-se (é o que os torna «fixos»).
  • Confundir produto marginal decrescente (a última unidade de fator rende menos) com uma queda do produto total (que só desce se o produto marginal for negativo).

Revisão ativa

Uma empresa tem custos fixos de 100 € e, para produzir 20 unidades, custos variáveis de 120 €. Calcula o custo total e o custo médio dessa produção.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Custos de produção) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Produção, bens e serviços○
    • 02Os fatores produtivos◐
    • 03Os setores de atividade e a terciarização◐
    • 04Produtividade e progresso técnico◐
    • 05Custos de produção e rendimentos decrescentes●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

A produção de bens e de serviços

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~16
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (A produção)

Tópico anterior

Necessidades e consumo

Tópico seguinte

Comércio e moeda

EuraStudy·Resumos T·03·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.